domingo, 25 de maio de 2025

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor (VIDTPA)

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor

 “O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de
receber, porque não O vê nem O conhece”

No 6º Domingo da Páscoa (ano A), a Liturgia nos convida a contemplar a proximidade e paternidade de Deus, que não nos deixa órfãos.

A presença divina é sempre discreta, mas de eficácia tranquilizadora na história da Igreja. O que Jesus disse aos discípulos, num contexto de despedida, tornou-se uma verdade para sempre – “Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós” (Jo 14,18).

Na passagem da primeira Leitura (At 8,5-8.14-17), vemos a ação da comunidade cristã testemunhando a Boa Nova de Jesus, numa presença libertadora e salvadora da vida humana.

A mensagem é explícita: O Espírito Santo somente se manifestará e atuará se a comunidade se propuser a viver uma fé integrada, numa família de irmãos que se reúnem em comunhão com o Pai e o Filho:

Para que uma comunidade se constitua como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas (por muito impressionantes que sejam).

Ao mesmo tempo, é preciso que qualquer comunidade cristã tenha consciência de que não é uma célula autônoma, mas que é convidada a viver a sua fé integrada na Igreja universal, em comunhão com a Igreja universal.

Toda a comunidade que quer fazer parte da família de Jesus deve, portanto, acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal. Só então se manifestará nela o Espírito, a vida de Deus” (1)

A passagem da segunda Leitura (1Pd 3,15-18) é uma exortação para que a comunidade permaneça confiante, apesar das hostilidades e dificuldades encontradas. É ocasião favorável para o testemunho sereno da fé, num autêntico amor, até mesmo pelos seus perseguidores, assim como o próprio Cristo, que fez da Sua vida um dom de Amor a todos:

“Os cristãos devem, também, estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança – isto é, a dar testemunho daquilo em que acreditam (vers. 15b).

No entanto, devem fazê-lo sem agressividade, com delicadeza, com modéstia, com respeito, com boa consciência, mostrando o seu amor por todos, mesmo pelos seus perseguidores.

Dessa forma, os perseguidores ficarão desarmados e sem argumentos; e todos perceberão mais facilmente de que lado está a verdade e a justiça (vers. 16).

Os cristãos devem, ainda, em qualquer circunstância – mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores – preferir fazer o bem do que fazer o mal (vers. 17)”. (2)

A comunidade dos que creem em Deus deve pautar a vida pela lógica de Jesus e não pela lógica do mundo, fazendo a doação da vida, por amor, alcançando assim, a glória da Ressurreição. Deve manter viva a confiança, a alegria, a fidelidade, a esperança...

Na passagem do  Evangelho (Jo 14,15-21), numa ceia de despedida, Jesus assegura aos discípulos, inquietos e assustados com Sua eminente partida para junto do Pai, a vinda do Paráclito.

Sua missão será conduzir a comunidade em direção à verdade, à comunhão cada vez mais profunda, íntima e intensa com Ele. Tão somente assim a comunidade se tornará a morada de Deus no mundo, no fiel testemunho da Salvação oferecida por Deus à humanidade.

Vivendo o Mandamento do Amor, permanecerão com Ele, e junto do Pai enviará o Defensor, o Paráclito:

“Se me amais, guardareis os meus Mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece” (Jo 14,  15.17a).

Após a missão de Jesus, caberá ao Paráclito assistir a comunidade que dará continuidade a esta:

Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus.

O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo.

Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva”. (3)

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, contando com a força e presença do Paráclito, do Espírito Santo, que conduz, ilumina, orienta, fortalece a Igreja, como tão bem vamos celebrar, em breve, na Festa de Pentecostes.

Também, hoje, a Evangelização coloca à nossa frente desafios, provações, inquietações. Não podemos estacionar, menos ainda recuar no testemunho da fé. Dar razão da esperança é preciso, pois Deus habita em nós e na Sua Igreja.

A razão de nossa esperança passa necessariamente pela qualidade do testemunho do nosso amor, que torna válida, frutuosa a nossa fé, fecundando o mundo novo, como instrumento da realização do Reino por Jesus inaugurado.


