sábado, 25 de abril de 2026

Servidores zelosos do rebanho

                                                                   

Servidores zelosos do rebanho

O Missal Dominical nos oferece uma rica reflexão sobre a missão dos Pastores da Igreja, e os apresenta como guias do povo, colocados à sua frente para conduzir o rebanho, com solicitude e humildade, como servos e não como senhores do mesmo.

“Falar hoje dos ‘pastores’ da Igreja não é fácil, devido às incrustações históricas que deformaram as perspectivas e as mentalidades, mesmo entre os fiéis. Restituir aos pastores e a suas funções na Igreja a verdade e a autenticidade é tarefa urgente hoje.

O Papa, pastor supremo, ainda é visto em muitos ambientes como um chefe político, um diplomata, a expressão de um monolitismo e de um absolutismo ultrapassados. Importa apresentá-lo como o centro de unidade e coesão da Igreja, o que realmente é.

O Bispo não é um solene dignitário, um alto funcionário do espírito, distante e separado do seu rebanho; é o centro de unidade da Igreja local, o mestre e pai da família diocesana.

O Pároco e os Sacerdotes empenhados no ministério pastoral não são burocratas e funcionários a quem nos dirigimos para pôr em dia as nossas ‘práticas’, não são altas personagens a quem se recorre para obter cartas de recomendação, nem distribuidores de esmolas ou de Sacramentos. São acima de tudo ‘pastores' totalmente dedicados a seu povo, a quem servem com amor, respeito e dedicação total.

Delegada a alguns homens, a autoridade na Igreja não pode ser mais do que o sinal do governo do Senhor: não é absoluta; é uma autoridade que está em relação com o Cristo Ressuscitado. A obediência do cristão é uma obediência de fé, oferecida ao Senhor, reconhecido nos sinais vivos, isto e, nas pessoas que dirigem a Igreja. (1)

Celebrando o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, elevemos orações pelo Papa Francisco, para que continue conduzindo com alegria e simplicidade a Igreja, como sinal do Bom Pastor, fortalecendo os vínculos de unidade.

Orações sejam elevadas pelos Bispos, para que, como mestres e pais das famílias diocesanas, cumpram com ardor e zelo o tríplice múnus de santificar, ensinar e governar a Igreja Particular a eles confiada.

Também, por todos os Párocos e Vigários Paroquiais, para que inseridos na Pastoral de Conjunto, vivam a fraternidade Presbiteral, inflamados pelo fogo do Espírito, com simplicidade de coração, em zelosa caridade pastoral frente às paróquias, comunidades de comunidades, a eles confiadas.

Enfim, sendo nossas comunidades conduzidas por zelosas sentinelas do Senhor, pastores e guias do rebanho, tenhamos crescente configuração ao Cristo Bom Pastor, que veio dar a vida pelo rebanho, para que todos tenham vida plenamente.

Deste modo, construiremos comunidades mais perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração.

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 376.

Enamorados pelo Bom Pastor

                                                  

Enamorados pelo Bom Pastor

“A quem iremos, Senhor?”

Discípulos missionários apaixonados pelo Bom Pastor sejamos, é a conclusão que chegamos quando refletimos sobre a passagem do Evangelho (Jo 6, 60-69).

Continuamente, somos convidados  a refletir sobre nossas opções, sobre o discernimento que devemos fazer entre os valores passageiros e os valores eternos, pois se trata de uma contraposição de duas lógicas: a humana e a divina. Há a lógica do poder, ambição e glória, e há a lógica da ação do Espírito que é caminho do amor e do dom da vida.

A preocupação do Evangelista é assegurar que o caminho da fidelidade é árduo, mas garante a vida plena. O contexto era de perseguição, afastamento, recusas, esmorecimentos, fragilização da fé.

A opção por Jesus é radical e exigente, deve ser feita com toda a liberdade, abrindo-se à ação do Pai com a força e luz do Espírito.

A comunidade deve amadurecer, pois não está livre de ver desertores. A proposta de Jesus é clara: ou se aceita, ou se rejeita. Há somente um caminho: amor, serviço, partilha e entrega.

A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa resposta na tomada de decisão diante do Senhor: “só Tu tens palavras de vida eterna”.

O discípulo de Jesus não sabe o que é uma “vida morna”. Serve-se a Deus ou ao diabo; a Deus ou ao dinheiro. Não se pode atenuar, amenizar, fragilizar a proposta de Jesus. Não existe uma visão “light” do cristianismo.

A opção por Ele deve ser sempre revisada, renovada, pois não há lugar para preguiça, acomodação e instalação; nem se pode suavizar as propostas de Jesus, nem desvirtuar o Evangelho para agradar o mundo, as pessoas, a fim de que não haja a perda de adeptos.

De fato, o Evangelho é a Boa Nova que não pode ser traída para agradar uns e outros.

Lembramos que cristão é quem escolhe Cristo e O segue; não impõe condições, mas aceita, acolhe e se empenha, na vigilância e na Oração, a viver esta Boa Nova até o fim, no bom combate da fé até que mereça a glória nos céus receber.

Participar da Missa, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia, são atitudes que devem marcar toda nossa existência, e assim, aderirmos a Jesus Ressuscitado com todas as fibras do nosso ser.

Alimentar e testemunhar a fé é preciso, como também é preciso discernir e ser fiel até o fim no seguimento de Jesus, e como bem expressou São Clemente de Alexandria (séc. III):

“Apressemo-nos, corramos, nós os homens que somos imagens do Verbo, que amamos a Deus e somos semelhantes a Ele. Apressemo-nos, corramos, tomemos Seu jugo, lancemo-nos para a incorruptibilidade, amemos o Cristo, o formoso condutor dos homens...

Sejamos ambiciosos a respeito da beleza, e homens enamorados de Deus, procuremos os bens maiores: Deus e a vida. O Verbo é protetor, tenhamos confiança n’Ele, e não cobicemos a prata, ouro ou glória, mas desejemos o próprio Verbo da Verdade” (1).

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 - p. 604

PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de João (Jo 10,27-30).

Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

 


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

“Uma fidelidade que gera futuro”

A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.

Deste modo,  o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.

A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:

- Fidelidade e serviço uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.

Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.

- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais  inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das  comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.

- Fidelidade e missão exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

- Fidelidade e futuro empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Aprendiz da misericórdia Divina

                                                


Aprendiz da misericórdia Divina

 

Assim ouvimos na Carta de São Tiago:

 

“Porque o julgamento será sem Misericórdia para quem não tiver agido com Misericórdia. Os misericordiosos não têm motivo de temer o julgamento” (cf. Tg 2,13)

 

Há um imperativo em nossa vida cristã, como discípulos missionários do Senhor: aprender o que é a misericórdia.

 

A misericórdia exige que transformemos nossa fé em obras, do contrário, será morta, como nos falou o Apóstolo São Tiago (cf. Tg 2,26), e como antes já nos dissera o Senhor, sobre a condição para a entrada no Reino dos Céus: – “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (cf. Mt 7, 21).

 

Contemplemos a misericórdia divina e a tornemos concreta:

 

- Na acolhida ao pecador, acompanhada de reconciliação e perdão gerador da possibilidade de novos rumos, novos passos;

- Com gestos concretos para fortalecer vínculos de fraternidade e comunhão, na necessária construção de pontes e extinção de muros que geram divisões, discriminações, marginalizações e exclusões;

- Com ações afetivas e efetivas de partilha e solidariedade, sobretudo com os que mais precisam.

 

Contemplemos e adoremos o rosto da misericórdia, que é o próprio Jesus, em amor total e incondicional ao Reino de Deus, por Ele inaugurado, com a presença e ação do Santo Espírito.

 

Oremos:


“Ó Deus, Vosso nome é santo e Vossa misericórdia se celebra de geração em geração; atendei às súplicas do povo e concedei-lhe proclamar sempre a Vossa grandeza. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”. Amém. Aleluia!

 

O Senhor nos conduz aos céus

                                                         

O Senhor nos conduz aos céus

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São João (1 Jo 3,1-3), em que apresento sete verbos, como que uma escada de sete degraus que devemos subir para alcançar o céu, o mais belo anseio que devemos nutrir.

Cremos que nosso destino é o céu, o encontro definitivo com Deus, quando O veremos face a face, como nos falou o Apóstolo João em sua Epístola. 

No entanto, este destino nos coloca diante de irrenunciáveis e intransferíveis compromissos sagrados, desde o dia de nosso Batismo, sobretudo porque somos ovelhas do rebanho do Senhor, Jesus Cristo, o Bom Pastor.

Estas ações exprimem a relação entre o Divino pastor e Suas ovelhas que somos, cuja segurança é garantida pelo Pai, com quem o Senhor é um – “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30).

1 -  “Escutar” – O degrau da escuta da voz divina:

A vida cristã pressupõe uma atenta escuta da voz de Deus que nos fala em todos os momentos. A Sagrada Escritura nos apresenta inúmeras passagens em que somos interpelados a ouvir a voz de Deus.

A escuta atenta à Sua voz, que nos fala no mais profundo da alma, é o colocar em prática; é certeza de vida plena e feliz, e um degrau indispensável rumo à eternidade.

De outro lado, a não escuta à voz de Deus, ou mesmo a escuta de “outras vozes” que o mundo multiplica, leva-nos a perda da felicidade e do sentido da vida. Absolutamente nada prospera ou frutifica, quando não ouvimos a voz de Deus e Sua vontade, que haveremos de colocar em prática, acima de tudo.

2 – “Conhecer” – O degrau da intimidade que devemos manter com Deus:

O Senhor nos conhece profundamente: conhece nossas alegrias e tristezas, forças e fragilidades, pensamentos. O Salmista bem expressou este conhecimento que Deus tem a nosso respeito. Nada sobre nós é indiferente a Ele (Sl 138). Se há algo que não podemos lamentar é a indiferença de Deus para conosco. Célebre passagem também encontramos no Livro do Êxodo (3, 1-15).

3 – “Seguir” – O degrau do seguimento carregando nossa cruz de cada dia:

Seguir o Bom Pastor, porque Ele também é, ao mesmo tempo, o Caminho, a Verdade e a Vida. Não só conduz, mas Se fez o próprio Caminho. Não somente nos fala da verdade que nos liberta, mas é a própria Verdade que orienta nossos passos. Somente O seguindo é que não nos perderemos pelos caminhos e descaminhos que a vida nos oferece. Segui-Lo por amor, com fidelidade permanente, com renúncias necessárias, tomando a nossa cruz, sem vacilar na fé, esmorecer na esperança e esfriar na caridade.

4 – “Doar a vida” – O degrau da doação da vida expressa em serviço, numa entrega alegre e confiante de si mesmo:

Ao contrário de mercenários, que fogem quando as ovelhas estão em apuro, ou até mesmo exploram as ovelhas (Ez 34), Jesus é o Bom Pastor que dá a vida pelo Seu rebanho, vida plena, feliz e eterna. Doa-Se amando, acolhendo, perdoando, curando, redimindo, libertando, partilhando, fazendo o que preciso for para o que o rebanho não fique fragilizado e inseguro. Doamos a vida na certeza de que o grão de trigo morre para não ficar só, mas que morrendo produz muitos frutos (Jo 12, 24).

5 – “Anunciar” – É o degrau do anúncio da Palavra, que ilumina e orienta a nossa vida. Palavra que também é Pão que alimenta nossa fé:

Não tem como pertencer ao rebanho do Senhor e não sentir-se comprometido em anunciar ao mundo a Palavra deste Bom Pastor, que uma vez encontrado, muda nossa vida, dá um novo sentido e alarga nossos horizontes. Pertencentes a este rebanho, temos a graça e o dever de anunciar a Palavra de Deus, para que mais pessoas venham a pertencer a este rebanho e também subir os mesmos degraus aos quais nos propusemos (At 13,14.43-52).

6 – “Lavar”  - O degrau do corajoso testemunho da fé, da vivência de nosso batismo como profetas, sacerdotes, rei e pastor:

Na passagem do Livro do Apocalipse (Ap 9,14-17), o autor sagrado nos fala de uma visão: uma multidão vestida de branco, com palmas nas mãos diante do Cordeiro, que é o próprio Jesus.

É uma sumária e bela apresentação do céu, sem fome e sede, onde nem o sol ou o vento ardente cai sobre eles, e são conduzidos às fontes de água viva e todas as lágrimas dos olhos são enxugadas.

Esta multidão incontável, de pé (vitoriosos) diante do trono e na presença do Cordeiro, são os que vieram da grande tribulação, lavaram e branquearam suas vestes no Sangue do Cordeiro. Numa palavra: deram corajoso testemunho da fé, alguns até mesmo passando pelo ápice do testemunho: o martírio, o derramamento do sangue.

7 – “Entrar” – O degrau do céu, nosso desejo e destino: plenitude de luz, paz, amor, alegria...:

Deus nos criou por amor, para vivermos em relação profunda e intensa de amor com Ele no tempo presente. Inseridos na comunhão do amor Trinitário, darmos passos silenciosos e sucessivos rumo ao encontro definitivo com Ele e com todos os que nos antecederam na glória dos céus.

É nosso último degrau, aonde alguns já chegaram e com eles estamos unidos em permanente oração, pela comunhão dos santos que cremos e rezamos.

Jamais desistamos de subir esta escada, ainda que exigente seja. Pois, tão somente assim, o amor a Deus, o primeiro na ordem dos Preceitos, andará de mãos dadas com o amor ao próximo, o primeiro como cumprimento, como tão bem expressou Santo Agostinho:

“Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”. 

Em Antioquia, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos (At 11,19-26). Cristãos, de fato, sejamos subindo escada que nos leva aos céus, mas que não nos exime de sagrados compromissos com a vida da humanidade e do planeta, nossa casa comum, como nos falou também o Papa Francisco em sua Encíclica “Laudato Si”.

Sejamos cristãos, de fato, com palavras e atos, sempre iluminados pela Palavra, que é Pão e Luz; que nos sacia e nos ilumina, sempre revigorados e nutridos pelo salutar Pão de Eternidade, o Pão da Eucaristia.

Padres, sinais do Cristo Bom Pastor!

                                                        

           

Padres, sinais do Cristo Bom Pastor!
 
O Missal Dominical nos oferece uma reflexão sobre o Ministério Sacerdotal que nasce da Eucaristia, tornando-se um dom para a unidade:
 
“Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da Ação Eucarística.
 
Quem ‘preside’ à comunidade e é por ela responsável, preside também à Eucaristia; reúne-a na Oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxílio mútuo.
 
Para ser coerentes com seu Ministério Sacramental, o Bispo com os Sacerdotes (e os Diáconos) são os mais próximos do Cristo Servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial.
 
O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do Ministério Sacerdotal com a celebração da Eucaristia:
 
‘Os Presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros Sacerdotes do Novo Testamento.
 
Participando, no grau próprio de seu Ministério, da função de Cristo Mediador único (cf. 1Tm 2,5), a todos anunciam a Palavra de Deus.
 
Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no Culto Eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando Seu Mistério, eles unem os votos dos fiéis ao Sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no Sacrifício da Missa o único Sacrifício do Novo Testamento, isto é, o Sacrifício de Cristo que, como Hóstia imaculada, uma vez por todas Se ofereceu ao Pai...
 
Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo...
 
De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus" (cf. LG n. 28)
 
Vemos que o Concílio Vaticano II apresenta a missão do Presbítero diante da comunidade, como modelo para o rebanho, com uma vida marcada pela doação, serviço e caridade.
 
O Presbítero precisa, portanto, uma configuração contínua a Jesus Cristo, com mesmos pensamentos e sentimentos (Fl 2,5-11).
 
Deste modo os Presbíteros serão Homens que:
 
- asseguram que o rebanho não se perderá, pois deles se pode esperar uma Palavra, a Palavra do Cristo Bom Pastor, Palavra de Vida Eterna;
 
- empenham-se na fortaleza do rebanho apesar da fraquezas próprias de sua condição, nutrindo com o Pão da Imortalidade, o Pão Eucarístico;
 
- inflamados pela chama do Amor de Deus, que os chamou e os consagrou, aprendizes da Divina Fonte de Amor, Jesus, conduzem a comunidade sob a ação e manifestação do Espírito Santo. Amém.
 
PS: Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 287.
 


“Prepara-te para a tentação”

                                                   

“Prepara-te para a tentação”

Retomemos um trecho do Sermão sobre os pastores, escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc. V), em que exorta a preparação para vencer as tentações ao viver o bom combate da fé.

“Já sabeis o que amam os maus pastores. Vede o que descuidam. ‘Ao enfermo não fortificastes; ao doente não curastes; o machucado’, isto é, fraturado, ‘Não pensastes; ao desgarrado, não reconduzistes; ao que se perdia não fostes procurar e ao forte oprimistes’ (Ez 34,4), matastes, destruístes. A ovelha se enfraquece, quer dizer, tem coração débil, imprudente e desprevenido a ponto de ceder às tentações que sobrevierem.

O pastor negligente, quando alguém se lhe confia, não lhe diz: ‘Filho, vindo para servir a Deus, mantém-te na justiça e prepara-te para a tentação’ (Eclo 2,1). Quem assim fala fortifica o fraco e de fraco faz firme, de modo que, se lhe forem confiados os bens deste mundo, não se fiará neles. Se, contudo, houver aprendido a fiar-se na prosperidade terrena, por esta mesma prosperidade será corrompido; sobrevindo adversidades, ferir-se-á e talvez pereça.

Quem assim edifica não constrói sobre a pedra, mas sobre a areia. ‘A pedra era Cristo’ (1 Cor 10,4). Os cristãos têm de imitar os sofrimentos de Cristo e não, ir atrás de prazeres. O fraco se fortifica, quando lhe dizem: ‘Espera, sim, provações neste mundo, mas de todas elas te livrará o Senhor, se teu coração não voltar atrás. Pois para fortalecer teu coração veio padecer, veio morrer, veio ser coberto de escarros, veio ser coroado de espinhos, veio ouvir insultos, veio ser pregado na cruz. Tudo isso por tua causa, e tu, nada: não para Ele, mas em teu favor’.

Quais são estes que, por temerem ofender os ouvintes, não apenas não os preparam para as inevitáveis provações, mas prometem a felicidade neste mundo, que o Deus deste mundo não prometeu? Ele predisse a este mundo labutas e mais labutas até o fim; e tu queres que o cristão esteja isento a estas labutas? Justamente por ser cristão, sofrerá algo mais neste mundo.

Com efeito, disse o Apóstolo: ‘Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições’ (2 Tm 3,12). Agora, tu pastor insensato, que procuras os teus interesses e não o de Jesus Cristo, deixe que ele diga: ‘Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições’. E por tua conta vai dizendo: ‘Se em Cristo viveres piedosamente, terás abundância de todos os bens. Se não tens filhos, tê-los-á e os criarás, e nenhum morrerá’. É esta tua construção? Olha o que fazes, onde a colocas.

Sobre a areia a constróis. Virá a chuva, o rio transbordará, soprará o vento, baterão contra esta casa; ela cairá e será grande sua ruína.

Tira-a da areia, põe-na sobre a pedra: esteja em Cristo aquele a quem desejas ver cristão. Observe os injustos sofrimentos de Cristo, observe-o sem pecado, pagando o que não devia, observe a Escritura a lhe dizer: ‘O Senhor castiga todo aquele que reconhece como filho’ (Hb 12,6). Ou se prepare para ser castigado, ou não procure ser aceito”.

Urge viver o “Bom combate da fé” (1 Tm 6,12), e para tanto, urge estar sempre pronto, em atitude de vigilância, preparados para as tentações, a fim de vencê-las, sem jamais vacilarmos na fé, esmorecermos na esperança e esfriarmos na caridade.

Supliquemos a Deus que nos conceda resistência na tentação, paciência na tribulação e sentimentos de gratidão na prosperidade, vivendo com Ele e para Ele, a quem damos toda a honra, glória, poder e louvor.

Pastores e rebanho, edifiquemos nossa vida sobre a Rocha, a Pedra Fundamental que é Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre, e nada poderá nos abalar.

Deste modo, sejamos iluminados pela Palavra de Deus, nutridos pelo Pão da Eucaristia, testemunhas vivas da evangélica caridade, vivendo, a cada dia, a missão que o Senhor nos confia, como alegres testemunhas como discípulos missionários Seus.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG