domingo, 29 de março de 2026

Fascinados por Cristo (Domingo de Ramos)

                                                             

Fascinados por Cristo

“O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio...?

As Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora no Brasil (2011-2015) nos apresentaram algumas interrogações muito oportunas (n.4), que permanecem atuais:

“Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e para o Reino do Pai. Jesus é a nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. N’Ele, com Ele e a partir d’Ele mergulhamos no Mistério Trinitário, construindo nossa vida pessoal e comunitária. [...]

Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (cf. Mc 8,27-29).

O que significa acolhê-Lo, segui-Lo e anunciá-Lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (cf. Lc 24,32), leva-nos a tudo deixar (cf. Lc 5,8-11) e, mesmo diante de nossas limitações e vicissitudes, a afirmar um incondicional amor a Ele (cf. Jo 21,9-17)?

A paixão por Jesus leva ao arrependimento, à contrição (cf. Lc 24,47; At 2,36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral [...]”.

De fato, sem o "fascínio", entendido como atração, encantamento, paixão, sedução, encontro pessoal de amor pela pessoa de Jesus, jamais conseguiremos dar passos corajosos no Seu seguimento.

O discípulo missionário do Senhor, em sua pertença à Igreja, peregrino da esperança no serviço do Reino, precisa deste fascínio, sem o qual não suportaria o peso da cruz e as dificuldades no caminho.

Fascinado por Cristo, conta com o Espírito da Verdade que o santifica e o livra de outros tantos fascínios, como o da “lógica mundana”, que não traria a desejada felicidade e realização.

Deste modo, sem fascínio por Cristo:

- Os Mandamentos Divinos se tornariam um peso e não alargariam os horizontes de nossa liberdade;

- Nossas Eucaristias se tornariam encontros formais, sem o ardor na acolhida da Palavra Proclamada;

- Nossas ações seriam insípidas, inodoras, não resplandeceriam a luz divina e não levariam ninguém a glorificar a Deus por elas;

- Nossas reuniões seriam apenas obrigações formais de um planejamento, um cumprimento apenas de agenda, sem a alegria do encontro, da comunhão fraterna fortalecida, da alegria de amar e servir a quem nos seduziu, nos chamou, nos amou, nos enviou;

- O perdão seria sempre para amanhã ou mesmo nunca, de modo que relações não seriam restaurados e os vínculos de comunhão fraterna jamais estabelecidos;

- As “correntes” aprisionariam a mente, os pensamentos, as inspirações, dificultando encontrar caminhos de evangelização nos novos areópagos que nos desafiam;

- Para quem estivesse do nosso lado, se preciso de nossa solidariedade, seria um peso insuportável;

- Não suportaríamos o jugo a ser carregado e nosso coração ficaria inquieto e insatisfeito;

- A pauta de nosso cotidiano seria cansaço, desalento, fracasso, mutilação de sonhos, fragilidade, futilidades e banalidades.

Sejamos fascinados por Jesus. Sejamos apaixonados e encantados por Ele, numa relação de amor-amizade que nos transforma n’Ele em cada Eucaristia que celebramos, até que possamos corresponder ao que o Apóstolo Paulo disse: “tenhamos em nós os mesmos pensamentos e sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2, 5); e possamos chegar a dizer ele também:  “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

Oremos:

Ó Deus, na espera do Senhor que veio, vem e virá, Dai-nos o fascínio e ardor necessários, para que, a exemplo de Paulo, formemos e geremos Cristo em nós, com a força e presença do Santo Espírito. Amém.

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