domingo, 8 de março de 2026

MINISTÉRIO DE CATEQUISTAS: GRAÇA E MISSÃO


 

MINISTÉRIO DE CATEQUISTAS: GRAÇA E MISSÃO


Com a Carta Apostólica em forma de “Motu Proprio – Antiquum Ministerium” (03/12)21), o Papa Francisco  nos agraciou com a possibilidade da Instituição de Ministério de Catequistas.


Lembra-nos que o  bispo é o primeiro catequista com os presbíteros e conta com os catequistas para que a mensagem do Evangelho seja anunciada, recorda as palavras do Papa São Paulo VI:


“Os catequistas são preciosos para a implantação, a vida e o crescimento da Igreja e para a sua capacidade de irradiar a própria mensagem à sua volta  e para aqueles que estão distantes.” (São Paulo VI – EN – n. 73)


O Ministério de Catequista é um ministério estável, sem desmerecer a missão de tantos catequistas que continuam, ainda que sem a instituição, e que também devem viver mesmas exigências, e não se trata de maior ou menor importância na missão evangelizadora.


Algumas exigências para recebê-lo são apresentadas pelo Papa:


- Testemunha de uma fé profunda;
- Mestre para os que lhe são confiados;
 
- Mistagogo (instrutor dos mistérios divinos, enraizado na didática litúrgica);
- Acompanhador;
 
- Instrui em nome da Igreja;
- Possui maturidade humana;
 
- São colaboradores dos padres;
- Possuem atitude de acolhimento;
 
- Vivem a generosidade de vida;
- São instrumentos de comunhão fraterna;
 
- Possuem mínima formação bíblica, pastoral e pedagógica.
 

As exigências para manter vivo o Ministério:


- Oração (Sobretudo a Eucaristia);
- Estudo;
- Participação ativa da comunidade;
- Coerência de vida;
- Responsabilidade.

Fundamentais as Palavras do Papa São João Paulo II, na "Catechesi Tradendae" (1979), convidando os catequistas confiarem na ação do Espírito Santo e com a intercessão de Maria, Mãe e discípula de Jesus, um Catecismo vivo, a primeira catequista e modelo para os/as Catequistas.



PS: Parte da homilia da Missa celebrada dia 22 de fevereiro de 2026, na Catedral de Guanhães, quando foi Instituído o Ministério de Catequista para 19 catequistas de nossas paróquias da Diocese de Guanhães.

Conduzidos pelas Obras de Misericórdia

 


                                         Conduzidos pelas Obras de Misericórdia
 
Tão certo quanto o rio que deságua no mar,
A alegria no coração quando não se cansa de amar.
 
A Igreja, perita em humanidade, tem algo a nos ensinar.
Da Sagrada Tradição luzes a nos conduzir e iluminar.
 
Obras de Misericórdia corporais e espirituais,
Em prática postas, quaresma santa e fecunda.
 
Sete obras de misericórdia corporais:
Dar de comer a quem tem fome; 
dar de beber a quem tem sede; 
vestir os nus; 
dar pousada aos peregrinos; 
assistir aos enfermos; 
visitar os presos; 
enterrar os mortos. 
 
Sete obras de misericórdia espirituais:
Dar bom conselho; 
ensinar os ignorantes; 
corrigir os que erram; 
consolar os aflitos;
perdoar as injúrias; 
sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 
rogar a Deus por vivos e defuntos.  
 
Primeiros passos de um santo itinerário,
Com o Senhor mais perfeitamente configurados,
d’Ele mesmos sentimentos tenhamos,
Aprendizes do Verbo, fortalecidos e encorajados sejamos.
 
Ao Seu Divino Amor correspondamos:
O mesmo do presépio, barca, cruz e sepultura.
Na glória Ressuscitado, entre nós caminha.
E na Páscoa, cantemos exultantes o Aleluia. Amém.

Somente Deus mata nossa sede (IIIDTQA)

Somente Deus mata nossa sede

“Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 
Mas quem beber da Água que Eu lhe darei, 
esse nunca mais terá sede.
E a água que Eu lhe der 
se tornará nele uma Fonte de Água
que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 13-14).

A Liturgia do 3º Domingo da Quaresma (Ano A), traz como tema: O Senhor Jesus, e somente Ele, sacia a nossa sede de amor, vida e paz, damos mais um passo no Itinerário Quaresmal rumo à Páscoa do Senhor.

A Liturgia da Palavra nos revela que Deus está sempre presente na caminhada do Seu Povo, e o conduz à realização plena, na perfeita felicidade rumo à eternidade.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 17, 3- 7), Deus presente na caminhada do povo hebreu pelo deserto do Sinai, apesar de provocado, suportando toda murmuração e contestação, infidelidade e pecado de Seu povo, não lhe nega a fidelidade, o Amor e a possibilidade da liberdade e felicidade.

O tema da água aparece tanto na Leitura como no Evangelho: água que sacia a sede como sinal da vida que Deus pode oferecer do rochedo. Este rochedo, depois, na releitura cristã, será o coração trespassado do Senhor, do qual jorrou Sangue e Água para nos fazer renascer, e também do mesmo lado o Alimento que nos redime, fortalece e nos salva (Jo 19,34).

Assim como o Povo de Deus, precisamos descobrir a presença e fidelidade do Senhor, que não nos abandona nunca, tão pouco nos momentos das dificuldades e sofrimentos, que são ocasiões propícias para o nosso crescimento e amadurecimento e fortalecimento na fé.

À medida que se avança, irmanados na fé, renovamos e nos transformamos, alargarmos horizontes, firmamos os passos, tornamo-nos mais responsáveis, conscientes, adultos e mais Santos, superando todo indesejável infantilismo espiritual, que também podemos incorrer, como aconteceu com o Povo de Deus na travessia do deserto.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 5,1-2.5-8), o Apóstolo reforça a mensagem de que Deus é sempre presente e pronto para nos perdoar, apesar de todo pecado e infidelidade que possamos cometer. Assim como na primeira Leitura, o Apóstolo nos garante que Deus nunca abandona o Seu Povo em caminhada pela história.

Deus está sempre ao nosso lado, em cada passo que damos, oferecendo-nos por meio de Seu Filho e de Seu Espírito, gratuitamente, com pleno amor, a Água que mata a nossa sede de vida e felicidade.

Somente em Cristo nos tornamos criaturas novas, e é Ele quem nos plenifica de todos os bens e dons: paz, esperança e o Seu imprescindível Amor.

Contemplemos o Amor de Deus, que jamais desistiu de nós, e, por meio de Jesus, a máxima expressão de Sua presença e Amor por nós, vindo pessoalmente ao nosso encontro, para conosco caminhar, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado, para dele nos libertar – “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Na passagem do Evangelho (Jo 4, 5-42), no encontro de Jesus com a samaritana à beira do poço de Jacó, acolhemos a alegre mensagem: somente Jesus sacia nossa sede de vida eterna; acolher e aceitar o Dom de Deus, Jesus, o Salvador do mundo, nos faz homens novos.

Jesus é o “novo poço” no qual encontramos a água cristalina que sacia a sede da humanidade de vida plena e felicidade autêntica.
A água que Jesus tem a nos oferecer é a “Água do Espírito” que o é o grande dom de Jesus, derramado sobre toda a Igreja com Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Este Espírito, quando acolhido no mais profundo do coração do homem, impresso como um selo, renova, transforma e o torna capaz de amar a Deus acima de tudo, vivendo na paz e na concórdia com o próximo.

O diálogo de Jesus com a samaritana nos revela qual a missão de Jesus, que consiste em comunicar ao homem o Espírito Santo que dá vida. Seu Espírito desenvolve e fecunda o coração daquele que O acolhe, capacitando para viver um amor como Ele, Jesus, ama, um Amor imensurável.

Somente de Jesus, com Sua Palavra e Seu Espírito, água viva para a humanidade, é que nasce a comunidade dos Homens Novos, filhos de Deus que têm por missão ser a presença de Deus, com palavras e ação, em todos os âmbitos do mundo.

Esta saciedade que a samaritana encontrou em Jesus a fez discípula missionária, e nos leva a nos questionar sobre o tempo presente, sobre a inquieta busca da felicidade, e o seu não encontro:

“A modernidade criou-nos grandes expectativas. Disse-nos que tinha a resposta para todas as nossas procuras e que podia responder a todas as nossas necessidades.

Garantiu-nos que a vida plena estava na liberdade absoluta, numa vida vivida sem dependência de Deus; disse-nos que a vida plena estava nos avanços tecnológicos, que iriam tornar a nossa existência cômoda, eliminar a doença e protelar a morte; afirmou que a vida plena estava na conta bancária, no reconhecimento social, no êxito profissional, nos aplausos das multidões, nos “cinco minutos” de fama que a televisão oferece…

No entanto, todas as conquistas do nosso tempo não conseguem calar a nossa sede de eternidade, de plenitude, dessa “mais qualquer coisa” que nos falta para sermos, realmente, felizes.

A afirmação essencial que o Evangelho de hoje faz é: só Jesus Cristo oferece a Água que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem”. (1)

Reflitamos:

- Onde e em quem buscamos a nossa felicidade?
- Sentimos a presença de Deus amante, atuante, que nos ama e conosco caminha?

- Nosso encontro pessoal com o Senhor, ou nosso encontro com Ele na Ceia Eucarística, tem saciado nossa sede de vida plena e feliz?

- A samaritana, saciando sua sede de eternidade em Jesus, tornou-se uma alegre discípula missionária. Assim também acontece conosco?
- Como e onde comunicar este encontro com o Senhor e a Sua Boa Nova que sacia a sede de humanidade?

- Quais são os poços que o mundo oferece para saciar nossa sede existencial?

- Sendo a Quaresma tempo favorável de nossa conversão, é possível que procuremos nossa felicidade na água que o mundo oferece, em vez da água pura e cristalina que o Senhor tem a nos oferecer?

Encerro com as palavras do Papa Bento XVI:

“Aqui, no poço de Jacó, encontramos Jacó como antepassado que tinha oferecido com o poço a água como elemento fundamental da vida.

Mas no homem encontra-se uma sede maior, que vai mais além da água da fonte, porque ele procura uma vida que está para além da esfera biológica”. (2)


(1) Citação extraída do site:
(2) Papa Bento XVI – in Jesus de Nazaré – p. 210

Em poucas palavras... (IIIDTQA)

 


Aprendamos com a Samaritana

“Embora rico, nosso Senhor não teve vergonha de mendigar como um indigente, para ensinar o indigente a pedir. E, dominando o pudor, não temeu falar a uma mulher sozinha, para ensinar-me que aquele que está na verdade não pode ser perturbado...

Jesus revelou-Se progressivamente a ela, primeiro como judeu, depois como um profeta e, por fim, como o Cristo. Ela O convence que está com sede, ao judeu tinha aversão, interrogou o sábio, foi corrigida pelo profeta, e adorou o Cristo.” (1)

 

(1) Comentário escrito pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém (séc. IV) -  Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.61-62 – sobre a passagem do Evangelho de São João (Jo 4,5-42).

Conversão com escuta e jejum (súplica)

 


Conversão com escuta e jejum (súplica) 

Ó Deus, firmai nossos passos no itinerário quaresmal, colocando-Vos no centro de nossa vida, e que a nossa fé nos impulsione frente às inquietações do cotidiano, sem jamais vacilarmos na fé, esmorecermos na esperança e esfriarmos na caridade. 

Ajudai-nos na escuta da Vossa voz, renovando nossa fidelidade nos passos do Vosso Amado Filho, para que sejamos mais perfeitamente configurados ao Mistério da Sua Paixão, Morte e com Ele Ressuscitarmos. 

Concedei-nos a graça de santas Liturgias, que nos ajudem a ouvir a Vossa voz, e sejamos educados na escuta do clamor dos empobrecidos e dos que mais precisam, acompanhado de gestos de compaixão, proximidade e solidariedade.

Dai-nos a graça da prática do verdadeiro e fecundo jejum,  disciplinando nossos desejos, purificando-os para que mais livres sejamos na prática das obras de misericórdia corporais e espirituais.

Iluminai-nos, para que desarmemos a linguagem, renunciando às palavras mordazes, o juízo temerário, o falar mal de quem está ausente e não se pode defender, assim como às calúnias.

Fortalecei nossos esforços para aprendermos a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs.  

Com o Vosso Espírito, ajudai-nos, portanto, na abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo, e que nossas muitas palavras de ódio deem lugar a palavras de esperança e paz.

Que nosso jejum também passe pela língua, diminuindo as palavras ofensivas, com abertura e escuta da voz do outro, edificando espaços e comunidades que prefigurem e ajudem a construir a civilização do amor. Amém


https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/lent/documents/20260205-messaggio-quaresima.html

Em poucas palavras... (IIIDTQA)

 


 

Nossa sede: do bem, verdade e beleza

"O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na Liturgia do III Domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23).

Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho”.

(1) Mensagem para a Quaresma de 2011 – Papa Bento XVI

Em poucas palavras... (IIIDTQA)

 


Senhor, acendei em nós, o fogo do Vosso Amor

“Ao pedir a Samaritana que lhe desse de beber, Jesus suscitava nela o dom da fé; e tão grande era sua sede pela fé dessa mulher, que acendeu nela o fogo do vosso amor."  (1)

 

(1)Prefácio da Missa do 3º Domingo da Quaresma

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG