sexta-feira, 19 de junho de 2026

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Envolvidos pelo amor divino

                                                         

Envolvidos pelo amor divino

O cristão é, fundamentalmente, alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta a cada dia o bom combate da fé com serenidade e alegria. 

Possui uma esperança que brota da certeza fundamental: o Amor de Deus, que deve ser para nós o grande tesouro de que nos fala o Evangelho (Mt 6,19-23):

“… ajuntai tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam… Pois onde estiver teu tesouro, aí estará também o teu coração”. 

O cristão condiciona e fundamenta toda sua vida nesta certeza, de modo que, a alegria de quem encontrou e experimentou o Amor de Deus o faz discípulo missionário, sal da terra e luz do mundo, numa espiritualidade Eucarística.

A missionariedade consistirá em corresponder ao Amor de Deus. Somente no verdadeiro encontro e apaixonamento por Cristo e Seu Evangelho estaremos, como os profetas, dentre eles, João Batista, vivendo nossa vocação profética, ontem, hoje e sempre.

Com a Palavra, Jesus Cristo revelou o Deus Bíblico: Deus de Amor, pois o Espírito do Senhor repousava sobre Ele na mais perfeita relação de comunhão e Amor.

Vivamos a Aliança de Amor de Deus por nós, um amor no exato sentido da Palavra, pois Deus é Amor e ama Seu Povo e o tem como Seu tesouro, Sua propriedade e o constitui povo de sacerdotes e nação santa (Ex 19,2-6a).

Ama apesar de toda infidelidade, traição, idolatria, abandono, morticínios, sacrifícios inúteis, abominações, reclamações sem fundamento, provocação, lamentações infundadas, ingratidão, atrocidades cometidas, amor não correspondido…

Deus ama na contra mão da história, pois ama um povo pequeno, aos olhos humanos, absolutamente desprezível, frágil e insignificante. 

Encarna-Se para redimi-lo e não somente este povo, mas toda a humanidade, em Cristo Jesus, e perpetua Seu Amor na presença do Espírito Santo, não nos deixando órfãos!  

Ainda mais, Deus habita em cada um de nós como templo Seu, sendo para nós o mais belo Hóspede!

Deste modo, como definir o Amor de Deus? Verdadeiramente o amor de Deus é: 
Idealizador,
Idílico, Ilimitado,
Ilógico, Iluminador, Ilustre, Imaculado,
Imortal, Impecável, Imperante, Imperdível, Imperturbável, 
Implacável, Impressionante, Imutável, Imprescindível, Inalienável, 

Inalterável, 
Incandescente, Incansável, 
Incendiário, Incessante, Incomensurável, 
Incomparável,  Incondicional, Inconfundível, Incontestável, Incorruptível,  Indelével,  Indiscutível,Indispensável, Indissociável, Incrível, 
Indubitável, Indulgente, Inédito, Inerente, Inesgotável, Inesquecível, Inestimável, 
Inexplicável, Infalível, 
Infinito, Inflamável, Inigualável, 

Iniludível, Inimitável, Inovador, Inqualificável, 
Inquebrável, Insaciável, Insigne, Insondável, Inspirador, Insubstituível, 
Inteligente, Interminável, Íntimo, Inusitado, Inviolável,
Irradiante, Irrecusável, 
Irrenunciável, Irresistível, 
Irrestrito, Irretocável, Irreversível, 
Irrevogável, Irrigador...

Contemplemos na Cruz o Mistério do Encontro/presença de um Deus que é eterno Amante (Pai), eterno Amor (Espírito Santo), eterno Amado (Filho). 

“Intrigas palacianas”

                                                         

“Intrigas palacianas”

A passagem bíblica proclamada na primeira Leitura da sexta-feira da 11ª Semana do Tempo comum (Ano par), (2Rs 11,1-4.9-18.20), retrata um período muito conturbado da história do Povo de Deus, no Antigo Testamento (ano 841 a.C.).

A história do povo de Israel corre o risco do desaparecimento devido às contínuas intrigas e morticínios.

Sejamos enriquecidos por este comentário do Lecionário Comentado:

 “A descrição das comuns intrigas palacianas, pretende fazer-nos compreender como o desígnio de Deus e a fidelidade divina caminham dentro das tortuosidades da História humana: as tristes figuras históricas, que nós somos, tão longe de poder satisfazer a necessidade de salvação do homem, fazem lembrar o Rei ideal que encarnará na Sua Pessoa a salvação e a paz.

Portanto, não é a bens materiais ou a salvadores de todos os gêneros (quantos se apresentam hoje!) que podemos apegar o nosso coração, mas sim ao Bem eterno, ‘todo o Bem, o sumo Bem’ (São Francisco de Assis), porque, como lemos no Evangelho, ‘onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração’ (Mt 6,21)...

Com efeito, este tesouro, no texto evangélico é o Reino, mas o Reino é afinal uma Pessoa, o Senhor, o Rei que pede para tomar posse do nosso coração de forma a enchê-lo de luz e de vida”  (1)

Esta reflexão nos remete às tentações que Jesus venceu nos quarenta dias e quarenta noites no deserto: ser, ter, poder.

São estas tentações que geram outras tantas e que, seduzindo o coração humano, levam à multiplicação de páginas de sofrimento, intrigas, injustiças, fraudes, roubos e mortes, que mancham a história da humanidade com o pecado, e muitas vezes com o sangue dos inocentes.

Assim como na história do Povo de Deus, hoje também estas “intrigas palacianas” se repetem, nos diversos espaços em que circulamos: família, escola, trabalho, política e também dentro de nossas comunidades.

A cada um de nós cabe a vigilância para que estas tentações não nos seduzam, e não nos ceguem diante das necessidades do próximo, e tão pouco nos ensurdeçam diante dos clamores dos empobrecidos, que carregam as marcas da injustiça sofrida.

Urge pôr fim às “intrigas palacianas”, vivendo a Boa Nova do Evangelho de Jesus, buscando em primeiro lugar o Reino e a sua justiça, e tudo mais nos será acrescentado, como nos alertou e prometeu o Senhor.

Deste modo, o desígnio de Deus e a fidelidade divina encontrarão em nós correspondência maior de amor e fidelidade ao Seu Projeto de amor, vida, alegria e paz.

Supliquemos ao Senhor que não sejamos envolvidos pelas “intrigas palacianas de cada dia”, para que assim nossa vida seja marcada pela doação, serviço, partilha e simplicidade de coração, confiando em Deus, e tão somente a Ele amar e adorar, pois assim, nosso amor ao próximo ganhará conteúdo e expressão autênticos.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 551.

Livrai-nos, Senhor!

                                                         

Livrai-nos, Senhor!

Livrai-nos, Senhor, das doenças e tentações que nos enfraquecem,  como Igreja, no anúncio, testemunho e construção do Vosso Reino.

Livrai-nos, Senhor, da doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais, sabendo que não somos insubstituíveis e indispensáveis, e ajudai-nos cada vez mais a termos consciência que somos apenas servos Vossos.

Livrai-nos, Senhor, da doença do “martalismo”, da excessiva operosidade, que nos condena a um ativismo que fragiliza e nos faz tão apenas cumpridores de tarefas. Que saibamos nos colocar aos Vossos pés, para escutar Vossa Palavra e tudo melhor realizar, porque, acolhidos e envolvidos pelo Vosso Amor, teremos as “mãos de Marta e o coração de Maria”

Livrai-nos, Senhor, da doença do “empedernimento” mental e espiritual, para que não tenhamos  “dura cerviz”, e um coração de pedra, frio e endurecido. Iluminai-nos para que tenhamos os Vossos pensamentos e sentimentos.

