quinta-feira, 27 de março de 2025

Um olhar de fé purificado (12/03)

                                                     

Um olhar de fé purificado

Nosso olhar de fé contempla a liberdade que Deus nos concede, e age sem jamais violentá-la, mas ampliando-a, para que sejamos plenamente libertos e felizes.

Um olhar de fé não permite que reduzamos a Pessoa de Jesus aos nossos esquemas mentais, ao nosso modo de ver, por vezes mutilado, e assim d’Ele nos distanciemos.

A fé em Jesus Cristo abre-nos à extraordinária novidade do Reino de Deus, Sua Pessoa, Palavra e presença, que nos faz verdadeiramente livres para amar e servir.

Jamais podemos ver Jesus tão apenas pelo ensino fascinante ou do sucesso junto às multidões, sem também contemplar o Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz.

A fé verdadeira contempla Sua missão de curar, libertar, não apenas pelo poder que possui em Si, mas como manifestação da onipotência da misericórdia divina.

A fé fecunda dispensa sinais extraordinários, acompanhados de curiosidade, por vezes, maldosas, porque Deus nada precisa nos provar.

Cremos em Jesus Cristo, que é o Filho de Deus, que supera e vence o mal físico e moral, até derrotar os poderes demoníacos.

Cremos, também, que Ele confiou o anúncio do Evangelho a Doze homens, simples discípulos; nem sábios, nem ricos, nem poderosos, mas com total confiança em Sua Palavra, ao lançar as redes.

Cremos que Jesus é o Filho do Homem, que venceu a morte, humanamente falando, derrotado, mas Ressuscitado por Deus, e à Sua direita sentado, reina vencedor e glorioso na comunhão com o Santo Espírito.

Afastemos as releituras distorcidas e empobrecedoras que, por vezes, deformam e esvaziam de conteúdo a Palavra, que o Verbo Encarnado plantou no mais profundo de nosso coração.

Seja o Tempo Quaresma um tempo de graça, para experimentar e reconstruir em nós uma fé que parta verdadeiramente do Evangelho, que Ele nos confiou e nos revela.

Seja o Tempo da Quaresma propício para “fecundar” e “adubar nosso coração, para que produzamos os frutos saborosos e abundantes que Deus tanto espera.

Purifiquemos nossa fé a cada dia, sempre comprometidos com a Boa-Nova do Reino, por Jesus inaugurado, a serviço do bem e empenhado na luta contra o mal. Amém.


Lecionário Comentado – Volume Tempo da Quaresma/Páscoa - Editora Paulus – 2011 – p.165 – à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,14-23).

O levitar da alma Quando ele acontece?

                                                                             

O levitar da alma
Quando ele acontece?

Quando menos esperamos.
Falo do levitar da alma daquele que em Deus crê.
Não falo de levitações que passam, mas daquelas que nos eternizam.

Quando a vontade d’Ele realizamos,
Sem medir esforços, na métrica imensurável da gratuidade
Que Ele nos apresentou ao ser cravado na Cruz.

Quando na vida de fé não recuamos;
Quando apesar de percalços, pedras, espinhos,
A dimensão do horizonte do Reino não perdemos.

Quando na vida de fé avançamos,
Alimentados e iluminados pela Palavra que no coração dos discípulos ardia,
Revigorados no Banquete Maior do Amor, da Eucaristia.

Quando doentes, na fidelidade ao Evangelho, visitamos
E sentimos a real presença do Senhor, pelo Evangelista tão bem descrito:
“estive doente e foste me visitar – vinde benditos de meu Pai”

Quando a vocação não é fuga, ilusão;
Quando não é resultado de incapacidade e falta de opção,
Mas a genuína resposta de um amor que nos fala ao coração.

Quando a família, incansavelmente, santificamos,
Com nossa presença, palavra, carinho e Oração,
Sem nenhum interesse se não que ali reine o amor sob o santo teto.

Quando compromissos alegremente assumidos,
Realizados com senso ético, lisura, clareza, transparência,
Sem a perda da necessária e convincente perfeita coerência.

Quando procuramos respostas que apontam novos rumos,
Como agora faço, e não consigo as mesmas esgotar;
Quando me abro a outras sinceras respostas acolher.

Quando Deus assim o quer, e maviosamente esta graça nos concede.
Quando não nos fechamos à Sua ação e manifestação.
Quando nos pomos silenciosamente em Oração.

Quando tiramos corajosamente da alma toda ferrugem;
Quando a tornamos mais leve, sem mágoas e nódoas do pecado;
Quando buscamos a divina misericórdia no Sacramento deixado.

Quando não perdemos a Alegria Pascal que vem da Cruz tão radiante,
Que brota e se renova com a Morte, aparência de derrota,
Porque bem mais forte foi o Amor de Deus que venceu a morte.
  
Quando as coisas do alto incansável e sedentamente buscamos;
Quando não mergulhamos na escuridão do pecado, trevas e morte;
Quando resplandecemos a luz divina, porque filhos da luz e do dia o somos!

Busquemos incansavelmente o levitar da alma,
Que somente Deus pode conceder para quem n’Ele confia,

Quem jamais a Esperança perde, na Fé não vacila,
a obra de Caridade que nos eterniza, não adia... Amém!

Em poucas palavras...

 


“O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade...” 

“O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. 

O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na Sua Cruz, fomos salvos. Temos um leme: na Sua Cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na Sua Cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do Seu amor redentor”. (1)

 

(1) Homilia do Papa Francisco – 27 de março de 2020


Silêncio...

                                                       


Silêncio...

“Não vos deixarei órfãos...”
(Jo 14,18)

Assim falou o Papa Francisco, na Praça São Pedro, em que também nos encontrávamos, ainda que não presencialmente:

“Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares”.

Silêncio...

Ruas e praças vazias, não ouço o passos apressados e tão pouco o som dos carros.
Escolas e universidades vazias, sem por isto o afastamento do saber que edifica.

Silêncio...

Estabelecimentos bancários, com atendimentos cada vez menos presenciais, graças à internet, acessados a distância.
Shoppings, lojas vazias ou fechadas, também refletindo o momento.

Silêncio...

Pistas dos aeroportos vazias à espera de aviões que não pousarão e tão pouco decolarão.
Estádios vazios; há muito não ouço o grito da torcida, jogos não há, nem choro ou alegria.

Silêncio...

Igrejas e Capelas com bancos vazios e, ao mesmo tempo, presentes nas casas pela graça dos meios de comunicação social. Famílias, pequenas Igrejas domésticas reaprendendo a encontrar o tempo para a oração, o recolhimento e fortalecimento na comunhão espiritual.

Silêncio...
Vivemos tempos difíceis, mas ocasião favorável para o silêncio e solitudes fecundas para avaliarmos e revermos projetos, rotas compromissos e sonhos; redirecionar a rota de nossas ambições desmedidas, para não fazer sofrer os mais empobrecidos.

Silêncio...
Coragem de fazer silêncio, colocando-nos diante da Verdade em Pessoa, que é o próprio Jesus Cristo, a Verdade que nos liberta, e nos apontará os rumos queridos por Deus para nós, e dias melhores haveremos de viver, porque órfãos jamais nos deixou: – “Não vos deixarei órfãos...” (Jo 14,18).

Silêncio para o fecundo silêncio.
Silêncio para aprender a silenciar.
Silêncio para falar o que for necessário.
Silêncio para calar o que preciso for.

Silêncio...

PS: Escrito no dia 27 de março de 2020

A Fé cristã

                                                         


A Fé cristã

 “A fé é uma profunda comunhão entre nós e Deus,
na qual o próprio Deus Se comunica a nós, e
Se torna presente em nós.  
A Oração é expressão
desta comunhão: ela não tende para um Deus
longínquo, mas exprime a própria vida do
Senhor Uno e Trino, que nos é comunicada” (1)

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé abrasadora
Fé amadurecida
Fé acrisolada
Fé ardente
Fé autêntica

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé comprovada
Fé consolidada
Fé fortificada
Fé frutuosa
Fé geradora

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé iluminadora
Fé irredutível
Fé provada
Fé pura
Fé robusta

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé singela
Fé sólida
Fé professada
Fé testemunhada
Fé convicta.

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e compromisso
Fé e solidariedade
Fé e comunhão
Fé e luta
Fé e conquistas

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e partilha
Fé e libertação
Fé e sonhos
Fé e buscas
Fé e combate

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e busca
Fé e encontro
Fé e incertezas
Fé e constância
Fé e coerência

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e ternura
Fé e perdão
Fé e acolhida
Fé e Oração
Fé e superação

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e resistência
Fé e horizonte do inédito
Fé e travessia
Fé e recriação
Fé e conversão

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e a força da Palavra
Fé e a vitalidade da Eucaristia
Fé e a doutrina da Igreja
Fé e a renovação de sagrados compromissos
Fé e os divinos Sacramentos.

A Fé cristã agirá pela caridade quando for:
Fé e o Amor do Pai
Fé e a Salvação do Filho
Fé e a ação do Espírito
Fé e a Força da Ressurreição...
Fé e a maravilha da divina presença...

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - pag.622
PS: Fonte de inspiração: Gl 5,6

A esperança dilata o coração

                                                       

A esperança dilata o coração

 
“Santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre
prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede...”(cf. 1 Pd 3,15-16)
 
Inspirado nas palavras do Apóstolo Pedro, como discípulos missionários do senhor, é sempre tempo de avançarmos firme e corajosamente na caminhada de fé, dando razão de nossa esperança, intensificando relações de caridade dentro e fora da Comunidade:
 
“Santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede; fazei-o, porém, com mansidão e respeito, conservando a vossa boa consciência, para que, se em alguma coisa sois difamados, sejam confundidos aqueles que ultrajam o vosso bom comportamento em Cristo.” (1Pd 3, 15-16).
 
É fundamental que contemos com um Planejamento Paroquial, para que, na ação evangelizadora procuremos respostas para diversos desafios que se fazem presente em nosso cotidiano. Que seja fruto da participação de muitas pessoas, em vários momentos significativos, sob a ação do Santo Espírito.
 
Dentre os desafios destacamos:
 
- o fortalecimento da catequese permanente (da criança ainda no ventre ao idoso em seu declínio natural);
- o revigoramento da comunhão, da amizade entre os agentes de pastoral, com a promoção de maior unidade entre as Paróquias com seus párocos ou administradores paroquiais, com mesma linguagem e orientações;
 
- a abertura à vida da diocesana, fortalecendo a diocesaneidade;
 
- o empenho na desafiante evangelização das juventudes;
 
- sair dos espaços internos da Igreja e adentrar também os espaços também desafiadores das escolas, condomínios, hospitais, universidades, presídios, shoppings...;
 
- intensificar esforços para que a Palavra seja anunciada na mídia em suas múltiplas possibilidades (rádio, TV, internet, facebook, sites etc.);
 
- ser presença junto aos enfermos, nos quais Jesus se faz presente.
 
 
Empenhos multiplicados, virtudes divinas (fé, esperança e caridade) vividas, viveremos uma espiritualidade autenticamente cristã, revelando o esplendor da face de Deus.
 
Que nossa esperança cristã não seja apenas uma expectativa, mas uma missão a ser assumida e vivida por todos com a força e ação do Santo Espírito, o protagonista primeiro da Evangelização, e com a proteção de Maria, a Estrela da Evangelização, pois a esperança dilata o coração, a sua ausência cria apatia e desânimo
 
É tempo de evangelizar, vivendo intensamente a fé, dando razão de nossa esperança, de tal modo que a caridade será para todos nós princípio vital na caminhada de Comunidade.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Caminhemos movidos pela fé

                                                    

Caminhemos movidos pela fé

Na terceira sexta-feira do Tempo Comum (ano ímpar), ouvimos a passagem em que o autor nos fala das longas e dolorosas lutas suportadas pela comunidade, e a exortação para não abandonar a coragem do testemunho dado (Hb 10, 32-39).

Vejamos o que nos diz o Missal Cotidiano:

“Crer é sempre sair dos projetos próprios e aceitar deixar-se conduzir por Deus, aonde nos queira levar. É uma aventura que se aceita livremente, associando-se à caravana do povo de Deus.

Frequentes vezes isto implica em corte violento de hábitos, amizades, atividades antigas; muitas vezes comporta perseguição, latente ou explícita, ou insulto e ridículo.

A todos se dirige a advertência sobre a fidelidade e a perseverança: quão admirável é a coragem de romper com certas coisas que ficaram para trás! Mas também é indispensável não voltar atrás.

Podemos estar entre aqueles que retrocedem, não com uma apostasia explícita, mas perdendo terreno dia após dia, desvirtuando com pequenas manifestações de egoísmo as grandes opções, fazendo calar a consciência por meio de argumentos sutis, tornando-nos medíocres pela rotina, aviltando-nos por uma resignação cética e conformista.

Reforcemos nossa fé e esperança com as palavras do Profeta (v.37) e de Jesus: 'Um pouco de tempo e já não me vereis, mas um pouco de tempo e me vereis... Chorareis e vós lamentareis, mas o mundo se alegrará... Também vós agora estais tristes; mas Eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará vossa alegria' (Jo 16, 16.20.22)”. (1)

Oremos:

Dai-nos, Senhor, a coragem necessária para não nos tornarmos desertores para a perdição, negando ou abandonando a fé que professamos desde o dia de nosso Batismo.

Concedei-nos que ela seja fortalecida, para que nos empenhemos na busca de nossa salvação, com sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino.

Ajudai-nos para que saibamos sair de nossos projetos próprios, abertos ao Vosso desígnio e Projeto, que tendes para cada um de nós, como membros do Povo de Deus que somos.

Dai-nos a coragem de caminhar para frente, sem recuos com sagrados compromissos, com liberdade, deixando para trás as coisas que ficaram, em plena expressão de liberdade.

Senhor, não permitais que caiamos no mero fazer, numa rotina em que tudo que façamos fique sem graça e sabor, ou também cairmos num ativismo empobrecedor de fecunda espiritualidade.

Senhor, concedei-nos a graça de sentir Vossa divina presença, em todos os momentos, perseverantes na oração e vigilantes, numa fé ativa e fecunda, dando razão da esperança, com um coração inflamado pela chama da caridade. Amém.

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus - p.695

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