terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Resiliência na travessia

 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere (renegue).

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Companheiros na travessia

                                                      

Companheiros na travessia

Todas as vezes que celebramos a Eucaristia, degustamos a Palavra, precedida por uma preparação, que se torna cada vez mais um imperativo no mundo pós-moderno, em procura da saciedade de amor, alegria, paz, luz.

A Liturgia da Palavra, inseparavelmente da Liturgia Eucarística, são imprescindíveis Mesas que nos revigoram, nos dão forças em nossas travessias, por vezes sombrias, obscuras em alguns momentos.

Viver, de fato, é uma grande travessia: 

“Tornar-se companheiro de viagem de cada homem, ser para cada homem ‘Sacramento ‘do Amor de Deus com os gestos, tal como com as palavras: é este o compromisso irrenunciável que as leituras de hoje colocam à nossa frente. 

Somos chamados a viver a responsabilidade de fazer da dupla Mesa do Pão e da Palavra o centro, o coração da vida, tornando-a disponível a quem quer que possamos encontrar: 

Somos chamados a tornar-nos companheiros de viagem, e, portanto, a tornar-nos dom, na missão que Deus nos confia, identificando-nos com essa missão sem querer nada para nós, e desaparecer nela e com ela; como o diácono Filipe, que cumpre a sua missão e logo é arrebatado pelo Espírito por ser destinado a outras missões.”  (1)

Nesta travessia, como companheiros de viagem, é fundamental que nos ajudemos reciprocamente com os dons que Deus nos concede a cada um:

“Nesta caminhada, tão profundamente humana, todos podemos descobrir-nos, companheiros de viagem e iluminar-nos reciprocamente com os dons que Deus concede a cada um” (2).

Deste modo:

Companheiros de viagem, haveremos de ser também,
Companheiros de viagem, também precisamos ter.

Companheiro é aquele que come o pão no mesmo prato;
Que partilha as alegrias, vitórias, conquistas,

Mas que também é solícito para compartilhar
Tristezas, derrotas, perdas, por vezes irreparáveis.

Que nos fala, com a palavra e com a vida,
Uma palavra, sobretudo uma Palavra Divina.

Que nos ajuda a firmar os passos na direção
De uma eternidade feliz, desde o tempo presente.

Que nos abre os olhos para o necessário,
Não permitindo que o medo nos cegue.

Que não faz média, pacto de mediocridade,
Sem conivência com o erro e a falta da verdade.

Que nos toma pelas mãos para adiante seguir,
Sem dar em nosso lugar os necessários passos.

Que sabe contar e cantar os sonhos que nos movem,
Porque de sonhos e cantos também vivemos.

Que nos ajuda a enfrentar os terríveis pesadelos,
Confiantes que não têm eles a última palavra.

Que compartilhe as dúvidas e incertezas do momento que vivemos,
Nas escolhas que haveremos de fazer, para maiores acertos.

Que nos ajuda a não trair os princípios de nossa fé,
Sobretudo os que se referem à dignidade e sacralidade da vida.

Companheiros que me ajudem a continuar esta reflexão,
Porque companheiros se enriquecem reciprocamente.

Companheiros de viagem, precisamos!
Companheiros de viagem, sejamos!

(1)     Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p.470. 
(2)    Idem – Tempo Comum – Vol. II – p.476

Preteridos ou Preferidos

                                                            

Preteridos ou Preferidos

A vida pode apresentar situações em que somos preferidos ou  preteridos.

Saber lidar com esta situação dependerá da importância que damos ao fato, da abertura e predisposição que tenhamos para as variações, opções, escolhas e surpresas que a vida nos apresenta.

Assimilar esta dialética com naturalidade e, sobretudo com boa e sadia espiritualidade é sempre o caminho.

Vejamos as duas definições para ajudar na reflexão:

Preterido:
Aquele ou algo que foi alvo de preterição; rejeitado; desprezado; diz-se, também, do herdeiro omitido em testamento; aquele ou aquilo que não foi mencionado; por último, a pessoa que não foi promovida.

Preferido:
Aquele ou aquilo que se prefere; que foi o escolhido; que é o mais querido; favorito; predileto; antônimo de preterido.

Aparentemente, são simples as definições (cf. Aulete Virtual), mas podem nos ajudar na reflexão sobre o viver em comunidade, seja religiosa ou de toda a ordem.

Diante de Deus quem são os preferidos ou os preteridos?

Diante d’Ele, os preferidos são os pobres, os excluídos, os sofredores, as crianças, os enfermos, os famintos, os últimos, os marginalizados, a escória da sociedade, os pequenos e simples...

Preteridos são, por sua vez, os orgulhosos, os autossuficientes, os gananciosos, os arrogantes, os prepotentes, os egoístas, os invejosos, os preguiçosos, os indolentes, os incrédulos, os idólatras...

E no dia a dia, desde a infância, a relação das crianças passa pelo ser preferido ou preterido. Preferidos ou preteridos, na exata medida, possibilita o amadurecimento, mas, em intensidade desmedida, torna-se marcante pelo aspecto negativo. Carência ou segurança será o resultado.

A vida terá páginas em que ora seremos preferidos, ora preteridos. Importa saber lidar com esta realidade.

A psicologia nos ensina que as relações humanas devem ser trabalhadas como sentimentos e emoções; quer em relação para consigo mesmo, quer em relação aos outros. Se atritos houver, será oportunidade para superação. Metas a serem alcançadas pedem sempre superação de etapas, desafios...

Bem sabemos que muitos problemas nas comunidades surgem de relações de preferência ou preterimento.

Assim também se dá no espaço religioso: Somos mais seguros quando jamais nos sentimos preteridos por Deus, mas por Ele amados, preferidos.

Preferidos para que amemos mais, em atitudes amadurecidas, expressas em doação, entrega e serviço:

“Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus grandes as tiranizam.

Entre vós não será assim: Ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser o grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós seja o servo de todos.

Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,42-45).

Tenhamos maturidade e sabedoria para corresponder quando preferidos, e saber superar quando preteridos.

Assim é a vida: ora preferidos, ora preteridos...

Vós não resististes até o sangue...

                                                       


Vós não resististes até o sangue...

"O Senhor é a minha força e o meu escudo; n’Ele o meu coração confia, e d’Ele recebo ajuda. Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças."

(Sl 28,7)

Celebramos dia 03 de fevereiro a memória de um grande Santo da Igreja, São Brás, Bispo e Mártir do século IV, e faz parte da religiosidade popular buscar,  neste dia, a Bênção da garganta.

O vermelho dos paramentos anuncia o martírio, o sangue derramado...

Desde as primeiras Missas que celebrei, “sempre tremi” ao colocar paramentos vermelhos, pois ou lembrava a memória dos mártires, aqueles que deram a vida  pela Igreja ou a força do Espírito Santo.

São Brás é  conhecido como protetor da garganta, pois ao se dirigir para o martírio lhe foi apresentada uma mãe desesperada com seu filho, que estava sufocado por uma espinha de peixe entalada na garganta.

Diante desta situação o Santo em Deus curou milagrosamente a criança.

Interessante que mesmo caminhando para o martírio encontra serenidade e tempo para a solidariedade, para fazer o bem!

Quantas vezes colocamos tantos empecilhos para fazer o bem a alguém.

Mesmo em situação absolutamente adversa, a compaixão tomava conta de São Brás.

Ele foi vítima de morte cruenta: foi pendurado, sua pele esfolada com dentes de  ferro, e finalmente degolado, porém seu amor por Jesus Cristo lhe falou mais forte e mais alto ao coração.

A Epístola aos Hebreus (Hb 12,1-4), muito nos ajuda a refletir sobre a vida deste mártir da Igreja que, a exemplo de Cristo, também derramou seu sangue.

O autor da Epístola nos convida à fidelidade, à perseverança, a não desanimar no caminho do seguimento de Jesus, mantendo nossos olhos fixos Naquele que é o autor e realizador de nossa fé: Jesus!

A alegria que alcança e pela qual Se entrega tem caminho que ultrapassa nosso entendimento, não segue os parâmetros da razão: sofrendo na Cruz testemunha um amor que ama até o fim!

Nisto consiste o verdadeiro amor e causa da verdadeira alegria que o mundo não pode oferecer...

Exorta-nos a não nos deixarmos fatigar pelo desânimo: “Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado!".

Devoção aos santos, antes de tudo, é imitar suas virtudes na fidelidade ao Senhor, pois Ele é O Caminho, A Verdade e A Vida, o único capaz de nos Salvar.

Deste modo, peçamos a Deus a luz da verdadeira ciência para não nos desviarmos do caminho do bem e do amor, pois "… Somente o Espírito Santo tem o poder de purificar nossa mente… É necessário, portanto, alegrar em tudo o Espírito Santo pela paz da alma, mantendo em nós sempre acesa a lâmpada da ciência.

Quando ela não cessa de brilhar no íntimo da mente, conhece-se os ataques cruéis e tenebrosos dos demônios, o que mais ainda os enfraquece sendo eles manifestados por aquela santa e gloriosa luz” (Diádoco de  Foticeia, Bispo – séc. V).

Não apagaremos o Espírito guardando nosso pensamento de tudo aquilo que nos afasta de Deus, evitando tudo que for maldade, contrário à vontade Divina, evitando que mergulhemos em escuridão insuportável que é a absoluta falta da ciência de Deus.

Apresento duas Orações que podem ser rezadas quando necessário:

- Oremos:

- "Ó glorioso São Brás que restituístes, com uma breve oração, a perfeita saúde de um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, esteve prestes a expirar, obtendo para nós todos, a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta.

Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. Amém!"

- "Senhor, pelos méritos de São Brás, peço-Vos por minha saúde e, especialmente, que me liberteis dos males da garganta.

Rogo-Vos, também, por minha vida espiritual. Liberta-me da preguiça na oração, pois é a única maneira de manter-me sempre unido a Deus. São Brás rogai por nós. Amém.”

E a fórmula da bênção, finalmente, mais conhecida e rezada no dia em que celebramos sua Memória:

Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te
Deus do mal da garganta e qualquer outra enfermidade.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

E em todo tempo assim também oremos:

“Senhor, dai-nos força para resistir à tentação,
paciência na tribulação e sentimentos de
gratidão na prosperidade”.

A chama do Divino Amor

                                                            

A chama do Divino Amor

Na terça-feira da quarta Semana do Tempo Comum (ano ímpar), ouvimos a passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 12,1-4), e temos a possibilidade de refletir sobre a radicalidade da missão, como discípulos missionários do Senhor, na vivência da vocação profética que Ele nos confiou.

Assim também foram os Profetas, e um dos exemplos é o Profeta Jeremias (Jr 38,4-6;8-10), com a missão de testemunhar a ação de Deus e a necessária fidelidade a Ele, à luz da verdade e com coerência, pois Ele tem um Projeto de vida para humanidade.

Esta missão, no entanto, atraiu dos chefes do povo o ódio e a desconfiança. No entanto, confiando em Deus, não se omite em sua missão, ainda que pague com o preço da própria vida (abandono, solidão, tradição, desolação...).

A atividade profética de Jeremias se deu numa época muito complicada em termos históricos (a partir de 627 a.C.) até bem depois da queda de Jerusalém em 586 a.C.).

A sua vida foi constantemente arriscada por causa da Palavra de Deus e de sua missão profética, por isso é modelo do Profeta que  dá sua própria vida para que a Palavra de Deus ecoe no mundo e na vida da humanidade.

O Profeta, como Jeremias, sabe que Deus está sempre ao lado dos que anunciam e testemunham fielmente a Sua Palavra, de modo que suportam perseguição e marginalização pelo mundo e pelos poderosos. Assim é a história de Jeremias: incompreendido, humilhado, esmagado, abandonado (não por Deus, que é sempre presença amiga e reconfortante).

De fato, o caminho percorrido pelo Profeta: “não é um percurso fácil, nem carreira recheada de êxitos humanos, nem um caminho atapetado pelo entusiasmo e pelas palmas das multidões; mas é um caminho de cruz, de sofrimento, de incompreensão, com o poder daqueles que pretendem construir o mundo sobre valores de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de morte” (1)

Reflitamos:

- O que tenho a aprender com o Profeta Jeremias?
- Como vivo a vocação profética?
- Sinto a presença de Deus em todos os momentos da minha vida?

Assim também aconteceu com os primeiros cristãos como vemos na mencionada Epístola. Daqui decorre a necessidade de uma mensagem dirigida a uma comunidade cansada, acomodada, desanimada diante das dificuldades e do aparente fracasso da missão.

A comunidade vivia num contexto de hostilidade e o autor exortou para que os cristãos corram, incansável e determinantemente, para a meta, que é o próprio Cristo, e assim alcançará a vitória, a Salvação.

Para tanto, os cristãos precisam despojar-se do fardo do pecado (egoísmo, comodismo, autossuficiência), tendo Jesus Cristo como modelo fundamental, pois Ele enfrentou a Cruz e sentou-Se à direita do trono de Deus:

“O caminho do cristão não é um passeio fácil e descomprometido, mas um caminho duro e difícil que não se compadece com ‘meias tintas’ nem com compromissos mornos e a ‘meio gás’. Exige coragem para vencer os obstáculos, capacidade de luta para enfrentar a oposição, compromissos profundos e radicais.” (2)

Reflitamos:
- Como está a vida de fé de nossa comunidade?
- Quais os obstáculos que encontramos no caminho, na vivência de nossa fé?
- Como testemunho com radicalidade o amor de Deus?

Que o nosso coração seja inflamado pelo fogo purificador do amor do Senhor, tão somente assim, seremos verdadeiros discípulos Seus, e viveremos, com ardor e coragem, a vocação profética que Ele nos confia.

Acendei, Senhor, em nós a chama do Vosso divino amor!


(1) (2) cf. www.dehonianos.org.br

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

 


Que necessidade teria Maria de purificação?

“Pensas – pergunta São Bernardo – que não podia queixar-se e dizer:

Que necessidade tenho eu de purificação? Por que me impedem de entrar no templo se as minhas entranhas, não tendo conhecido varão, se converteram em templo do Espírito Santo?

Por que não hei de entrar no templo, se gerei o Senhor do templo?

Não há nada de impuro, nada de ilícito, nada que deva submeter-se à purificação nesta concepção e neste parto; este Filho é a fonte da pureza, pois veio purificar os pecados. De que irá purificar-me o rito, se o próprio parto imaculado me fez puríssima?” (1)

 

(1) São Bernardo, Sermão sobre a purificação de Santa Maria, III, Citado em www.hablarcomdios.com

“Nunc Dimittis”

                                                          


“Nunc Dimittis”

A Igreja reza à noite, todos os dias, a Oração das Completas, e nela está contido o “Nunc Dimittis” - "agora deixe partir",  rezado por Simeão, homem justo e piedoso, quando da apresentação do Senhor no Templo (Lc 2,29-32).

Cristo, Luz das nações e glória de Seu povo, é um cântico evangélico que pode também ser rezado por quantos puderem nas orações da noite, ao terminar um dia de intensas atividades, preocupações e eventual cansaço, para um bom descanso e um novo dia bem iniciado:

“Antífona: Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em Sua paz!

“–29 Deixai, agora, Vosso servo ir em paz,
conforme prometestes, ó Senhor.

30 Pois meus olhos viram Vossa salvação
31 que preparastes ante a face das nações:

32 uma Luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o Vosso povo.”

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em Sua paz!

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