quinta-feira, 12 de junho de 2025

Bênção para os namorados (12/06)

                                                         

Bênção para os namorados

Ó Deus Pai de Amor, que viveis e reinais em comunhão com Vosso amado Filho, e com o Espírito Santo, derramai copiosas bênçãos sobre os namorados que a Vós recorrem neste e em todos os dias.

Abençoados por Vós, cresçam em estima um pelo outro, com amor sincero, e se conformem aos Vossos desígnios, dando passos para o aprofundamento do amor vivido.

Também Vos pedimos que, na graça do namoro santo, sejam para o mundo testemunhas da santidade por Vós querida, conduzidos pela Vossa Palavra e alimentados pelo Vosso Sacramento da Eucaristia, não se curvem à imposição da cultura do prazer sem maiores compromissos.

Ó Deus, que por Vós abençoados, como namorados, sal da terra e luz do mundo, no seguimento dos ensinamentos recebidos de Vosso amado Filho, com a força e sabedoria do Santo Espírito que neles habitam, tenham os passos orientados e os corações confirmados em Vosso amor. Amém. 

Somos um povo peregrino e evangelizador (23/06)

                                                                           


Somos um povo peregrino e evangelizador

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25)

Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa Francisco afirma:

A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição hierárquica; é antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. 

Trata-se certamente de um mistério que mergulha as raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador, que sempre transcende toda a necessária expressão institucional” (EG 111).

Podemos e devemos usar, portanto, os meios possíveis, contribuindo na ação evangelizadora da Igreja, anunciando o Cristo Ressuscitado, Aquele que foi visto pelos apóstolos, e que continua se revelando à sua Igreja, para que esta O anuncie e O testemunhe até os confins da terra (Jo 19-28; Mt 28, 16-29; Mc 16, 9-20), e como Igreja, na alegria de servir, construamos um mundo mais humano, justo e fraterno.  

A própria Igreja, pois a Igreja que não se evangeliza não evangeliza, nos advertia o Papa São Paulo VI, em sua Exortação Evangelii Nuntiandi: “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma” (n.15). 

Evangelizando a família, santuário da vida, espécie de Igreja doméstica, espaço privilegiado para se formar e educar para a beleza da vida, plantando no coração dos filhos, sementes da verdade, do amor, da justiça, da liberdade e da fraternidade.

Presença evangelizadora no bairro, e além de suas fronteiras, porque a Palavra de Deus não pode ser aprisionada e confinada a espaços geográficos, templos e tempo.

Evangelizando no vasto e complicado mundo da política, da mídia, da cultura, da economia e da saúde, despertando a consciência da cidadania, não nos omitindo na missão ser luz onde for preciso e para quem precisar, anunciando a Palavra que abrasa o coração. 

Evangelizando e conscientizando para que cuidemos e preservemos nossa casa comum, o planeta em que habitamos, com a necessária conversão e nova consciência planetária, preocupados com a sustentabilidade, que nos propicia viver melhor, e assegura o futuro para aqueles que virão depois de nós.

Peregrinemos e evangelizemos, incansavelmente, sempre atentos aos acontecimentos e aos sinais que Deus vai manifestando ao longo da história, testemunhas das maravilhas que o Espírito que age e faz acontecer a evangelização.

Urge que mais pessoas participem desta peregrinação e evangelização, pois não fica indiferente nesta missão, quem se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus, como tão bem expressou o Papa Francisco também na “Evangelii Gaudium”:

“Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos ‘discípulos’ e missionários’, mas sempre que somos ‘discípulos missionários” (n.120).


PS: Oportuna para a reflexão da passagem dos Atos dos Apóstolos (At 28.16-20.30-31)

Com Santo Antônio, aprendamos a prática das Obras de Misericórdia (13/06)

                                                           

Com Santo Antônio, aprendamos a prática das Obras de Misericórdia

Em 2016, quando Pároco da Paróquia Santo Antônio – Gopoúva, Guarulhos, vivemos dias de intensa alegria com a realização da Festa do Padroeiro.

Com o Tríduo, refletimos sobre a prática das obras da misericórdia corporais e espirituais, que tão bem Santo Antônio as viveu, e que muito nos ilumina no tempo presente, para que nossa devoção aos Santos seja fecunda, concretizada em sagrados compromissos com a vida plena e feliz, com a Boa-Nova do Reino de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, com plena confiança em Deus e em Sua Palavra, iluminados pelo Espírito Santo, fonte de sabedoria, que nos orienta, ilumina e conduz, somos desafiados a testemunhar nossa fé.

Vivendo intensamente a prática das obras da misericórdia, coloquemo-nos a serviço do Reino de Deus por Jesus inaugurado, com a seiva do amor do Santo Espírito, e assim daremos firmes passos de solidariedade, enamorados pela vida, desde a concepção até seu declínio natural, sem jamais medir esforços para nos colocarmos todos a caminho, como assim fez nosso querido padroeiro.

As obras de misericórdia se bem entendidas e lidas na perspectiva do reino nos farão misericordiosos como o Pai (Lc 6,36), como nos exortou o Senhor, e tornaremos mais fraternos os vínculos que nos unem.

Olharemos para a história, e não conceberemos que a humanidade fique “mergulhada no abismo da morte” (Sl 29), da impunidade, do abandono, do descaso, da cumplicidade com a mentira e hipocrisia que maculam a vida e o projeto de Deus.

Olharemos a história, e as lágrimas da tristeza cederão lugar às lágrimas da vitória, daqueles que não se acomodaram e nem se acovardaram diante de sagrados e irrenunciáveis compromissos com a vida humana e do planeta, dons preciosos de Deus que nos foram confiados.

Na construção do Paraíso, renovaremos nossos compromissos, iluminados pela Palavra e nutridos pela Eucaristia, como assim viveu Santo Antônio, como também assim haveremos de viver. 

Amor puro e verdadeiro (08/06)

                                                               

Amor puro e verdadeiro

"Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 20).

Na quinta-feira da décima Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a).

Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, cientes de que somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos,  alcançaremos vida plena e feliz.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. 

Deste modo, somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá o exemplo de que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade. 

Urge fortalecer as relações fraternas, promovendo a contínua necessidade da reconciliação, pois o amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.

E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções:

A oferenda da própria vida em oblação a Deus ( 1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

Oremos: 

"Ó Pai, que nos amais a todos como filhos, ajudai-nos a tirar o véu dos nossos corações, para que possamos remover os obstáculos que se opõem à comunhão convosco e amar-nos verdadeiramente como irmãos." (1)

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199 
(2) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - p. 498

quarta-feira, 11 de junho de 2025

São Barnabé: corajosa testemunha do Senhor (11/06)

                                                                    

São Barnabé:  corajosa testemunha do Senhor


A Liturgia das Horas nos apresenta parte dos Tratados sobre o Evangelho de São Mateus, escrito pelo Bispo São Cromácio (Séc. IV), ao celebrarmos a Memória de São Barnabé, no dia 11 de junho, e refletimos sobre a missão do cristão de ser luz do mundo.

“'Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa'(Mt 5,14-15).

 O Senhor chamou Seus discípulos de sal da terra, porque eles deviam dar um novo sabor, por meio da sabedoria celeste, aos corações dos homens que o demônio tornara insensatos. E também os chamou de luz do mundo porque, iluminados por Ele, verdadeira e eterna luz, tornaram-se também eles luz que brilha nas trevas.

O Senhor é o Sol da Justiça; é, por conseguinte, com toda razão que chama Seus discípulos luz do mundo; pois é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz do Seu próprio conhecimento. Com efeito, eles afugentaram dos corações dos homens as trevas do erro, manifestando a luz da verdade.

Iluminados por eles, também nós passamos das trevas para a luz, como afirma o Apóstolo: ‘Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz' (Ef 5,8). E noutra passagem: 'Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas’ (1Ts 5,5).

Com razão diz também São João numa epístola sua: ‘Deus é luz’ (1Jo 1,5); e quem permanece em Deus está na luz, da mesma forma como ele próprio está na luz. Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos caminhar sempre na luz, como filhos da luz. A esse propósito, diz ainda o Apóstolo: ‘Vós brilhais como astros no universo. Conservai com firmeza a palavra da vida' (Fl 1,15-16).

Se não procedemos assim, ocultaremos e obscureceremos com o véu da nossa infidelidade, para prejuízo tanto nosso como dos outros, uma luz tão útil e necessária. 

Eis o motivo por que incorreu em merecido castigo aquele servo que, recebendo o talento para dar juros no céu, preferiu escondê-lo a depositá-lo no banco.

 Assim, aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve sempre brilhar em nós. Pois temos a lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual a que se refere Davi: ‘Vosso mandamento é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada em meu caminho’ (cf. Sl 118,105). E Salomão também diz acerca dela: ‘O preceito da Lei é uma lâmpada’ (cf. Pr 6,23).

Por isso, não devemos ocultar esta lâmpada da Lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para a salvação de todos. Então gozaremos da luz da própria verdade e serão iluminados todos os que creem”.

Urge que sejamos vigilantes, para que o “véu da incredulidade” não obscureça a luz que haveremos de fazer resplandecer no mundo, cuja missão nos confiou o Senhor.

Tenhamos sempre a “lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual”, como nos falou o Bispo, para irradiar a luz divina, onde quer que estejamos.

São Barnabé, por sua vida e testemunho, assim o fez, e o mesmo haveremos de fazer, pois, assim como ele, queremos estar sempre cheios de fé e do Espírito.

Oremos:

“Ó Deus, que designastes São Barnabé, cheio de fé e do Espírito, para converter as nações, fazei que a Vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Chamados, amados e enviados pelo Senhor (07/07)

                                         



Chamados, amados e enviados pelo Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,36-10,8), em que Jesus, tomado de compaixão pelo povo, envia os discípulos em missão, e para aprofundamento, sejamos enriquecidos pelo Sermão de Eusébio de Emessa.

“Dois homens entravam na cidade; dois homens sem provisão de pão, sem dinheiro, sem túnica reserva. Quem tu imaginas que os recebia? Que portas lhe seriam abertas? Quem era aquele que os reconhecia? Que hospedagem lhes era preparada e onde? Não te admiras o poder de quem os envia e a fé dos que são enviados? Dois peregrinos faziam sua entrada na cidade. De que eram portadores? O que é que pregavam? ‘Foi crucificado’, diziam.

Para os judeus, eram homens de origem humilde, ignorantes, sem cultura, pobres. Sua pregação: a Cruz! Daí a fé. Porém o valor abre passo através das dificuldades. Prega-se a cruz e os templos são destruídos; prega-se a Cruz e são vencidos os reis. Prega-se a Cruz e os sábios são convencidos de erro, as festas pagãs são abolidas e seus deuses suprimidos.

Por que te admiras de que se tenha dado crédito aos apóstolos, ou de que tinham sido capazes de crer, ou por que tenham se convertido ou sido acolhidos? Que não nos passem por alto tantas maravilhas.

Alguns peregrinos, desconhecidos, que a ninguém conheciam, portadores de nada chamativo, percorreram o mundo pregando ao Crucificado, opondo o jejum à libertinagem, a molesta castidade à lascívia. Normas estas que necessariamente resultariam em intoleráveis aos povos menos predispostos a aceitar algumas exortações de honestidade tão disputadas com seus nefandos costumes.

E, contudo, apropriavam-se das pessoas e ocupavam cidades. Com que efetivos? Com a força da Cruz. Aquele que os enviou não lhes deu ouro. O tinham – e em abundância – os reis. Porém lhes digo algo que os reis são incapazes de adquirir ou possuir: para alguns homens mortais lhes deu o poder de ressuscitar mortos; a eles, homens sujeitos à enfermidade, autorizou-lhes a curar as enfermidades. Um rei não pode ressuscitar a um soldado dentre os mortos, e o próprio rei está sujeito à enfermidade.

Mas quem os enviou ressuscita e cura os enfermos. Compara agora as riquezas dos reis e as riquezas dos apóstolos. Fixa-te na diversa condição social: o rei é nobre, os apóstolos, humildes; porém, sendo mortais, realizaram coisas divinas com a ajuda de Deus. E se alguém pretende que os apóstolos não fizeram milagres, nossa admiração se eleva. De fato, ressuscitaram-se mortos, deram vista aos cegos, fizeram os coxos caminharem e limparam os leprosos, mediante estes sinais varreram a irreligiosidade e implantaram a fé; é realmente admirável não acreditem nestes milagres dos quais existe escrita constante.

Antes da crucificação os discípulos não fizeram milagre algum; depois da crucificação realmente os fizeram. E se fizeram alguma coisa antes da crucificação, não teve nenhuma repercussão: mas quando o sangue divino apagou o registro que nos condenava com suas cláusulas e era contrário a nós; quando nós, imundos, fomos lavados no sangue; quando a morte foi vencida pela morte; quando por um Homem, Deus abateu aquele que devorava os homens; quando pela obediência, deu morte ao pecado; quando Adão foi reabilitado por um homem; quando por meio da Virgem, foi cancelado o erro originário, é então que os apóstolos obedecem e as sombras despertam aos homens que dormem.

É que a força divina se tinha apoderado daqueles a quem ela lhes foi enviada. Já não eram como antes, aquilo que nós éramos: tinham sido revestidos. E assim como o ferro, antes de ser colocado junto ao fogo, é frio e em tudo semelhante a qualquer outro ferro, porém quando é posto no fogo e se torna incandescente, perde a sua frieza natural e irradia outra natureza abrasada, idêntica operação realizam os homens mortais que foram revestidos de Jesus. Assim o ensina Paulo quando diz: ‘Já não sou eu que vivo – estou morto com uma ótima morte! – é Cristo que vive em mim’” (1)

Assim aconteceu nos primeiros momentos das comunidades, professando a fé no Cristo Crucificado, Morto e Ressuscitado.

Hoje também continuamos a missão de Jesus, conforme mencionado no Evangelho, contando com a graça, força e presença do Espírito Santo, enviado do Pai em Seu nome, conforme prometera.

Evangelizamos com recursos ainda que limitados, sobretudo hoje através dos meios de comunicação social, proclamando a Palavra de Deus, oportuna e importunamente, como nos falou Paulo a Timóteo (2Tm 4,1-5).

Edificamos uma Igreja com as marcas da misericórdia e compaixão, missionária em sua essência e natureza, em todos os lugares para que a luz divina resplandeça e o Reino de Deus se vislumbre, em pequenos sinais.

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, alimentados pela Eucaristia, tendo em mente e no coração o testemunho daqueles primeiros que o Senhor chamou como bem quis por amor e com amor.

Seja sempre nossa missão de evangelizadores uma alegre, generosa e gratuita resposta de amor ao Senhor que nos chama também e nos envia para proclamar a Sua Palavra. Sejamos sinais e instrumentos da compaixão divina, sobretudo para com os que mais precisarem.



(1) Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes, 2013 - pp. 157-158.
Apropriado para a reflexão da passagem de Mateus (Mt 10,7-13)

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos (10/06)

                                                    

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos


"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Na Liturgia, da Quarta-feira da 10ª Semana do Tempo comum, ouvimos a passagem do Evangelho em que Jesus diz que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas para dar pleno cumprimento, exortando-nos à prática e ao ensinamento dos mesmos, para nos tornarmos grandes no Reino dos Céus (Mt 5, 17-19).

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Estamos diante de um desdobramento do Sermão da Montanha - (Mt 5, 1-12). Na continuidade Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”, de modo que, viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja:

- São Tomás de Aquino: “Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada".

- São João da Cruz: "O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;

3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou por amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano.

Eis o grande desafio: a missão de ser sal da terra e luz do mundo, iluminados pela Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

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