domingo, 4 de janeiro de 2026

Epifania: Contemplemos o Senhor, Luz das Nações! (Epifania)

                                   


Epifania:
Contemplemos o Senhor, Luz das Nações!

Cristo: Salvador de todos os povos,
Luz das nações! Vós sois digno de ser
Adorado, manifestado, justificado,
Contemplado, proclamado, acreditado e exaltado!

Sete palavras que expressam a totalidade!
Contemplemos o que nos diz a Igreja,
que com os enriqueceu na oração,
Vós que sois do mundo a esperada Salvação.

Pelos magos do oriente fostes adorado,
Com ouro, incenso e mirra presenteado,
Porque sois Rei, Deus e Homem,
Acima de Vós não há outro nome!

Na carne, fragilmente ao mundo, manifestado,
No Espírito divinamente fostes justificado,
Para que de todo erro fôssemos libertados,
Das trevas da escuridão, redimidos e iluminados!

Vós, divina Luz, que fostes contemplado pelos anjos,
Concedei-nos já experimentar aqui na terra
As delícias do céu, onde à direita do Pai estais,
Transformai as tristezas da terra em alegrias celestiais!

Vós, que fostes proclamado Luz das nações,
A Vós pedimos: reinai em nossos corações!
Acreditando em Vossa humanidade-divindade
Nossa fé renovada se revigore em credibilidade!

Vós que fostes exaltado na glória do Pai,
Acendei em nós o desejo de Vosso Reino de:
Amor, verdade, justiça e liberdade,
Vida digna e plena, desabrochando na eternidade!



PS: Inspirado na Oração da Manhã – Lit. Horas – Vol. I – p.511 /512.

O que temos para oferecer ao Deus Menino Salvador? (Epifania)

                                                          


O que temos para oferecer ao Deus Menino Salvador?

Epifania é a Festa da Manifestação do Senhor como Salvador de todos os povos. No rosto d’Aquela frágil Criança, paradoxalmente, revela-se a imensidão do Amor de Deus, que tão pequenino parece mendigar nossa ternura, acolhida, convidando a que ofereçamos a nós próprios. Não mais ouro, incenso e mirra (realeza, divindade e humanidade, respectivamente). Deus quer tão apenas ser acolhido no mais profundo de nós.

A Festa da Epifania do Senhor é a celebração da manifestação ao mundo do Amor misericordioso de Deus, que no tempo favorável nos enviou o Divino Salvador (Tito 3,4-7). 

Desde o ventre de Maria, encontraram-se a imensidão de Deus, a fragilidade e pequeneza da criatura humana: Jesus verdadeiramente Deus, verdadeiramente Homem; as naturezas humana e divina no Verbo Se encontraram e a nossa humanidade foi elevada, nos fazendo eternos.

Aquela Criança, desde sempre quis comunicar Sua Luz para que jamais caminhemos nas trevas do erro, do pecado, das adversidades devoradoras, das mentiras que nos roubam a beleza da vida, nossa alegria e dignidade.

Ele não somente é o Caminho, mas veio iluminar nossos caminhos cotidianos. Ele não somente é a Verdade, mas no-la comunica, revelando-Se a Si mesmo e à vontade do Pai. Ele não somente é A Vida, mas no-la oferece para que Vida Plena tenhamos:

“É noite, está escuro, o céu é imenso, mas já não é um vazio que angustia, brilha uma estrela que indica um caminho, uma meta misteriosa, mas certa. Esta estrela não está fora nem acima de nós.

Não está no firmamento cósmico, mas no nosso coração: é lá que, perscrutando na nossa noite, devemos descobri-la (Dt 30,14). Há pelo menos um momento na vida de cada um em que lhe é dado fazer a experiência dessa luz interior. Nesta hora solene e secreta é que se vive intimamente a festa da Epifania.

Reconhece-se que, misteriosamente, o Senhor nos guia ao encontro com Ele. Então, invadidos por uma alegria enorme, sentimos a urgência de viver, não já para nós mesmos, mas de nos oferecermos a Deus, inteiramente.

Quase sem darmos conta, também nós nos tornamos luz, estrela, sinal para quem ainda deve chegar à gruta de Belém. Com efeito, seguindo a luz de Cristo e deixando-nos inundar pela sua alegria, tornamo-nos luz, segundo a Palavra do Evangelho (Mt 5,14)”. (1)

Reflitamos: 

- O que faremos para que a nossa vida seja conduzida, guiada e iluminada pela Luz Divina, que nos vem da Palavra lida, ouvida, meditada, contemplada, vivida?

- Procuraremos comunicar luz para quem precisa, nas situações obscuras que possam se encontrar?

- Quais são os presentes que o Menino Salvador dos Povos, de todas as nações, espera de cada um de nós?

- Voltaremos para Herodes ou buscaremos novos caminhos para que o Reino de Deus se faça mais presente em nosso meio?

- Quais os frutos que acompanham nossa Adoração do Senhor?

Silenciemo-nos diante do Deus Menino! Abramos nosso coração, nossas mãos, e vejamos quais presentes temos para Lhe oferecer.



(1) Lecionário Comentado - Volume Advento/Natal - Editora Paulus - Lisboa - pág.336 

Solenidade da Epifania: contemplemos a Luz e Salvador de todos os Povos (Epifania)

 


Solenidade da Epifania: contemplemos a Luz e Salvador de todos os Povos
 
“Quando entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante d’Ele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11)
 
Epifania é a Festa da Manifestação do Senhor como Salvador de todos os povos. No rosto d’Aquela frágil Criança, revela-se o imenso Amor de Deus, que tão pequenino parece mendigar nossa ternura, acolhida, convidando a que ofereçamos a nós próprios.
 
Não mais ouro, incenso e mirra (realeza, divindade e humanidade, respectivamente), Deus quer tão apenas ser acolhido no mais profundo de nós.
 
Oremos:
 
Senhor Deus, por meio de Jesus Cristo, que Se manifestou em nossa carne mortal, Vós nos recriastes na luz eterna de Sua divindade.
 
Vós que revelastes o Vosso filho Unigênito aos gentios, guiados por uma estrela, concedei-nos contemplar, face a face, a Vossa glória.
 
Ensinai-nos, a exemplo dos santos Magos que, guiados pela estrela, encontraram o Menino no presépio de Belém, também encontrarmos a presença de Deus em cada pessoa que criastes como imagem e semelhança Vossa, e no fim de nossa peregrinação sobre a terra, encontrarmos, com alegria, a Cristo, Luz de Deus, a Divina e perene fonte de alegria, luz e paz.
 
Conduzi-nos,  em contínua conversão, e sejamos iluminados pela luz divina e admirável em nossos caminhos, por vezes, tão obscuros, a fim de que vivamos com amor e fidelidade a missão de testemunhar a Luz do Senhor à tantos que precisarem.
 
Olhai com bondade para os dons da Vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que, por estes dons do Pão e Vinho, é manifestado, imolado e oferecido em Alimento, Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor Nosso, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.
 
 

Nossos presentes para o Menino Deus (Epifania)

                                                    

Nossos presentes para o Menino Deus

Reflitamos e contemplemos a visita dos Magos do oriente, que vieram para adorar o Menino Jesus, e a Ele oferecer seus presentes.

Vejamos o que nos disse o Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), em um de seus Sermões sobre estes presentes:

“...Hoje os Magos que O procuravam resplandecente nas estrelas, O encontram num berço. Hoje os Magos veem claramente, envolvido em panos, Aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.

Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, Aquele que o universo não pode conter.

Vendo-O, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes: incenso a Deus, ouro ao Rei e mirra ao que haveria  de morrer”.

Assim nos falou o Papa Francisco: “Se fomos ter com o Senhor de mãos vazias, hoje podemos remediar. Com efeito, o Evangelho contém por assim dizer uma pequena lista de prendas: ouro, incenso e mirra.

ouro, considerado o elemento mais precioso, lembra-nos que, a Deus, deve ser dado o primeiro lugar. Deve ser adorado. Mas, para isso, é preciso privar-se a si mesmo do primeiro lugar e considerar-se necessitado, não autossuficiente.

E aqui entra o incenso, que simboliza o relacionamento com o Senhor, a oração, que se eleva para Deus como perfume (cf. Sl 141, 2). Ora, como o incenso para exalar o seu perfume se deve queimar, assim também para a oração é preciso «queimar» um pouco de tempo, gastá-lo para o Senhor. Mas fazê-lo de verdade, e não só em palavras.

A propósito de fatos, entra a mirra, unguento que seria utilizado ao envolver amorosamente o corpo de Jesus descido da cruz (cf. Jo 19, 39). Agrada ao Senhor que cuidemos dos corpos provados pelo sofrimento, da sua carne mais frágil, de quem ficou para trás, de quem só pode receber não tendo nada de material para retribuir. É preciosa aos olhos de Deus a misericórdia com quem não tem para restituir, a gratuidade. É preciosa aos olhos de Deus a gratuidade.

Neste tempo de Natal que está a terminar, não percamos a ocasião para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, não nos cenários faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Belém. Se o fizermos, resplandecerá sobre nós a sua luz” (1).

Como vemos, os magos do Oriente dão ao Menino Deus o que têm de melhor. Reconhecem na Criança a realeza (Ouro), Ele é o grande Rei; a divindade (Incenso), porque Ele é o sumo Deus; a humanidade (Mirra), pré-anunciando a sepultura.

Jesus é divindade visibilizada na fragilidade de Sua humanidade e é Rei e Senhor de todas as nações.

Reconheçamos n’Aquela Criança, a realeza, a divindade e a humanidade, fazendo prolongar a grande Festa da Epifania.

Seja para nós, Jesus, a verdadeira e imprescindível riqueza (ouro), único mediador (incenso) e Aquele que garante que exalemos o mais belo Perfume de Amor (mirra).

Se assim o for, mais que ouro, ofereçamos a Ele o melhor que temos, em nossas famílias, comunidade e sociedade.  Juntamente com os incensos nas Solenes Liturgias e orações, ofereçamos santos desejos que sobem aos céus, acompanhados de sagrados compromissos, para que se tornem uma realidade; e quanto à mirra, seja as unções tantas que possamos multiplicar, curando feridas, perseverando e salvaguardando a dignidade e sacralidade da vida, desde sua concepção ao seu declínio natural.

Iniciemos mais um ano guiados por Jesus, Deus presente naquela pequena criança. Ele que é e será sempre a Luz a nos guiar.

Como os Magos, ofereçamos nossos presentes a Jesus, o que de melhor possuímos, pois quem ama dá o melhor de si em tudo e em favor de todos. Amém.



(1) Trecho extraído da Homilia do Papa Francisco (06/01/ 2019).

O Sol Nascente veio nos visitar (Epifania)

                                                           


O Sol Nascente veio nos visitar

Com a Liturgia do Natal, celebramos o Nascimento do Salvador que, naquela frágil Criança, é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; o Filho de Deus feito Carne. E com a Liturgia da Solenidade da Epifania do Senhor, celebramos este Mistério da Encarnação, mas como manifestação do Salvador de todos os povos, Luz de todas as nações.

O Povo de Deus e o mundo inteiro precisam se alegrar e acolher Aquele que fora esperado e anunciado pelos Profetas: a esperança que foi nutrida por muitos anos e, por vezes, com laivos de impaciência da parte do povo, se tornou realizada.

Esta mancha de impaciência somada à infidelidade, abandono, desânimo, distanciamentos, muitas vezes presentes na História do Povo de Deus, não foram suficientes para que Deus deste desistisse, pois é próprio do Amor de Deus não desistir de quem ama, pois também é próprio do amor criar o bem no coração do amado, como expressou Santo Tomás de Aquino.

O Povo de Deus, consciente da eleição divina, compreendeu progressivamente que o Amor de Deus não é excludente, mas deve ser estendido a todos os povos:

“Haveria de chegar um dia em que todas as nações da terra acorreriam a Jerusalém, a cidade-farol, onde se congregariam, com alegria, todos os filhos dispersos. Então, prestar-se-ia uma homenagem unânime ao Senhor do Universo, cujo esplendor iluminaria a cidade e todos cantariam:

‘E de Sião dir-se-á: Todos os homens lá nasceram’ (Sl 87)... Essa Jerusalém para onde caminham homens de todas as raças, línguas, povos e nações, para os quais o Todo-poderoso enviou o Seu Filho, não é uma cidade desta terra: descerá do Céu enviada por Deus, trazendo a glória de Deus (Ap 21,10-12).” (1)

Neste contexto, os magos do Oriente, lugar do sol nascente, vieram adorar o Sol Nascente que não conhece ocaso − “O Sol Nascente que nos veio visitar” (Lc 1,78) −, guiados pela estrela que iluminava os caminhos; no entanto, tendo encontrado a Luz Divina não mais precisaram da estrela e voltaram por outro caminho, para que Herodes, com a maldade e medo que cegava o coração, não eliminasse a Luz que acabara de nascer:

“Depois de terem encontrado o Salvador, no final de uma grande viagem, desviaram-se por outro caminho, guiados agora, não por uma estrela, mas pelo reflexo da Luz nascida da Luz, que tinha brilhado diante dos seus olhos e que agora iluminava o mundo inteiro.” (2)

Toda Eucaristia que celebramos, bem como todos os Sacramentos, é uma Epifania, uma manifestação da presença e bondade do Senhor. Ele Se faz presente sob a forma de humildes sinais (pão, vinho, água, óleo, sal, gestos simples e palavras).

Ao participarmos da Celebração Eucarística e recebermos a Bênção Divina, somos enviados em missão, “Glorificai a Deus com a vossa vida. Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe”.

Deste modo, o que os magos vivenciaram deve acontecer em nosso coração: exultação de alegria, adoração, acompanhada da conversão, da busca de novos caminhos para manifestar ao mundo que encontramos Alguém que mudou e muda sempre a nossa vida, desde que o procuremos de coração sincero e permitamos que Ele nos encontre e nos transforme com a Sua Divina Graça e Luz. Pois, tão somente assim seremos uma “Igreja em saída”, verdadeiramente missionária, vivendo o que constitui a sua essência.

Que a Luz da Luz nos acompanhe todos os dias, de modo especial, quando o sol nos agracia com novos amanheceres, para que sejamos sinal do Sol Nascente que veio iluminar a escuridão da humanidade para sempre.



(1)  Missal Quotidiano Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa - p.218
(2) Idem 

Em poucas palavras... (Epifania)

                                                             


 

Contemplemos e fixemos nosso olhar de fé em Jesus

“A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. «Eu olho para Ele e Ele olha para mim» – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d'Ars em oração diante do sacrário.  Esta atenção a Ele é renúncia ao «eu». O seu olhar purifica o coração.

 A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua verdade e da sua compaixão para com todos os homens. 

A contemplação dirige também o seu olhar para os Mistérios da vida de Cristo. E assim aprende «o conhecimento íntimo do Senhor» para mais O amar e seguir (Santo Inácio de Loyola).” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2715

Peregrinando na esperança, glorifiquemos a Deus (Epifania do Senhor)

                                           


Peregrinando na esperança, glorifiquemos a Deus

Com toda a Igreja, glorifiquemos a Deus que sempre fez e fará por nós maravilhas, e nos consolou e agraciou com o nascimento de Cristo, nosso Salvador.

Com a Virgem Maria, Mãe de Deus, nossa alma Vos engrandece e vos glorifica nas alturas.

Com os anjos, patriarcas e profetas, glorificamos e louvamos a Deus nas alturas.

Com os apóstolos e evangelistas, nós vos damos graças e vos damos glória, ó Deus, nas alturas.

Com todos os santos e santas que foram, na terra, testemunhas da Igreja, nós vos consagramos, Senhor, toda a nossa vida e vos damos glória nas alturas.

Com todos os santos mártires de Cristo, nós vos oferecemos, Senhor, os nossos corpos como sacrifício de louvor e Vos damos glória nas alturas.

Com todos eles e elas, como Igreja militante, peregrinemos na esperança, contando com a Igreja triunfante, e elevando orações por toda a Igreja padecente. Amém.

 

Fonte: Preces das Laudes da quinta-feira pós Epifania do Senhor

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