A vinda do Paráclito: fiel amigo e companheiro (VIDTPA)

                                                                   

A vinda do Paráclito: fiel amigo e companheiro

A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa (Ano A) tem como mensagem a promessa de Deus que se cumpre sempre: a vinda do Paráclito, que é nosso Advogado e Defensor, o Espírito Santo.

Não estamos sozinhos na caminhada cristã. O Senhor nos acompanha, com a presença e a ação do Espírito Santo, nos possibilitando a atenção aos apelos da realidade na qual nos inserimos.

Na passagem do Evangelho (Jo 14,15-21), Jesus nos fala da Sua ida para o Pai e a vinda do Paráclito, o Espírito Santo que assistirá a caminhada da Igreja.

Jesus é o Caminho que nos leva ao Pai. Ele está ao nosso lado e nos promete a presença do Paráclito, o Defensor.

O Paráclito assegura a fidelidade e a dinâmica no caminhar de fé, superando todo temor, garantindo a serenidade necessária; acompanha-nos no testemunho de uma vida marcada pela doação, entrega e amor.

O Defensor é fiel amigo e companheiro que habita sempre com os discípulos – “habita convosco e está em vós” (Jo 14,17b). é o Espírito da Verdade que nos introduz no pleno conhecimento do Filho. É o Espírito que faz compreender a perene atualidade da revelação cristã, leva ao arrependimento de quem está afastado e também faz entrar na unidade do amor entre o pai e Jesus e nela introduz os discípulos, porque é ele que move todas as coisas boas na vida de quem crê e de toda a Igreja (1).

Não somente o Pai e o Filho querem habitar nos discípulos, mas também o Espírito Santo habitará neles para ensinar, recordar e iluminar. A ação do Espírito se manifesta de muitos modos.

Se bons ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor formos, Ele, em nós, faz a Sua morada e nos tornamos hospedeiros do mais belo Hóspede, o Espírito Santo, e prisioneiros do mais belo Amor, Cristo Ressuscitado, em incondicional fidelidade a Deus Pai.

A morte de Jesus na Cruz, por Amor ao Pai e Amor à humanidade, leva a uma ausência que não é definitiva. A Ressurreição e o envio do Espírito são garantias de que Sua vida e missão não se constituíram em fracasso, mas na nossa vitória, na nossa redenção, trazendo-nos a paz que nasce da Cruz.

É preciso que a Igreja se coloque em constante atitude de acolhida ao Espírito para responder aos apelos e desafios deste mundo, iluminando a realidade com a Luz do Espírito Santo, que afasta todo e qualquer sentimento de orfandade, para que venhamos a dar os passos necessários na construção de um novo céu e uma nova terra, a Jerusalém Celeste.

Entretanto, somente nutridos pela Eucaristia, edificaremos a Igreja, como sinal e instrumento do Reino, procurando estabelecer e fortalecer relações de amor, perdão, doação, serviço e solidariedade.

Celebrar a Eucaristia é vislumbrar um pedaço do céu que se abre sobre a terra, em que os raios da glória da Jerusalém Celeste atravessam as nuvens da história e vêm iluminar nossos caminhos, como bem falou o Papa São João Paulo II.

Em cada Eucaristia, a Palavra de Deus ganha vitalidade e esplendor para nos revigorar.

Como discípulos missionários do Senhor, assistidos pelo Paráclito, renovemos no coração a chama do primeiro amor, ouvindo e guardando Sua Palavra, amando e sempre aprendendo amar.

Abertos ao Espírito Santo, atentos à Sua voz,
Acolhendo o Seu Sopro de vida, luz e força,
Renovemos nossa fidelidade ao Senhor Ressuscitado,
Para que multipliquemos e renovemos compromissos,
Já aqui na terra, de justiça, de fraternidade, de amor e de paz.

Esperando a vinda da Cidade Santa,
A Jerusalém Celeste, o novo céu e a nova terra,
A Face de Deus contemplemos, com os irmãos,
Em comunhão de amor e vida plena para sempre vivamos.

Não estamos sós.
A promessa do Paráclito o Senhor nos fez:
O Espírito Santo nos foi enviado!
Amém. Aleluia! 



(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – p. 569

A indispensável presença do Paráclito(VIDTPA)

 


A indispensável presença do Paráclito

"Não vos deixarei órfãos. 

Eu virei a vós." (Jo 14,18)

 

No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21), em que Jesus nos promete a vinda do Paráclito, a fim de que não fiquemos desamparados, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Crisóstomo (séc. V):

Se me amais, guardareis os meus Mandamentos. Eu vos dei um Mandamento: que vos amei mutuamente e façais uns aos outros como Eu fiz convosco. Nisto consiste o amor: em cumprir os Mandamentos e colocar-se a serviço do amado. E Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor. São palavras de despedida. E como ainda não O conheciam bem, era muito provável que eles teriam de buscar ansiosamente a companhia do ausente, Suas palavras, Sua presença física, e que não teriam de aceitar, uma vez que Ele tivesse partido, nenhum tipo de consolo. E o que Ele diz? Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor, isto é, outro como Eu.

Depois de tê-los purificado com o Seu sacrifício, então sobrevoou o Espírito Santo. Por que não veio quando Jesus estava com eles? Porque ainda não se tinha oferecido o sacrifício. Mas uma vez que o pecado foi apagado e eles, enviados aos perigos, se disporiam para a luta, era necessário o envio do Consolador. E por que o Espírito não veio imediatamente depois da Ressurreição? Justamente para que, avivados por um desejo mais ardente, O recebessem com maior fruto.

De fato, enquanto Cristo estava com eles, não conheciam a aflição; mas quando Ele Se foi, ao ficarem sozinhos e tomados de temor, haveriam de recebê-Lo com um maior anelo. Que permaneça sempre convosco, isto é, não vos abandonará nem mesmo depois da morte. E para que, ao ouvir falar do Defensor, não pensassem em uma nova encarnação e acolhessem a esperança de vê-Lo com seus próprios olhos, a fim de afastar semelhante suspeita, diz: O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê.

Porque não viverá convosco como Eu, mas sim habitará em vossas almas, pois é isso que quer dizer permaneça convosco. O chama Espírito da verdade, ligando assim as figuras da antiga Lei. Para que permaneça convosco. Que significa permaneça convosco? O mesmo que disse de si mesmo: Eu estou convosco. Mas ainda insinua outra coisa: Não vai padecer o que Eu padeci, nem se ausentará.

O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê. Mas como? É porque o Espírito se contava entre as coisas visíveis? Em absoluto. O que acontece é que Cristo Se refere aqui ao conhecimento, pois acrescenta: nem O conhece, já que habitualmente se chama visão ao conhecimento penetrante. Realmente, sendo a vista o mais destacado dos sentidos, mediante ela sempre designa o conhecimento penetrante. Ele chama aqui ‘mundo’ aos perversos, e desta forma consola aos Seus discípulos, oferecendo-lhes este precioso dom. Vede como exalta a grandeza deste dom. Diz que é distinto d’Ele; acrescenta: ‘não vos deixará’; insiste: virá unicamente a eles, como também Eu vim. Disse: Permaneça em vós; mas nem mesmo assim dissipou sua tristeza. Ainda O buscavam, queriam Sua companhia. Para tranquilizá-los diz: Tampouco Eu vos deixarei desamparados, voltarei. Ele diz: Não temais; não disse que vos enviarei outro Defensor, porque Eu vou deixar-vos para sempre; nem disse: vive em vós, como se não tenha de voltar a vê-los. Na realidade, também Eu virei a vós. Não vos deixarei desamparados.”

Alegremo-nos, não caminhamos sozinhos e desamparados, o Senhor prometeu e cumpriu e nos enviou, junto do Pai, o Espírito Santo, o Paráclito, o Advogado, o Defensor.

Inúmeros são os desafios na ação evangelizadora, e como somos fortalecidos e animados, em saber que podemos contar com a presença e a ação do Espírito Santo que nos ilumina.

Concluímos com as palavras do Bispo São Cirilo (séc. V): 

 

“A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: Vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros.”

 

Alegremo-nos, de fato, pois não estamos órfãos. O Espírito por Jesus prometido nos foi enviado. Aleluia!

 

 

(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pp. 105-106.

 

Somente o Senhor renova nossas forças (VIDTPA)

 


Somente o Senhor renova nossas forças

No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21) sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Máximo de Turim (séc. V),  que nos ajuda a viver intensamente a graça do Batismo.

“Irmãos: recordará vossa santidade que recentemente disse em minha pregação que o homem recupera sua juventude e que, mesmo debilitado pela idade, converte-se novamente em criança pela inocência de seus costumes; de maneira que, mediante o sacramento, vemos os anciãos transformarem-se em crianças.

Realmente, abandonar o que alguém era para assumir o que antes tinha sido não deixa de ser uma espécie de inovação. É, repito, uma inovação.

Por isso são chamados ‘neófitos’, pois graças a uma concreta novidade têm abandonado as marcas da velhice e assumido a graça da simplicidade, como diz o Apóstolo: Despojai-vos da velha condição humana, com suas obras, e vesti-vos da nova condição criada à imagem de Deus.

E o santo Davi também afirma: E como uma águia se renova tua juventude, dando a entender que, pela graça do Batismo, é possível fazer reviver o que de envelhecido há em nossa vida, e renovar-se com uma nova juventude o que em nós estava arruinado pela caducidade do pecado.

E para que compreendas que o profeta fala da graça do Batismo, compara a inovação batismal com a renovação da águia, da qual se diz que prolonga sua vida mediante a contínua troca de plumagem e que, ao irem-se caindo as plumas velhas, se rejuvenesce com a nova plumagem da qual vai se revestindo, de maneira que, depostos os sinais da velhice, veste-se o ornato da renovada novidade. De onde podemos deduzir que a velhice da águia se faz sentir não em seus membros, mas na plumagem. De fato, veste-se novamente, e, ao bater das asas, outra vez a velha mãe se converte em aguioto (filhote de águia).

Pois temos de compará-la aos franguinhos quando, com a plumagem aveludada recém-estreada, têm que treinar-se novamente em seus lentos voos e reduzir, como ave novata, a estreiteza do ninho e a algumas inseguras tentativas, os majestosos voos de outros tempos. Porque ainda que o costume lhe tenha dotado da arte de voar, a escassez da plumagem lhe diminui a confiança em si mesma.

Esta profecia do salmista se refere, pois, à graça do Batismo. De fato, também nós neófitos, batizados recentemente, depondo como a águia os sinais da velhice, revestiram-se das novas vestes da santidade; e enquanto as antigas marcas vão desprendendo-se quais leves plumas, ornam-se com a renascida graça da imortalidade. De tal maneira que neles somente envelhecem os caducos pecados da senilidade, não a vida. E assim como a águia se transforma em aguioto, assim eles voltam à infância. Estão inteirados da vida no mundo, porém lhes assiste a segurança da reencontrada justiça.

Mas examinemos ainda com maior atenção o que diz o santo Davi. Não diz: se renova como as águias, mas: como uma águia se renova tua juventude. Afirma, pois, que nossa juventude se há de renovar como a de uma só águia. E eu diria que esta só e única águia é em realidade Cristo o Senhor, cuja juventude se renovou quando ressuscitou dentre os mortos.

Pois, depostos os mortais despojos da corrupção, voltou a florescer mediante a assunção da carne rediviva, como Ele mesmo diz pela boca do profeta: Minha carne floresceu novamente, lhe dou graças de todo o coração. Minha carne, diz, floresceu novamente.

Observai que verbo utilizou. Não disse: ‘floresceu’, mas ‘refloresceu’, pois não refloresce a não ser o que já floresceu. Floresceu verdadeiramente a carne do Senhor quando, pela primeira vez, saiu do incontaminado seio da Virgem Maria, como diz Isaías: Brotará um renovo do tronco de Jessé, e de sua raiz florescerá um rebento.

Refloresceu, ao invés, quando cortada pelos judeus a flor do corpo, germinou rediviva no sepulcro pela glória da ressurreição; e como uma flor, exalou sobre todos os homens o aroma e o esplendor da imortalidade, espargindo por toda parte com suavidade o odor das boas obras e manifestando com majestade a incorruptibilidade da eterna divindade.”  (1)

Vivamos a graça do Batismo, como discípulos missionários do Senhor, renovando n’Ele e com Ele nossas forças, participando ativa, consciente e piedosamente do Banquete da Eucaristia.

Discípulos missionários do Senhor precisam sempre a coragem de buscar novos caminhos, para que vivam maior fidelidade a Ele, e sempre abertos à ação Espírito Santo, na procura de respostas necessárias aos inúmeros desafios presentes na ação evangelizadora.

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-2):

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.” (cf. Cl 3,1-2)

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2012 - pp. 107-108.

O transbordamento da Alegria Pascal (VIDTPA)


O transbordamento da Alegria Pascal 

Na Quaresma, fomos convidados a percorrer o Itinerário dominicalmente em recolhimento necessário, em atitudes sinceras de conversão, na Páscoa somos convidados a acolher o transbordamento da Alegria Pascal.

Deste modo, Quaresma implica em recolhimento e sinônimo de penitência e conversão,  e a Páscoa em transbordamento de alegria da Ressurreição do Senhor.

Vejamos o itinerário percorrido no Tempo Pascal (Ano A):

No primeiro domingo, a alegria transbordou quando Maria Madalena contemplou o túmulo vazio e a voz do anjo anunciando que o corpo do amado não fora roubado, fora Ressuscitado!

No segundo domingo, a presença do Ressuscitado no centro da comunidade, como manifestação da paz, comunicação do sopro do Espírito para a missão continuar; a profissão de fé de Tomé – “meu Senhor e meu Deus”. As chagas da dor tornaram-se marcas eternas do amor que venceu, Ressuscitou...

No terceiro domingo, caminhando com e como os Discípulos de Emaús, ouvindo a Palavra nosso coração ardeu e nossos olhos, ao partir o Pão da Eucaristia se abriram. A alegria transbordou quando acolhemos no mais profundo do coração a Palavra Divina e quando partilhamos no amor todo o existir. No amor e na partilha o Ressuscitado Se manifesta e a alegria transborda.

No quarto domingo, a alegria transbordou porque celebramos a certeza de que, como ovelhas que somos, temos um pastor, ou melhor, o Bom Pastor que dá a vida por nós. Conhece-nos e nos chama pelo nome. Ele como Fonte das fontes da Vida assegura-nos vida em abundância.

No quinto domingo, a alegria transborda, pois vimos o nosso último destino – a eternidade. E para nele chegarmos há apenas um Caminho, uma única Verdade, por isto Ele é certeza de Vida presente e de nossa Vida na eternidade. Não há porque desviar do Caminho. Não porque sucumbir diante de pretensas verdades, nem como pensar o existir sem A Fonte da Vida – Jesus.

No sexto domingo, a alegria transborda porque Ele nos assegura, e já cremos e testemunhamos: “Não vos deixarei órfãos” Indo para o Pai nos enviaria o Paráclito, o Advogado, O Defensor que nos acompanharia e nos tem acompanhado por todo o sempre até que Ele venha gloriosamente...
Transbordar de alegria porque desconhecemos a orfandade divina. 

Se há orfandade impensável e impossível é a orfandade divina: não estamos sós!

Tendo vivido o Itinerário Quaresmal, e agora chegando ao ápice do Tempo Pascal (tempos que se completam), aguardamos, ansiosos, as grandes Festas Litúrgicas que se aproximam.

Amar e ser amado, nosso desejo mais profundo (VIDTPB)

                                            

Amar e ser amado, nosso desejo mais profundo

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 15,9-17).

Assim começa a passagem do Evangelho – “Naquele tempo, disse Jesus aos Seus discípulos: ‘Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei’” (Jo 15,9); que é concluída com as palavras de Jesus – “Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,17).

Mais uma vez, voltamos ao essencial na vida dos discípulos missionário do Senhor: O Novo mandamento do Amor que Ele nos deu.

Sejamos enriquecidos pelo Comentário do Missal Quotidiano e Dominical:

“Amar e ser amado: é o desejo mais profundo, a necessidade mais vital do homem e da mulher, desde a sua mais tenra idade e em todas as épocas da sua vida.

Mas o que é o amor? Já se deram muitas respostas – ou, mais exatamente, muitas tentativas de resposta – sem, no entanto, se ter chegado a nenhuma que satisfizesse por completo.

O amor, como a vida escapa a todo o esforço de definição que pretenda exprimir plenamente a sua natureza própria, irredutível a qualquer outra. Por outro lado, a palavra ‘amor’ é uma das mais conspurcadas; a busca de amor pode, inclusivamente, levar por caminhos que conduzem à depravação e, até, ao crime”. (1)

De fato, amar e ser amado consiste no desejo mais profundo de todos nós, e por isto o Mandamento do Senhor haveremos de cumprir, pois podemos amar, pois Ele nos amou primeiro.

Fomos por Deus amados para amar, como nos falou João em sua Carta – “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e nos enviou o Seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados” (1 Jo 4,10), e ainda: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

Esta é a lógica do amor cristão, que tem em sua origem a gratuidade de Deus, que nos ama sem limites, livre e obstinadamente, e esta expressão maior se deu na Cruz.

O amor que o Senhor viveu e nos deu como Mandamento, é um amor chamado a se tornar comunhão, solidariedade, partilha:

“Trata-se de um amor recíproco na linha da fidelidade obstinada e sem arrependimentos, um amor que faz com que a pessoa exista enquanto participante do mesmo amor de Deus. Então o amor fraterno é já lugar de salvação, é já experiência de Deus, é o caminho que subtrai o homem à solidão e à morte. O amor basta-se a si mesmo” (2).

Viver esta lógica é viver o amor até à Cruz, como o Senhor viveu, a lógica do dom de Si sem medida, dom incondicional: um amor que não fala, simplesmente ama.

Uma frase atribuída a Santo Agostinho que sintetiza bem o que se disse: “A medida do amor é amar sem medida”

Concluindo, voltemos mais uma vez ao diálogo do mestre com seu discípulo, escrito pelos padres do deserto, sobre o amor:

“Perguntaram-lhe a um grande mestre:
Quando o amor é verdadeiro? 
Quando é fiel – foi a resposta.

E quando é profundo? 
Quando é sofredor – foi a resposta.

E como fala o amor? 
A resposta foi:
O amor não fala.
O amor ama”. (3)
     

(1)              Missal Quotidiano e Dominical – Editora Paulus – Lisboa – 2012 – p.771
(2)              Lecionário Comentado – volume Quaresma / Páscoa – Ed. Paulus – 2011 – p. 560.
(3)              (1) Teologia da Ternura – “Um Evangelho a descobrir” – Ed. Paulus – 2002 – p.72

Os amigos de Jesus guardam o Seu Mandamento (VIDTPB)


Os amigos de Jesus guardam o Seu Mandamento

A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa (ano B) nos convida a contemplar o Amor de Deus, manifestado na Pessoa, Palavras e gestos de Jesus, e o Novo Mandamento que Ele nos deu.

A passagem da primeira Leitura (At 10,25-26.34.44-48) traz exatamente esta mensagem: a salvação é dom de Deus, e é para todos, sem exceção, também para os pagãos. O amor é o que conta! A acolhida do coração ao Amor de Deus, a prática da justiça e o temor vivido.

Acolher a salvação implica em superação de atitudes de exclusão, marginalização, intolerância, fechamento ao diálogo, preconceitos. 

Há que se ter a permanente disponibilidade para a acolhida das propostas de Deus e Seus Dons.

A postura do Apóstolo Pedro diante de Cornélio revela atitudes que todo seguidor e servidor do Mestre deve ter: não se curvar no falso sentimento de superioridade, não se valer de privilégios, honras e poder.

Reflitamos à luz da a humildade de Pedro (At 10,25-26):

- Pomo-nos a caminho em busca de privilégios ou no compromisso do testemunho d’Aquele que nos chamou, com amor e humildade?

Na passagem da segunda Leitura (1Jo 4,7-10), contemplamos a face de Deus, o ser de Deus – “Deus é Amor”. 

A comunidade precisa deixar-se envolver pelo amor, que é a essência de Deus. Um amor incondicional, gratuito, desinteressado, radical e total; portanto, comunhão com Deus.

O amor a ser vivido não é algo secundário, é o absolutamente essencial na vida cristã e deve transparecer em gestos, no dia a dia. 

Sentir-se por Deus amado para amar. Somente comunicaremos o Amor de Deus se nos sentirmos por Ele amados.

Reflitamos:
- Vivenciamos o amor incondicional, gratuito, desinteressado, comprometido e solidário para com o próximo?

A passagem do Evangelho (Jo 15,9-17), está num contexto de despedida, em que Jesus dá as coordenadas finais aos Seus discípulos: o Mandamento do Amor. Quer assegurar Sua eterna presença, encorajando e enchendo o coração dos discípulos de esperança.

O caminho do discípulo é a união com Jesus e o Pai, com a Seiva do Amor que nos vem pelo Espírito. Ser discípulo de Jesus é estabelecer com Ele uma relação sincera, profunda de amor-amizade, que tem semente de eternidade.

Os discípulos, portanto, vivem no amor que os faz homens novos; empenham-se pela libertação própria e do outro. 

São, por natureza, alegres e entusiasmados. É preciso que nos sintamos amados por Deus, que é a fonte inesgotável de Amor, como discípulos missionários, amigos de Jesus.

Quando amamos e guardamos o Mandamento de Deus, Ele permanece em nós e nós n’Ele.

Nossa comunidade é convidada a viver o essencial: o Mandamento do Amor; constituindo-se como a comunidade do amor e que vive do amor, anunciando, dialogando, servindo e testemunhando a Salvação de Deus que se destina a todos os povos.

O testemunho de amor vivido pela comunidade tornará convincente e plausível o anúncio do Evangelho. A caridade vivida, dia após dia, aceitando e enfrentando as contradições da vida, com a determinação de superação, conscientes de que somente o amor está em condições de dar sentido e significado, a cada fato, a cada momento.
Reflitamos:
- Sentimos a presença de Deus em nosso meio?
- Levamos a sério o Mandamento do Amor?

- Sentimo-nos amigos de Jesus?
- Qual é a verdade de nossa alegria, entusiasmo e paixão pelo Senhor e o Reino por Ele inaugurado?

- Estamos comprometidos com a busca e a construção de um mundo novo?
- Somos uma comunidade que testemunha e faz transparecer o Amor de Deus?

Concluindo, a comunidade deve ter um rosto, deve ser como um "cartaz vivo" do Amor de Deus, um amor em sua expressão máxima: o amor de Cruz, da Cruz, pela Cruz, na Cruz.

Muito mais que uma humanidade que anseia por Deus, é Deus que anseia pela humanidade, em compaixão Se encontrando naquela Cruz. 

Não é a humanidade que procura e ama a Deus, mas é, antes, e desde sempre, Deus quem procura apaixonadamente a humanidade, vai ao seu encontro, descendo ao abismo da mansão dos mortos para nos resgatar. O Amor de Deus tudo suporta.

Amor pela Fonte de Amor, Jesus, que em Amor incondicional, incrível, extremo, não fugiu da Cruz (doação, entrega, fidelidade, redenção...), a mais bela de todas as lições que devemos aprender, permanentemente. 


Fonte: www.Dehonianos.org/portal

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