quarta-feira, 19 de março de 2025

Quaresma: “Tempo de combate e suores” (04/03)

                                                  

Quaresma: “Tempo de combate e suores”

Na quarta-feira da 2ª Semana do Tempo da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,17-28), na qual a mãe dos filhos de Zebedeu, João e Tiago, pede a Jesus para que seus filhos se assentem em Seu Reino, um à direita e outro à esquerda.

Uma das Homilias do Bispo São João Crisóstomo (Séc. IV), muito nos enriquece nesta reflexão.

“Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Deixa-nos sentar um à Tua direita e outro, à Tua esquerda (Mc 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: Não sabeis o que estais pedindo (Mt 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis.

Depois acrescenta: Por acaso podeis beber o Cálice que Eu vou beber? (Mt 20,22). É como se lhes dissesse: ‘Vós me falais de honras e de coroas; Eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos’.

Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: ‘Podeis suportar os suplícios? Podeis derramar vosso sangue? Mas indagou: Por acaso podeis beber o Cálice? E para os estimular, ainda acrescentou: que Eu vou beber?

Assim falava para que, em união com Ele, se tornassem mais decididos. Chama Sua Paixão de Batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: Podemos (Mt 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam.

Que afirma o Senhor? De fato, vós bebereis do meu Cálice (Mt 20,23), e sereis batizados com o Batismo com que Eu devo ser batizado (Mc 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: ‘Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão’. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais Ele os preparou (Mt 20,23). Somente depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram.

Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mt 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois?

Mas, como já tive ocasião de dizer, observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos. Prestai atenção como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra, quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos.

Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda a aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem depressa recebeu a coroa do martírio”.

Como discípulos de Jesus, não devemos procurar as “honras e coroas”, como nos falou o Bispo, mas estarmos sempre prontos para “os combates e os suores”.

São Tiago, que nasceu em Betsaida, e seu irmão, João, filhos de Zebedeu, estiveram presentes nos principais milagres realizados por Jesus Cristo.

Foi morto no ano 42, por Herodes, e é venerado com grande devoção em Compostela (Espanha), onde se construiu uma célebre basílica dedicada ao seu nome.

Roguemos a Deus para que nos dê a coragem e o ardor deste Apóstolo, assim como do Apóstolo São João, na fidelidade ao Senhor, sem procurar um pseudocristianismo de honras e coroas”, glória sem cruz

Supliquemos, também, que tenhamos  maturidade para as renúncias necessárias e o carregar da cruz cotidiana, com a força e a sabedoria do Espírito Santo, que vem sempre em socorro de nossa fraqueza para os “combates e os suores”, iluminados pela Palavra do Senhor e alimentados pelo Seu Corpo e Sangue recebidos na Eucaristia.

Aprendamos com São José

                                                                       

Aprendamos com São José

Aprendamos com São José, que ao lado de Maria, na Sagrada Família de Nazaré, com o seu trabalho e presença generosa, cuidou e defendeu Maria e Jesus.

Aprendamos com São José, guardião e protetor da Sagrada Família, que livrou Maria e Jesus da violência dos injustos, levando-os para o Egito.

Aprendamos com São José, homem justo, trabalhador, e que de sua figura, emana também uma grande ternura, própria não de quem é fraco, mas de quem é verdadeiramente forte, atento à realidade, para amar e servir humildemente.

Aprendamos com São José, protetor da Igreja universal, a cuidar da terra, nossa casa comum, e trabalhar, com generosidade e ternura, para proteger este mundo que Deus nos confiou. Amém.


Fonte: Encíclica “Laudato Si’” – Papa Francisco – 2015 – n.242       

Em poucas palavras...

                                  


                                 
“Lembrai-vos de nós, São José...” 

“Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas Orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a Santíssima Virgem, mãe d’Aquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.”

 

(1)Sermão do Presbítero São Bernardino de Sena (séc. XV)

 

 

Aprendamos com São José, o guardião fiel e providente

                                                       

Aprendamos com São José, o guardião fiel e providente

 “José é ‘guardião’ porque sabe ouvir a Deus,
deixa-se guiar por Sua vontade e, por isso mesmo, se
mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe são confiadas...”

No dia 19 de março, celebraremos a Festa em louvor a São José, esposo de Nossa Senhora, pai adotivo do Senhor. 

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Presbítero São Bernardino de Sena (séc. XV), no qual ele nos apresenta São José como o guarda fiel e providente, enriquecido de todos os carismas para o exercício de sua missão.

“É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.

Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Senhora dos Anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos Seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).

Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem  especialmente escolhido, por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência.

Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos Patriarcas e dos Profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.

E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou.

Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.

Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas Orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a Santíssima Virgem, mãe d’Aquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.”

José é o guardião de Maria, de Jesus e da Igreja, como bem disse o Papa Francisco na Homilia da Missa inaugural do seu Pontificado.

Assim como São Bernardino chama São José de o guarda fiel e providente, o Papa também assim afirmou:

José é ‘guardião’ porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar por Sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe são confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!”

Acolhendo o Sermão do Presbítero aprenderemos a cuidar melhor do nosso Batismo, da vida que de Deus recebemos, a cuidar de nós mesmos, do outro e do planeta, a Casa Comum em que habitamos.

É sempre tempo de aprender as lições que São José tem a nos ensinar para que santifiquemos nossas famílias e o mundo em que vivemos, na fidelidade ao Projeto de vida que Deus tem para toda a humanidade.

Grandeza e santidade de um carpinteiro de Nazaré chamado José

                                                    


Grandeza e santidade de um carpinteiro de Nazaré chamado José

“Dize-me, José, quando conheceste Maria? Terá sido em uma manhã de primavera, quando ela voltava da fonte do vilarejo com seu cântaro na cabeça e a mão na cintura, esbelta como um lírio? Ou em um dia de sábado, enquanto conversava à parte com as jovens de Nazaré sob o arco da sinagoga? Ou ainda em uma tarde de verão, em um campo de trigo, enquanto, abaixando seus esplêndidos olhos para não revelar o pudor da pobreza, se afanava na humilde tarefa da colheita? Ou quando te retribuiu o sorriso e te tocou a cabeça com sua primeira carícia, que talvez tenha sido sua primeira aceitação, e tu não o sabias (e, à noite, encharcaste teu travesseiro com lágrimas de felicidade...)? Ela te escrevia cartas de amor?

Talvez, sim (e o sorriso que acompanha o movimento de teus olhos para o armário de tintas e vernizes dá-me a entender que, em um desses frascos vazios, que já não se abrem, ainda guardas uma daquelas cartas).

Então, uma noite, te revestiste de coragem e te aproximaste de sua janela, perfumada com manjericão e menta, e lhe cantaste suavemente os versos do Cântico dos Cânticos: "Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim! Vê o inverno: já passou! Olha a chuva: já se foi! As flores florescem na terra, o tempo da poda vem vindo e o canto da rolinha se faz ouvir em nosso campo. Despontam figos na figueira e a vinha florida exala perfume.

Levanta, minha amada, formosa minha, vem a mim! Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos... Deixa-me ver teu rosto, deixa-me ouvir tua voz, pois teu rosto é tão formoso e tão doce tua voz!" (2,10-14). E tua amada, tua pomba, tua formosa se levantou de verdade. Saiu ao teu encontro, fazendo-te estremecer. Tomou tua mão na sua, e enquanto o coração te estalava no peito, te confiou ali, sob as estrelas, um grande segredo. Só tu, sonhador, podias entendê-la. Falou-te do Deus de Israel.

De um anjo do Senhor. De um mistério escondido pelos séculos e agora escondido em seu ventre. De um projeto maior que o universo e mais alto que o firmamento que se estendia sobre ti e ela.

Então, pediu-te que saísses de sua vida, que lhe dissesses adeus e a esquecesses para sempre. Foi aí que a estreitastes junto a teu coração pela primeira vez, e lhe dissestes com tremor: "De minha parte, renuncio voluntariamente a meus planos.

Quero partilhar os teus, Maria, contanto que me deixes estar contigo". Ela te respondeu que sim, e tu lhe tocaste o ventre com uma carícia: foi tua primeira benção para a Igreja nascente (...). 

E penso que tiveste mais coragem para partilhar o projeto de Maria do que ela, inicialmente, para partilhar o Projeto do Senhor. Ela apostou tudo na onipotência do Criador, mas tu apostaste tudo na fragilidade de uma criatura. Ela teve mais fé, mas tu tiveste mais esperança. E a caridade fez o resto, em ti e nela”.

 

PS:  Texto de Dom Tonino Bello para reflexão, no ano que de São José, declarado pelo Papa Francisco; iniciado em 08 de dezembro de 2020, e a ser encerrado no dia 08 de dezembro de 2021.

Texto completo, em italiano, encontra-se em: La carezza de Dio: lettera a Giuseppe. Molfetta: Meridiana | Luce e Vita, 2021.

Antonino Bello (mais conhecido como Dom Tonino).

A difícil e bela missão de ser pai

A difícil e bela missão de ser pai

Celebramos no dia 19 de março a Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e patrono da Igreja, e a Liturgia da Palavra nos apresenta estas leituras: 2Sm 7, 4-5a.12-14a; Rm 4, 13.16-18.22; Mt 1, 16.18-21.24.

Sejamos enriquecidos por esta reflexão a fim de que edifiquemos famílias como santuários da vida, uma pequenina Igreja doméstica:

“A Igreja propondo-nos, em algumas Festas, a figura de homens – os Santos [...]  Propõe-se, ao invés, essencialmente, um fim educativo e pastoral; quer colocar-nos diante dos olhos encarnações concretas do Evangelho, isto é, um valor religioso vivido exemplarmente num estado e numa situação particular da  vida.

O valor evangélico encarnado por São José é o da paternidade: o que é necessário para ser um pai ‘de acordo com os planos de Deus’. É bonito saber que em alguns lugares se tenha escolhido a Festa de São José para fazer nas famílias ‘a festa do pai’.

A segunda leitura nos falou também de paternidade, com a figura de Abraão, pai de muitos povos. Também esta paternidade metafórica, da fé, ajuda a entender o sentido profundo de ser pai.

No Evangelho fala-se, enfim, de outro Pai, o único que Jesus chama ‘o meu Pai’  (talvez para tornar mais precisas as palavras de Maria: Teu pai e eu, angustiados, Te procurávamos).

José é uma pessoa da qual se fala pouco. Temos muitas oportunidades, graças às numerosas festas de Nossa Senhora, falar da mãe e da mulher, mas poucas – talvez somente a de hoje – para falar da pessoa do pai.

[...] No Antigo Testamento – escutamos na primeira Leitura – Deus diz:

Eu serei para ele um Pai; São Paulo escreve que toda paternidade, no céu e na terra, deriva e toma nome da paternidade divina (cf. Ef 3,15).

Em duas coisas Jesus nos ensinou a reconhecer, sobretudo, a paternidade de Deus. A primeira é esta: Deus é Pai porque cuida de nós (cf. 1Pd 5, 7): Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lhe peçais. [...]

Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã (Mt 6, 8-34); vós, pois, que sois maus – acrescenta Jesus – sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem (Mt 7, 11).

São José encarnou este traço da paternidade. Sua solicitude desinteressada pela esposa e pelo ‘filho’ enche as primeiras páginas do Evangelho.

Quantas coisas pode isto sugerir a um pai cristão! O que significa desperdiçar, olhar para o que é realmente útil para a família, não para os próprios gostos e caprichos.

Significa não se aproveitar do próprio trabalho como pretexto para humilhar; nunca fazer pesar aos de casa que eles estão comendo ‘em suas costas’.

Significa cuidar da saúde e da integridade de seus familiares, não expô-los inutilmente a perigos, por exemplo quando dirige o carro.

A solicitude deve estender-se também à saúde mental e moral. Por isso, o pai controlará o que entra em sua casa, pessoas e livros.

O outro traço que Jesus nos apontou muitas vezes na paternidade de Deus é a bondade, isto é, Sua doçura, Sua ternura e Sua longanimidade: Sede misericordiosos – isto é, bons – como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6, 36). Pensemos na atitude com que Jesus descreve o pai na Parábola do filho pródigo, quando este volta para casa: isto é bondade e magnanimidade.

Pensemos agora em São José, em sua delicadeza com Maria quando esta lhe revelou o mistério da sua maternidade, em silêncio no templo.

Uma coisa que os pais devem corrigir é precisamente esta. Seu verdadeiro papel na família não é, com efeito, se ocupar apenas da parte financeira, mas ser a imagem de uma bondade forte ou de uma energia bondosa.

Do contrário, vai acontecer como àquele pai desesperado porque, depois de ter dado ao filho várias notas de cem reais cada semana para se divertir, um dia o ouviu dizer: ‘Você nunca me deu nada. Por que me fez nascer?’.

Seria preciso pensar também no modo com que se exerce a autoridade. O pai não é chefe do jeito de quem dirige um trabalho ou um exército.

Não há coisa mais triste do que conhecer crianças que têm medo do próprio pai e esperam que ele saia de casa para falar e sentir-se livres. Há um número considerável destas crianças que crescem, consequentemente, cheias de inseguranças e de complexos.

É grandeza de alma reconhecer também a contribuição da própria esposa e externar este reconhecimento com gestos e palavras. E depois o diálogo conjugal; é mau sinal reservar seus melhores pensamentos, os comportamentos mais gentis para quando se está fora de casa, com os amigos ou com outras mulheres.

A coisa mais bonita e, tacitamente, mais desejada por parte dos filhos é que o pai e a mãe demonstrem que se querem bem. Isto dá-lhes segurança, os faz crescer; é como oxigênio para seus jovens pulmões. Tantas fugas trágicas no paraíso da droga e da delinquência começam pelas carências neste campo: as rupturas violentas entre pais deixam marcas no ânimo dos filhos e apagam sua confiança na vida.

O amor que havia entre o pai adotivo e a mãe de Jesus! Este se reflete também naquelas sentidas palavras de Maria: Teu pai e eu, angustiados, Te procurávamos; a angústia do pai é mencionada antes da sua.

A paternidade deve se enriquecer, em relação aos filhos, pela amizade. Isto exige que se fale livremente com eles; que não se continue a tratá-los como crianças, como acontece, muitas vezes, também quando são maiores e responsáveis; que não se apele demais para a autoridade e nem para o paternalismo; que se tenha a paciência necessária de esperar que amadureçam para que descubram por conta própria a razão de certas decisões” (1)

À luz do que afirmou o autor, Raniero Cantalamessa, apresento esta oração: 

Oremos: 

Ó Deus, contemplando a vocação de tantos pais,
Vejo como é bela e difícil a missão de ser pai.

Elevo Orações por todos os pais de nossa comunidade.
Suplico-Vos que lhes conceda a força e a luz divina
para serem como São  José,

Pai adotivo do Senhor, servo bom e fiel,
Guardião e defensor da Divina Fonte da Vida, Jesus.

Guiados por Vós, sejam como sois: solícitos, dóceis, ternos,
Pacientes e misericordiosos.

Dai, ó Deus, a eles a alegria serena e a
Graça de viver uma profunda e fecunda paternidade
Sendo de Vós imagem e sinal. Amém!

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) “O Verbo Se fez carne” – Raniero Cantalamessa - Editora Av Maria - 2013 - pp. 834-836 

Mensagem do Papa Francisco - 2021 - "São José: o sonho da vocação"

 


Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Tema: São José: o sonho da vocação”

Retomemos a Mensagem do Papa Francisco para o dia do Bom Pastor (4º Domingo da Páscoa) e o 58º Dia Mundial de oração pelas vocações (2021).

A mensagem tem como motivação o Ano especial dedicado a São José, iniciado dia 8 de dezembro do ano passado e a encerrar dia 8 de dezembro do próximo ano, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal da Igreja, do Papa PIO IX.

São José, afirma o Papa, neste contexto de pandemia, que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida, vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como um Santo ao pé da porta, e com seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

Apresenta-nos São José, embora não fosse famoso, tão pouco os Evangelhos transcrevam uma palavra sequer, como modelo de toda vocação realizada com amor e expressão de alegria, a partir de três palavras-chaves: sonho, serviço e fidelidade.

Sonho – São José, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom, como nos falam os Evangelhos de seus quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22).

A partir destes, São José soube alterar os seus planos para executar os misteriosos projetos de Deus, ainda que tivesse que sacrificar os próprios.

Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude, disse o Papa.

2º - Serviço - ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo, com capacidade de amar sem nada reservar para si próprio, encarnando o sentido oblativo da vida, de modo que toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício; assim como no sacerdócio e na vida consagrada, ou qualquer outra vocação, requer-se esta maturidade.

São José, diz o Papa, é como a mão estendida do Pai Celeste para o Seu Filho na terra, sendo modelo para todas as vocações, pois para isto são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos Seus filhos e filhas.”

3º - Fidelidade – A vocação de José se realiza na fidelidade incondicional a Deus, como um homem justo (Mt 1,19), que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos Seus desígnios, tudo repassando com paciência, pois sabia que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções, e isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55).

Esta fidelidade se alimentava das palavras recebidas em sonho, em permanente convite para que não tivesse medo, porque Deus é fiel às Suas promessas: “José, filho de David, não temas’ (Mt 1, 20).

A todos, o Papa nos dirige estas palavras, para que não tenhamos medo de dar nossa resposta “...quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a Sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia”.

Finaliza a Mensagem expressando o desejo de que, assim como na casa de Nazaré, onde reinava “uma alegria cristalina” (como diz um hino litúrgico), ela se faça presente em todos os lugares, como em nossos seminários, institutos religiosos e residências paroquiais:

“É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!”


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