domingo, 13 de setembro de 2026

Pelo Amantíssimo, amados e perdoados


 

Pelo Amantíssimo, amados e perdoados

"Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete."(Mt 18,22)
 

Amados somos pelo Amantíssimo, Jesus,
que nos acolhe e nos perdoa.

Perdoados somos pela Divina Misericórdia,
o Misericordiosíssimo Jesus. 
 
Amados pelo Amantíssimo.
Perdoados pelo Misericordiosíssimo.
 
Discípulo d’Ele, viver o superlativo do amor,
Perdão dado, porque antes,
amor e perdão por Ele recebidos,
E no cotidiano dos relacionamentos,
intensissimamente vividos.
 
Destruamos os muros de rancor e ausência do perdão;
Construamos pontes de perdão
que criam proximidade e comunhão. Amém.
 
 

PS: Passagem do Evangelho ( Mt 18,21-35)

Amores...

                                                                


Amores...

“Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado; 
quantas vezes dominou a Sua ira 
e não deu largas à vazão de Seu furor” (Sl 77, 38)

Amores cantados.
Amores contados.
Amores revelados.
Amores negados.

Amores tantos...
Amores correspondidos.
Amores não correspondidos.
Amores não amores.

Amores de um único amor.
Amores de um verdadeiro amor.
Amores esvaziados.
Amores renascidos.

Amores tão densos.
Amores tão imensos.
Amores tão superficiais.
Amores tão profundos.

Amores assim na Bíblia encontramos;
Amores que não se concretizaram.
Amores que não floresceram.
Amores nos caminhos perdidos.

Amor Verdadeiro Encarnado,
Na Carne e Vida do Verbo,
Amor que amou sem fim,
Que a Morte de Cruz suportou.

Amor Verdadeiro Crucificado.
Amor Verdadeiro Vitorioso.
Amor Verdadeiro Eternizado,
Pelo Pai, com o Espírito glorificado.

Ó incrível Amor de Deus!
Amor fiel e misericordioso,
Que tantos prodígios
Incansavelmente fez e faz.

Ó ínfimo amor que ainda sinto,
Por vezes de braços com a incredulidade,
Por vezes inconstante e frágil.
Mesmo assim o Deus de Amor me ama.

Amores e amores:
Há o Amor divino tão imensurável.
Há o amor por Ele ainda tão pouco.
Quão feliz quem embarca nesta aventura de amor!

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é contemplar o Amor de todos os Amores.
E sentindo-se amado, não pelo mérito, intensamente amar como Ele ama...

Silencio-me!
Por causa do nosso maior pecado 
Nasceu o maior Amor.
Ele me ama... Eu O amo. Amém.


PS: "De gênero didático este salmo (77) recorda a história de Israel numa alternância de dois momentos: o do Amor fiel e misericordioso de Deus a favor do seu Povo; e, o da incredulidade e da inconstância de Israel"  - Lecionário Comentado Editora Paulus - p. 919.

Amados e perdoados para amar e perdoar! (XXIVDTCA)

                                                       

Amados e perdoados para amar e perdoar!

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A) trata do tema do perdão, e com ela, contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida. Feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

À luz da primeira leitura do Livro do Eclesiástico (Eclo 27,33-28,9), aprendemos a arte de viver bem e sermos felizes, contemplando a Sabedoria Divina que está acima de toda e qualquer sabedoria; revendo nossas posturas e atitudes.

A comunidade cristã, segundo a Carta de Paulo aos Romanos (Rm 14,7-9), há de ser o espaço do aprendizado e da vivência desta lógica do amor – a comunidade tem que ser o lugar do amor, superando quaisquer atitudes de intolerância, incompreensão, despeito pela diversidade e uniformidade pela fé.

A passagem do Evangelho (Mt 18,21-35) traz uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.

A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...

Urge que a comunidade aprenda a perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano.

Superar a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio. É preciso ter um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido também como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, sem o que esvaziaremos uma das palavras mais bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintivo: contemplemos quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia e perdão.

Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem...” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade...

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário seremos instrumentos da prática dos “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, pensando no pecado de Judas Iscariotes, assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também da maravilha do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar coloquemo-nos prolongadamente e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade...

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar porque antes fomos amados e perdoados.

Em poucas palavras...

 


O perdão

“Porque fora do perdão não há esperança, fora do perdão não há paz. O perdão é o oxigênio que purifica o ar poluído pelo ódio, o perdão é o antídoto que cura os venenos do ressentimento, é o caminho para desarmar a raiva e curar tantas doenças do coração que contaminam a sociedade.” (1)

 

(1)Angelus – Praça São Pedro – 17/09/23 – Papa Francisco – sobre a passagem do Evangelho (Mt 18,21-35).

A parábola do servo sem compaixão ” (XXIVDTCA)

                                                


A parábola do servo sem compaixão

 

Aprofundando a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35); voltemo-nos para a Bula Misericordiae Vultus”, do Papa Francisco, quando da declaração do Ano da Misericórdia (08/12/15 - 20/11/16). 

“Temos depois outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã.

Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes fosse necessário perdoar, Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (Mt 18, 22) e contou a parábola do «servo sem compaixão».

Este, convidado pelo senhor a devolver uma grande quantia, suplica-lhe de joelhos e o senhor perdoa-lhe a dívida. Mas, imediatamente depois, encontra outro servo como ele, que lhe devia poucos centésimos; este suplica-lhe de joelhos que tenha piedade, mas aquele recusa-se e fá-lo meter na prisão.

Então o senhor, tendo sabido do fato, zanga-se muito e, convocando aquele servo, diz-lhe: «Não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?» (Mt 18, 33). E Jesus concluiu: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração» (Mt 18, 35).

A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os Seus verdadeiros filhos.

Em suma, somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir.

Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração.

Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: «Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento» (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo.

Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o Seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias.

A misericórdia de Deus é a Sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros.”

Contemplamos a misericórdia divina através da parábola, em que Jesus nos apresenta a pergunta de Pedro, sobre quantas vezes se deve perdoar um irmão: deve-se perdoar setenta vezes sete, ou seja, o perdão se expressa em plenitude ilimitada.

Jesus, de fato, é o rosto da misericórdia divina:

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré” (Misericodiae vultus” – Papa Francisco).

Sejam nossas comunidades lugar do aprendizado e da vivência do perdão, que deverá ser vivido em todos os âmbitos e em todo o tempo, como sinal do Reino de Deus.

 

PS: A dívida do servo perdoado era exorbitante (10.000 talentos; sendo que um talento equivale a 6000 denários; 1 denário equivalente a um dia de trabalho). Seriam necessários mais de 165.000  anos para pagamento de sua dívida. De outro lado, a dívida não perdoada por ele em relação ao seu devedor era de apenas 100 denários, ou seja, menos de um terço de dias de trabalho de um ano: conclusão – de fato, o amor de Deus por nós é pleno e ilimitado (exorbitante). De acordo com a nota da Bíblia de Jerusalém, 10.000 talentos equivale a 174 toneladas de ouro; 100 denários a 0,30 gramas de ouro.

 

Em poucas palavras...

                                                                  


Eucaristia e Penitência

“Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência cotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas cotidianas e nos preserva dos pecados mortais» (Concílio de Trento).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo  1436

Em poucas palavras...

                                                  


 

   “Um santo...”

        “Um santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia” (1)

 

 

(1)Frase tradicionalmente atribuída a Santo Agostinho, embora a fonte exata não seja conhecida


Em poucas palavras...

                                             


O amor de Deus é eterno

“O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3).”

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 220

Rezando com os Salmos - Salmo 102 (103)

                               



Contemplemos a bondade divina

“–1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, Seu santo nome!
–2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

 –3 Pois Ele te perdoa toda culpa,
e cura toda a tua enfermidade;
–4 da sepultura Ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão;
–5 de bens ele sacia tua vida,
e te tornas sempre jovem como a águia!

 –6 O Senhor realiza obras de justiça
e garante o direito aos oprimidos;
–7 revelou os Seus caminhos a Moisés,
e aos filhos de Israel, Seus grandes feitos.

–8 O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
–9 Não fica sempre repetindo as Suas queixas,
nem guarda eternamente o Seu rancor.
–10 Não nos trata como exigem nossas faltas,
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

 –11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam,
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
–12 quanto dista o nascente do poente,
tanto afasta para longe nossos crimes.
–13 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

 –14 Porque sabe de que barro somos feitos,
e se lembra que apenas somos pó.
–15 Os dias do homem se parecem com a erva,
ela floresce como a flor dos verdes campos;
–16 mas apenas sopra o vento ela se esvai,
já nem sabemos onde era o seu lugar.

–17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme
é de sempre e perdura para sempre;
– e também Sua justiça se estende
por gerações até os filhos de seus filhos,
–18 aos que guardam fielmente Sua Aliança
e se lembram de cumprir os Seus preceitos.

 –19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus,
e abrange o mundo inteiro Seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, Seus anjos todos,
valorosos que cumpris as suas ordens,
sempre prontos para ouvir a sua voz!

 –21 Bendizei ao Senhor Deus, os Seus poderes,
Seus ministros, que fazeis Sua vontade!
=22 Bendizei-O, obras todas do Senhor
em toda parte onde se estende o Seu reinado!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!”

O Salmo 102(103) é um hino de louvor à bondade e misericórdia divinas:

“A misericórdia divina age em nossa vida e na história. Deus nos preserva de muitos males, nos enche de benefícios e com clemência nos perdoa.” (1)

Glorifiquemos a Deus por sua bondade, paciência e compaixão em todo o tempo, ainda que por momentos difíceis possamos passar, pois Ele vem sempre ao nosso encontro em todo o tempo:

“Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78). Amém.

 

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 813

Em poucas palavras...

                                                       


Eucaristia e comunhão vivida

“Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (Mt 18,21-22; Lc 17,3-4). Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo Lc 11, 4, ou de «dívidas» segundo Mt 6, 12), de fato nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (Rm 13, 8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (1 Jo 3,19-24). E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (Mt 5,23-24): 

«Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (São Cipriano).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2845

Em poucas palavras...

 


Perdão: No fundo do coração tudo se ata e desata

“Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (Jo 13,1).

 A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (Mt 18,23-35), termina com estas palavras: «Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração».

É aí, de fato, «no fundo do coração», que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão.” (1)

 

 

1)    Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2843

A dimensão ilimitada do perdão (XXIVDTCA)

 


A dimensão ilimitada do perdão

Sejamos enriquecidos pelo Sermão n.139 escrito por São Pedro Crisólogo (séc. V), bispo e doutor da Igreja.

“Assim como o ouro fica escondido na terra, assim também o sentido divino se oculta nas palavras humanas. Por isso, sempre que nos é proclamada a palavra evangélica, a mente deve colocar-se alerta e o espírito deve prestar atenção, para que o entendimento possa penetrar o segredo da ciência celeste.

Digamos por que o Senhor começa hoje com estas palavras: Tenham cuidado, se teu irmão te ofende, repreende-o, se ele se arrepende, perdoa-o.

Coragem, irmão! Deus te ordena: perdoa, perdoa os pecados; sê misericordioso frente ao delito, perdoa as ofensas de que fostes objeto, não percas agora os poderes divinos que tens; tudo o que tu não perdoares em outro, o negas a ti mesmo.

Repreende-o como juiz, perdoa-o como irmão, pois a caridade unida à liberdade e a liberdade fundida com a caridade expele o terror e anima ao irmão.

Quando o irmão te fere está exaltado, quando comete um delito, está enfurecido, está fora de si, perdeu todo sentimento de humanidade; quem não o socorre pela compaixão, quem não lhe cura mediante a paciência, quem não lhe sara perdoando-o, não está são, está mal, enfermo, não tem comiseração, demonstra ter perdido os sentimentos humanitários.

O irmão está furioso, atribui à enfermidade: tu, ajuda-o como a um irmão; tudo o que ele faça em semelhante situação atribui à sua perturbação, e o ocorrido não poderás imputá-lo ao irmão; e tu prudentemente lançarás a culpa à enfermidade, e ao irmão, o perdão; desta forma, sua saúde redundará em tua honra e o perdão te acarretará o prêmio.

Se teu irmão te ofende, repreende-o; se ele se arrepende, perdoa-o. Perdoa ao que peca, perdoa ao que se arrepende, para que, quando tu, por sua vez, pecares, o perdão te seja concedido como compensação, não como doação.

Sempre é bom o perdão, porém quando é devido, torna-se duplamente doce. Aquele que, perdoando, já se assegurou o perdão antes de pecar, evitou o castigo, tem inclinado ao juiz em seu favor, enganou o juízo.

Se te ofende sete vezes em um dia, e sete vezes volta a dizer-te: “sinto muito”, o perdoarás. Por que constrange com a lei, reduz no número e coloca um limite de perdão Aquele que tanto nos favorece pela misericórdia e que tão facilmente concede pela graça? E se em lugar de sete te ofende oito vezes? Vai prevalecer o número sobre a graça? Pode contrapor-se o cálculo à bondade? Pode uma só culpa condenar ao castigo a quem sete vezes consecutivas obtém o perdão? De jeito nenhum. Se é proclamado feliz aquele que perdoou sete vezes, muito mais feliz será aquele que perdoa setenta vezes sete.

Esquecido deste mandato, Pedro interroga ao Senhor, dizendo: Se meu irmão me ofende, quantas vezes devo perdoá-lo? Até sete vezes? Jesus lhe responde: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Portanto, o número prescrito não limita, mas amplia o perdão, e ao que o preceito coloca um limite, o assume ilimitadamente a livre vontade; de maneira que se perdoares até o limite do que ordena o preceito, outro tanto te será contado à obediência, te será contado ao prêmio. E se o número sete setuplicado por dias, meses e anos implica a concessão da totalidade do perdão, calcule o cristão e julgue o ouvinte que cotas não alcançará o número sete setuplicado setenta vezes sete.

Então realmente vai cessar toda forma contratual de débitos e créditos; então se abolirá de verdade qualquer condição servil; então chegará àquela liberdade sem fim; então será recuperado o campo eterno e imortal; então chegará o verdadeiro perdão quando será inclusive abolida a própria necessidade de pecar, quando, cancelada toda imundície, o mundo deixará de ser imundo, quando com o retorno da vida deixará de existir a morte, quando estabelecido o reinado de Cristo, o diabo perecerá definitivamente.

Orai, irmãos, para que o Senhor aumente em nós a fé e possamos finalmente crer, ver e possuir estes bens.”(1)

Como afirmou o bispo, o número prescrito não limita, mas amplia o perdão: o perdão tem dimensão universal e infinita, porque assim é o amor de Deus: verdadeiramente indizível.

Também nós somos chamados a viver a graça do perdão, não apenas pedir perdão a Deus, mas viver sua prática em relação ao nosso próximo, assim como rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Cf. Mt 6,11).

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pág. 213-214

Perdão sem limites, um eterno aprendizado ” (XXIVDTCA)

                                                            

Perdão sem limites, um eterno aprendizado

“Se cada um não perdoar
a seu irmão, o Pai não vos perdoará”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-19,1), em que o Senhor nos convida a viver o perdão sem limites, um eterno aprendizado:

“Qualquer que seja o motivo que leva Pedro a fazer sua pergunta uma coisa é certa; ele quer que Jesus confirme a existência de um limite no exercício da caridade cristã.

É confortador saber quando e onde se pode, com tranquila consciência, ignorar as injunções da caridade cristã (pois é mais interessante saber quando cessam do que onde começam tais obrigações).

Parece de fato mais que justo que em certo momento possamos dizer: “Basta! afinal somos homens!” Queremos ser o eco do nosso ambiente…

Jesus, porém, nos diz que devemos ser o eco daquilo que Deus fez por nós. Ninguém é homem pelo fato de poder “explodir”, mas pelo fato de poder desenvolver em si e transmitir aos outros aquilo que Deus nos deu.

A lei do perdão é vinculante não facultativa; é como um contrato firmado com o Sangue de Cristo. Ora, depende de mim ratificá-lo derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu: “Eis como meu Pai celeste agirá convosco…” (v.35) (1)

A segunda fonte, sobre o perdão, afirma:

"Temos uma ideia tão elevada do perdão que nunca a utilizamos realmente... As pessoas perdoam ou então fingem: no máximo pensam que não querem vingar-se.

É verdade, humanamente não é possível perdoar. O perdão é somente dom de Deus, um dom intenso. Por isso a palavra perdão deriva duma palavra utilizada na Idade Media, per-dom, a qual significa precisamente ‘dom profundo’... podemos e devemos perdoar porque fomos perdoados.

Assim escreveu Graham Greene – “ninguém suporta não ser perdoado: só Deus é capaz disso”. Mas perdoar é possível graças ao dom de Deus que previne qualquer iniciativa nossa e como resposta a um amor maior...

Só num percurso de fé podemos exercer o perdão na vida concreta, por exemplo, para com quem não consegue considerá-lo na sua vida de homem: o perdão não é a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas a novidade que rompe as cadeias que tornam a pessoa amarrada a si mesma” (2)

É sempre tempo para dar e pedir perdão; e somente é possível porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.

Porque amados e perdoados, podemos e devemos  amar e perdoar, pois sem o quê,  não poderíamos rezar a Oração que o Senhor nos ensinou.

Somente a prática do perdão nos faz verdadeiramente livres, rompendo as amarras que nos reduzem horizontes e movimentos.

O perdão é algo que não se aprende e se vive totalmente. Sempre teremos algo a aprender na escola do perdão com o Divino Mestre da Misericórdia que nos amou e nos perdoou. Somos, nesta escola maravilhosa, eternos aprendizes.

Quanto mais perdoarmos e formos perdoados, mais livres seremos e mais semelhantes ao Divino Mestre o seremos. Não podemos nos dizer cristãos sem a graça do perdão recebido e partilhado.

Bem sabemos o quanto difícil o é. Haverá algo mais belo que um perdão dado e recebido, um relacionamento restaurado?

A leveza e a alegria do Espírito, só alcança quem vive a graça do perdão.

Temos muito a aprender. Não recuemos! Avancemos, pois assim é a vida de fé.


PS: Liturgia da terça-feira do 3ª semana da Quaresma: Dn 3,25.34-43; Sl 25 (24); Mt 18,21-35. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 238
(2) cf. Lecionário Comentado - Tempo da Quaresma

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