sábado, 31 de janeiro de 2026

A esperança cristã nos dá coragem na travessia

                                         


A esperança cristã nos dá coragem na travessia

Mantenhamos viva a esperança cristã, pois tão somente ela retorna e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (cf. Gn 17,4-8; 22,1-18).

Fortaleçamos a esperança cristã e acreditemos nas promessas divinas contra toda a esperança humana, a exemplo de Abraão que teve esperança e acreditou, e como nos falou o Apóstolo Paulo, tornou-se pai de muitas nações (cf. Rm 4, 18).

Testemunhemos a esperança cristã que se manifestou, desde o princípio na pregação de Jesus, no anúncio das Bem-Aventuranças, pois tão somente elas elevam a nossa esperança para o céu, como nova terra prometida e traçam o nosso caminho através das provações próprias e presentes na vida dos discípulos missionários do Senhor.

Sejamos guardados e firmados, por Deus, na esperança que não nos decepciona (Rm 5,5), pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua dolorosa paixão e gloriosa Ressurreição.

Continuemos nossa travessia no mar revoltoso, contra todos os ventos e tempestades, ancorados na esperança que é “a âncora da alma, inabalável e segura” que penetra [...]«onde entrou Jesus como nosso precursor» (Hb 6, 19-20).

Sejamos armados pela esperança, a arma que nos protege no combate da salvação: “Revistamo-nos com a couraça da fé e da caridade, com o capacete da esperança da salvação” (1 Ts 5, 8). Proporciona-nos alegria, mesmo no meio da provação: “alegres na esperança, pacientes na tribulação” (Rm 12, 12).

Trilhemos o caminho da perfeição e santidade, revigorados e nutridos pela oração, particularmente na oração do Pai-Nosso, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar, participantes do Sagrado Banquete, alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia. Amém.


PS: Fonte inspiradora: Catecismo da Igreja Católica – parágrafos n. 1819-1820

A Palavra do Senhor nos dá segurança

                                                          

A Palavra do Senhor nos dá segurança

No 3º sábado do Tempo Comum é proclamada a passagem do Evangelho em que Jesus está presente na barca e, com sua Palavra, o vento e o mar O obedecem (Mc 4, 35-41).

Aprofundando a Palavra, o Missal Cotidiano nos apresenta esta reflexão do Teólogo Karl Barth:

“O ser da Igreja é, em seu aspecto humano, um ser ameaçado. E não pode ser de outra maneira, porque Deus ainda não é tudo em todos. 

Em relação à cabeça a Igreja é de natureza claramente divina; como corpo desta cabeça, é incontestavelmente de natureza humana.

A Igreja, na medida em que faz depender seu ser de Deus, do evento de Sua Palavra e de Seu Espírito é subtraída às ameaças, justificada, santificada, purificada, preservada do Maligno.

Em seu Senhor Jesus Cristo encontra sua garantia única; somente d’Ele recebe a promessa, somente olhando para Ele adquire a segurança de sua existência.

A fidelidade de Deus lhe promete e lhe garante essa existência. Por parte dos homens que a constituem não existe, de fato, nenhuma garantia no gênero para a Igreja.

Permanece sempre, ao lado da fé, a possibilidade da incredulidade, da heresia, da superstição, como também da ignorância, indiferença, ódio, desespero, até à impotência de sua oração; e isso enquanto durar o tempo, enquanto a manifestação final da vitória de Jesus não tiver dissipado também esta sombra”. (1)

Somos membros desta Igreja, e estamos nesta longa travessia, confiantes na presença e na Palavra do Senhor, com nossas limitações, medos e fragilidades.

Renovemos hoje e sempre a alegria de continuar a missão de Jesus, como Igreja que somos, com a força e presença do Espírito, que a conduz, anima, ilumina, assiste, fortalece.

Os ventos que sopram contra a Igreja e a agitação do mar da vida são notáveis e incontestáveis, assim como também é notável é incontestável a presença do Senhor nesta barca, que simboliza a Igreja.

Não tenhamos medo, afastando quaisquer sinais que não manifestem a onipotência, onipresença e onisciência divinas, que jamais se afasta de nós.

A Palavra do Senhor não foi somente naquele dia memorável, como também as palavras dos discípulos, mas continua a ser proclamada em todos os tempos.

Ontem e hoje gritamos: “Mestre, estamos perecendo e não Te importas?”, e o Senhor continua a dizer ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!”

O vento cessou e houve uma grande calmaria, nos diz o Evangelista.
Ansiamos pela calmaria, mas não podemos ter medo e fugir dos ventos e da travessia do mar, ainda que turbulento.

Se forte é o vento e assustadora é a turbulência do mar, mais forte ainda é a Palavra do Senhor, que acalma os ventos e o próprio mar.
Sintamos Sua Presença, confiemos em Sua Palavra.


PS: Karl Barth (1886-1968), um grande teólogo cristão-protestante, pastor da Igreja Reformada e um dos líderes da teologia dialética e da neo-ortodoxia protestante.


(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.704.

Coragem na travessia

                                                            

Coragem na travessia

“Quem é este homem,
que até o vento e o mar lhe obedecem” 
(Mc 4,41)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 4,35-41), que nos apresenta a ação de Jesus que, com Sua Palavra, acalma o vento e o mar – “Silêncio! Cala-te!” (Mc 4,39).

Para aprofundamento e enriquecimento, apresento dois comentários:

- “O Mistério da Encarnação renova-se na História da Igreja: nesta permanece a força invisível (instituída na fé e na esperança) de um povo de pobres, chamado a atravessar as vagas e as tempestades da História numa barca exposta às forças da intempérie.

A fraqueza, a precariedade dos instrumentos e dos meios escolhidos para testemunhar o Reino torna-se o lugar privilegiado, no qual se manifesta o poder de um Outro” (1);

- “O ser da Igreja é, em seu aspecto humano, um ser ameaçado. E não pode ser de outra maneira, porque Deus ainda não é tudo em todos. Em relação à cabeça a Igreja é de natureza claramente divina; como Corpo desta Cabeça, é incontestavelmente de natureza humana.

A Igreja, na medida em que faz depender seu ser de Deus, do evento de Sua Palavra e de Seu Espírito é subtraída às ameaças, justificada, santificada, purificada, preservada do Maligno.

Em seu Senhor Jesus Cristo encontra sua garantia única; somente d’Ele recebe a promessa, somente olhando para Ele adquire a  segurança de sua existência. A fidelidade de Deus lhe promete e lhe garante essa existência. Por parte dos homens que a constituem não existe, de fato, nenhuma garantia no gênero para a Igreja.

Permanece sempre, ao lado da fé, a possibilidade da incredulidade, da heresia, da superstição, como também da ignorância, indiferença, ódio, desespero, até à impotência de sua oração; e isso enquanto durar o tempo, enquanto a manifestação final da vitória de Jesus não tiver dissipado também esta sombra”.

Os ventos fortes e mares agitados continuam a nos atemorizar na ação evangelizadora. Incontáveis desafios, inumeráveis clamores sobem aos céus e pedem nossa resposta solidária, como expressão da compaixão e ternura que devem nos impulsionar constantemente.

Conscientes de nossas fraquezas, limites, imperfeições, empenhemo-nos sempre a fazer o melhor, a serviço da vida e da esperança de novos tempos, novas realidades.

E avancemos nesta travessia, com a certeza de que o Senhor Se encontra em nossa barca, em Sua Igreja, e com Sua Palavra e presença, com a ação do Espírito, experimentemos a bondade e onipotência de Deus, que jamais nos desampara e nos abandona.

A Palavra do Senhor nos acompanha e nos dá segurança nesta necessária travessia: “Silêncio! Cala-te!”.



(1)         Lecionário Comentado – Tempo Comum – Vol. I – Editora Paulus – p.153
(2)        Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.704

Fé na presença e Palavra do Senhor na longa travessia

                                                         

Fé na presença e Palavra do Senhor na longa travessia

“‘Silêncio! Cala-te!’ O vento cessou
e houve uma grande calmaria. Então
Jesus perguntou aos discípulos:
“Por que sois tão medrosos?
Ainda não tendes fé?”
(Mc 4, 39-40)

Com a Liturgia do 3º Sábado do Tempo Comum, refletimos sobre a necessária confiança na presença e ação de Deus, que jamais nos abandona na realização de Seu Projeto de vida plena e salvação para a humanidade.

Refletimos também sobre a realidade do sofrimento, das dificuldades e das adversidades presentes em nossa vida, e a manifestação amorosa de Deus, que quer de nós confiança e entrega total em Suas mãos, com toda humildade.

Na passagem do Evangelho (Mc 4,35-41), apresenta a caminhada dos discípulos e as dificuldades encontradas: os discípulos nunca estão sozinhos no enfrentar das tempestades, que se levantam na travessia do mar da vida.

Não há nada a temer, porque Cristo está presente com Sua Pessoa e Palavra, e com Ele pode-se vencer as forças e ventos contrários, que se contrapõem ao Projeto de salvação que Deus tem para a humanidade.

A simbologia do mar é sempre muito forte na mentalidade judaica: “para falar de realidade assustadora, indomável, orgulhosa, desordenada onde residiam os poderes caóticos que o homem não conseguia controlar e onde estavam os poderes maléficos que queriam destruir os homens...

Só Deus, com o Seu poder e majestade, podia por limites ao mar, dar-lhe ordens e libertar os homens dessas forças descontroladas do caos que o mar encerrava” (1).

Deste modo, a passagem do Evangelho é uma página catequética, em que a partir dos elementos simbólicos (mar, barco, tempestade, noite e o sono de Jesus), nos fala da comunidade dos discípulos de Jesus em sua desafiadora caminhada na história, haja vista que Marcos escreve o Evangelho numa época em que a Igreja estava enfrentando sérias “tempestades” e a mais desafiadora de todas, a perseguição de Nero, somado aos problemas internos causados pela diferença de perspectivas entre judeo-cristãos e pagano-cristãos.

Voltemo-nos para a simbologia:

Barco - na catequese cristã, é o símbolo da comunidade de Jesus que navega pela história.

Barco rumando para a outra margem, ao encontro das terras dos pagãos: a salvação se destina a todos - universalidade da salvação.

O sono de Jesus - aparente ausência.

A tempestade - dificuldades, perseguição e hostilidades, que os discípulos terão de enfrentar ao longo do caminho até o fim dos tempos.

Jesus acalmando a fúria do mar e do vento com a Sua Palavra - manifestação da presença divina em sua Pessoa e Palavra.

Portanto, a grande pretensão do Evangelista é apontar o caminho da fé, que se expressa em total confiança na presença e Palavra do Senhor para enfrentar as “tempestades”, e em todos os tempos: a comunidade é chamada a fazer a experiência de adesão, confiança, obediência, em entrega total e incondicional nas mãos de Deus, que conduz a história.

A comunidade dos discípulos de Jesus, em plena fidelidade e confiança n'Ele, deve passar para a outra margem, ou seja, aqui é a dimensão missionária da Igreja que não pode se acomodar, mas deve se colocar a serviço da transformação do mundo, como tão bem expressou o Papa Francisco, superando todo medo e acomodação:

Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com o ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos.” (n.49 – Alegria do Evangelho).

Reflitamos:

- Quem é Jesus para mim?
- Sinto a presença de Jesus na comunidade que participo?

- Confio na Palavra do Senhor para enfrentar as “tempestades” e os ventos contrários do dia a dia na travessia para a outra margem?
- Sinto a força divina que nos anima em todas as dificuldades?

- Como é minha adesão ao Senhor e acolhida de Sua Palavra?
- Acredito que, com a Pessoa de Jesus e Sua Palavra, as forças do mal não têm a última palavra?

Finalizando, é preciso encontrar-se com o Senhor e deixar-se transformar por Ele, numa relação de amor e confiança total n’Ele, para que assim vençamos todo medo e enfrentemos todas as “tempestades”, e a pior de todas as tempestades: não sentir a presença e o Amor de Deus, ou de Seu Amor prescindir.


Fonte inspiradora e citações (1)

São João Bosco: um exemplo de educador

                                                     

São João Bosco: um exemplo de educador

No dia 31 de janeiro, celebramos a Memória do Presbítero São João Bosco (séc. XIX), e a Liturgia das Horas nos apresenta um trecho de uma de suas Cartas.

Uma Carta sugestiva para ser refletida e discutida, sobretudo por aqueles que têm a difícil arte e graça de educar, sobretudo hoje, com tantos desafios.

“Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.

Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.

Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta indignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor.

Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.

Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros, escândalo, mas em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que aprendêssemos d’Ele a ser mansos e humildes de coração.

Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.

Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.

Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece”.

Vejamos algumas indicações oportunas e necessárias na educação daqueles que nos são confiados, apresentadas e vivenciadas por Dom Bosco:

- Ele vivia uma paternidade em relação aos alunos com vistas ao bem destes (não como sinônimo de paternalismo);

- A correção e o castigo não sejam o “descarregar o próprio mau humor”;

- O exercício do poder e de domínio sobre aqueles que se educam seja de serviço, como assim o fez Jesus;

- A afeição e a familiaridade com aqueles que se educa, assim como Jesus tratava os pecadores, comunicando-lhes o perdão;

- As faltas devem ser corrigidas sem cólera, ou com moderação: verdadeiros pais e a verdadeira correção;

- A recomendação a Deus, em determinados momentos muitos graves, e não “uma tempestade de palavras que só fazem mal” – silêncio e oração confiante a Deus.

Tenhamos São João Bosco como modelo de educador, em nosso trabalho evangelizador, para que cuidemos, com ternura e proximidade, daqueles que de nós muito esperam.

Oremos:

Ó Deus, que suscitastes São João Bosco para educador e pai dos adolescentes, fazei que, inflamados da mesma caridade, procuremos a salvação de nossos irmãos, colocando-nos inteiramente ao Vosso serviço. Por N.S.J.C. Amém! 

Reconheçamos e confessemos nossos pecados

                                                           

Reconheçamos e confessemos nossos pecados

Na primeira Leitura do 3º Sábado do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Segundo Livro de Samuel (2 Sm 12,1-7a.10-17), em que Davi reconhece e confessa seu pecado, após a interpelação feita por Natã.

Davi reconhece seus gravíssimos pecados, suplica o perdão de Deus e o alcança.

Deste modo, a passagem nos revela um Deus de bondade e de misericórdia, que detesta o pecado, mas ama sem medida o pecador; bem como nos revela que Deus não é indiferente diante dos que abusam e exploram a vida do próximo.

Deus jamais abandona o pecador que reconhece a sua falta, comunicando o perdão e a Salvação como dom divino e não como conquista humana; o Seu perdão oferecido à humanidade é sempre a comunicação do Amor que possibilita uma vida nova.

O Apóstolo Paulo, também experimentou a graça e misericórdia divina, como vemos em sua Carta aos Gálatas (Gl 2, 16.19-21).

Este passou da Lei para a acolhida da graça que vem de Jesus, pois somente n’Ele encontramos a Salvação. Acolhendo a graça, Paulo chegou à identificação tão intensa com Jesus que afirmou:

Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.” (Gl 2, 20).

A misericórdia de Deus oferece a possibilidade do recomeço, de novos passos, novos rumos, novas posturas, que nascem do encontro pessoal com a Divina Fonte de Amor e perdão: Jesus.

É o que vemos na passagem do Evangelho (Lc 7,36-8,3), na presença daquela mulher pecadora no banquete, lavando e beijando Seus pés.

Ela também experimentou a misericórdia divina, pois teve seus pecados perdoados e, assim, pôde espalhar pelo mundo o verdadeiro amor, como nunca o fizera.

Temos também o fariseu Simão, que tão apenas acolheu Jesus em sua casa, mas não O recebeu como Aquele que tem o poder de perdoar os pecados, e que deseja estabelecer conosco comunhão de vida, Amor e perdão.

Simão é a personificação daqueles que não reconhecem as próprias imperfeições, e se tornam medida para o outro, crendo que têm o poder de julgar, rotular, condenar e excluir do convívio.

São totalmente opostas as atitudes da pecadora, que entra no banquete, sem mesmo ter sido convidada, e com toda humildade se prostra aos pés do Senhor, lava-os com suas lágrimas, lágrimas de dor por seus pecados; enxuga-os com seus cabelos, com sua vida, acolhida e ternura, ungindo-os e cobrindo-os de beijos.

Jesus a perdoa não porque tenha pecado muito, mas porque muito O amou, e demonstrou o seu amor para com Ele. Esta mulher fez a experiência do amor “louco”, incompreendido, de Deus que perdoa.

Simão sequer cumpriu o ritual prescrito, muito menos se abriu ao perdão e ao Amor de Jesus, como o Messias, o enviado do Pai, a própria presença de Deus, o único que tem poder para perdoar os pecados.

Simão, como os convidados, é levado tão apenas pela aparência, encerra a mulher no seu passado, sem a perspectiva de mudança.

De outro lado, Jesus tem olhar que vai além das aparências, possibilitando a ela um futuro diferente, permitindo-lhe partir perdoada, amada e em paz.

Sendo assim, podemos nos identificar ora com Simão, ora com a pecadora que é perdoada por Jesus, assim como Davi que também peca e reconhece seus pecados.

Reflitamos:

- O que aprendemos com a atitude de Davi na passagem acima?
- Estamos tão identificados com o Senhor, a ponto de, como Paulo, podermos dizer “não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”?

- Por nossos pensamentos, palavras, atitudes, reconhecerão Cristo em nós?
- Reconhecemos nossos pecados e nos abrimos à misericórdia de Deus, alcançando e comunicando o perdão a quem nos ofende, como rezamos no Pai Nosso?

Somente experimentando o Amor e o perdão que vêm de Deus é que poderemos amar, perdoar e sermos perdoados.

O mundo precisa de Profetas da civilização do Amor, que se proponham a colaborar na construção do Reino do Amor de Deus no coração da humanidade.

Reconhecer e confessar nossos pecados e nos empenharmos na construção de um Reino de justiça, paz, amor, misericórdia, perdão, compaixão, verdade, liberdade e, sobretudo, de respeito aos direitos sagrados da vida, desde a concepção ao seu declínio natural. 

Reconhecer, confessar, mas procurar ter novos pensamentos, palavras, com novas posturas e compromissos, sem omissão com a promoção da beleza e esplendor da vida em todos os âmbitos. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Não desistir diante das provações

                                               


                                            Não desistir diante das provações

Diante da história de todos nós, com suas páginas de provações, tribulações, dificuldades, tropeços e inquietações, como fazer a necessária superação?

Precisamos, a partir da fé, escrever novas páginas de paciência, esperança, perseverança, perfeição, integridade e de verdadeira alegria.

Como Igreja Sinodal, peregrinos de esperança, sejamos iluminados e fortalecidos pela Palavra de Deus, que é luz para o nosso caminho (Sl 119,105), no bom combate da fé (2 Tm 4,7-8).

Urge firmar nossos passos, escrevendo páginas de acrisolamento, amadurecimento, aperfeiçoamento, vivendo o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele Ressuscitar, e com Ele, sermos mais que vencedores:

– “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8,37-39).

O Apóstolo São Paulo também nos ajuda neste santo propósito, como peregrinos do Senhor que somos:

-  “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não decepciona, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Por fim, acolhamos e aprofundemos nossa reflexão, à luz das palavras do Apóstolo São Tiago:

-  “Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4)


Nota-se um itinerário que o cristão precisa percorrer, na vivência da fé:

1º - A provação, como motivo de grande alegria;

2º - A comprovação da fé;

3º - A perseverança na fé;

4º - A geração da obra de perfeição;

5º - A perfeição e integridade (sem falta ou deficiência alguma).

Concluindo, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o caminho da perfeição que devemos trilhar:

“O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.” (1)

Façamos as renúncias necessárias, tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor (cf. Lc 9,23), cujo fardo é leve e o jugo é suave (cf. Mt 11,28-30), revitalizando-nos com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia, que são os imprescindíveis e divinos Pães de nossa vida, no tempo presente e na eternidade. Amém.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2015 

Rezando com os Salmos - Sl 124 (125)

 


No Senhor confiamos, nada pode nos abalar


“–1 Quem confia no Senhor é como o monte de Sião:
nada o pode abalar, porque é firme para sempre.
=2 Tal e qual Jerusalém, toda cercada de montanhas,
assim Deus cerca Seu povo de carinho e proteção,
desde agora e para sempre, pelos séculos afora.

=3 O Senhor não vai deixar prevalecer por muito tempo
o domínio dos malvados sobre a sorte dos Seus justos,
para os justos não mancharem suas mãos na iniquidade.

=4 Fazei o bem, Senhor, aos bons e aos que têm reto coração,
5 mas os que seguem maus caminhos, castigai-os como os maus!
Que venha a paz a Israel! Que venha a paz ao vosso povo!”

Com o Salmo 124(125) rezamos e novamos nossa confiança no Senhor, e que nada possa nos abalar, pois Ele é o protetor do Seu povo: e garante a paz para o Israel de Deus (Gl 6,16):

“Salmo de Romaria. Deus, protetor da Cidade Santa, está sempre perto dos justos e não permitirá que sejam por mais tempo oprimidos pelos ímpios.” (1)

Um convite a ouvir o canto: “A força e a vitória” que expressa esta incondicional confiança em Deus.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 839

Rezando com os Salmos - Sl 123 (124)

 


O nosso auxílio está no nome do Senhor

“–1 Se o Senhor não estivesse ao nosso lado,
que o diga Israel neste momento;
–2 se o Senhor não estivesse ao nosso lado,
quando os homens investiram contra nós,
–3 com certeza nos teriam devorado
no furor de sua ira contra nós.

–4 Então as águas nos teriam submergido,
a correnteza nos teria arrastado,
–5 e então, por sobre nós teriam passado
essas águas sempre mais impetuosas.
–6 Bendito seja o Senhor, que não deixou
cairmos como presa de seus dentes!

–7 Nossa alma como um pássaro escapou
do laço que lhe armara o caçador;
– o laço arrebentou-se de repente,
e assim nós conseguimos libertar-nos.
–8 O nosso auxílio está no nome do Senhor,
do Senhor que fez o céu e fez a terra!”

Com o Salmo 123(124) renovamos nossa confiança no Senhor, pois o nosso auxílio está no nome do Senhor:

“Salmo de romaria. Liberto do perigo, o povo agradece a Deus de quem veio o socorro desivio, sem o qual todos teriam perecido nas ondas da ira inimiga.” (1)

Finalizo com as palavras do Apóstolo Paulo, qu7e ao realizar a missão evangelizadora, ouviu do Senhor, estas palavras que nos acompanham a cada dia:

“Certa noite, numa visão, o Senhor disse a Paulo: ‘Não tenhas medo; continua a falar e não0 te cales, porque eu estou contigo. Ninguém porá a mão em ti para fazer-te mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence’.” (At 18,9-10).

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 838

A luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja

                                                        

 A luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja

Verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja, assim como deve resplandecer na vida de todo cristão, sejam Ordenados ou não; mas de modo especial, através do Ministério Presbiteral.

Vejamos o que nos ensina a Igreja:

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

No dia da Ordenação Presbiteral se diz:  “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja.

Todos os dias, o Presbítero deve renovar esta imensa graça, vivendo uma vida em que o anúncio da Palavra seja acompanhado do indispensável testemunho.

Deste modo, deve celebrar e viver o que celebra, em perfeita sintonia, levando muitos a contemplar o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a qual se colocou a serviço.

Será um instrumento da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida, como nos falou o Senhor no Evangelho, porque quando se possui a luz de Deus é impossível guardá-la para si.

É impossível esconder e apagar a chama do Amor de Deus acesa, um dia, e assim comunicará a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem se esquecer dos primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

Comunicará a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão e solidariedade.

Nesta comunicação da transparência da luz divina, fará de tal modo que a sua vida não atraia ninguém para si, mas para Aquele que o chamou e o enviou.

A transparência de vida do Presbítero, por causa de suas obras, levará muitos a glorificar o Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Assim como Jesus, o Presbítero deve levar o povo a viver em perfeita comunhão.

Padres e fiéis, Igreja Ministerial e Missionária do Senhor seremos quando, verdadeiramente, revelarmos a luz de Cristo ao mundo.

Quando comunicarmos esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

No Ministério vivido, a devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, de modo especial, o torna cada vez mais compadecido e solidário com a dor dos pobres, um Sacerdote conforme o Coração de Jesus.

Que a luz de Cristo resplandeça no rosto da Igreja pela vida e Ministério Presbiteral, assim como por meio de todos os batizados, para que sal da terra e luz do mundo sejamos, contando sempre com a força indispensável que nos vem da oração sincera, pura e confiante e, de modo especial, na Santa Eucaristia.

(1) Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos - sobre a Igreja. 

A Ação Divina não dispensa a ação humana

                                                                   

A Ação Divina não dispensa a ação humana

No Reino de Deus,
lançar a semente é nossa missão!

Na passagem do Evangelho (Mc 4, 26-34) proclamado na terceira sexta-feira do Tempo Comum, Jesus nos fala do Reino de Deus à luz da Parábola da semente lançada na terra. 

Mais ainda, nos fala do Reino comparando-o a um grão de mostarda, a menor de todas as sementes e que produz ramos tão grandes que os pássaros vêm habitar à sua sombra.

Na construção e espera do Reino que vem, é preciso confiança ativa. O Reino é como o crescimento da semente, um processo lento e silencioso, mas seguro. A pequenez da semente também é significativa, pois aparentemente o que fazemos parece nada mudar, mas quanta diferença faz para quem dela recebe, já, os frutos.

Muitas vezes a pobreza dos meios, as nossas limitações, emergências e clamores nos levam a abrir-nos mais intensa e sinceramente à ação divina, explicitamente falando com a ação do Espírito que é imprescindível para a ação evangelizadora e a construção do Reino.

O Missal Cotidiano nos diz: “Em vez de agitação, serenidade; em vez de indolência, esforço; em vez de desânimo a certeza da fé; eis a atitude da Igreja, do apóstolo, do educador”.

Serenidade, esforço e a certeza da fé devem ser marcas de todo aquele que se coloca a serviço do Reino, contra toda tentação de agitação estéril e estressante, que nada de bom constrói; contra toda perniciosa, desastrosa tentação da acomodação, do recuo, do cruzar os braços em inativismo deplorável aos olhos de Deus – Deus que nos ama, como é próprio do Seu amor, não dispensa nossos esforços; contra toda tentação da perda da fé, do naufrágio da fé, o pior de todos os naufrágios.

Nisto consiste a missão de todos nós: lançar e cultivar as sementes. Se dela frutos não comermos, já terá valido ao outro ter assegurado esta possibilidade.

São oportunas as palavras do Apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas era Deus quem fazia crescer” (1Cor 3,6).

De fato, aquilo que comemos ou desfrutamos não é fruto do acaso, mas do reconhecido e louvável esforço e empenho de tantos/as que, muito antes e até no tempo presente, suas sementes lançaram... 

Lancemos nossas sementes, as melhores que pudermos para que outros desfrute
m.
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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG