terça-feira, 21 de abril de 2026

Nosso desejo mais profundo: encontrar o Senhor

                                                               

Nosso desejo mais profundo: encontrar o Senhor
 
Deus é Mistério profundo que não cabe nas limitações de nossa mente e coração, como veremos na reflexão de Santo Anselmo (séc. XII).
 
“Que pode fazer, Altíssimo Senhor, que pode fazer este exilado longe de Vós? Que pode fazer este Vosso servo, sedento do Vosso amor, mas tão longe de Vossa presença? Aspira ver-Vos, mas Vossa Face se esconde inteiramente dele. Deseja aproximar-se de Vós, mas Vossa morada é inacessível. Aspira encontrar-Vos, mas não sabe onde estais.
 
Tenta procurar-Vos, mas desconhece a Vossa face. Senhor, Vós sois o meu Deus, o meu Senhor, e nunca Vos vi. Vós me criastes e me redimistes, destes-me todos os Vossos bens e ainda não Vos conheço. Fui criado para Vos ver e ainda não fiz aquilo para que fui criado.
 
E Vós, Senhor, até quando? Até quando, Senhor, nos esquecereis, até quando nos ocultareis a Vossa Face? Quando nos olhareis e nos ouvireis? Quando iluminareis os nossos olhos e nos mostrareis a Vossa Face? Quando voltareis a nós?
 
Olhai-nos Senhor, ouvi-nos, mostrai-Vos a nós. Dai-nos novamente a Vossa presença para sermos felizes, pois sem Vós somos tão infelizes! Tende piedade dos rudes esforços que fazemos para alcançar-Vos, nós que nada podemos sem Vós.
 
Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame” (1).
 
Entremos no íntimo de nossa alma, afastando-nos de tudo, exceto de Deus ou daquilo que nos ajude a procurá-Lo, suplicando ao Senhor Deus que ensine nosso coração para que saibamos onde e como procurá-Lo, onde e como encontrá-Lo.
 
Bebamos desta fonte genuína de espiritualidade, fazendo germinar o que de melhor possamos plantar em nossos corações vigilantes e orantes.
 
Incansavelmente procuramos por Deus, a mais bela procura, porque jamais nos cansa, e uma vez encontrado, ainda falta tudo por encontrá-Lo, como disse Santo Agostinho.
 
Procuremos no mais profundo de nós mesmos Aquele que veio, vem e virá, Aquele que nos felicitou e nos divinizou com Sua morada em nós.
 
Reflitamos:
 
- Por que procurarmos fora de nós Aquele que em nós habita?
- Por que nos distanciarmos d’Aquele que é mais íntimo de nós do que nós de nós mesmos?
 
Concluímos repetindo suas palavras, na incansável procura por Deus:
 
“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”.
 
(1) Liturgia das Horas - Vol. I – pág. 151-152
 
 
PS: Oportuno para o Tempo do Advento, quando nos preparamos para a Vinda d’Aquele que veio, vem e virá, e que tanto esperamos e incansavelmente procuramos, revigorando nossa espiritualidade para frutos saborosos do Natal produzirmos: amor, vida, sorriso, felicidade, justiça, paz...
 
Advento: tempo de dar sabor à vida e fazer germinar aquilo que de bom possamos plantar em corações vigilantes que se predispuseram ao arado indispensável, pelo jugo da Cruz, pois não há Natal sem o Mistério da Paixão, Morte, e Ressurreição do Senhor.
 
 


“SE...” Reflitamos sobre Deus, à luz do “SE”, conjunção condicional

                                                               


“SE...”

Reflitamos sobre Deus, à luz do “SE”, conjunção condicional

Com Deus, jamais pudemos, podemos ou poderemos usá-la. Deus, ao contrário, pode dirigir-Se a nós, usando-a quantas vezes quiser.

Jamais digamos a Deus:

“Se o Senhor me conceder tal graça... prometo que...”
“Se Deus não me atendeu, por que continuar a acreditar n’Ele?”
“Se Deus existe por que tanta fome, miséria, doença e injustiça?”

Aqui, poder-se-ia acrescentar inúmeras outras interrogações (nenhuma delas teria sentido).                                                                                      
Não temos de nos relacionar com Deus de forma condicional.
Não podemos amá-Lo sob condição, sob pretexto de algo alcançar.
Como disse São Bernardo: “Amo porque amo, amo para amar”.

Nenhuma atividade em relação a Deus devemos fazê-la sob condição.
Há de ser livre e madura expressão de amor...

De outro lado, Deus pode dizer:

“Se você for fiel a minha Palavra, terá alegria”.
“Se guardardes minha Palavra e minha Palavra permanecer em vós produzireis muitos frutos”.

“Se seguirem meus mandamentos serão um povo feliz”.
“Se prolongarem a Eucaristia em sua vida, se tornarem suas vidas eucaristizadas, vocês tornarão o mundo melhor”.

“Se vocês quiserem caminhar sem a minha presença, nada poderão fazer”.
“Se tiverem fé, poderão remover montanhas”.
“Se Deus não Se revela, não o poderemos encontrar...”.

O “SE” de Deus é infinitamente maior do que nossas eventuais interrogações.

Concluindo, importa amar a Deus sem nenhuma condição; sem nenhuma imposição. Amá-Lo por amor, somente. Amar para amar.

Finalizo citando Santo Anselmo (séc. XII):

“Senhor, ensinai-me a Vos procurar
 e mostrai-Vos quando Vos procuro; 
não posso procurar-Vos se não me ensinais
nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. 

                           Que desejando eu Vos procure, 
                             procurando Vos deseje, 
                              Amando Vos encontre, 
                              e encontrando Vos ame”.

Com o Apóstolo Paulo, preparemos o Natal do Senhor

                                                                   


Com o Apóstolo Paulo, preparemos o Natal do Senhor

Com a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 1, 1-7), refletimos sobre o verdadeiro encontro com Jesus, assim como aconteceu com o Apóstolo Paulo, culmina com o anúncio e testemunho d’Ele, de Sua Pessoa, Palavra e Projeto de Vida e Salvação.

Paulo se apresenta como o servo de Jesus Cristo (descendente de Davi), Apóstolo por chamamento e eleito para anunciar o Evangelho a todos os povos.

Nisto consiste sua missão, que levou até o fim, culminando com o martírio e derramamento de sangue, e com ele, aprendemos que a missão evangelizadora deve ser realizada com amor e espírito de serviço, com palavras e gestos concretos.

Seja para nós o Tempo do Advento, tempo favorável de conversão, para que a exemplo do Apóstolo, cada vez mais nos configuremos ao Senhor, que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro.

Com a súplica de Santo Anselmo, concluímos:

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.

Não deixe a chama do amor se apagar

                                                          

Não deixe a chama do amor se apagar 

Ouvir uma música possibilita transcender sua escuta com o mergulho no cotidiano, repensando a existência para torná-la mais bela. 

Retomo um trecho de uma das músicas interpretadas por Elton John e Leon Russel:“When Love Is Dying”: 

“... E ninguém lhe diz
Quando o amor está morrendo,
quando o amor está morrendo
Só fica um pouco mais frio
E paramos de tentar, paramos de tentar,
 
Sim, nós paramos de tentar
Oh quando o amor está morrendo
Há uma dor que você nunca pode explicar...” 

Reflito sobre tantos relacionamentos conjugais que estão morrendo; outros que há muito morreram e outros sobrevivem, em últimos suspiros. 

Também reflito sobre tantos outros relacionamentos que poderão sobreviver, se algo for feito. Mas o que pode ser feito?

Quantos relacionamentos ficaram frios, num cotidiano arrastado com lágrimas, sem esperança de retornar à chama do primeiro amor?

Quantas vezes a cruz, que o amor não dispensa, tornou-se quase que insuportável, por que não procede do amor a ser vivido e correspondido? 

“Quando o amor está morrendo” é como um grito nos convidando a também rever outros relacionamentos e não apenas o conjugal. 

Reflitamos sobre relacionamentos de amizade que, se não regados com carinho, atenção, apreço, correção fraterna, aos poucos, podem esfriar, desaparecendo como poeira ao vento ou gotas de orvalho matinais. 

Relacionamentos dentro da comunidade de fé também são vocacionados à maturidade da Comunhão Fraterna (At 2,42-45). Às vezes, a desatenção, a falta do carinho, da compreensão e da prática vital do perdão condenam a relacionamentos e comunidade “frias”, que não revelam a chama terna e candente do Amor de Deus. 

Se Comunidade do Espírito, somos por excelência a Comunidade do Seu Fogo; do Fogo do Amor, da alegria, da convivência, da comunhão celebrada. 

Repenso sobre a dor da frieza que o amor agonizante e desfalecido pode causar no coração de cada um de nós. 

“Há uma dor que você nunca não pode explicar”. E nem é preciso, antes deve-se evitar que a dor se multiplique. 

Redescubramos a beleza do Mandamento que Ele nos deixou: “amor a Deus e ao próximo”, e a ele procuremos corresponder para não morrermos gélida e miseravelmente. 

Antes que a dor venha, e ainda que não venha, amemos como Deus nos ama. 

Memorável página do Evangelho em que o coração dos Discípulos ardeu ao escutar a voz do Amado, e de quando seus olhos se abriram ao contemplá-Lo partindo o Pão. 

Naquela tarde, os Discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) nos ensinaram a procura do verdadeiro Amor, para que prolonguemos relacionamentos cristãos, maduros e sinceros que revelem a verdadeira presença de Deus. 

 Concluamos com as palavras do Bispo Santo Anselmo (séc XII): 

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos
quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais.
Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje,
amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 41 (42)

 


Sede de Deus, saudade do templo

 “–1  Ao maestro do coro. Poema. Dos filhos de Coré.

–2 Assim como a corça suspira
pelas águas correntes,
– suspira igualmente minh'alma
por vós, ó meu Deus!

–3 Minha alma tem sede de Deus,
e deseja o Deus vivo.
– Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?

–4 O meu pranto é o meu alimento
de dia e de noite,
– enquanto insistentes repetem:
'Onde está o teu Deus?'

–5 Recordo saudoso o tempo
em que ia com o povo.
– Peregrino e feliz caminhando
para a casa de Deus,
– entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.

–6 Por que te entristeces, minh'alma,
a gemer no meu peito?
– Espera em Deus! Louvarei novamente
o meu Deus Salvador!

–7 Minh'alma está agora abatida,
e então penso em vós,
– do Jordão e das terras do Hermon
e do monte Misar.

–8 Como o abismo atrai outro abismo,
ao fragor das cascatas,
– vossas ondas e vossas torrentes
sobre mim se lançaram.

–9 Que o Senhor me conceda de dia
sua graça benigna
– e de noite, cantando, eu bendigo
ao meu Deus, minha vida.

–10 Digo a Deus: 'Vós que sois meu amparo,
por que me esqueceis?
– Por que ando tão triste e abatido
pela opressão do inimigo?'

–11 Os meus ossos se quebram de dor,
ao insultar-me o inimigo;
– ao dizer cada dia de novo:
'Onde está o teu Deus?'

–12 Por que te entristeces, minh'alma,
a gemer no meu peito?
– Espera em Deus! Louvarei novamente
o meu Deus Salvador!”

Com o Salmo 41(42), o salmista expressa a sede de Deus que tem a sua alma, acompanhada da saudade do templo:

“Forçado a viver longe do Templo, onde era feliz na presença de Deus, um levita exprime seu ardente desejo e sua esperança segura de um dia voltar; enquanto isso, seu consolo é a recordação das belas liturgias.” (1)

Seja também nossa alma sedenta de Deus, que sacia nossa sede, como tão bem expressa a passagem do Livro do Apocalipse – “O Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem’! E quem ouve também diga: ‘Vem’! Quem tem sede, venha, e quem quiser, receba gratuitamente a água da vida.” (Ap 22,17).

Retomemos as palavras de Santo Anselmo, bispo (séc. XII)

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais  nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 761

 

Santo Estêvão, protomártir do Senhor, “sua arma era a caridade...”

                                                     

         Santo Estêvão, protomártir do Senhor, “sua arma era a caridade...”

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões de um dos  Sermões escrito pelo Bispo São Fulgêncio de Ruspe  (Séc. VI):

Ontem, celebrávamos o nascimento temporal de nosso Rei eterno; hoje celebramos o martírio triunfal do seu soldado.

Ontem o nosso Rei, revestido de nossa carne e saindo da morada de um seio virginal, dignou-Se visitar o mundo; hoje o soldado, deixando a tenda de seu corpo, parte vitorioso para o céu.

O nosso Rei, o Altíssimo, veio por nós na humildade, mas não pôde vir de mãos vazias. Trouxe para Seus soldados um grande dom, que não apenas os enriqueceu imensamente, mas deu-lhes uma força invencível no combate: trouxe o dom da caridade que leva os homens à comunhão com Deus.

Ao repartir tão liberalmente o que trouxera, nem por isso ficou mais pobre: enriquecendo do modo admirável a pobreza dos Seus fiéis, Ele conservou a plenitude dos Seus tesouros inesgotáveis.

Assim, a caridade que fez Cristo descer do céu à terra, elevou Estêvão da terra ao céu. A caridade de que o Rei dera o exemplo logo refulgiu no soldado.

Estêvão, para alcançar a coroa que seu nome significa, tinha por arma a caridade e com ela vencia em toda parte. Por amor a Deus não recuou perante a hostilidade dos judeus, por amor ao próximo intercedeu por aqueles que o apedrejavam. 

Por esta caridade, repreendia os que estavam no erro para que se emendassem, por caridade orava pelos que o apedrejavam para que não fossem punidos.

Fortificado pela caridade, venceu Saulo, enfurecido e cruel, e mereceu ter como companheiro no céu aquele que tivera como perseguidor na terra.  Sua santa e incansável caridade queria conquistar pela Oração, a quem não pudera converter pelas admoestações.

E agora Paulo se alegra com Estêvão, com Estêvão frui da glória de Cristo, com Estêvão exulta, com Estêvão reina. Aonde Estêvão chegou primeiro, martirizado pelas pedras de Paulo,  chegou depois Paulo, ajudado pelas Orações de Estevão.

É esta a verdadeira vida, meus irmãos, em que Paulo não se envergonha mais da morte de Estêvão, mas Estevão se alegra pela companhia de Paulo, porque em ambos triunfa a caridade. Em Estêvão, a caridade venceu a crueldade dos perseguidores, em Paulo, cobriu uma multidão de pecados; em ambos, a caridade mereceu a posse do Reino dos céus.

A caridade é a fonte e origem de todos os bens, é a mais poderosa defesa, o caminho que conduz ao céu.  Quem caminha na caridade não pode errar nem temer.  Ela dirige, protege, leva a bom termo.

Portanto, meus irmãos, já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns para com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição.”

Reflitamos sobre o martírio do diácono Santo Estêvão, a quem a Sagrada Escritura chama de "homem cheio de fé e do Espírito Santo". 

Os Santos Padres tecem grandes elogios a Santo Estêvão, pondo em relevo suas virtudes: pureza, zelo apostólico, firmeza e constância, grande amor ao próximo, verdadeiramente heroico, rezar pelos próprios assassinos. 

Chamado de protomártir por ter sido o primeiro a derramar seu sangue em testemunho da fé em Jesus Cristo. 

Seu nome em grego significa "coroa", e evoca a ideia de martírio, porque nos séculos a seguir a coroa foi símbolo do martírio. Sua paixão é de fundamental importância por não ter nada de fabuloso ou lendário. 

Sua Oração com certeza mereceu a conversão de São Paulo, pois, como disse Santo Agostinho, "Se Estêvão não tivesse rezado, a Igreja não teria o grande São Paulo!".

Somos convidados a aprender com os Santos e mártires, que deram corajoso testemunho da fé. Santo Estêvão é, por tudo que se disse, um exemplo para que cresçamos em maior fidelidade ao Senhor.

Talvez não tenhamos que viver semelhante martírio, mas cada um em sua própria história pode também desenvolver virtudes tão invejáveis e desejáveis.

Sejamos como Estêvão, homens e mulheres cheios de fé e do Espírito Santo no testemunho do Ressuscitado, em incondicional amor ao Pai.

Santo Estêvão, um exemplo para o nosso discipulado.

O mundo e a Igreja precisam de “Estêvãos”.

 

PS: No dia 26 de dezembro, proclama-se Atos dos Apóstolos (At 6,8-10;7,54-59), e na segunda-feira da terceira semana da Páscoa (At 6,8-15)

Vive e caminha conosco, quem tanto amamos

                                               


         Vive e caminha conosco, quem tanto amamos
 
Voltávamos, trocando passos lentos com a solidão,
Cabisbaixos, abraçados com a dor da decepção.
Em quem depositávamos toda a nossa esperança,
No corpo cravado na cruz, pelas dolorosas chagas,
com Ele, para sempre mortas, nada mais a esperar.
 
Restava-nos esperar dias e noites - eternas noites escuras,
Ainda que o sol nascesse, não mais luzes teríamos,
No caminho pedras, obstáculos, fragilidade eternizada,
Tampouco o brilho da lua tornaria encantada a noite,
Nem com o brilho de todas as estrelas multiplicadas.
 
Mas Alguém conosco se pôs a caminho,
Suportando a lentidão de nossa mente,
Para compreender a novidade da Ressurreição.
Suas divinas palavras, arderam em nosso coração,
Nossos olhos descerraram no partir do Pão.
 
Solícito, atendeu ao nosso insistente convite:
“Fica conosco, pois já é tarde e o dia está declinando’!”(1)
Súplica que ora também fazemos, confiantes,
Peregrinos da esperança para viver a graça da missão:
Amar, crer, e n’Ele sempre esperar.
 
Amar, como distintivo de discípulos Seus em todo tempo.
Amar como Ele ama: amor de cruz, que ama até o fim,
Até a última gota de sangue, com gestos de  serviço e doação.
Compromissos batismais com a Boa Nova do Reino,
Como Igreja, juntos caminhando, sempre a caminho. 
 
Crer n’Ele, o Caminho, Verdade e Vida, (2)
Crer n’Ele, o Caminho que nos leva ao Pai;
Crer n’Ele, a Verdade que ilumina os povos;
Crer n’Ele, a Vida que renova o mundo.
Ele, princípio e fim de nossa vida: Alfa e Ômega. (3)
 
Esperar n’Ele e com Ele, com plena confiança,
Porque o amor de Deus foi derramado, pelo Espírito,
Em nossos corações, e a esperança não decepciona.
Memoráveis palavras do Apóstolo ressoem (4)
Para sempre ao longo do árduo caminho. Amém.
 
  
(1)             Lc 24,29
(2)             Jo 14,6
(3)             Ap 22,13
(4)             
Rm 5,5

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG