domingo, 15 de junho de 2025

Oremos pelo nosso País

  Oremos pelo nosso País 

 “A verdadeira paz começa no seu coração”

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, para que dê a paz ao Brasil e ao mundo inteiro. “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”. (Papa Francisco)

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país.

Pai misericordioso, nós Vos pedimos pelo Brasil!
Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no Vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos!

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós Vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!
Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!



PS: Oportuno retomarmos a Oração enviada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), para a Missa de Corpus Christi (15/06/2017) na realização da Jornada de Oração pelo País.

Santíssima Trindade: uma comunhão plena de amor (Santíssima Trindade)

                                            

Santíssima Trindade: uma comunhão plena de amor

Reflitamos sobre o inesgotável Mistério da Santíssima Trindade:

“A Trindade não é um postulado teórico da doutrina cristã, mas sim a revelação do amor do Pai, por meio do Filho, comunicado interiormente pelo Espírito Santo” (1)

Mais que compreender o Mistério, que ultrapassa as possibilidades limitadas do conhecimento, mergulhar neste mar imenso e profundo de amor:

“A contemplação do Mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto realidade do amor que se comunica, torna-se fonte e modelo de uma comunidade humana fundada em relações de acolhimento e permuta recíprocas” (2).

Como discípulos missionários, nossa espiritualidade é essencialmente Trinitária, de modo que a nossa fidelidade ao Plano de amor do Pai, somente alcançamos quando vivemos também a fidelidade ao que nos apresentou o Filho ao anunciar a Boa-Nova do Reino, assim como na fidelidade ao que nos diz o Espírito, o Esplendor da Verdade, que nos ensina e nos revela todas as coisas, para que melhor correspondamos aos desígnios divinos.

Oportunas as palavras atribuídas a  Santo Agostinho: “na Cruz se revela o encontro dos três amores: Deus Pai, o eterno Amante; Deus Filho, o eterno Amado; Deus Espírito, o eterno Amor”.

Oremos:

“Pai fiel e misericordioso,
Que nos revelastes o Mistério da Vossa vida,
Dando-nos o Filho Unigênito e o Espírito de amor,
Amparai a nossa fé e inspirai-nos sentimentos de paz e esperança,
Para que, reunidos na comunhão da Vossa Igreja,
Bendigamos o Vosso Nome glorioso e santo. Amém! (3)



(1) (2) (3) Lecionário Comentado Tempo Comum – Vol. I – Ed. Paulus – Lisboa – Portugal – 2011 - p. 860. 

Na Trindade vemos o Amor (Santíssima Trindade)

                                                              

Na Trindade vemos o Amor

Retomemos parte do “Tratado sobre a Santíssima Trindade”, do Bispo Santo Agostinho (séc. V).

“Nosso Senhor Jesus Cristo, ao realizar Seus milagres, como querendo dar uma lição mais sublime aos que d’Ele se admiravam, e conduzir as secretas e eternas realidades a estes espíritos atentos e como que suspenso no fascínio de Seus prodígios, lhes diz:

Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo. Ele não disse: ‘Aprendei de mim a ressuscitar mortos de quatro dias’, mas aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.

A solidíssima humildade é mais poderosa e mais segura que os cumes soprados pelos ventos. Por isso segue e diz: E encontrareis descanso para as vossas almas.

A caridade não se ensoberbece, e Deus é caridade; e os fiéis no amor descansarão n’Ele, chamados do estrondoso exterior aos deleites interiores. Se Deus é caridade, para que andar correndo desatinados pelos cumes dos céus e das profundezas da terra em busca d’Aquele que mora em nós, se nós queremos estar junto d’Ele?

Ninguém diga: ‘Não sei o que amar’. Ame ao irmão e amará ao Amor. Conhece melhor a dileção que lhe impulsiona ao amor que ao irmão a quem ama. Eis aqui como podes conhecer melhor a Deus que ao irmão; mais conhecido porque está mais presente; mais conhecido porque é algo mais íntimo; mais conhecido porque é algo mais correto.

Abraça ao Deus Amor e abraça a Deus por amor. É o amor que nos une com vínculo de santidade a todos os anjos bons e a todos os servos de Deus; consolida-nos a eles e nos submete a Ele.

Quanto mais imunizados estejamos contra o inchaço do orgulho, mais plenos estaremos de amor. E aquele que está cheio de amor, do que está preenchido a não ser de Deus?

Porém tu dirás: ‘Vejo a caridade e a contemplo, enquanto posso, com os olhos de minha inteligência, e deposito fé à Escritura, que diz:

Deus é amor, e quem permanece no amor em Deus permanece; mas quando medito no amor, não descubro a Trindade’ Vês a Trindade se vês o Amor.” (1)

É este caminho de santidade que devemos percorrer, num mergulho constante no Mistério do Amor de Deus, crescendo a cada dia no amor a Ele, concretizado no amor ao próximo, para não nos tornarmos míopes de Deus, como bem disse o Papa Bento XVI, em sua primeira Encíclica “Deus Caritas Est”:

"O citado versículo Joanino (1Jo 4,20 ) deve, antes, ser interpretado no sentido de que o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus" (n.16).

Supliquemos ao Senhor que nos conceda a graça da imunização contra o “inchaço do orgulho”.

Supliquemos, também, para que sejamos cumulados do Seu Amor, para que, ao desejar abraçar ao Deus Amor, abracemos a Deus por amor, na pessoa de nosso próximo, pois somente amando o irmão estaremos amando ao Amor, somente vendo o Amor, é que veremos a Santíssima Trindade de Amor, como ele tão bem expressou:

“Vês a Trindade se vês o amor”.


(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes -  p. 169-170

Santíssima Trindade: Um Movimento intenso de Amor! (Santíssima Trindade) (ano B)

                                                           

Santíssima Trindade:
Um Movimento intenso de Amor!

“O Espírito é este Movimento de Amor"
que cria o elo, a comunhão do Pai com o Filho.”

Celebrar a Festa da Santíssima Trindade não é decifrar um Mistério, mas contemplar um Deus que é Amor, família, comunidade. Deus criou a humanidade para comungar, participar, vivenciar intensamente este Mistério indizível de Amor.

Mais do que falar do Mistério de Amor da Santíssima Trindade é preciso que o vivamos integrados à família de Deus. 

Na passagem da primeira Leitura (Dt 4,32-34.39-40) refletimos sobre a revelação de Deus na história como único e verdadeiro Deus, a quem nada se compara. Isto se constata pelo indescritível Amor que manifestou pelo Seu Povo, comunicando-Se de mil formas, e de modo especial lhes falou ao coração.

Ainda mais: há um só Deus a ser adorado e o Povo de Deus pertence exclusivamente a Ele, e jamais poderá ser trocado pelos deuses babilônicos ou quaisquer outros deuses feito pelas mãos humanas.

Jamais a Deus podem ser atribuídas a indiferença, a impassibilidade e a distância da humanidade que criou. Ele ama e redime, oferecendo vida plena e definitiva.   Com Deus jamais ficaremos perdidos, afogados em nossas dúvidas, misérias e dramas, assustados e inquietos face ao rumo que a História toma.

Cabe ao Povo de Deus redescobrir a presença salvadora e amorosa de Deus, procurando estabelecer e fortalecer uma relação de amor, comunhão e familiaridade com Ele.

Jamais trilhar o caminho da servidão, mas o caminho da felicidade querida por Deus para Seu Povo.

Deus não desiste de nós e nos indica o caminho para a verdadeira vida, num Amor incansável, convidando-nos a viver Sua Lei, Seus Mandamentos.

A passagem da segunda Leitura (Rm 8,14-17), texto sereno e amadurecido, faz parte da Carta que pode ser entendida como a síntese da mensagem e pregação do Apóstolo Paulo.

Apresenta-nos a Salvação como Dom de Deus, e não uma conquista humana, mas que requer uma resposta de cada um de nós. Ser batizado consiste, portanto, em viver a vida no Espírito, como Homens novos, aderindo à proposta Salvadora de Deus.

A  vida no Espírito consiste numa relação de amor com Deus, escutando e acolhendo Sua Palavra, trilhando o caminho do amor, da doação e da entrega da vida na causa do Reino.

De outro lado, a vida na “carne” consistirá em viver em oposição a Deus, imerso no egoísmo, orgulho, autossuficiência e fechamento ao Projeto Salvador que Ele tem para a humanidade.

Pelo Batismo nos tornamos herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo, o que nos assegura a vida plena e definitiva.

A passagem do Evangelho (Mt 28,16-20) nos fala do Envio que o Senhor faz à comunidade dos discípulos; revelando sua identidade missionária de ensinar e batizar em nome da Trindade com uma certeza que move, impulsiona, fortalece, ilumina, ou seja, a presença do Ressuscitado que conosco prometeu ficar até o fim dos tempos.

Crises e dificuldades sempre estarão presentes na vida da comunidade, da Igreja, mas haverá também a presença de alguém que a faz avançar: a Trindade Santa, que através de Sua ação e manifestação, ajudará a comunidade a crescer no amor indizível para tornar-se credível.

Como nos alegra fazer parte desta Família Trinitária, por isto podemos afirmar:

“Deus dedicou-Se a nós como Pai, viveu conosco e morreu por nós no Filho Jesus Cristo, e anima a nossa vida como Espírito Santo. Tudo isto, para nós crentes, aconteceu verdadeiramente e sentimos os seus efeitos quando rezamos, quando recebemos a Eucaristia, quando nos apercebemos de que o Espírito suscita em nós, fé, esperança e amor. Esta é a prova de que Deus é Trindade”.(1)

De fato, o Ser de Deus é o Amor no estado mais puro que possamos conceber, e por isto ainda em relação a nós, Deus não sabe fazer outra coisa a não ser nos amar e esperar uma resposta de amor.

Participar do Amor Trinitário é entrar neste movimento de reciprocidade, dom e acolhimento desse amor.

Deste modo, O Pai é a Fonte que Se dá eternamente e gratuitamente; O Filho é o Dom deste Amor do Pai, como Sua perfeita imagem; e O Espírito é o Movimento de Amor que cria o elo, a comunhão do Pai com o Filho.

Ser batizado é ser mergulhado, inserido neste Movimento de Amor, que uma vez descoberto e dele partícipe, impossível sair, exilar-se. Entrando neste Movimento de Amor Divino nos capacitamos para o amor ao próximo e a nós mesmos.

Concluindo, vemos que a Igreja tem na história a missão de divulgar o conhecimento da pessoa de Jesus, conduzindo todos os que aceitam a fé ao Encontro com Ele nos Sacramentos, participando ativamente na construção do Reino de Deus na força do Espírito Santo.

Oremos:

“Ó Deus Altíssimo, que nas águas do Batismo nos fizestes filhos no Vosso único Filho, escutai o grito do Espírito que em nós Vos chama Pai, e fazei que, obedecendo ao Mandamento do Salvador, nos tornemos anunciadores da Salvação oferecida a todos os povos. Por N.S.J.C. Amém!”.(2)


(1);(2) Lecionário Comentado – Tempo Comum - pp. 865 - Vol. I - (Ano B) 

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Ano A) (Santíssima Trindade) (30/05)

                                              

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Ano A)

Ao celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade, contemplamos a ação de Deus Uno e Trino que é amor, família, comunidade e nos convida a participar deste Mistério pleno de amor. Trata-se, portanto, de uma impressionante e incomparável história de amor.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 34,4b-6.8-9), Deus se manifesta a Moisés estabelecendo uma Aliança, revelando Sua verdadeira face, com desproporcional misericórdia, que é infinita, ilimitada: Deus Se revela cheio de amor, bondade, ternura e de fidelidade incondicional, clemente, compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia.

Espera que o Povo que lhe pertence, corresponda com escuta atenta, comunhão e intimidade através da oração, da escuta de Sua Palavra, tão somente assim, ouvindo Sua voz, teremos a vida pautada pelos Seus valores, e poderemos vencer os desafios. É preciso, cotidianamente, subir ao Monte da Aliança para fortalecer esta comunhão.

Reflitamos:

- Experimentamos a presença do Deus de amor, bondade, ternura, misericórdia, fidelidade e comunhão em nossa vida de fé?
- De que modo vivemos esta Aliança de amor com Deus?

Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 13,11-13), o Apóstolo Paulo nos apresenta Deus que é comunhão, família, envolvendo-nos nesta dinâmica de amor, o que aparece claramente em suas palavras, que se tornaram uma das fórmulas litúrgicas de saudação, no início da Missa: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

Diante das dificuldades, tensões e conflitos vividos, o Apóstolo pede para que os membros da comunidade sejam alegres e não desistam na busca da perfeição, fortalecendo os vínculos fraternos, com mesmos sentimentos, vivendo em harmonia, uma vez que pertencem à família Trinitária.

Devido a esta pertença, o relacionamento dos membros deverá refletir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão e  o serviço.

Reflitamos:

- Sentimo-nos como membros da comunidade pertencentes à família Trinitária?
- Somos e vivemos como família de Deus?
- Os relacionamentos de nossa comunidade refletem o que acima foi mencionado?
- De que modo acolhemos e vivemos a saudação acima citada (graça, amor e comunhão)?

Na passagem do Evangelho (Jo 3,16-18), contemplamos o amor de Deus por nós, enviando Seu filho único ao mundo, que em pleno cumprimento do Plano do Pai, fez de Sua vida total doação, até a morte, e morte de Cruz, a fim de que tenhamos vida plena e definitiva. Verdadeiramente uma história de amor que revela a imensidão do coração de Deus, que tanto nos ama.

O Evangelista é abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o Seu Filho Único, a fim de oferecer à humanidade a salvação, vida plena e definitiva.

A passagem está contida na conversa de Jesus com Nicodemos apresentada em três etapas ou fases, tratando-se da terceira, na qual Jesus descreve o Projeto de salvação divina, que Ele realiza por Sua morte na Cruz, e com Sua exultação:

“Esse Homem que vai ser levantado na Cruz, veio ao mundo, encarnou-Se na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizam os homens, foi preso, torturado e morto numa Cruz. A Cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega” (1).

De fato, a Cruz é “a expressão suprema do amor de Deus pelos homens” (2). A vinda do Filho único ao encontro dos homens é o cumprimento de dois objetivos:

- Libertar a humanidade da escravidão, da alienação, da morte. A morte de Jesus na cruz revela que a vida definitiva, encontramos na obediência aos planos do Pai e no dom total da própria vida;

- Veio porque o Pai nos ama e quer a nossa salvação: veio oferecer vida definitiva, ensinando-nos a amar sem medida, e comunicando-nos o Espírito, que nos transforma em novas criaturas.

Deste modo temos responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna, pois podemos aceitar a proposta de Jesus, com adesão a Ele e recebendo Seu Espírito, vivendo no amor e na doação; ou ficarmos escravos de esquemas de egoísmo e autossuficiência, que excluem a possibilidade de salvação.

Em resumo, Deus enviou o Seu Filho único ao mundo, porque ama a humanidade, e esta oferta nunca é retirada, e continua aberta e à espera de nossa resposta:

“Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação” (3).

Reflitamos:

- Nossa comunidade dá testemunho do amor Trinitário?
- Como acolho a Proposta de Deus?
- Como nossas famílias vivem o amor Trinitário?

Finalizemos com esta afirmação de Santo Agostinho: “Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-Lo”.

De fato, todo aprofundamento da ideia de Deus equivale a um novo nascimento, porque o Mistério de Deus não é um Mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, doação e recebimento, e por isto, somos o que somos, como vemos no Missal Dominical:

“Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada dia”.


sexta-feira, 13 de junho de 2025

“A Palavra é viva quando são as obras que falam” (13/06)

                                                           

“A Palavra é viva quando são as obras que falam”

Com toda a Igreja, celebramos dia 13 a Festa em louvor a Santo Antônio de Pádua (Lisboa), Presbítero e Doutor da Igreja. Nascido em Lisboa (Portugal) no final do século XII e falecido em Pádua no ano de 1231. Além de professor, foi grande pregador da Ordem dos Frades Menores, levando à conversão muitos hereges. Foi autor de vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual.

Um de seus sermões é fonte de espiritualidade para todo tempo. Cito apenas uma parte: 

“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam. 

Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: 'Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega'. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Os Santos foram pessoas que seguiram o Caminho – Jesus Cristo – e consequentemente deixaram rastros luminosos, que transcendem seu próprio tempo. São pessoas humanas que procuraram viver como fiéis seguidores de Jesus, pregando e testemunhando o Seu Evangelho; referências e modelos de vida para ser seguido por todos nós.

A devoção aos Santos exige da comunidade semelhança com o mesmo. Toda devoção fica purificada de esterilidade quando passa pela imitação das virtudes que o Santo inspira. Vivendo no seu tempo o transcende, pois sua pregação carrega tamanha atualidade e conteúdo, que pode ser acolhida em todo tempo, atravessando os séculos…

Sigamos as pegadas de Santo Antônio no amor a Deus e ao próximo – síntese de toda a Lei Divina –, tenhamos dele a mesma sede da Palavra Sagrada; o amor sem medida pela Eucaristia, fonte e alimento de toda a nossa vida; amor pela Igreja que somos; solidariedade incansável fundada e nutrida na fonte inesgotável do amor que é a Santíssima Trindade.

Com Santo Antônio queremos viver uma vida cristã mais autêntica, mergulhando a cada dia no Amor da Santíssima Trindade, Encontro de três Pessoas: um Deus Pai que ama, um Deus Filho que é amado, Deus Espírito Santo que nos comunica o Amor. Mergulhar no Amor Trinitário é o caminho de santidade trilhado por Santo Antônio e convite para todos nós.

Num mundo marcado por discursos vazios, há que se multiplicar as obras. Aprendamos com Santo Antônio a traduzir nossa fé em gestos de caridade, misericórdia, partilha e solidariedade. Ele soube no seu tempo dar conteúdo e visibilidade à sua fé junto de Deus.

A linguagem do Espírito suplica eterna aprendizagem, na comunhão dos Santos, Santo Antônio tem muito a nos ensinar, por isto digamos sempre: Santo Antônio, rogai por nós!

Eternos aprendizes da linguagem do Espírito(13/06)

                                                        


Eternos aprendizes da linguagem do Espírito

Oportunos são os ensinamentos de Santo Antônio de Pádua (Lisboa), Presbítero e Doutor da Igreja, que Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XII e faleceu em Pádua, no ano de 1231.

Ele foi um grande pregador da Ordem dos Frades Menores, levando à conversão muitos hereges. Autor de vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Em um deles nos disse:

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam.

Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.

Diz São Gregório: ‘Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Portanto, glorifiquemos a Deus pela missão da Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, o protagonista principal e primeiro da Evangelização, que nos conduz, ilumina, assiste, fortalece, enriquecendo-nos com os dons da sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Glorifiquemos a Deus por tantas pessoas repletas do Espírito Santo que se encontram na glória eterna, tendo combatido o bom combate da fé, foram aprendizes do Espírito, e muito nos ensinaram com a palavra e a ação: bispos, padres, cristãos leigos e leigas, que assumiram o seu Batismo como sal da terra e luz do mundo.

Glorifiquemos também por aqueles que estão entre nós ou em outros lugares, mas continuam neste eterno e necessário aprendizado da linguagem do Espírito, testemunhando a fé em Jesus Cristo, vivendo na humildade, pobreza, paciência e obediência, carregando a cruz de cada dia com as renúncias cotidianas necessárias. 

Graças sejam dadas a Deus pelas obras incontáveis, sob a ação do Espírito Santo, comprometidos com a promoção de uma vida plena e feliz para todos.

De fato, as obras realizadas falam e falarão sempre mais que muitas palavras. Ações dentro e fora da comunidade, em gestos contínuos e renovados de partilha, comunhão, solidariedade, empenho incansável para a promoção da vida, desde a concepção até seu declínio natural, através das pastorais, serviços e movimentos.

Renovemos nossa fidelidade ao Senhor, para que, como figueira, se produza muitos frutos, não para nós, mas para que outros possam desfrutar. 

Colhemos o que muitos plantaram, colherão o que de melhor plantarmos e cuidarmos, sem cansaço, com amor, dedicação e alegria.

Supliquemos a força e a luz do Espírito, para que melhor correspondamos aos desígnios divinos, escrevendo com a tinta do Espírito, a tinta do amor, novas linhas, novas páginas da nossa história, pois somos, eternos aprendizes da linguagem do Espírito.

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