sábado, 13 de junho de 2026

Exigências para a missão que o Senhor nos confia (XIVDTCC)

                                                    

Exigências para a missão que o Senhor nos confia

“O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, dizíamos ainda recentemente
a um grupo de leigos, ou então se escuta os mestres,
é porque eles são testemunhas”
(Papa São Paulo VI)

A Liturgia da quinta-feira da 26ª Semana do Tempo Comum nos convida a refletir sobre o envio que Jesus faz aos Seus discípulos e as exigências da missão evangelizadora.

É missão do discípulo ser portador da paz, da vida e da esperança de um mundo novo, e esta missão contemplamos na passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 66, 10-14c).

O Profeta, mesmo numa situação difícil, em que o Povo de Deus se encontrava (martirizado, sofrido e angustiado), tem palavras de confiança e esperança.

Apresenta a ação divina com imagens de fecundidade e vida: somente Deus pode oferecer ao Seu povo o “shalom”, ou seja, saúde, fecundidade, prosperidade, amizade com Ele e com os outros, a felicidade total.

O Profeta tem sempre uma palavra que convida à alegria. Deus age por meio dele. Também nós somos Profetas, voz de Deus, num mundo também marcado pelo sofrimento, angústia, dores, prantos e morte.

Ontem e hoje, vivendo a vocação profética, somos convidados a superar o medo e a angústia e sentir a presença e a força de Deus conosco, não nos curvando diante dos temores que nos paralisam.

É oportuno nos questionarmos sobre a mensagem que temos a oferecer, como Igreja e Profetas do Reino, neste contexto.

Da mesma forma, o Apóstolo Paulo se dirigiu aos Gálatas (Gl 6, 14-18), nos exortando ao testemunho radical, que passa pela cruz, para alcançarmos a glória, e assim, possa nascer a vida do Homem Novo em nós:

Só gerados e alimentados por essa fonte é que poderemos ser novas criaturas. No que diz respeito, Paulo declara que no centro da sua glória não está a observância rigorosa da Lei, mas Cristo Crucificado”

Retomando a mensagem do Evangelho (Lc 10,1-12), somos continuadores da missão de Jesus, e pelo Batismo todos somos chamados a anunciar a alegria do Reino de Deus, não obstante as dificuldades que possam surgir. 

O comentário do Missal Dominical é enfático ao afirmar: “... Não há missão sem perseguição, sem sofrimento e sem Cruz.

A Cruz pelo Reino de Deus, aceita com amor, é o sinal da vitória sobre o mal e a morte...

O que o Senhor nos pede é a fidelidade a Ele, à Sua mensagem e ao Seu estilo de anúncio. Não nos garante o êxito” (pp. 1169-1170).

Jesus envia 72 discípulos, de dois em dois, pois a ação é comunitária, e apresenta a eles algumas exigências e advertências:

-   Terá que enfrentar dificuldades;
-    Viverá a pobreza, confiando tão apenas na providência divina;

-    Crerá na força libertadora da Palavra de Deus;
-    Viverá  a urgência da missão (não pode haver perda de tempo);

-    Será totalmente dedicado à missão;
-    Será portador da paz;

-    Combaterá contra o mal que se contrapõe ao Reino de Deus;
-    Exultará de alegria por terem os nomes inscritos no céu, no livro da vida.

Deste modo, é preciso que o discípulo missionário confie na Palavra de Deus, com desprendimento, coragem, ousadia, confiança  na providência de Deus e paixão por Ele, e carregando a cruz cotidiana, pois somente Cristo interessa para nossa Salvação, de modo que nossa identificação com Ele se dará na intensidade que amarmos como Ele nos ama.

Reflitamos:

-  Qual é a nossa fidelidade à missão que Deus nos confia?
-  Quanto nos empenhamos para que percebam em nós a alegria da chegada do Reino de Deus?

-  Percebem as pessoas que somos prisioneiros do mais belo Amor, Jesus Cristo, marcados pelo sinal da Cruz, com expressão do amor radical, da liberdade, da vida, doação e serviço?

-  Como viver mais intensamente a missão, por Deus, a nós confiada?
-  Em quem depositamos nossa confiança e esperança?

Retomo as palavras do Papa São Paulo VI: 

“O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, dizíamos ainda recentemente a um grupo de leigos, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”.

Participando das Mesas Sagradas do Senhor, sejamos iluminados e fortalecidos por Sua Palavra, e revigorados pelo Pão da Imortalidade, para continuarmos, com coragem e fidelidade, a missão que Ele nos confia. Amém.


PS: Apropriado para a Missa em louvor a Santo Antônio em que se proclama a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 10,1-12)

“A Palavra é viva quando são as obras que falam”

                                                           

“A Palavra é viva quando são as obras que falam”

Com toda a Igreja, celebraremos dia 13 a Festa em louvor a Santo Antônio de Pádua (Lisboa), Presbítero e Doutor da Igreja. Nascido em Lisboa (Portugal) no final do século XII e falecido em Pádua no ano de 1231. Além de professor, foi grande pregador da Ordem dos Frades Menores, levando à conversão muitos hereges. Foi autor de vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual.

Um de seus sermões é fonte de espiritualidade para todo tempo. Cito apenas uma parte: 

“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam. 

Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: 'Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega'. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Os Santos foram pessoas que seguiram o Caminho – Jesus Cristo – e consequentemente deixaram rastros luminosos, que transcendem seu próprio tempo. São pessoas humanas que procuraram viver como fiéis seguidores de Jesus, pregando e testemunhando o Seu Evangelho; referências e modelos de vida para ser seguido por todos nós.

A devoção aos Santos exige da comunidade semelhança com o mesmo. Toda devoção fica purificada de esterilidade quando passa pela imitação das virtudes que o Santo inspira. Vivendo no seu tempo o transcende, pois sua pregação carrega tamanha atualidade e conteúdo, que pode ser acolhida em todo tempo, atravessando os séculos…

Sigamos as pegadas de Santo Antônio no amor a Deus e ao próximo – síntese de toda a Lei Divina –, tenhamos dele a mesma sede da Palavra Sagrada; o amor sem medida pela Eucaristia, fonte e alimento de toda a nossa vida; amor pela Igreja que somos; solidariedade incansável fundada e nutrida na fonte inesgotável do amor que é a Santíssima Trindade.

Com Santo Antônio queremos viver uma vida cristã mais autêntica, mergulhando a cada dia no Amor da Santíssima Trindade, Encontro de três Pessoas: um Deus Pai que ama, um Deus Filho que é amado, Deus Espírito Santo que nos comunica o Amor. Mergulhar no Amor Trinitário é o caminho de santidade trilhado por Santo Antônio e convite para todos nós.

Num mundo marcado por discursos vazios, há que se multiplicar as obras. Aprendamos com Santo Antônio a traduzir nossa fé em gestos de caridade, misericórdia, partilha e solidariedade. Ele soube no seu tempo dar conteúdo e visibilidade à sua fé junto de Deus.

A linguagem do Espírito suplica eterna aprendizagem, na comunhão dos Santos, Santo Antônio tem muito a nos ensinar, por isto digamos sempre: Santo Antônio, rogai por nós!

Santo Antônio e a prática da misericórdia


Santo Antônio e a prática da misericórdia

Vivíamos o Ano Santo da Misericórdia (8/12/2015-20/11/2016), e, no dia 13 de junho, celebramos a Memória de Santo Antônio de Lisboa (1195/1231).

A Liturgia da Palavra nos apresentava como leituras: Isaías 61, 1-3a; Sl 88; e a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 10, 1-9).

Refletindo sobre a passagem do Evangelho, ressaltei o envio que Jesus fez dos 72 discípulos, dois a dois, em missão.

Como Igreja, somos chamados o mesmo a fazer, assumindo com ardor, amor, zelo e alegria, humildade como fez nosso Padroeiro, como autêntica expressão da Misericórdia divina.

Em seguida, retomei alguns pensamentos iluminadores de Santo Antônio para bem celebrarmos o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia:

“Aprendamos com Santo Antônio a viver as obras de misericórdia corporais e espirituais”

“A misericórdia de Deus é maior do que toda a malícia do pecador” – citado pelo Thiago na apresentação das Obras de Misericórdia corporais.

“Não basta pregar a Deus frutuosamente, se ao som da língua não precede o testemunho das obras.”

“Cessem as palavras e falem as obras! Estamos cheios de palavras e vazios de obras.”

Com isto ressaltei a prática das obras de Misericórdia corporais e espirituais:

Obras de misericórdia corporais:
1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais:
1)Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

Concluí a homilia remetendo ao final da primeira leitura, enfatizando o versículo do Profeta Isaías (Is 61,3a):

Somos enviados para “reservar e dar aos que sofrem por Sião uma coroa, em vez de cinza, o óleo da alegria, em vez da aflição”.

Há muitos sinais que nos afligem, e o desafio nos é proposto: como discípulos missionários do Senhor, dar aos aflitos o óleo da alegria, e tão somente assim, é que seremos “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), como testemunhou Santo Antônio, com sua pregação e vida. 

Aprendamos com Santo Antônio... Ele bebeu na Divina Fonte da Sabedoria!

                                                            

Aprendamos com Santo Antônio... Ele bebeu na Divina Fonte da Sabedoria!

A Igreja, assistida pelo dom do Espírito Santo, em cada tempo tem seus luminares que escrevem belas histórias, deixando ensinamentos a serem seguidos, na mais perfeita fidelidade ao Caminho que é Cristo Jesus.

Um grande luminar foi Santo Antônio, nascido em Lisboa, Presbítero e Doutor da Igreja, no final do século XII e falecido em Pádua (Itália) no ano de 1231.

Professor e grande pregador da Ordem dos Frades Menores, levando à conversão muitos hereges. Autor de vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual.

Sejamos enriquecidos por alguns pensamentos de Santo Antônio, um “Evangelho vivo”, homem de fé viva, corajosa...

“Jesus: nome doce, nome deleitável, nome que reconforta o pecador, nome de ditosa esperança!”

 “Assim como o ouro está acima dos outros metais, a caridade está acima das outras virtudes.”

“Quanto vale o homem diante de Deus, tanto vale em si e não mais.“

“Não basta pregar a Deus frutuosamente, se ao som da língua não precede o testemunho das obras.”

“Cessem as palavras e falem as obras! Estamos cheios de palavras e vazios de obras.”

“Miserável é quem confia mais na língua alheia do que na própria consciência.”

“O Reino de Deus é o Sumo Bem e por isso, deve ser procurado pela fé, pela esperança e pela caridade. A justiça do Reino consiste em observar tudo o que Cristo ensinou.”

“As mãos de alguns que dão esmolas estão manchadas com o sangue dos pobres.”

 “O hipócrita jejua para adquirir louvores; o avarento para encher o bolso; o justo, porém para agradar a Deus.”

“Feliz o pregador que fala segundo o dom do Espírito, não segundo seu ânimo.”

“O nascimento dos Santos traz alegria a muitos, porque é um bem comum. Quer dizer, os Santos nascem para a utilidade de todos.”

”Lança a rede sobre a Palavra de Jesus Cristo quem não atribui nada a si, mas tudo a Ele.”

“Na oração não dividas o espírito a ponto de ter uma coisa na boca e outra no coração. O Espírito dividido nada consegue. Língua e coração estejam em consonância.”

 “Vamos cultivar a humildade de coração, porque a oração da pessoa humilde penetra as nuvens e alcança o que pede.”

“Onde há desordem e escuridão, é preciso que haja luz.”

“Afasta-te do mal, mas isto não basta; é preciso praticar o bem.”

“Não pode haver tranquilidade do coração sem o amor do próximo.”

“Tudo o que fizeres por vanglória é totalmente perdido.”

“O orgulho dispersa. A humildade ajunta.”

“Quem não conhece os seus bens interiores volta-se para os bens exteriores alheios. Alheio é tudo quanto não condiz com a vida cristã.”

“Bem–aventurado o ventre da gloriosa Virgem, que mereceu trazer por nove meses o Sumo Bem, a Felicidade dos anjos, a reconciliação dos pecadores.” 

Cessem, por favor, as palavras; falem as obras. Estamos cheios de palavras, mas vazios de obras, por isso somos amaldiçoados pelo Senhor como a Figueira cheia de folhas e sem frutos.”

“Não convém, portanto, ficar nenhum momento ocioso, mas sim insistir sem trégua na pregação da Palavra Divina para plantar nas almas as árvores das virtudes cristãs.”

“A Mansidão e a Humildade são as virtudes mais queridas aos olhos de Deus e dos homens.”

“É cego quem não vê a própria consciência; é coxo quem se desvia do caminho reto da justiça.”

“Portanto, se souberes guardar a paz no íntimo da tua consciência, podes estar certo de que alcançarás também a paz final com Deus no céu.”

“Procura, portanto, localizar o verdadeiro ponto central em que deves situar-te para realizar com eficácia a paz com teu próximo. Este ponto central é precisamente a caridade, o amor.”

Santo Antônio: fidelidade apaixonada e incondicional a Cristo.
Homem humilde, vida doada sem medida!

Puro grão de trigo que aceita a inevitabilidade da morte, ainda que precocemente, a fim de que o outro tenha vida.

Seus ensinamentos apontam para a eternidade de Deus: céu, desde a terra, na solidariedade e compaixão para com os pobres, visibilidade de Deus! 

Eternos aprendizes da linguagem do Espírito

                                                        


Eternos aprendizes da linguagem do Espírito

Oportunos são os ensinamentos de Santo Antônio de Pádua (Lisboa), Presbítero e Doutor da Igreja, que Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XII e faleceu em Pádua, no ano de 1231.

Ele foi um grande pregador da Ordem dos Frades Menores, levando à conversão muitos hereges. Autor de vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Em um deles nos disse:

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam.

Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.

Diz São Gregório: ‘Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Portanto, glorifiquemos a Deus pela missão da Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, o protagonista principal e primeiro da Evangelização, que nos conduz, ilumina, assiste, fortalece, enriquecendo-nos com os dons da sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Glorifiquemos a Deus por tantas pessoas repletas do Espírito Santo que se encontram na glória eterna, tendo combatido o bom combate da fé, foram aprendizes do Espírito, e muito nos ensinaram com a palavra e a ação: bispos, padres, cristãos leigos e leigas, que assumiram o seu Batismo como sal da terra e luz do mundo.

Glorifiquemos também por aqueles que estão entre nós ou em outros lugares, mas continuam neste eterno e necessário aprendizado da linguagem do Espírito, testemunhando a fé em Jesus Cristo, vivendo na humildade, pobreza, paciência e obediência, carregando a cruz de cada dia com as renúncias cotidianas necessárias. 

Graças sejam dadas a Deus pelas obras incontáveis, sob a ação do Espírito Santo, comprometidos com a promoção de uma vida plena e feliz para todos.

De fato, as obras realizadas falam e falarão sempre mais que muitas palavras. Ações dentro e fora da comunidade, em gestos contínuos e renovados de partilha, comunhão, solidariedade, empenho incansável para a promoção da vida, desde a concepção até seu declínio natural, através das pastorais, serviços e movimentos.

Renovemos nossa fidelidade ao Senhor, para que, como figueira, se produza muitos frutos, não para nós, mas para que outros possam desfrutar. 

Colhemos o que muitos plantaram, colherão o que de melhor plantarmos e cuidarmos, sem cansaço, com amor, dedicação e alegria.

Supliquemos a força e a luz do Espírito, para que melhor correspondamos aos desígnios divinos, escrevendo com a tinta do Espírito, a tinta do amor, novas linhas, novas páginas da nossa história, pois somos, eternos aprendizes da linguagem do Espírito.

O Amor de Deus foi derramado em nossos corações

                                                          

O Amor de Deus foi derramado em nossos corações

Em 2013, com o coração transbordante de alegria, envolvidos por inúmeras manifestações do Amor de Deus por nós, quando Pároco da Paróquia Santo Antônio – Gopoúva – Diocese de Guarulhos, celebramos a Festa de um dos Santos mais queridos da nossa Igreja: Santo Antônio.

É importante ressaltar que o mês de junho também é dedicado a outros dois santos, com forte presença na religiosidade popular: São João Batista e São Pedro.

Como são iluminadoras e providenciais as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos: “Gloriamo-nos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 3-5).

Continuamos caminhando com o Senhor, edificando a Sua Igreja e confessando o Seu nome, muito embora saibamos que há um longo caminho a percorrer, e em cada Eucaristia renovamos nossas forças para superar as tribulações inerentes ao caminho daqueles que se põem a seguir o Senhor com fidelidade, coragem, firmeza e generosidade.

Contemplando nossas comunidades, vemos pessoas acolhendo as torrentes de graças que nos vêm do Coração de Jesus, Fornalha ardente de Caridade, em virtude provada, não deixando morrer a esperança, porque sabem e confirmam as palavras do Apóstolo, “a esperança não decepciona”, e se plenificam e transbordam o Amor de Deus por onde passam, também nas pastorais e serviços que assumem em nome da fé.

Porém, a solidificação da fé e a renovação da esperança exigem que cresçamos cada vez na caridade, pois amamos a Deus nos irmãos e irmãs, e amamos os irmãos e irmãs em Deus.

O Apóstolo também disse aos Romanos: “Não fiqueis devendo nada um aos outros a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei” (Rm 13, 8).

Concluo na certeza de que quanto mais nos abrirmos à ação do Espírito Santo, muito mais o amor de Deus será derramado sobre nós, e também, que eventuais prantos vespertinos se tornarão alegrias matutinas, porque a madrugada da Ressurreição foi precedida pelas tardes da escuridão e do vazio sepulcral, mas a vida venceu, de fato, a morte.

Santo Antônio: luminar divino

                                                             

Santo Antônio:  luminar divino

A Igreja assistida pelo dom do Espírito Santo, em cada tempo tem seus luminares que escrevem belas histórias, deixando pegadas a serem trilhadas, na mais perfeita fidelidade ao Caminho que é Cristo Jesus, porque é um maravilhoso luminar divino.

Trilhar as pegadas de Santo Antônio é viver a fidelidade apaixonada e incondicional a Cristo; a humildade, numa vida doada sem medida e com paixão, como puro grão de trigo que aceita a inevitabilidade da morte, ainda que precocemente a fim de que o outro tenha vida. São pegadas que apontam para a eternidade de Deus – Céu – desde a terra, na solidariedade e compaixão para com os pobres, visibilidade de Deus.

Num mundo pós-moderno que muitas vezes promove a cultura da morte, os pensamentos de Santo Antônio nos ajudam a promover a cultura da vida e da paz, porque possuidor de um saber divino que ilumina em todo tempo.

A consciência de que somos meros instrumentos na mão de Deus e que d’Ele tudo procede e para Ele tudo retorna. A Deus toda honra, glória, poder e louvor:

“Como os raios se desprendem das nuvens, assim também dos santos pregadores emanam obras maravilhosas. Disparam os raios, enquanto cintilam os milagres dos pregadores; retornam os raios, quando os pregadores não atribuem a si mesmos as grandes obras que fazem, mas à graça de Deus”.

E ainda: “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”.

Num mundo globalizado, marcado por rancores e seduções que afastam culturas e povos, a simplicidade de seu discurso e o necessário esforço de superação na força da Oração:

“Como as abelhas, assim o bom cristão deve movimentar-se prontamente e com o ferrão de sua boa consciência e da Oração, tem que perseguir sem cansar os intrusos até expulsá-los para fora da colmeia de seu coração.”

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