quarta-feira, 1 de abril de 2026

Amemos como o Senhor nos amou

                                                           

Amemos como o Senhor nos amou

“...o Senhor definiu a plenitude do Amor
com que devemos amar-nos uns aos outros”

Sejamos enriquecidos pelo “Tratado sobre o Evangelho de São João” escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc. V):

“Irmãos caríssimos, o Senhor definiu a plenitude do Amor com que devemos amar-nos uns aos outros, quando disse: Ninguém tem Amor maior do que Aquele que dá Sua vida pelos amigos (Jo 15,13).

Daqui se conclui o que o mesmo Evangelista João diz em sua epístola: Jesus deu a Sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16), amando-nos verdadeiramente uns aos outros, como Ele nos amou até dar a Sua vida por nós.

É certamente a mesma coisa que se lê nos Provérbios de Salomão: Quando te sentares à mesa de um poderoso, olha com atenção o que te é oferecido; e estende a tua mão, sabendo que também deves preparar coisas semelhantes (cf. Pr 23,1-2 Vulg.).

Ora, a Mesa do poderoso é a Mesa em que se recebe o Corpo e o Sangue D'Aquele que deu a Sua vida por nós. Sentar-se à Mesa significa aproximar-se com humildade.

Olhar com atenção o que é oferecido, é tomar consciência da grandeza desta graça. E estender a mão sabendo que também se devem preparar coisas semelhantes, significa o que já disse antes: assim como Cristo deu a Sua vida por nós, também devemos dar a nossa vida pelos irmãos.

É o que diz o Apóstolo Pedro: Cristo sofreu por nós, deixando-nos um exemplo, a fim de que sigamos os Seus passos (cf. 1Pd 2,21). 

Isto significa preparar coisas semelhantes.Foi o que fizeram, com ardente amor, os Santos mártires. Se não quisermos celebrar inutilmente as suas memórias e nos sentarmos sem proveito à Mesa do Senhor, no Banquete onde eles se saciaram, é preciso que, como eles, preparemos coisas semelhantes.

Por isso, quando nos aproximamos da Mesa do Senhor, não recordamos os mártires do mesmo modo como aos outros que dormem o sono da paz, ou seja, não rezamos por eles, mas antes pedimos para que rezem por nós, a fim de seguirmos os seus passos.

Pois já alcançaram a plenitude daquele Amor acima do qual não pode haver outro maior, conforme disse o Senhor. Eles apresentaram a seus irmãos o mesmo que por sua vez receberam da Mesa do Senhor.

Não queremos dizer com isso que possamos nos igualar a Cristo Senhor, mesmo que, por Sua causa, soframos o martírio até o derramamento de sangue.

Ele teve o poder de dar a Sua vida e depois retomá-la; nós, pelo contrário, não vivemos quanto queremos, e morremos mesmo contra a nossa vontade.

Ele, morrendo, matou em Si a morte; nós, por Sua morte, somos libertados da morte. A Sua carne não sofreu a corrupção; a nossa, só depois de passar pela corrupção, será por Ele revestida de incorruptibilidade, no fim do mundo.

Ele não precisou de nós para nos salvar; entretanto, sem Ele nós não podemos fazer nada. Ele Se apresentou a nós como a Videira para os ramos; nós não podemos ter a vida se nos separarmos d’Ele.

Finalmente, ainda que os irmãos morram pelos irmãos, nenhum mártir derramou o seu sangue pela remissão dos pecados de seus irmãos, como Ele fez por nós. Isto, porém, não para que O imitássemos, mas como um motivo para agradecermos.

Portanto, na medida em que os mártires derramaram seu sangue pelos irmãos, prepararam o mesmo que tinham recebido da Mesa do Senhor.

Amemo-nos também a nós uns aos outros, como Cristo nos amou e Se entregou por nós.”  (1)

Contemplamos a plenitude do Amor de Deus por nós, que não poupou o próprio Filho por amor à humanidade, e nos convida a viver o mesmo amor uns pelos outros.

Passemos da contemplação à vivência de mesmo Amor, como nos exorta o Bispo; e envolvidos por este amor, dele plenificados, podemos e haveremos de amar como Jesus Ama: Amor que ama sem medida, e assim faremos da nossa vida uma agradável oferenda a Deus,  sem o que tornaria nossos ritos e sacrifícios sem sentido, gosto e conteúdo.

Nossa vida, aos poucos, ficaria sem sonhos, sem verdadeiros projetos e perspectivas. No entanto, tudo se renova para quem experimenta, cotidianamente, o Amor de Deus, e procura vivê-lo em relação ao próximo, progredindo no essencial, que é o distintivo de nossa fé: a vivência do Mandamento do Amor.

Amando como o Senhor nos amou, daremos razão de nossa esperança ao mundo, e os sinais do Reino, os sinais Pascais se multiplicarão. Amém.

(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo da Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - pp. 392-393

A Política é uma expressão exigente do amor


A Política é uma expressão exigente do amor

Estreita é a Porta que nos conduz à Salvação, com a inevitável cruz a ser carregada cotidianamente, com as renúncias necessárias.

E o carregar da cruz implica em compromissos irrevogáveis que brotam da fé, entre eles, a atuação política, o compromisso de fazer dela a promoção do bem comum.

Em 1971, O Papa Paulo VI, na “Octogesima Adveniens”, quando celebrávamos o 80 º Aniversário  da Encíclica “Rerum Novarum”, nos enriqueceu com esta afirmação: 

 “A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros.” (n.46).

E, no Lecionário Comentado encontramos: “... o compromisso político e social dos cristãos é a forma mais elevada da caridade: a atuação dos cristãos no mundo, sempre marcada pela lógica da Cruz, anuncia e faz amadurecer aqueles germens de paz e justiça que serão totais e perfeitos somente no Reino de Deus.”

O amor cristão é chamado a ser vivido por toda vocação e em todos os âmbitos. É imprescindível que não nos furtemos desta prática, para que nossa fé seja, de fato, irradiação de luz na construção de um mundo mais justo e fraterno.

Da mesma forma, é impossível cultivar a virtude da esperança, sem a multiplicação de atos solidários que garantem que a vida tenha mais esplendor, beleza e dignidade; sem qualquer sinal de exclusão, fome, miséria, aviltamento da condição humana e do planeta em que habitamos.

Somente assim, vivendo esta maneira exigente e não exclusiva, mas de sublime expressão do compromisso cristão, consolidaremos a caridade, como Mandamento Maior do Senhor, do Amor a Deus que não se separa do segundo que é semelhante a este: o amor ao próximo.

Providencial, e ninguém pode ficar indiferente à preocupação de formar ou fortalecer um grupo de Fé e Política em cada Paróquia, como motivadores, animadores, mas não exclusivos, para que a nossa Fé, Esperança e Caridade assim também o sejam.

Política: uma sublime vocação


Política: uma sublime vocação

Esta súplica do Papa Francisco é sempre iluminadora:

Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum.

Temos de nos convencer que a caridade ‘é o princípio não só das micro-relações estabelecidas entre amigos, na família, no pequeno grupo, mas também das macro-relações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos’.  Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (1).

Acolhendo a súplica, multipliquemos espaços de reflexão, aprofundamento e discernimentos necessários, sobretudo neste momento em que estamos definindo nossas escolhas, vereadores e Prefeito que dirigirão nossas cidades.

É preciso que a política seja de fato uma “sublime vocação”; “uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”, sobretudo quando a realidade nos apresenta uma face maculada pela corrupção em todos os âmbitos, de modo especial na política, pelo descaso com o bem público, absurda indiferença na promoção do bem comum, com a objetivação de interesses pessoais mesquinhos, que fazem multiplicar a dor e o sofrimento de milhões de empobrecidos, privados do pão, da moradia, da educação, da saúde, lazer e muito mais que lhes seria pleno direito como cidadãos.

Urge que sejamos criteriosos em nossas escolhas, não vendendo nosso voto, nem trocando por favores, de modo que nossas escolhas sejam expressão consciente, pois ainda que não pareça nosso voto tem um “preço” altíssimo que incide decididamente em toda a nossa vida, positiva ou negativamente.

Abertos à ação do Espírito, que nos fortalece na vocação profética, dom divino e resposta humana, empenhemo-nos na construção de uma nova realidade de vida plena e feliz para toda a humanidade, tendo a política, precioso e indispensável instrumento.

Ontem e hoje, o mundo precisa de Profetas, pessoas que não cedam à idolatria e injustiças, e se coloquem como vozes de Deus na defesa dos pequenos, dos pobres, dos excluídos, porque gozam de especial amor e predileção por Deus, como nos revela a Sagrada Escritura.


(1) cf. Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” n. 205 - Papa Francisco.

Rezando com os Salmos - Salmo 28 (29)

 


Peregrinar na esperança, confiantes na Palavra de Deus


“–1 Filhos de Deus, tributai ao Senhor,
tributai-lhe a glória e o poder!
–2 Dai-lhe a glória devida ao seu nome;
adorai-o com santo ornamento!

–3 Eis a voz do Senhor sobre as águas,
sua voz sobre as águas imensas!
=4 Eis a voz do Senhor com poder!
Eis a voz do Senhor majestosa,
sua voz no trovão reboando!

–5 Eis que a voz do Senhor quebra os cedros,
o Senhor quebra os cedros do Líbano.
–6 Faz o Líbano saltar qual novilho,
e o Sarion como um touro selvagem!

=7 Eis que a voz do Senhor lança raios,
8 a voz de Deus faz tremer o deserto, *
faz tremer o deserto de Cades.
=9 Voz de Deus que contorce os carvalhos,
voz de Deus que devasta as florestas!
No seu templo os fiéis bradam: 'Glória!'

–10 É o Senhor que domina os dilúvios,
o Senhor reinará para sempre.
–11 Que o Senhor fortaleça o seu povo,
e abençoe com paz o seu povo!”

O Salmo 28(29) nos fala sobre a necessária confiança na voz poderosa de Deus, que sempre intervém em nosso favor, e nos comunica suas maravilhas e vontade.

O Salmista nos apresenta um maravilhoso e desafiador convite divino:

“Convite a ver na tempestade a manifestação do poder e da majestade divina. Aconteça o que acontece, Deus vela sobre nós. A tranquilidade depois da chuva é símbolo da garantia da paz que o salmista deseja ao povo.”(1)

Assim como foi no dia do Batismo de Jesus – “Do céu veio uma voz que dizia: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado' “(Mt 3,17), ou ainda em sua Transfiguração no Monte Tabor (cf. Mt 17,1–9, Mc 9,2–8; Lc 9,28–36).

Peregrinando na esperança, abramos os ouvidos de nosso coração à voz de Deus, na travessia do árido deserto da existência, e que Sua Palavra nos anime, conforte e encoraje no bom combate da fé (cf. 2 Tm 4).

Renove em nosso coração a serenidade e a paz, pois Deus, por infinito amor, vela sobre nós. Amém.


(1) Bíblia Edições CNBB – página 748

Rezando com os Salmos - Sl 27(28),1-3.6-9

 



O Senhor é nossa força e nosso escudo

“–1 A Vós eu clamo, ó Senhor, ó meu rochedo,
não fiqueis surdo à minha voz!
– Se não me ouvirdes, eu terei a triste sorte
dos que descem ao sepulcro!

–2 Escutai o meu clamor, a minha súplica,
quando eu grito para Vós;
– quando eu elevo, ó Senhor, as minhas mãos
para o Vosso santuário.

–3 Não deixeis que eu pereça com os malvados,
com quem faz a iniquidade;
– eles falam sobre paz com o seu próximo,
mas têm o mal no coração.

–6 Bendito seja o Senhor, porque ouviu
o clamor da minha súplica!
–7 Minha força e escudo é o Senhor;
meu coração n’Ele confia.
– Ele ajudou-me e alegrou meu coração;
eu canto em festa o Seu louvor.

–8 O Senhor é a fortaleza do seu povo
e a salvação do seu Ungido.
–9 Salvai o Vosso povo e libertai-o;
abençoai a vossa herança!
– Sede Vós o seu pastor e o seu guia
pelos séculos eternos!”

O Salmo 27(28),1-3.6-9 é uma súplica e ação de graças:

“Deus parece distante e o ataque dos inimigos com isso torna-se mais ameaçador. O salmista confia que será protegido de todo o mal, pois Deus é o seu escudo E faz um agradecimento, sentindo que sua oração foi ouvida.” (1)

 

Quando rezamos este salmo, somos iluminados pelas próprias palavras do Senhor Jesus – “Pai, eu te dou graças, porque me ouviste” (Jo 11,41):

Elevemos, em todo o tempo, e em todas as situações, favoráveis ou adversas, súplica e ação de graças a Deus, que é nossa força e escudo, como confessou o salmista e,  também nós,  assim o fazemos. Amém.


(1) Bíblia Edições CNBB – pág. 748

Rezando com os Salmos - Salmo 25 (26)

 


Supliquemos confiantes ao Senhor

“–1 Fazei justiça, ó Senhor: sou inocente,
e confiando no Senhor não vacilei.
–2 Provai-me, ó Senhor, e examinai-me,
sondai meu coração e o meu íntimo!

–3 Pois tenho sempre vosso amor ante meus olhos;
vossa verdade escolhi por meu caminho.
–4 Não me assento com os homens mentirosos,
e não quero associar-me aos impostores;
–5 eu detesto a companhia dos malvados,
e com os ímpios não desejo reunir-me.

–6 Eis que lavo minhas mãos como inocente
e caminho ao redor de vosso altar,
–7 celebrando em alta voz vosso louvor,
e as vossas maravilhas proclamando.
–8 Senhor, eu amo a casa onde habitais
e o lugar em que reside a vossa glória.

–9 Não junteis a minha alma à dos malvados,
nem minha vida à dos homens sanguinários;
–10 eles têm as suas mãos cheias de crime;
sua direita está repleta de suborno.
–11 Eu, porém, vou caminhando na inocência;
libertai-me, ó Senhor, tende piedade!
–12 Está firme o meu pé na estrada certa;
ao Senhor eu bendirei nas assembleias.”

 

O Salmo 25(26) é uma prece de um inocente com total e incondicional confiança em Deus, e podemos rezá-lo, suplicando a graça e força divinas, para que vivamos a santidade querida por Deus para todos nós, pois “Em Cristo, Deus nos escolheu para que sejamos santos e irrepreensíveis” (Ef 1,4):

“O orante entra no santuário, onde encontra sua alegria, livre dos pecados que o tornariam indigno de entrar em contato com a divindade. Pede a Deus para ser conservado longe de toda maldade.” (1)

Oportuno que retomemos para aprofundamento sobre a santidade a  Exortação Apostólica “Gaudete et exultate”, escrita pelo Papa Francisco, sobre a chamada à santidade no mundo atual. (2018).

(1) Comentário da Bíblia – Edição CNBB – pág. 746

Rezando com os Salmos - Salmo 23 (24)

 


Quem entrará no santuário do Senhor?

“–1 Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
–2 porque Ele a tornou firme sobre os mares,
e sobre as águas a mantém inabalável.

–3 'Quem subirá até o monte do Senhor,
quem ficará em Sua santa habitação?'
=4 'Quem tem mãos puras e inocente coração,
quem não dirige sua mente para o crime,
nem jura falso para o dano de seu próximo.

–5 Sobre este desce a bênção do Senhor
e a recompensa de seu Deus e Salvador'.
–6 'É assim a geração dos que o procuram,
e do Deus de Israel buscam a face'.

– 'Ó portas, levantai vossos frontões!
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas,
a fim de que o Rei da glória possa entrar!'

– Dizei-nos: 'Quem é este Rei da glória?'
'É o Senhor, o valoroso, o onipotente,
o Senhor, o poderoso nas batalhas!'

– 'Ó portas, levantai vossos frontões!
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas,
a fim de que o Rei da glória possa entrar!'
– Dizei-nos: 'Quem é este Rei da glória?'
'O Rei da glória é o Senhor onipotente,
o Rei da glória é o Senhor Deus do universo!'”.

O Salmo Sl 23 (24) nos apresenta uma solene liturgia da entrada no santuário: o Criador do Universo e também amigo da humanidade quer sempre nos acolher em laços afetuosos de ternura e amor, porque é bondoso, clemente e compassivo.

Este Salmo é uma oração de espiritualidade sacerdotal, inspirada na procissão que levou a Arca da Aliança para Jerusalém (2 Sm 5,6-10): “Diante das portas da cidade, os romeiros dialogam com os sacerdotes e com os habitantes de Jerusalém. Entrarão na cidade santa os que  têm intenção sincera, os que buscam a presença de Deus no templo. ‘Os puros de coração verão a Deus’ (cf. Mt 5,8).

Contemplamos a entrada do Senhor no templo, assim como a Sua Ascensão, quando as portas do céu se abriram para Ele, como nos disse Santo Irineu.

Este Salmo é oportuno para que rezemos como peregrinos da esperança, fazendo nossas peregrinações e romarias a diversos templos e santuários, a fim que que alcancemos a necessária indulgência e perdão de nossos pecados através do sacramento da penitência.

Concluamos com um conhecido canto:

“Senhor, quem entrará no santuário pra Te louvar?
Senhor, quem entrará no santuário pra Te louvar?

Quem tem as mãos limpas, e o coração puro, quem não é vaidoso, e sabe amar...”

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