domingo, 30 de março de 2025

Deus, rico em misericórdia (IVDTQC)

                                                     

Deus, rico em misericórdia

Com a Liturgia do 4º Domingo do Tempo da Quaresma (Ano C), contemplamos a face misericordiosa de Deus, que se revela num Amor infinito e incondicional pela humanidade, de modo especial pelos pecadores e excluídos.

A passagem do Evangelho está inclusa no capítulo 15 do Evangelho de Lucas, que nos apresenta três Parábolas que comunicam o Amor de Deus derramado sobre os pecadores, sendo a segunda e terceira exclusivas do Evangelista Lucas, e não por acaso, chamado de “Evangelho da ternura divina”, como bem cita o Missal Dominical:

“Lucas, o evangelista da ternura divina multiplica as narrativas que mostram Jesus em busca dos mais abandonados, dos pobres, dos pecadores, realçando assim o próprio fundamento da nossa religião, que é a atitude dos que são arrebatados pelo abismo do Amor de Deus”. (1)

As três Parábolas estão apresentadas no contexto do caminho de Jerusalém, onde Jesus consumará a Sua missão, Paixão, morte e Ressurreição; logo, num contexto muito concreto, em que Jesus é questionado pelos fariseus e escribas pelo fato de andar e comer com os pecadores.

Elas revelam a misericórdia divina, que tem uma lógica diferenciada dos fariseus e escribas (lógica da intolerância e exclusão), pois a misericórdia divina faz novas as criaturas.

Normalmente, são conhecidas como Parábolas da “ovelha perdida”, “moeda perdida” e “filho pródigo”, mas poderiam ser apresentadas de outra forma: a misericórdia e alegria de Deus pelos pecadores que se convertem.

Deus jamais rejeita e marginaliza, ama-nos com Amor de Pai, e esta há de ser a atitude dos discípulos para com os pecadores: amor que vai ao encontro, acolhe e perdoa:

“Não existe verdadeira experiência humana sem intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco. Só o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre” (2).

Um amor que reintegra e celebra, com alegria, a volta daquele que estava perdido, morto, e encontrado voltou a viver.

As Parábolas expressam a ação divina, que abomina o pecado, mas ama o pecador. A comunidade é chamada a ser testemunha da misericórdia divina e jamais compactuar com o pecado.

Os seguidores de Jesus, que se põem a caminho com Ele, farão sempre uma caminhada de penitência e conversão, sem recriminar e excluir, mas acolhendo os pequenos, pecadores, e também se deixando ser acolhido pelo Amor de Deus.

Amados, acolhidos e perdoados por Deus tornamo-nos acolhedores e sinais do Seu Amor e do Seu perdão, que recria e faz novas todas as coisas. Verdadeiramente, a misericórdia divina vivida nos faz novas criaturas.

As Parábolas revelam que o Amor divino vai até o fim. Como não transbordar de alegria diante deste Amor que nos ama e nos ama até o fim?

Entremos na alegria de Deus, revelada a nós por Jesus, acolhendo e nos deixando conduzir pela ação do Espírito Santo.

Redimidos pelo Amor Trinitário, preenchidos deste Amor, seremos dele comunicadores, transbordando o mesmo Amor para com o outro, na alegria do perdão dado e recebido.

Desperte em nós um santo desejo, como expressou o Frei Raniero Cantalamessa:

“Quero ser um irmão maior que vai com Jesus em procura do irmão que se afastou; quero ser as mãos de Jesus que levantam quem caiu, quem se enredou nos espinhos do pecado. Talvez algum destes esteja escondido muito perto de mim e eu não tenha percebido” (3)

Finalizando, “Cristo nos revelou um Deus como desejamos. Um Deus que é Amor e misericórdia.“ (4)



(1)   (2) (4) - Missal Dominical pág. 1236.

(3). O Verbo se faz Carne – Editora Ave Maria – pág. 732


PS: Apropriado para o segundo sábado da quaresma.

Nada somos sem a misericórdia divina (IVDTQC)

Nada somos sem a misericórdia divina

“Entremos na Alegria do Pai”

Contemplemos a face misericordiosa de Deus, que se revela num Amor infinito e incondicional pela humanidade, de modo especial pelos pecadores e excluídos, à luz da passagem do Evangelho (Lc 15, 1-32).

O contexto da passagem: Jesus está  à caminho de Jerusalém, onde Jesus consumará a Sua missão, Paixão, morte e Ressurreição. 

As três Parábolas comunicam ao Amor de Deus derramado sobre os pecadores, sendo a segunda e terceira exclusivas do Evangelista Lucas, e não por acaso, o Evangelho de Lucas é chamado de “Evangelho da ternura divina”, como bem cita o Missal Dominical:

“Lucas, o evangelista da ternura divina multiplica as narrativas que mostram Jesus em busca dos mais abandonados, dos pobres, dos pecadores, realçando assim o próprio fundamento da nossa religião, que é a atitude dos que são arrebatados pelo abismo do Amor de Deus”. (1)

As Parábolas são apresentadas num contexto muito concreto, em que Jesus é questionado pelos fariseus e escribas pelo fato de andar e comer com os pecadores.

Elas revelam a misericórdia divina, que tem uma lógica diferenciada dos fariseus e escribas (lógica da intolerância e exclusão), pois a misericórdia divina faz novas as criaturas.

Normalmente, são conhecidas como Parábolas da “ovelha perdida”, “moeda perdida” e “filho pródigo”, mas poderiam ser apresentadas de outra forma: a misericórdia e alegria de Deus pelos pecadores que se convertem.

Deus jamais rejeita e marginaliza, ama-nos com Amor de Pai, e esta há de ser a atitude dos discípulos para com os pecadores: amor que vai ao encontro, acolhe e perdoa: 

“Não existe verdadeira experiência humana sem intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco. Só o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre” (2)

Um amor que reintegra e celebra com alegria a volta daquele que estava perdido, morto, e encontrado voltou a viver.

As Parábolas expressam a ação divina que abomina o pecado, mas ama o pecador. A comunidade é chamada a ser testemunha da misericórdia divina e jamais compactuar com o pecado.

Amar como Deus ama, um amor incompreendido e que nos dá vertigem.

Os seguidores de Jesus, que se põem a caminho com Ele, farão sempre uma caminhada de penitência e conversão, sem recriminar e excluir, mas acolhendo os pequenos, pecadores, e também se deixando ser acolhido pelo Amor de Deus.

Amados, acolhidos e perdoados por Deus tornamo-nos acolhedores e sinais do Seu Amor e do Seu perdão, que recria e faz novas todas as coisas. Verdadeiramente, a misericórdia divina vivida nos faz novas criaturas. 

As Parábolas revelam que o Amor divino vai até o fim. Como não transbordar de alegria diante deste Amor que nos ama e nos ama até o fim?

Entremos na alegria de Deus, revelada a nós por Jesus, acolhendo e nos deixando conduzir pela ação do Espírito Santo.

Redimidos pelo Amor Trinitário, preenchidos deste Amor, seremos dele comunicadores, transbordando o mesmo Amor para com o outro, na alegria do perdão dado e recebido.

Reflitamos:

- Sinto este Amor incondicional, irrestrito e eterno de Deus?
- De que modo rejeitar o pecado e não o pecador?

- O que as Parábolas da misericórdia divina nos ensinam?
- Como vivemos a fidelidade e correspondência ao Amor divino?

- Entramos na alegria de Deus, na festa dos reconciliados, dos que estavam perdidos e foram encontrados, dos que estavam mortos e voltaram a viver?

- Em que nos assemelhamos aos fariseus e escribas e sua lógica de recriminação e exclusão?

- Sentimo-nos acolhidos, amados e perdoados por Deus?
- Somos instrumentos de acolhida, amor e perdão divinos?

Finalizando, “Cristo nos revelou um Deus como desejamos. Um Deus que é Amor e misericórdia.“ (3)



(1) (2) (3) - Missal Dominical pág. 1236. 

Recriados pela misericórdia divina (07/03)

                                                               

Recriados pela misericórdia divina

Reflexão à luz da passagem a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 15,1-3.11-32).

A Parábola tem uma mensagem fundamental: a lógica do amor de Deus é a lógica do Amor incondicional, Amor sem restrições, amor sem fim, indefectível e se estende sobre bons e maus, sem exceções...

Ela é incomparavelmente diferente da lógica humana que às vezes se pauta pela prática da exclusão, do rancor, da indiferença, da não acolhida aos pecadores, do não acreditar na conversão do outro...

Nas passagens bíblicas (Ex 32,7-11.13-14; 1Tm 1,12-17),  contemplamos a atitude misericordiosa de Deus, ouvimos Sua voz como grande sinfonia de amor pela humanidade, um amor absoluto, gratuito, inesgotável, irrevogável...

São páginas da misericórdia, do amor, da bondade, da ternura, da magnanimidade divina para conosco!

O amor e o perdão divinos têm sempre a última palavra. Seu Amor fala mais alto, paradoxalmente a nossa surdez a Sua Palavra.

A lealdade de Deus para com Seu povo é incontestável, infinitamente além de nossas infidelidades, não correspondência ao Seu Projeto de vida, fraternidade e paz!

Deus é incapaz de deixar de nos amar, porque somos obra de Suas mãos; inacabadas, portando limitações que somente o amor é capaz de aprimorar.

O amor de Deus é a possibilidade de nos aprimorarmos, para que sejamos o que devemos ser, para que, mais verdadeiramente, imagem d’Ele, o sejamos... Por isto Seu amor jamais nos falta!

O amor vai ao encontro, acolhe, perdoa, reintegra, “carrega nos ombros do coração”, celebra com alegria inexpressível a volta de quem estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver...

- Deus abomina o pecado, mas ama sem medida o pecador. Qual é minha atitude diante do pecador?

Entretanto, testemunhar a misericórdia jamais significa fazer pacto com o pecado.

“O Amor de Deus causa vertigem”, se não entramos em Sua dinâmica, Seu modo de ser e de amar!

Como não transbordar de alegria diante de um Deus que não pensa e não faz outra coisa, senão nos amar e querer o melhor para nós!

Deus é irredutível em nos amar, porque jamais desiste de nós. Muito diferente foi a atitude do irmão mais velho, na Parábola, que recriminou, não se alegrou, bem provavelmente, a festa não celebrou!

Somente quem ama é capaz de entrar na alegria de Deus! Na reflexão do Missal, deste domingo, encontramos uma afirmação de extrema beleza e profundidade: não sentirá necessidade alguma de ser perdoado, quem não tiver consciência de ter traído alguém a quem ama!

Infelizmente, na cidade, é grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser o olhar da eficiência econômica, do quanto é capaz de gerar riquezas...

Enquanto o mal existir, haverá a emergência e a necessidade do amor a ser vivido, para que o bem e a vida prevaleçam, a comunhão aconteça.

Moisés, confiante na misericórdia de Deus, não tem outra atitude senão suplicar a mesma para com o povo; nada quis para si, a não ser o bem daqueles que o Senhor lhe confiou

Paulo, por exemplo, foi alguém precioso para Deus. Não houvesse Deus o amado; não fosse a misericórdia de Deus, jamais ele seria o que foi, jamais seria para nós quem ele é. Assim é o amor: ajuda o outro a ser o que deve ser. Por isto o Mandamento do Amor é imperativo: amar e ser amado nos torna semelhante a Ele, o Amor, porque Deus é Amor (1Jo).

Lucas é por excelência o evangelista da ternura. Por isto, podemos afirmar:

Verdadeira e continuamente, a Misericórdia de Deus nos recria, nos aperfeiçoa e nos faz novas criaturas, e nos acolhe em cada Eucaristia ao redor de Sua Mesa:

“A Eucaristia reúne em torno da mesma Mesa, em alegria compartilhada, os filhos pródigos arrependidos e os que não se afastaram de casa. Juntos louvam o Pai misericordioso e voltam-se para Ele no início da Celebração.”  (1)


(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – p.410

Celebremos o Domingo da alegria (IVDTQC)

                                                               

Celebremos o Domingo da alegria

“(a rosa) mostra o odor doce de Cristo 
que deve ser difundido extensamente por Seus seguidores fiéis, 
e os espinhos e o matiz vermelho relembram a Sua paixão” 

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido à proximidade da Páscoa.

A antífona inicial assim nos convida: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações" (Is 66, 10s).

Na Antiguidade cristã, este Domingo era chamado “Dia das Rosas”, pois os cristãos se presenteavam mutuamente, num belo gesto, com as primeiras rosas da primavera.

Somente no século X, entrou na Liturgia deste dia a singular Bênção da Rosa, sendo que em Roma a rosa passou a ser de ouro. O Papa ia à Basílica estacional de Santa Cruz de Jerusalém, levando na mão uma rosa de ouro que significava a alegria pela proximidade da Páscoa e, regressando, presenteava com ela o prefeito de Roma.

Esta Solenidade permanece, mas de forma diferente: o Papa costuma benzer neste dia uma rosa de ouro e a oferece a uma pessoa, a uma Igreja ou instituição, em sinal de particular atenção.

O Brasil já recebeu três rosas de ouro: uma foi ofertada à Princesa Isabel em 1888, pelo Papa Leão XIII, pela abolição da escravatura; outra oferecida à Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 1966, pelo Papa São Paulo VI, devido à monumentalidade de sua edificação, e o Papa Bento XVI, em visita àquele Santuário Nacional, em 2007, também ofereceu a simbólica rosa de ouro à Senhora Aparecida.

Há um significado muito interessante no fato da rosa ser de ouro: primeiro o ouro lembra a realeza de Jesus, e o odor exalado pela mesma lembra o doce odor de Cristo, que todo cristão deve exalar: o Mandamento do Amor a ser vivido, como o Papa Leão XIII assim o disse: “mostra o odor doce de Cristo que deve ser difundido extensamente por Seus seguidores fiéis, e os espinhos e o matiz vermelho relembram a Sua paixão” - (Acta, vol. VI, 104).

Com isto, toda a Igreja entra mais intensamente em preparação para a Páscoa do Senhor, e a Liturgia é de modo especial um convite para mergulharmos no Amor de Deus, que nos oferece a vida eterna, gratuitamente.

Mergulhemos, portanto, no mar imenso da misericórdia, para que, brevemente, celebremos com exultação e alegria a Páscoa do Senhor.

Em poucas palavras...

                                                            


Por que o Senhor morreu na Cruz?

Evangelho de João (Jo 3,14-21): contemplemos, à luz do Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 457-460), o amor de Deus na Encarnação do Verbo que Se fez Carne e por amor a nós na Cruz foi morto:

1 - Para nos salvar, reconciliando-nos com Deus;

2 - Para que assim conhecêssemos o amor de Deus;

3 - Para ser o nosso modelo de santidade;

4 - Para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Pd 1, 4).

A Parábola do Pai misericordioso (07/03)

                                                           

A Parábola do Pai misericordioso

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 15,1-3.11-32), e é oportuno rezarmos esta Oração escrita por Santa Faustina Kowalska, escrita por ela em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 - Caderno I), que muito nos ajuda na compreensão do que consiste a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.

Sejamos misericordiosos como o Pai! E somente seremos, se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

Oremos:

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.

Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”. Amém.

Acolhidos pela misericórdia divina (IVDTQC)

                                                        

Acolhidos pela misericórdia divina

No 4º Domingo da Quaresma (ano C), ouvimos a passagem do Evangelho (Lc 15, 1-3.11-32), que também é proclamada no 24º Domingo do Tempo Comum (ano C).

Na caminhada com Jesus para Jerusalém, e aprendemos mais uma imprescindível lição: a lógica do Amor de Deus é a lógica do Amor incondicional, Amor sem restrições, Amor sem fim, indefectível e se estende sobre bons e maus, sem exceções.

Ela é incomparavelmente diferente da lógica humana que às vezes se pauta pela prática da exclusão, do rancor, da indiferença, da não acolhida aos pecadores, do não acreditar na conversão do outro.

Contemplamos a atitude misericordiosa de Deus, ouvimos Sua voz como grande sinfonia de Amor pela humanidade, um Amor absoluto, gratuito, inesgotável, irrevogável...

A Sagrada Escritura é riquíssima de páginas da misericórdia, do Amor, da bondade, da ternura, da magnanimidade divina para conosco!

O Amor e o perdão divinos têm sempre a última palavra. Seu Amor fala mais alto, paradoxalmente a nossa surdez a Sua Palavra.

A lealdade de Deus para com Seu povo é incontestável, infinitamente além de nossas infidelidades, não correspondência ao Seu Projeto de vida, fraternidade e paz!

Deus é incapaz de deixar de nos amar, porque somos obra de Suas mãos; inacabadas, portando limitações que somente o amor é capaz de aprimorar.

O Amor de Deus é a possibilidade de nos aprimorarmos, para que sejamos o que devemos ser, para que mais verdadeiramente, imagem d’Ele, o sejamos... Por isto Seu amor jamais nos falta!

O amor vai ao encontro, acolhe, perdoa, reintegra, “carrega nos ombros do coração”, celebra com alegria inexpressível a volta de quem estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver.

De fato, Deus abomina o pecado, mas ama sem medida o pecador. Qual é minha atitude diante do pecador?

Entretanto, testemunhar a misericórdia jamais significa fazer pacto com o pecado.

“O Amor de Deus causa vertigem”, se não entramos em Sua dinâmica, Seu modo de ser e de amar!

Como não transbordar de alegria diante de um Deus que não pensa e não faz outra coisa, senão nos amar e querer o melhor para nós!

Deus é irredutível em nos amar, porque jamais desiste de nós. Muito diferente foi a atitude do irmão mais velho na Parábola, que recriminou, não se alegrou, bem provavelmente, a festa não celebrou!

Somente quem ama é capaz de entrar na alegria de Deus! Na reflexão do Missal deste domingo encontramos uma afirmação de extrema beleza e profundidade: não sentirá necessidade alguma de ser perdoado quem não tiver consciência de ter traído alguém a quem ama!

Infelizmente, na cidade é grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser o olhar da eficiência econômica, do quanto é capaz de gerar riquezas...

Vivemos na sociedade da descartabilidade, e isto nos desafia, porque somente pode ser feliz quem for reconhecido, estimado, apreciado e, sobretudo amado.

Uma autêntica experiência humana exige intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco, porque somente o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre.

A percepção de que Deus nos ama assim faz-nos sentir que estar longe d’Ele e dos outros por razões humanas é perder  tempo, e perder Deus. Nasce naturalmente a necessidade de pedir perdão.

Enquanto o mal existir haverá a emergência e a necessidade do amor a ser vivido para que o bem e a vida prevaleçam, a comunhão aconteça!

Moisés confiante na misericórdia de Deus não tem outra atitude senão suplicar a mesma para com o povo; nada quis para si, a não ser o bem daqueles que o Senhor lhe confiou.

Paulo, por exemplo, foi alguém precioso para Deus. Não houvesse Deus o amado; não fosse a misericórdia de Deus, jamais ele seria o que foi, jamais seria para nós quem ele é. Assim é o amor: ajuda o outro a ser o que deve ser. Por isto o Mandamento do Amor é imperativo: amar e ser amado nos torna semelhante a Ele, o Amor, porque Deus é Amor (Jo 4,7-9).

Iluminados pelo Evangelista Lucas, que é por excelência, o evangelista da ternura, cremos que verdadeiramente e continuamente, a Misericórdia de Deus nos recria, nos aperfeiçoa e nos faz novas criaturas. 

Alegremo-nos, pois Deus, 
rico em misericórdia, nos acolhe de braços abertos 
e nos envolve com Seu amor, ternura e perdão, 
para que melhores sejamos, 
vida nova plena e feliz, 
tenhamos. 
Amém.

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