domingo, 1 de março de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
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Vi meu Amado Glorioso

                                                      

Vi meu Amado Glorioso

“... Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha
para rezar. Enquanto rezava, Seu rosto mudou de aparência
e Sua roupa ficou muito branca e brilhante.” (Lc 9,28-29)

A Transfiguração do Senhor é um encontro inesquecível com o Amado, Jesus. 
Com Pedro, João e Tiago podemos também dizer:

Vi meu Amado Glorioso,
Com um rosto tão diferente,
Com roupas tão claras,
Tão transparentes.

Vi meu Amado Glorioso,
Numa pequena antecipação
Do que será o nosso destino:
Com Ele na glória também estar.

Vi meu Amado Glorioso,
Que me encorajará nos momentos difíceis
Para eu jamais me entregar, recuar, pois
A glória se alcança sem a cruz recusar.

Vi meu Amado Glorioso,
Escutei aquela voz tão forte e suave:
‘Este é o meu Filho escolhido,
Escutai o que Ele diz’.

Vi meu Amado Glorioso,
Sozinho, sem Moisés e Elias,
Porque agora é o Tempo da Graça,
Somente o Senhor nos basta.

Vi meu Amado Glorioso,
Em quem devo confiar sempre,
Sem lágrimas de decepção arrancar
Daqueles que em mim confiam.

Vi meu Amado Glorioso,
Que quer ser apenas amado,
Não apenas na Montanha Santa,
Mas na planície fria do cotidiano.

Vi meu Amado Glorioso,
Que também quer ser amado
Na vida e na história dos pequenos,
Dos sofridos, dos entristecidos, dos desfigurados.

Vi meu Amado Glorioso,
Nada mais será como antes.
Sinto Sua presença aqui e agora,
Em cada fração de segundo, em todo instante...

Transfiguração do Senhor: Do bom combate da fé à vida plena e definitiva (IIDTQA)

                                                             

Transfiguração do Senhor:
Do bom combate da fé à vida plena e definitiva 

O caminho da glória eterna
passa, inevitavelmente, pela Cruz.

Com a Liturgia do segundo Domingo da Quaresma (ano A), celebramos a Transfiguração do Senhor, dando mais um passo em nosso itinerário rumo à Páscoa.

A Transfiguração do Senhor é um convite à escuta atenta à voz de Deus e obediência total e radical ao Seu Plano, que Jesus realizou plenamente, por isto Ele é o Filho Amado que deve ser escutado no Monte Tabor e, com a força do Espírito, a Sua Palavra devemos realizar na planície do cotidiano, na história concreta, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças...

Na passagem da primeira Leitura (Gn 12,1-4) é nos apresentado Abraão, que é para todos nós, o modelo de crente, modelo daquele que crê, percebe e segue, de coração confiante, o Projeto de Deus, colocando a vontade de Deus acima da própria vontade.

Abraão possui uma fé radical, confiança total e obediência incondicional às Propostas de Deus. Carrega dentro de si o sonho dos patriarcas: terra fértil e uma família numerosa, e em nenhum momento deixou de acreditar na promessa de Deus.

A mensagem que nos ilumina: Deus não desiste da humanidade e continua a construir com ela uma história de salvação, e Abraão é a pura e máxima expressão desta confiança na promessa divina.

Abraão é o homem que encontra Deus, que está atento aos Seus sinais e os interpreta, procurando responder aos desafios de Deus com total obediência e entrega.

Reflitamos:

- O que Abraão nos ensina em nossa caminhada de fé?
- Vivo um sim incondicional à vontade de Deus?
- Vivo uma fé instalada e acomodada?

- O que significa, como Abraão, pôr-se sempre a caminho e a Deus oferecer-se, e n’Ele confiar totalmente, entregando-lhe o que de melhor se possui?
- Deus vem, sempre por Amor, ao nosso encontro. Como correspondo ao Seu Amor e Projeto de Salvação?

Na passagem da segunda Leitura (2 Tm 1,8b-10), Paulo exorta Timóteo, e toda a comunidade, a manterem-se fiéis no discipulado, deixando de lado todo medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza, enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança...

Na passagem do Evangelho (Mt 17, 1-9), contemplamos a Transfiguração do Senhor, e a manifestação da antecipação de Sua glória, mas que é precedida pelo caminho da doação da vida, do Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. O caminho da glória eterna passa, inevitavelmente, pela Cruz.

A experiência vivida no Monte Tabor é a antecipação da glória eterna, para que, quando da experiência da morte de Cruz de Jesus, os discípulos não desanimem, e continuem firmes na fé, no testemunho.

Virá a inquietante pergunta: “Vale a pena seguir um Mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na Cruz?”.

A Transfiguração é a resposta: o aparente fracasso da Cruz é a nossa vitória. Deus Ressuscitou Seu Filho e não permitiu que a morte tivesse a última palavra.

Lembremo-nos das palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas – “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14).

A Transfiguração é, portanto, uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus. Os sinais, os dados são relatos teofânicos do Antigo Testamento: monte, voz do céu, aparições, vestes brilhantes, nuvem, o medo e a perturbação dos três discípulos (João, Pedro e Tiago).

Jesus é o novo Moisés, e com Ele uma nova libertação. Com Ele Deus sela uma nova e eterna Aliança.

Moisés recebeu a Palavra, a Lei no Monte Horeb, Jesus é a própria Palavra do Pai a ser ouvida e acolhida.

A Transfiguração é uma mensagem catequética inesquecível na vida dos discípulos: Jesus é o Filho Amado de Deus, que realiza com Sua vida, doação, paixão e morte de Cruz, o Projeto de salvação divina. Ele apresenta um Projeto a quantos queiram ouvi-Lo e segui-Lo.

O caminho que Ele fará e fez é também o caminho daqueles que o seguirem. O aparente e provisório fracasso será uma eterna e verdadeira vitória.

A Transfiguração é uma mensagem de confiança e esperança – a Cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus, e na vida dos discípulos que O seguirem, está a Ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.

Pela Transfiguração do Senhor, testemunha-se que uma existência feita como dom não é fracassada, ainda que culmine na Cruz. A vida plena e definitiva se vislumbra no horizonte, bem no final do caminho, para todos aqueles que, como Jesus, colocarem sua vida a serviço dos irmãos.

Na planície por vezes também podemos ser tentados pelo desânimo, e é nesta hora que a Transfiguração do Senhor não permite que nos entreguemos, recuemos.

Avançar sempre para águas mais profundas. A Transfiguração é como um grito ecoado no alto do Monte Tabor: “Não desanimem, pois Deus não permite que nossa vida seja uma marca de fracasso. Creiamos na Ressurreição, busquemos a vida definitiva, a felicidade sem fim, com coragem, carregando a cruz em total fidelidade ao Senhor.”.

Escutar Sua Palavra no Monte Sagrado não basta, é preciso vivê-la na planície, no autêntico testemunho da fé. Viver a religião não como evasão, fuga, distanciamento de compromissos concretos de amor e solidariedade.

Sendo assim, a religião jamais será um ópio a nos entorpecer, mas um sagrado compromisso com Deus, e, portanto, com Sua imagem e semelhança, com a humanidade, obra de Suas mãos, e com o mundo que nos entregou para cuidar, desde as primeiras páginas da História da Salvação:

“A vida é combate. O primeiro ato do ser humano no seu nascimento é um grito. Ele deverá lutar para viver. Muitos doentes sabem que devem lutar contra o mal, o sofrimento, o desencorajamento, a lassidão.

Desistir de lutar é sintoma de uma doença que se chama depressão. Podemos lutar para nos curarmos fisicamente. Podemos lutar para nos mantermos de pé na provação. A vida espiritual também é um combate.

O Senhor é Alguém que Se deixa procurar. Segui-Lo supõe, por vezes, escolhas radicais.

Nesta semana, aceitemos conduzir um combate. Não para ser os melhores, nem para esmagar os outros, mas para viver e fazer viver.

A vitória neste combate é-nos anunciada neste domingo, em que nos juntamos ao Senhor Transfigurado. Mas Ele diz-nos que, antes de Ressuscitar, deve passar pelo combate da Paixão. A Ressurreição é a vitória do combate pela vida” (1).

A Eucaristia é, portanto, o momento em que sentimos fortemente a presença de Deus, e refazemos nossas forças, porque no Banquete Eucarístico nossa fé é nutrida, nossa esperança é dilatada e nossa caridade é fortalecida.


(1) Citação extraída do site:
http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

Presbítero: homem da imersão e da emersão... (IIDTQA)

                                                          

Presbítero: homem da imersão e da emersão...

“Imerso no Amor para fazer emergir a vida...”

Em todo tempo, mas de modo especial na Quaresma, vivemos, como Igreja, o Tempo da graça e reconciliação; tempo de revisão e revigoramento de nossa fé na fidelidade ao Senhor, configurados a Ele, com renúncias necessárias, para carregarmos a nossa cruz de cada dia, rumo à Páscoa.

Eis o Itinerário que Presbíteros e fiéis são chamados a percorrer, tendo como meta a Ressurreição, pois se com Ele vivemos e morremos, com Ele também Ressuscitaremos.

Retomando as palavras do Papa Bento XVI, na Mensagem Quaresmal 2011, detenhamo-nos nesta afirmação:

 “A Transfiguração é o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus...”.  

Indubitavelmente, não poucos são os “boatos da vida quotidiana”, que podem nos afastar dos fatos que clamam a nossa solicitude, na fidelidade ao Cristo Bom Pastor, no exercício de nosso ministério. 

Convém ressaltar, que boatos aqui não são meramente fofocas, como se possa pensar, mas ruídos que interferem na escuta dos clamores do rebanho por Deus confiado.

Por “boatos”, também podemos entender a ditadura do relativismo, que o Papa tanto denunciou, onde as verdades se tornam transitórias, valores se tornam relativos, esvaziando de sentido os princípios, que deveriam nortear a existência da humanidade.

No início do Itinerário Quaresmal com o Senhor, vimos que “boatos” podem ser as propostas satânicas, que nos desviam do Projeto Divino, na realização de nossa vocação, quer Presbíteros ou não. 

São as tentações que Jesus venceu no deserto: ter, ser, poder – abundância, prestígio e domínio, respectivamente. 

Ceder a elas nos afastaria da graça de sermos instrumentos de Deus na construção do Reino, pois como bem disse o Bispo Santo Irineu (séc. I): 

“a nossa glória é perseverar e permanecer no serviço de Deus”.

Evidentemente, muitos outros “boatos” podem seduzir e enfraquecer a missão. Portanto, é sempre bom lembrar que somos anunciadores da Boa-Nova e não ouvintes e multiplicadores de “boatos”, que esvaziam o existir, destruindo a vida em todos os níveis.

Sem ouvidos a “boatos”, com distanciamentos necessários dos mesmos, o Papa nos convida para a imersão na presença de Deus. 

Quanto mais mergulharmos nos Mistérios de Deus, mais místicos o seremos, mais encarnada e densa de conteúdo será nossa espiritualidade, no compromisso com os empobrecidos desfigurados pelo caminho.

Como Presbíteros, com toda a comunidade, urge que nos coloquemos na presença de Deus, para que nosso coração seja configurado ao coração do Cristo  Bom Pastor, no cuidado do rebanho.

A imersão no Amor Divino é diretamente proporcional à emersão que somos chamados a realizar com toda a comunidade.

Imersos no Amor para fazer emergir a vida, vir à tona uma nova existência, uma nova Igreja, um Planeta mais bem cuidado e, consequentemente, mais amado.

Mais do que nunca, o Presbítero precisa ser o homem da imersão cotidiana e constante; o homem da Oração, do silêncio, da contemplação. 

Um homem que permita que a luz divina ilumine a caverna escura de sua existência, enfim, um homem imerso neste mar de misericórdia e luz; somente assim poderá ajudar a comunidade a fazer e viver a mesma experiência e realidade.

Uma das exigências que o povo tem para conosco, mais do que perceptível, é que sejamos homens imersos no Mistério do Amor de Deus, pois só assim conseguiremos ajudá-lo a encontrar luz também para sua existência.

O Povo de Deus não quer respostas prontas, mas quer ter a certeza de que o Presbítero é um homem que a Deus encontrou na pessoa de Jesus Cristo, por Ele vive uma paixão que se renova em cada instante de sua vida, deixando-se guiar pela luz do Santo Espírito. Que seja um homem de Deus e do povo, sem separação, distanciamentos e dicotomias.

Reflitamos:

- Em que consiste o Ministério Presbiteral, à luz da transfiguração do Senhor?
O que podemos compreender por “distanciar-se dos boatos da vida quotidiana”?

Como Presbíteros, o que é “imergir na presença de Deus”?

Homem do deserto e do oásis revigorante e saciador; homem do céu e da terra simultaneamente; homem da montanha e da planície corajosamente; homem da imersão e da emersão incansavelmente... 

Numa palavra: homem itinerante e Pascal.


PS: Texto escrito quando exercia o Ministério Presbiteral na Diocese de Guarulhos-SP

Em poucas palavras... (IIDTQA)

 


A finalidade da Transfiguração de Cristo

“A Transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da Paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o Seu Corpo contém e irradia nos Sacramentos: «a esperança da Glória» (Cl 1, 27) (Papa São Leão Magno  séc. V).” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 568

Em poucas palavras... (IIDTQA)

                                                 


A finalidade da Transfiguração do Senhor (2)

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo”. (1)

 

(1) Papa São Leão Magno (séc. V)

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz (IIDTQA)

                                                              

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz

O segundo Domingo da Quaresma, identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos a voz do Filho Amado, e maior obediência à vontade de Deus, na Força do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18), fala-nos de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac.

O autor Sagrado nos revela um Deus que ama com Amor intenso e eterno; que revigora nossa serenidade e esperança; um Deus que não quer sacrifícios de vidas humanas, mas que todos tenham vida e vida plena.

Muitas vezes, as provações acontecem em nossa vida; e são elas ocasião para testemunharmos nossa fidelidade e revelarmos o que se passa no mais profundo de nosso coração.

Assim nos fez aprender Abraão, que não pouparia seu filho único, amado e herdeiro. Parecia que Deus iria destruir os próprios sonhos que ajudou a criar, no entanto, não é esta a mensagem, pois se Deus algo nos tira, é para nos dar algo ainda melhor.

A prontidão da resposta de Abraão revela um homem que entrega, confia, obedece... 

Sua obediência foi fonte de Bênção para todas as nações, e da mesma forma, será pelo nosso sim às coisas divinas, fazendo-nos  instrumentos da Bênção Divina para o outro.

Abraão nos ensina a confiar além da incompreensão. Com isto, é possível questionar qual a atitude que temos diante dos Mistérios de Deus em nossa vida.

Além da compreensão de tudo que somos incapazes, é preciso antes confiar e entregar-se, como Abraão, nas mãos da Divina Providência, que tudo sabe e tudo pode.

Tudo isto leva ao questionamento de nossa vida cristã, nossa fidelidade aos desígnios de Deus, de modo que a sua atitude nos convida rever nossas prioridades: fazer de Deus o valor máximo, a prioridade fundamental de nossa vida.

Não podemos servir a “deusinhos” e aos ídolos sedutores de tantos nomes, mas tão somente ao Deus Vivo e Verdadeiro, o Deus bíblico revelado por Jesus.

Deste modo, as qualidades de Abraão nos ajudam no Itinerário Quaresmal, na busca e prática da conversão necessária, para que possamos celebrar uma frutuosa e alegre Páscoa do Senhor. 

Com ele, aprendemos a crer, contra toda falta de humana esperança, e também que a obediência a Deus não é sinônimo de escravidão, mas garantia de vida, prosperidade, felicidade e realização.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,31b-34), é fortalecida a nossa espiritualidade cristã, que consiste em percorrer o caminho do amor a Deus e aos irmãos: enfrentar os sofrimentos, fazer as renúncias necessárias, suportar as incompreensões e perseguições e, sobretudo, não perder a esperança no triunfo final.

O discípulo de Jesus sabe que sua esperança não é uma ilusão, pois se relaciona com um Deus que ama a todos com Amor intenso, imenso e eterno, e por isto, mantém a serenidade, a confiança e a esperança, marcando assim, todo o seu existir.

Na aparente orfandade, ouve no mais íntimo de si mesmo: “Não tenhais medo”, pois o Amor de Deus veio ao nosso encontro por meio de Jesus, que por nós viveu um Amor, profundo, radical e total: um Amor vitorioso que passou pela Cruz para ser vencedor.

Com a passagem do Evangelho (Mc 9, 2-10),  refletimos sobre o Projeto Messiânico, que se realizará pela Cruz: com renúncias, o carregar da cruz no seguimento, escuta e obediência.

Poderiam indagar os próprios discípulos: “Vale a pena seguir alguém que nos oferece a morte na Cruz?”

O Evangelista, retratando a Transfiguração, nos assegura que sim, pois ela é um sinal antecipado da vitória, do triunfo glorioso da Ressurreição.

Assim compreendido, a Transfiguração no Monte é uma teofania – uma manifestação da força e onipotência divina que venceu a morte: não ficará morto para sempre o Filho Amado que nos amando, amou-nos até o fim.

Contemplemos algumas imagens que nos oferecem interessantes paralelos entre o Antigo e o Novo Testamento:

- O rosto transfigurado e as vestes brancas de Jesus lembram o resplendor de Moisés ao descer do Sinai, após o encontro com Deus em que receber as Tábuas da Lei;
- A nuvem na Bíblia sempre representa uma forma de falar da presença de Deus;

- Moisés e Elias, a Lei e a Profecia que se realizam;
- O temor mencionado revela a Onipotência Divina;

- As tendas lembram um novo Êxodo – passagem da escravidão à liberdade;
- Jesus é o novo Moisés, com Ele uma Nova e Eterna Aliança;
- A roupa branca também sinaliza a Ressurreição: a Cruz não terá e não será a palavra final.

O discípulo missionário do Senhor jamais poderá deixar se entorpecer por certo tipo de “anestesia espiritual”, que nos torna indiferentes diante dos outros.

No caminho de fidelidade a Jesus, não podemos esmorecer, fracassar, fugir ou abandonar a cruz que Ele nos ofereceu para ser carregada cotidianamente com renúncias necessárias.

Dando mais um passo em nosso itinerário quaresmal, ao ouvir a Palavra proclamada, seja acolhida no alto da montanha e na planície vivida.

Seja purificado o olhar de nossa fé, para que vejamos, além da transitoriedade da dor e do sofrimento, os sinais maravilhosos da Glória Celeste, e assim poderemos no final deste itinerário quaresmal, celebrar o transbordamento da alegria Pascal, a Ressurreição do Senhor.

A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados (IIDTQA)

                                             


A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados 

“Este é o meu Filho amado, 
no qual Eu pus todo o meu agrado. Escutai-O” (Mt 17,5)

Uma breve reflexão sobre a Transfiguração do Senhor, à luz do parágrafo número 555 do Catecismo da Igreja Católica:

- A glória divina é precedida pela Cruz:

“Por um momento, Jesus mostra a Sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na Sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (Lc 24,27).”

- A presença e ação da Santíssima Trindade na Transfiguração do Senhor: verdadeiramente uma teofania:

“A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (Is 42,1). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» (Santo Tomás de Aquino)”

-  A Transfiguração do Senhor: Jesus viveu uma paixão voluntária e Ele é a irradiação do Pai:

«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os Teus discípulos contemplaram a Tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341).” (1)

A transfiguração do Senhor contemplada, leva-nos necessariamente à renovação de sagrados compromissos como Igreja sinodal que somos, sempre caminhando juntos, atentos na escuta e na prática do que nos diz o Filho amado do Pai, Jesus.

Oremos:

“Ó Deus, que nos mandastes ouvir o Vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a Vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da Vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

 

(1)         Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 555
(2)        Oração do dia no segundo Domingo da Quaresma


Quaresma: edifiquemos tendas de transfiguração (IIDTQA)

                                                          

Quaresma: edifiquemos tendas de transfiguração

Senhor Jesus, contemplando Vossa Transfiguração no Monte Tabor, somos desinstalados e enviados em missão como discípulos missionários na planície, nos diversos espaços em que vivemos e nos relacionamos, e rostos tão desfigurados, com marcas da violência de incontáveis nomes, encontramos; edificando tendas para edificar e santificar a vida de Vossos filhos e filhas, nossos irmãos e irmãs.

Senhor Jesus, ainda que queiramos, não podemos fixar tendas no Monte Tabor, livrai-nos da tentação de evadirmos do mundo, sem jamais nos omitirmos em nossas responsabilidades de transformá-lo, construindo uma cultura de paz, com laços mais fraternos, e que esta paz seja fruto da justiça, sinal de um mundo novo e reconciliado.

Senhor Jesus, afastai-nos desta tentação de fixar tendas no Monte Tabor, que seria como uma pedra de tropeço no árduo testemunho e combate da fé, e assim fecharíamos os olhos ao Mistério Pascal; esvaziando-o de todo o sentido e conteúdo, porque não viveríamos a autenticidade da fidelidade e seguimento, com renúncias necessárias, carregando a nossa cruz cotidiana.

Senhor Jesus, iluminai-nos para a compreensão da efemeridade do resplendor da Transfiguração neste mundo, necessariamente efêmero, a fim de não desejarmos nos  instalar no “alto monte”, pois ainda não chegou este tempo,  nem para os cristãos nem para a Vossa Igreja que somos.

Senhor Jesus, conduzi-nos neste tempo da fé e da esperança sem esplendor. Com a certeza de que caminhais conosco, podemos nos apoiar firmemente, porque Vosso Pai, com o Vosso Espírito, é fiel e nunca falta às Suas promessas, assim como foi com Abraão, nosso pai na fé, pronto para o sacrifício de seu filho.

Senhor Jesus, ajudai-nos a viver este Tempo da Quaresma, tempo favorável de nossa Salvação, marcado por reconciliações convosco e com nosso próximo, vivendo os exercícios que a Igreja nos propõe (oração, jejum e esmola), a fim de que possamos celebrar, em breve, o transbordamento da alegria Pascal, quando a Igreja cantará, solenemente, o Aleluia!



Fonte de pesquisa: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – 2010 - Editora Paulus – Lisboa - p.329

Peregrinar iluminados pela Transfiguração do Senhor (IIDTQA)

                                          


             Peregrinar iluminados pela Transfiguração do Senhor

Aprofundemos sobre a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, como peregrinos da esperança, à luz de Sua Transfiguração, retomando a Sagrada Escritura, o Magistério e a Tradição da Igreja.

O Apóstolo Pedro nos fala da Transfiguração em uma de suas Cartas:

“Não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vida de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua grandeza.

Efetivamente, Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que diz: ‘Este é o meu Filho amado, n’Ele está o meu agrado. Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com Ele no santo monte.” (1)

Assim lemos no Catecismo da Igreja Católica:

“...Finalmente, retomando o caminho do deserto em direção ao lugar onde o Deus vivo e verdadeiro Se revelou ao Seu povo, Elias recolheu-se, como Moisés, «na cavidade do rochedo», até «passar» a presença misteriosa de Deus (1 Rs 19, 1-14; Ex 33, 19-23).

Mas será somente no monte da transfiguração que Se mostrará sem véu Aquele cuja face eles procuravam (Lc 9, 30-35): o conhecimento da glória de Deus está na face de Cristo, crucificado e ressuscitado (2 Cor 4, 6).” (2)

Com o diácono Efrém (séc. IV), contemplemos a Transfiguração do Senhor:

“Ele (Jesus) os levou até a montanha para mostrar-lhes a glória de Sua divindade, e lhes ensinar que Ele era o Redentor de Israel, tal como já tinha revelado por Seus profetas; e também para prevenir todo escândalo à vista dos sofrimentos que livremente iria sofrer por nós em Sua natureza humana.” (3)

Com o papa São Leão Magno (séc. V), reflitamos sobre a finalidade da Transfiguração do Senhor:

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo”. (4)

Com Santo Agostinho, vemos que, assim como Pedro, na fidelidade a Jesus, precisamos descer do monte da Transfiguração para o desafiador combate da fé e testemunho na planície:

“Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a Montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. 

Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra.

A Vida desce para fazer-Se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-Se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?” (5)  

Que Deus nos conceda a graça de rezar e viver o quarto Mistério Luminoso, a Transfiguração do Senhor, e como os discípulos Pedro, João e Tiago (6):

Subamos à montanha sagrada;

Contemplemos a glória do Senhor Transfigurado;

Escutemos o que o Filho amado tem a nos dizer;

Desçamos a montanha da contemplação;

Peregrinemos e testemunhemos as virtudes divinas (fé, esperança e caridade).

Cremos que a glória celestial passa necessariamente pela coragem e renúncias necessárias no tempo presente, no seguimento de Jesus. Amém.

 

(1) 2 Pd 1,16-18

(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2583

(3) Sermão do Diácono Santo Efrém (séc. IV)

(4) Papa São Leão Magno (séc .V)

(5) Catecismo da Igreja Católica n.556 - Santo Agostinho – Sermão 78,6; PL 38,492-493.

(6) Mt 17,1-9; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36

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