quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Em poucas palavras...

                                               


“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

“Em um mundo no qual o progresso e o retrocesso se entrelaçam, a Cruz de Cristo permanece a âncora da salvação: sinal da esperança que não desilude, porque está fundada no amor de Deus, misericordioso e fiel.” (1)

 

(1)        Papa Francisco -  Audiência Geral – Praça de São Pedro – 21/09/22

Em poucas palavras...

                                               


“Filhinhos, amai-vos uns aos outros”

“São Jerônimo conta-nos que o Apóstolo, já muito velho, repetia continuamente aos discípulos que o levavam às reuniões:

 ‘Filhinhos, amai-vos uns aos outros’. E quando um dia lhe perguntaram por que insistia em repetir sempre a mesma coisa, respondeu: ‘Este é o mandamento do Senhor; se se cumpre, não é preciso mais nada’” (1)

 

 

(1) hablarcomdios.org -  Francisco Fernández-Carvajal.

Ao Senhor, toda honra, glória, poder e louvor

                                                            

                   Ao Senhor, toda honra, glória, poder e louvor


A passagem do Livro de Daniel (Dn 7,2.14-27) é uma linguagem mística da visão que não nos deve espantar, ao contrário, deve renovar nossa confiança no Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo.

Assim como no tempo de Daniel, em nosso tempo conhecemos outras imagens (e realidades) igualmente concretas e terrificantes, como lemos no comentário do Missal Cotidiano:

“a bomba atômica, o extermínio da guerra bacteriológica, a poluição das águas e da atmosfera, etc. São realidades que deterioram incessantemente o homem dos nossos dias, penetram no subconsciente, corroendo-o e tornando o pânico um componente habitual de nossa existência.” (1).

Cremos que Jesus o Senhor, centro de toda a História, e veio para estabelecer um Reino eterno e Universal como rezamos no Prefácio da Solenidade de Cristo Rei:

“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”. 

Reino Eterno

Quantos reinos passaram, quantos impérios sucumbiram, pois nenhum poder terreno é eterno.

A história tem suas escritas, suas lembranças, ora belas, ora amargas da dominação de verdadeiros impérios, domínios, reinos...

Humanos que  pretenderam ser como deuses, infalíveis, eternos... Mas, ficaram apenas lembranças, às vezes edificantes, outras vezes nem tanto... 

O Reino de Jesus é eterno porque implantado no amor e pelo amor. Carrega em sua origem, o princípio vital da eternidade porque procede e volta para Eterno: Deus. Como Deus é Amor, e o Amor jamais passará, Seu Reino jamais passará.  

Reino Universal

O Reino de Deus não conhece limites do tempo, nem do espaço e abrange todo o tempo, toda existência, todos os povos, todo o universo. 

É a recapitulação e reconciliação da História, de toda criação e de toda criatura.  Sua universalidade faz de todos os povos um só povo, expressão da mais perfeita comunhão, fraternidade e paz. 

Reino da Verdade:

Ele mesmo Se apresentou a nós como a Verdade que liberta – “conhecereis a Verdade e vos tornareis verdadeiramente livres”.
Toda Sua vida foi uma verdade absoluta e irrevogável do amor de Deus por nós. 

Seu agir foi todo pautado pela verdade, denunciando mentiras e hipocrisias, enfrentando o pai da mentira (Satanás).

Desamarrou as correntes da mentira que aprisionavam as pessoas, rompeu tudo aquilo que impedia emergir no coração e na mente humana a verdade que traz alegria, serenidade, noites bem dormidas, amanhecer pleno de luz. 

Reino da Vida:

Também Se apresentou a toda humanidade e em todo o tempo, como a Vida, e disse literalmente: “Vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente” (Jo 10,10). 

Não veio trazer vida apenas para o presente, para nós trouxe a vida livre da temporalidade inexorável, e abriu-nos as portas da vida na eternidade. 

Rompeu os muros que nos separavam da vida eterna, construída pelo pecado, pela desobediência. O esplendor da vida que perdêramos com o pecado de nossos pais, Ele nos recuperou plenamente. Assegurou-nos a beleza da vida desde sua concepção até seu declínio natural, para que possa desabrochar na presença de Deus: Céu.  

Reino da Santidade:

Fomos predestinados a uma vocação única: A santidade. Santidade, não como uma vida para além das nuvens. Pés fincados no chão, coração para Deus voltado, olhos por Ele iluminados com o indispensável colírio da fé.  

Santidade como compromisso com aqueles que nos rodeiam, como desejo de construir pontes indestrutíveis que nos fazem mais humanos, mais fraternos, mais verdadeiramente imagem e semelhança de Deus. 

Santidade não como angelismo desencarnado, irresponsável e estéril, que nos faria infantilizados. Santidade rima na palavra e no conteúdo com responsabilidade, fraternidade, maturidade, dignidade, sobriedade...  

Reino da Graça

Deus Se relaciona conosco no puro amor, na perfeita doação, ação restauradora; cumula-nos com todos os benefícios; Sua ternura por nós é transbordante; gera e edifica cada pessoa que o coração a Ele abre. 

