segunda-feira, 6 de abril de 2026

Fixemos nossos olhos no Senhor

Fixemos nossos olhos no Senhor

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 4, 1-5).

O Apóstolo exorta a comunidade, e também a nós, a fixar o olhar no essencial da proposta de Salvação e Libertação que Jesus tem a nos oferecer.

Urge tomar consciência de que somos, apesar das limitações próprias da condição humana, veículos da Mensagem Divina, não donos da mesma, procurando levar todos para Jesus e não para si próprios.

Reflitamos:

- Sentimo-nos como veículos imperfeitos para a comunicação da mensagem do Senhor?

- Sentimo-nos verdadeiramente servos da Palavra e do Senhor em nossas atividades pastorais?

- Qual a alegria que sentimos, como discípulos missionários, em nossa atividade evangelizadora, dentro e fora da comunidade?

- Transmitimos com fidelidade a proposta de Deus, não visando os próprios interesses e tão pouco a promoção de nossa pessoa, como tão bem fez o Apóstolo Paulo?

- Anunciamos a Boa-Nova do Senhor ou a nós próprios, nossas ideias, sentimentos e concepções?

Evangelizemos com ardor e fidelidade, com coerência e sem temor, colocando-nos, confiantemente, diante de Deus, a quem cabe o julgamento de todos nós, como nos exorta o Apóstolo, convicto de que tudo fez para ganhar muitos para Cristo.

“A Sabedoria de cada dia dai-nos hoje, Senhor!”


“A Sabedoria de cada dia dai-nos hoje, Senhor!”

Todos precisamos da Sabedoria Divina para dirigir nossos passos e reorientar nossas decisões e atitudes.

Vejamos o que nos diz o Livro da Sabedoria:

“A Sabedoria é um eflúvio (exalação) do poder de Deus, emanação puríssima da glória do Todo-poderoso; por isso nada de impuro pode nela insinuar-se. É reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de Sua bondade (Sb 7,25-26).

A Sabedoria é mais bela que o sol, supera todas as constelações. Comparada à luz do dia, sai ganhando, pois a luz cede lugar à noite, ao passo que, sobre a Sabedoria o mal não prevalece (Sb 7,29-30). Enamorei-me de sua formosura (Sb 8,2)”.

O Abade São Bernardo (séc. XII), assim diz em seu Sermão que são três as exigências para que saia de nossa boca a Sabedoria e a prudência;

“Feliz o homem que encontra a Sabedoria. Feliz, ou antes, muito feliz quem mora na Sabedoria. Talvez Salomão queira aqui significar a superabundância. São três as razões de fluírem em tua boca a Sabedoria e a prudência:

Se houver nos lábios primeiro a confissão da própria iniquidade;
segundo a ação de graças e o canto de louvor; terceiro a palavra de edificação. Na verdade pelo coração se crê para a justiça, pela boca se confessa para a salvação. De fato, começando a falar, o justo se acusa.

Depois, engrandece ao Senhor. Em terceiro, se até este ponto transborda a Sabedoria, deve edificar o próximo”.

Deste modo, possuímos sabedoria quando: Confessamos nossa própria iniquidade – pecado; Rendemos a Deus ação de graças e o louvor; Dizemos palavras que edificam.

Oremos:

A Sabedoria de cada dia nos dai hoje, Senhor, para que, através dela, sejam iluminados nossos pensamentos, e assim, discernirmos o que é bom, verdadeiro e justo. Amém!

Ó Filho Amado do Pai

                                            


Ó Filho Amado do Pai
 
Calcadíssimo, pisado, torturado, dilacerado,
E quanto mais se possa dizer da crueldade.
Por amor a todos nós em indizível fidelidade,
Por isto, reina Vivo, Glorioso, Ressuscitado.
 
Nós Vos adoramos e glorificamos intensamente,
E vos suplicamos: vinde ao nosso encontro.
Curai as feridas de nossa alma que geme imensamente,
Vivenciando tantas dores e partidas de quem amamos.
 
Amparai-nos e socorrei-nos, a Vós recorremos, a Vós pedimos.
Vós que nos dais Vossa Carne e Sangue, alimentos divinos,
Alimento e Bebida que nos fortalecem em todo o tempo,
De modo especialíssimo neste tão sombrio e difícil. Amém. Aleluia!

A Páscoa do Senhor não dispensa nossos sacrifícios!

                                               


A Páscoa do Senhor não dispensa nossos sacrifícios!

Páscoa: nem tudo está resolvido.
Do alto vêm constantes apelos,
Para atitudes novas, somos impelidos,
Sem hesitações, letargias e atropelos.

Sacrifícios hão de ser multiplicados,
Misericórdia, humildade, louvor e paz,
Caridade ativa por todos vivenciada,
Avançar, com coragem, sem voltar atrás. 


É Páscoa: seja fecundo nosso coração,
No qual germine a semente da fé,
Floresça a fina flor da esperança,
e produza frutos Pascais de caridade.

Amém. Aleluia! Aleluia!

A exata medida da pretensão...

                                                                    

A exata medida da pretensão...

“O homem sofre muito, porque tem pretensões imensas.” Como contestar esta afirmação?

Ouvi uma atriz dizer no meio de uma entrevista, enquanto fazia um “zapping”  na TV, pois quem consegue ficar muito tempo diante de um canal apenas?

Depois de ouvir esta afirmação, ao encerrar a entrevista, nada mais quis ver, pois não era preciso. Quis apenas mergulhar no mais profundo do meu pensamento, contra todos os “ruídos” que teimavam em me impedir. É preciso ter coragem para mergulhar, ao menos de vez em quando, no mais profundo de nós.

Coragem sim, pois lá dentro de nós podemos enxergar e ouvir nossos próprios temores, que nos assaltam consciente ou inconscientemente.

Coragem para deixar velado o que nos esforçamos por vezes tornar oculto, inacessível, intocável.

Coragem para ver as feridas mais doloridas, que não são as que estão na exterioridade da carne, mas aquelas que teimam não sarar porque lá nas entranhas de nossas redes, sentimentos e emoções.

Mas voltemos à afirmação que me inquieta e da qual não consigo me desvencilhar, ainda que o queira. Por que ela incomoda, sobretudo, a nós homens?

Mas há nela verdade incontestável, diante da qual nem o repórter conseguiu arguir com contestações ou relativizações.

Quantos sofrimentos nós homens poderíamos evitar se nossas pretensões não fossem tão imensas?

Como não lembrar aqui de uma belíssima afirmação de Edgar Morin (antropólogo francês): é preciso ver o homem e a mulher como seres inacabados, mais ainda, como em processo de inacabamento final.

Há que se concordar que quão mais imensas forem nossas pretensões, maiores serão nossos sofrimentos, pois nem sempre a correspondência se alcança e a cobrança intermitente cansa, exaure todas as forças, que se canalizadas para outros objetivos nos fariam mais felizes.

É sempre necessário que tracemos objetivos, deixemos gravadas em nossa memória, no recôndito mais secreto de nossa alma, nossas pretensões (homens ou mulheres), nossas metas a serem alcançadas.

Que elas não sejam tão imensas, para que não nos façam sofrer inutilmente, mas que também não sejam tão limitadas, pequenas, que não nos impulsionem, não nos motivem a lutar por nossos sonhos.

Que nossas pretensões sejam na exata medida de quem já é feliz pelo que é e tem, e pelo poder que possui (afastado de toda possibilidade de dominação sobre o outro).

Em diversas passagens do Evangelho, o Senhor nos garante que a felicidade não reside no muito acumulado, no poder e no domínio, no prestígio máximo que se possa alcançar.

Voltemo-nos para aqueles inesquecíveis dias que Ele passou no deserto, enfrentando as ciladas do antigo inimigo e vencendo as tentações fundantes de tantas quantas possam gerar: ter, poder e ser.

Renovemos sempre a santa pretensão, o salutar compromisso de ver o Reino acontecer materializado e visibilizado em relações de amor, verdade, justiça, ternura, bondade, liberdade e paz...

Há pretensões imensas que nos fazem pequenos, há pretensões autênticas, ainda que aparentemente utópicas e intangíveis, que nos alcançam a verdadeira alegria e menos sofrimento. E, se sofrimento houver que não seja por consequência de pretensões mesquinhas, individualistas, inúteis, impostas que não nos dão as melhores respostas.

Tenhamos a pretensão de sermos felizes sem fugir das Bem-Aventuranças que o Senhor nos propõe (Mt 5, 1-12).

Cada um de nós, homens e mulheres, felizes seremos quando nossas pretensões não se contrapuserem, não nos autodestruírem, e tão pouco o planeta comum em que habitamos.

As pretensões imensas não apenas destroem os homens, mas com eles mulheres, crianças, jovens, animais, natureza, planeta... Mas aqui já é o começo de outra reflexão... 

Os sacrifícios mais aceitos por Deus

                                                       

Os sacrifícios mais aceitos por Deus

Na Missa, após a consagração do pão e do vinho, temos a anamnese que é a memória dos acontecimentos da Salvação, nomeadamente Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação de Cristo:

“Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

O Bispo Santo Agostinho, refletindo o Salmo (Sl 95,13), que trata do julgamento divino e os sacrifícios agradáveis ao Senhor, muito nos ajuda a entender a anamnese que dizemos em todas as Missas, e este preciosíssimo versículo do Salmo mencionado.

“... Amamos e temos medo da Sua vinda. Será que amamos? Ou amamos muito mais nossos pecados?

Odiemos, portanto, estes mesmos pecados e amemos Aquele que virá castigar os pecados. Ele virá, quer queiramos, quer não. Se ainda não veio, não quer dizer que não virá.

Virá na hora que não sabes; se te encontrar preparado,  não haverá importância de saberes... Porque és injusto, não será justo o juiz? Ou porque és mentiroso, não será veraz a verdade?

Se queres, porém encontrar o Misericordioso, sê tu misericordioso, antes de Sua chegada: perdoa, se algo foi feito contra ti, dá daquilo de que tens em abundância.

Donde vem aquilo que dás, não é d’Ele? Se desses do que és teu, seria liberalidade, quando dás do que é Dele, é devolução. Que tens que não recebeste? (1 Cor 4,7).

São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.

Ele veio, vem e virá.
Veio à primeira vez, virá pela segunda: glorioso! Enquanto Ele não vem, estamos alegremente vigilantes, em Oração e ação.

Comprometidos estamos com a Sua chegada, ainda que não saibamos quando, e nem nos cabe saber, somente o Pai o sabe. Importa que estejamos preparados.

Iniciando o Itinerário Pascal, preparando-nos a Festa de Pentecostes, reflitamos:

- Como estamos sendo sinais do Cristo Ressuscitado?
- Quais os sacrifícios agradáveis ao Senhor que vamos intensificar neste Tempo Pascal?

Oremos:

“Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a Ressurreição do Senhor, renovados pelo Vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova. Por N.S.J.C. Amém” (1)


(1) Oração do Dia do Domingo de Páscoa.

Crer no Ressuscitado é certeza de paz! (IIDTTPA)

                                                              

Crer no Ressuscitado é certeza de paz!

A Liturgia do 2º Domingo da Páscoa nos apresenta temas riquíssimos:

- Eucaristia;
- Domingo como dia do Senhor;
- A presença de Jesus é a certeza da plenitude da paz;  
- Missão dos seguidores do Ressuscitado;
- A presença do Espírito na vida e missão da Igreja.

Crer no Ressuscitado é ser apóstolo da paz, mensageiro da alegria.

A paz verdadeira brota de relações de amor que os seres humanos estabelecem em tríplice harmonia: com Deus, nas relações mútuas e finalmente com seu próprio corpo e cosmos.

A Paz é uma totalidade de luz, que para ser alcançada é um imperativo a constante reaprendizagem do amor, de modo que, a recusa do amor é impedimento para a paz, a paz é encontro e amadurecimento.

É semeadura e cuidado permanente da semente para que frutos de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, alegria, enfim, todo bem se multiplique.

As Chagas do Ressuscitado nos comprometem com as chagas dos crucificados de hoje.

Para que realizemos o Projeto de Jesus é preciso superar todo medo, enfrentar toda perseguição, pois ela é o selo da autenticidade de nossa fé e fidelidade ao Senhor e Sua proposta.

Somos chamados a renovar nossa confiança na presença do Ressuscitado e na esperança de ver sinais de morte se transformando em sinais de vida.

A comunidade dos que se encontram ao redor da Palavra e da Eucaristia é o lugar privilegiado da presença e do encontro com Jesus Vivo e Ressuscitado.

Três distintivos de uma comunidade pascal e eucarística: a unidade, a partilha e a atividade (prolongamento da ação do Ressuscitado).

A centralidade de Jesus na vida da Igreja, e de todos nós que N’Ele cremos, é certeza de que frutos abundantes serão produzidos.

A presença do Ressuscitado traz o sopro do Espírito, e com Ele a missão, o envio, o perdão, o compromisso com o Reino..

Vemos ao longo do Evangelho que nada pode impedir a ação do Ressuscitado, nada pode impedir a ação da Igreja!

Reflitamos:

- Como dou testemunho de Jesus Vivo e Ressuscitado?
- Que lugar o Ressuscitado ocupa em minha vida?

- Que lugar Ele ocupa na Vida da comunidade que participo?
- O que significa a Eucaristia em minha vida?

- Domingo é, de fato, o Dia do Senhor para mim?

Que a presença, a paz e a alegria do Ressuscitado
transbordem em nosso coração!
Aleluia!

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG