sábado, 25 de abril de 2026

Uma súplica ao Bom Pastor (IVDTPA)

                                                         

Uma súplica ao Bom Pastor

Senhor Jesus, Divino Bom Pastor,
Vós que tendes sempre uma Palavra
Em todas as circunstâncias de nossa existência,
Mas, sobretudo nos momentos difíceis,
Em que precisamos do Vosso colo, da Vossa ternura,

Como Bispo, ansiando ser Sinal do Bom Pastor,
Levando Vossa Palavra através das minhas reflexões,
Para amenizar dores, renovar forças,
Reavivar a chama da fé,
Renovar a esperança
No mais profundo da alma dos que a mim confiais,
Para que a caridade se inflame,
Como é próprio de quem em Vós crê,
A Vós recorro e suplico:

Que eu use das forças das palavras para levar a Palavra...
Palavras que são como passaportes para novas fronteiras
Do ainda não conhecido, ampliando nossos horizontes.
Das palavras que passam, cheguemos a Vós,
Palavra que não passa,
E caminhando entre elas,
O Encontro verdadeiro convosco,
Que sois a Fonte inexaurível de Paz.

Ó Bom Pastor,
Palavra Encarnada do Pai
Que sinal de Vós eu seja,
Apesar de minha fraqueza e do rebanho a mim confiado.

Que falando, pregando, escrevendo,
Propicie o Encontro pela alma tão desejado:
O Encontro Divino tão necessário.
Que eu saiba silenciar para Vossa Palavra
Ouvir, acolher e por ela me deixar transformar,
Para que não sendo mero ouvinte,
Possa ajudar a tantos outros.
A também a se transformar.

Ó Divino e amado Bom Pastor,
Somente Vós tendes Palavra de Vida Eterna.

Amém! Aleluia!

Mensagem do Papa Francisco - 2017: “Impelidos pelo Espírito para a missão”

“Impelidos pelo Espírito para a missão”

No 4º Domingo da Páscoa, “Domingo do Bom Pastor”, celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Retomemos a mensagem do Papa Francisco (2017), para o 54º Dia Mundial de Orações pelas vocações que tinha como tema: “Impelidos pelo Espírito para a missão”.

O Papa se detém na dimensão missionária da vocação cristã: “Quem se deixou atrair pela voz de Deus e começou a seguir Jesus, rapidamente descobre dentro de si mesmo o desejo irreprimível de levar a Boa-Nova aos irmãos, através da evangelização e do serviço na caridade...”, e assim, todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho.

Como missionários, os cristãos são enviados ao mundo como Profetas da Palavra do Senhor e testemunhas do Seu amor, superando todo desânimo, pessimismo, passividade de uma vida cansada e rotineira, confiantes no próprio Deus, "que vem purificar os nossos «lábios impuros», tornando-nos aptos para a missão.  'f'oi afastada a tua culpa e apagado o teu pecado!' Então, ouvi a voz do Senhor que dizia: 'Quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro?' Então eu disse: 'Eis-me aqui, envia-me' (Is 6, 7-8)".

Retomando o que afirmou na Catequese de 30 de janeiro de 2016, em virtude do Batismo, cada cristão é um «cristóforo», ou seja, «um que leva Cristo» aos irmãos. E isto vale, de forma particular, para as pessoas que são chamadas a uma vida de especial consagração e também para os sacerdotes, que generosamente responderam «eis-me aqui, envia-me».

Portanto, “com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos recintos sagrados do templo, para consentir à ternura de Deus de transbordar a favor dos homens (cf. Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24 de março de 2016). A Igreja precisa de sacerdotes assim: confiantes e serenos porque descobriram o verdadeiro tesouro, ansiosos por irem fazê-lo conhecer jubilosamente a todos (cf. Mt 13,44)”.

Para a realização da missão cristã, o Papa apresenta estas questões:
Que significa ser missionário do Evangelho?
- Quem nos dá a força e a coragem do anúncio?
- Qual é a lógica evangélica em que se inspira a missão? 

Em seguida, oferece respostas a estas questões contempladas em três cenas evangélicas:

 - Jesus é ungido pelo Espírito e enviado.
O início da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-30) - Ser discípulo missionário significa participar ativamente na missão de Cristo, que Ele próprio descreve na sinagoga de Nazaré, e esta é também a nossa missão: ser ungidos pelo Espírito e ir ter com os irmãos para lhes anunciar a Palavra, tornando-nos um instrumento de salvação para eles.

- Jesus vem colocar-Se ao nosso lado no caminho.
O caminho que Ele, Ressuscitado, fez com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). O cristão não carrega sozinho o encargo da missão, experimentando,  mesmo nas fadigas e incompreensões, – que "Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele, e sente que Jesus está vivo com ele, no meio da tarefa missionária".

- Jesus faz germinar a semente.
A parábola da semente (cf. Mc 4, 26-27). Não se pode deixar levar por um certo frenesim de poder, pelo proselitismo ou o fanatismo intolerante. Ao contrário, é preciso rejeitar a idolatria do sucesso e do poder, a preocupação excessiva pelas estruturas e uma certa ânsia que obedece mais a um espírito de conquista que de serviço.

A semente do Reino, embora pequena, invisível e às vezes insignificante, cresce silenciosamente graças à ação incessante de Deus, que supera as nossas expetativas e nos surpreende com a sua generosidade, fazendo germinar os frutos do nosso trabalho para além dos cálculos da eficiência humana.

Confiantes no Evangelho e abertos à ação silenciosa do Espírito, que é o fundamento da missão, promover a Pastoral Vocacional.

Para isto é preciso oração assídua e contemplativa, alimentando a vida cristã com a escuta da Palavra de Deus, cuidando da relação pessoal com o Senhor na adoração eucarística, «lugar» privilegiado do encontro com Deus.

Exorta que as comunidades paroquiais, associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja, continuem a pedir, sem desânimo, ao Senhor, que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tornando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus. Implorar do Alto novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada.

É preciso incentivar novas vocações: "... é possível ainda hoje voltar a encontrar o ardor do anúncio e propor, sobretudo aos jovens, o seguimento de Cristo".

Conclui apresentando-nos Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, como modelo de resposta ao chamado de Deus, pois teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele.

Pede sua intercessão para que obtenhamos a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de nos pormos a caminho, como Ela (cf. Lc 1, 39), para anunciá-Lo ao mundo inteiro.



PS: Desejando conferir a mensagem na íntegra, acesse:

Mensagem do Papa Francisco - 2018 - “Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor”


“Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor”

Retomemos a Mensagem do Papa para 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (2018).

A Mensagem do Papa tem como tema: Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor”, da qual destaco alguns parágrafos:

“Não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina.

Também nestes nossos agitados tempos, o mistério da Encarnação lembra-nos que Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus conosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria.

Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo, que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade”.

Estes três aspectos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, aqui, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la «hoje» (cf. Lc 4, 16-21).

“Escutar:
A chamada do Senhor – fique claro desde já – não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito...

Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel...

Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção (cf. Lc 17, 21), e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro impercetível da brisa divina (cf. 1 Re 19, 11-13)”.

“Discernir:
Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: «O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19).

De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, II.2)....

Também, hoje, temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão”.

“Viver:
Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente «cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 20).

A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.

O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede”.

Finaliza a Mensagem pedindo à Maria Santíssima, “a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne”, para nos guardar e nos acompanhar sempre em nosso caminho.




Mensagem do Papa Francisco - Dia Mundial de Oração pelas vocações - 2023

 


Síntese da Mensagem do Papa Francisco para o 60º Dia Mundial De Oração Pelas Vocações (30 de abril de 2023 - IV Domingo de Páscoa)

Vocação: graça e missão

Para o sexagésimo Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído por São Paulo VI em 1964, durante o Concílio Ecuménico Vaticano II, o Papa Francisco nos apresenta uma mensagem com o Tema – “Vocação: graça e missão”.

Trata-se de preciosa ocasião para redescobrir, maravilhados, que a chamada do Senhor é graça, dom gratuito e, ao mesmo tempo, é empenho de partir, sair para levar o Evangelho.

No decurso da nossa vida, esta chamada, é inscrita nas fibras do nosso ser e portadora do segredo da felicidade, e nos alcança pela ação do Espírito Santo, de maneira sempre nova, ilumina a nossa inteligência, infunde vigor na vontade, enche-nos de admiração e faz arder o nosso coração, afirma o Papa.

Neste sentido, dá testemunho pessoal – “Assim aconteceu comigo em 21 de setembro de 1953, quando, a caminho da festa anual do estudante, senti o impulso de entrar na igreja e me confessar. Aquele dia mudou a minha vida, dando-lhe uma fisionomia que dura até hoje...”

Afirma que a vocação é uma “combinação entre a escolha divina e a liberdade humana”, uma relação dinâmica e estimulante que tem como interlocutores Deus e o coração humano.

Apresenta-nos a vocação de Santa Teresa do Menino Jesus - «Encontrei finalmente a minha vocação! A minha vocação é o amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja (…): no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor».

Toda vocação implica em missão, afirma o Papa – “Eu sou uma missão nesta terra”, e esta chamada inclui o envio.

A chamada divina ao amor é uma experiência que não se pode calar. «Ai de mim, se eu não evangelizar!»: exclamava São Paulo (1 Cor 9, 16). E a 1ª Carta de João começa assim: «O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida [feito carne] (…), isso vos anunciamos (…) para que a nossa alegria seja completa» (1, 1.3.4).

Há uma missão comum para todos os cristãos: “...testemunhar com alegria, em cada situação, por atitudes e palavras, aquilo que experimentamos estando com Jesus e na sua comunidade, que é a Igreja. E traduz-se em obras de misericórdia materiais e espirituais, num estilo de vida acolhedor e sereno, capaz de proximidade, compaixão e ternura, em contracorrente à cultura do descarte e da indiferença. Fazer-nos próximo como o bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37) permite-nos compreender o «núcleo» da vocação cristã: imitar Jesus Cristo que veio para servir e não para ser servido (cf. Mc 10, 45).”

Apresenta-nos um ícone evangélica para a missão que é a experiência dos dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32).

Podemos ver neles o que significa ter «corações ardentes e pés ao caminho».

Deste modo, uma vocação somente se revela plenamente com a sua própria verdade e riqueza, se vivida na relação com todas as outras – “Neste sentido, a Igreja é uma sinfonia vocacional, com todas as vocações unidas e distintas em harmonia e juntas «em saída» para irradiar no mundo a vida nova do Reino de Deus.”

Finalizando, exorta que as iniciativas de oração e animação pastoral ligadas a este Dia reforcem a sensibilidade vocacional nas nossas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas associações e nos movimentos eclesiais.

Suplica ao Espírito do Ressuscitado que nos faça sair da apatia e nos dê simpatia e empatia, para vivermos cada dia regenerados como filhos de Deus-Amor (cf. 1 Jo 4, 16) e sermos, por nossa vez, geradores no amor, com a capacidade de levar a vida a todos os lugares, especialmente onde há exclusão e exploração, indigência e morte; e deste modo serão alargados os espaços de amor e Deus reinará cada vez mais neste mundo. 

Conclui invocando a presença e proteção de Maria, e retoma a oração composta por São Paulo VI para o 1º Dia Mundial das Vocações (11 de abril de 1964):

“Ó Jesus, divino Pastor das almas, que chamastes os Apóstolos para fazer deles pescadores de homens, continuai a atrair para Vós almas ardentes e generosas de jovens, a fim de fazer deles vossos seguidores e vossos ministros; tornai-os participantes da vossa sede de redenção universal, (…) abri-lhes os horizontes do mundo inteiro, (…) para que, respondendo à vossa chamada, prolonguem aqui na terra a vossa missão, edifiquem o vosso Corpo místico, que é a Igreja, e sejam “sal da terra”, “luz do mundo” (Mt 5, 13)”.

 

PS: Se desejar, confira a mensagem na integra:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/20230430-messaggio-60-gm-vocazioni.html

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Não nos foi dado um espírito de timidez

                                                                   

Não nos foi dado um espírito de timidez

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 1,6-8.13-14), na qual o Apóstolo exorta Timóteo, e toda a comunidade a se manterem fiéis no discipulado, deixando de lado todo o medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários, não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza, enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e da preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança...

A presença amorosa de Deus, a sentimos pela ação do Espírito Santo, certos de que não nos foi dado “Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria”:

“Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante dos opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, que não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis” . (1)
Com a graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, reavivemos a chama do dom de Deus que nos foi concedida pela misericórdia divina, e não nos envergonhemos de dar testemunho de nosso Senhor e de todos os que por Ele foram chamados para a continuidade de Sua missão, como nos exortou o próprio Apóstolo Paulo (2Tm 1,8).

Renovemos, portanto, a alegria e o ardor na graça de sermos discípulos missionários do Senhor, fazendo a mais bela súplica: 

Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito e renovai as nossas forças. 

Enviai-nos, Senhor, Vosso Espírito, e tudo se renovará. Amém. Aleluia!

(1) Missal Cotidiano - Editora  Paulus - p. 856

Contemplo-Te...

                                                            

Contemplo-Te...

Contemplo-Te, Senhor, Unigênito do Pai,
Desde a concepção no ventre de Maria,
Quando ela deu aquele inesquecível sim,
Que mudou o rumo da história da humanidade.

Contemplo-Te não apenas revestido de carne,
Pois assumiste nossa condição: tiveste corpo verdadeiro,
Tornaste verdadeiramente homem e ao mesmo tempo
Sendo, eu creio com minha Igreja, verdadeiramente Deus.

Contemplo-Te assumindo nossa condição humana,
Fazendo-Se um de nós, exatamente como nós,
Exceto por não conhecer o pecado que gera morte,
Por isto vieste destruí-lo com Sua vida, morte e Ressurreição.

Contemplo Teu coração tão pleno de divinos sentimentos,
Sentimentos que também devemos ter, para imagem Sua ser.
Emoções tantas que sentiste, porque Te fizeste homem,
E emoções tantas que também assumimos, sentimos.

Contemplo-Te homem das paixões múltiplas
Pelos pobres, pequenos, sofredores, excluídos;
Paixão maior, imensurável e indizível, que revelaste
Por Palavras e obras, vida e entrega: de Deus o Reino.

Contemplo-Te homem de tantas ânsias e sonhos
De um mundo mais belo, mais fraterno e solidário,
Mais perto, muito mais do que perto do querido por Deus,
Que em incondicional fidelidade ao Pai com o Espírito realizou.

Contemplo-Te homem que suportaste tantas dores,
Incontáveis humilhações da maldade, ignorância humana.
Também enfrentaste o próprio medo, angústia e solidão,
Mas no Pai confiante, jamais infidelidade, abandono e decepção.

Contemplo-Te sempre envolvido nos planos e sonhos do Pai.
Contemplo-Te numa relação vitoriosa e eterna de Amor
Com o Pai e o Espírito, Rei Eterno e Universal glorioso,
Sobre o mundo e o coração da humanidade reinando!

Contemplo-Te tão apenas me amando e perdoando.
Contemplo-Te, Senhor, envolto na Oração, por Ti iluminado.
Sinto Tua presença, escuto Tuas Palavras, silencio,
Renovo minha fidelidade, vocação, graça e dom divino.

Contemplo-Te, ouço-Te, amo-Te.
Ouço-Te, contemplo-Te, amo-Te.
Amo-Te, por isto Te contemplo, Te ouço,
E Tua presença, carinho e ternura sinto.

Contemplo-Te, ó meu Amado Bom Pastor!

A madeira e o Madeiro

                                                                         

A madeira e o Madeiro

Com um dos Sermões do Diácono Santo Efrém (séc. IV),  contemplamos o admirável Amor de Deus por nós, testemunhado pela fidelidade de Seu Filho, na comunhão do Espírito.

“Nosso Senhor foi calcado pela morte, mas por Sua vez, esmagou-a como quem soca com os pés o pó da estrada. Sujeitou-Se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer.

Nosso Senhor saiu para o Calvário, carregando a Cruz, para satisfazer as exigências da morte; mas ao soltar um brado do alto da Cruz, fez sair os mortos dos sepulcros, vencendo a oposição da morte.

A divindade ocultou-se sob a humanidade e assim aproximou-se da morte, que matou, mas também foi morta. A morte matou a vida natural e, por sua vez, foi morta pela vida sobrenatural. A morte não poderia devorá-Lo se não tivesse um corpo, nem o inferno tragá-Lo se não tivesse carne.

Foi por isso que desceu ao seio de uma Virgem para tomar um corpo que O conduzisse à mansão dos mortos. Com o corpo que assumira, lá entrou para destruir suas riquezas e arruinar seus tesouros.

A morte foi ao encontro de Eva, a mãe de todos os viventes. Ela é como uma vinha cuja cerca foi aberta pela morte, por meio das próprias mãos de Eva, para que pudesse provar de seus frutos.

Então, Eva, mãe de todos os viventes, tornou-se fonte da morte para todos os viventes.

Floresceu, porém, Maria, a nova videira, em lugar de Eva, a antiga videira; nela habitou Cristo, a nova vida, a fim de que, ao aproximar-se a morte com sua habitual segurança para alimentar a fome devoradora, encontrasse ali escondida no seu fruto mortal, a Vida destruidora da morte.

Quando, pois, a morte engoliu sem temor o fruto mortal, Ele libertou a vida e com ela, multidões. O Admirável Filho do carpinteiro, que levou Sua Cruz até os abismos da morte que tudo devoravam, também levou o gênero humano para a morada da vida.

E uma vez que o gênero humano, por causa de uma árvore, tinha se precipitado no reino das sombras, sobre outra árvore passou para o reino da vida.

Na mesma árvore em que fora enxertado um fruto amargo, foi enxertado um fruto doce, para que reconheçamos o Senhor a quem criatura alguma pode resistir.

Glória a Vós, que lançastes a Cruz como uma ponte sobre a morte, para que através dela as almas possam passar da região da morte para a vida!

Glória a Vós, que assumistes um corpo de homem mortal, para transformá-Lo em fonte de vida para todos os mortais! Vós que viveis para sempre!

Aqueles que Vos mataram, trataram Vossa vida como os agricultores: enterraram-Na como o grão de trigo; mas Ela ressuscitou e, junto com Ela, fez ressurgir uma multidão de seres humanos.

Vinde, ofereçamos o grande e universal sacrifício do nosso amor. Entoemos com grande alegria cânticos e orações Àquele que Se ofereceu a Deus no sacrifício da Cruz, para nos enriquecer por meio dela com a abundância de Seus dons”.

Verdadeiramente a Cruz de Cristo é salvação para todo o gênero humano!

Contemplemos José e o Menino Jesus...
O jovem Jesus trabalhando ao seu lado. O Filho do carpinteiro aprendendo com Seu pai adotivo o manejar das ferramentas, o labor com a madeira. A primeira casa, a primeira barca, a primeira cadeira, a primeira mesa...

Martelos, pregos, madeira na mão, algo novo nascendo das mãos do Salvador que Se fez criança, homem, assumindo nossa corporeidade, humanidade.

Contemplemos o Menino Jesus na carpintaria, na oficina de José:
Pregos, madeira... Ali martelando, pregando,  a criação continuando.

Contemplemos Jesus, verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus, no Calvário, lá no alto da Cruz: Pregos, madeiro... Ali sendo crucificado e o mundo redimindo.

Contemplemos Jesus, Vivo e Ressuscitado, sentado à direita de Deus, a quem elevamos toda a honra, glória, poder e louvor.

Da contemplação ao compromisso de amor e fidelidade a Ele, o mesmo ontem, hoje e sempre. Amém. Aleluia! 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG