sexta-feira, 19 de junho de 2026

Em poucas palavras...

                                                         


Óleo da Consolação e Vinho da Esperança

“Em sua vida terrena, Ele passou fazendo o bem e socorrendo todos os que eram prisioneiros do mal.

Ainda hoje, como bom samaritano, vem ao encontro de todos os que sofrem no corpo ou no espírito, e derrama em suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança.

Por este dom da vossa graça, também quando nos vemos submergidos na noite da dor, vislumbramos a luz Pascal em vosso Filho morto e ressuscitado.” (1)

 

 

(1) Missal Romano – Prefácio Comum VIII

Glorifiquemos a Deus

                                      


Glorifiquemos a Deus

Glorifiquemos a Deus e vivamos nosso compromisso batismal, na ação evangelizadora, jamais deixando que o orgulho, vaidade, prestígio, domínio nos ceguem, a fim de que não façamos perder a beleza de nosso anúncio, ou o colocando em descrédito por ausência de autêntico testemunho.

Glorifiquemos a Deus e não deixemos que os “espinhos da carne” sufoquem nosso amor e dedicação a Ele e ao próximo, ainda que surjam dificuldades e obstáculos, multipliquemos os gestos expressivos de caridade e solidariedade.

Glorifiquemos a Deus enfrentando com força e coragem tudo que possa nos aprisionar, roubando-nos a liberdade que o Senhor  nos alcançou; suportando açoites, perseguições, incompreensões, calúnias por causa de Jesus, se vierem inevitavelmente; pacientes na tribulação, resistentes na tentação e agradecidos a Deus  na prosperidade.

Glorifiquemos a Deus, caminhando todos juntos, como Igreja Sinodal, a serviço do Reino de amor, justiça, verdade, liberdade, vida, santidade, fraternidade e verdadeira comunhão, pela luz da Palavra, iluminados e conduzidos pelo Pão da Eucaristia, alimentados e fortalecidos. Amém.


Fontes inspiradoras: Mt 5,1-12; 2 Cor 11,18-21b-30; Gl 5,1

 

“Revestidos de Cristo”

                                                        

“Revestidos de Cristo”

“Vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo”
(Gl 3, 26-27)

Somos uma Igreja “em saída” desde o seu início quando o Senhor nos deu esta ordem: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28,19).

É preciso que a Boa-Nova do Evangelho seja anunciada em todos os ambientes e também nas comunidades e espaços virtuais.

Mas a Evangelização somente alcança o seu objetivo se nos revestirmos de Cristo, com a força da oração, abertos ao que o Espírito diz a Igreja em cada tempo e realidade, nas diferentes circunstâncias.

Revestidos com esta força e assistidos pelo Espírito Santo, a Palavra de Deus será anunciada e testemunhada, e novos discípulos faremos para o Senhor, em total fidelidade ao seu mandato.

É sempre tempo favorável para darmos razão de nossa esperança, acompanhado do testemunho da fé com gestos concretos de caridade.

Tudo isto pode acontecer vivendo as obras de misericórdia corporais e espirituais, edificando nossa vida na rocha firme da Palavra de Jesus Cristo, e nutridos pela força e vitalidade da Eucaristia.

A autenticidade da vida de fé não consiste em fuga,  mas no empenho em sagrados compromissos de santidade e santificação da família e do mundo. Tendo Deus plantado em nós a semente da fé, ela se torna luminosa, incapaz de ser ocultada.

Uma fé autêntica nos faz olhar para um amanhã mais esperançoso, vivendo no tempo presente, compromissos concretos para a sua viabilização. Afinal não estamos sozinhos, fomos revestidos de Cristo, e a força do Espírito nos é comunicada, assim como sua assistência para que sejamos fiéis à vontade de Deus, e assim vermos acontecer a chegada do Seu Reino.

Revestidos de Cristo somos uma nova criatura e com isto emergem responsabilidades morais, como também o Apóstolo nos falou em sua Carta aos Colossenses (Cl 3,10-12): 

“Revestistes-vos do homem novo... revesti-vos de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência”.

Sagrado Coração de Jesus: fonte para a santidade presbiteral

 


Sagrado Coração de Jesus: fonte para a santidade presbiteral

 

«Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo»

(Lv 19, 2; cf. 1 Pd 1, 16).

 

Fundamental que todos os padres contemplem o Coração trespassado do Senhor, do qual brota uma fonte inesgotável de paz e unidade para todo a humanidade e para toda a comunidade que conduzem e animam.

Deste modo, vivam a santidade:

- Não como uma opção entre tantas outras, nem como um ideal abstrato, mas como uma interpelação a todos que desejam participar da vida do Ressuscitado;

- Como participação no mistério de Cristo, num abandono confiante, deixando-se transformar pelo Espírito Santo;

- Expressa no abandono confiante nas mãos divinas, cientes de suas fraquezas, cansaços, e por vezes, feridas, deixando se  transformar pelo Espírito Santo, conscientes de que carregam tesouro em vasos de barro ( 2 Cor 4,7)

- Procurando a paz no peito aberto do Senhor Jesus, do qual jorrou água e sangue;

- Configurados ao Verbo que se fez Carne, oferecendo ao mundo que tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas; mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo, por quem são totalmente apaixonados;

- No corajoso testemunho de uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus, como sinais credíveis de unidade, paz e misericórdia;

- Testemunhando a ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos com compaixão, proximidade e solidariedade;

. Na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque é capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança;

- Com zelo inadiável na solidificação da fraternidade presbiteral que permite o crescimento, na escuta e ajuda mútua, vencendo toda tentação de isolamento que o apagaria lentamente;

Enfim, inspirem-se nas memoráveis palavras do Santo Cura d’Ars - «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus», com a presença da Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Amém.

 

Fonte: Mensagem do Santo Padre Leão XIV aos Sacerdotes por ocasião do Dia da Santificação dos Sacerdotes – Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (12/06/26)

 

Precisa-se de Profetas! (Parte I)

                                                     

Precisa-se de Profetas!

O Profeta é a consciência crítica do povo.
O Profeta é um “ser contra...”

Desmascara as astuciosas cumplicidades com o mal; denuncia com firmeza os vícios e infidelidade do povo, a falsidade do culto, os abusos do poder, desmascara idolatrias, não compactua com injustiças, não se acomoda diante do “aprisionamento” de Deus e de Sua Palavra.

É o “juízo” de Deus sobre a malícia humana; é a simultaneidade da comunicação da vontade divina. Sua voz é apelo à conversão do coração, em nível pessoal e também coletivo. Sua vida, obra e denúncia são consequências de seu amor... A denúncia do mal não lhe faz amargo! Ele olha para o horizonte com confiança e esperança...

O Profeta é:

-  o homem da aliança:
- aquele que faz faz uma leitura divina dos acontecimentos humanos;
- é feliz porque sua felicidade é fruto da releitura humana da onipotência divina e da releitura divina da fraqueza humana;

- o homem dos três tempos: passado, presente e futuro... Ele lê o presente com um olhar retrospectivo (aliança do Sinai) e com olhar prospectivo (Nova e Eterna Aliança);
- alguém que não somente fala em nome de Deus, mas é Deus quem fala nele: Uma revelação perfeita!

Seu vigor é fruto de Alimento Divino. Nutre-se do Pão da Vida no Sacrifício Eucarístico... Alimento que o capacita para ser no mundo sinal da misericórdia divina, concretizado no cumprimento do amor ao próximo.

Reflitamos: 

- O que mais poderia ser dito sobre o ser Profeta?
- Sinto-me chamado por Deus para a vocação profética?

- Sinto a graça de Deus me acompanhando no realizar da vocação profética?
- Quais são as vocações proféticas bíblicas que mais me encantam?
- Quais são as vocações proféticas que hoje me encantam?


A comunidade de Jesus será autêntica quando for uma comunidade de Profetas, em que todos vivem com fidelidade e ardor a graça do batismo, como sacerdotes, profetas e reis, vivendo com alegria como discípulos missionários do Senhor.

Precisa-se de Profetas! (Parte II)

                                                      

Precisa-se de Profetas!

Ninguém é Profeta porque
quer, tão pouco por iniciativa própria.

Para reconduzir o povo à fidelidade, ao relacionamento fraterno, Deus toma a iniciativa de constituir Profetas. Vocação profética é uma prerrogativa divina, cabe a nós dar a resposta. A vocação profética é um dom divino a nós concedido. Vivê-la intensamente é uma resposta ao primeiro passo dado por Deus que vem sempre ao nosso encontro.

Profetas autênticos Deus suscita. Vocacionados, com a graça divina, superam todas as dificuldades da missão.

Precisa-se de Profetas! Peçamos ao Pai que nos envie Profetas. Pois, quando eles faltam, o povo perde o rumo de sua caminhada. Perde seus horizontes e mergulha num abismo de mediocridade, num deserto de esterilidade, num oceano de desumanidade, num lamaçal de atrocidades…

Quando se calam as suas vozes:

- campeia a força dos interesses falsos e impuros, chegando ao absurdo de não se ter vergonha da imoralidade e absoluta perda da sanidade mental, espiritual, intelectual, psicológica etc;

- inaugura o permissivismo, o relativismo (ausência da verdade absoluta) em que tudo é permitido até mesmo a eliminação da vida. Anuncia-se a morte de Deus para a proliferação de deuses. A humanidade não pode ter futuro prescindindo de Deus;

- irrompe a escuridão, instaura-se o caos;

- robustece  e multiplica a infidelidade e idolatria. 

É tempo da missão profética da Igreja: vozes proféticas são e serão sempre luminares, portadores da luz divina para um mundo novo e por isto reafirmamos: “O Senhor é minha luz e Salvação, a quem temerei?”

Finalizo citando Santo Antônio, em um dos seus memoráveis sermões: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.”

Diz São Gregório:

“Há uma lei para o pregador: que faça o que prega. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Através da Palavra e dos sinais os cristãos serão homens e mulheres no coração do mundo e, ao mesmo tempo, serão homens e mulheres no coração da Igreja!

Senhor, derramai em mim o fogo do Vosso Espírito,
para que a chama profética não se apague!

Senhor, derramai em mim a Vossa graça,
Para que o ardor da vocação profética não esfrie!

Senhor, derramai em mim a Vossa esplendorosa luz,
Para que eu seja fiel ao Caminho que a Vós conduz!

Precisa-se de Profetas! (Parte III)

                                                            

Precisa-se de Profetas!

Precisa-se de Profetas!
Mas, o que é ser Profeta em nosso tempo?

Aprofundando a vocação profética, que recebemos no dia de nosso Batismo, veremos que ser Profeta é, antes de tudo, um dom de Deus e uma resposta humana. 

A missão profética não é iniciativa da Igreja, tão pouco nossa, mas do Espírito Santo.

Os Profetas surgem onde e quando menos esperamos. Com a consciência da unção divina, une culto à prática da justiça, de modo que é constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar (Jr 1,10)”.

Sua ação é fruto de um encontro decidido, marcante e apaixonado por Cristo, que o torna portador de uma fé convicta, cultivador de profunda intimidade com os Mistérios divinos.

O Profeta é permanente discípulo da escola do Amor. Aprendiz voraz da sabedoria divina do Mestre e de tantos testemunhos dos mártires e Profetas de todos os tempos.

Acolhe a Semente do Verbo antes de anunciá-La! Para falar antes com a vida e depois com as palavras e, assim, sua profecia não seja um alienante contratestemunho; sabe que é preciso cultivar a coerência entre a fé e a vida.

Sabedor da necessária, plena e permanentemente abertura à vontade de Deus: Sua vontade sempre se submete à vontade d’Aquele que o seduziu.

Compromissado com a vida do povo simples é anunciador de uma redenção radical, levando-o a purificação de todas as suas infidelidades em contínuo processo de conversão do coração, correspondendo de maneira incansável aos desejos divinos.

Não há profecia se não for o Profeta um homem de fé! Devendo estar em permanente processo de amadurecimento e acrisolamento da mesma, que vai conferi-lo e revesti-lo de autoridade divina, impossibilitando-o de se enamorar com o autoritarismo, seja de que ordem for. A vocação profética desperta no coração do Profeta uma inquietude missionária!

Ele sabe que é preciso rezar todos os dias para manter acesa a chama do profetismo em seu ministério, renovando sempre a conduta de outrora, com invejável vigor (cf. Ap 2,5).

Num mundo marcado pelas relações interesseiras, o Profeta é  sinal e testemunha da gratuidade do Amor divino, por isto sabe que precisa se alimentar na oração e na escuta da Palavra de Deus, em diálogo aberto e sincero, confiando a Deus suas inquietações, angústias, preocupações, alegrias, certezas, esperanças... Muitas vezes confrontando com realidades de tristeza e desolamento, o profeta deve irradiar e testemunhar a alegria de ser Igreja, santa e pecadora, tudo fazendo para torná-la mais santa e servidora, em incontestável fidelidade ao Senhor...

A voz do Profeta é como a voz de Deus no aqui e agora... Sempre em constante sintonia e abertura para captar o sopro do Espírito, agindo como mediador e porta-voz de Deus.

Portanto, saberá calar para que a voz de Deus possa ressoar, terá uma voz intrépida a denunciar o que contraria e uma voz incansável a anunciar o mundo querido por Deus.

Por ser voz de Deus, é aquele que fala em nome de Deus! E muito mais, Deus através dele fala!

Deve, pois, falar com a autoridade d’Aquele que o envia. Portanto, precisa saber escutar, aprender e acolher a voz de Deus, para que todo povo tenha vida.

O Profeta, num mundo marcado por ruídos e barulhos ensurdecedores, é o homem do silêncio que gera o novo. Num mundo em que se semeiam mentiras e contravalores, mensagens supérfluas e tão frágeis, tão passageiras, o Profeta é mensageiro de um anúncio que não envelhece, não perde a pertinência e atualidade, não lhe sendo permitido escolher lugar, tempo e missão, porque a iniciativa é de Deus.

O Profeta não é alguém que fica nas nuvens...
Mas, com os pés fincados na realidade e nas asas do
Espírito age num lugar concreto, no cotidiano da vida...

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG