terça-feira, 15 de setembro de 2026

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A autêntica devoção à Nossa Senhora das Dores

 


A autêntica devoção à Nossa Senhora das Dores
 
A devoção às dores de Maria foi a princípio mais popular do que litúrgica, difundida particularmente pelos Servitas e Passionistas na Idade Média, especialmente entre os séculos XII e XIII.
 
A introdução na Liturgia se deu com o papa Pio VII (séc. XIX) . Atualmente, esta Memória se concentra melhor sobre ela, Maria, e o sacrifício de Cristo que ela própria oferece com Ele ao Pai.
 
O caminho que Maria nos ensina, como peregrinos da esperança, nos dá coragem para sermos fiéis discípulos missionários do seu Amado Filho, Jesus.
 
Com Maria aprendemos a fidelidade ao carregar da cruz de cada dia, acompanhada das renúncias necessárias.
 
Oportuno que retomemos para aprofundamento as sete dores de Maria:
1ª – A profecia de Simeão (Lc 2,35); 2ª – A fuga para o Egito (Mt 2,13s);  3ª – A perda de Jesus no templo (Lc 2,48);  4ª – O caminho de Jesus para o calvário (Lc 23,27); 5ª – A crucificação de Jesus (Lc 23,33); 6ª – Jesus deposto da cruz (Jo 19,38); 7ª – A sepultura de Jesus (Jo 19,40s)
 
Façamos sempre nossa declaração de amor à Maria, acompanhada da imitação de suas virtudes em total fidelidade ao Seu Amado Filho.
 
Nossa Senhora das Dores, Mãe das dores do tempo presente e das alegrias eternas, rogai por nós! Amém.
 

Maria, a Mãe que cremos e amamos (Papa Leão XIV)

                                                           


Maria, a Mãe que cremos e amamos

Maria, cremos que tu és:

- A primeira discípula, quem melhor aprendeu as coisas de Jesus, teu Amado Filho;

- A primeira daqueles que «escutam a Palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 28);

- A primeira a colocar-se entre os humildes e pobres do Senhor para nos ensinar a esperar e receber, com confiança, a salvação que vem apenas de Deus;

- A primeira a quem Jesus parecia dizer: “Segue-me”, mesmo antes de dirigir este chamamento aos Apóstolos ou a quaisquer outros (cf. Jo 1, 43)»;

- Modelo de fé e caridade para a Igreja pela sua obediência à vontade do Pai, cooperadora na obra redentora do seu Filho na abertura à ação do Espírito Santo;

- Aquela a quem mais valeu ser discípula de Cristo do que ter sido mãe de Cristo, como nos falou Santo Agostinho;

- Mais discípula que mãe, a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo;

- Mãe, e que  Cristo te entregou a nós porque não quer que caminhemos sem uma mãe;

- A Mãe fiel que se tornou «Mãe de todos os que creem, e ao mesmo tempo, é «a Mãe da Igreja evangelizadora, e nos acolhe assim como Deus nos quis convocar, não apenas como indivíduos isolados, mas como Povo que caminha;

- A nossa Mãe, que quer sempre caminhar conosco, estar perto, ajudar-nos com a sua intercessão e o seu amor;

- A Mãe do Povo fiel que, movida por uma ternura amorosa, caminha em meio ao seu povo e cuida das suas angústias e vicissitudes. Amém.

 

PS: Fonte - Dicastério para a Doutrina da Fé  - Mater Populi fidelis - Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação – parágrafos n.73.76

 

Em poucas palavras...

                                                                  


“Ó Deus, junto vosso filho exaltado na cruz...”

“Ó Deus, junto ao vosso Filho exaltado na cruz, quisestes que a Mãe estivesse de pé sofrendo com ele. Concedei que a vossa Igreja, associada com Maria à paixão de Cristo, mereça participar da sua ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.  (1)

 

(1)        Oração do dia – Missa da Memória de Nossa Senhora das Dores 

Maria que cremos e amamos

                                                   

Maria que cremos e amamos

Cremos que Maria foi acolhida na glória celeste por Jesus Ressuscitado, que está sentado à direita do Pai.

Cremos que Maria foi assunta ao céu, e, sobre a sua cabeça, foi colocada a coroa de doze estrelas. 

Cremos que, com a Assunção de Maria, se dá o nascimento para a plenitude da vida, associada à Ressurreição de Jesus. 

Cremos que Deus quis que Jesus tivesse Sua Mãe junto de Si para ficar bem perto de nós.

Cremos que ela, ao lado d’Ele, nos acompanha na grande comunhão e desejável proximidade.

Cremos que no coração de Maria, as coisas do Céu encontraram pleno espaço.

Cremos que no Imaculado Coração de Maria, Deus encontrou todo o espaço, e assim não faltou para ela espaço no céu: corpo e alma.

Cremos que Maria na Visitação, levou Jesus consigo à sua prima Isabel.

Cremos que na Assunção é Jesus que a leva para juntos de Si, do Pai e o Espírito.

Cremos que Maria no céu é glorificada, e esta também deve ser a nossa meta.

Imitemos suas virtudes, para adorarmos, em Espírito e Verdade, o seu Filho, fazendo tudo o que Ele, Jesus, nos disser (Cf. Jo 2,5).

Que incrível troca, oh, Maria!

                                                                   

Que incrível troca, oh, Maria!

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Abade São Bernardo (séc. XII), acerca do mistério da paixão vivida por Maria junto de seu Filho em todos os momentos.

“O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da Paixão do Senhor.

Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada transpassará tua alma (cf. Lc 2,34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada transpassou tua alma. Aliás, somente transpassando-a, penetraria na carne do Filho.

De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-Lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma d’Ele, mas ela transpassou a tua alma.

A alma d’Ele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isso a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, transpassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre alma e o espírito: Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26). Oh! Que troca incrível!

João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro.

Como ouvir isso deixaria de transpassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar-se quem não se recordasse do que Paulo afirmou que entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte: “Mas não sabia ela de antemão que iria Ele morrer?” Sem dúvida alguma. “E não esperava que logo ressuscitaria?” Com toda a confiança. “E mesmo assim sofreu com o Crucificado?” Com toda a veemência.

Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer?

Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração?

É obra da caridade: Ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: Depois dela nunca houve igual”.

Elevemos nossa alma até Deus, assumindo com Maria e Seu Filho, o mistério da Paixão dos que hoje padecem a dor, a fome, a miséria, a injustiça com ânsias eternas de libertação e redenção!

Maria, Mãe das Dores, depois dela nunca houve igual, e a nós cabe a mesma fidelidade e compromisso com os crucificados da história, em frutuosa devoção a Nossa Senhora das Dores e a Seu Filho, Redentor de todas as dores, que não nos permite sequer sombra de omissão frente aos incontáveis clamores de todos os tempos.

“Salve Rainha, Mãe de misericórdia..."



PS: Oportuno para a Missa do dia 15 de setembro, quando se celebra a Memória de Nossa Senhora das Dores; também para a contemplação das Sete dores de Maria. 

Diálogo aos pés da Cruz

                                                               

Diálogo aos pés da Cruz

Meditemos sobre a relação profunda e intensa de amor entre Maria e Jesus, a partir do Hino “Mãe Dolorosa”, escrito pelo Diácono São Romano, o Melodioso (séc. VI).

“Venham todos, celebremos Àquele que foi crucificado por nós. Maria O viu atado na Cruz: “Bem que você pode ser colocado na Cruz e sofrer – ela lhe disse -, mas nem por isso és menos meu Filho e meu Deus”.

Como uma ovelha, que vê ao seu pequeno arrastado ao matadouro, assim Maria O seguia, abatida pela dor. Como as outras mulheres, ela O acompanhava chorando:

Aonde você vai meu Filho? Por que este passo apressado? Acaso há em Caná outra boda, para que te apresses a converter a água em vinho? Eu Te seguirei, meu Menino? Ou é melhor que Te espere?

Diga-me alguma palavra, Tu que és a Palavra; não me deixes assim, em silêncio, ó Tu que me conservaste pura, meu Filho e meu Deus”.

“Eu não pensava, Filho de minha alma, ver-Te um dia assim como estás: não teria acreditado nunca, mesmo quando via aos ímpios estender suas mãos para Ti. Porém, suas crianças ainda têm nos lábios o clamor: Hosana! Bendito seja!

As palmas do caminho ainda mostram o entusiasmo com que Te aclamavam. Por que, como aconteceu esta mudança? Ó, é necessário que eu o saiba. Como pode acontecer que cravem em uma Cruz ao meu Filho e ao meu Deus?”.

“Ó Tu, Filho de minhas entranhas: Vais para uma morte injusta, e ninguém se compadece de Ti. Pedro não Te dizia: mesmo que seja necessário morrer, nunca Te negarei? Ele também Te abandonou.

E Tomé exclamava: 'morramos todos contigo'. E os outros Apóstolos e discípulos, aqueles que devem julgar as doze tribos, onde estão agora? Nenhum está aqui; mas Tu , meu Filho, morres em solidão por todos. Abandonado. Contudo, és Tu quem os salvou; Tu satisfizeste por todos eles, meu Filho e meu Deus”.

Assim é como Maria, cheia de tristeza e aniquilada de dor, gemia e chorava. Então seu Filho, voltando-se para Ela, respondeu-lhe desta maneira:

“Mãe, por que choras? Por que, como as outras mulheres, estás oprimida? Como queres que salve a Adão, se Eu não sofro e não morro?

Como serão chamados de novo à vida os que estão retidos nos infernos, se não  permanecer no sepulcro? Por isso estou crucificado, tu o sabes; é por isto que Eu morro.

Por que choras, Mãe? Diga antes, em tuas lágrimas: é por Amor pelo que morre meu Filho e meu Deus”.

“Procura não encontrar amargo este dia no qual vou sofrer: é para isto que Eu, que sou o próprio deleite, desci do céu como o maná; não sofre o Sinai, mas ao teu seio, pois nele me recolhi.

Segundo o Oráculo de Davi: esta montanha recolhida sou Eu; o sabe Sião, a Cidade Santa. Eu, que sendo o Verbo, em ti me fiz Carne.

Nesta Carne sofro e nesta Carne morro. Mãe, não chores mais; diz somente: se Ele sofre, é porque o quer, meu Filho e meu Deus”

Ela respondeu: “Tu queres, meu Filho, secar as lágrimas de meus olhos. Somente  meu coração está perturbado. Não podes impor silêncio aos meus pensamentos. Filho de minhas entranhas, Tu me dizes: se Eu não sofro, não há salvação para Adão... Mas, contudo, curaste a tantos sem padecer.

Para curar o leproso te foi suficiente querer sem sofrer. Tu curaste a enfermidade do paralítico, sem o menor esforço. Também fizeste o cego enxergar com uma única Palavra, sem sentir nada por isto. Óh própria bondade, meu Filho e meu Deus”.

Aquele que conhece todas as coisas, mesmo antes que existam, respondeu a Maria: “Tranquiliza-te, Mãe: após minha saída do sepulcro, tu serás a primeira a me ver; Eu te ensinarei de que abismo de trevas fui libertado, e quanto custou.

Meus amigos o saberão: porque Eu levarei a prova inscrita em  minhas mãos. Então, Mãe, contemplarás a Eva rediviva, e exclamarás com júbilo: São meus pais!, e Tu lhes salvaste, meu Filho e meu Deus”.

Impossível a indiferença e a insensibilidade diante deste diálogo, porque nos leva a refletir sobre o Mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor; tão imenso Amor por nós, e também a tão imensa dor que Sua Mãe sentiu naqueles dias ao ver o rebento de seu ventre sendo crucificado, morto, e ela impotente diante de tal desígnio, aos olhos humanos incompreensível.

Como Maria, a quem chamamos de Nossa Senhora das Dores, também em diálogo sincero, amoroso e confiante, apresentamos a Deus nossas inquietações, dificuldades, que por vezes não as compreendemos, e até mesmo quase que não as suportamos.

Aprendamos com Maria, a Virgem Dolorosa, aos pés da Cruz, a viver mesma atitude diante do Mistério da dor e da morte, crendo na última Palavra que é sempre de Deus.

Contemplando as Chagas Vitoriosas de Nosso Senhor suportemos as chagas dolorosas do cotidiano, certos de que, se assumidas com amor, como a cruz que Ele nos propôs, serão propícias para o alcance da verdadeira felicidade e eternidade.

Com Jesus, Aquele que suportou as Chagas Dolorosas, por Suas Chagas Gloriosas, Ressuscitado, renovemos nossas forças na Ceia Eucarística que celebramos, fonte e ápice de todo o nosso existir, porque nela somos iluminados e alimentados com O Pão da Eternidade, Pão de Imortalidade, antídoto para não morrermos, remédio para todos os males, bálsamo para todas as nossas dores.

PS: Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 -  pp.332-334. 

PS: Reflexão é oportuna para a Celebração da Memória de Nossa Senhora das Dores no dia 15 de setembro, precedida pela Festa da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

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