domingo, 29 de setembro de 2024

Com a proteção dos Arcanjos, contemos (29/09)

                                                 

Com a proteção dos Arcanjos, contemos 

Batalha, cura e missão 

No dia 29 de setembro, a Igreja celebra a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, tendo como textos bíblicos: Dn 7,9.13-14 (ou Ap 12,7-12a); Sl 137 (138); Jo 1,47-51). 

Os nomes dos arcanjos revelam uma missão, e no Missal Romano, temos o comentário que nos apresenta cada Arcanjo com uma missão específica: 

Miguel: nome hebraico que significa – “Quem é como Deus?”. 

É o Arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12,7; Zc 13,1-2); é o defensor dos amigos de Deus (Dn 10,12.21), e protetor do Seu povo (Dn 12,1). 

No Novo testamento, encontramos na Carta de São Judas (v.9), em que ele é nos apresentado numa luta contra Satanás pelo corpo de Moisés. 

Também encontramos no Livro do Apocalipse (Ap 12,7), em que Miguel e os anjos combatem contra o dragão. 

Celebra-se, no dia 29 de setembro, em Roma, o aniversário da dedicação de uma Igreja a este Arcanjo. 

Cedo se tornou muito popular no culto cristão; inclusive na Liturgia dos mortos é pedido ao mesmo que acompanhe as almas, ao céu. 

Gabriel: significa - “A força de Deus”.

É um dos espíritos que estão junto de Deus (Lc 1,19), e revela a Daniel os segredos do Plano de Deus (Dn 8,16; 9,21-22); anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20); anuncia a Maria o Nascimento do Salvador, Jesus Cristo, Lc 1,26-38). 

Rafael: significa – “Deus curou”.

Está entre os sete Anjos que estão diante do Trono de Deus (Tb 12,15; Ap 8,2); acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem como portador de salvação e cura-lhe o pai cego. 

O Evangelista São Lucas apresenta muitas vezes a intervenção dos anjos nas origens da Igreja, porque com a vinda de Cristo, a humanidade entrou num novo tempo, no qual Deus Se faz próximo da humanidade e o céu está unido a terra. 

Na passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 1,14), os anjos vêm de Deus, como “enviados a serviço, para vantagem daqueles que devem ser salvos”. 

Afirma o Missal Romano, especialmente na Liturgia Eucarística, que a Igreja, peregrina sobre a terra, associa-se às multidões dos Anjos que, na Jerusalém Celeste, cantam a glória de Deus (Ap 5,11; SC 8). 

Na primeira Oração da Missa, reconhecemos a bondade divina que nos colocou seus Anjos que servem a Deus no céu, como nossos protetores aqui na terra. 

Na Oração sobre as Oferendas, pedimos que os Anjos levem à presença de Deus, nossas oferendas de louvor, apresentadas com humildes preces, e que sejam por Deus recebidas com agrado, por meio de Cristo, que é Nosso Senhor. 

Na última Oração, uma vez alimentados pela força do Pão do Céu, a Eucaristia, pedimos a Deus que, sob a proteção dos Seus Anjos, progridamos no caminho da Salvação, pelo mesmo Cristo e Senhor Nosso. 

Finalmente, no Prefácio dos Anjos desta Missa, assim rezamos:

“... É a Vós que glorificamos (Deus Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso), ao louvarmos os Anjos, que criastes e que foram dignos do Vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas...”. 

Contemos sempre com suas presenças, ainda que não os vejamos, para experimentarmos, em todos os momentos, a força de Deus, curados de nossas enfermidades, fraquezas, para que assim sejamos, também, alegres anunciadores da Boa Notícia do Reino, sobretudo aos que mais precisarem. 

Concluindo, contemos sempre com a presença e a companhia dos anjos e arcanjos, a fim de que vivamos o bom combate da fé, sobretudo quando surgirem dificuldades e provações, na realização de nossa missão por Deus confiada, como discípulos missionários do Senhor, pois também precisamos da cura, para que, sãos de corpo e espírito, não esmoreçamos em nosso testemunho de fé, rejuvenescendo nossa esperança no fortalecimento da caridade. 

Oremos: 

“Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos Anjos e dos homens, fazei sejamos protegidos na terra por aqueles que Vos servem no céu. Por N.S.J.C. Amém”.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.1752-1754


Bíblia, Anjos, Arcanjos e nossa missão (29/09)

                                                            

Bíblia, Anjos, Arcanjos e nossa missão

Celebramos dia 29 de setembro a Festa dos Arcanjos São Miguel (Quem é como Deus?), São Rafael (Deus cura!) e São Gabriel (O poder de Deus).

Dia 30 celebraremos a Memória de São Jerônimo (séc. V), Presbítero e Doutor da Igreja (340-420) a quem somos devedores pela tradução da Bíblia para o Latim, que até então era em hebraico e grego, por longos 35 anos.

Este grande Santo da Igreja afirmou: “Se conforme o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder de Deus e Sua Sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (1)

Na Sagrada Escritura, encontramos inúmeras passagens que nos falam dos Anjos e Arcanjos. Não podemos ignorar a realidade dos Anjos.

O Papa São Gregório Magno (séc. VI) disse que “é preciso saber que a palavra Anjo indica o ofício, não a natureza. Pois estes santos espíritos da Pátria Celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados Anjos, porque somente são Anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos Anjos; os que levam as maiores notícias, Arcanjos…”

Maria teve a visita do Arcanjo Gabriel, pois era uma máxima notícia: Encarnação do Verbo, o Projeto de vida abundante e salvação eterna…

Em seu Sermão, São Bernardo (séc. XII), assim nos fala sobre os Anjos da Guarda:

“… E para que nas alturas nada falte no serviço a nosso favor, envias os teus santos espíritos a servir-nos, confia-lhes nossa guarda, ordenas que se tornem nossos pedagogos…

Esta palavra (Anjo) quanta reverência deve despertar em ti, aumentar a gratidão, dar confiança. Reverência pela presença, gratidão pela benevolência (amabilidade), confiança pela proteção…

São fiéis, são prudentes, são fortes; por que trememos de medo? Basta que os sigamos, unamo-nos a eles e habitaremos sob a proteção do Deus do céu”. (2)

Deus incansavelmente, no Seu amor, nos enviou Anjos e Arcanjos para nos comunicar alegres notícias, acompanhando-nos em nossa missão. Daí a reverência, gratidão e confiança pela proteção acima mencionada.

Reflitamos:

- Quem como Deus tem um Projeto de Amor e Vida para todos nós sem exclusão, sem violação da dignidade da pessoa e banalização da sacralidade humana?

- Quem como Deus despertou em Maria o canto do Magnificat, em que se canta a esperança de um mundo novo, onde Deus manifesta o poder de Seu braço, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes, despede os ricos e cumula os pobres que se encontram com as mãos vazias?

- Quem como Deus, ininterruptamente, nos concede a cura, o antídoto para não morrer, a imortalidade em cada Banquete da Eucaristia?

Ignorar a presença dos Anjos e suas mensagens do Deus da vida nos levaria a ignorar a Sagrada Escritura e, consequentemente, ignorar o próprio Cristo.

Anjos e Arcanjos anunciaram e anunciam alegres e salutares Notícias. Que, como eles, sejamos sempre portadores de belas e edificadoras notícias, e contemos sempre com sua proteção. Que, como Anjos, sejamos ardorosos em nossa missão em todo o momento e em todo lugar.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…


(1)         Lit. das Horas vol. IV – p. 1329.
(2)        Idem pp. 1335/6

Em poucas palavras...

                                                  


“Mas é Deus que primeiro chama o homem...”

“Mas é Deus que primeiro chama o homem. Muito embora o homem se esqueça do seu Criador ou se esconda da sua face, corra atrás dos ídolos ou acuse a divindade de o ter abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incansavelmente cada pessoa ao misterioso encontro da oração.

Na oração, é sempre o amor do Deus fiel a dar o primeiro passo; o passo do homem é sempre uma resposta. A medida que Deus Se revela e revela o homem a si mesmo, a oração surge como um apelo recíproco, um drama de aliança. 

Através das palavras e dos atos, este drama compromete o coração e manifesta-se ao longo de toda a história da Salvação.”

 

(1)   Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 2.567

 

Não somos donos do Espírito de Deus (XXVIDTCB)

                                                      

Não somos donos do Espírito de Deus

O Espírito sopra onde e em quem quiser
e nada, nem ninguém pode deter Sua ação.

Com a Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre a ação divina que não pode ser controlada por ninguém: o Espírito de Deus sopra onde e quando quiser.  

As Leituras exortam a superar toda forma de arrogância, ciúmes em relação à ação de Deus e ainda, arrancar, de dentro de nós, tudo o que não constrói o Reino de Deus.

Não se pode sequestrar, monopolizar, manipular, deter a ação do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Nm 11,25-29) é uma Catequese que retrata um período do Povo de Deus na caminhada do exílio.

É preciso aprender a edificar a vida sobre a cultura da liberdade e da maturidade, percebendo e correspondendo à presença de Deus que está sempre no meio do Seu povo.

Há que se fazer grandes progressos, amadurecimentos, alargando os horizontes, crescendo na responsabilidade para que seja um povo consciente, adulto e santo.

A passagem é para que o Povo de Deus compreenda que ninguém pode deter a ação do Espírito. 

Como Moisés, é preciso ser um povo livre, magnânimo, de espírito aberto, abolindo quaisquer resquícios de ciúmes em relação à ação divina.

O episódio retratado (Espírito concedido a outros dois) é a Boa Notícia de que não é privilégio exclusivo ter e contar com a ação do Espírito.

Atualizando a mensagem, afirmamos que o Espírito age também fora das paredes da nossa Igreja, rompe suas fronteiras.

Este não monopólio do Espírito exclui qualquer possibilidade de fanatismo, intransigência e intolerância.

A Igreja é também convidada ao amadurecimento da Pastoral de Conjunto, valorizando os dons do outro que procedem de um único Espírito (sem ciúmes, possessões e apropriação do Espírito).

A passagem da segunda Leitura (Tg 5,1-6) é um forte grito profético contra a exploração, o acúmulo de bens, o enriquecimento à custa dos pobres, e exorta o discernimento necessário para sabermos usar os bens materiais que são transitórios.

Os bens por melhor que sejam (ouro, conta bancária, carro de luxo, casa dos sonhos etc...) não saciam a fome de vida eterna.

O autor sagrado tem uma mensagem muito clara e atual: o crime contra o pobre é crime contra o próprio Deus.

A vida plena depende, na exata medida, das opções que fazemos nesta vida. De modo que a prática da injustiça é a autoexclusão da família de Deus. É preciso, portanto, afastar todo orgulho, ambição, autossuficiência.

Na passagem do Evangelho (Mc 9,38-43.45.47-48) temos alguns ditos de Jesus que são lições a serem aprendidas pelos discípulos, para que a comunidade seja aberta, acolhedora, tolerante e saiba aceitar os sinais de Deus.

Deste modo, ela saberá promover o bem comum e apoiar todos os que lutam pela libertação da humanidade, sem jamais escandalizar os “pequeninos”.

É preciso cortar todo egoísmo, autossuficiência que destroem a vida, porque o fim dos injustos é a “geena”, o inferno, a ausência do Amor de Deus, a condenação de viver sem o amor que foi rejeitado.

“O Espírito é capaz de soprar e de fazer palpitar os corações também noutros locais, como nas mesquitas, nas sinagogas, nos areópagos, no templo que nós chamamos e nos parece pagão. Deveríamos, por isso, pedir ao Senhor, a graça de aprender a alegrarmo-nos pelo bem, onde quer que ele se concretize, de nos alegrarmos por todo o bem, sem nos importarmos com quem o pratica: seja pequeno ou crescido; seja jovem ou ancião; seja leigo ou consagrado; seja infeliz ou afortunado; seja doente ou saudável; seja alguém que se abre para a vida ou alguém que está para prestar contas com Aquele que generosamente lha concedeu”. (1)

Na passagem do Evangelho, reafirma-se que não é próprio dos discípulos do Senhor atitudes que revelem arrogância, sectarismos, intransigência, intolerância, presunção, ciúmes, mesquinhez, pretensão de monopolização do próprio Jesus e Sua Boa Nova:

“João e os outros discípulos não conseguiram ainda pensar segundo a lógica de Jesus, Seu Mestre, a qual é para Ele, na perspectiva da Cruz, lógica de serviço e de humilde diaconia. Preferem nesse momento a lógica espalhada e exclusiva do sectarismo e da separação, ou seja, pretendem ter o exclusivo e o monopólio da Salvação” (2).

Reflitamos:

- O que precisamos cortar para superar qualquer sombra de dominação e monopólio do Espírito e melhor nos colocarmos a serviço dos últimos?

- Quais são as verdadeiras motivações no trabalho que realizamos em nossa Pastoral, em nossa Comunidade? 

- É o amor autêntico, livre, desinteressado em favor dos que mais precisam?

- Onde e quando percebemos a ação de Deus além dos limites de nossa comunidade?

- Quais pessoas que professam uma crença diferente da nossa e nas quais contemplamos também a ação de Deus?

- Percebemos a manifestação e ação do Espírito onde, quando e em quem Ele bem quer?

Renovemos nossa alegria em podermos ser instrumentos nas mãos de Deus, para viver maior fidelidade ao Projeto que Jesus inaugurou, a Boa-Nova do Reino, com a força e ação do Espírito, sem jamais termos a pretensão de exaurir Suas forças, detê-Lo, monopolizá-Lo.

Alegremo-nos com a inesgotável ação e presença do Espírito, que move a História, dentro e fora da própria Igreja. Amém.


(1) Lecionário Comentado - Volume II do Tempo Comum- Editora Paulus - Lisboa - pág. 443.
(2) Idem pág. 441.

Não escandalizemos os pequeninos (XXVIDTCB)

                                                 


Não escandalizemos os pequeninos
 
“É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos!” (Lc 17,1)
 
Na passagem do Evangelho, da segunda-feira da 32ª Semana do Tempo Comum, Jesus adverte sobre “não escandalizar os pequeninos” (cf. Lc 17,1-2).
 
Na linguagem bíblica, dois são os significados fundamentais da palavra “escândalo”: tropeço e obstáculo.  
 
Enquanto tropeço, indica algo que faz cair, que desvia do caminho, que leva ao pecado e à Geena.
 
De outro lado, enquanto “obstáculo”, indica algo que impede e fecha o acesso (mais do que uma pedra, um muro).
 
Na passagem mencionada, Jesus refere-se ao escândalo como palavras ou atitudes que impedem a vida fé e a entrada no Reino de Deus.
 
A advertência é dirigida de modo especial a nós cristãos, que podemos ser, muitas vezes, motivo de escândalo, de obstáculo a quem está caminhando para a fé e para Cristo.
 
Por isso, toda vigilância se faz necessária, para que façamos florir esta conversão, e nos encorajemos para o combate dos escândalos, sem descuidar para que não sejamos nós mesmos motivos de escândalo, pelo nosso pensar, falar e agir.
 
Estes são os escândalos maléficos, negativos, por parte dos cristãos, que consiste em não viver as exigências da fé, mantendo prisioneira a verdade de Deus (Rm 1,18).
 
No tempo de Jesus, eram os escribas e fariseus hipócritas, que  fechavam o Reino dos Céus para os pequenos, pobres, marginalizados,  de modo que eles não entravam e não deixavam entrar os que queriam (Mt 23,13s).
 
Mas, biblicamente, também podemos falar de escândalos bons por parte dos cristãos, quando proclamam e testemunham a fé com todas as suas exigências, sem conivência com o pecado, sem adulterá-las, e não procurando tornar-se agradáveis ao mundo (2Cor 4, 2).
 
O próprio Jesus foi “pedra de escândalo” neste sentido, como vemos nestas duas passagens bíblicas:
 
- “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.” (1 Cor 1,23);
 
- “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma pedra que faz cair; mas quem nela crer não passará vergonha” (Rm 9,33).
 
Fiquemos vigilantes, portanto, e peçamos a Deus a luz do Santo Espírito para não sermos motivo de escândalo para os “pequeninos”; àqueles que esperam e precisam de nós, para que não nos tornemos causa de queda nem obstáculo para os quais serão abertas as portas do Reino de Deus.
 
 
PS: Fonte inspiradora: O Verbo Se faz carne - Raniero Cantalamessa  - Editora Ave-Maria - 2013 - pp.440-443.

Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 9,38-43.45.47-48)


 

Escândalos (XXVIDTCB)

                                                        

Escândalos

“E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem,
melhor seria que fosse jogado no mar com uma
pedra de moinho amarrada ao pescoço.”
(Mc 9, 42)

Na passagem do Evangelho do 26º Domingo do Tempo Comum (ano B) - (Mc 9,38-43.45.47-48), Jesus adverte sobre “não escandalizar os pequeninos”.

Na linguagem bíblica, dois são os significados fundamentais da palavra “escândalo”: tropeço e obstáculo.  

Enquanto tropeço, indica algo que faz cair, que desvia do caminho, que leva ao pecado e à Geena.

De outro lado, enquanto “obstáculo” indica algo que impede e fecha o acesso (mais do que uma pedra, um muro).

Na passagem mencionada, Jesus refere-se ao escândalo como palavras ou atitudes que impedem a vida fé e a entrada no Reino de Deus.

A advertência é dirigida de modo especial a nós cristãos, que podemos ser, muitas vezes, motivo de escândalo, de obstáculo a quem está caminhando para a fé e para Cristo.

Por isso toda vigilância se faz necessária, para que façamos florir esta conversão, e nos encorajemos para o combate dos escândalos, sem descuidar para que não sejamos nós mesmos motivos de escândalo pelo nosso pensar, falar e agir.

Estes são os escândalos maléficos, negativos, por parte dos cristãos, que consiste em não viver as exigências da fé, mantendo prisioneira a verdade de Deus (Rm 1,18).

No tempo de Jesus, eram os escribas e fariseus hipócritas, que  fechavam o Reino dos Céus para os pequenos, pobres, marginalizados,  de modo que eles não entravam e não deixavam entrar os que queriam (Mt 23,13s).

Mas, biblicamente, também podemos falar de escândalos bons por parte dos cristãos, quando proclamam e testemunham a fé com todas as suas exigências, sem conivência com o pecado, sem adulterá-las, e não procurando tornar-se agradáveis ao mundo (2Cor 4, 2).

O próprio Jesus foi “pedra de escândalo” neste sentido, como vemos nestas duas passagens bíblicas:

- “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.” (1 Cor 1,23);

- “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma pedra que faz cair; mas quem nela crer não passará vergonha” ( Rm 9,33).

Fiquemos vigilantes, portanto, e peçamos a Deus a luz do Santo Espírito.para não sermos motivo de escândalo para os “pequeninos”; àqueles que esperam e precisam de nós, para que não nos tornemos causa de queda nem obstáculo para os quais serão abertas as portas do Reino de Deus.


PS: Fonte inspiradora: O Verbo Se faz carne - Raniero Cantalamessa  - Editora Ave-Maria - 2013 - pp.440-443.

A Parábola do rico e do pobre Lázaro (XXVIDTCC) (27/09)

A Parábola do rico e do pobre Lázaro

Quem são os “Lázaros” de nosso tempo?

A Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a refletir sobre nossa relação com os bens: bens que passam e que devem ser usados, e os bens eternos, que devem ser abraçados.

Na primeira Leitura (Am 6, 1a.4-7) Amós, o “Profeta da justiça social”, denuncia a exploração dos ricos sobre os pobres, um luxo vivido à custa da exploração dos pobres.

Sua voz é um grito profético sobre esta situação, e Deus não Se faz indiferente, e não compactua com esta realidade, porque não é o Seu Projeto pensado e querido para a humanidade.

O grito do Profeta Amós ultrapassa seu tempo e chega até nós, pois também vivemos situações de desigualdade, exploração e miséria que precisam ser superadas: gastos com supérfluos, contrastando com realidades abomináveis de fome, desnutrição, sede e muito mais a ser mencionado.

Na fidelidade a Deus, vivendo a vocação profética, não podemos nos furtar de sagrados compromissos para que todos tenhamos uma vida plena e feliz.

Na passagem da segunda Leitura (1 Tm 6,11-16), o Apóstolo Paulo traça o perfil de alguém que serve a Deus, com uma desejável vida santa: deve amar os irmãos, ter fé, ser paciente, perseverante, justo, piedoso, terno, vive totalmente voltado para o outro em doação e serviço; entusiasmado na vivência do ministério; fidelidade na transmissão e vivência da Doutrina que ensina.

Reflitamos:

- Quais das características citadas estão presentes em nós, como discípulos missionários do Senhor?

Na passagem do Evangelho (Lc 16, 19-31), ouvimos a Parábola do rico e do pobre Lázaro, que é uma catequese sobre como devemos possuir os bens e não sermos possuídos por eles, vivendo o amor, a partilha e a solidariedade, sobretudo com os mais pobres, com os “Lázaros” de cada tempo.

Com a Parábola, entre outros ensinamentos, aprendemos que enquanto a Palavra de Deus não for acolhida no mais profundo do coração, a ponto de determinar nossos pensamentos, escolhas e ações, permaneceremos mergulhados na escuridão, encalacrados no egoísmo, no orgulho, na autossuficiência, sem jamais entender e viver a graça do amor e da partilha.

Não podemos perpetuar situações em que um quarto da humanidade fica com oitenta por cento dos recursos disponíveis do planeta, enquanto três quartos ficam com o restante (vinte por cento).

Muito bem nos ensina a Igreja, perita em humanidade: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém par auso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos...” (Gaudium et Spes n. 69).

O rico da Parábola não tem nome, pois pode ser cada um de nós; representa a humanidade, mas o pobre tem nome, chama-se “Lázaro”, que tem apenas os cães para lhe lamberem a ferida, amenizando a dor, servindo-lhe de companhia na dor da solidão, da marginalização e do abandono.

Que nossos olhos, ouvidos, coração sejam abertos para contemplar a face de Deus e escutar Sua Palavra, para que vivamos o amor, a solidariedade e a partilha com os “Lázaros” de cada tempo.

Os “cães” da Parábola e os “ais” do Profeta Amós devem ser interpelação constante para todos nós, no amor de compaixão, para a superação de relações pecaminosas de miséria e opressão.

Para tanto, as características dos discípulos mencionadas (segunda leitura) devem estar presentes em nós. Somente assim a eternidade será alcançada.

Cremos que, na vivência das Obras de Misericórdia, muito poderemos contribuir na transformação das estruturas sociais injustas. 

É sempre oportuno lembrar as Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

- Obras de Misericórdia Corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. 

- Obras de Misericórdia Espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Reflitamos:

- Como usamos os bens que nos são confiados?
- Sabemos partilhar com os outros os bens que possuímos?

- Quais são nossas riquezas que precisamos colocar em comum em alegre sinal de amor, comunhão, partilha e solidariedade?

- Quem são os “Lázaros” que se encontram em nossas portas?
- O que fazemos concretamente em seu favor?

Continuemos em permanente vigília e conversão, para que nos empenhemos na superação desta brutal e pecaminosa realidade, que se manifesta em inúmeras formas de desigualdade e injustiça social, no bom combate da fé vivido, comprometidos com um novo céu e uma nova terra.


Fonte inspiradora: www.Dehonianos.org/portal

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