Reino da graça é o Reino em que não há espaço para a violação da vida, como a fome, o frio, o abandono, a solidão, o encarceramento, a enfermidade sem presença amorosa e confortadora. 

Acolher a graça de Deus torna a vida mais bela, pois esta é o Seu cuidado para conosco. 

Reino da Justiça

Um Reino em que as relações se dão na perfeita harmonia, na justa medida, chegando à expressão da misericórdia.

A justiça humana não dispensa o aprendizado da misericórdia divina. A justiça extingue toda possibilidade de roubo, exclusão, oportunismo, mentira, hipocrisia, indiferença, omissão...  

Reino do Amor

Esta é a marca de Seu Reino.

Retomemos a passagem do Evangelho de São João (capítulos 13 e 15)em que nos exorta a amar como Ele nos amou, eis o novo Mandamento. 

Ou ainda o capitulo 13 de São Paulo aos Coríntios: O hino da caridade. Se ainda algo fosse preciso dizer, se ainda não se sinta saciado é imprescindível e deleitoso ler a 1.ª Carta de São João... 

Reino da Paz: Shalon! 

Plenitude de bens, abundância de tudo aquilo que nos faz pessoas verdadeiramente felizes, porque quem participa do Reinado de Jesus, Rei Bom Pastor, Rei Soberano e Juiz, só pode gozar da plenitude da alegria, da vida e da  paz. 

Deste modo quem aceita e crê na mensagem evangélica vê com outros olhos a história do mundo e do homem:

“ A grande fera que devorará a terra é um monstro que será abatido. O Filho do homem nos libertou de toda escravidão, venceu o sentimento de angústia, transformou o pânico em esperança segura. São grandes, por certo, os perigos que nos ameaçam, a provação aflige concretamente, mas em plena escuridão da noite é belo acreditar na luz. A segurança do reino de Deus, que caminha entre tantas provações e transpõe tantos obstáculos, vem exatamente da mediação do “Filho do homem”, que sentimos próximo de nós.” (2)
Oremos:
 
“Pai Nosso que estais nos céus...”
 
 
(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 1554
(2)Idem 
 
PS: Oportuno para reflexão da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses (1 T2 3,12-4,2).
 


Em poucas palavras...

                                                     

  

“A Escritura, história do amor de Deus...”


“A Escritura, história do amor de Deus, é também uma história do pecado... 

As forças de verdade de graça postas por Deus no homem, e continuamente comunicadas por meio da Igreja, fazem o bem mais forte e mais contagioso que o mal. 

Reconhecendo-nos pecadores, tenhamos confiança na misericórdia do Pai, que nos ama, mesmo quando estamos fora do caminho.” (1)
 

(1) Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – pág. 204 – passagem do Livro da Profecia de Daniel (Dn 9,4b-11)

“Deuteronômio”: História do amor de Deus por nós

                                                        


“Deuteronômio”: História do amor de Deus por nós

Setembro com beleza própria, primavera se anuncia;
Os ipês florescem com a exuberância da beleza das cores.
Em meio às cinzas das queimadas no campo e à poluição das cidades.
Encontros de reflexão bíblica tão esperados.

Olhemos o chão que pisaram nossos pais,
O tempo e a distância nos separam,
Mas a fé no mesmo Deus nos aproxima,
E ilumina nossos sombrios e árduos caminhos.

“Deuteronômio”, quinto Livro do Pentateuco,
“Debarim”, “Palavras”, digamos como aprouver.
Importa ouvir e acolher sagradas Palavras,
Que no outro lado do Jordão, por Moisés, ao Povo dirigidas. (Dt 1,1)

Nele encontramos temas fundamentais
Para sadia e fecunda espiritualidade.
Fé em Deus enraizada; esperança, âncora
Em travessias, caridade vivenciada.

Escrito por mãos tantas, em tempos diversos,
Mas sempre a mesma fonte inspiradora.
Pelo sopro do Espírito escrito silenciosamente,
E em nosso coração, indelevelmente inscrito.

Livro Santo, no Novo Testamento tão presente,
Mais de duas centenas, ricamente citados.
Memoráveis nos lábios do Senhor no deserto,
E com Sua Palavra, diabólicas tentações vencidas. (1)

Sete luzes divinas no Livro acesas a iluminar,
Para que a escuridão da noite possamos enfrentar,
Em todo tempo e em todo lugar,
Para horizontes do inédito alcançar.

Brilho da primeira luz: o perfume do amor de Deus,
Exalado e comunicado no Egito, o povo libertando,
Em novo modo de sagrados relacionamentos
Com Deus e com o próximo, nosso irmão e irmã.

Luminosidade da segunda luz: a memória histórica.
Jamais perder a memória da ação divina,
De Suas maravilhas incontáveis em nosso favor.
Ontem, hoje, e sempre a Ele nosso louvor.

Fulgor da terceira luz: revelar o rosto de Deus
“Abre tua mão para teu irmão, teu necessitado, teu pobre em tua terra” (Dt 15,11)
Ser Povo de Deus não é privilégio e ostentação,
Mas amor e serviço, uma sagrada missão.

Resplendor da quarta luz: viver em “saída”
Em saída da terra da escravidão e sofrimento
Para terra onde corra leite e mel, nova terra, novo céu;
“Igreja em saída”, misericordiosa e missionária!

Claridade da quinta luz: não há lugar para a pobreza.
“Com efeito, não haverá pobres no meio de ti” (Dt 15,4).
Se Aliança com Deus vivida, o grito do pobre
Encontrará de todos nós resposta, acolhida e solidariedade.

Fulguração da sexta luz: libertos de toda escravidão.
“Eu sou Yahweh teu Deus, Aquele que te fez sair
Da terra do Egito, da casa da escravidão” (Dt 5,6-8)
Jamais outros deuses, idolatria, tirania, servidão.

Lume da luz final: Aliança de Deus com Seu Povo.
Compromisso mútuo entre Deus e a humanidade para sempre,
Renovado e celebrado cotidianamente,
Nas Sagradas Mesas da Palavra e da Eucaristia. Amém.



(1) (Mt 4,4; Dt 6,16; Mt 4,7); Dt 6,13; Mt 4,10)
Fonte: Revelar o Amor de Deus – uma chave para o Livro do Deuteronômio – Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino -  Vida Pastoral  - setembro/outubro 2020 – ano 61 n. 335 – pp.14-22

Escrito em 2020

Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

                                                                


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

“Uma fidelidade que gera futuro”

A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.

Deste modo,  o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.

A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:

- Fidelidade e serviço uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.

Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.

- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais  inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das  comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.

- Fidelidade e missão exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

- Fidelidade e futuro empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

“Parênteses de luz”

                                                   


“Parênteses de luz”

 

É sempre tempo favorável de conversão e, também, de oração, em que nos abrimos e mergulhamos nos insondáveis Mistérios Divinos.

 

“O abandono das certezas, das seguranças jamais é total. Permanece sempre, no fundo, a lembrança e a saudade da terra em que se habitava.

 

Nos apóstolos chamados a seguir a Cristo permanece a interrogação de quem seria realmente Aquele a quem ouviram e por quem abandonaram sua terra. Sua vida oculta, Seu messianismo tão diferente do que esperavam deixam algo de duvidoso.

 

Jesus toma a iniciativa e Se manifesta sob outra forma que revela Seu verdadeiro ser, Sua majestade divina: concede aos apóstolos contemplar o fim que O espera. Assim, os discípulos podem ver que o Servo repelido e incompreendido é o Filho do homem descrito por Daniel.

 

A condição humana, frágil e oculta, é apenas um tempo de passagem, um parênteses. Com essa antecipação da glória de que se revestirá no momento da Ressurreição, a fé dos discípulos deveria sair reanimada, confirmada (Evangelho).”

 

Retomemos duas afirmações: “(Jesus) concede aos apóstolos contemplar o fim que O espera...” e “A condição humana, frágil e oculta, é apenas um tempo de passagem, um parêntese.”

 

Há um fim glorioso, por nós, esperado, a glória dos céus que Jesus lhes dá a possibilidade contemplar. Alguém muito bem assim expressou: “é como uma gota de mel em meio às amarguras.”

 

Se não tivessem estes parênteses de luz como suportariam as dificuldades, provações, perseguições um pouco mais tarde, como de fato elas se multiplicaram avassaladora e crudelissimamente...

 

Não tivessem esta experiência, com certeza esmoreceriam, desanimariam, recuariam e a missão de anúncio do Reino, da construção de um novo céu e uma nova terra consistiria num terrível fracasso.

 

A fé na Ressurreição, a espera da glória futura, a coroa da justiça reservada aos justos é sempre uma boa nova que nos impulsiona.

 

Quanto à segunda, somos um “parênteses”, um momento, uma história a ser escrita com coragem e ousadia, para ser prolongada na eternidade.

 

Nossa história, se escrita com confiança no Absoluto, terá sua continuidade desabrochando em páginas infinitas na eternidade.

 

Mas como somos frágeis, limitados, por vezes temerosos, incrédulos, precisávamos e precisamos de “momentos de luz” para que se renove em nós a certeza de que as trevas não prevalecerão para sempre. Afinal, Ele mesmo disse: “quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

 

A Celebração Eucarística é o ápice deste momento de luz, quando ao topo do Monte Sagrado subimos para escutarmos o Filho amado e o que Ele tem para nos dizer.

 

Escutando não podemos fixar tendas nas “Montanhas”, mas descermos corajosamente à Planície de nosso cotidiano, também nos encontrando com Ele que Se apresenta com múltiplas feições.

 

Muitas vezes desfigurado, faminto, sedento, preso, nu, carente do essencial para viver clamando por transfiguração.

 

Parênteses de luz para iluminar as trevas do cotidiano quem dele não precisa?

 

Que momentos de luz sejam multiplicados na vida de cada de um de nós, para que o parênteses que somos possa ser invadido pelo brilho do esplendor divino.

 

Que as trevas cedam lugar à luz, o pecado à graça, a morte à vida, e passemos verdadeiramente do parênteses provisório que somos ao parêntese eterno que seremos... 

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