quinta-feira, 2 de abril de 2026

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                          


Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística

“A liturgia eucarística processa-se em conformidade com uma estrutura fundamental, que se tem conservado através dos séculos até aos nossos dias.

Desdobra-se em dois grandes momentos, que formam basicamente uma unidade:

– a reunião, a liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;

– a liturgia eucarística, com a apresentação do Pão e do Vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão.

Liturgia da Palavra e liturgia eucarística constituem juntas ‘um  só e mesmo ato de culto’. Com efeito, a mesa posta para nós na Eucaristia é, ao mesmo tempo, a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor”. (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo  n. 1346

Chamados à Santidade... (Quinta-feira Santa)

          



Chamados à Santidade...

Na Quinta-feira Santa, celebramos com toda a Igreja, além da Instituição da Eucaristia, do Mandamento do Amor, que o Senhor nos deu na última Ceia com Seus discípulos, a instituição do Ministério Sacerdotal.

O Missal Dominical acentua que o Sacerdócio e a caridade estão estreitamente ligados ao Sacramento da Eucaristia, compreendido em sua globalidade, e de modo mais preciso. (1)

Deste modo, o Presbítero é colocado à frente da comunidade pelo Bispo, para colaborar com este no cuidado do rebanho.

Para aprofundar a missão do Presbítero, retomemos uma breve passagem que nos fala sobre a missão do Bispo, e quais as virtudes necessárias que este deve ter, no cultivo de uma autêntica espiritualidade que revela a presença e ação do Cristo Bom Pastor:

“Como os Apóstolos, o Bispo recebe o mandamento de pregar o Evangelho e de guiar o rebanho de Deus, à imagem do ‘grande Pastor’ das ovelhas (Hb 13,20; João 11, 11-15), o próprio Cristo; de oferecer a Deus, em virtude da autoridade sacerdotal, os dons da Igreja, de conferir encargos e mandatos para a utilidade e o bem comum, de julgar e de reconhecer os espíritos e os carismas. 

A serviço dessas tarefas, o Bispo deverá empenhar um coração puro, uma vontade firme, uma opinião segura, uma misericórdia incansável, uma coragem sem titubeios.

As virtudes que deverão predominar no Bispo são as mais nobres e certamente as mais árduas; as leituras propostas se comprazem em apontá-las: probidade de espírito, sobriedade de costumes, vida familiar exemplar, solidez de doutrina, rigor na disciplina e na verdade, um rigor temperado pela brandura do coração, pela capacidade de mediar entre contrastes e inimizades até se revelar sinal confiável da caridade e unidade”. (2)

Quanto aos Presbíteros, no que diz respeito à sua espiritualidade e virtudes, vale em grande medida o que se refere ao Bispo, mas com uma evidente predominância do destaque dado às virtudes que devem se fazer presentes na vida destes.

Oremos pelos Bispos e Presbíteros a serviço da Igreja, para que tenham uma espiritualidade bem cultivada e nutrida pela Eucaristia, enriquecidos por nobres virtudes.

Bem sabemos que Deus chama para cuidar do rebanho homens com limitações, fragilidades, e a cada passo, devem se deixar moldar pela Mão Divina, e se enriquecer por todos os dons do Espírito, que assiste, acompanha, ilumina e conduz a Sua Igreja, para que o rebanho não pereça por falta de Pastores. E que todos os que deram seu sim, pastores do rebanho o sejam, de fato.

Devem, portanto, mergulhar neste tempo favorável de silêncio e Oração para rever o Ministério Presbiteral, que Deus, por Sua infinita bondade, confiou, bem como, rever de que modo ajudar os irmãos no Ministério a viverem, com ardor, o chamado, reavivando no coração a chama do “primeiro Amor pelo Senhor”, que os levou a tudo renunciar, para, com maior disponibilidade, o Sublime e Divino Mestre seguir.

Assim, os Presbíteros, e todo o Povo de Deus, são chamados à santidade e à prática do Mandamento do Amor, com o mesmo e intenso zelo e apaixonamento por Cristo.

Que ao celebrarmos o Tríduo Pascal tudo isto possa se renovar no coração de todos os Presbíteros, para que com alegria e coragem, deem testemunho do Cristo Ressuscitado.


(1) Missal Dominical – p.286;
(2) Dicionário de Homilética - Manlio Sodi Achille M. Triacca (orgs) – p.1214.

A frutuosa participação Eucarística (Quinta-feira Santa)

                                                            

A frutuosa participação Eucarística

“Vem, come com alegria teu Pão
e bebe com coração feliz o teu Vinho,
porque tuas obras já agradaram a Deus”.

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Livro do Eclesiastes, escrito pelo Bispo São Gregório de Agrigento (séc. VI), que nos convida a exultar nossa alma no Senhor, a quem rendemos toda honra, glória, poder e louvor.

“‘Vem, come com alegria o teu Pão e bebe com coração feliz o teu Vinho, porque tuas obras já agradaram a Deus’.

A explicação mais simples e óbvia desta frase parece-me ser uma justa exortação que nos dirige o Eclesiastes: abraçando um tipo de vida simples e apegados à instrução de uma fé sincera para com Deus, comamos o Pão com alegria e bebamos o Vinho de coração feliz; sem resvalar para as palavras maldosas, nem nos comportarmos com duplicidade.

Pelo contrário, pensemos sempre o que é reto, e, quanto nos seja possível, auxiliemos com misericórdia e liberalidade os necessitados e mendigos, isto é, atentos aos desejos e ações com que o próprio Deus Se deleita.

No entanto, o sentido místico nos leva a mais altos pensamentos e ensina-nos a ver o Pão celeste e sacramental, que desceu do céu e trouxe a vida ao mundo.

Ensina-nos, também, com o coração feliz, a beber o Vinho espiritual, aquele Vinho que jorrou do lado da verdadeira vide, no momento da paixão salvífica.

Destes fala o Evangelho de nossa salvação: ‘Tendo Jesus tomado o pão, abençoou-o e disse a Seus santos discípulos e apóstolos: Tomai e comei: isto é meu Corpo que por vós é repartido para a remissão dos pecados; o mesmo fez com o Cálice e disse: Bebei todos dele; este é o meu Sangue da nova Aliança, que por vós e por muitos é derramado em remissão dos pecados.’

Aqueles que comem deste Pão e bebem o Vinho sacramental, na verdade enchem-se de alegria, exultam e podem exclamar: ‘Deste alegria a nossos corações’.

Ainda mais – julgo eu – este pão e este vinho designam, no livro dos Provérbios, a sabedoria de Deus, subsistente por si mesma, Cristo, o nosso salvador, quando diz: Vinde, comei do meu Pão e bebei do Vinho que preparei para vós; indicando assim a mística participação do Verbo.

Aqueles que são dignos desta participação trazem em todo o tempo vestes ou obras não menos luminosas do que a luz, realizando o que o Senhor diz no Evangelho:

Que vossa luz brilhe diante dos homens, para que vejam vossas obras boas e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.

Igualmente se percebe que em suas cabeças corre sempre o óleo, isto é, o Espírito da verdade que os protege e defende contra todo dano do pecado”.

De fato, a verdadeira alegria pode ser encontrada tão somente no Senhor, como nos disse o Apóstolo Paulo: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4, 4).

Na participação autêntica, ativa, piedosa e frutuosa da Mesa da Palavra e da Eucaristia, somos iluminados pela Palavra Divina, que é luz para nosso caminho; somos nutridos pelo Diviníssimo Corpo e Sangue do Senhor.

Evidentemente esta participação não termina em si mesma, pois, como lembra o Bispo, exige daqueles que das Mesas sagradas participam a não “duplicidade de vida”, e a não multiplicação de “palavras maldosas”, e tão somente assim, a luz de Deus brilhará diante da humanidade, e o Pai que está nos céus será glorificado.

Supliquemos o Espírito da verdade, que vem socorro de nossa fraqueza, para que a participação eucarística seja sempre acompanhada de gestos concretos de solidariedade, amor e partilha, para que sal da terra e luz sejamos, e o Sermão da Montanha, que deve pautar nossa vida, seja, com ousadia e coragem, no chão do cotidiano vivido.

Quinta-feira Santa: conhecer bem, para celebrar melhor (Quinta-feira Santa)

                                         


Quinta-feira Santa: conhecer bem, para celebrar melhor
 
Reflitamos sobre a Quinta-feira Santa, com a qual iniciamos o Tríduo Pascal que nos envolve completamente, e se intensamente vivido, muda substancialmente a vida de quem o celebra ativa, consciente, piedosamente, com abundantes frutos de alegria, vida, amor e paz.
 
Com a Missa do Crisma normalmente celebrada pela manhã (pode ser antes, conforme a realidade de uma Diocese, como acontece conosco, quando celebramos na quinta-feira que antecede a Semana Santa), agradecemos a Deus a graça da Instituição do Sacerdócio, e somos enriquecidos com a bênção dos Santos Óleos dos Catecúmenos para o Sacramento do Batismo, o Óleo dos Enfermos e a Consagração do Óleo do Santo Crisma para também ser usado nas Ordenações Presbiterais, Episcopais, dedicação de altar e igrejas.
 
Na noite de quinta-feira, iniciamos o Tríduo Pascal, celebrando a Missa da Ceia do Senhor, e agradecemos a Deus de infinita bondade, a Instituição da Eucaristia, como memorial da Sua Nova e Eterna presença; recebemos o Mandamento Novo do Amor e aprendemos com Jesus, numa lição de humildade, a nos colocarmos sempre a serviço, quando lavou os pés dos discípulos.
 
Nessa Missa, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a Eucaristia, ponto alto e fonte da vida cristã.
 
A Missa não tem fim em si mesma, continua em todo o nosso existir. Somos a presença d’Aquele que recebemos no mundo. Transformamo-nos n’Aquele que recebemos, vivendo o Novo Mandamento que Ele nos deu, criando laços mais humanos, belos e fraternos em atitude de servidores do Reino da Vida.
 
Em resumo, há um estreito vínculo indissolúvel entre a Eucaristia, a fraternidade universal, o amor e o serviço. Eucarísticos que somos, testemunhas críveis do amor também o seremos quando nossa vida for marcada por compromissos solidários em favor da vida, sobretudo dos mais empobrecidos – “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz...” (Jo 13,15).
 
Após a Missa, a Igreja fica em Vigília, em intensa adoração, recolhidos diante do Amor visível e tangível no Santíssimo Sacramento, a ser transladado para lugar oportuno.
 
As portas dos Sacrários ficam abertas e vazias, assim como Ele aniquilou-Se, despojou-Se de tudo para nos enriquecer de todos os bens e de toda graça, nos devolvendo a condição filial perdida, fazendo resplandecer a face sem brilho pelo pecado de nossos primeiros pais.
 
E assim, damos o início ao maravilhoso Tríduo Pascal, culminando na Celebração da Páscoa do Senhor, a Sua Gloriosa Ressurreição, então cantaremos o Aleluia.

Ó Mistério da Eucaristia e a religião pura querida por Deus (Quinta-feira Santa)

                                                             

Ó Mistério da Eucaristia e a religião pura querida por Deus

Ó Mistério da Santa  Eucaristia que piamente celebramos.
Nela  a mente e o coração são esvaziados de toda impureza,
Ressoando no mais profundo de nossa alma a Palavra proclamada,
Plenificados do amor, graça, luz e paz das duas Divinas Mesas.

Quando num coração puro a Palavra divina é plantada,
A fidelidade aos preceitos é inadiável e inviolável;
Frutos da caridade se multiplicam abundantemente,
Expressão da religião pura e sem mancha a Deus agradável.

Ó Mistério da Santa Eucaristia que ardorosamente prolongamos
Em pequenos grandes gestos de amor e solidariedade;
Em inadiável compromisso com os que pela vida clamam,
Desde sua concepção até o declínio, possuidores de mesma dignidade. Amém.

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                           


Como Igreja, revelar ao mundo o semblante de Deus

“Cristo, presente na Eucaristia, faz-nos participar em Sua fidelidade ao Pai, e pede à Igreja que tenha a mesma fidelidade, para mostrar ao mundo o semblante de Deus, o Deus da Aliança, presente nas vicissitudes humanas.”(1)

 

 

(1)        Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - passagem da Leitura Dt 26,16-19 - p. 200

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                        


“A Eucaristia, memorial da condenação de Cristo...”

“A Eucaristia, memorial da condenação de Cristo, tem na Igreja um lugar central, também porque a paixão se renova continuamente, sob mil formas, na carne viva do corpo místico.” (1)

 

(1)        Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro da Sabedoria (Sb 2,1a.12-22)- p. 276

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