terça-feira, 16 de junho de 2026
“O Amor do Pai dá vertigem”
Santifiquemos o nome do Senhor
Santifiquemos o nome do Senhor
"Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome..."
Aprofundemos a oração do Senhor, o “Pai Nosso”, com o Tratado de São Cipriano, bispo e mártir (séc. III), sobretudo quando dizemos “Santificado seja o Vosso nome”.
“Quanta indulgência do Senhor, quanta consideração por nós e quanta riqueza de bondade em querer que realizássemos nossa oração, na presença de Deus, chamando-o de Pai, e que, da mesma forma que Cristo é Filho de Deus, também nós recebamos o nome de filhos de Deus.
Nenhum de nós ousaria chamá-lo Pai na oração, se Ele próprio não nos permitisse orar assim. Irmãos diletíssimos, cumpre-nos ter sempre em mente e saber que, quando damos a Deus o nome de Pai, temos de agir como filhos: como a nossa alegria está em Deus Pai, também Ele encontre Sua alegria em nós.
Vivamos quais templos de Deus, para que se veja que em nós habita o Senhor. Não seja a nossa ação indigna do Espírito, pois se já começamos a ser espirituais e celestes, pensemos e façamos somente coisas celestes e espirituais, conforme disse o próprio Senhor Deus: Àqueles que me glorificam, Eu os glorificarei e àqueles que me desprezam, os desprezarei. Também o santo apóstolo escreveu em uma epístola: Não vos possuís, pois fostes comprados por alto preço. Glorificai e levai a Deus em vosso corpo.
Em seguida dizemos: Santificado seja o Vosso nome, não que desejemos ser Deus santificado por nossas orações, mas que peçamos ao Senhor seja Seu nome santificado em nós. Aliás, por quem seria Deus santificado, Ele que santifica? Mas já que disse: Sede santos porque Eu sou santo, pedimos e rogamos que nós, santificados pelo batismo perseveremos no que começamos a ser. Cada dia pedimos o mesmo. A santificação cotidiana é necessária para nós pois, cada dia, falhamos e temos de purificar nossos delitos por assídua santificação.
O apóstolo descreve qual seja a santificação que, pela condescendência de Deus, nos é dada: Nem fornicadores nem idólatras, adúlteros, nem efeminados, sodomitas, nem ladrões nem fraudulentos, nem ébrios, maldizentes, nem usurpadores alcançarão o reino de Deus. Na verdade fostes tudo isto, mas fostes lavados, fostes justificados, santificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.
Diz-nos santificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. Oramos para que esta santificação permaneça em nós. Se o Senhor e nosso juiz advertiu aquele que curara e vivificara de não mais pecar, para que não lhe adviesse coisa pior, fazemos este pedido por contínuas orações, suplicamos dia e noite a fim de que, por sua proteção, nos seja guardada a santificação vivificante que procede da graça de Deus.” (1)
Seja nossa vida por pensamentos, palavra e ação a santificação do nome de Deus em todos os momentos.
Deste modo, não podemos rezar a oração que o Senhor nos ensinou de qualquer modo, sem a devida ressonância em nossa vida.
Seja a nossa oração acompanhada de gestos e compromissos concretos em favor de nossos irmãos, em relações mais fraternas, e tão somente assim poderemos a Deus chamar de Pai e o Seu nome santificar. Amém.
(1) Liturgia das Horas - Vol. III - Tempo comum - pág. 324-325
A mais bela Oração o Senhor nos ensinou
Em poucas palavras...
A indispensável proximidade
“Cultivemos
relacionamentos! Numa era que privilegia a velocidade e a fragmentação, o ser
humano ainda anseia por receber cuidado e reconhecimento de mentes atentas,
palavras gentis e mãos capazes de ternura.
A cultura
digital multiplica as conexões e oferece novas oportunidades de interação;
contudo, o coração humano conserva uma necessidade irrevogável de proximidade
genuína.
Convido a
todos a valorizar lugares e momentos em que a presença física permanece
crucial, como refeições compartilhadas, encontros da comunidade cristã, tempo
dedicado aos solitários e ao serviço aos pobres.
Esses são
sinais de uma humanidade que continua a crer que o corpo de cada pessoa é
morada de Deus e templo do Espírito Santo.
É
precisamente essa aliança entre glória e fragilidade que se torna o critério
para avaliar os modelos antropológicos oferecidos pela cultura contemporânea.”
(1)
(1) Encíclica Magnifica Humanitas (2026) – Papa Leão XIV –
parágrafo n. 239
Em poucas palavras... (Papa São João Paulo II)
De Cristo são nossas mãos, pés e lábios
"Cristo não tem mãos, pois só dispõe das nossas mãos para transformar o mundo de hoje.
Cristo não tem pés, pois só possui os nossos pés para orientar o mundo rumo a Ele.
Cristo não tem lábios, pois só dispõe dos nossos lábios para falar ao homem."
Fonte: Discurso do Papa São João Paulo II pronunciado no Encontro de peregrinos dos “Cursilhos de Cristandade” (29/07/ 2000)
O caminho para a verdadeira Felicidade
O caminho para a verdadeira Felicidade
“Seja feita a Vossa vontade...”
Aprofundemos com o Tratado de São Cipriano, bispo e mártir, as palavras de que dizemos na Oração que o Senhor nos ensinou, o "Pai-Nosso", quando dizemos "...Venha a nós o vosso Reino e seja feita a vossa vontade".
"A Oração continua: Venha a nós o Vosso Reino. Pedimos que o Reino de Deus se torne presente a nós, da mesma forma que solicitamos seja em nós santificado o Seu nome.
Porque, quando é que Deus não reina? Ou quando para Ele começou o Reino que sempre existiu e nunca deixará de ser?
Pedimos a vinda de nosso Reino, prometido por Deus e adquirido pelo Sangue e Paixão de Cristo, a fim de que nós que fomos, outrora, escravos do mundo, reinemos depois, conforme Ele nos anunciou, pelo Cristo glorioso, ao dizer: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a origem do mundo.
Pode-se igualmente, irmãos diletíssimos, entender que o próprio Cristo é o Reino de Deus, cuja vinda pedimos todos os dias. Estamos ansiosos por ver esta vinda o mais depressa possível.
Sendo Ele a Ressurreição, pois n’Ele ressurgimos, assim também se pode pensar que Ele é o Reino de Deus, pois n’Ele reinaremos.
Pedimos, é claro, o Reino de Deus, o Reino Celeste, já que há um reino terrestre. Mas quem já renunciou ao mundo está acima desse reino terrestre e de suas honrarias.
Acrescentamos ainda: Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu. Não para que Deus faça o que quer, mas para que possamos fazer o que Deus quer.
Pois quem impedirá a Deus de fazer tudo quanto quiser? Mas porque o diabo se opõe a que nossa vontade e ações em tudo obedeçam a Deus, oramos e pedimos que se faça em nós a vontade de Deus.
Que se faça em nós é obra da vontade de Deus, isto é, resultado de Seu auxílio e proteção, porque ninguém é forte por suas próprias forças.
Com efeito, é a Indulgência e a Misericórdia de Deus que o protegem.
Finalmente, manifestando a fraqueza de homem, diz o Senhor: Pai, se possível, afaste-se de mim este cálice e, dando aos discípulos o exemplo de renunciar à própria vontade e de aceitar a de Deus, acrescentou: Contudo não o que Eu quero, mas o que Tu queres.
A vida humilde, a fidelidade inabalável, a modéstia nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes; o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas; o manter a paz com os irmãos; o amar a Deus de todo o coração; o amá-Lo por ser Pai; o temê-Lo por ser Deus; o nada absolutamente antepor a Cristo, pois também Ele não antepôs coisa alguma a nós; o aderir inseparavelmente à Sua caridade; o estar ao pé de Sua Cruz com coragem e confiança, quando se tratar de luta por Seu nome e Sua honra, o mostrar firmeza ao confessá-Lo por palavras, e, no interrogatório, manter a confiança n’Aquele por quem combatemos, e, na morte, conservar a paciência que nos coroará, tudo isto é querer ser coeerdeiro de Cristo, é cumprir o preceito de Deus, é realizar a vontade do Pai”. (1)
O Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, que nos possibilita a reflexão sobre o caminho para a verdadeira felicidade.
Em tudo, e acima de tudo, ponhamo-nos a serviço do Reino em estreita e firme realização da Vontade Divina. Somente assim encontraremos a felicidade e o sentido de nosso existir.
Reflitamos:
- Quantas vezes rezamos assim no "Pai-Nosso": “Venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade...”?
- Quando dizemos “seja feita a Vossa vontade...” temos consciência do que dizemos?
- Procuramos, verdadeiramente, em tudo e em todo lugar realizar a vontade de Deus?
A Oração do "Pai-Nosso", por tudo que significa para nós, jamais poderá ser rezada de forma evasiva, sem ressonâncias no cotidiano, pois ao rezá-la, deve nos levar à santificação de todos nós, tão querida por Deus.
Não há felicidade humana quando a Vontade Divina é ignorada, esvaziada, esquecida, mutilada. Rezemos com a vida, não somente com a voz!
PS: “Do Tratado sobre a Oração do Senhor”, de São Cipriano, Bispo e Mártir (Séc. III), conforme Liturgia das Horas – Vol. III – pp. 328-330.
Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral
Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral
“Uma fidelidade que gera futuro”
A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.
Deste modo, o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.
A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.
Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.
A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:
- Fidelidade e serviço – uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.
Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.
Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.
- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.
A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.
- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.
- Fidelidade e missão – exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.
Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).
Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).
Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).
- Fidelidade e futuro – empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.
Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.
PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.







