segunda-feira, 9 de março de 2026

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

        

    

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

 
A fim de vivermos mais intensamente o itinerário quaresmal que iniciamos com a Quarta-feira de cinzas, sejamos enriquecidos por parte dos Prefácios, pela Igreja oferecidos neste Tempo (devendo ser escolhido conforme a indicação litúrgica do dia, de acordo com o Evangelho proclamado):

Prefácio da Quaresma I – O sentido espiritual da Quaresma:

“Todos os anos concedeis a vossos fiéis a graça de se prepararem para celebrar os sacramentos pascais, na alegria de um coração purificado, para que, dedicando-se mais intensamente à oração e às obras de caridade e celebrando os mistérios pelos quais renasceram, alcancem a plenitude da filiação divina."

 Prefácio da Quaresma II – A penitência espiritual:

"Pois estabelecestes este tempo privilegiado de salvação, para que vossos filhos e filhas, livres dos afetos desordenados, recuperem a pureza do coração, e, usando as coisas que passam, dediquem-se mais às que não passam."

Prefácio da Quaresma III – Os frutos da abstinência:

"Vós quisestes que vos rendêssemos graças, por meio da abstinência, para que, por ela, nós pecadores, moderemos nossos excessos, e, partilhando o alimento com os necessitados, sejamos imitadores da vossa bondade."

Prefácio da Quaresma IV – Os frutos do Jejum:

“Pelo jejum quaresmal, corrigis nossos vícios, elevais nosso espírito, e nos dais força e recompensa, por Cristo, Senhor nosso."

Prefácio da Quaresma V – O Êxodo no deserto Quaresmal:

'Vós reabris para a Igreja, durante esta Quaresma, a estrada do êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente tome consciência de sua vocação de povo da Aliança, convocado para cantar vossos louvores, escutar Vossa Palavra e experimentar os vossos prodígios."

Prefácio do Primeiro Domingo da Quaresma – A tentação do Senhor:

"Jejuando quarenta dias, Jesus consagrou a observância quaresmal, e desarmando as ciladas da antiga serpente, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade, para que, pela digna celebração do mistério pascal, passemos, um dia, à Páscoa eterna."

Prefácio do Segundo Domingo da Quaresma – A Transfiguração do Senhor:

"Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o Seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos Profetas, nos ensina que, pela paixão, chegará à glória da ressurreição."

Prefácio do Terceiro Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho da Samaritana:

“Ao pedir a Samaritana que lhe desse de beber, Jesus suscitava nela o dom da fé; e tão grande era sua sede pela fé dessa mulher, que acendeu nela o fogo do vosso amor."

Prefácio do Primeiro Quarto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho do cego de nascença:

“Pelo mistério da encarnação, Jesus conduziu à luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas, e elevou à dignidade de filhos e filhas os nascidos da escravidão do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo.”
 
Prefácio do Quinto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho de Lázaro:
 

“Sendo Ele verdadeiro homem, chorou o amigo Lázaro e, Deus eterno, do túmulo o tirou. Compadecido da humanidade, leva-nos à vida nova pelos mistérios pascais"
 
Os Prefácios fundamentados nas páginas dos Evangelhos nos inserem profundamente no Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele também ressuscitarmos.

Muito oportuno retomá-los, no silêncio de nosso quarto, conforme lemos na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18).

Sejamos fortalecidos no bom combate da fé, vencendo as tentações que se apresentarem em nossa caminhada penitencial, ressoando em nossas vidas a Liturgia celebrada e em nosso coração mais que entranhada, para frutos pascais produzirmos. Amém.

A floresta de nossos sonhos

 


A floresta de nossos sonhos


Sonhos, quem não os tem, ora belos, ora nem tanto assim.

Sonhos que ora nos movem, ora nos inquietam...

Se somados um ao outro, formam uma grande floresta.

Não haveria floresta sem a menor das sementes, folhas e flores.

 

Viver é ter coragem de visitar a floresta de nossos sonhos.

Sonhos que podem ser simples devaneios,

Sem conexão com as marcas da realidade inserida;

Mas, se relidos, podem alargar horizontes de medos e mesquinhez.

 

Sonhos de loucos, de esperanças vãs e insensatas,

De impossível realização, poderão dizer alguns,

Ou apenas o silêncio, palavras contidas,

Pela ausência da coragem, de sincera expressão.

 

Sonhos acordados de poetas nas florestas encantadas,

Enamorados pela vida, olhar transcendente,

Que colore o cinza triste de paisagens sombrias

E emprega a luminosidade para vencer o horror da escuridão.

 

Adentrar as florestas de nossos sonhos em todas as estações.

No verão, refrescar nas fontes revitalizantes da Palavra divina;

Na primavera, não desistir de contar as flores de suave perfume;

No inverno, aquecer-se na fogueira com o Fogo Divino.

 

No outono, coragem de contemplar folhas caídas,

Podas necessárias para um novo germinar, florescer,

Na certeza de que frutos não haverão de faltar:

Saborosos frutos do Espírito, Ele há de nos conceder.

 

Assim são as florestas de nossos sonhos a serem visitadas.

Nelas, por vezes, espaços desertificados ou ajardinados.

Dias difíceis, tempos de escuridão e secura da alma,

Outros, nutridos em “cascatas de leite e mel”. Adentremos...

Como se fossem pássaros... Mas... por onde andam?

                                              

Como se fossem pássaros...
Mas... por onde andam?

Temos pessoas que nos lembram os pássaros...
Pássaros humanos que Deus coloca em nosso caminho
Em alguns momentos marcantes na caminhada de fé.

Há pessoas que como águias nos levam a voos maravilhosos,
Ao encontro da sabedoria do Altíssimo, tão divina, tão bela.
Voamos nas asas das palavras carregadas desta sabedoria.

Como águias nos apontam o destino que marca a fé:
Buscar as coisas do alto e não debaixo, incansavelmente,
Lá onde Deus habita, como bem disse Paulo aos Colossenses.

Como águias nos ajudam a olhar para baixo, para o cotidiano...
Ensinam-nos que, para fazer a travessia do vale de lágrimas, A fé é mais do que preciso, pois com Deus tudo é possível.

Há pessoas que como gaivotas nos levam a buscar o alimento no mar,
Em voos certeiros, e sempre com o alimento à boca para sobreviver,
Mergulham no mar tão profundo que oculta tantos mistérios...

Como gaivotas nos apontam a busca do tão apenas essencial,
Para que não procuremos o supérfluo, o acúmulo.
Tão apenas o necessário: o pão de cada dia nos dai hoje...

Como gaivotas nos apontam onde se encontra o Alimento,
Não mais no mar propriamente dito, mas na Mesa Santa da Palavra
E em outra inseparável: a Mesa do Pão Eterno, dulcíssimo Sacramento.

Há pessoas que como beija-flores nos ensinam a sugar o néctar das flores.
Incansável no abanar das asas, sem pouso, sem descanso, o tempo suficiente,
Para que alimentado, retome o voo para retornar noutro momento.

Como beija-flores nos ensinam a sugar o néctar da vida,
Que encontramos naqueles que são puros de coração;
Naqueles que promovem a justiça, comprometidos com a paz.

Como beija-flores nos ensinam a ir e vir à procura do néctar,
Do mais precioso néctar da eternidade que encontramos
No coração daqueles que não se furtam dos compromissos com a fraternidade.

Águias, gaivotas, beija-flores, os vejo voando...
Águias, gaivotas, beija-flores os vejo anunciando.
Águias, gaivotas, beija-flores, a Palavra pregando.

Assim foi e será a vida da Igreja.
Assim é a missão evangelizadora.

Com a Igreja, dando os  passos na caminhada de fé,
Precisamos de alguém que nos ensine sagrados voos:
Águias, gaivotas, beija-flores, são mais que precisos.

Por onde eles andam? Eu bem sei.
Por onde eles andam? Bem sabemos.

Sejamos também como eles...
Ouçamos cada um deles
cantando na janela de tua alma...

Que os sonhos não morram jamais

                                                               

Que os sonhos não morram jamais

“Nunca deixe seus sonhos morrerem,
porque a vida sem sonhos
é como um pássaro com a asa quebrada
que não pode voar”. (Martin Luther King)

Sonhos adormecidos, outros esquecidos, alguns motivadores.
Sonhos que com paciência, empenho renovado, realizados serão.

Sonhos que nos movem ao encontro do Absoluto: Deus,
Na mais bela dedicação, a serviço do Reino de Deus, sem omissão.

Sonhos que nos permitem voos mais altos,
Ao encontro das coisas sagradas onde Deus habita.

Sonhos que nos permitem voos que possibilitam
Ultrapassar as montanhas das dificuldades, terríveis empecilhos.

Sonhos que nos levam ao reencontro conosco mesmo,
E que nos orientam para que a vida siga suavemente seu curso.

Sonhos que, silenciosamente vividos, nos humanizam:
Um mundo sem violência, guerras, dominação, mais irmão.

Sonhos que se somam a sonhos de outros,
Passo indispensável para que realidade se tornem.

Sonhar sozinho é preciso, mas não para sempre.
Sonhar com o outro no milagre da multiplicação.

Sonhos que a outros se somam, maravilhosamente multiplicam.
Sonhos que outros subtraem, indesejável fragilização.

Sonhemos, busquemos, avancemos,
Curemos as asas se for preciso.

Quando alimentados pela Santa Palavra e pela Eucaristia,
Nada faz morrer nossos sonhos, nada impedirá nossos voos.

Sonhemos! Avancemos! Jamais recuemos...
Com a presença do Santo Espírito que nos conduz em todos os momentos.

Sonhos que alargam horizontes

 


Sonhos que alargam horizontes

“Estou contigo e te guardarei aonde quer que vás, e te farei voltar a este solo. Nunca te abandonarei até cumprir o que te prometi.” (Gn 28,15)

A citação encontra-se no contexto do “exílio’ de Jacó para o oriente, como mais tarde acontecerá com todo o povo, e é acompanhada por Deus.

Jacó está fugindo e tem o famoso sonho da escada que liga a terra ao céu, e nesse momento, Deus fala com ele e promete proteção, presença e cumprimento das promessas.

Jacó tem uma visão de Adonai (Yhwh) entronizado e chama o lugar de Betel –“Casa de Deus”.

A visão noturna de Jacó, na sua passagem por Betel, é um dos momentos teologicamente mais densos de todas as suas tradições.

Jacó recebe a promessa que o situa no seguimento da história iniciada com Abraão, numa teofania que lateralmente é a legitimação do santuário de Betel.

Em seu sonho, vê uma escada ou uma rampa que une o céu e a terra, com mensageiros de Deus que estabelecem a comunicação de uma promessa: multiplicação da descendência e posse da terra.

O patriarca Jacó é o homem  que confia na promessa, e em Deus confiando, abre perspectiva para o futuro para todo o povo a ele confiado.

Concluímos retomando este Hino que pode nos acompanhar na Oração da Noite, ao colocarmos o dia vivido nas mãos de Deus, e pedirmos forças para um novo dia.

Supliquemos ao Senhor que fique conosco, e com quanto queiramos, durante a noite, para que, ao amanhecer, sintamos a Sua presença, como o foi naquela madrugada da Ressurreição.

Confiemos na presença do Senhor, ao viver a “noite escura” da alma, alcançando a luminosidade desejada, saciados com a doce presença do Amado, Aquele que desejamos, procuramos, e amando O encontramos, e uma vez encontrado O amemos sempre, como expressou Santo Anselmo.

Fica conosco, Senhor, porque anoitece:

 

Oremos: 

“De noite descia a escada misteriosa,

Junto da pedra onde Jacó dormia.

 

De noite celebravas a Páscoa com Teu povo,

Enquanto, nas trevas, caíam os inimigos.

 

De noite ouviu Samuel três vezes o seu nome

E em sonhos falavas aos santos Patriarcas.

 

De noite, num presépio, nasceste, Verbo eterno,

E os Anjos e uma estrela anunciaram a Tua presença.

 

À noite celebraste a primeira Eucaristia

No meio dos Teus amigos na última Ceia.

 

De noite agonizaste no Jardim das Oliveiras

E recebeste o beijo frio da traição.

 

A noite guardou o Teu Corpo no sepulcro

E viu a glória da Tua Ressurreição”. Amém. 

 

 

(1) Fonte – Comentário à luz da Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra – Palheira – Portugal – pp. 111-112

Resiliência na travessia

                                               


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra“habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 
(1)     Dicionário Aulete
(2)    2 Tm 1,7
(3)    Mc 4,35-41
(4)   2 Tm 4,7
 

Mulher, você nunca estará só

 


                          Mulher, você nunca estará só

 
Estou contigo e te guardarei aonde quer que vás,
E te farei voltar a este solo.
“Nunca te abandonarei
até cumprir o que te prometi." (cf. Gn 28,15)
 
Mulher, não desista de lançar tuas sementes, o máximo possível,
Na esperança de que cairão em chão fecundo,
E ainda que não aconteça, semeia incansavelmente:
não estarás só; com Ele podes contar.
 
Se, por vezes, vires teus sonhos parecerem impossíveis,
Um suspiro, uma súplica, forças renovadas, siga em frente.
Ainda que alguém te diga – “não conseguirás, desista...”
Não o ouças, Ele acredita muito em ti.
 
Se, por um momento, te sentires à beira de um precipício,
Como que te convidando a um último suspiro e mergulho,
Recuas um passo, e verás que estamos bem ali à tua frente:
Com Ele, podes contar; resistirás e vencerás.
 
Se não conseguires ver a beleza da estação primavera,
Te mostrarei e falarei das flores de esperança,
Que nos fazem olhar para além de estreito horizonte
Com Ele, à Mesa Sagrada, serás revigorada.

 
Se não conseguires ver a beleza da estação outono,
Conversaremos das podas e perdas necessárias,
Para novos floresceres, como também é nosso existir:
Com Ele, suportarás podas e perdas inevitáveis.
 
Se a cegueira te roubar a contemplação da estação inverno,
Na fogueira do Espírito, farei sentires o calor do amor divino.
Súplicas elevaremos, com cânticos, salmos e hinos.
Com Ele, a tua voz se somará também à dos anjos.
 
Por fim, se a estação verão for apenas o calor escaldante,
Que possa roubar tuas forças ou predisposição,
Contemplaremos páginas da suave brisa revitalizante,
Com Ele, renovarás tuas forças na Fonte Divina.
 
“Nunca te abandonarei até cumprir o que te prometi." (cf. Gn 28,15)
Assim falou o Senhor a Jacó em seu sonho,
Assim fala o Senhor a todas as mulheres,
E aos homens que contigo somam e sonham. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG