domingo, 23 de fevereiro de 2025

Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus (VIIDTCA)


Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus

“...Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra...
Bem aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus...”
(Mt 5,4.9)

A Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos faz um grande convite: trilhar o caminho cristão, que é inacabado e exige compromisso sério e radical em contínua conversão, progredindo a cada dia na prática da Lei divina, que o Senhor deu pleno cumprimento, pois quem ama como Jesus ama, cumpre plenamente a Lei.

Com os olhos fitos no Senhor que nos espera ao final da “viagem”, continuamos a refletir sobre o Sermão da Montanha, e seus desdobramentos em nossos relacionamentos.

A passagem da primeira leitura (Lv 9, 1-2;17-18) é um apelo veemente à santidade que passa pelo amor ao próximo – “Sede Santos, porque Eu, o Vosso Deus sou Santo” (v.2).

As Leis de Deus e seus Preceitos existem para que nos ajudem a viver em comunhão com Deus, que passa necessariamente na comunhão com o outro; iluminam a vida cultual e a vida social.

Arrancando as raízes do mal, que podem crescer em cada um de nós, haveremos de multiplicar esforços para permanecer no caminho da santidade, que exige um processo contínuo de conversão. Ser santo, portanto, é permitir que o Amor de Deus seja derramado através de nossos gestos e palavras.

Reflitamos:

- Em que consiste e como testemunhar a santidade no mundo hoje?
- O que ainda me impede de viver e dar um testemunho de santidade?

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (1 Cor 3,16-23), continua nos ajudando a não viver pautados pela sabedoria humana, mas pela Sabedoria Divina, que passa inevitavelmente pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima expressão de Amor, doação, entrega e serviço, que gera vida plena e faz nascer como criaturas novas no Ressuscitado.

Como templos onde Deus habita, temos que superar todos os conflitos, divisões, ciúmes, confrontos, pois não nos pertencemos, e tão pouco ao outro, pertencemos ao Senhor, como o próprio Apóstolo diz: “tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (v.23).

O Apóstolo nos exorta ao testemunho que damos pessoalmente, fala de um Deus cheio de Amor e misericórdia que tem um Projeto de Salvação e Libertação para nos oferecer.

Viver a “loucura da cruz” com gestos de amor, partilha e doação, para que formemos e geremos Cristo em nós e no outro. Esforços sejam multiplicados para que se oriente a vida  pela Sabedoria de Deus ou viveremos a sabedoria do mundo, que muitas vezes se caracteriza pela luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem-estar econômico e pelos bens perecíveis e secundários.

Reflitamos:

- Nossa comunidade é uma comunidade fraterna e solidária, que dá o corajoso testemunho da “loucura da Cruz”?
- De que modo nosso viver revela que nossas palavras e ações são iluminadas e orientadas pela Sabedoria divina?

Com a passagem do Evangelho (Mt 5,38-48), continuamos a refletir sobre mais dois exemplos que nos desafiam para que, de fato, sejamos sal da terra e luz do mundo. Viver as Bem-Aventuranças implica em superar a "Lei do talião”, conhecida pela fórmula “olho por olho, dente por dente” (Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21)  e o maior de todos os desafios, amor aos inimigos.

Viver como Deus ama, eis o nosso mais belo e maior desafio, acabando com a espiral da violência, como tão bem viveu e testemunhou Nosso Senhor: um Amor sem medida, um amor que se estende aos inimigos.

Jesus nos revela a face misericordiosa de Deus, um amor universal que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre os bons e os maus. E nos exorta a sermos perfeitos como O Pai Celeste é perfeito, superando a lógica legalista, casuística e fria que não cria proximidade e comunhão.

Para que se viva em comunhão total com Deus é preciso deixar que a vida e o amor  de Deus preencha nosso coração, resplandecendo Sua Luz no cotidiano, e tão somente assim seremos também o sal da terra e nisto consiste o embarcar na aventura do Reino que O Senhor nos convida.

Reflitamos:

- Como sal da terra e luz do mundo de que modo vivo a força desarmada do amor para que se instaurem novos relacionamentos humanos e fraternos, quebrando a espiral da violência?

- Como amar os inimigos, como o Senhor nos exorta?
- O que falta em nossa vida para que vivamos a perfeição do Pai Celeste?

Com a  presença e ação do Espírito Santo, continuemos trilhando o caminho da santidade, em permanente conversão, envolvidos pelo amor de Deus, pleno em nosso coração, para que jamais, como sal, percamos o sabor, e jamais percamos o brilho e o esplendor da Verdade de Deus. 


Tão somente assim, iluminados por Deus, iluminadores em situações mais obscuras seremos.

.Amor e liberdade somente no Senhor (VIIDTCB)

Amor e liberdade somente no Senhor

A Liturgia da Palavra do 7º Domingo do Tempo Comum (ano B) reflete sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e que se viu realizado na Pessoa de Jesus.

Entretanto, é preciso acolher este Projeto com fé. Por meio de Jesus – Caminho, verdade e vida – a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação).

Em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

O tema dominante da Liturgia é o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade.

A passagem da primeira Leitura (Is 43,18-19.21-22.24b-25) faz parte do “Livro da Consolação”. Retrata a fase final do Exílio da Babilônia (entre 550-539). O povo de Deus exilado experimenta a frustração, a desorientação e, aparentemente, Deus parece ter dele Se esquecido.

O Profeta se dirige a um povo já extenuado pela experiência do exílio e anuncia a libertação como uma nova criação e um novo êxodo por intervenção divina, mas este povo precisará fazer um caminho de conversão, abandonando toda indiferença e infidelidade que o levou a tal desolação.

É preciso sempre reconhecer as faltas cometidas, as infidelidades multiplicadas. É preciso trilhar um caminho de conversão e renovação para acolher a libertação que Deus tem a nos oferecer.

É necessária a paciência para perceber a ação libertadora de Deus que não demora em atuar, mas não atua segundo a medida de nosso tempo e vontade. Crer no Deus cheio de solicitude e Amor que caminha com Seu povo se faz imperativo.

Somente Deus pode realizar algo completamente novo e atuar em qualquer situação, mesmo nas mais desesperadoras, como era a do exílio em que há muito tempo o povo se encontrava.

Para o Profeta, a lembrança do passado será válida para alimentar a esperança na preparação de um futuro novo. Isto vale para qualquer tempo em nossa vida.

A lembrança do passado só tem sentido se nos impulsiona para o novo que Deus sempre nos prepara. Aquele que crê tem que superar a instalação, o comodismo, ir sempre além, imprimindo um dinamismo para ser um Homem Novo, um Povo de Deus que ao Amor Divino corresponda.

Reflitamos:

- Somos capazes de olhar para trás, reconhecer os erros e dar passos largos na construção de um novo tempo, de uma nova realidade, de novos relacionamentos?

Na passagem da segunda Leitura (2Cor 1,18-22), o Apóstolo nos ensina pelo seu testemunho, ainda que não compreendido, a viver uma vida coerente com o Evangelho, marcada pela sinceridade, compromisso e desprovida de quaisquer subterfúgios ou outras motivações a não ser a pregação da Boa Nova do Evangelho de Jesus.

O Apóstolo foi acusado de volúvel e oportunista, mas tem consciência de que é fiel aos princípios verdadeiros e eternos do Evangelho. Aproveita a ocasião para afirmar a estabilidade de sua doutrina que não é flexível, flutuante, vulnerável, pois anuncia o Evangelho de Jesus Cristo pelo qual dá a própria vida.

Ele não se dobrou a verdades passageiras, ao modismo de seu tempo. Invoca o testemunho de Deus com serenidade, falando do seu testemunho e coerência vivida. Ele viveu adesão total a Cristo e tinha impresso no coração o penhor do Espírito.

O Apóstolo morreu na fidelidade ao Senhor, fiel ao Projeto de Salvação que Deus lhe confiou: coerente, sincero, verdadeiro. Morreu porque em seus olhos brilhava e reluzia a verdade. Ao cristão Paulo deixa uma mensagem: Ele deve fazer este mesmo caminho da coerência, fidelidade e sinceridade.

Reflitamos:

- É este o caminho que percorremos?
- O que o testemunho do Apóstolo nos questiona?
- Se animadores de comunidade, temos as marcas da coerência, sinceridade na vivência do Evangelho que anunciamos e que temos que dar testemunho?
- Quais são os valores que nos moldam, nos impulsionam? Serão os valores do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Na passagem do Evangelho (Mc 2,1-12), contemplamos Jesus, a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado. 

Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Lembramos que Marcos não faz uma reportagem jornalística. Trata-se de uma autêntica catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus, que deverá ser por sua vez a missão de todo aquele que O seguir.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo. Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede, a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. 

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova, e sem Ele nada pode ser feito:  por meio de palavras e gestos Jesus ama, salva, perdoa, liberta.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada. Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova. No coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:


- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?
- Testemunhamos nossa fé no Senhor, com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?
- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Concluindo, afirmamos que a Face misericordiosa de Deus Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.

Pertencemos ao Senhor (VIIDTCA)

                                         


Pertencemos ao Senhor
“Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus”

Reflitamos sobre a passagem da segunda leitura proclamada no 7º Domingo do Tempo Comum (ano A), em que o Apóstolo Paulo conclui dizendo: “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3,16-23).

Vejamos duas afirmações do Lecionário Comentado, sobre esta passagem:

“O pregador que amarra as pessoas a si mesmo não constrói em Cristo; comportando-se deste modo destrói o Templo de Deus e atrai sobre si uma grande responsabilidade”;

- A fé não está e não pode estar apoiada no prestígio ou na autoridade do evangelizador. O cristão deve apoiar a sua fé só na pessoa de Cristo. A expressão ‘Vós sois de Cristo’ (v.23) não tem apenas um sentido afirmativo, mas também exclusivo, e significa: ‘Vós pertenceis somente a Cristo e a ninguém mais”. (1)

Aqui está o grande desafio da evangelização: quem evangeliza, não evangeliza para si, e tão pouco anuncia suas ideologias. Não reproduz nos fiéis a sua identidade.

Ao contrário, quem evangeliza, é alguém que se encontrou com o Senhor, e professa a fé, não como um conjunto de ideias, como tão bem expressou o Papa Bento de forma emblemática:

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas Est 1).

Tendo encontrado o Senhor, levará aqueles a quem evangeliza ao mesmo encontro, não se apropriando nem da Palavra que anuncia, tão pouco daqueles que ouvem e acolhem esta mesma Palavra.

Urge evitar qualquer possibilidade de fazer da evangelização fonte de enriquecimento, ou mesmo do envaidecimento pessoal, marcado pela fama, prestígio, honras e glórias, que tão somente ao Senhor pertencem.

Também é necessário que os que ouvem e professam a fé, não fundamentem a existência e seus compromissos movidos pelos sentimentos subjetivos que possa despertar aquele que o evangelizou.

Não seguirá até o fim o Senhor, quem por Ele, e tão somente por Ele, tenha seu coração seduzido.

Deste modo, com a fé fundamentada na pessoa de Cristo e Sua Palavra, terá coragem para o seguimento e viverá fidelidade e disponibilidade plena no discipulado, e suportará o peso da cruz, acompanhado das renúncias que se fazem necessárias.

Evidentemente que isto não dispensa aos que evangelizam, o zelo pelo anúncio, a criação de laços afetivos de amizade e eternos, que possam no altar do Senhor ser celebrados, assim como Senhor soube e fez com todos que quiseram se pôr a caminho com Ele.

Evangelizamos verdadeiramente quando nos encontramos com o Senhor e permitimos que Ele nos transforme a todo momento, e esta transformação leva a outros a quererem o mesmo encontro fazer, e mesmo apaixonamento pelo Senhor viver, numa resposta inflamada e eterna de amor.



(1) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum I - Editora Paulus - Lisboa - 2010 - pp. 304-305

sábado, 22 de fevereiro de 2025

“Tu és Pedro. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” (22/02)

“Tu és Pedro. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus”

No dia 22 de fevereiro, celebramos a Festa da Cátedra de São Pedro Apóstolo, e ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16, 13-19) em que Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e “E vós, quem dizeis que  Eu sou?” (Mt 16,13.15).

Sejamos enriquecidos pela reflexão que São Gregório de Nazianzeno (séc. IV), somando à resposta revelada por Deus Pai a Pedro, como o próprio Senhor o disse: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16,16).

“Foi envolvido em panos, porém, ao ressuscitar, lançou as vendas da sepultura.

Foi reclinado em um presépio, mas depois foi celebrado pelos Anjos, assinalado pela estrela e adorado pelos magos.

Por que te maravilhas do que viste com os olhos, enquanto não observas o que é percebido com a inteligência e com o coração?

Foi obrigado a fugir do Egito, porém transforma em fuga o andar errante dos egípcios.

Não tinha nem aspecto nem beleza humana entre os judeus, porém, segundo Davi, era belo de rosto acima dos filhos dos homens; e também no cume do monte, como esplendor, resplandece e chega a ser mais luminoso que o sol, vislumbrando, desta forma, e esplendor futuro.

Foi batizado como homem, mas alcançou a vitória como Deus. Ordena-nos ter confiança n’Ele como n’Aquele que venceu o mundo.

Sofreu fome. Mas saciou a muitos milhares de pessoas, e Ele mesmo tornou-Se Pão que dá vida e o céu.

Padeceu sede, mas exclamou: se alguém tem sede, venha a mim e beba; e também prometeu fazer manar, para aqueles que têm fé, fontes de água viva.

Experimentou o cansaço, mas Se fez repouso daqueles que estão cansados e oprimidos.

Sentiu-Se extenuado pelo sono, porém caminha ligeiro sobre o mar, repreende aos ventos e salva Pedro que estava a ponto de ser submergido pelas ondas.

Paga os impostos com um peixe, porém é rei dos arrecadadores. É chamado samaritano e possuído pelo demônio, mas leva a salvação àquele que, descendo de Jerusalém, foi assaltado por alguns ladrões.

É reconhecido pelos demônios, porém expulsa aos demônios e impele as legiões de espíritos malignos para precipitarem-se ao mar, e vê ao príncipe dos demônios, quase como um relâmpago, precipitar-se do céu.

É agredido com pedras, mas não é preso. Suplica, porém acolhe aos demais que pedem. Chora, mas enxuga as lágrimas.

Pergunta onde foi sepultado Lázaro, pois realmente era homem, mas ressuscita Lázaro da morte à vida, porque de fato era Deus.

É vendido e por pouco preço: por trinta moedas de prata, mas, entretanto, redimia ao mundo a grande preço: com o Seu Sangue.

É conduzido à morte como uma ovelha, mas Ele apascenta a Israel e agora também ao mundo inteiro.

Está mudo como um cordeiro, mas Ele é o próprio Verbo, anunciado no deserto pela voz daquele que clamava.

Foi abatido e ferido pela angústia, mas vence toda enfermidade e sofrimento.

É tirado do lenho onde foi suspenso, mas nos restituiu a vida com o lenho, e concede a Salvação também ao ladrão – que pende do lenho –, e ignora-se tudo o que se revela.

É-lhe dado a beber vinagre, e Se nutre com fel, mas para quem? Para Aquele que transformou a água em vinho. Saboreou aquele gosto amargo, Aquele que era o próprio deleite e todo apetecível.

Confia a Deus a Sua alma, porém conserva a faculdade de tomá-la novamente.

O véu se rasga – e as potências superiores se manifestam -, e as pedras se despedaçam, porém os mortos ressuscitam.

Ele morre, porém devolve a vida e derrota a morte com Sua morte.
É honrado com a sepultura, mas ressuscita do sepulcro.

Desce aos infernos, mas acompanha as almas ao alto e sobe ao céu, e virá para julgar os vivos e os mortos, e para examinar as palavras dos homens.” (1)

A pergunta de Jesus continua sendo dirigida a todos nós, e é imprescindível a nossa resposta: cremos em Jesus, Verdadeiramente Homem, Verdadeiramente Deus.

Professamos nossa fé em Jesus, que Se fez Carne e habitou entre nós, tão igual a nós, exceto no pecado, para nos redimir e nos conceder vida plena e eterna.

A profissão de fé, assim feita, torna impossível a concepção de uma religião alienante, sem verdadeiros e sagrados compromissos com a vida da humanidade, como tão sabiamente expressou a Igreja na introdução da “Gaudium Et Spes”:

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.

Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história.” (n.1)

Celebremos esta Festa elevando a Deus orações  pelo Papa Francisco, para que continue conduzindo a Igreja em sua missão de anunciar e testemunhar a Boa-Nova de Jesus a todos os povos.

Que o Espírito do Senhor repouse sobre ele, para que a sua missão de manter a unidade e a catolicidade da Igreja seja realizada com coragem e fecundidade.

Por fim, renovemos em nós o ardor necessário para a graça de viver e testemunhar o nosso Batismo, seduzidos por um amor incondicional ao Senhor Jesus, na fidelidade ao Deus Pai, com a luz e o sopro do Espírito Santo.



(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp. 202-204.

A Igreja edificada sobre solidez da fé do Apóstolo(22/02)

                                                               

A Igreja edificada sobre solidez da fé do Apóstolo

A minha Igreja destinada a elevar-se até ao céu
deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro

No dia 22 de fevereiro, celebramos a Festa da Cátedra de São Pedro Apóstolo, e a Liturgia das Horas nos apresenta o Sermão do Papa São Leão Magno (Séc. V), em que reflete sobre a Igreja de Cristo que se ergueu na firmeza do Apóstolo Pedro:

“Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo.

Deus dignou-Se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E se Ele quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio do mesmo Pedro que isso lhes foi concedido.

A todos os Apóstolos o Senhor pergunta qual a opinião que os homens têm a seu respeito; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da ignorância humana. Mas, quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro na dignidade apostólica.

Tendo ele dito: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus lhe respondeu: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16,16-17). Quer dizer, és feliz, porque o meu Pai te ensinou, e a opinião humana não te iludiu, mas a inspiração do céu te instruiu; não foi um ser humano que me revelou a ti, mas sim Aquele de quem sou o Filho Unigênito.

Por isso Eu te digo, acrescentou, como o Pai te manifestou a minha divindade, também Eu te revelo a tua dignidade: Tu és Pedro (Mt 16,18). Isto significa que Eu sou a pedra inquebrantável, a pedra principal que de dois povos faço um só (cf. Ef 2,20.14), o fundamento sobre o qual ninguém pode colocar outro. Todavia, tu também és pedra, porque és solidário com a minha força. Desse modo, o poder, que me é próprio por prerrogativa pessoal, te será dado pela participação comigo.

E sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18). Sobre esta fortaleza, construirei um templo eterno. A minha Igreja destinada a elevar-se até ao céu deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro. O poder do inferno não impedirá esse testemunho, os grilhões da morte não o prenderão; porque essa Palavra é Palavra de vida. E assim como conduz aos céus os que a proclamam, também precipita no inferno os que a negam.

Por isso, foi dito a São Pedro: Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus (Mt 16,19). Na verdade, o direito de exercer esse poder passou também para os outros apóstolos, e o dispositivo desse decreto atingiu todos os príncipes da Igreja. Mas não é sem razão que é confiado a um só o que é comunicado a todos. O poder é dado a Pedro de modo singular, porque a sua dignidade é superior à de todos os que governam a Igreja”.

Assim quis o Senhor, edificar a Sua Igreja sobre a fé de Pedro, e a ele foram confiadas as chaves do Reino dos céus. Portanto, coube a Pedro, como primeiro Papa, continuar a missão que o Senhor lhe confiou.

Celebrando a Cátedra de Pedro, multipliquemos orações pelo Papa Francisco, para que conduza a Igreja de Cristo, a fim de que ela anuncie em todos os lugares, e a todas as pessoas, a Boa-Nova do Evangelho.

Renovemos, também, a graça de ser membro desta Igreja, partícipes desta missão, com a presença, assistência e ação do Espírito Santo.

Oremos:  

“Concedei, ó Deus todo-poderoso, que nada nos possa abalar, pois edificastes a Vossa Igreja sobre aquela pedra que foi a profissão de fé do Apóstolo Pedro. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

“Quem sou Eu para vós?"(22/02)

                                                            

                                     “Quem sou Eu para vós?"

No dia 22 de fevereiro, celebramos a Festa da Cátedra de São Pedro Apóstolo, e ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16, 13-19), em que Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e “E vós, quem dizeis que  Eu sou?” (Mt 16,13.15).

Reflitamos sobre dois temas fundamentais da vida cristã: Cristo e a Igreja, a partir da pergunta de Jesus: “Quem sou Eu para vós?”.

A passagem do Evangelho pode ser dividida em duas partes: a primeira, mais cristológica, ou seja, Jesus é o Filho de Deus; e a segunda, mais eclesiológica, pois retrata a missão da Igreja confiada a Pedro por Jesus.

Jesus interrogando sobre a Sua identidade não quer medir a Sua quota de popularidade, ao contrário, quer tornar tudo mais claro para os discípulos, para uma consciente adesão; e, assim, confirmá-los na missão, confiando a Pedro, em primeiro plano, esta missão de conduzi-los, por isto lhe são entregues as chaves do Reino para ligar e desligar.

Este é o real simbolismo da entrega das chaves, mencionado no Evangelho: Jesus nomeia Pedro como administrador e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar Suas palavras, bem como de adaptar os ensinamentos às novas necessidades e situações, e de acolher ou não novos membros na comunidade.

Também nós somos interpelados por Jesus: “Quem sou Eu para vós?”.

A resposta deve contemplar a realidade: alguém que é mais do que um homem, um ídolo, um revolucionário, uma pessoa de sabedoria incomum...

A nossa resposta tem que ser a de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”.

Ele é o esperado, que traz vida para o tempo presente e todo tempo; e mais que isto, para a eternidade.

Somos convidados, na renovação de nossa fé, a fortalecer nossa pertença à Igreja, revigorando a dimensão profética e missionária de nossa fé, sem desânimos, fraquezas e esmorecimentos:

“No nosso mundo, onde tudo aparece sempre provisório e discutível, uma caminhada de fé, sólida precisa de uma referência clara. Por isso, o serviço de Pedro e dos seus sucessores é preciso e deve ser acolhido como uma dádiva.” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, abismados pelo Amor de Deus, a quem glorificamos e tributamos toda a honra, glória, poder e louvor, porque possui toda ciência, riqueza, poder, sabedoria, continuemos o caminho que iniciamos no dia de nosso Batismo.

Bem falou o então Papa Bento XVI sobre este convite de renovação do encontro pessoal com Jesus Cristo, quando tomamos a decisão de nos deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo, dia a dia, sem cessar:

−“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”  (cf. n. 7 da EG).

Mais que uma resposta, renovação e adesão e fortalecimento para a missão de discípulos missionários, para que construamos uma Paróquia com um rosto novo, em contínua conversão, para que seja comunidade de comunidades, em que se sacia do Pão da Palavra, da Eucaristia e da Caridade.

Oremos:

Pai Santo, fonte de sabedoria,
Que no testemunho humilde do Apóstolo Pedro
Colocastes o fundamento da nossa fé,
Concedei a todos os homens a luz do Vosso Espírito,
Para que, reconhecendo em Jesus de Nazaré,
O Filho do Deus vivo, se tornem pedras vivas
Para a edificação da Vossa Igreja. Amém.


PS: Fonte de pesquisa - www.Dehonianos.org/portal
(1) Lecionário Comentado – p. 183 

Encorajados pelo testemunho do Apóstolo Pedro (22/02)

                                                             

Encorajados pelo testemunho do Apóstolo Pedro

Nas Vésperas da Liturgia das Horas, ao celebrarmos a Festa da Cátedra de São Pedro, a Igreja nos enriquece com este Hino:

“'Pescador de homens te faço!'
Ouviste, ó Pedro, de Deus:
redes e remos deixando,
ganhaste as chaves dos céus.

Negando Cristo três vezes,
três vezes clamas amor:
então, de todo o rebanho,
tornas-te mestre e pastor.

Ó Pedro, és pedra da Igreja,
que sobre ti se constrói,
que vence as forças do inferno,
e quais grãos de Cristo nos mói.

Quando no mar afundavas,
o Salvador deu-te as mãos:
com as palavras da vida
confirma agora os irmãos.

Pés para o alto apontando,
foste pregado na cruz:
cajado que une o rebanho,
barca que a todos conduz.

Ao Cristo Rei, demos glória,
rendamos nosso louvor;
voltando à terra, Ele encontre
um só rebanho e pastor”.

O testemunho de Pedro nos encoraja na fidelidade ao Senhor, para que superemos as dificuldades possíveis na vida de fé, a fim de que sejamos pacientes na tribulação, resistentes nas tentações, e tenhamos sentimentos de gratidão a Deus na prosperidade.

Oremos:

“Concedei, ó Deus todo-poderoso, que nada nos possa abalar, pois edificastes a Vossa Igreja sobre aquela pedra que foi a profissão de fé do Apóstolo Pedro. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG