quinta-feira, 2 de abril de 2026

Afastemo-nos do mal, amemos a paz!

                                                 


Afastemo-nos do mal, amemos a paz!

Com São Francisco de Paula, um eremita do século XV, reflitamos sobre o que nos ajuda ao afastamento do mal,  para amarmos a paz, fortalecendo nosso desejo e compromisso sincero de conversão.

“Afastai de vós toda espécie de ódio e inimizade, evitai cuidadosamente as palavras ásperas e inconvenientes, e se alguma vez tiverem saído de vossa boca, não vos envergonhai de levar o remédio com os mesmos lábios que provocaram a ferida.

Perdoai-vos uns aos outros e esquecei totalmente qualquer ofensa recebida. Guardar o sentimento do mal é uma injúria, é complemento da ira, retenção do pecado, ódio da justiça, veneno da alma, destruição das virtudes, verme da consciência, obstáculo da oração, impedimento das graças que pedimos a Deus, afastamento da caridade, espinho cravado na alma, maldade sempre desperta, pecado que nunca se apaga, morte cotidiana.

Amai a paz, que é o mais precioso de todos os tesouros. Sabeis certamente que os nossos pecados provocam a ira de Deus, portanto, corrigi-vos e arrependei-vos para que Deus vos poupe na Sua misericórdia.

O que ocultamos aos homens é manifesto a Deus. Convertei-vos, então, de coração sincero. Vivei de tal modo que mereçais receber a bênção do Senhor e a paz de Deus nosso Pai esteja sempre convosco.” Amém!

O Tempo da Quaresma faz reacender em nós o desejo do afastamento de toda a maldade, e de tudo aquilo que destrói a nossa amizade com Deus e a concórdia com o nosso próximo, ainda que o caminho seja árduo, espinhoso e aparentemente impossível.

Ressoem as palavras do Profeta Joel, rasgando nossos corações e não apenas as nossas vestes. Transformação interior e total e não apenas exterior e parcial. Não são poucas às vezes que conversamos com pessoas que nos pedem uma orientação para se afastarem do mal, do ressentimento, da intriga, da discórdia…

Afastemo-nos do mal, eliminando quaisquer ressentimentos, evitar e dissolver as intrigas, comprometidos com a concórdia e a fraternidade.

É preciso que resplandeçamos raios de luz, como instrumentos de paz que haveremos de sempre ser, porque somos Pascais, cremos na vitória do Ressuscitado, que reacendeu em nós os raios da caridade, que nutrem a concórdia, edificam e eternizam amizades.

PS: Memória celebrada no dia 02 de abril

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Carta da 5ª Romaria das águas e da Terra da Bacia do Rio Doce


Carta da 5ª Romaria das águas e da Terra da Bacia do Rio Doce

Tema: Bacia do Rio Doce, nossa Casa Comum
Lema: Aos pés do bom Jesus, cuidar da Mãe Terra, das Águas e da Vida

Queridos irmãos e irmãs

Nossa 5ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce está sendo celebrada neste de 15 a 19 de julho de 2020, por meio das mídias sociais.

Refletimos sobre o temaBacia do Rio Doce, nossa Casa Comum” e o lema “Aos pés do Bom Jesus, cuidar da Mãe Terra, das Águas e da Vida”.

Esta Romaria foi programada para ser celebrada no Santuário do Bom Jesus, em Conceição do Mato Dentro, Diocese de Guanhães – MG, mas devido a este tempo de quarentena que nos foi imposto, não por nossa própria vontade, mas pela dolorosa imposição da pandemia do coronavírus, que vem disseminando a covid-19 e ceifando milhares de vida, tivemos que realiza-la de forma não presencial, mas aguardando o tempo oportuno para realizá-la presencialmente no ano de 2021.

Contamos com a participação da comissão do Meio Ambiente da Arquidiocese de Mariana, Comissão da Romaria da Diocese de Guanhães e Caritas Regional Minas Gerais.

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda, bispo da Diocese de Guanhães e Bispo Referencial da  Comissão Episcopal para a Ação Social Transformadora do Regional Leste 2 da CNBB, acolheu nossa Romaria e a presidência da Celebração Eucarística na Catedral de São Miguel e Almas, no dia 19 de julho, às 10horas.

Nessa 5ª Romaria celebramos também os 5 anos da Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato Si, que é um importante documento na defesa de uma ecologia integral, do meio ambiente e no cuidado com a criação divina, na nossa Casa Comum.

Urge recordar que o meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos (LS 95) e que o princípio da maximização do lucro, que tende a isolar-se de todas as outras considerações, é uma distorção conceitual da economia (LS 195).

E ainda, adverte-nos o Papa Francisco de que não podemos ser testemunhas mudas das gravíssimas desigualdades, quando se pretende obter benefícios significativos, fazendo pagar ao resto da humanidade, presente e futura, os altíssimos custos da degradação ambiental (LS 36).

Somos todos desafiados a adotar um comportamento inspirado no princípio de que formamos uma única família humana, que tudo está interligado nesta Casa Comum, e que o genuíno cuidado de nossa própria vida e de nossa relação com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros. Portanto, não podemos aceitar o custo dos danos provocados pela negligência egoísta das atividades minerárias, pois este é muitíssimo maior do que o benefício econômico que se possa obter.

Nossa Romaria quer ser o eco de tantos gritos e a expressão solidária e esperançosa de numerosas pessoas, família, comunidades e grupos étnicos que sofrem direta ou indiretamente por causa das consequências, muitas vezes negativas das atividades mineradoras.

É também um grito profético contra a extração de tantos bens minerários em nosso solo que, paradoxalmente, não tem produzido conforto e dignidade para as populações locais que permanecem pobres e o meio ambiente degradado.

Um grito de dor em reação às violências, ameaças e corrupção; um grito de tristeza e impotência pela poluição das águas, do ar e dos solos; um grito de incompreensão pela ausência de processos inclusivos e de apoio por parte das autoridades civis, locais e nacionais, que têm o dever de promover o bem comum.

Um grito de alerta contra esse modelo depredatório e desumano que parece não ter fim e que permitem a existência de mais de 700 barragens de rejeito somente em Minas Gerais, dentre as quais, 43 em alto risco de rompimento, algumas com potencial maior do que as de Mariana e Brumadinho, causadoras de danos humanos e ambientais irreversíveis como a contaminação das águas, da fauna e da flora nas Bacias do Rio Doce e São Francisco.

Queremos ser solidários aos sofrimentos e alegrias de cada pessoa e de toda criação divina (1Cor 12, 25 e Rom 8, 14), reerguendo as mãos enfraquecidas e os joelhos calejados (Hb 12,12), e também edificar uma Igreja samaritana que é capaz de ver, sentir compaixão e cuidar da vida em todas as suas dimensões.

Sejamos fortalecidos nesta Romaria da Vida pelo testemunho de tantos profetas e profetizas, de ontem e de hoje, de perto e de longe, quais discípulos missionários que doaram suas vidas no anúncio do Evangelho da Vida, na defesa dos povos e do meio ambiente.

Que sob a proteção do Senhor Bom Jesus, sejam renovadas e revigoradas nossas esperanças e nossas lutas por uma ecologia integral.

Diocese de Guanhães – MG, 19 de julho de 2010



Dom Otacilio Ferreira Lacerda
Bispo da Diocese de Guanhães - MG               
Bispo Referencial da Comissão para Ação Social Transformadora da CNBB Leste 2

Pe. Nelito Nonato Dornelas
Representante da Comissão do Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana
Assessoria de formação da Comissão para Ação Social Transformadora da CNBB Leste 2


Rodrigo Pires Vieira
Secretário Executivo da Comissão para Ação Social Transformadora da CNBB Leste 2


Tempo de reaprender

                                                  

Tempo de reaprender

Abramos nosso coração para a escuta da Palavra de Deus, que encontramos na Carta de Paulo aos Efésios (Ef 4,32–5,2):

“Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos que Ele ama. Vivei no amor, como Cristo nos amou e Se entregou a Si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor”.

Oremos:

Senhor Jesus Cristo, em tempo marcado por dificuldades, enfermidades, estamos reaprendendo o valor sagrado da vida, que está acima de qualquer valor material, dinheiro, poder, fama...

Senhor Jesus Cristo, que reaprendamos convosco a viver a bondade e solidariedade de uns para com os outros, como fostes sumamente bom, por isto revelastes o rosto misericordioso de Vosso Pai, nosso Deus.

Senhor Jesus Cristo, ajudai-nos a reaprender a beleza e a fecundidade da compaixão vivida, que se expressa em gestos corajosos, como vemos no cuidado do outro, sobretudo os pobres, famintos, enfermos, cuja vida encontra-se em perigo, nas ruas, casas e hospitais.

Senhor Jesus Cristo, que reaprendamos o valor sagrado do perdão, e retirai, por Vossa Palavra e poder, toda nódoa do pecado de nossa alma, de modo que sejamos renovados e libertos de todo o laço e amarra do pecado, que nos roubam a graça e a beleza do viver.

Senhor Jesus Cristo, concedei-nos a graça de reaprendermos a seguir Vossos passos, que tendo nos amado, nos amastes até o fim, no Amor de Cruz, que salva, redime, e nos reconcilia com o Pai, pois sois a Palavra Eterna do Pai a nós comunicada.

Senhor Jesus Cristo, ajudai-nos, para que, como eternos aprendizes, perfeitamente configurados a Vós, sejamos imitadores do Mistério de Vossa Paixão e Morte, carregando com fidelidade a Cruz que temos de carregar, e assim conduzidos à glória da eternidade.

Senhor Jesus Cristo, ensinai-nos a viver a mais bela lição de amor de toda a humanidade que Vós não apenas ensinastes, mas vivestes incondicionalmente e até o fim, e assim, também vivamos o Novo Mandamento do Amor, que nos destes.

Senhor Jesus Cristo, iluminai-nos com a Luz do Vosso Espírito, para que participando da Eucaristia, presente ou espiritualmente, façamos de nossa vida uma constante oblação, um sacrifício de suave odor, exalando a quantos precisarem, como Vós sempre fizestes. Amém. 

Rezando com os Salmos - Salmo 31 (32)

 


O perdão divino é fonte de felicidade

“–1 Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
=2 Feliz o homem a quem o Senhor
não olha mais como sendo culpado,
e em cuja alma não há falsidade!

=3 Enquanto eu silenciei meu pecado,
dentro de mim definhavam meus ossos
e eu gemia por dias inteiros,

–4 porque sentia pesar sobre mim
a vossa mão, ó Senhor, noite e dia;
– e minhas forças estavam fugindo,
tal como a seiva da planta no estio.

–5 Eu confessei, afinal, meu pecado,
e minha falta vos fiz conhecer.
– Disse: 'Eu irei confessar meu pecado!'
E perdoastes, Senhor, minha falta.

–6 Todo fiel pode, assim, invocar-Vos,
durante o tempo da angústia e aflição,
– porque, ainda que irrompam as águas,
não poderão atingi-lo jamais.

–7 Sois para mim proteção e refúgio;
na minha angústia me haveis de salvar,
– e envolvereis a minha alma no gozo
da salvação que me vem só de Vós.

=8 'Vou instruir-te e te dar um conselho;
vou te dar um conselho a seguir,
e sobre ti pousarei os meus olhos:

=9 Não queiras ser semelhante ao cavalo,
ou ao jumento, animais sem razão;
eles precisam de freio e cabresto
– para domar e amansar seus impulsos,
pois de outro modo não chegam a ti'.

=10 Muito sofrer é a parte dos ímpios;
mas quem confia em Deus, o Senhor,
é envolvido por graça e perdão.

=11 Regozijai-vos, ó justos, em Deus,
e no Senhor exultai de alegria!
Corações retos, cantai jubilosos!”

Com o Salmo 31(32) de coração contrito e humilhado elevemos a Deus nossa súplica de perdão, e alcançados pela misericórdia divina, acolhamos o perdão que nos renova, refaz nossas forças, alarga os horizontes de um novo dia, e finalmente nossos pés são firmados.

De fato “Feliz o homem que foi perdoado!” E Davi  declara feliz o homem a quem Deus credita a justiça independentemente das obras (Rm 4,6):

“O pecador não encontra a felicidade enquanto não reconhece o próprio erro e entra num processo de conversão. Mas se o fizer, abre as portas ao perdão divino, que vem acompanhado de uma alegria profunda.” (1)

Como peregrinos da esperança, é sempre oportuno e necessário, que reconheçamos nossos pecados e os confessemos diante de Deus, sobretudo no Sacramento da Penitência, seja no Tempo da Quaresma, Tempo do Advento, ou em qualquer outro tempo.


(1) Comentário da Bíblia Sagrada - Edições CNBB - pág. 751

Rezando com os Salmos - Salmo 33 (34)

 


“Provai e vede quão suave é o Senhor”


“–1 De Davi, quando fingiu-se de louco diante de Abimelec e,

expulso por ele, partiu.

–2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,
Seu louvor estará sempre em minha boca.
–3 Minha alma se gloria no Senhor;
que ouçam os humildes e se alegrem!

–4 Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o Seu nome!
–5 Todas as vezes que O busquei, Ele me ouviu,
e de todos os temores me livrou.

–6 Contemplai a Sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
–7 Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

–8 O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que O temem, e os salva.
–9 Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem n’Ele o seu refúgio!

–10 Respeitai o Senhor Deus, Seus santos todos,
porque nada faltará aos que O temem.
–11 Os ricos empobrecem, passam fome,
mas aos que buscam o Senhor não falta nada.

–12 Meus filhos, vinde agora e escutai-me:
vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus.
–13 Qual o homem que não ama sua vida,
procurando ser feliz todos os dias?

–14 Afasta a tua língua da maldade,
e teus lábios, de palavras mentirosas.
–15 Afasta-te do mal e faze o bem,
procura a paz e vai com ela em seu caminho.

–16 O Senhor pousa Seus olhos sobre os justos,
e Seu ouvido está atento ao seu chamado;
–17 mas Ele volta a Sua face contra os maus,
para da terra apagar Sua lembrança.

–18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta
e de todas as angústias os liberta.
–19 Do coração atribulado Ele está perto
e conforta os de espírito abatido.

–20 Muitos males se abatem sobre os justos,
mas o Senhor de todos eles os liberta.
–21 Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege,
e nenhum deles haverá de se quebrar.

–22 A malícia do iníquo leva à morte,
e quem odeia o justo é castigado.
–23 Mas o Senhor liberta a vida dos Seus servos,
e castigado não será quem n’Ele espera.”

Rezando o Salmo 33 (34), contemplamos o amor do Senhor, que é a Salvação dos justos, e experimentamos como é bom e suave o Senhor (uma das antífonas antes da Comunhão), assim como também nos falou o Apóstolo Pedro:

“Portanto, despojai-vos de toda maldade, de todo engano, hipocrisia e inveja, e de toda calúnia. Como criancinhas recém-nascidas, desejai o leite legítimo e puro, que vos fará crescer para a salvação, se é que provaste que o Senhor é bom.”(1 Pd 2,1-3).

Contemplemos as infinitas manifestações da bondade do Senhor, que volta Seu olhar para aquele que O teme, afastando-se de toda maldade, engano, hipocrisia, inveja e calúnia... e se esforça na prática do bem, buscando as coisas do alto, onde habita Deus (Cf Cl 3,1-4).

Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior (Semana Santa)

                                                   


Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior
 
Como Igreja, celebremos a Semana Santa, chamada também de a Semana Maior (por seu conteúdo, importância e riqueza para a fé que professamos), como um tempo forte de silêncio e oração, de tal modo que poderemos rever como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo, pois a fé sem obras é morta, como nos fala o Apóstolo em sua Carta (Tg 2, 14-18).
 
São dias memoráveis, que começam com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, e, de modo especial, o Tríduo Pascal, que inicia com a Missa da Quinta-feira Santa, quando celebramos a Instituição da Eucaristia, Mandamento Novo do Amor e o Sacramento da Ordem; a Sexta-Feira Santa da Paixão e Morte do Senhor; o Sábado Santo culminando com a mais antiquíssima e bela Vigília Pascal, ao anoitecer; e chegando ao ápice do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor.
 
A fé, para que seja autêntica, deve ser operativa, ou seja, levar ao compromisso social e comunitário. Belos discursos não bastam; é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, uma omissão nos sagrados compromissos de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).
 
Com a Celebração da Semana Santa, nos unimos mais intensamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Ele configurados, como peregrinos da esperança, testemunhas de sua ternura, compaixão, proximidade e misericórdia, no cuidado e promoção da vida humana, no cuidado da criação e da nossa Casa Comum.
 

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

                                                            

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

Na Quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 26, 14-25).

Significativo é o uso teológico do verbo “entregar”, em alusão à traição de Judas Iscariotes e à entrega de Jesus.

A primeira, trata-se de uma “entrega-traição”, da parte dos homens, e a segunda, de Jesus, de uma “entrega-­dom”, da parte do Pai, que entrega o Filho, e da parte do Filho que Se entrega a Si mesmo até à morte na Cruz (Jo 19, 30).

A entrega de Jesus é a entrega de Si mesmo – “A traição torna-se ocasião para o dom voluntário e total de Jesus. A Sua morte torna-se fonte de vida. O Seu Coração vence a morte e transforma-a em vida para o mundo”. (1)

Nela, temos a entrega de Si mesmo, num contexto do anúncio da entrega-traição, de modo que os discípulos mergulham num clima de insegurança e de desconfiança.

Jesus deseja ardentemente celebrar a Ceia e comê-la com os discípulos, pois, nela, o antigo memorial dará lugar ao novo, deixando-nos o Seu Corpo e o Seu Sangue como Alimento e Bebida.

Nas interrogações dos discípulos sobre quem O trairia, os discípulos chamam Jesus de “Senhor” (Kyrios), enquanto Judas O chama simplesmente de “Mestre” (Rabi).

No entanto, Jesus é, de fato, Senhor, e conhece o traidor e reconhece que nele se cumprem as Escrituras.

Na insegurança dos discípulos, vemos representada a nossa própria insegurança perante a possibilidade de também nós atraiçoarmos e negarmos a Jesus.

Vivendo a Semana Santa, contemplando o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, é tempo favorável para rever o modo como estamos vivendo nosso discipulado: na “entrega-doação” como Jesus o fez, por amor a Deus e ao nosso próximo, ou se vivemos uma “entrega-traição”, como fez Judas, e da qual não estamos imunes.

Oremos:

Ó Deus, concedei-nos a graça de imitar Vosso Amado Filho, vivendo o amor-doação, amor-entrega de si mesmo, em favor de nosso próximo. Pois, tão somente assim, seremos verdadeiramente discípulos missionários do Senhor, com a presença e ação do Vosso Espírito. Amém.
  

(1)         www.dehonianos.org

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG