segunda-feira, 6 de abril de 2026

Fidelidade aos Mandamentos, garantia de felicidade



Fidelidade aos Mandamentos, garantia de felicidade

Vejamos quão atuais e iluminadoras, as palavras de Madre Basilea (1904-2001):

"Nós homens, acreditávamos poder desprezar, superar todas as regras de Deus em qualquer campo, criar nossa vida com livre decisão, exatamente segundo nosso modo de pensar. Mas Deus segura o homem pelo punho… Se violarmos os Seus Mandamentos, interrompemos o fio de nossa vida, destruímos nossa felicidade". (1)

De fato, a violação dos Mandamentos divinos tem consequências sempre negativas para a humanidade, como que numa interrupção do fio de nossa vida, e com isto a destruição da própria felicidade.

As consequências tornam-se visíveis: contaminação, focos de infecção, desequilíbrio biológico, degradação, poluição ambiental, poluição sonora, e inúmeras outras situações:

“Os brados de alarme chamam nossa atenção para a ruptura de equilíbrio do planeta, em todos os níveis. Até nos níveis mais profundos do homem e da sociedade É uma presença de Deus ‘em negativo’”. (2)

Neste sentido, ressoem as palavras do Papa Francisco na “Encíclica Laudato Si”, e a necessária Ecologia integral, preservando o meio ambiente, o planeta e a própria humanidade.

Urge uma conversão profunda de todos nós, na relação com o Planeta em que vivemos. Por isto, é providencialíssima a retomada das conclusões do Sínodo Pan-Amazônico,  para que revisemos nossas posturas e atitudes, afim de que sejam garantidas a vida, não somente da Amazônia, mas de todos nós, de todos os povos, de toda a humanidade.

Supliquemos a assistência e luzes do Espírito Santo por toda a Igreja e por todas as pessoas de boa vontade, por uma cultura de vida e de paz.

(1) (2) Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.1377-1378

A linfa vital

                                                                 

A linfa vital

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital...

Senhor, sinto correr em mim a Vossa linfa vital,
Que me fortalece em qualquer circunstância,
Pois sinto mais do que perto Vossa presença, 
Saciando a minha alma de amor, eterna ânsia.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais sinto o Vosso Amor, carinho, ternura, bondade.
Mais sinto que as barreiras podem ser rompidas
Dando-me vida presente, acenando à eternidade.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais fome de Vossa Palavra, lida, meditada, contemplada,
Maior compromisso com a Boa Nova do Vosso Reino
Pela Palavra vivida, anunciada e,  com ardor, testemunhada.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais fome do Pão da Eucaristia, do Cálice da eternidade,
Porque sois Pão da vida, descido do céu, Pão que a alma  sacia,
Antídoto contra o pecado, remédio de imortalidade.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais intensa se torna por Vós minha paixão e amor,
Menos possibilidade do rancor, orgulho, vaidade.
Sois meu tudo, eu Vosso nada ainda, Amado Senhor!

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Em minhas noites escuras sinto Vossa luz resplandecer.
Ó Senhor, não anda nas trevas quem convosco caminha,
Desde aquela Notícia que Maria Madalena anunciou ao amanhecer.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Maior desejo de permanecer em Vós, fidelidade até o fim.
Mais coragem tenho para as necessárias “podas”,
Para que não me afaste de Vós, porque Vós nunca de mim!

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais impressos no coração ficam Vossos Mandamentos.
Com a força e presença do Vosso Santo Espírito,
Ajudai-me a dar o pleno e desejável cumprimento.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital, Sangue divinal.
Mais sede e fome de Vós e, como os discípulos, ponho-me a suplicar:
“fica comigo, Senhor, pois já é tarde, o dia declina, sentai comigo, Senhor. Fazei arder meu coração, abra meus olhos para Vossa presença contemplar!”

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital...

Volta para o Pai e fica para sempre conosco!

                                                           

Volta para o Pai e fica para sempre conosco!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em mim fará
as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas.
Pois Eu vou para o Pai"  (Jo 14,12)


Na passagem do Evangelho (Jo 14,6-14), Jesus está prestes a concluir a missão para a qual foi enviado pelo Pai, e sabe que a Sua presença histórica no meio dos homens está perto do fim.

Ele sabe que precisa iniciar a preparação dos Apóstolos para que reconheçam a Sua nova forma de ser presença na vida das pessoas, assim como para receberem o Espírito Santo e serem conduzidos por Ele na sua missão evangelizadora, como se dera na Sua manifestação gloriosa, quando estavam reunidos com as portas fechadas por medo dos judeus, logo após a Sua Morte.

É neste contexto que devemos refletir a passagem: ontem e hoje os discípulos missionários do Senhor precisam da convicção e certeza de que Ele jamais nos abandonará.

Continuamos aqui a Sua Missão, com a força vivificante do Seu Espírito prometido e enviado.

Jesus sabe que parte para junto do Pai, e se apresenta como o Caminho, a Verdade e a Vida para chegar até Ele.

Sabe também que não chegará à glória eterna, à comunhão com o Pai, sem passar pelo Mistério da Paixão e Morte, testemunhando Amor e fidelidade até o fim.

Com Sua Morte e Ressurreição, prepara um lugar para onde Ele mesmo conduzirá todas as pessoas que ama, a fim de conviverem eternamente com Ele, enviando do Pai, o Espírito Santo Paráclito.

Voltando para o Pai, Jesus fica na mais perfeita comunhão de Amor para sempre, e assim bem perto de nós, com a doce e vivificante presença do Espírito Santo!

Proclamemos as maravilhas do Senhor

                                               

Proclamemos as maravilhas do Senhor

        Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou para proclamar as obras admiráveis d’Aquele que vos chamou.

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 2,2-5.9-12).

Reflitamos sobre a missão da Igreja, que nasce de Jesus na fidelidade ao Pai, é vivificada com a presença e ação do Espírito Santo, continuando o caminho que é o próprio Jesus: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

O Apóstolo nos apresenta Jesus como o fundamento, a Pedra  Angular, a Pedra principal da Igreja, no qual os cristãos são pedras vivas.

Como Igreja se constitui um povo sacerdotal, com a missão de viver uma obediência incondicional aos Planos do Pai, no amor aos irmãos, e nisto consiste o verdadeiro culto agradável a Deus.

Deste modo, a Igreja precisa crescer na fé para alcançar a Salvação, vencendo todas as dificuldades, hostilidades, incompreensões e perseguições, consciente de sua missão no testemunho do Ressuscitado, com a força vivificante do Espírito Santo, infundida no coração dos discípulos.

Como comunidade da Nova Aliança, a Igreja precisa oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus e, como Povo de Sacerdotes, ofertar uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom da vida aos irmãos, com amor total e incondicional, superando todo medo em total fidelidade e confiança em Deus.

A comunidade não pode se contentar com um verniz cristão que a torne indiferente a todos os problemas que cercam a vida humana.

Sendo Cristo o fundamento da Igreja, e o amor o distintivo dos cristãos, a missão da Igreja será colocar-se em todos os âmbitos, profeticamente, como instrumento da vida plena e definitiva.

Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo no tempo presente a nossa fé em Jesus Cristo, que nos conduz ao Pai, com a força, presença e ação do Seu Espírito.

Renovemos em nosso coração, o Amor de Deus infundido em nós pela ação do Espírito, firmando nossos passos no Bom Caminho que nos conduz aos céus, que consiste na comunhão plena e eterna de Amor.

Cuidemos do jardim de nossa alma!

                                                            

Cuidemos do jardim de nossa alma!

Músicas boas nos devolvem a esperança de que a mediocridade não fez submergir o que de melhor Deus tenha em cada um de nós colocado, que plantado com raízes profundas no coração, e que em conexão com a mente, com a reflexão, fazem multiplicar salutares pensamentos e compromissos com um novo e belo amanhecer.

"Meu jardim" me faz acreditar que a primavera é possível: quer na alma ou no sombrio cinza da cidade, ora manchado pelos sinais de vidas ceifadas precocemente; um jardim a ser plantado e reconstruído, quando vemos cidades em cacos, destruídas por atentados absurdos, e em meio aos destroços, a contagem dos corpos mortos.

Agora, façamos um mergulho dentro de nós mesmo, e com a ajuda do poeta Vander Lee, vejamos de que modo podemos preparar a primavera de nossa alma.

“Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim"

Refletindo...

Na primavera, as flores trarão beleza ao nosso olhar. Algumas plantadas e cuidadas, e outras generosamente florescerão como um processo imperceptível da natureza; um presente de Deus, que não cessa Sua obra criadora para sempre nos dar o mais belo e o melhor.

É tempo de prepararmos uma nova primavera para nossas famílias, para as pessoas com quem convivemos no dia a dia. 

Nova e florida primavera para nossa cidade, como espaço da circulação, do encontro, da proximidade promovida, rompendo muros do isolamento; da superação do anonimato, para que nos chamemos pelo nome ou ao menos nos vejamos não com os olhos do medo e da desconfiança. Já não há por que ver no outro um inimigo e ameaça em potencial, pois a flor da humanidade florescerá nos corações.

Que a primavera de Deus também aconteça nas comunidades que se reúnem em nome do Senhor, com esforços contínuos de conversão e perdão; regadas silenciosamente pelas gotas fecundas da oração.

Que floresçam finas flores da esperança,
Exalando odores de alegria,
De modo que a vida ganhe matizes diversificados,
Na multiplicidade das cores,
Beleza dos odores exalados
Por todos deliciosamente sentidos.
Cuidemos de nossos jardins!

Pelo Batismo, novas criaturas em Cristo

                                                             

Pelo Batismo, novas criaturas em Cristo

À luz do Sermão do Bispo e Doutor Santo Agostinho  (Séc.V), reflitamos sobre a graça do Batismo que nos faz novas criaturas em Cristo.

Por causa do Batismo recebido, rendemos graças Deus por nos ter feito:

- filhos recém-nascidos,
- pequeninos em Cristo,  

- nova prole da Igreja,
- graça do Pai,

- fecundidade da Mãe,
- germe santo,

- multidão renovada,
- flor de nossa honra,

- fruto do trabalho de quem administrou o Batismo,
- coroa e alegria permanecendo firmes na graça recebida.

De fato, ser batizado é ser revestido do Senhor Jesus Cristo e não se poderá dar atenção à carne e à satisfação de suas paixões (Rm 13,14), e o que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos somos um só, em Jesus Cristo (Gl 3,27-28).

Experimentar a força do Sacramento que é sacramento da vida nova que começa no tempo presente pela remissão de todos os pecados passados, e atingirá sua plenitude na ressurreição dos mortos, pois pelo Batismo, em Sua morte, fomos sepultados com Cristo, para que, como Cristo Ressuscitado dos mortos, assim também levemos uma vida nova (cf. Rm 6,4).

Viver o Batismo é caminhar, vivendo neste corpo mortal como peregrinos longe do Senhor.

No entanto, este caminho é seguro, pois é o próprio Jesus Cristo, que Se fez homem por amor de nós, de modo que, crendo e vivendo com o Ressuscitado, devemos nos esforçar por alcançar as coisas do alto, onde Ele Se encontra, sentado à direita de Deus.

Aspiraremos, sem demora e incansavelmente, as coisas celestes e não às coisas terrestres, pois morremos com Ele, e a nossa vida n’Ele encontra-se escondida, com  Cristo, em Deus.

E assim, peregrinando, quando Cristo, nossa vida, aparecer em Seu triunfo, então, apareceremos com Ele, revestidos de glória (Gl 3,1-4).

Oremos:

“Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu vida nova, e o Sangue que nos remiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Vivendo o Tempo Pascal, sejamos cada vez mais fortalecidos pela Palavra, que é fonte divina de nossa conversão, como discípulos missionários do Senhor, e assim, sejamos iluminados pela “Verbum Domini”, do Papa Bento XVI (2010). 

É pecado de omissão se todos nós, sem exceção, não nos colocarmos diante do apelo da conversão que a Palavra de Deus faz, pois ela é imperativo para todos, ordenados ou não. 

Nosso anúncio, sobretudo como presbíteros, seria sem ressonância alguma se antes não nos puséssemos, à escuta atenta do que o Senhor nos diz, sem ignorar as Escrituras, pois ignoraríamos o próprio Cristo, como bem disse São Jerônimo e São João Paulo II - “A Palavra de Deus é indispensável para formar o coração de um bom pastor, Ministro da Palavra” – VD 78. 

Quanto aos fiéis cristãos leigos e leigas, afirma “Compete, sobretudo, aos fiéis leigos formados na escola do Evangelho intervir diretamente na ação social e política. Por isso o Sínodo recomenda uma adequada educação segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja” – VD 100. 

Urge que entendamos a conversão, não como um ponto de chegada em si, mas como um caminho permanente a ser percorrido. 

Assim como pedimos o pão de cada dia na oração que o Senhor nos ensinou, podemos intuir que a graça da conversão também é suplicada cotidianamente, para que melhor correspondamos à vontade de Deus. 

Para que possamos avançar neste santo e inadiável propósito, assim nos diz o Papa, que somente quem se coloca primeiro à escuta da Palavra é que pode depois tornar-se seu anunciador, e não se trata de qual quer anúncio, como ele mesmo nos diz: 

“Não se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama à conversão, que torna acessível o encontro com Ele, através do qual floresce a humanidade nova” – VD 93. 

Com isto, torna-se o aprofundamento de nossa familiaridade com a Palavra de Deus “ ... O nosso relacionamento pessoal e comunitário com Deus depende do incremento da nossa familiaridade com a Palavra de Deus” – VD 124. 

Deste modo, a Igreja será incansável neste anúncio -  “A Igreja, segura da fidelidade do seu Senhor, não se cansa de anunciar a boa nova do Evangelho e convida todos os cristãos a redescobrirem o fascínio de seguir Cristo.” – VD 96. 

Imprescindível se faz a participação na Eucaristia, pois  “A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério Eucarístico” – VD 55. 

Apresenta-nos Maria, como modelo de escuta crente da Palavra Divina que muito pode nos ajudar na conversão e vivência da Palavra Divina: "No nosso tempo, é preciso que os fiéis sejam ajudados a descobrir melhor a ligação entre Maria de Nazaré e a escuta crente da Palavra Divina" – VD 27. 

Tenhamos a Palavra de Deus como centro de nossa espiritualidade, pois ela é fonte da Evangelização, nseparavelmente da Eucaristia que celebramos. 

Jamais nos acomodemos no Seu conhecimento, acolhimento e vivência. Palavra de Deus não apenas para ser conhecida, mas acolhida, encarnada e vivida, como sementes que se plantam para florescer já no tempo presente, reconstruindo o Paraíso, não como estéril saudosismo, mas como compromissos intransferíveis. 

Vivamo-La, dando razão de nossa esperança ao mundo; artífices da caridade porque crentes na força e eficácia da Palavra (Hb 4,12). 

Que a conversão seja para nós o eterno começo na abertura e acolhida da Palavra, tendo como anseio mais profunda a glória da eternidade. 

Por ora, como peregrinos longe do Senhor e com Ele mais perto de nós, do que nós a nós mesmos caminhemos sem hesitação para meta: “Convertei-vos e crede no Evangelho...”, e ainda: “Convertei-vos porque o Reino de Deus está perto...”. 

Caminhemos com Ele, vivo e glorioso em nosso meio: “...Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não está aqui; ressuscitou...” (Lc 24,5-6).  Aleluia! 

 

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