Livrai-nos, Senhor da doença da planificação excessiva e do funcionalismo. Iluminai-nos e conduzi-nos por Vosso Espírito, que é o protagonista de toda ação evangelizadora e de todo o nosso viver.

Livrai-nos, Senhor, da doença da má coordenação  e fortalecei a nossa comunhão numa maior harmonia, concórdia, para que redescubramos sempre a força do trabalho em equipe, que nos torna mais fortes e capazes.

Livrai-nos, Senhor, da doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4), voltando sempre àquele primeiro momento em que o Senhor nos seduziu, nos olhou nos olhos e nos chamou pelo nome.

Livrai-nos, Senhor, da doença da rivalidade e da vanglória, de modo que nada façamos por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade nos ensine a considerar os outros superiores a nós mesmos, não agindo em vista de nossos próprios interesses, mas dos outros, rivalizando-nos tão somente no amor.

Livrai-nos, Senhor, da doença da esquizofrenia existencial, e na resposta ao Vosso chamado; conduzidos por Vossa Palavra não tenhamos uma vida dupla e dissoluta, vazia de conteúdo porque um contratestemunho da pregação.

Livrai-nos, Senhor, da doença das bisbilhotices, das murmurações e do mexerico. Que de nossa boca saiam tão apenas palavras sábias e oportunas para a edificação do outro e nossa própria edificação. Lentos no falar, prontos para amar e perdoar e silenciar quando for preciso, e nunca calar o que for preciso dizer. Por isto, concedei-nos serenidade e sabedoria, Senhor.

Livrai-nos, Senhor, da doença da divinização dos chefes e superiores, para que não nos tornemos cortejadores de favores e  benefícios, e afastai toda tentação de carreirismo e oportunismo, que tenha tão apenas o desejo de promoção e reconhecimento, pois não é isto que nos propusestes ao nos oferecer a Cruz para segui-Lo.

Livrai-nos, Senhor, da doença da indiferença para com os outros, para que não pensemos tão somente em nós mesmos. Ajudai-nos a estabelecer relacionamentos sinceros e fraternos, ajudando a levantar quem deseja ser levantado, e jamais sentirmos alegria ao ver um irmão que tenha caído, pecado, ao contrário tudo fazermos para erguê-lo pela confiança em Vossa infinita misericórdia.

Livrai-nos, Senhor, da doença da cara fúnebre, para que não sejamos pessoas grosseiras e sisudas, com feições de melancolia, de severidade e assim, jamais  tratar os outros – principalmente os considerados inferiores – com rigidez, dureza e arrogância.

Livrai-nos, Senhor, da doença do acúmulo de bens que passam, para que jamais preenchamos o vazio existencial do coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas somente para nos sentirmos seguros. Dai-nos sempre sabedoria para usar os bens que passam e abraçar os que não passam.

Livrai-nos, Senhor, da doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo  e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Concedei-nos a abertura ao outro, em respeito à alteridade e na vivência da gratuidade necessária em tudo que fizermos, para que mais verdadeira seja nossa comunhão fraterna.

Livrai-nos, Senhor, da doença do proveito mundano, dos exibicionismos, para que não transformemos o serviço em poder e o  poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder. Que o poder seja a mais perfeita expressão do amor serviço, entrega e doação da própria vida e dos dons que nos concedestes, multiplicando-os quando não os enterramos, mas colocamos em comum.

Senhor, livrai-nos, enfim, de tudo aquilo que não corresponda aos Vossos desígnios e de tudo aquilo que nos afaste de Vós, porque, inevitavelmente afastado de Vós, nos afastamos uns dos outros. Amém.


PS: Inspirado no “Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”, que o leitor poderá conferir na íntegra acessando:


Suplicantes, Vos pedimos...

                                                     


Suplicantes, Vos pedimos...

“Vós sois todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8)

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, ajudai-nos, como Igreja sinodal, caminhar sempre juntos, aprendendo e vivendo como as primeiras comunidades, perseverantes na doutrina dos apóstolos, fração do pão, comunhão fraterna, e oração (At 2,42-45), sendo sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16).

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, ensinai-nos a construir laços de amizade social, na vivência do Vosso Mandamento - “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 13,34), pois tão somente assim, como irmãos e irmãs viveremos.

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, tornai fecunda a nossa vivência do Mandamento do Amor que rompe as cadeias que nos isolam e separam; multiplicando empenhos incansáveis na edificação de pontes, a fim de que sejamos uma grande família, na qual todos podemos nos sentir em casa.

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, iluminai-nos para que vivamos a amizade social, testemunhando um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; numa  fraternidade aberta, reconhecendo, valorizando e amando todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física. 

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, que no fortalecimento dos vínculos da amizade social, vivamos o amor desejoso de abraçar a todos, comunicando com a vida o Amor do Vosso Pai, em nosso coração, pelo Espírito Santo derramado (Rm 5,5), sem o desejo do domínio sobre os outros, e sem a imposição de doutrinas em guerra, por vezes fratricidas.

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, a graça de viver a amizade social, e assim consolidar a nossa vocação, formando uma comunidade feita de irmãos e irmãs que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros, na compaixão, proximidade e solidariedade, comprometidos na promoção da dignidade de todos/as.

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor, na vivência da amizade social, a capacidade diária de alargar os nossos círculos, fazendo-nos próximos daqueles que espontaneamente não sentimos como parte do nosso mundo de interesses, embora se encontrem tão perto de nós.

Suplicantes, Vos pedimos, Senhor,  conduzi-nos para comunicar um amor que implica algo mais do que uma série de ações benéficas; que este amor esteja presente nas relações sociais, na base da relação entre as pessoas e os povos, aberto para a comunhão universal, na valorização do direito à vida de todos e ao seu  desenvolvimento integral. Amém.

 

 

PS: Uma súplica pela amizade social - fonte: Texto Base da Campanha da Fraternidade  2024 - nn. 16-21

 

Em poucas palavras...

                                           


 

A senha do cristão

“A senha de reconhecimento do cristão é o amor para com os irmãos, condição para que seja autêntico o amor para com Deus.

O cristão que, por qualquer razão, por qualquer dano recebido, recusasse o perdão, renunciaria pelo mesmo fato o seu cristianismo.” (1)

 

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus - p.1013

Saudade

                                                   


Saudade

“Quem dera minha cabeça se tornasse em água, meus olhos, uma fonte de lágrimas, para eu chorar dia e noite os mortos da filha do meu povo!” (Jr 8,23).

Quero sentir a saudade de Jeremias, por não ser como um choro desconsolado, mas confiante na providência divina, sem nostalgia, acompanhado de uma esperança profunda que o impulsiona na missão. 

Não quero a saudade como apenas expressão da falta ou do vazio que tenha ficado com a partida de alguém que se amou e se amará para sempre. Quero a saudade com o olhar da fé na eternidade, onde, nos céus, poderemos nos encontrar.

Quero a saudade da tristeza suave, que aos poucos vai cedendo lugar à expectativa de um possível reencontro para uma conversa sem pauta, sem começo ou término, a não ser por um compromisso inadiável.

Quero uma outra que nos consuma ao volver nosso olhar para o passado e sem mais a presença física de alguém; mas termos a certeza de que suas palavras, gestos, gostos e quanto mais se diga, estão eternamente presentes.

Quero a saudade assumida com doces lembranças de alguém que deixou um vácuo, por vezes, impreenchível, mas que após lágrimas ardentes, do pranto que olhos umedeceram, sejam secados, porque as carregamos nas entranhas do coração.

Saudades... saudades de alguém, quem delas livre está?

Se sentidas, lágrimas vertidas por dentro ou por fora, é porque valeu a pena. Memorável porque marcou como um selo nossas vidas, perpetuamente.

Doces lembranças que nos impelem. Avancemos!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG