terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
A missão do Presbítero no cuidado do rebanho
Em poucas palavras...
Confiamos na força e o amor de Deus
“Como é
errado ver Jesus numa dimensão puramente espiritual, como se sua ‘alma’ e sua ‘divindade’
tivessem habitado provisoriamente em um ‘corpo de homem, sem na realidade se
ter unido a Ele; da mesma forma, é injusto pensar apenas na salvação da ‘alma’
ou do ‘corpo’, e não de toda a pessoa (pensamos em certas orações desencarnadas
ou em algumas formas de fanatismo quase mágico, no angelismo ou no automatismo
em relação aos sacramentos).
A cura e a
ressurreição são um sinal para quem tem fé: na pessoa de Jesus (hoje nos
sacramentos da Igreja) estão presentes entre nós o amor e a força de Deus.” (1)
(1) Comentário da Missal Cotidiano sobre a passagem do Evangelho de
Marcos (Mc 5,21-43) – Editora Paulus – 1998 – p. 716
Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...
Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...
“Menina, levanta-te!”
Na Liturgia da quarta
terça-feira do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc
5,21-43), em que Jesus cura uma menina que estava nas últimas, e também uma
mulher com hemorragia há doze anos.
Oportuno que nos
voltemos para a passagem do Livro da Sabedoria (Sb 1,13-15; 2,23-24), composto
um pouco antes da vinda de Jesus.
Trata-se de uma doutrina
mais serena em relação aos mais antigos, e nos convida a contemplar o rosto de
Deus, que ama a vida, e não é autor da morte – “Deus não fez a morte,
nem tem prazer com a destruição dos vivos” (Sb 1,13).
Ele, ao contrário, cria
a vida e a entrega à humanidade, modelada à Sua imagem, e pronto a restaurá-la
quando se encontra em perigo ou a se apagar – “Deus não criou o homem para
que caísse na espiral do nada” (1).
Retomando a reflexão sobre
a passagem do Evangelho, contemplemos, a partir da ação de Jesus, a ação de
Deus que nos ama, cura, liberta e salva a humanidade, pois jamais se alegra com
nosso sofrimento e morte.
Acima de tudo,
manifesta-se a ação divina, por meio de Jesus, o Verbo encarnado, a pleníssima
revelação da onipotência e bondade de Deus para com quem se sente
impossibilitado de viver, vendo a vida se esvair no sangue derramado daquela
mulher ou nas forças exauridas daquela criança... Afinal, é próprio do Amor de
Deus vir ao encontro de nosso sofrimento, fraqueza, limitações. É próprio do
Amor de Deus intervir e tudo mudar, quando nada mais parece ter outra
possibilidade.
A cura da mulher,
meditada na perspectiva da fé: o sangue propriamente dito é a vida; a
hemorragia, por sua vez, consiste na perda do sangue, logo, a perda da vida.
Entretanto,
o Sangue do Senhor que jorrou no alto da Cruz, com Sua Ressurreição,
tornou-se plenitude de vida para todo aquele que crê. Sangue jorrado que redime
e nos devolve a vida.
Aquela mulher é a imagem
de todos nós que, sem a intervenção divina, vemos nossa vida se esvair, nossas
forças sendo subtraídas, nossos sonhos diminuídos, nossos propósitos
retrocedidos, nossas utopias amareladas e ultrapassadas porque não mais mantêm
e sustêm nossa fome de novos horizontes.
É também a imagem de
todo aquele que somente em Deus tem a cura, o resgate, o reencontro, a
redefinição de rumos, o revitalizar dos passos, o revigorar das forças, o
renascimento dos compromissos com a vida, o imprescindível cultivar das
virtudes que nos movem e nos direcionam, as delicadas e indescritíveis sementes
da fé, esperança e caridade.
Aquela criança, que tida
como morta, diante da Palavra do Senhor recupera a vida – “Menina, Eu
te digo, levanta-te”. Diante do Senhor a morte se curvou, tudo se
dobrou diante de Sua presença. Deus tem sempre a última Palavra, porque Ele é a
Palavra.
A menina que nunca vimos
somos nós mesmos que a cada dia escutamos Deus falar no mais profundo de nós as
mesmas palavras...
Quantas vezes, vimos
sonhos morrerem para novos e melhores nascerem. Quantas vezes projetos
desmoronados para outros, de qualidade incomparável, aparecer.
Quantas vezes, quando
tudo parecia nada, redução de cinzas fúnebres, a semente da fé brotou para que
visse a esperança se transfigurar e se materializar em atos indispensáveis de
amor!
Assim é o amor de Deus:
devolve-nos vida, porque é a Fonte da Vida e vida Plena (Jo 10,10), e nos
chama, constantemente à vida, do princípio ao fim, na Sagrada Escritura – “...
quem participa do Cristo, participa da vida. Por Cristo e pela Sua
Ressurreição, quem crê, mesmo sabendo que deve morrer, vê a morte como um
momento para passar a uma vida sem fim. A morte se torna ‘passagem’. Assume
assim o caráter pascal de vitória.” (2)
Oportunas as palavras de
São Francisco de Assis – “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã
morte corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar”. (3)
Coloquemo-nos no lugar
da mulher e da criança e não seremos mais os mesmos, pois é próprio do Amor de
Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos.
Deste modo, Deus pode
realizar maravilhas em nossa vida, mas é preciso que tenhamos fé na onipotência
divina, e, também, ressalte-se, que não podemos transferir para Ele nossa
responsabilidade, cuidando e promovendo a vida, com recursos necessários, bem como
o acesso para todos, sobretudo para os mais vulneráveis.
A fé cristã jamais
dispensa nossos sagrados compromissos no amor e cuidado com a vida, tanto das
pessoas como de nosso planeta, nossa Casa Comum.
Deus por Seu amor, pela
prática de Jesus, nos recria, para vivermos como templos do Seu Espírito.
Coloquemo-nos no lugar
da mulher e da criança, e não mais os mesmos seremos. Pois, é próprio do Amor
de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos... É
próprio de Seu Amor nos recriar, reviver a cada instante, e nada pode se
antepor ao amor de Deus por nós.
Oremos:
“Ó Deus,
pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos
envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa
verdade. Por N.S.J.C. Amém.”
(1) Missal
Dominical – Editora Paulus – 1995 – p.945
(2) (3) idem – p.946
São Brás, rogai por nós!
São Brás, rogai por nós!
Segundo a tradição, São Brás foi um bispo cristão de Sebaste (séc. IV), na Armênia (atualmente na Turquia), durante o império Romano, e sua memória é celebrada no dia 03 de fevereiro.
A devoção a ele cresceu ao longo dos séculos na tradição católica, e ele é frequentemente invocado para proteção contra problemas de garganta. Por isso, neste dia, muitos vão à Igreja em busca da "Bênção de São Brás", a bênção da garganta, para sua proteção e saúde.
São Brás, Bispo e Mártir, segundo a Tradição, morreu martirizado, durante as perseguições aos cristãos ordenadas pelo imperador Licínio.
Conta-se que foi preso e torturado por se recusar a renunciar à sua fé cristã. Em um dos relatos mais comuns, consta que ele foi flagelado com pentes de ferro (um tipo de tortura cruel) e, por fim decapitado.
Em uma das histórias, narra-se que, durante sua prisão, enquanto era levado para a execução, curou um menino que estava sufocando devido a uma espinha de peixe presa na garganta. Daí decorre a associação ao seu cuidado das doenças da garganta.
Recebamos a bênção tão necessária, mas também roguemos a Deus para que tenhamos a serenidade, coragem e amor pela Igreja, assim como o fez São Brás no testemunho de sua fé.
Roguemos a Deus, para que em todo o tempo, jamais vacilemos na fé, tampouco esmoreçamos na esperança, de tal modo que também não seja apagada a chama da caridade em nosso coração.
Supliquemos a Deus a força necessária para a resistência nas tentações, paciência nas tribulações e sentimento de gratidão na prosperidade.
Apresento Orações apropriadas:
Oremos:
- "Ó glorioso São Brás que restituístes, com uma breve oração, a perfeita saúde de um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, esteve prestes a expirar, obtendo para nós todos, a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta.
Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. Amém!"
- "Senhor, pelos méritos de São Brás, peço-Vos por minha saúde e, especialmente, que me liberteis dos males da garganta.
Rogo-Vos, também, por minha vida espiritual. Liberta-me da preguiça na oração, pois é a única maneira de manter-me sempre unido a Deus. São Brás rogai por nós. Amém.”
Finalmente, a fórmula da bênção mais conhecida e rezada ao celebrar sua Memória:
“Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te
Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.
São Brás, rogai por nós!
“Sacrifica-te por minhas ovelhas”
Os frutos da boa obediência
Os frutos da boa obediência
“Um
ancião tinha seu escravo como discípulo e, desejando
dominá-lo, convenceu-o a manter completa obediência.
Por
isso, o ancião lhe disse: ‘Vai, acende o fogo no forno, toma
o livro que é lido na ‘synaxis’ e lança-o no forno’.
Ele
foi e fez sem questionar.
E,
quando o livro foi lançado, o forno se apagou.
Isto
ocorreu para entendermos que a obediência é boa, porque
é uma escada para o Reino dos Céus.” (1)
Somos
todos eternos aprendizes da obediência,
Com
Maria, José, santos e santas, quanto a aprender!
Aquela
que coloca a vontade divina acima de tudo,
Acompanhada
de renúncia dos projetos e vontades próprias.
Que
os Pais do deserto viveram e ensinaram,
A
escada para que adentremos no Reino dos Céus.
Não
a obediência com gosto de subserviência,
Mas
como expressão de sagrada liberdade.
Não
com a miopia para outras possibilidades,
Mas
docilidade aos acenos do Espírito.
Não
como a resignação estéril e , fria,
Mas
com a chama do amor que crepita e impulsiona.
Obediência
como expressão de mansuetude,
Que
floresce e frutifica com a resiliência.
Suas
marcas indeléveis de prontidão e solicitude,
Colocando
nas mãos divinas nossa finitude.
Obediência
que garante sagrados frutos,
Porque
vivida com todas as veras do coração.
Acompanhada
da necessária oração,
Na
graça da simplicidade e da humildade.
Alimentado
pelo Pão da Palavra e da Eucaristia,
Na
Mesa Sagrada nutrido, porque peregrinar é preciso!
(1) Ditos anônimos dos Pais do deserto –
Editora Vozes – 2023 – pp.66-67
Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)
Fortalecei
a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)
“Uma
fidelidade que gera futuro”
Senhor, dai-nos a graça
de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a
identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração
de Jesus.
Renovai a chama do
primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um
rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou,
escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.
Nos passos do Bom Pastor,
a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo
toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo
indesejáveis.
Senhor, que a cada dia,
na fidelidade e serviço, nossa vida seja oferecida ao celebrar o
Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na
absolvição dos pecados; na generosa
dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e
passam necessidades.
Concedei-nos sabedoria,
para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e
que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos
pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e
limitações.
Abertos ao sopro do
Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos
missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da
conversão cotidiana e da vigilância
necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.
Fortalecei-nos na
fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão
com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal
modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós,
pela Igreja confiado; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão
em si mesmo.
Sejam a concórdia e
harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade
irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de
Amor da Vida Trinitária.
Na fidelidade e sinodalidade,
abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vivamos
sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar
tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos
o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando
assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.
Na fidelidade e missão, exalemos
o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço,
com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem
cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de
atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si
mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.
Na graça da missão, o
fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero,
concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões
da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo
seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).
Dai-nos sabedoria para
vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do
individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade;
e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça
e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).
Na necessária presença
no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à
disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o
paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia
evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico!
Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).
Que a cada dia, a fidelidade
e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num
renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e
dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não
há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.
Contamos e confiamos na
intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey,
padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as
nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em
plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.
PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.





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