sábado, 25 de abril de 2026

O Senhor nos refaz de todos os cansaços (Papa Francisco - 2015)

                                                         

O Senhor nos refaz de todos os cansaços

Ofereço alguns trechos da Homilia feita pelo Papa Francisco na Missa do Crisma, Quinta-feira Santa, dia 2 de abril de 2015:

«A minha mão estará sempre com ele / e o meu braço há de torná-lo forte» (Sl 89/88, 22).... Assim pensa o nosso Pai cada vez que «encontra» um Padre. E acrescenta: «A minha fidelidade e o meu amor estarão com ele / (...) Ele me invocará, dizendo: “Tu és meu Pai, / és o meu Deus e o rochedo da minha salvação”» (vv. 25.27)

...E, se o Senhor pensa e Se preocupa tanto com o modo como poderá ajudar-nos, é porque sabe que a tarefa de ungir o povo fiel não é fácil, é dura; causa fadiga e leva-nos ao cansaço. E nós experimentamo-lo em todas as suas formas: desde o cansaço habitual do trabalho apostólico diário até ao da doença e da morte, incluindo o consumar-se no martírio.

O cansaço dos Sacerdotes! Sabeis quantas vezes penso nisto, no cansaço de todos vós? Penso muito e rezo com frequência, especialmente quando sou eu que estou cansado. Rezo por vós que trabalhais no meio do povo fiel de Deus, que vos foi confiado; e muitos o fazem em lugares demasiado isolados e perigosos. E o nosso cansaço, queridos Sacerdotes, é como o incenso que sobe silenciosamente ao Céu (cf. Sl 141/140, 2; Ap 8, 3-4). O nosso cansaço eleva-se diretamente ao coração do Pai.

Estais certos de que também Nossa Senhora se dá conta deste cansaço e, imediatamente, fá-lo notar ao Senhor. Como Mãe, sabe compreender quando os seus filhos estão cansados, e só disso se preocupa. «Bem-vindo! Descansa, filho. Depois falamos... Não estou aqui eu, que sou tua Mãe?»: dir-nos-á ao abeirarmo-nos d’Ela (cf. Evangelii gaudium, 286). E dirá, ao seu Filho, como em Caná: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3).

Pode acontecer também que, ao sentir o peso do trabalho pastoral, nos venha a tentação de descansarmos de um modo qualquer, como se o repouso não fosse uma coisa de Deus. Não caiamos nesta tentação! A nossa fadiga é preciosa aos olhos de Jesus, que nos acolhe e faz levantar o ânimo: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28)...

Sei repousar recebendo o amor, a gratidão e todo o carinho que me dá o povo fiel de Deus? Ou, depois do trabalho pastoral, procuro repousos mais refinados: não os repousos dos pobres, mas os que oferece a sociedade de consumo? O Espírito Santo é verdadeiramente, para mim, «repouso na fadiga», ou apenas Aquele que me faz trabalhar? Sei pedir ajuda a qualquer sacerdote experiente? Sei repousar de mim mesmo, da minha autoexigência, da minha autocomplacência, da minha autorreferencialidade?

Sei conversar com Jesus, com o Pai, com a Virgem Maria e São José, com os meus Santos padroeiros e amigos, para repousar nas suas exigências – que são suaves e leves – nas suas complacências – eles gostam de estar na minha companhia – e nos seus interesses e referências – só lhes interessa a maior glória de Deus? Sei repousar dos meus inimigos, sob a proteção do Senhor? Vou argumentando, tecendo e ruminando repetidamente cá para comigo a minha defesa, ou confio-me ao Espírito Santo que me ensina o que devo dizer em cada ocasião? Preocupo-me e afano-me excessivamente ou encontro repouso, dizendo como Paulo: «Sei em quem acreditei» (2 Tm 1, 12).

Repassemos brevemente os compromissos dos Sacerdotes, que proclama a liturgia de hoje: levar a Boa-Nova aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e a cura aos cegos, dar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor. Isaías diz também cuidar daqueles que têm o coração despedaçado e consolar os aflitos.
Gostaria agora de partilhar convosco alguns cansaços, em que meditei.

Temos aquele que podemos chamar «o cansaço do povo», o cansaço das multidões»: para o Senhor, como o é para nós, era desgastante – di-lo o Evangelho – mas é um cansaço bom, um cansaço cheio de frutos e de alegria.

O povo que O seguia, as famílias que lhe traziam os seus filhos para que os abençoasse, aqueles que foram curados e voltavam com os seus amigos, os jovens que se entusiasmavam com o Mestre… Não Lhe deixavam sequer tempo para comer. Mas o Senhor não Se aborrecia de estar com a gente. Antes pelo contrário, parecia que ganhava nova energia (cf. Evangelii gaudium, 11)...

É o cansaço do Sacerdote com o cheiro das ovelhas, mas com o sorriso de um pai que contempla os seus filhos ou os seus netinhos. Isto não tem nada a ver com aqueles que conhecem perfumes caros e te olham de cima e de longe (cf. ibid., 97).

Somos os amigos do Noivo: esta é a nossa alegria. Se Jesus está apascentando o rebanho no meio de nós, não podemos ser pastores com a cara azeda ou melancólica, nem – o que é pior – pastores enjoados. Cheiro de ovelhas e sorriso de pais... Muito cansados, sim; mas com a alegria de quem ouve o Seu Senhor que diz: «Vinde, benditos de meu Pai!» (Mt 25, 34).

Existe depois aquele que podemos chamar «o cansaço dos inimigos». O diabo e os seus sectários não dormem e, uma vez que os seus ouvidos não suportam a Palavra de Deus, trabalham incansavelmente para a silenciar ou distorcer.

Aqui o cansaço de enfrentá-los é mais árduo. Não se trata apenas de fazer o bem, com toda a fadiga que isso implica, mas é preciso também defender o rebanho e defender-se a si mesmo do mal (cf. Evangelii Gaudium, 83)... Eis a Palavra do Senhor para estas situações de cansaço: «Tende confiança! Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33). E esta palavra dar-nos-á força.

E, por último (...) há também «o cansaço de nós próprios» (cf. Evangelii Gaudium, 277). É talvez o mais perigoso. Porque os outros dois derivam do fato de estarmos expostos, de sairmos de nós mesmos para ungir e servir (somos aqueles que cuidam).

Diversamente, este cansaço é mais autorreferencial: é a desilusão com nós mesmos, mas sem a encararmos de frente, com a alegria serena de quem se descobre pecador e carecido de perdão, de ajuda; é que, neste caso, a pessoa pede ajuda e segue em frente...

Gosto de lhe chamar o cansaço de «fazer a corte ao mundanismo espiritual». E, quando uma pessoa fica sozinha, dá-se conta de quantos sectores da vida foram impregnados por este mundanismo e temos até a impressão de que não há banho que o possa lavar. Aqui pode haver um cansaço mau.

A palavra do Apocalipse indica-nos a causa deste cansaço: «Tens constância, sofreste por causa de mim, sem te cansares. No entanto, tenho uma coisa contra ti: abandonaste o teu primeiro amor» Ap 2, 3-4).

Só o amor dá repouso. Aquilo que não se ama, cansa de forma má; e, com o passar do tempo, cansa de forma pior.

A imagem mais profunda e misteriosa do modo como o Senhor cuida do nosso cansaço pastoral – «Ele que amara os Seus (…), levou o Seu amor por eles até ao extremo» (Jo 13,1) – é a cena do lava-pés...

O seguimento de Jesus é lavado pelo próprio Senhor para que nos sintamos no direito de ser e viver «alegres», «satisfeitos», «sem medo nem culpa» e, assim, tenhamos a coragem de sair e ir, «a todas as periferias até aos confins do mundo», levar esta Boa-Nova aos mais abandonados, sabendo que «Ele estará sempre conosco até ao fim dos tempos». E, por favor, peçamos a graça de aprender a estar cansados, mas com um cansaço bom!”

Voltamo-nos a esta Homilia para reencontrar as forças e nos refazer de nossos cansaços, como Presbíteros ou como cristãos, cada um de modo próprio.

Além das passagens pelo Papa citadas, a Homilia nos remete a inúmeras passagens bíblicas. Entre elas: Salmo 23, “O Senhor é meu Pastor e nada me faltará”; vários textos dos Evangelhos, em que o Senhor chamou quem Ele quis pelo nome e muitas vezes depois os chamou em lugar a parte para que se refizessem e descansassem; além de várias passagens das Cartas do Apóstolo Paulo; e, por fim, o Livro do Apocalipse, que se refere ao abandono do “primeiro amor”.

Oremos por todos os Sacerdotes...



Dai-nos, Senhor, a sabedoria do Vosso Espírito

                                                      

Dai-nos, Senhor, a sabedoria do Vosso Espírito 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 16,15-20), em que Jesus aparece aos onze discípulos, Ressuscitado, e os envia em missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). 

Nisto consiste a missão da Igreja que somos: cumprir o mando do Senhor, sendo uma Igreja em estado permanente de missão, na fidelidade a Jesus, vivo e Ressuscitado, em plena comunhão com o Pai e o Espírito que nos conduz, pois é Ele o grande protagonista da missão. 

Oremos: 

Senhor, concedei-nos a Sabedoria do Vosso Espírito, para que, cumpramos a vontade de Deus, na missão de evangelizadores, discípulos missionários Vossos.

Senhor, renovai a graça de vivermos a mais bela essência da nossa missão: sermos instrumentos de vida, amor, luz e paz, num mundo marcado por sinais de contradições e mortes. 

Senhor, ajudai-nos, para que nos abramos à graça e ao amor, que são derramados em nossos corações pelo Vosso Espírito.

Senhor, por Vós chamados, acolhidos, amados e enviados em missão, conheçamos quem sois e sintamos Vossa presença de amor e coragem. 

Senhor, movidos pelo Vosso Espírito Santo, ensinai-nos a sermos canais da graça divina na vida das pessoas.

Senhor, preparai os nossos corações e de todos a quem comunicamos a Semente de Vossa Palavra, para que sejamos terrenos férteis, produzindo os frutos que Vosso Pai tanto espera. 

Senhor, conduzidos por Vosso Espírito, façamos de nossa vida doação e serviço, amor e entrega, como assim Vós fizestes, em ato extremo na morte de Cruz, amando-nos até o fim, por isto, pelo Pai fostes Glorificado. Amém. Aleluia! 


PS: Celebramos no 25 de abril a Festa do Evangelista São Marcos.


Simplesmente creia...

                                                        

Simplesmente creia...
 “Eu sou o Bom Pastor,
as ovelhas conhecem minha voz!”

Creia, simplesmente creia!
Sou Teu Divino Pastor,
Te amo, te quero e te cuido.
Venha a mim com o Pai e o Espírito,
És para nós mais que precioso,

Creia, simplesmente creia!
Não te entregues, resista,
Conheço tuas fraquezas,
Conheço o meu rebanho...

Creia, simplesmente creia!
Escute minha voz,
Confie em minha Palavra
Experimente minha fortaleza,
Sou todo teu, Sou puro Amor.

Creia, simplesmente creia!
Conheço teus pensamentos,
Acompanhei tuas quedas,
Doem-me tuas feridas,
Quero curá-las!

Creia, simplesmente creia!
Sei das fraturas de tua alma,
Quero enfaixá-las!
Revigorar-te, fortalecer-te,
Reerguer-te, pôr-te a caminho.

Creia, simplesmente creia!
Nada pode me fazer desistir
De te amar e te curar,
Nada pode me fazer de ti esquecer,
Estás em meu coração,
Ofereço-te vida,
Alegria, paz e Salvação.

Creia, simplesmente creia!
Venha a mim com o Pai e o Espírito,
És para nós mais que precioso.

Grande graça o Senhor nos concedeu: continuar a Sua missão

                                           

Grande graça o Senhor nos concedeu: continuar a Sua missão
 
 
 “Foi elevado ao Céu e sentou-Se
à direita de Deus” (Mc 16,19)
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 16,15-20).
 
A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco, até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
 
Como discípulos missionários, o fim último de todos nós é a  comunhão com Deus, o Céu.
 
Antes, porém,  é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados, decididamente, no Projeto de Salvação Divina.
 
É preciso sempre superar a passividade alienante: ir para o meio do mundo, como sal, luz e fermento; levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.
 
À Igreja, portadora da plenitude de Cristo, nada falta para cumprir esta missão.
 
É o que contemplamos na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos  (At 1,1-11) onde encontramos o retrato de uma comunidade que vive num contexto de crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será, enfim, realizado?
 
São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, para que a comunidade não vacile na fé, não esmoreça na esperança e nem esfrie na caridade. A construção do Reino exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.
 
Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização, que é o Espírito Santo, e conta com a participação e ação dos Apóstolos.
 
O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 1,17-23), fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Nisto consiste o “pleroma”, ou seja, na Igreja reside a plenitude, a totalidade de Cristo.          
 
A Igreja é a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo.     Estando Cristo presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).
 
A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.
 
Voltando ao Evangelho, que se trata de uma conclusão, possivelmente um acréscimo posterior à redação, escrito com o intuito de afastar todo medo da comunidade, para ajudá-la a superar a sua acomodação, instalação, afastando também toda perspectiva de recuo, desistência na árdua e maravilhosa missão do anúncio da Boa-Nova.
 
Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão. Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início à nossa missão.
 
Ele sentou-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.
 
É sempre tempo de tomarmos consciência do quanto Deus em nós confia.
 
Reflitamos:
 
- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
 
- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho viva esta certeza em meu coração?
 
- No seguimento de Jesus, não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão confiada?
 
- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
 
- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
 
- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?
 
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.
 
 
PS: Festa do Evangelista São Marcos celebrada no dia 25 de abril.
 


O mandato missionário do Senhor

                                                           

O mandato missionário do Senhor
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 16,15-20), que nos apresenta o mandato do Senhor, enviando os discípulos pelo mundo, para continuar a sua missão.
 
Esta acontece todo dia e em todo lugar desde o dia de nosso Batismo, como profetas, sacerdotes, reis e pastores, num mundo marcado por inúmeros desafios, perplexidade, incertezas, por uma pobreza espiritual fomentada pelo processo de secularização e secularismo; culto do prazer (hedonismo); materialismo, às vezes até negando Deus, pregando e afirmando a Sua morte; acentuado relativismo, onde o que conta é a verdade de cada pessoa e de cada tempo (verdades passageiras e transitórias).
 
Sendo assim, os frutos amargos são consequências inevitáveis: incertezas, vazios, cansaços inúteis, ausência de sentido, depressão e violação da sacralidade da vida, perda do valor e da beleza da dignidade de cada pessoa.
 
E, é neste vasto e complicado mundo que somos desafiados a proclamar a Boa Nova do Evangelho, com alegria, coragem, ardor, criatividade, disponibilidade, confiança.
 
Urge um novo modo de ser cristão e viver o Evangelho, sem jamais negá-lo, sem nos acomodarmos diante da realidade - como nos disse o Apóstolo Paulo, não podemos nos conformar a este século.
 
O Evangelho é que deve fermentar o mundo, iluminá-lo, transformá-lo, jamais o contrário e, assim, se cumpra a ordem do Senhor: “Ide pelo mundo pregai o Evangelho a toda criatura...” (Mc 16,15).
 
É tempo favorável para nos revigorarmos na missão evangelizadora, comunicando a Boa Nova do Evangelho em todos os meios, em novos areópagos, santificando e estruturando nossas famílias, assumindo atitudes de conversão pessoal e estrutural da Igreja, na comunhão e participação de todos, construindo uma paróquia, como comunidade de comunidades e a inadiável e evangélica opção preferencial pelos pobres, no serviço à vida plena.
 
Como bem diz as Diretrizes da Ação Evangelizadora do Brasil (Doc. 94): “Jesus Cristo, o grande missionário do Pai, envia, pela força do Espírito, Seus discípulos em constante atitude de missão (Mc 16,15). Quem se apaixona por Jesus Cristo deve igualmente transbordar Jesus Cristo, no testemunho e no anúncio explícito de Sua Pessoa e Mensagem. A Igreja é indispensavelmente missionária. Existe para anunciar, por gestos e palavras, a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo. Fechar-se à dimensão missionária implica fechar-se ao Espírito Santo, sempre presente, atuante, impulsionador e defensor (João 14,16; Mt 10,19-20)...”.
 
Cremos que se a missão evangelizadora por todos, com alegria e ardor, for assumidas, transformaremos inúmeras realidades. Poderemos transfigurar o “cinza” triste da cidade, com seus sinais de morte, num Jardim do Éden, não perdido, mas como horizonte e compromisso, sobretudo daqueles que têm fé.   
É preciso, portanto, impregnar a todas as atividades um sentido missionário. Não se trata de uma atividade a mais, mas  de empenharmos todas as forças, criatividade no  testemunho corajoso do Senhor e de Sua Boa Nova.
 
Seduzidos pelo Senhor, enraizados e solidificados em Sua Palavra, como bem falou o Apóstolo Paulo: “Proclama a Palavra, insiste, no tempo oportuno e no inoportuno, refuta, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina” (2Tm 4,2).
 
É tempo da Primavera de Deus em nossas vidas, em nossas comunidades. No canteiro de nosso coração e do mundo, semeemos as Sementes do Verbo, até que um dia possamos contemplar a Primavera Divina da Eternidade!
 
PS: No dia 25 de abril, celebramos a Festa do Evangelista São Marcos.
 


Inflamados de amor pelo Senhor

                                                                 

Inflamados de amor pelo Senhor

“Por este motivo, exorto-te a reavivar o dom espiritual que
Deus depositou em ti pela imposição das minhas mãos.
Pois Deus não nos deu um espírito de medo, mas um
espírito de força, de amor e de sobriedade”
(2 Tm 1,6-7).

Reflexão à luz da passagem da Segunda Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 1,1-3.6-12).

O Apóstolo exorta Timóteo a reavivar a vocação, reanimando o carisma que recebeu, à luz da escuta da Palavra Divina, da comunhão com Deus e dos Sacramentos, que nos comunicam a graça de Deus.

É preciso viver as qualidades fundamentais, que devem estar presentes na vida do Apóstolo:

- a fortaleza frente às dificuldades;
- o amor que impulsiona para uma entrega total a Cristo e ao rebanho;
- a prudência necessária para animação e orientação da comunidade.

Com isto, se afasta o perigo das desilusões, fracassos, monotonia, fragilidade humana, que enfraquecem o entusiasmo original, levando à perda das motivações primeiras do compromisso com Jesus e a Boa-Nova do Reino.

É preciso despir-se de toda preguiça, inércia, comodismo, renovando as forças e a coragem para superar todo medo, e, assim, vencermos as dificuldades que nos impedem de viver inteiramente para Deus e para nosso próximo.

Impelidos pelo Amor divino, vamos bem mais longe, reavivando a vocação como dom de Deus, encontro de duas liberdades: a divina que chama, e a humana que responde.

A vocação é sempre fecunda se for fruto de um encontro que muda a vida de quem encontra o Senhor, como bem afirmou o Papa Bento XVI:

«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus Caritas Est, 1). 

Servidores zelosos do rebanho

                                                                   

Servidores zelosos do rebanho

O Missal Dominical nos oferece uma rica reflexão sobre a missão dos Pastores da Igreja, e os apresenta como guias do povo, colocados à sua frente para conduzir o rebanho, com solicitude e humildade, como servos e não como senhores do mesmo.

“Falar hoje dos ‘pastores’ da Igreja não é fácil, devido às incrustações históricas que deformaram as perspectivas e as mentalidades, mesmo entre os fiéis. Restituir aos pastores e a suas funções na Igreja a verdade e a autenticidade é tarefa urgente hoje.

O Papa, pastor supremo, ainda é visto em muitos ambientes como um chefe político, um diplomata, a expressão de um monolitismo e de um absolutismo ultrapassados. Importa apresentá-lo como o centro de unidade e coesão da Igreja, o que realmente é.

O Bispo não é um solene dignitário, um alto funcionário do espírito, distante e separado do seu rebanho; é o centro de unidade da Igreja local, o mestre e pai da família diocesana.

O Pároco e os Sacerdotes empenhados no ministério pastoral não são burocratas e funcionários a quem nos dirigimos para pôr em dia as nossas ‘práticas’, não são altas personagens a quem se recorre para obter cartas de recomendação, nem distribuidores de esmolas ou de Sacramentos. São acima de tudo ‘pastores' totalmente dedicados a seu povo, a quem servem com amor, respeito e dedicação total.

Delegada a alguns homens, a autoridade na Igreja não pode ser mais do que o sinal do governo do Senhor: não é absoluta; é uma autoridade que está em relação com o Cristo Ressuscitado. A obediência do cristão é uma obediência de fé, oferecida ao Senhor, reconhecido nos sinais vivos, isto e, nas pessoas que dirigem a Igreja. (1)

Celebrando o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, elevemos orações pelo Papa Francisco, para que continue conduzindo com alegria e simplicidade a Igreja, como sinal do Bom Pastor, fortalecendo os vínculos de unidade.

Orações sejam elevadas pelos Bispos, para que, como mestres e pais das famílias diocesanas, cumpram com ardor e zelo o tríplice múnus de santificar, ensinar e governar a Igreja Particular a eles confiada.

Também, por todos os Párocos e Vigários Paroquiais, para que inseridos na Pastoral de Conjunto, vivam a fraternidade Presbiteral, inflamados pelo fogo do Espírito, com simplicidade de coração, em zelosa caridade pastoral frente às paróquias, comunidades de comunidades, a eles confiadas.

Enfim, sendo nossas comunidades conduzidas por zelosas sentinelas do Senhor, pastores e guias do rebanho, tenhamos crescente configuração ao Cristo Bom Pastor, que veio dar a vida pelo rebanho, para que todos tenham vida plenamente.

Deste modo, construiremos comunidades mais perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração.

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 376.

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