quarta-feira, 11 de março de 2026

Uma conversa sincera com Deus

                                                       


Uma conversa sincera com Deus

Senhor, somos Vosso povo amado e escolhido, povo eleito,
Mas nem sempre tomamos consciência desta Graça, privilégio.

Senhor, tendes sempre uma Palavra para nos dirigir,
Mas nem sempre estamos prontos para ouvir e acolher.

Senhor, Vós estais sempre tão perto e próximo do Vosso povo,
Mas nem sempre Vos procuramos em laços mais íntimos e fortes.

Senhor, Vós sois Divindade tão próxima de nossa humanidade,
Mas nem sempre Vos reconhecemos tão presente no mais profundo de nós.

Senhor, Vós nos concedeis Leis tão sábias e tão belas,
Mas nem sempre as colocamos em prática, como desejais.

Senhor, Vós quereis tão apenas conosco, no amor, Se relacionar,
Mas nos fechamos em indiferença, incredulidade, apatias...

Senhor, Vós estais sempre pronto para derramar sobre nós Vossa Graça e força,
Mas por vezes deixamos falar mais alto o desânimo, com a morte da esperança.

Senhor, Vós estais sempre pronto das ciladas do inimigo nos defender,
Mas por vezes cremos em nossas forças e relativizamos Vosso poder.

Senhor, mas Vós, por Vossa imensa misericórdia e compaixão,
Jamais desistis de cada um de nós, porque somos obras de Suas mãos.

Senhor, ainda que nada mereçamos, a Vós recorremos e pedimos:
Ajudai-nos jamais desistir de uma caminhada sincera de conversão.

Senhor, ainda que ao Vosso Amor não correspondamos,
A Vós suplicamos: voltai sempre sobre nós Vosso olhar.

Senhor, que sois luz que ilumina a humanidade,
Não permitais que nas trevas andemos, como Vós prometestes.

Senhor, que viestes à Lei dar o pleno cumprimento,
Ajudai-nos a também o mesmo em nossa vida fazer.

Senhor, bem sabemos que nada revogastes da Antiga Lei,
Imprimi em nosso coração a Vossa Nova Lei.

Senhor, que aprendamos tão apenas (e isto é tudo)
Amar-nos uns aos outros como Vós nos amastes.

Senhor, que suportastes ficar preso à Cruz, não pelos cravos, mas por amor,
Fazei aumentar em nós o nosso amor por Vós.

Senhor, é Quaresma, Tempo de Graça e reconciliação,
Que Vossa Palavra acolhida faça nosso coração arder.

Senhor, é Quaresma, Tempo favorável de nossa Salvação,
Que, da Vossa Ceia Santa participando, nossos olhos se abram.

Senhor, que seja um Tempo do reconhecimento de Vossa Presença,
Na Palavra e no Pão, e também de modo especial em cada irmã e irmão.



PS: Fonte Inspiradora: Liturgia da quarta-feira da 3ª semana da Quaresma - Dt 4,1.5-9; Sl 147, 12-13.15-16.19-20; Mt 5, 17-19. 

Abri, Senhor, os olhos de nossa alma e os ouvidos de nosso coração (Reflexão)

                                                  

Abri, Senhor, os olhos de nossa alma e os ouvidos de nosso coração

A Liturgia das Horas nos apresenta, na terceira Quarta-feira da Quaresma, a reflexão escrita pelo Bispo São Teófilo de Antioquia (séc. II) extraída do seu Livro “A Autólico”.

“Se me disserem: ‘Mostra-me o teu Deus’, dir-te-ei: ‘Mostra-me o homem que és e eu te mostrarei o meu Deus’. Mostra, portanto, como veem os olhos de tua mente e como ouvem os ouvidos de teu coração.

Os que veem com os olhos do corpo, percebem o que se passa nesta vida terrena, e observam as diferenças entre a luz e as trevas, o branco e o preto, o feio e o belo, o disforme e o formoso, o que tem proporções e o que é sem medida, o que tem partes a mais e o que é incompleto; o mesmo se pode dizer no que se refere ao sentido do ouvido: sons agudos, graves ou harmoniosos. Assim também acontece com os ouvidos do coração e com os olhos da alma, no que diz respeito à visão de Deus.

Na verdade, Deus é visível para aqueles que são capazes de vê-lo, porque mantêm abertos os olhos da alma. Todos têm olhos, mas alguns os têm obscurecidos e não veem a luz do sol. E se os cegos não veem, não é porque a luz do sol deixou de brilhar; a si mesmos e a seus olhos é que devem atribuir a falta de visão. É o que ocorre contigo: tens os olhos da alma velados pelos teus pecados e tuas más ações.

O homem deve ter a alma pura, qual um espelho reluzente. Quando o espelho está embaçado, o homem não pode ver nele o seu rosto; assim também, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus.

Mas, se quiseres, podes ficar curado. Confia-te ao médico e ele abrirá os olhos de tua alma e de teu coração. Quem é este médico? É Deus, que pelo Seu Verbo e Sabedoria dá vida e saúde a todas as coisas.

Foi por Seu Verbo e Sabedoria que Deus criou o universo: A Palavra do Senhor criou os céus, e o sopro de Seus lábios, as estrelas (Sl 32,6). Sua Sabedoria é infinita. Com a Sua Sabedoria, Deus fundou a terra; com a Sua inteligência, consolidou os céus; com sua ciência foram cavados os abismos e as nuvens derramaram o orvalho.

Se compreenderes tudo isto, ó homem, se a tua vida for santa, pura e justa, poderás ver a Deus. Se deres preferência em teu coração à fé e ao temor de Deus, então compreenderás.

Quando te libertares da condição mortal e te revestires da imortalidade, então serás digno de ver a Deus. Sim, Deus ressuscitará o teu corpo, tornando-o imortal como a tua alma; e então, feito imortal, tu verás o que é Imortal, se agora acreditares n’Ele”.

A Quaresma consiste num tempo de penitência, em contínuo esforço de conversão, acompanhado das práticas quaresmais, indispensáveis e evangélicas, (Oração, jejum e esmola).

Desde modo, firmemos nossos passos no caminho de conversão, a fim de que purifiquemos nosso coração, pois bem disse o Senhor  no Sermão da Montanha:  “Bem-aventurados os puros de coração porque verão  a Deus.” (Mt 5,8).

Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos do meu coração (Oração)

                                                  


Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos do meu coração 

Inspirado na reflexão do bispo São Teófilo de Antioquia (séc II), elevo a Deus esta Oração, a fim de que todos os dias de nossa vida sejam tempo favorável de nossa salvação e purificação

Oremos:

Senhor,
 Suplico a cura que somente pode vir de Vós,
Confiando tão apenas em Vós, médico de minha alma,

Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos de meu coração
para que eu veja com os olhos da mente, por Vós iluminados,
 e ouça com os ouvidos do coração, por Vós purificados..

Dai-me a graça de ter a alma pura, qual um espelho reluzente,
 para refletir Vossa presença, que em mim fizestes morada.

Concedei-me, Senhor, a graça de uma vida santa, pura e justa,
Para que a Vós eu possa ver, pois somente os puros de coração verão Vossa face.

Que eu saiba dar preferência, em meu coração,
à fé e ao temor de Vós,
Para que, nesta árdua travessia do deserto,
As tentações do maligno eu possa vencer,
A voz do Filho Amado sempre escutar,
E, colocando-a em prática,
A alma, de água pura e cristalina, saciada,
Jorrando para a eternidade.
Amém!


terça-feira, 10 de março de 2026

Oração, Jejum e esmola sempre

 


                         Oração, Jejum e esmola sempre


                  “O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe.”


Sejamos enriquecidos com o Sermão do bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda na melhor compreensão dos exercícios quaresmais:


“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude.


São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe.


Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente. O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum.


Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.


Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.


Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza. Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.


Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).


 Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus.


Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.


Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.


Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.” (1)


Vivamos intensamente o Tempo da quaresma, cada vez mais empenhados na prática dos exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola.


Que estes exercícios sejam acompanhados de aprofundamento e compromisso com o Tema da Campanha da Fraternidade 2026 “Fraternidade e Moradia” e com o seu lema – “Ele veio morar entre nós.”(cf. Jo 1,14).


Seja para nós o Tempo da Quaresma, o tempo da favorável de reconciliação com Deus e com os irmãos, em sincera conversão individual e interna, social e externa como nos ensina a Igreja, na prática fecunda dos exercícios quaresmais.


Deste modo, o jejum bem vivido será a expressão de amor e solidariedade para com o próximo, de liberdade diante de tudo que foi criado (bens materiais) e, acima de tudo, abertura para o Mistério Absoluto e indispensável: Deus.
 
Finalizando, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica:
 
- Apresenta o Jejum como seu quarto mandamento:
 
“Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” – determina que os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as Festas Litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (n.2043).
 
- O Jejum evangélico é necessário para a participação no Banquete Nupcial:
 
“A fim de se prepararem convenientemente para receber este sacramento (Eucaristia), os fiéis observarão o Jejum prescrito em sua Igreja. A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo Se torna nosso Hóspede” (n.1387).
 
Como vemos, o Jejum é mais do que atual, é bíblico, necessário, e se  bem feito, é certeza de que a paz brotará como fruto da justiça, expressão de amor verdadeiro!
 
Jejuemos livremente em solidariedade àqueles que jejuam forçados!
 

Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!

                                                 


Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!

Senhor, a Vós, que sois a Palavra que Se fez Carne,
suplico-Vos:

Vós, que sois a Divina Fonte de Água Viva da humanidade,
Dai-me, neste dia, a água cristalina que possuís
Para a sede de minha alma saciar.

Vós, que sois a Luz que não se apaga, 
que ilumina a escuridão do viver,
Dai-me o colírio da fé para minha cegueira curar.

Vós, que sois a Ressurreição e a Vida plena,
Fortalecei-me para enfrentar os sinais de morte.
Suplico-Vos, Senhor, porque em Vós eu piamente creio. Amém.

Quaresma: Amar e perdoar

                                                       

Quaresma: Amar e perdoar

Na terceira terça-feira do Tempo da Quaresma, a Liturgia nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), sobre o tema perdão.

Contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida, e nós feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

Com a passagem do Evangelho temos uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.

A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...

Urge perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano, superando a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio; com um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, para que não esvaziemos esta palavra tão bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintivo. Quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia, perdão. Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem...” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade...

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário agiríamos com  “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, que pensando no pecado de Judas Iscariotes assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do Paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar, coloquemo-nos prolongada e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade.

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar, porque fomos amados e perdoados, por Deus.

Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

 


Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

“Uma fidelidade que gera futuro”

Senhor, dai-nos a graça de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração de Jesus.

Renovai a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou, escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

Senhor, que a cada dia, na fidelidade e serviço,  nossa vida seja oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados;  na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Concedei-nos sabedoria, para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e limitações.

Abertos ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da conversão cotidiana  e da vigilância necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.

Fortalecei-nos na fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós, pela Igreja confiado; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

Sejam a concórdia e harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

Na fidelidade e sinodalidade, abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vivamos sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.

Na fidelidade e missão, exalemos o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero, concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Dai-nos sabedoria para vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

Que a cada dia, a fidelidade e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Contamos e confiamos na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

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