quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Revistamo-nos da armadura divina!

                                                         

Revistamo-nos da armadura divina!

Ouvimos na quinta-feira da 30ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 13,31-35).

Vejamos o comentário do Missal Cotidiano sobre esta  passagem:

“Jesus era personagem incômoda para a autoridade. Não entrava em nenhum de seus esquemas, mas na longa série de incompreensões e assassínios contra os Profetas. Porém não brinca de herói.

Sua contestação não é objeto de propaganda ou publicidade. É árdua vida de Profeta. Toda a Sua existência constitui longa caminhada rumo a Jerusalém, como Lucas tem o cuidado de sublinhar.

Se a viagem de nossa vida é participação na vida de Jesus, deve tender para Jerusalém, a ‘cidade que mata os Profetas’”.(1)

A missão de Jesus é a revelação radical do rosto de Deus, que Se despoja de toda onipotência para Se nos dar a conhecer na escandalosa impotência de um Crucificado:

“O Senhor revela-Se num aspecto impensável: não como soberano vencedor, garantia de possíveis projetos de poder, mas como um Deus derrotado, segundo as categorias humanas. E essa crise renova-se diante de cada crucificado da História, das muitas situações de sofrimento que levantam perguntas: por que é que Deus o permite? Por que é que não mostra Sua onipotência para as remediar?”

E, assim, muitas outras interrogações semelhantes são feitas. Deus que fica escandalosamente impotente sobre a Cruz, revela um poder inesperado:

“Ele permanece na Cruz, não porque não possa descer dela, mas porque não quer descer; não porque procura o suplício, mas porque procura a solidariedade extrema, a partilha incondicional conosco, com os nossos sofrimentos, com as nossas crucifixões, para nos dizer que através dessa partilha tem início a aurora de uma vida nova”. (2)

Para quem crê a Cruz não se revela como poder domínio, mas como poder de salvação que expressa o Amor incondicional, Amor extremo, Amor incompreendido, Amor não correspondido, Amor sem limites... 

Amor incrível, indizível, sem igual, Amor que redime, liberta e aponta para um novo modo de viver e se relacionar para que seja banida toda dor, sofrimento, opressão, injustiça, miséria, lamento, lágrimas e morte (Ap 21, 3-4).

A Ressurreição do Senhor será a Suprema e Onipotente vitória da luz sobre as trevas, da graça sobre o pecado, do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte.

Jesus não brincou de herói, e foi fiel à missão confiada pelo Pai, em obediência incondicional.

O cristão, portanto, também não é herói no termo comum como se possa conceber. Ele é muito mais, é alguém que vive o escândalo da cruz, loucura para os gregos, escândalo para os judeus (1 Cor 1,18-31).

O cristão assume toda dor e sofrimento por um amor que muitas vezes não é compreendido. Mas amor não é para ser compreendido, amor é para amar, simplesmente.

Criado pelo Amor de Deus para amar, caberá ao cristão, muito mais do que título de herói, amar até mesmo anonimamente, silenciosamente, carregando com fé, coragem, confiança, resistência, a sua cruz cotidiana.

Ser cristão é viver o bom combate da fé, para tanto é imprescindível contar com a graça e a força divina, como Paulo tão bem nos exorta na Carta aos Efésios (Ef 6,10-20).

Por ora, 
vamos cantando e lutando com o Senhor, 
e como Ele o fez,
até que venha o Seu Reino, 
o novo céu e a nova terra:

“Eu confio em nosso Senhor, 
com fé, esperança e amor...”

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1439
(2) Lecionário Comentado – Editora Paulus - Lisboa - pág. 676.  

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

“O Senhor acendeu em nós o Fogo do Amor”

                         

“O Senhor acendeu em nós o Fogo do Amor”


Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,12-19), em que Jesus escolhe os doze apóstolos para colaborar na Sua missão da construção do Reino de Deus, após uma noite toda em oração, e com o Senhor, aprendemos a importância da oração.

 
O Senhor nos chama e nos envia em missão, pois Deus, por meio de Seu Filho, escolheu a quem Ele bem quis: chama-nos pelo nome, confia-nos uma missão. Jamais pelos nossos méritos, pelo contrário, até mesmo porque não temos nenhum.

 
Somos chamados não porque sejamos perfeitos, paradoxalmente, chama-nos até por causa da ausência de nossa perfeição, e assim, manifesta Sua misericórdia e Seu ardente poder transformador. 


Chamou apóstolos e discípulos para serem Seus colaboradores, não porque fossem necessários, mas para nos conceder a graça da participação.

 
É próprio do amor de Deus nos amar para nos fazer melhores, mais conforme à Sua imagem.

  

Deste modo, para que discípulos missionários sejamos, é preciso:

- sentirmo-nos enraizados em Cristo Jesus, e também n’Ele edificados, apoiando-nos na fé que nos foi ensinada, transmitida, como uma pequena e maravilhosa semente no coração plantada, para frutos abundantes produzir;

- participar, colaborar, continuar a missão do Divino Redentor, contando com Sua presença, força e o Espírito Santo, em total fidelidade ao Pai;

- sonhar e se comprometer com um mundo novo, sem miséria, violência, injustiça, impunidade, discriminação; sem a perda da dignidade e sacralidade da vida, desde a concepção até o seu declínio natural;

 - contar com a Divina Força da Palavra e da Eucaristia, que nos revigora, ilumina, impulsiona, e concede horizontes novos;

- sentir o “Fogo do Amor” de Cristo aceso em nosso coração;
 
- contemplar o Fogo de Pentecostes vindo sempre ao nosso encontro, irradiando a chama ardente da caridade, para que reiniciemos sempre um novo caminho de diálogo, comunhão, amor e serviço em incansável participação na construção do Reino de Deus;

- poder fermentar, com palavras e ações, um novo tempo, deixando-nos transformar pela Boa-Nova do Reino de Deus;
 
Sejamos uma Igreja que rejuvenesce com a Santa Palavra, confiante na presença do Senhor, que acendeu em nós o fogo do Seu amor, com o envio do Seu Espírito, junto do Pai!


Vivamos intensamente o tempo da missão, como Igreja missionária que somos, revigorados e rejuvenescidos com a Santa Palavra; pois “O Senhor acendeu em nós o Fogo do Amor”:

“Uma coisa é certa: Cristo é um amor que acende o fogo na terra. Se a fé é um movimento secreto e oculto que se liga ao primeiro Pentecostes, é também uma luz para os homens e os filósofos. O cristão, por seu amor a Cristo e aos irmãos, é chamado a tornar-se um inegável fermento de fraternidade, comunhão e participação para toda a humanidade”. (1)

Reavivemos a chama do primeiro amor, que em nosso coração pelo Batismo um dia foi acesa.

 
Oremos:
 
Senhor, fortalecei-nos pela oração, sobretudo nos momentos de grandes decisões, como assim Vós o fazíeis.
 
Senhor, que superemos a tentação de querer, muitas vezes, fazer tudo sozinhos, com alegação de que os outros mais atrapalham que ajudam.

 
Senhor, fazei-nos discípulos missionários da obra evangelizadora, e assim, aprendizes e promotores da comunhão e participação.

 
Senhor, libertai-nos da mentalidade do mundo moderno da política de resultados, em que os fins justificam os meios.

Senhor, ajudai-nos a superar resquícios de autossuficiência, para não cairmos no indesejável perfeccionismo, e até mesmo atitudes de exclusão e indiferença dos dons que os outros possuem.

Senhor, que sejamos servos Vossos, e não Senhores da Vinha, e, como evangelizadores, com zelo e ardor, nos consumamos por Vós em verdadeira adoração em Espírito e Verdade, e não sejamos adoradores de nós mesmos.
 
Senhor, que aprendamos com Vossos mui amados apóstolos a viver com amor, humildade, coragem, fé, e como peregrinos de esperança, ajudai-nos a perseverar no  bom combate, anunciando e testemunhando Vossa Palavra, e, um dia, mereçamos contemplar a glória dos céus. Amém.

 
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus

PS: Apropriado para a Festa dos Apóstolo São Simão e São Judas Tadeu, Festa celebrada dia 28 de outubro.

“O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

                                

“O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

Quando a Igreja celebra a Festa de um Apóstolo, nas Laudes, são feitas orações a partir da herança celeste recebida dos Apóstolos, acompanhada de agradecimento a Deus por todos os dons que Ele nos concede.

Deste modo, em seguida, são feitas quatro aclamações acompanhadas do refrão: “O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

A primeira aclamação, ou seja, o primeiro louvor ao Senhor: pela Mesa do Seu Corpo e Sangue, que recebemos por intermédio dos Apóstolos, somos alimentados e vivemos. 

O segundo louvor ao Senhor, devido ao fato de que, pela Mesa de Sua Palavra, preparada para nós pelos apóstolos, recebemos luz e alegria. 

O terceiro motivo de louvor ao Senhor é que, por Sua Igreja edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, formamos um só Corpo. 

O último louvor ao Senhor é feito pelos Sacramentos do Batismo e da Penitência
confiados aos Apóstolos, pelos quais somos lavados de todo o pecado. 

Assim, contemplamos o imensurável amor de Deus à luz destas orações:

- somos alimentados e vivemos do Pão da Eucaristia;
- recebemos luz e alegria divinas;
- como Igreja, formamos um só Corpo;
- pelos Sacramentos do Batismo e Penitência, somos lavados de todo o pecado.

Unamo-nos ao coro dos Apóstolos e louvemos ao Senhor, que faz sempre maravilhas em nosso favor em todo o tempo: ontem, hoje e sempre.

Peregrinos de esperança, revigoremos nossas forças para continuar nosso discipulado, fiéis aos ensinamentos dos Apóstolos, em total fidelidade ao Senhor, que nos chama e nos envia em missão; alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue, acompanha-nos e nos fortalece com O Seu Espírito, para que nos empenhemos, a cada dia, com a Boa- Nova do Reino de Deus.

Reavivar sempre a chama do primeiro amor

                                                           

Reavivar sempre a chama do primeiro amor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,12-19), em que Jesus escolhe os doze Apóstolos, para colaborar na Sua Missão da construção do Reino de Deus.

Chamou Apóstolos e discípulos para serem Seus colaboradores, não porque fossem necessários, mas para nos conceder esta graça de participação.

Com o Senhor, aprendemos a importância da oração. Elevemos, pois, súplicas a Ele, para que seja reavivada a chama do primeiro amor, que um dia foi acesa em nosso coração.

Oremos:

Senhor, que nos coloquemos sempre em oração, sobretudo nos momentos de grandes decisões, como assim Vós o fazíeis.

Senhor, que superemos a tentação de querer, muitas vezes, fazer tudo sozinhos, com alegação de que os outros mais atrapalham que ajudam.

Senhor, fazei-nos discípulos missionários da obra evangelizadora, e assim, aprendizes da marca fundamental da dimensão comunitário-participativa.

Senhor, que não pautemos nossas ações pela mentalidade do mundo moderno da política de resultados, em que os fins justificam os meios.

Senhor, ajudai-nos a superar resquícios de autossuficiência, para que não caiamos no indesejável perfeccionismo, e até mesmo atitudes de exclusão e indiferença dos dons que os outros possuem.

Senhor, que sejamos servos Vossos, e não Senhores da Vinha, e, como evangelizadores, com zelo e ardor, nos consumamos por Vós em Verdadeira Adoração em Espírito e Verdade, e não nos tornemos adoradores de nós mesmos.

Senhor, que aprendamos com Vossos mui amados Apóstolos a viver com amor,  humildade, coragem, fé, esperança e perseverança no bom combate, anunciando e testemunhando Vossa Palavra, e, um dia, terminado o bom combate da fé, mereçamos contemplar a glória da eternidade. Amém.

Missão, dom e resposta de amor

                                                   

                   

Missão, dom e resposta de amor

 

Na Festa dos Apóstolos São Simão e São Judas Tadeu, ouviremos a passagem do Evangelho em que Jesus escolhe os doze Apóstolos para colaborarem na Sua Missão da construção do Reino de Deus (Lc 6, 12-19).

 

Chamou Apóstolos e discípulos para serem Seus colaboradores, não porque eles fossem necessários, mas antes para nos conceder esta graça de participação.

 

Com o Senhor, aprendemos a importância da oração. Elevemos, pois, súplicas a Ele, para que seja reavivada a chama do primeiro amor, que um dia acesa foi em nosso coração.

Oremos:

 

Senhor, que nos coloquemos sempre em oração, sobretudo nos momentos de grandes decisões, como assim Vós o fazíeis.

 

Senhor, que superemos a tentação de querer, muitas vezes, fazer tudo sozinhos, com alegação de que os outros mais atrapalham que ajudam.

 

Senhor, fazei-nos discípulos missionários da obra evangelizadora, e assim, aprendizes da marca fundamental da dimensão comunitário-participativa.

 

Senhor, que não pautemos nossas ações pela mentalidade do mundo moderno da política de resultados, em que os fins justificam os meios.

 

Senhor, ajudai-nos a superar resquícios de autossuficiência, para que não caiamos no indesejável perfeccionismo, e até mesmo atitudes maquiavélicas de exclusão e indiferença diante dos dons que os outros possuem.

 

Senhor, que sejamos servos Vossos, e não Senhores da Vinha, e, como evangelizadores, com zelo, amor e ardor, nos consumamos por Vós em Verdadeira Adoração em Espírito e Verdade, e não nos tornemos adoradores de nós mesmos.

 

Senhor, que aprendamos com Vossos mui amados Apóstolos, Simão e Judas Tadeu, a viver com amor, zelo, humildade, coragem, fé, esperança e perseverança no bom combate, anunciando e testemunhando Vossa Palavra, e, um dia, terminado o bom combate, mereçamos contemplar a glória da eternidade. Amém.

Igreja triunfante, militante e padecente

                                                      

Igreja triunfante, militante e padecente

A fé na Ressurreição do Senhor, que nos abriu as portas da eternidade, convida-nos a refletir sobre a Igreja como Corpo místico de Cristo.

Conforme o Catecismo da Igreja Católica, a Igreja tem três estados: triunfante, militante e padecente: “Até que o Senhor venha em Sua majestade e, com Ele, todos os anjos em tendo sido destruída a morte, todas as coisas lhe forem sujeitas, alguns dentre Seus discípulos peregrinam na terra; outros, terminada esta vida, são purificados; enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é” (CIC n. 954).

A Igreja Triunfante (céu) é composta por aqueles nossos irmãos falecidos, que pela graça divina, e pelo modo que viveram e testemunharam a fé, já gozam das delícias celestiais, pois estão na presença de Deus, vendo-O como Ele é, contemplam e glorificam Sua majestade e intercedem por nós, incessantemente, tornando-se exemplos de vida para nós que ainda peregrinamos. Esta é a Igreja eterna, que irá “absorver” a Igreja militante e a padecente, no dia do Juízo Final. 
     
A Igreja padecente (purgatório), por sua vez, é constituída por aquelas almas que, assim como nós, peregrinaram nesta vida, mas por sua conduta e pecados cometidos não puderam entrar na glória celestial. No entanto, Deus em Sua infinita misericórdia, para não perdê-las, concede um tempo para que obtenham uma nova chance de purificação, e assim participarem também da glória celestial, e a nós cabe elevar orações pela expiação de suas culpas, como a Igreja em sagrada Tradição nos ensina.

A Igreja militante (terra), somos nós, que ainda estamos na caminhada em busca da “Jerusalém Celeste”, em peregrinação, vivendo o bom combate da fé, porque ainda não completamos a corrida, nem estamos prontos para receber a coroa da glória, como nos falou o Apóstolo Paulo (2 Tm 4, 6-8).

Finalizando, como Igreja militante que somos, temos um longo caminho a percorrer, trilhando o caminho da santidade, que consiste na acolhida e vivência das Bem-Aventuranças que o Senhor nos apresentou no alto da Montanha Sagrada (Mt 5,1-12), até que um dia possamos nos unir aos nossos irmãos que já se encontram na Igreja triunfante.

Ser cristão: “ser para os outros”

                                                   

Ser cristão: “ser para os outros”

 “Mestre, eu Te seguirei aonde quer que Tu vás”
(Mt 8,19)

Na segunda-feira da 13ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22), em que Jesus nos apresenta as exigências para segui-Lo.

Na passagem, Jesus afasta toda e qualquer ilusão: sem medo da insegurança da própria vida, em confiança total no Senhor, acompanhado de despojamento, pobreza, simplicidade de vida, bem como abertura aos desafios que possam surgir no trilhar o caminho, ao segui-Lo.

Assim afirmou o Papa Bento XVI sobre o ser cristão na Carta Encíclica Deus Caritas Est (n.1):

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

De fato, a mensagem cristã é exigente e não se limita à adesão de uma doutrina, mas uma Pessoa, Jesus.

Com isto, é preciso que oriente, determine o modo de viver, muito mais do que o modo de pensar, tão apenas.

Para seguir Jesus Cristo, é preciso que se vá aonde Ele for, fazer o que Ele faz e como Ele faz, impregnando nossas atitudes de amor, para que estas ações sejam fecundas.

Múltiplas são as formas de ação de pessoas que se decidiram segui-Lo: evangelizando nas casas em todos os lugares (sobretudo em desafiadores espaços, como vilas e favelas, prédios e condomínios); com os enfermos nos hospitais, ou mesmo em suas casas; penitenciárias; em claustros, numa vida consagrada, na oração e serviço pela santificação do mundo; no trabalho com crianças, jovens e idosos e comunidades distantes de nossas cidades.

No testemunho da caridade sublime, participando da política, a fim de que ela seja, de fato, o exercício da promoção do bem comum; em tantas atividades sociais dentro e fora do espaço da Igreja; outros tantos que se dedicam nas inúmeras pastorais de nossas comunidades paroquiais.

Como vemos, ser cristão é configurar-se totalmente a Jesus Cristo, e d’Ele ter mesmos sentimentos, como nos falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses (c.2). E assim, muito mais do que viver não fazendo o mal a ninguém, é preciso escrever uma história de seguimento comprometido na promoção do bem comum, da fraternidade e da paz. Isto é, verdadeiramente, um caminho de santidade, que encontramos apresentado no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Numa palavra final, seguir o Mestre, Jesus Cristo, é seguir e se consumir, cotidianamente, na fidelidade a Ele e à Boa-Nova do Reino, numa vida essencialmente marcada pelo “Ser para os outros”.

Oremos:

"Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C., na unidade do Espírito Santo. Amém".


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.964
PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,57-62)

Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Homilia)

                                                            

Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada

A Solenidade de todos os Santos abre nosso espírito e coração às consequências da Ressurreição. Para Jesus, ela foi ao terceiro dia, para nós, seus amigos, será mais tarde.

Com esta Solenidade celebramos todos os que amaram a Deus e aos irmãos, canonizados ou não. Quer nomes inscritos no calendário litúrgico ou não, mas antes inscritos no Coração de Deus.

Fazemos sair do anonimato e vivemos aquilo que professamos toda vez que rezamos o Creio: “... Creio na comunhão dos Santos”. 

Esta Solenidade nos faz viver intensamente a realidade mais profunda e misteriosa da Igreja, que ainda peregrina na terra, saboreia e vive dos bens do céu.

Para que a santidade seja sólida, há um caminho a ser trilhado: o caminho das Bem-aventuranças, que é na exata medida, o caminho da santidade.  

Jesus sobe ao monte para nos dar a Lei que já tinha dentro de Si, para inscrevê-la no coração da humanidade, para que esta encontre o verdadeiro caminho da felicidade, que é o caminho da santidade. Ele faz das Bem-aventuranças um programa de vida para Seus discípulos.

Santos são aqueles que percorreram o caminho das Bem-aventuranças, acolheram o Cristo e o Seu Reino e agora estão na glória celeste.  

As Bem-aventuranças vividas nos fazem pobres, mansos, puros, misericordiosos e pacificadores. Elas portam ao mesmo tempo o fascínio e a angústia. 

Firmados na esperança da eternidade, firmaram passos com coragem, firmeza, fidelidade, sem vacilar na fé e no testemunho.

Assim nasceram e viveram os Santos: quanto mais perto da luz mais visíveis foram as sombras da existência. Vivendo na fragilidade da existência, abriram-se plenamente à graça divina, pois sabem que nada podemos e nada somos Sem Deus e sem a Sua força, graça, ternura, poder e bondade.

Por isto rezamos no Prefácio da Missa: “Peregrinos da cidade Santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja que nos destes como exemplo para nossa fragilidade”.

Para vivermos a santidade temos de ser corajosos peregrinos do cotidiano, ou seja,  pessoas em marcha, apaixonadas pelo Evangelho que não se desviam do caminho da verdade e da liberdade, anunciando e testemunhando o que lhes faz viver, o que lhes motiva a viver: um amor por Deus, incondicional.

Com o Batismo, somos inseridos no caminho das Bem-aventuranças, e vivê-las implica em assumir riscos, alcançar a alegria, como fruto da liberdade, como podemos contemplar na passagem da primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14). 

Contemplamos a descrição de uma visão da condição celeste. Há esperança na provação.

Refletimos sobre o Cordeiro Imolado que é o vitorioso, o vencedor, revelando-nos que o caminho de morte dos que O seguem não é o caminho da derrota, mas daqueles que foram transformados e estão de pé diante d'Ele.

O autor de Apocalipse fala de 144.000 (12x12x1000) que significa o Novo Povo de Deus, que nasce dos doze Apóstolos de Cristo. Soma-se a multidão imensa que venceu a prova. A cor branca das túnicas reflete a glória celeste e as palmas nas mãos, o martírio, a vitória e a alegria.

Na passagem da segunda Leitura (1Jo 3,1-3) refletimos sobre o nosso futuro, que tem marca de eternidade e o nosso destino como criação divina: foi para a felicidade eterna que fomos criados. A maior glória é sermos semelhantes a Deus e um dia podermos contemplar Sua face.  

“Deus é Amor” (1Jo 4,8.16) e nós podemos amar, “mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). A santidade se mede pelo amor: quem mais ama é mais Santo; quem menos ama é menos Santo; quem não ama nada, não é Santo.

Santidade! Esse é o segredo que o cristão deve ter para aproximar muitas pessoas de Deus. Jamais santidade rima, em forma e conteúdo, com coisa esquisita, rara, estranha, alienada, medonha, impossível, inalcançável.

Deste modo, santidade não é algo exterior, não é caricaturesca, rígida, sombria ou até mesmo triste. Não! O Santo é uma pessoa com uma profunda vida interior, com uma grande unidade de vida, coerente, flexível, cheia de luz e de alegria.

Uma pessoa Santa é um ser humano bem normal no seu dia a dia, que  leva dentro de si algo diferente - o Amor de Deus atuante e que faz novas todas as coisas - ou seja, uma pessoa que revela ao mundo inteiro a Face de Cristo.



PS: Fontes: www.presbiteros.com.br/, Liturgia Dominical - Ed. Vozes - Johan Konings, Missal Dominical.

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (1)

                                                               

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças

 “Bem-Aventurados os pobres em espírito...”

Ouvimos, na Solenidade de Todos os Santos, a passagem do Evangelho (Mt 5, 1-12), em que Jesus nos apresenta as Bem-Aventuranças, no alto da Montanha.

Na realização das atividades pastorais é sempre oportuno rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Evangelho, e somente na vivência das Bem-Aventuranças, realizaremos nosso Projeto de vida no encontro da verdadeira felicidade, que é, ao mesmo tempo, o caminho de santidade que todos somos chamados a trilhar, para que mereçamos alcançar a glória da eternidade.

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção.

Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão.

Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio.

Iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor.

Pelas Bem-Aventuranças iluminados evangelizaremos com amor, zelo e alegria, com a presença do Espírito do Senhor que repousa sobre nós (Lc 4,18).

Evidentemente, viver as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, exige que carreguemos a cruz cotidianamente com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia.

Crendo no Cristo vivo e Ressuscitado, glorioso, sentado à direita do Pai, renovemos a alegria de combatermos o bom combate da fé, no tempo presente, (como Igreja militante), rumando ao céu, para nos juntarmos àqueles que já se encontram na glória da eternidade (Igreja triunfante), sem deixar de elevarmos orações por aqueles que entre nós viveram, mas ainda não podem contemplar a face divina, devido aos seus pecados (Igreja padecente).

Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (2)

                                                                

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças

 “Bem-Aventurados os pobres em espírito...”

É sempre necessário rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Evangelho, iluminados pelo Sermão da Montanha, as Bem-Aventuranças, que Jesus nos apresentou como um Projeto de vida, para o encontro da verdadeira felicidade, que é, ao mesmo tempo, o caminho de santidade que todos somos chamados a trilhar, para que mereçamos alcançar a glória da eternidade.

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção.

Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão.

Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio.

Conduzidos e iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor.

Evangelizaremos com amor, dedicação e alegria, vivendo as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, carregando a cruz cotidianamente com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia.

Crendo no Cristo vivo e Ressuscitado, glorioso, sentado à direita do Pai, renovemos a alegria de combatermos o bom combate da fé, no tempo presente, (como Igreja militante), rumando ao céu, para nos juntarmos àqueles que já se encontram na glória da eternidade (Igreja triunfante), sem deixar de elevarmos orações por aqueles que entre nós viveram, mas ainda não podem contemplar a face divina, devido aos seus pecados (Igreja padecente).

Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                     


Santos e pecadores o somos

“Não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro" (1)

 

(1) Frase frequentemente atribuída ao Cardeal François-Xavier Nguyên Vân Thuân, um cardeal vietnamita.

“Peregrinando na penumbra da Fé”

                                                      

“Peregrinando na penumbra da Fé”

Acontecimento: Missa de renovação das promessas batismais das crianças da Catequese, com vistas à Primeira Eucaristia.

Liturgia do dia: Solenidade de todos os Santos e Santas, com a riqueza da Palavra Proclamada: Ap 1; Sl 23; 1Jo 3,1-3; Mt 5, 1-12a.

Acenei para os cinco vitrais, entre tantos, que enriquece a Igreja em que nos encontrávamos.

1 – O primeiro vitral: o Batismo de Jesus no Rio Jordão por João Batista, remetendo-nos ao acontecimento celebrado: a renovação de nosso Batismo. Para que o vivamos precisamos fazer renúncias cotidianas, e professar, com alegria, as verdades da fé que nos movem e nos solidificam neste caminho de santidade.

2 – O segundo vitral: uma das pregações de Santo Antônio, que embora encontrando indiferença da parte de alguns, não encontrou da parte dos peixes, que segundo consta, puseram-se a ouvi-lo, atentamente.  Acenei para a caminhada catequética feita, o anúncio da Palavra, o conhecimento da Doutrina Católica, a fome que todos temos da Palavra de Deus, de modo especial, comunicada na Missa com a Liturgia da Palavra em que Cristo Se faz Pão.

3 – O terceiro vitral: a famosa cena da mula, que depois de dias sem comer, curva-se diante da Eucaristia por Santo Antônio apresentada. Motivei a perseverança na caminhada catequética, dando mais alguns passos para que cheguemos ao grande dia de reconhecermos a presença de Jesus na Eucaristia, o Mistério da fé que cremos. Ele está verdadeiramente no Pão e no Vinho Consagrado, transubstanciado. Em cada Missa também somos alimentados pelo Pão da Eucaristia e inebriados pelo Sangue de Cristo, Verdadeira Comida e Bebida para o caminho que fazemos, na penumbra da fé, esperançosos da Jerusalém Celeste, aguardando a segunda vinda do Senhor.

4 – O quarto vitral: Santo Antonio partilhando um pedaço de pão.
Inspira-nos a vivência da caridade, do amor, da partilha, da solidariedade, como viveram as primeiras comunidades, aqueles que se encontram para a Fração do Pão, para o Encontro Eucarístico. Quem se alimenta do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia, como discípulo missionário, é enviado ao mundo para ser sinal de alegre partilha, promovendo a vida plena para todos.

5 – O quinto vitral: Santo Antonio segura o Menino Jesus, como que O ofertando, apresentando ao mundo. Esta é nossa missão, formar e gerar Cristo em nós, em cada Banquete Eucarístico que participamos, oferecendo a luz e o Amor de Deus ao mundo, sendo sinal de Sua presença para tantos quantos precisam.

Todo batizado em nome da Trindade Santa tem esta maravilhosa missão, como discípulo missionário do Senhor: nutrido pela Palavra e pela Eucaristia, dar razão de sua esperança, viver o o seu Batismo, testemunhar a sua fé, com gestos concretos de amor e partilha.

O convite da Missa: sermos Santos como Deus é Santo! Vivendo na comunhão com todos os Santos e Santas que nos precederam na Glória Celeste; que lavaram e alvejaram as suas vestes no Sangue do Cordeiro.

Por isto, em cada Eucaristia que celebramos, subimos à Montanha Sagrada, nos assentamos aos pés do Senhor, que nos ensina e nos propõe um Projeto de vida, santidade e felicidade: as Bem-Aventuranças...

Inspirado nos cinco vitrais e iluminados pela Palavra proclamada não nos percamos no caminho, nesta trilha iluminada da Santidade.

Ainda que o leitor não conheça os referidos vitrais, poderá conhecer outros que também levam a reflexões e Orações; que elevam a alma e iluminam nossa caminhada na penumbra da fé, esperançosos da Jerusalém Celeste que há de vir, como também expressa o Prefácio desta Missa Solene:

“Festejamos hoje a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os Santos, Vos cercam e cantam eternamente o Vosso louvor. Para essa cidade caminhamos pressurosos, peregrinando na penumbra da Fé”.


PS: Celebração em novembro de 2013, na Paróquia Santo Antônio de Gopoúva - Diocese de Guarulhos - SP - em novembro de 2013. 

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