terça-feira, 1 de setembro de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 81 (82)

 



O Senhor virá julgar todos os povos

“–1 Deus se levanta no conselho dos juízes
e profere entre os deuses a sentença:
–2 'Até quando julgareis injustamente,
favorecendo sempre a causa dos perversos?

–3 Fazei justiça aos indefesos e aos órfãos,
ao pobre e ao humilde absolvei!
–4 Libertai o oprimido, o infeliz,
da mão dos opressores arrancai-os!'

=5 Mas eles não percebem nem entendem,
pois caminham numa grande escuridão,
abalando os fundamentos do universo!
–6 Eu disse: 'Ó juízes, vós sois deuses,
sois filhos todos vós do Deus Altíssimo!

–7 E, contudo, como homens morrereis,
caireis como qualquer dos poderosos!'
–8 Levantai-Vos, ó Senhor, julgai a terra,
porque a Vós é que pertencem as nações!”

O Salmo 81(82) é uma forte admoestação aos juízes iníquos:

“Os ‘deuses’ (=os poderosos) são condenados porque oprimem e exploram os fracos. Deus os exorta a julgar com justiça, lembrando-lhes sua condição de simples mortais.” (1)

O Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios nos apresenta o Senhor como o verdadeiro juiz que virá para a julgar a todos nós:

“Quem me julga é o Senhor. Portanto. Não queirais julgar antes do tempo, até que o Senhor venha.” (1Cor 4,5).

Lembremos as palavras do Senhor Jesus na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), e as oportunas palavras de São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos julgados no amor.”



(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 797

Eternos aprendizes da Oração

                                                         



Eternos aprendizes da Oração

Oração, indispensável como o ar que respiramos, tem caractéristicas como encontramos na oração de Esdras:
  
“As características da Oração de Esdras podem ser um ponto de confronto com as nossas:

Oração simples, apelo confiante a Deus de quem se reconhece pobre diante d’Ele;

Oração viva, que não dobra o homem sobre si mesmo e seu pecado, mas o eleva a Deus. Esse manifesta Sua onipotência no perdão, soerguendo os que se rebaixam.

Oração forte, insistente, que não cessa até que Deus lance Seus olhos ao pobre que suplica.

O arrependimento fá-lo encontrar a festa dentro de si. Não qualquer festa ou evasão, porém a festa de Cristo Ressuscitado, que leva sempre à libertação de quem nunca é vencido, porque sempre perdoado” (1).
  
A Oração do Sacerdote Esdras (Esd 9,5-9), guia e líder do povo, traz consigo três marcas: Simples, viva e forte!

Que as nossas Orações sejam sempre simples, vivas, e fortes, para que correspondamos aos desígnios divinos, pois:

"O homem não pode encontrar Deus senão na humildade e no arrependimento que é consciência do pecado (vv.6-7). Deus manifesta sua bondade e seu perdão a quem tem o coração contrito."(2)


(1) Missal  Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1304
(2) idem 

“Sai deste homem”

                                                       

“Sai deste homem”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário do Evangelho de São Marcos, escrito por São Jerônimo, Doutor da Igreja (séc. IV).

“E Jesus ameaçou: Cala-te e sai deste homem. A verdade não necessita de testemunho da mentira. Não vim para ser reconhecido pelo teu testemunho, mas para precipitar-te de minha criatura. Não é belo o louvor na boca do pecador.

Não necessito do testemunho daquele ao qual quero atormentar. Cala-te. Teu silêncio seja o meu louvor. Não quero que a tua voz me louve, mas os teus tormentos: tua pena é meu louvor. Não me é agradável que me louves, mas que se retire.

Cala-te e sai deste homem. Como se dissesse: sai de minha casa, o que fazes em minha morada? Eu desejo entrar: Cala-te e sai deste homem. Deste homem, ou seja, deste animal racional. Sai deste homem: abandona esta morada preparada para mim. O Senhor deseja a sua casa: sai deste homem, deste animal racional.

Sai deste homem, disse também em outro lugar a uma legião de demônios, para que saíssem de um homem e entrassem nos porcos. Vede quão preciosa é a alma humana. Isto contradiz àqueles que creem que nós e os animais temos uma mesma alma e trazemos um mesmo espírito.

De um só homem é lançada a legião e enviada a dois mil porcos, o que nos permite ver que é precioso o que se salva e de pouco valor o que se perde. Sai deste homem e vai-te para os porcos, vai-te para os animais, vai-te para onde queiras, vai-te aos abismos.

Abandona ao homem, ou seja, abandona uma propriedade particularmente minha. Sai deste homem: não quero que tua possuas ao homem; para mim é uma injúria que habites no homem, sendo Eu o que habita nele. Eu assumi o corpo humano, Eu habito no homem. Essa carne que possuís é parte da minha carne, portanto, sai deste homem.

E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Com estes sinais mostrou sua dor, agitando-o violentamente. Aquele demônio, ao sair, como não podia causar dano à alma, o fez ao corpo, e, como não podia fazer-se compreender por outro meio, manifesta com sinais corporais que saiu.

E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Porque ali estava o espírito impuro que foge do espírito puro. E dado um grito, saiu dele. Com o clamor da voz e a agitação do corpo manifestou que saia”. (1)

Vemos quão preciosos somos aos olhos de Deus, de modo especial, considerando estas duas afirmações de São Jerônimo, a partir da ação libertadora de Jesus, com sua Palavra:

- “De um só homem é lançada a legião e enviada a dois mil porcos, o que nos permite ver que é precioso o que se salva e de pouco valor o que se perde”;

- “’Sai deste homem’: não quero que tua possuas ao homem; para mim é uma injúria que habites no homem, sendo Eu o que habita nele. Eu assumi o corpo humano, Eu habito no homem. Essa carne que possuís é parte da minha carne, portanto, ‘sai deste homem’”.

Seja a ação evangelizadora o empenho efetivo em promoção e defesa da dignidade e sacralidade da vida, desde sua concepção até o seu declínio natural.

É tempo de reaprendermos o valor da existência humana como morada de Deus, e, portanto, qualquer sinal que expresse sua violação, mutilação, deve ser superado.
  
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 –p.377-378 
Apropriado para as passagens: Mc 1,21-28; Lc 4,31-37

“Cala-te e sai dele”

                                                          


“Cala-te e sai dele”

Na terça-feira da 22ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,31-37).

Trata-se na ação de Jesus na sinagoga, em dia de sábado, libertando um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro.

A vitória de Jesus sobre o demônio revela o plano que Deus tem, e Jesus veio realizar, porque Jesus é o “Santo de Deus”, a intervenção de Deus, autorizado por força de palavra e poder de ação, em nosso mundo sujeito a outro poder, o poder do mal.

Com a passagem, contemplamos Jesus dando início ao Seu Ministério, ensinando e curando, com autoridade.

Esta autoridade consiste em falar de modo que aqueles que O ouvem se encontrem com a pessoa do Mestre, e pondo-se a caminho viverão a fidelidade no amor incondicional, como discípulos missionários Seus.

Muitos que O ouviram puseram a falar d’Ele, e esta é a nossa missão: comunicar a experiência que fazemos com Ele, do mesmo modo que fizeram os Seus apóstolos - “Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (At 4,20).

Que o Espírito do Senhor, que com Ele estava, também nos acompanhe em todos os momentos.

Concluo com as palavras de São Cirilo de Jerusalém (séc. IV) sobre a ação do Espírito Santo em nossa missão evangelizadora:

“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem o recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros.” 

 

PS: Fonte - Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp.1224-1225

Rezando com os Salmos - Sl 83 (84)

 



Peregrinos da esperança rumo à casa do Senhor

 
–1 Ao maestro do coro. Conforme ‘Os lagares’.
Salmo dos filhos de Coré.
 
–2 Quão amável, ó Senhor, é Vossa casa,

quanto a amo, Senhor Deus do universo!
–3 Minha alma desfalece de saudades
e anseia pelos átrios do Senhor!
– Meu coração e minha carne rejubilam
e exultam de alegria no Deus vivo!

=4 Mesmo o pardal encontra abrigo em Vossa casa,
e a andorinha ali prepara o seu ninho,
para nele seus filhotes colocar:
– Vossos altares, ó Senhor Deus do universo!
Vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!

–5 Felizes os que habitam Vossa casa;
para sempre haverão de Vos louvar!
–6 Felizes os que em Vós têm sua força,
e se decidem a partir quais peregrinos!

=7 Quando passam pelo vale da aridez,
o transformam numa fonte borbulhante,
pois a chuva o vestirá com suas bênçãos.
–8 Caminharão com um ardor sempre crescente
e hão de ver o Deus dos deuses em Sião.

–9 Deus do universo, escutai minha oração!
Inclinai, Deus de Jacó, o Vosso ouvido!
–10 Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção,
vede a face do eleito, Vosso Ungido!

–11 Na verdade, um só dia em Vosso templo
vale mais do que milhares fora dele!
– Prefiro estar no limiar de Vossa casa,
a hospedar-me na mansão dos pecadores!

–12 O Senhor Deus é como um sol, é um escudo,
e largamente distribui a graça e a glória.
– O Senhor nunca recusa bem algum
àqueles que caminham na justiça.
–13 Ó Senhor, Deus poderoso do universo,
feliz quem põe em Vós sua esperança!”
 

O Salmo 83(84) retrata as saudades do templo do Senhor:

“O romeiro deseja chegar ao templo e contemplar a morada de Deus, meta de suas aspirações. Sente ‘santa inveja’ dos que moram no santuário. Ora pelo rei que Deus consagrou e por todo o povo fiel” (1)

O Autor da Epístola aos Hebreus nos lembra que, como peregrinos da esperança, “Não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura daquela que está para vir (Hb 13,14).

Com este Salmo podemos rezar quando nos dirigimos à Casa do Senhor, nossas igrejas para as celebrações dos Mistérios da fé, e de modo muito especial aos santuários em piedosa peregrinação.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 798

Zelosas sentinelas do Senhor o sejamos!

                                                     

Zelosas sentinelas do Senhor o sejamos!

Nos “ombros do coração” carregamos aqueles que amamos!

Sejamos enriquecidos por este texto escrito pelo Papa São Gregório Magno (Séc. VI) em que nos exorta sobre o modelo de pastor que devemos ser:

“A sentinela, de fato, deve estar sempre ao alto para enxergar de longe quem vem. E quem quer que seja sentinela do povo deve manter-se no alto por sua vida para ser útil por sua providência”. 

“O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade.

Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas, mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores”.

Gregório Magno, sedento de encontro pessoal e íntimo com Deus, muitas vezes sentiu-se, como nós hoje, devorado pelas inúmeras interpelações, clamores, solicitações múltiplas:

“Depois que pus aos ombros do coração o cargo pastoral, meu espírito não consegue recolher-se sempre porque está dividido entre muitas coisas”

Vindo de família nobre e rica, despojou-se de tudo, numa bela encarnação viva e atualizada do Evangelho de Lucas 18,18-23: “Vá e venda tudo o que tens, e depois me siga”.

Grande pregador, evangelizador, pastor de almas, conduziu a Igreja em tempos muito difíceis, como também vivemos no tempo presente.

Exorta-nos, como sentinelas do povo, a ficarmos sempre vigilantes na defesa daquele que amamos e que nos são confiados, pois sem vigilância e amor pelo rebanho traímos a confiança de Deus.Na Igreja ou na sociedade, como em todo lugar, é preciso que sejamos verdadeiros pastores, que amam o rebanho e com ele se comprometem, tendo pureza de pensamento, acompanhado de gestos concretos como expressão de amor; o silêncio útil e oportuno quando necessário, calando quando se deve calar, mas não calando quando se deve falar.

Como zelosas sentinelas vivemos a proximidade e solidariedade com quem mais precisa com humildade e simplicidade, na acolhida da graça divina, e deste modo, evitaremos o pecado, mas intensifcaremos nosso amor pelos pecadores.

Reflitamos:

- Quais são os questionamentos que podemos nos fazer à luz do que nos disse o Papa Gregório Magno?

- Como conduzimos o rebanho que o Senhor nos confia, na Igreja e além de suas paredes?

- Com que ardor carregamos nos “ombros do coração” aqueles que o Senhor nos confiou?

Supliquemos a graça divina para sermos zelosas sentinelas de vidas preciosas que Ele nos confia, mesmo sem merecermos, mas porque é infinitamente bom e amável.

Creiamos na ação e presença do Espírito, que nos assiste na missão evangelizadora, ao proclamar e testemunhar a divina Palavra, pois sem ela, não haverá nenhum êxito em tudo que falarmos ou fizermos. Amém.

A solidariedade humana

                                                                  


A solidariedade humana

Tanto se fala em solidariedade, mas qual o seu significado, segundo o Catecismo da Igreja Católica?

Este princípio da solidariedade, também pode ser dito como “amizade” ou “caridade social”, e se trata de uma exigência direta da fraternidade humana e cristã.

A manifestação da solidariedade humana se dá, em primeiro lugar, na repartição dos bens e na remuneração do trabalho na superação das desigualdades iníquas.

Com isto, implica no esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada.

Deste modo, o caminho para a solução dos problemas socioeconômicos passa pela ajuda de todas as formas de solidariedade:

1ª – dos pobres entre si;

2ª – dos ricos com os pobres;

3ª – dos trabalhadores entre si;

4ª – dos empresários e empregados na empresa;

5 ª – entre as nações as nações e entre os povos, pois a solidariedade internacional é uma exigência de ordem moral, e dela depende, em parte, a paz do mundo.

No entanto, a virtude da solidariedade, eminentemente cristã, vai além dos bens materiais – deve também levar a partilha dos bens espirituais, ainda mais que a dos materiais - “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6, 33).

Concluo com as Palavras de Pio XII em sua mensagem radiofônica em 1941:

“Desde há dois mil anos que vive e persevera na alma da Igreja este sentimento, que levou e ainda leva as almas até ao heroísmo caridoso dos monges agricultores, dos libertadores de escravos, dos que cuidam dos doentes, dos mensageiros da fé, da civilização, da ciência a todas as gerações e a todos os povos, em vista a criar condições sociais capazes de a todos tornar possível uma vida digna do homem e do cristão”.

  

PS: Reflexão à luz dos parágrafos 1939-1948 – Catecismo da Igreja Católica (CIC) 

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