Uma conversa sincera com Deus
quarta-feira, 11 de março de 2026
Uma conversa sincera com Deus
Uma conversa sincera com Deus
Abri, Senhor, os olhos de nossa alma e os ouvidos de nosso coração (Reflexão)
Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos do meu coração (Oração)
terça-feira, 10 de março de 2026
Oração, Jejum e esmola sempre
Oração, Jejum e esmola sempre
“O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe.”
Sejamos
enriquecidos com o Sermão do bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda
na melhor compreensão dos exercícios quaresmais:
“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à
devoção e perseverança à virtude.
São elas
a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a
misericórdia recebe.
Oração,
misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.
O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum.
Ninguém
queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente
uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por
conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem
deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois
aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus
às suas próprias súplicas.
Quem
jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja
que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar
misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado,
ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para
si.
Homem, sê
para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como
quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças
dos outros com generosidade e presteza. Peçamos, portanto, destas três virtudes
– oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em
nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas
distintas.
Reconquistemos
pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo
jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício
agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração
arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a
oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma
vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus.
Quem não
dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.
Mas, para
que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum
só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz
secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por
mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e
semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da
misericórdia.
Tu que
jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia;
pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus
celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para
ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos
pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.”
(1)
Vivamos
intensamente o Tempo da quaresma, cada vez mais empenhados na prática dos
exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola.
Que estes
exercícios sejam acompanhados de aprofundamento e compromisso com o Tema da
Campanha da Fraternidade 2026 “Fraternidade e Moradia” e com o seu lema – “Ele
veio morar entre nós.”(cf. Jo 1,14).
Seja para
nós o Tempo da Quaresma, o tempo da favorável de reconciliação com Deus e com
os irmãos, em sincera conversão individual e interna, social e externa como nos
ensina a Igreja, na prática fecunda dos exercícios quaresmais.
Deste
modo, o jejum bem vivido será a expressão de amor e solidariedade para com o
próximo, de liberdade diante de tudo que foi criado (bens materiais) e, acima
de tudo, abertura para o Mistério Absoluto e indispensável: Deus.
Finalizando,
vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica:
-
Apresenta o Jejum como seu quarto mandamento:
“Jejuar
e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” – determina que os
tempos de ascese e penitência que nos preparam para as Festas Litúrgicas;
contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a
liberdade de coração (n.2043).
-
O Jejum evangélico é necessário para a participação no Banquete Nupcial:
“A
fim de se prepararem convenientemente para receber este sacramento
(Eucaristia), os fiéis observarão o Jejum prescrito em sua Igreja.
A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a
solenidade, a alegria deste momento em que Cristo Se torna nosso Hóspede” (n.1387).
Como vemos, o Jejum é mais do que atual, é bíblico, necessário, e se bem feito, é certeza de que a paz brotará como
fruto da justiça, expressão de amor verdadeiro!
Jejuemos livremente em solidariedade àqueles que jejuam forçados!
Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!
Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!
Quaresma: Amar e perdoar
A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...
Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)
Fortalecei
a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)
“Uma
fidelidade que gera futuro”
Senhor, dai-nos a graça
de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a
identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração
de Jesus.
Renovai a chama do
primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um
rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou,
escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.
Nos passos do Bom Pastor,
a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo
toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo
indesejáveis.
Senhor, que a cada dia,
na fidelidade e serviço, nossa vida seja oferecida ao celebrar o
Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na
absolvição dos pecados; na generosa
dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e
passam necessidades.
Concedei-nos sabedoria,
para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e
que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos
pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e
limitações.
Abertos ao sopro do
Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos
missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da
conversão cotidiana e da vigilância
necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.
Fortalecei-nos na
fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão
com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal
modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós,
pela Igreja confiado; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão
em si mesmo.
Sejam a concórdia e
harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade
irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de
Amor da Vida Trinitária.
Na fidelidade e sinodalidade,
abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vivamos
sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar
tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos
o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando
assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.
Na fidelidade e missão, exalemos
o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço,
com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem
cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de
atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si
mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.
Na graça da missão, o
fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero,
concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões
da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo
seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).
Dai-nos sabedoria para
vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do
individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade;
e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça
e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).
Na necessária presença
no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à
disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o
paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia
evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico!
Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).
Que a cada dia, a fidelidade
e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num
renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e
dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não
há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.
Contamos e confiamos na
intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey,
padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as
nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em
plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.
PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.







