quinta-feira, 30 de julho de 2026

Em poucas palavras...

 


“O grande tesouro é Cristo”

“O grande tesouro é Cristo é Ele que ilumina todo o antigo e o novo.

Ele que deve ser anunciado e transmitido, permanecendo fiéis à Sua Pessoa que encerra em Si todas as novidades capazes de explicar e realizar as antigas promessas.

Também nós reconhecemos com Santo Irineu: omnem novitatem attulit semetipsum afferens. (Adversus haeresis, IV, 34,1).” (1)

 

(1)Comentário Lecionário Comentado – Editora Paulus – p. 841 – sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,1-53)

PS: A frase significa "Ele trouxe toda a novidade, trazendo a Si mesmo". Trata-se de uma declaração central de Santo Ireneu de Lião,  em sua obra Contra as Heresias (Adversus haereses).

 

Em poucas palavras...



Modelados pelas mãos divinas

O Criador jamais deixou de nos falar e de nos modelar com as Suas mãos e, se em algumas ocasiões parece destruir com palavras/acontecimentos demasiado duros, é só para evitar que a nossa vida se perca na inutilidade e no nada” (1)

 

(1)Comentário Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – p. 842 – sobre a passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 18,1-6).

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

A Deus cabe o julgamento final

                                              

A Deus cabe o julgamento final

Vejo o mundo em páginas múltiplas e densas.
Por vezes o vejo confuso, além do meu entendimento...
No campo crescem grão de trigo e joio, ainda que não deseje,
Nas redes entram peixes bons e ruins, aquém de meu querer.

Quantos sofrem por isto e se inquietam.
Indaga-se: por que Deus tolera os maus?
Por que até mesmo na Igreja isto se dá?
As questões se avolumam e até nos consomem.

Por que Cristo não seleciona uma Igreja de puros,
Perfeitos, imaculados e quase anjos?
A uns Deus e Seu Cristo têm paciência demais,
Para salvar quem sumariamente já condenamos.

Aguardemos pacientemente a colheita,
Não diminuída por prematuras intervenções de escolhas,
Ou por uma rede cheia de tão apenas peixes bons,
Ressoe a mensagem das Parábolas do Senhor.

Só então, no fim, haverá a colheita, o recolher da rede
Com base na realidade de ser grão de trigo ou joio, peixe bom ou mau.
Acolhamos a advertência eficaz das parábolas:
Deus é paciente e cabe a cada um fazer a sábia escolha.

Escolher ser bom grão e bom peixe e não joio ou peixe imprestável.
Decidamos enquanto é tempo, pois o tempo é breve.
As urgências nos interpelam a renovar a nossa fé,
Dar razão de nossa esperança e inflamar a chama da caridade. Amém.


PS: Conferir Mt 13,1-51; Rm 2,1-11; Tg 4,11-12

O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar

                                                          

O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar

Na quinta-feira da 17ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,47-53), em que Jesus nos apresenta mais uma parábola, exclusiva deste Evangelista,  sobre o Reino dos Céus: a parábola da rede lançada ao mar, e que recolhe todo tipo de peixe.

O Evangelista tinha diante de si uma comunidade imersa na monotonia, na falta de empenho, numa vivência morna da fé, logo, pouco exigente e comprometida.

Deste modo, era necessário buscar uma Palavra do Senhor, para que ela perseverasse diante das perseguições e hostilidades, enfrentando as dificuldades que vão se apresentando na caminhada da comunidade.

Nisto consiste a beleza das Parábolas: revigoram o ânimo, o entusiasmo, ajudam no discernimento e fortalecem no seguimento de Jesus.

A comunidade deve ver no Reino a grande pérola ou tesouro, pelo qual todo sacrifício deve ser feito e toda renúncia não será em vão.

É preciso rever a escala de valores que pautam nossa vida: o que nos seduz, o que consome nossas forças, nosso tempo; bem como refletir sobre a alegria que devemos ter por sermos instrumentos, colaboradores na realização do Reino.

A Parábola da rede e dos peixes leva a comunidade a refletir, mais uma vez, sobre a necessidade da paciência para ver o Reino de Deus acontecer (joio e trigo).

Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a morte do pecador, por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para amadurecer as suas opções e fazer suas escolhas.

Refletimos sobre a Misericórdia de Deus, que se manifesta na tolerância, paciência, sempre desejoso de que em nós aconteça a conversão e o amadurecimento.

Na conclusão da passagem do Evangelho, os discípulos são chamados a compreender e acolher o novo ensinamento proposto, num renovado compromisso e empenho.
  
Reflitamos:

- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
- Como vivemos a paciência a serviço do Reino?

-  Como Igreja, estamos a serviço do Reino. Temos consciência desta missão?

- Sentimos alegria contagiante ao trabalhar para que o Reino de Deus aconteça?

O melhor Ele já nos deu: O Espírito Santo e os sete Dons (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus). 

Empenhemo-nos, decididamente, na construção do Reino, o Espírito nos assiste, a Sabedoria nos é comunicada, incessantemente. 

Como discípulos missionários do Senhor, renovemos nossa alegria de participar da realização do Reino de Deus, como herdeiros da graça em Cristo Jesus, pelo Espírito Santo, no amor do Pai.


PS: Apropriado para o 17º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Como argila nas mãos de Deus

                                               


Como argila nas mãos de Deus

“O Senhor Deus plasmou o homem com o pó da terra”
(Gn 2,7)

Em tempos em que não havia a disponibilidade tão fácil de acesso, mantinha sempre uma pasta com mensagens que via ou que recebia, para compartilhá-las em momento oportuno.

Hoje retomei a pasta, e dentre tantas mensagens e reflexões, uma me chamou a atenção:

“Eu, naquele entardecer da criação, senti passos no jardim. Era Ele, o Senhor da criação. Acontece que, nesse entardecer, Ele parou, inclinou-se, com um olhar carregado de amor. E, de repente, juntou-me do chão, a mim, pobre e pequeno punhado de terra e ficou a me olhar pensativo… Remexeu-me longamente… longamente… com todo o carinho!

E, então, começou a me amassar: primeiro, retirou de mim uma porção de impurezas que O atrapalhavam: pedrinhas, pedacinhos de pau, ciscos. E eu fui ficando terra pura, do Seu gosto. Fez ainda operações, que eu não compreendia, nem poderia compreender: “Pode por acaso um vaso dizer ao oleiro: eu entendo disso mais do que você?”  (Is 29,16).

Eu nada perguntei. Oferecia simplesmente o meu ser em disponibilidade de amor. Deixava-me trabalhar. Deixava que Ele me fizesse. Porque eu sabia que era obra sua e que ele transformava com amor.

De fato, fui tomando forma. Uma forma à maneira sua, à sua imagem! Para que haveria eu de servir no futuro? Eu não o sabia. “Como argila nas mãos de um oleiro, assim estava eu em Suas mãos” (Jr 18, 6).

E fui-me tornando obra de Deus. “E ele aplicava seu coração em aperfeiçoar-me, pondo cuidado vigilante em tornar-me belo e perfeito” (Eclo 38, 31).

Depois, veio uma etapa difícil. Porque foi um forno superaquecido que ao barro vejo dar força e consistência. É o calor e o valor de minha vida que leva a bom termo a obra de Suas mãos, o Senhor Criador.

A cada vaso muito querido, Ele dá contornos de eternidade. Então, comecei a olhar em torno de mim. E descobri outros vasos que Suas mãos hábeis e cheias de amor haviam amassado e modelado artisticamente. Sem Se cansar, dava Ele mais outra demão aqueles que não haviam saído bem.

Cada um tinha sua forma e sua cor, sem dúvida, isso conforme a destinação no mundo. Mas, do mais humilde ao mais rico, todos eram lindos, todos bem feitos. Ele nos tinha feito como Ele bem queria (…).

“Pode, por ventura, um vaso perguntar ao oleiro: por que me fizeste assim? Não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma argila um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?” (Rm 9, 20-21).

Ó Oleiro Divino, Criador e Pai, permite que se cumpra em mim a obra que começaste. Seja meu projeto o Teu Projeto sobre mim!” (1).

Somos exatamente como um barro na mão do Oleiro Divino, que nos criou por amor e nos modela segundo o Seu querer, aperfeiçoando-nos.

Uma obra nas mãos de Deus, inacabada, imperfeita, com suas inquietações, múltiplas possibilidades, no exercício do livre arbítrio que nos concedeu.

Por vezes não compreendemos determinados fatos em nossa vida, e somente algum tempo depois, é que vamos descobrir o quanto eles puderam e nos ajudaram em nosso amadurecimento e crescimento em todos os aspectos.

Vivendo este tempo de quarentena, aproveitemos para avaliarmos o quanto, de fato, cada um de nós está se deixando modelar pela mão divina, para que correspondamos aos Seus desígnios e Projeto.

Como barro nas mãos divinas, felizes e plenos de vida seremos (Jo 10,10).

(1)         D. Estevão Bettencourt, osb

Lágrimas de arrependimento, novos propósitos

                                                          

Lágrimas de arrependimento, novos propósitos

Em seu discurso aos párocos da Diocese de Roma, no dia 6 de março de 2014, o Papa Francisco fez referência à oração para pedir o dom das lágrimas, encontrada nos Missais antigos.

Assim se rezava na Oração da “Coleta”:

“Ó Deus onipotente e misericordiosíssimo, que fizestes sair da rocha uma fonte de água viva para o povo sedento, fazei sair, da dureza do nosso coração, lágrimas de arrependimento, para que possamos chorar os nossos pecados e merecer, por vossa misericórdia, a remissão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que vive e reina na unidade do Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.”

Oremos:

Dai-nos, Senhor, o dom das lágrimas!

Senhor, não mais bebemos da água que jorrou daquela rocha no deserto. Bebemos da água viva que tendes para nos oferecer (Jo 4,1-25). Saciai, Senhor, nossa sede de amor, vida e paz.

Senhor, contemplamos Vosso trespassado Coração, do qual verteu água e sangue, sinais que nos remetem aos Sacramentos do Batismo e da Eucaristia. Ajudai-nos a viver a graça do Batismo, nutridos pelo Vosso Corpo e Sangue, no Divino Banquete Eucarístico.

Senhor, façais sair, não obstante a dureza de nosso coração, as necessárias lágrimas de arrependimento, para que, contritos e com propósitos de conversão, choremos copiosamente nossos pecados, despindo-nos das obras das trevas, revestindo-nos com as armas da luz. (Rm 13,11-14a).

Senhor, não permitais que nosso coração fique endurecido, frio, curvado diante da globalização da indiferença, diante da dor, sofrimento e angústia de nosso próximo, sobretudo dos que se encontram feridos à beira do caminho (Lc 10,25-37).

Senhor, concedei-nos a graça de viver sinceros propósitos de reconciliação convosco e com nosso próximo, na prática da oração, jejum e esmola, a fim de que façamos progressos maiores ainda na prática das virtudes que nos movem – carregando com fidelidade nossa cruz cotidiana. Amém.

Dai-nos, Senhor, o dom das lágrimas

PS: Apropriada para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,20-24)

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

                                         

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

“Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira-mar. Em torno d’Ele reuniu-se uma grande multidão. Por isto, entrou num barco e sentou-Se, enquanto a multidão estava em pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas.” (Mt 13,1-3).

Sete Parábolas saíram dos lábios do Senhor, e chegam aos nossos ouvidos e nas entranhas do coração, que tão somente Deus pode conhecer plenamente.

Sete Parábolas: do semeador, sua Palavra e nosso coração; do joio e do trigo; do grão de mostarda; do fermento na massa; do tesouro escondido; da pérola preciosa e da rede lançada ao mar (Mt 13,3-50).

Nisto consiste a missão do(a) Catequista: acolher a Palavra, a melhor semente no próprio coração; e discípulo missionário do Divino Semeador, Jesus; e, também, no coração dos catequizandos, a semente da Palavra lançar, na esperança da acolhida em férteis terrenos do chão do coração, com os frutos a produzir, por Deus sempre esperados.

Perseverança e paciência ao lançar as sementes do bem, do amor e da verdade, com ousadia e coragem ainda que o inimigo venha semear as sementes do mal, do ódio, da mentira e da pseudofelicidade, pois a autêntica, somente Ele, o Senhor, pode nos alcançar.

Catequese é como um grão de mostarda: ainda que pareça tão pequena e insignificante, pela graça de Deus, faz crescer e florescer, frutos produzir, ainda que não os vejamos e os frutos não saboreemos, mas outros com certeza o farão.

Catequese, fermento que leveda a massa: fermento do amor que faz toda a diferença: tão somente o amor é capaz de gerar o novo em cada um e em cada uma de nós. Há que se apresentar e levedar a humanidade com o eterno fermento do amor que jamais acabará, tão pouco jamais passará (1Cor 13).

Tesouro encontrado e a pérola preciosa de nossa vida é o Senhor Jesus, com a Sua Palavra, Pessoa , e com Ele, a alegria do Reino de Deus entre nós presente. Por este tesouro e pérola, nossas renúncias nada são, ainda que muito o façamos, incomparável valor, por isto tão somente este Tesouro e Pérola fazem nosso coração crepitar com chamas eternas de amor.

Ser catequista é lançar as redes, sem medo, nas águas mais profundas (Lc 5,1-11), para resgatar do mar da vida homens e mulheres, para que entrem na comunhão com o Senhor, do Reino parte façam, e o coração transborde de alegria.

Catequista, acolha as palavras do Senhor ao final das sete Parábolas:

"Entendestes todas essas coisas?’ Responderam-lhe: ‘Sim”. Então lhes disse: ‘Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao proprietário que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,51).

Ser Catequista é, com a presença e ação do Espírito, rezar e viver da Palavra de Deus, em permanente leitura, meditação, oração, contemplação, colocando-se como barro na mão do oleiro, porque imperfeitos e inacabados todos o somos, para que mais imagem e semelhança de Deus o sejamos. Amém.

Paixão pelo Reino de Deus

                                                 


Paixão pelo Reino de Deus

Reflexão à luz das passagens do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-46; Mt 13,47-53).

Com as Parábolas do tesouro escondido encontrado, da pérola preciosa procurada e da rede lançada ao mar, Jesus nos fala do Reino de Deus.

Tesouro, pérola e rede, imagens tão simples usadas por Jesus, que saem de Seus lábios e têm como destino o coração dos pobres e simples, que as compreendem e se alegram, porque aceitam o convite à conversão e ao acolhimento do Reino de Deus, que vem e está se manifestando ao mundo.

Oremos:

Ó Senhor, o que nos ofereceis possui um valor infinito, não tem preço: a alegria de participar do Vosso Reino como alegres discípulos missionários.

Renovamos nossa prontidão na renúncia a tudo pela conquista da Salvação que nos vem de Vós, como dom Vosso e compromisso nosso.

Ó Senhor, ajudai-nos na melhor decisão da acolhida do Vosso Reino, não desperdiçando as ocasiões sagradas oferecidas, em contínua conversão, para que não sejamos contados entre os maus, no fim dos tempos, quando vierdes com Vossos Anjos para o julgamento final.

Suplicamos, ó Senhor, a Vossa sabedoria para que descubramos o tesouro da Lei de Deus como guia de nossa vida, pois somente vivendo a Lei maior do Amor, temos garantidas a vida e a felicidade.

Ó Senhor, que, em tempos de perseguição e dificuldades, estejamos  prontos a deixar tudo para segui-Lo; ajudai-nos a derrotar o mal com Vosso poder, crendo na força que nos vem de Vossa Ressurreição, com a presença e efusão do Vosso Espírito, que nos acompanha, fortalece, aquece nosso coração, abre nosso olhar para o horizonte do Reino.

Iluminai e fortalecei nossos passos, dai-nos coragem para carregarmos nossa cruz cotidiana, com renúncias necessárias, confiantes em Vossa Palavra, pois tudo concorre para o bem daqueles que Vos ama.

Ó Senhor, concedei-nos a graça de, no trilhar do caminho da fé, escutar, acolher e viver a Vossa Palavra sem jamais declinar de nossos sagrados compromissos convosco e com a humanidade, para que a alegria e a vida nova do Reino possam estender suas raízes, e saborosos frutos possam ser colhidos.

Enfim, ó Senhor Jesus, intercedei junto ao Vosso Pai de Amor, fonte de sabedoria, para que nos envieis sempre o Vosso Santo Espírito para descobrirmos o tesouro escondido e a pérola preciosa do Reino.

Concedei-nos o discernimento do Espírito, para que saibamos apreciar, no meio das coisas do mundo, o valor inestimável do Vosso Reino, sempre prontos a qualquer renúncia para conquistarmos os Vossos dons, dando verdadeiro e pleno sentido ao nosso existir, somente assim mais humanos e fraternos seremos.

Predestinados a ser a Vossa imagem e semelhança, nos sintamos contemplados pelo Vosso Amor, e Vos agradeçamos por nos ter chamado para trabalhar em prol do Vosso Reino, por nos ter justificado pelo Sangue Redentor e, por Vossa morte e Ressurreição, nos alcançado a glorificação. Amém. 

A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas

                                                  

A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas
 
“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” 
(Mt 4, 17)
 
Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), proclamada no 3º Domingo do Tempo Comum (ano A), voltemo-nos para o Sermão de São Cesário Arles (séc. VI).
 
“Enquanto nos era lido o Santo Evangelho, caríssimos irmãos, nós escutamos: ‘Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus’. O Reino dos céus é Cristo, de quem nos consta ser conhecedor de bons e maus, e juiz de todas as coisas.
 
Portanto, antecipemo-nos a Deus na confissão de nosso pecado e castiguemos, antes do juízo, todos os erros da alma. Corre um grave risco quem não procura corrigir por todos os meios o pecado. Sobretudo devemos fazer penitência, sabendo como sabemos que teremos de prestar conta das causas de nossa negligência.
 
Reconhecei, amadíssimos, a grande piedade de nosso Deus para conosco ao querer que reparemos através da satisfação e antes do juízo, a culpa do pecado cometido; pois se o justo juiz não cessa de prevenir-nos com os Seus avisos, é para não ter um dia de recorrer à severidade.
 
Não é sem motivos, amadíssimos, que Deus nos exige torrente de lágrimas, a fim de compensar com a penitência o que perdemos pela negligência. Pois Deus bem sabe que nem sempre o homem é constante em seus propósitos: peca rotineiramente no agir e vacila no falar. Por isso lhe ensinou o caminho da penitência, a fim de que possa reconstruir o destruído e reparar o arruinado.
 
Assim, o homem, seguro do perdão, sempre deve chorar a culpa. E mesmo quando a condição humana encontre-se exercitada por muitas dificuldades, que ninguém se desespere, porque Deus é paciente e dispensa com liberalidade a todos os enfermos os tesouros de sua misericórdia.
 
Porém, é possível que alguém do povo se diga: E por que hei de temer se não fiz nada de mal? Escuta o que sobre este detalhe diz o Apóstolo João: ‘Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos e não somos sinceros’.
 
Que ninguém vos engane, amadíssimos: o pior dos pecados é não compreender os pecados. Porque todo aquele que reconhece os seus delitos pode reconciliar-se com Deus mediante a penitência, e não existe pecador mais digno de lástima do que aquele que crê não ter nada do que lamentar-se.
 
Por isso, amadíssimos, vos exorto a que, conforme o que está escrito, ‘vos humilheis sob a poderosíssima mão de Deus’, e visto que ninguém está livre do pecado, ninguém se creia isento da obrigação de satisfazer. Pois já peca por presunção de inocência o que se acredita inocente.
 
Pode ser alguém menos culpável, porém inocente? Ninguém. Certamente existe diferença entre pecador e pecador, mas ninguém está imune de culpa.
 
Portanto, amadíssimos, os que forem réus de culpas mais graves, peçam perdão com maior confiança; e os que se mantêm isentos de faltas graves, receiem para não macularem-se, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém”. (1)
 
Este Sermão é propício para que reconheçamos nossa condição pecadora: limitações, fragilidades, imperfeições e pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões.
 
Ressoem, também, as palavras de Santo Agostinho: (séc. V) em um de seus Sermões:
 
“... Deus Se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Para que o homem comesse o Pão dos Anjos, o Senhor dos Anjos Se fez homem...
 
O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça...
 
Só nasceu sem pecado Aquele que não foi gerado por homem nem pela concupiscência da carne, mas pela obediência do Espírito”.
 
Quanto mais formos capazes de reconhecer nossos pecados, mais os choraremos, e muito mais ainda recorreremos à misericórdia divina, confessando-os, de modo sublime no Sacramento da Penitência, que a Igreja nos oferece em todo o tempo.
 
Choremos nossas culpas e nossos pecados; confessemo-los diante da misericórdia divina, num contínuo processo de conversão, alegrando-nos com a presença de Jesus em nosso meio.
 
Deus nos ama para nos fazer melhores, pois é próprio do verdadeiro amor gerar o bem no coração do amado. Deus quer gerar sempre o melhor d’Ele em nós, quando nos deixamos fecundar pela Sua Santa Palavra.
 
Deus rico em misericórdia, é bondoso e compassivo e espera incansavelmente nossa conversão, sobretudo quando ao Sacramento da Penitência recorremos.
 
Urgee revermos caminhos, para que favoreçamos o resplandecer da luz divina por nossas palavras e ações.
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes 2013 - pp.120-121
 

Crescimento espiritual permanente

                                                            

Crescimento espiritual permanente

O Presbítero São Vicente de Lerins (Séc. V) apresenta-nos uma reflexão sobre o desenvolvimento do Dogma na religião cristã.

“Não haverá desenvolvimento algum da religião na Igreja de Cristo? Há certamente e enorme. Pois que homem será tão invejoso, com tanta aversão a Deus que se esforce por impedi-lo?

Todavia deverá ser um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração. Com efeito, ao progresso pertence o crescimento de uma coisa em si mesma. À alteração, ao contrário, a mudança de uma coisa em outra.

É, portanto, necessário que, pelo passar das idades e dos séculos, cresçam e progridam tanto em cada um como em todos, no indivíduo como na Igreja inteira, a compreensão, a ciência, a sabedoria. Porém apenas no próprio gênero, a saber, no mesmo Dogma o mesmo sentido e a mesma significação.

Imite a religião das almas o desenvolvimento dos corpos. No decorrer dos anos, vão se estendendo e desenvolvendo suas partes e, no entanto, permanecem o que eram.

Há grande diferença entre a flor da juventude e a madureza da velhice. Mas se tornam velhos aqueles mesmos que foram adolescentes. E por mais que um homem mude de estado e de aspecto, continuará a ter a mesma natureza, a ser a mesma pessoa.

Membros pequeninos na criancinha, grandes nos jovens, são, contudo, os mesmos. Os meninos têm o mesmo número de membros que os adultos. E se no tempo de idade mais adiantada neles se manifestam outros, já aí se encontram em embrião. Desse modo, nada de novo existe nos velhos que não esteja latente nas crianças.

Por conseguinte, esta regra de desenvolvimento é legítima e correta. Segura e belíssima a lei do crescimento, se a perfeição da idade completar as partes e formas sempre maiores que a sabedoria do Criador pré-formou nos pequeninos.

Mas se um homem se mudar em outra figura, estranha a seu gênero, ou se se acrescentar ou diminuir ao número dos membros, sem dúvida alguma todo o corpo morrerá ou se tornará um monstro ou, no mínimo, se enfraquecerá.

Assim também deve o Dogma da religião cristã seguir estas leis de crescimento, para que os anos o consolidem, se dilate com o tempo, eleve-se com as gerações.

Nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja as sementes do trigo da fé. Será sumamente injusto e inconveniente que nós, os pósteros, em vez da verdade do trigo autêntico recolhamos o erro da simulada cizânia”.

A vida cristã não é estática, precisamos fazer contínuos progressos, até que mereçamos adentrar na plenitude da glória eterna.

Pelo Batismo, nos tornamos discípulos missionários e a partir deste momento, pomos num contínuo peregrinar, em que precisamos fazer progressos espirituais permanentes.

Vivendo o Batismo, temos que fazer da nossa vida uma missão, que por sua vez, revela-se no dom total de si mesmo, num aperfeiçoamento de nosso viver: pensamentos, palavras e atitudes.

Este progresso somente é autêntico quando não temos medo de fazer renúncias cotidianas, abraçando nossa cruz, em incondicional fidelidade ao Senhor.

Também deve se dar em todos os âmbitos: pessoal, familiar, comunitário e no mundo, para que discípulo do Senhor sejamos, sem recuos, vacilações na fé, esmorecimento da esperança, e esfriamento da caridade, que deve estar sempre acesa e inflamando nosso coração.

Isto somente se faz possível quando nos deixamos modelar pela mão divina, como barro na mão do oleiro. 

Ninguém alcançou ainda  a maturidade almejada, estamos sempre a caminho; importa é não recuar ou desistir, pois “Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua.” (Mensagem do Papa Bento XVI  Quaresma 2012).

Presbíteros enamorados por Cristo, Presbíteros felizes

                                                          

Presbíteros enamorados por Cristo, Presbíteros felizes

É sempre oportuno retomar o que ouvimos no dia do Sacramento da Ordenação:

“Transmite a todos a Palavra de Deus, que recebeste com alegria. Meditando na Lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o Povo de Deus e a tua vida, estímulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”.

Com o passar do tempo tomamos consciência da implicação, profundidade e exigência destas palavras.

Cada vez mais o Presbítero deve se configurar a Cristo, o Bom Pastor, porque fez o encontro com Sua pessoa, e por isto deve cultivar a amizade e intimidade com Ele, para levar a tantos outros ao mesmo encontro e amizade.

Tendo a Sua Palavra na mente, porque antes impregnou toda sua vida e criou raízes no coração, fazendo dele o homem da Palavra e um homem de palavra, por isto a Palavra a ser proclamada deverá antes ser interiorizada, por meio da escuta e da meditação, para partilhar ricamente o Evangelho com todos.

Faz parte de sua missão ensinar não a sua sabedoria, mas com a  Sabedoria do Verbo de Deus convidando a todos à conversão e à santidade; sendo assim, mais que um anunciador da Palavra, precisa ser uma testemunha viva e eficaz desta Palavra.

Sinal do Bom Pastor, torna-se amigo dos pobres para gozar de predileção e amizade de Deus, pois os pobres são por excelência os amigos de Deus.

Empenha-se continuamente em somar com o outro em comunidade, rompendo barreiras que impeçam a luz divina resplandecer.

Consciente de que é barro na mão do Oleiro, procura trabalhar suas limitações e imperfeições próprias de todo ser, contando com a graça divina que vem em nosso socorro quando a Ela nos abrimos.

Portanto, por estar sujeito a todas as virtudes e fraquezas da condição humana, é necessário que cultive a vigilância ativa, sem perder o horizonte da santidade, que não é algo para amanhã, mas para cada instante.

Nesta vigilância ativa, busca o equilíbrio afetivo, sexual, psicológico, a maturidade humana e espiritual, na superação das instabilidades, reveses, crises e tentações inerentes ao seu estado de vida e ministério;

Movido pela caridade pastoral, mantém acesa permanentemente a chama profética, consumindo-se pelo que é essencial sem incorrer em ativismo estressante, “esvaziador” de suas forças, fuga de si mesmo ou de algo que o perturbe ou o inquiete.

O Presbítero enamora-se permanentemente por Cristo e assim não sabe fazer outra coisa se não possibilitar ao Povo de Deus a mesma experiência; Cristo Homem Deus, o mesmo da Cruz que, à direita do Pai, glorioso está.

Enamora-se de Cristo não como expressão de evasão, alienação, distanciamentos, fugas, solidão empobrecedora, muito pelo contrário; o faz Presbítero Profeta e na vivência da missão profética coloca-se incansavelmente contra todo jugo de opressão que ceifa vidas, culturas, valores e povos; como um eterno aprendiz da linguagem do Espírito, uma linguagem inteligível somente pelos simples, como bem disse Santo Antônio: 

“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência.”.

Por isto é imprescindível que se alimente da Eucaristia, para edificar a comunidade a ele confiada, tornando-a uma comunhão de fiéis,  com gratuidade, humildade no que fala e faz, do menor ao maior compromisso.

Concluindo, todo o agir do Presbítero, assim como de todo cristão, deve ter apenas uma motivação: o amor; com os olhos fixos em Jesus, coração com Ele em perfeita sintonia; tão somente assim encontra a profunda e verdadeira liberdade que procede do Espírito.

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