sábado, 9 de maio de 2026

Com o Ressuscitado, vencemos o medo

 


Com o Ressuscitado, vencemos o medo
 
“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma!”
 
Reflitamos sobre a solicitude e o amor de Deus, para com aqueles que Ele chama e envia em missão, uma vez que a perseguição estará sempre presente no horizonte dos discípulos de Jesus.
 
À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 10,26-33), o tema da inevitabilidade da perseguição na vida dos discípulos é explícito, assim como vimos na primeira Leitura.
 
O Evangelista exorta à superação do desânimo e frustração decorrentes das perseguições.
 
Apresenta como que um “manual do missionário cristão”, que consiste no “discurso da missão” – “Para mostrar que a atividade missionária é um imperativo da vida cristã. Mateus apresenta a missão dos discípulos como a continuação da obra libertadora de Jesus.
 
Define também os conteúdos do anúncio e as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir, enquanto testemunhas do Reino” (1)
 
Três vezes aparece a expressão “Não temais”, assegurando a presença, ajuda e proteção divina para superação do medo que impeça a proclamação da Boa Nova; o medo da morte física; e neste medo se pode experimentar a solicitude de Deus, um cuidado que desconhece limites.
 
A mensagem é que a vida em plenitude é para quem enfrentar o medo, na fidelidade, até o fim. O medo não pode nos deixar acomodados.
 
A ternura, a bondade e a solicitude divina são imprescindíveis, pois fortalecem na missão. É preciso se entregar confiadamente nas mãos de Deus:
 
“Jesus encoraja os Seus discípulos a alargar o horizonte da vida e a avaliar os riscos vividos por Sua causa, no contexto mais amplo da vida com Deus, da vida eterna.
 
O cristão é chamado a viver na confiança de que o Pai não o abandona nas mãos dos perseguidores (v.28), que a sua vida, a sua salvação custou o Sangue do Filho e tem por isso, aos Seus olhos, um valor imenso (vv. 29-31).
 
A fidelidade e a confiança no Senhor serão recompensadas por aquele ‘reconhecimento’ que já se manifestou na Ressurreição de Cristo” (2).
 
No testemunho da fé, é possível a perseguição, portanto é necessária a confiança. Anunciar e testemunhar a Boa Nova é não deixar que o medo nos paralise, pois o medo nos impede de ser autênticos discípulos missionários:
 
“O cristão não é chamado a procurar o martírio como prova da sua fé, mas a viver constantemente a vida com os olhos fixos no Alto, isto é, a alargar aquele horizonte que hoje, mais do que nunca, tende a fechar-se no círculo dos benefícios desfrutáveis, aqui e agora.” (3)
 
Também nós precisamos ouvir a todo instante: – “Não tenhais medo”. É preciso que a Palavra de Jesus ressoe em nossos ouvidos e fique entranhada no mais profundo de nosso coração:
 
“Impressiona a história de tantos mártires cristãos, antigos e atuais, que escolheram o caminho da coerência e da fidelidade ao Senhor a custo da própria vida.
 
É com eles que nos encontramos na Comunhão dos Santos, vivida, sobretudo, na Celebração Eucarística; uma companhia que a comunidade dos crentes gosta de ter ao seu redor, mesmo com as pinturas, os afrescos, os mosaicos que adornam as nossas Igrejas (hoje reduzidas muitas vezes a belas obras que se admiram em igrejas-museu) expressões artísticas surgidas para tornar humanamente visível o que vivemos na fé.” (4)
 
Concluindo, apresentemos nas mãos de Deus nossa realidade humana, marcada pela fragilidade e necessitada de Sua força e intervenção.
 
Como cristãos, levantemos o olhar para a vida a que Cristo nos chama, ou seja, “viver a força de contestação profética que viveu Jeremias, que Jesus levou perante as autoridades judaicas e romanos e conduziu os Apóstolos ao martírio.
 
É na relação íntima e comunitária que vivemos com Deus, no desejo de sermos reconhecidos por Ele que se reforça a adesão a Cristo e ao Seu Evangelho, com a esperança libertadora de vivermos confiando no Pai.” (5)
 
Oremos:
 
“Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”
 
 
 
(1) www.Dehonianos.org/portal
(2) (3) (4) Lecionário Comentado p. 560.
(5) Idem p. 561.
 

Aleluia! Louvemos ao Senhor!

                                                     

Aleluia! Louvemos ao Senhor!


Voltemo-nos para um dos Comentários sobre os Salmos, do Bispo Santo Agostinho (séc. V) que nos dará o sentido mais profundo do “Aleluia Pascal”:

“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura.

Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa Oração, de gemidos.

Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade.

É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna.

Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do Tempo antes da Páscoa e a do Tempo depois da Páscoa.

O Tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura.

Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro Tempo em jejuns e Orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos.

Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A Ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada.

Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros.

E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-O com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na Igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-Lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada.

Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos.”

Aleluia!”

Crente ou não, quem nunca pronunciou esta palavra? Palavra de origem hebraica que no seu sentido mais exato quer dizer: “louvai ao Senhor”.

“Aleluia!” quando do coração provindo, pelos lábios pronunciado, ou mesmo cantado, com conteúdo de vida acompanhado, nos mergulha na intensidade e beleza de uma Fé Pascal.

Damos a cada momento, fato, dificuldade, tribulação, perda ou ganho vivido, um matiz de Mistério Pascal.

Louvemos ao Senhor em todos os momentos, porque já temos em nós a semente da Eternidade; já podemos experimentar as delícias no tempo presente e plenamente nos céus.

Depende de como pautamos e vivemos nossa vida; de como iluminamos nossa consciência e coração, para que vida e ação correspondam ao desejo de Deus: nossa santificação e felicidade.

Que vivendo o Amor de Cruz, pelo Filho Amado testemunhado, já experimentemos a plena alegria prometida (Jo 15, 9-17).

Vivendo o Amor de Cruz, nossos “aleluias!” ganhem cada vez mais beleza de conteúdo e intensidade de compromissos com o Reino.

Do coração para os lábios; dos lábios para a vida; da vida para a eternidade.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!


PS: Cf. Liturgia das Horas - Vol. II - Quaresma/Páscoa - p. 778-780.

Acolhidos pela Mãe da Piedade

                                     



Acolhidos pela Mãe da Piedade

Em 2018, tivemos a graça da Peregrinação das Paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida – RENSA – ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade – Caeté – MG.

Aproximadamente, 1500 peregrinos (padres, religiosos, religiosas, seminaristas, cristãos leigos e leigas), numa alegre, piedosa, frutuosa e orante participação, acompanhada do encontro de irmãos e irmãs de caminhada, num lugar que encanta nossos olhos, enche nosso coração de paz pelas maravilhas criadas pelas mãos divinas, além de sentirmos a presença de nossa Mãe, sob o título de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais.

Subimos a Serra da Piedade, como que subindo ao Monte Tabor, e contemplamos a face e presença do Senhor, de modo especial, ao lado de Sua amantíssima Mãe.

O ponto ápice da nossa peregrinação foi, indubitavelmente, a Santa Missa, em que a Liturgia do 5º sábado do Tempo da Páscoa nos ofereceu a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 16,1-10); Salmo 99 e o a passagem do Evangelho de João (Jo 15,18-21).

Na Homilia, destaquei alguns pontos, à luz da Palavra proclamada:

- precisamos ser uma Igreja decididamente missionária, uma Igreja em saída para as periferias existenciais, como tem insistido o Papa Francisco, com a presença e ação do Espírito Santo, revigorando cada dia a nossa fé e fidelidade ao Senhor;

- somos enviados a proclamar a Boa-Nova a todos os povos, em todo o tempo e em todo lugar, pois nisto consiste a missão dos discípulos missionários do Senhor, como nos fala o final da passagem da primeira leitura, em perfeita sintonia com a 5ª Assembleia da Arquidiocese de Belo Horizonte – MG, com seu objetivo maior de proclamar a Palavra oportuna e inoportunamente, à luz da Palavra do Apóstolo Paulo a Timóteo - “prega a Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instrui” (2 Tm 4,2).

Esta missão é possível e necessária, porque o próprio Senhor nos escolheu e nos enviou, como Ele mesmo nos diz na passagem do Evangelho.

Alegremo-nos e exultemos por esta escolha que o Senhor fez, não pelos nossos merecimentos, antes, porque nos ama e em nós depositou Sua confiança.

No entanto, poderemos, a exemplo d’Ele, ser pelo odiados e perseguidos, mas não poderemos jamais temer ou recuar diante dos desafios da evangelização. Assim nos ensinaram os santos e mártires de nossa Igreja. Assim também haveremos de ser e fazer, contando com a presença e ação do Espírito, como amigos do Senhor, na fidelidade ao Projeto do Reino, que o Pai nos confia e nos convida a participar de sua construção.

Após os ritos finais da Santa Missa, tendo ouvido e acolhido a Palavra do Senhor, voltamos para casa renovados, revigorados e motivados a dar continuidade à nossa missão; descemos à planície do cotidiano, para viver a fé, cultivar a esperança, a fim de florescer em frutos Pascais, de quem se move pela caridade, porque amados discípulos do Senhor o somos.

Coragem e fidelidade no discipulado

                                                     


Coragem e fidelidade no discipulado

No 5º sábado do Tempo da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 15,18-21), em que Jesus afirma que Seus discípulos não são do mundo, porque por Ele, foram escolhidos e apartados do mundo:

“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas porque não sois do mundo, porque Eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia.” (Jo 15,18-19).

Sejamos enriquecidos pelas palavras de H. Van den Bussche:

 “O tema da amizade e da intimidade induz, pela analogia dos opostos, ao tema do ódio e do desconhecimento que o pequeno rebanho dos discípulos sofrerá por parte do mundo.

O cristão é testemunha da Cruz, pelo amor que consagra aos irmãos, pelo ódio que sofre do mundo. Porque o mundo não cessará nunca de odiar os cristãos.

Não se poderia confiar nos discípulos que buscassem a simpatia do mundo ou dela gozassem. Não que o cristão deva afastar esta simpatia, nem tampouco cultivar o sofrimento com misticismos mórbidos.

Sem ir atrás das provações, bastar-lhe-á aceitar as que vierem; toda complacência nelas é suspeita. Deve, porém, estar pronto, e isto basta, a sofrer as perseguições do mundo, por sua fidelidade ao Senhor. Porque o ódio do mundo é inseparável de sua condição de discípulo.” (1)

Todo discípulo missionário do Senhor, no testemunho da amizade, intimidade e fidelidade a Ele, não está isento do ódio, incompreensão, perseguição ou indiferença do mundo, até mesmo o ato extremo do martírio, como a história testemunha:

“Os acontecimentos de Jesus iluminam e colocam na sua justa perspectiva as perguntas dos discípulos: a perseguição faz parte da história da Salvação. Mais precisamente: é a Via-Sacra que continua. Com dois aspectos: a perseguição não significa a ausência de Deus, mas o Seu modo de estar presente ao contrário das expectativas humanas; além disso a caminhada do discípulo é acompanhada pela certeza de que a última palavra é a de Deus: ‘Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa’ (Cf. Jo 15,20)” (1)

Conduzida e assistida pelo Espírito, nossas comunidades devem ser a comunhão de pessoas livres e disponíveis para o discipulado, sem projetos teológicos-pastorais preestabelecidos, de modo que vivam na fecunda e desejada sinodalidade e fidelidade à Doutrina e ao Magistério da Igreja, com sua palavra e ensinamentos.

Assim lemos no Lecionário Comentado:

“Se as nossas comunidades proclamam pouco a novidade evangélica, se correm o risco de propor uma notícia pouco alegre e prevista, não é porventura porque se fecharam nos seus projetos, aos quais quereriam que o próximo Senhor se adequasse?” (3)

Roguemos a Deus para que vivamos incondicional fidelidade ao Evangelho, e seja a nossa vida por Ele iluminada e conduzida, determinando nossos pensamentos e ações, sem medo ou omissões.

Oremos:

“Ó Deus, que dais força aos débeis e perseverança a quem em Vós confia, dai-nos a comunhão de fé e amor com o Vosso Filho crucificado e ressuscitado, para partilharmos a alegria perfeita do Vosso Reino” (4). Amém.

 

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 - p.447

(2) Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus – Lisboa – 2009 – p.563

(3) (4) idem – pp.563-564

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

“Habemus Papam” – Aleluia! Aleluia!

                                                 


“Habemus Papam” – Aleluia! Aleluia!
 
“Querendo, pois entregar as ovelhas,
mas não como se confiasse a outro,
que lhe diz antes? Pedro, tu me amas?
Respondeu ele: Eu te amo.
De novo: Tu me amas? E respondeu: Amo.
Pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu: Amo.
Confirma a caridade para consolidar a unidade.
É ele, portanto, que apascenta;
Um só neles e eles no Único”.(1)
 
 
Aqueles dias ficaram como que acinzentados;
Um sentimento de orfandade pairou no ar,
Adentrara na glória dos céus o sucessor de Pedro.
 
Ficaram suas palavras, gestos, mensagens, exortações:
Sinodalidade, Ecologia Integral, amor que acolhe;
Pobreza, compaixão, proximidade e solidariedade...
 
Um pontificado que nos exortou à santidade,
Na alegria do Evangelho vivido e anunciado,
Mais que uma vez, vimos testemunhado.
 
Depois vieram os dias da vigilância pelo Conclave:
Sua preparação, orações aos céus elevadas,
Invocação da assistência do Espírito necessária.
 
Conclave iniciado, os olhares do mundo
Para uma simples chaminé fixados.
Ansiedade pela fumaça branca a subir aos céus.
 
Precedida por duas fumaças pretas,
Ansiedade no coração aumentada.
Oito de maio, finalmente: fumaça branca.
 
Pouco tempo depois, na sacada, o anúncio:
“Habemus Papam” – não mais orfandade.
Em seguida, na janela, ele se apresenta.
 
Leão XIV. Gestos comedidos são vistos.
Sorriso tímido que rompe nosso medo.
Sua eleição, uma imensa surpresa.
 
Lágrimas contidas, no olhar percebidas.
Mensagem de paz, comunhão, sinodalidade,
Memória do antecessor, expressão de amizade.
 
Confirmada  a caridade para consolidar a unidade!
 
Ontem Pedro, hoje Papa Leão XIV,
mais que acolhida, orações multiplicadas,
De modo especial, em cada Eucaristia celebrada.
 
 
(1) Sermão de Santo Agostinho (séc. V), sobre a passagem do Evangelho de São João (Jo 21,15-17).


PS: Escrito há um ano, por ocasião da eleição do Papa Leão XIV.

Não somos servos, mas amigos do Senhor

                                                             

Não somos servos, mas amigos do Senhor

As passagens bíblicasLiturgia da Palavra da 5ª sexta-feira do Tempo da Páscoa: At 15,22-31; Sl 56(57); Jo 15,12-17.

O acontecimento na primeira Leitura: o Concílio de Jerusalém (séc. I).

Primeira mensagemA necessária ação e presença do Espírito Santo, para discernir as situações mais diversas na vida da Igreja:

“Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis” (At 15,28).

O contexto da passagem do Evangelhoo discurso da última Ceia – o contexto da despedida de Jesus dos Seus discípulos.

Segunda mensagemO Mandamento do Amor: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12). – é nosso distintivo, que nos diferencia como seguidores do Senhor. Trata-se de Mandamento, ordem e não apenas um conselho sentimental que pode ser passageiro e estéril.

Terceira mensagemJesus nos chama e nos trata como amigos e não como servos – a alegria e graça de sermos amigos de Jesus e ampliar esta relação com todos os que nos rodeiam, sobretudo os mais empobrecidos – “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

Quarta mensagem: fomos escolhidos pelo Senhor, ainda que sem méritos, antes, porque Deus é misericórdia – sintamos a alegria imensurável desta escolha que o Senhor fez – “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi...” (Jo 15, 16).

Quinta mensagemescolhidos pelo Senhor para produzir frutos, e frutos que permaneçam (cf. Jo 15,16): frutos de amor, bondade, partilha, justiça, fraternidade, comunhão, paciência...

Sexta mensagem: nada falta aos amigos de Jesus, pois podem se dirigir ao Seu Pai, e tudo alcançarão – “O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá” (Jo 15,16).

Orando com a Igreja - (Oração depois da Comunhão da Missa):

“Tendo participado do Sacramento do Corpo e do Sangue do Vosso Filho, nós vos suplicamos, ó Deus, que nos faça crescer em caridade a Eucaristia que Ele nos mandou realizar em Sua Memória. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.”

“Vós sois meus amigos”

                                                                

“Vós sois meus amigos”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 15,12-17), em que Jesus nos dá o Mandamento do amor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12).

Em seguida também diz: “Ninguém tem amor maior do que Aquele que dá Sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando” (Jo 15,14).

Sobre a amizade divina que tanto precisamos, somos remetidos ao Tratado escrito pelo Bispo Santo Irineu, (séc. II), contra as heresias.

“Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiro atraiu os homens para serem servos de Deus, libertou em seguida os que lhe estavam submissos, como Ele próprio disse a Seus discípulos: 'Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor, Eu vos chamo amigos, porque Vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai (Jo 15,15').

A amizade de Deus concede a imortalidade aos que a obtêm. No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber os Seus benefícios.

De fato, não só antes de Adão, mas antes da criação, o Verbo glorificava Seu Pai, permanecendo n’Ele, e era também glorificado pelo Pai, como Ele mesmo declara:

Pai, glorifica-me com a glória que Eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5).

Não foi também por necessitar do nosso serviço que Deus nos mandou segui-Lo, mas para dar-nos a salvação. Pois, seguir o Salvador é participar da salvação, e seguir a Luz é receber a luz.

Quando os homens estão na luz, não são eles que a iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela. Nada lhes proporcionam, mas dela recebem o benefício e a iluminação.

Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque Ele não precisa do serviço dos homens. Mas aos que O seguem e servem, Deus concede a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna.

Ele dá Seus benefícios aos que O servem precisamente porque O servem e aos que O seguem precisamente porque O seguem; mas não recebe deles nenhum benefício, porque é rico, perfeito e de nada precisa.

Se Deus requer o serviço dos homens é porque, sendo bom e misericordioso, deseja conceder os Seus dons aos que perseveram no Seu serviço.

Com efeito, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Deus.

É esta, pois, a glória do homem: perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por esse motivo dizia o Senhor a Seus discípulos:

'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi' (Jo 15,16), dando assim a entender que não eram eles que O glorificavam seguindo-O, mas, por terem seguido o Filho de Deus, eram por Ele glorificados.

E disse ainda: Quero que estejam comigo onde Eu estiver, para que eles contemplem a minha glória (Jo 17,24)".

É sempre tempo de aprofundarmos nossa amizade com Deus e solidificarmos nossas amizades humanas, a fim de que sejam mais autênticas, mais conforme o Seu desejo; de modo que a autenticidade e profundidade de nossa amizade com Deus marcará também nossas amizades humanas.

Reflitamos:

- Qual a profundidade de nossa amizade com Deus?
- Correspondemos à amizade que Deus quer estabelecer sempre conosco?

- Como são nossas amizades humanas, nossos relacionamentos com o próximo, sobretudo na comunidade que participamos?
- Quais são as amizades que nos revelam e nos aproximam de Deus?

Oremos:

Ó Deus, Vós que sois tão bom e amável, ajudai-nos, a corresponder ao Vosso imenso Amor, adorando-Vos de todo o coração, vivendo o Novo Mandamento do Amor a nós dado por Vosso Filho, contando com a ação e presença do Santo Espírito, a fim de viver convosco uma amizade sólida, fecunda e sincera, de modo que fortaleçamos os laços de amizade e fraternidade com nosso próximo, construindo uma cultura de vida e de paz. Amém.


PS: Fonte: Liturgia das Horas - Vol. II - Quaresma/Páscoa - p. 63-65. 

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