segunda-feira, 6 de abril de 2026

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Vivendo o Tempo Pascal, sejamos cada vez mais fortalecidos pela Palavra, que é fonte divina de nossa conversão, como discípulos missionários do Senhor, e assim, sejamos iluminados pela “Verbum Domini”, do Papa Bento XVI (2010). 

É pecado de omissão se todos nós, sem exceção, não nos colocarmos diante do apelo da conversão que a Palavra de Deus faz, pois ela é imperativo para todos, ordenados ou não. 

Nosso anúncio, sobretudo como presbíteros, seria sem ressonância alguma se antes não nos puséssemos, à escuta atenta do que o Senhor nos diz, sem ignorar as Escrituras, pois ignoraríamos o próprio Cristo, como bem disse São Jerônimo e São João Paulo II - “A Palavra de Deus é indispensável para formar o coração de um bom pastor, Ministro da Palavra” – VD 78. 

Quanto aos fiéis cristãos leigos e leigas, afirma “Compete, sobretudo, aos fiéis leigos formados na escola do Evangelho intervir diretamente na ação social e política. Por isso o Sínodo recomenda uma adequada educação segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja” – VD 100. 

Urge que entendamos a conversão, não como um ponto de chegada em si, mas como um caminho permanente a ser percorrido. 

Assim como pedimos o pão de cada dia na oração que o Senhor nos ensinou, podemos intuir que a graça da conversão também é suplicada cotidianamente, para que melhor correspondamos à vontade de Deus. 

Para que possamos avançar neste santo e inadiável propósito, assim nos diz o Papa, que somente quem se coloca primeiro à escuta da Palavra é que pode depois tornar-se seu anunciador, e não se trata de qual quer anúncio, como ele mesmo nos diz: 

“Não se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama à conversão, que torna acessível o encontro com Ele, através do qual floresce a humanidade nova” – VD 93. 

Com isto, torna-se o aprofundamento de nossa familiaridade com a Palavra de Deus “ ... O nosso relacionamento pessoal e comunitário com Deus depende do incremento da nossa familiaridade com a Palavra de Deus” – VD 124. 

Deste modo, a Igreja será incansável neste anúncio -  “A Igreja, segura da fidelidade do seu Senhor, não se cansa de anunciar a boa nova do Evangelho e convida todos os cristãos a redescobrirem o fascínio de seguir Cristo.” – VD 96. 

Imprescindível se faz a participação na Eucaristia, pois  “A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério Eucarístico” – VD 55. 

Apresenta-nos Maria, como modelo de escuta crente da Palavra Divina que muito pode nos ajudar na conversão e vivência da Palavra Divina: "No nosso tempo, é preciso que os fiéis sejam ajudados a descobrir melhor a ligação entre Maria de Nazaré e a escuta crente da Palavra Divina" – VD 27. 

Tenhamos a Palavra de Deus como centro de nossa espiritualidade, pois ela é fonte da Evangelização, nseparavelmente da Eucaristia que celebramos. 

Jamais nos acomodemos no Seu conhecimento, acolhimento e vivência. Palavra de Deus não apenas para ser conhecida, mas acolhida, encarnada e vivida, como sementes que se plantam para florescer já no tempo presente, reconstruindo o Paraíso, não como estéril saudosismo, mas como compromissos intransferíveis. 

Vivamo-La, dando razão de nossa esperança ao mundo; artífices da caridade porque crentes na força e eficácia da Palavra (Hb 4,12). 

Que a conversão seja para nós o eterno começo na abertura e acolhida da Palavra, tendo como anseio mais profunda a glória da eternidade. 

Por ora, como peregrinos longe do Senhor e com Ele mais perto de nós, do que nós a nós mesmos caminhemos sem hesitação para meta: “Convertei-vos e crede no Evangelho...”, e ainda: “Convertei-vos porque o Reino de Deus está perto...”. 

Caminhemos com Ele, vivo e glorioso em nosso meio: “...Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não está aqui; ressuscitou...” (Lc 24,5-6).  Aleluia! 

 

E agora me digam... João, Pedro e Maria

                                                             


E agora me digam... João, Pedro e Maria


Sob uma árvore, sol escaldante, cansaço me consumiu forças do caminho.

Uma parada para refletir sobre o Mistério da fé na Ressurreição do Senhor.

Hipotético diálogo com Maria Madalena, Pedro e o discípulo Amado, João.

Maria Madalena, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

- “Meus sonhos teriam sido com Ele enterrados. Para sempre lembraria de Suas palavras que me deram razão para novo viver. Não teria muito a fazer.

Apenas memória de alguém que teria passado e para sempre ficado em minha vida.

Mas não, Ele Ressuscitou, eu creio, vive para sempre quem tanto amei, e não posso d’Ele deixar de falar, como assim o fiz ao correr ao encontro dos discípulos (cf. Jo 20,1-21).

Senti que era apenas o começo de minha missão, em resposta d’Aquele que ocupou o mais profundo das entranhas de meu coração, com Seu olhar de ternura, acolhida e Palavra que nos liberta de todos os espíritos (tinha sete - totalidade).

Quem mais poder tem que o meu Senhor? Amém. Aleluia!”

João, você, o discípulo amado, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

“Ficariam as lembranças dos sinais que vi com meus olhos. Recordaria aquele momento memorável quando reclinei em Seu peito, em expressão de afeto e sincera amizade.

Lembraria também do Tabor, como momento memorável, mas uma página apenas para ser lembrada. (Mt 17,1-9).

Reviveria a tragicidade daquele momento aos pés da cruz com Sua Mãe, quando a me confiou como Mãe (cf. Jo 19,25-34).

Faria como me pediu, mas sem a compreensão de Suas Palavras e de Seu cuidado com o rebanho, que não pereceria sem pastores, tão pouco, sem uma Mãe, Maria, com quem pude compartilhar alguns memoráveis momentos.

Mas não! Ele Ressuscitou! Não pude guardar contido e escondido todo amor que por Ele senti, pois ninguém ama como Ele ama, e é este amor que haveremos de viver e testemunhar, pois tão somente quem ama conhece a Deus, e viverá na Verdade e na Luz, que é Ele próprio. Amém. Aleluia!”

Pedro, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

“Irreversivelmente condenado ao peso da consciência culposa de tê-Lo, por três vezes o negado, ainda que o conhecesse, e com Ele vivesse.

Teria sem Ele outras vezes, insucessos de pescas frustradas com redes vazias.

Não creria mais em minhas confissões de fidelidade e perseverança, de modo que nem em meus projetos poderia dar crédito.

Teria o sentimento de renegação, impossível de ser curado, permanecendo para sempre não somente as cicatrizes da negação, mas a vergonha e mediocridade criado raízes para sempre, irreversivelmente vivas, em meu coração.

Mas não. Ele Ressuscitou. Minhas chagas de traição, pelas Chagas Gloriosas, foram curadas.

Ele me deu a possibilidade de viver a compunção de meu pecado, e as lágrimas vertidas na face, também puderam lavar as máculas que teimavam permanecer para sempre em minha alma.

Como houvera feito tríplice negação, antes de o galo cantar, como Ele dissera, tive a graça de declarar, da mesma forma, de modo tríplice, por Ele, meu amor - “Senhor, Tu sabes tudo. Tu sabes que Te amo” (cf. Jo 21, 15-19)

E agora, “pescador de homens” que me fez, cumpro a missão por Ele a mim confiada. As chaves em minhas mãos, peregrinando na esperança de que possa corresponder ao que Ele espera de mim, com a presença do Espírito Santo, a nós comunicado. Amém. 

Centralizemos nossa fé em Cristo Ressuscitado

 


Centralizemos nossa fé em Cristo Ressuscitado
 
Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 5,12-15), o Apóstolo Paulo nos convida a refletir sobre a nossa condição humana. 

Em nossa vida, temos que decidir: viver no egoísmo e autossuficiência que gera a morte ou pôr-se, decidida e corajosamente, numa caminhada de fidelidade ao Projeto de Deus que gera vida nova.
 
Como discípulos missionários, cremos que a Salvação vem pela fé em Jesus Cristo e se destina a todos, indistintamente.
 
Porém, somente a fidelidade a Jesus é garantia de vida nova e plena; um dom, uma doação por amor à causa do Reino de Deus.
 
Urge, portanto, centralizar e enraizar a nossa fé em Cristo Ressuscitado, e em Sua Palavra, nutridos pelo Pão da Eucaristia, Pão da imortalidade, partícipes da Igreja, em comunhão com os irmãos e irmãs, empenhados na missão evangelizadora.
 

Pães ázimos de pureza e verdade

                                                                 

Pães ázimos de pureza e verdade
 
“Assim, celebremos a Festa, não com velho fermento,
nem com fermento da maldade ou da perversidade,
mas com os pães ázimos de pureza e verdade”
(1 Cor 5,8)
 
Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 5,1-8), que rezamos nas Laudes:
 
- “Purificai-nos, Senhor, de todo fermento de malícia e perversidade, para vivermos a Páscoa de Cristo com os pães ázimos da sinceridade e da verdade;
 
- Ajudai-nos a vencer neste dia o pecado da discórdia e da inveja, e tornai-nos mais atentos às necessidades de nossos irmãos e irmãs”.
 
Para aprofundamento sejamos enriquecidos pelo Sermão do Papa São Leão Magno (séc. V):
 
Caríssimos filhos, a natureza humana foi assumida tão intimamente pelo Filho de Deus, que o único e mesmo Cristo está não apenas neste Homem, primogênito de toda a criatura, mas também em todos os Seus santos [...]
 
É Ele (Jesus) que une à Sua Paixão não apenas a gloriosa fortaleza dos mártires, mas também a fé de todos aqueles que renasceram nas Águas Batismais.
 
É nisto que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor.
 
A nossa participação no Corpo e no Sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos n’Aquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados n’Ele, que O tenhamos sempre em nós tanto no espírito como no corpo”.
 
Malícia, perversidade, discórdia, inveja, e tantas outras formas de pecado, mancham nossa veste batismal, e ninguém pode dizer que não está livre, tanto que elevamos a Deus súplicas, para que Ele nos ajude a vencer tais tentações. Também suplicamos a Sua Misericórdia para nossa necessária purificação.
 
Sinceridade, verdade, solicitude para com os irmãos e irmãs, são mais do que desejáveis para nós que temos uma fé Pascal.
 
Rezar com a Igreja nos enriquece cotidianamente, e em cada Eucaristia ser nutrido pelo pão ázimo do amor e da verdade, porque isenta de todo fermento de maldade, que impossibilitaria que, n’Ele inserido, nova criatura fôssemos.
 
Somos fortalecidos ao receber a Eucaristia, pois somos nutridos com o mais belo Pão, que foi fermentado sim, mas com o mais puro Amor, no Sangue, copiosamente, na Cruz derramado.
 
Bem como, somos inebriados quando do Cálice participamos e bebemos da mais pura e necessária Bebida.
 
Comungando do Pão Consagrado, bebendo do Vinho consagrado, Corpo e Sangue do Senhor, n'Ele somos transformados e no mundo cada gesto de amor, partilha, perdão, compreensão, solidariedade, Sua ação e presença, testemunhadas.
 
É preciso sempre gerar e formar Cristo em nós, para gerá-Lo e formá-Lo no coração do outro. 
 
Cada Eucaristia é e será sempre um novo e eterno acontecimento, sem nenhum mérito de nossa parte, mas pura expressão do Amor Divino.
 
Ontem, hoje e sempre, a Deus, honra, glória, poder e louvor, acompanhado do mais sincero e autêntico agradecimento. Amém. 
 

Em poucas palavras...

                                         


Envolvidos pelo amor divino

“O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3).” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 220

Em poucas palavras...

                                              


Escravos, mercenários ou filhos

 

“Nós, ou nos desviamos do mal por temor do castigo e estamos na atitude do escravo, ou vivemos à espera da recompensa e parecemo-nos com os mercenários; ou, finalmente, é pelo bem em si e por amor d’Aquele que manda, que obedecemos […], e então estamos na atitude própria dos filhos”

 

(1)São Basílio – cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1828

 

É Páscoa! Vida nova se inaugura!

                                                                 

É Páscoa!
Vida nova se inaugura!

Algo novo em nosso coração reluz, alegria abundante jorra, nossos olhos voltam a brilhar… O Sol Divino veio ao nosso encontro abraçando-nos, acolhendo-nos, enviando-nos...

O Senhor veio plantar no coração de pessoas de boa vontade a confiança e a esperança, que concretizadas em ações de caridade autêntica assegurarão o novo que Deus tem para nós.

O Senhor, de fato, faz novas todas as coisas, sobretudo no coração daquele que crê e ama. Os sinos soam em vibração contagiante e os suores da luta se multiplicam, porque não há, quando por amor, esforços que sejam insignificantes.

Que o Suor de Sangue do Amado não tenha sido em vão. Derramemos o nosso, se preciso for, por um mundo novo, alegre, cheio de vida, paz, justiça, fraternidade e amor. O Sol Divino irrompeu na madrugada, iluminou nossa existência, revigorou nossos passos, refez nossos sonhos e os sagrados compromissos que brotam da fé.

É Páscoa!
Chegou o tão esperado amanhecer!
O Sol Divino, Jesus, está mais do que vivo no meio de nós.
O Senhor Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

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