domingo, 4 de janeiro de 2026

A Divina Misericórdia veio ao encontro da miséria humana (Epifania do Senhor)

                                                 


A Divina Misericórdia veio ao encontro da miséria humana

“... Deus Se fez homem para
que o homem se tornasse Deus.”

O Bispo Santo Agostinho (séc. V), quando da Festa da Epifania, assim falou em seu Sermão:

“... Deus Se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Para que o homem comesse o pão dos Anjos, o Senhor dos Anjos Se fez homem...

O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça...

Só nasceu sem pecado Aquele que não foi gerado por homem nem pela concupiscência da carne, mas pela obediência do Espírito”.

Mais tarde o Abade São Bernardo (séc. XII) nos questionou sobre a nossa resposta de amor à misericórdia divina:

“Poderá haver prova mais eloquente de Sua misericórdia do que assumir nossa miséria? Poderá haver maior prova de Amor do que o Verbo de Deus, Se tornar como a erva do campo por nossa causa?...

Não perguntes, ó homem, por que sofres, mas por que Ele sofreu por ti. Vendo tudo o que fez em teu favor, considera o quanto Ele te estima, e assim compreenderás a Sua bondade através de Sua humanidade, tanto maior Se revelou em Sua bondade; quanto mais Se humilhou por mim, tanto mais digno é agora do meu amor.”

Esta temática da miséria humana e misericórdia divina, bem como a Encarnação do Verbo que Se fez carne divinizando o homem, são recorrentes na Literatura Espiritual da Igreja, como podemos perceber ao refletir sobre o Tratado “Refutação de todas as heresias” do Presbítero Santo Hilário (séc. III):

“Não fundamentamos nossa fé em palavras sem sentido, nem nos deixamos arrastar pelos impulsos do coração ou persuadir pelo encanto de discursos eloquentes. Nossa fé se fundamenta nas Palavras pronunciadas pelo poder divino.

Estas Palavras, Deus as confiou a Seu Verbo que as pronunciou para afastar o homem da desobediência; não quis obrigá-lo à força, como a um escravo, mas chamou-o para uma decisão livre e responsável.

Esse Verbo, o Pai enviou à terra no fim dos tempos; não o queria mais pronunciado por meio dos Profetas nem anunciado por meio de prefigurações obscuras, mas ordenou que Se manifestasse de forma visível, a fim de que o mundo, ao vê-Lo, pudesse salvar-se.

Sabemos que o Verbo assumiu um corpo no seio da Virgem e transformou o homem velho em uma nova criatura. Sabemos que Ele Se fez homem da nossa mesma substância. Se não fosse assim, em vão nos teria mandado imitá-Lo como Mestre.

De fato, se esse Homem tivesse sido formado de outra substância, como poderia ordenar-me que fizesse as mesmas coisas que Ele fez, a mim, frágil que sou por natureza? Como poderíamos então dizer que Ele é bom e justo?

Para que não o julgássemos diferente de nós, suportou fadigas, quis ter fome e não recusou ter sede, dormiu para descansar, não rejeitou o sofrimento, submeteu-Se à morte e manifestou a Sua Ressurreição. Em tudo isto, ofereceu Sua própria humanidade como primícias, para que tu não desanimes no meio do sofrimento, mas, reconhecendo tua condição de homem, esperes também receber o que Deus lhe deu.

Quando contemplares Deus tal qual é, terás um corpo imortal e incorruptível, como a alma, e possuirás o Reino dos céus, tu que, peregrinando na terra, conheceste o Rei Celeste; viverás então na intimidade de Deus e serás herdeiro com Cristo.

Todos os males que suportaste sendo homem, Deus os permitiu precisamente porque és homem; mas tudo o que pertence a Deus, Ele promete conceder-te quando fores divinizado e te tornares imortal. Conhece-te a ti mesmo, reconhecendo a Deus que te criou; pois conhecer a Deus e ser por Ele conhecido é a sorte daquele que foi chamado por Deus.

Por conseguinte, não vos envolvais em contendas como inimigos, nem penseis em voltar atrás. Cristo é Deus acima de todas as coisas, Ele que decidiu libertar os homens do pecado, renovando o velho homem que tinha criado à Sua imagem desde o princípio, e manifestando nesta imagem renovada o amor que tem por ti.

Se obedeceres aos Seus Mandamentos e por tua bondade te tornares imitador d’Aquele que é o Bem supremo, serás semelhante a Ele e Ele te glorificará. Deus que tudo pode e tudo possui te divinizará para Sua glória.”

Bispos, Abades, Presbíteros, e tantos outros, deixaram no patrimônio espiritual da Igreja escritos como estes, que nos convidam a aprofundar nosso relacionamento de amor para com Deus.

Escrevamos uma História de correspondência à misericórdia divina, apesar de nossa miséria, e que esta reflexão nos lembre de quão preciosos somos aos olhos de Deus, a ponto de ter-Se feito um de nós para nos redimir, nos divinizar e nos eternizar em Sua Eterna presença, introduzindo-nos em Seu Sagrado Coração, que, quando trespassado pela lança, jorrou Sangue e Água.

Urge nos interrogarmos sobre o modo como podemos melhor corresponder à misericórdia divina a partir do que somos e fazemos, do que pensamos e sentimos. Somente assim, apesar da miséria que somos, revelaremos o imensurável Amor de Deus por nós.

Deste modo, a felicidade de uma pessoa, é diretamente proporcional ao quanto ela reconhece a sua miséria, e ao quanto procura corresponder à misericórdia divina.

Sejamos felizes vivendo este santo propósito!


PS: com vistas à Epifania do Senhor.

Epifania do Senhor: Deus Se revelou, nossa vida mudou… (Epifania)

                                                    

Epifania do Senhor:
Deus Se revelou, nossa vida mudou…

Aquele Menino que nasceu e Se manifestou ao mundo também passará pela realidade cruenta da morte para vencê-la, abrindo-nos a perspectiva de eternidade:

“Senhor, para os que creem em Vós a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível”, se por ora habitamos em casebres, nos é dado nos céus mansão celestial, pois Ele nos assegurou no Evangelho de João que na casa do Pai há muitas moradas, e Ele Se antecipou para nos prepará-la.

A Igreja nos oferece a cada ano a graça de celebrar a Solenidade da Epifania do Senhor que é a Manifestação de Jesus como Salvador de todos os povos e em todos os tempos…

Deus Se revela como Sol Nascente que veio nos visitar, a vida redimir, a humanidade, com Sua Luz resplandecente, iluminar!

São Pedro Crisólogo, Bispo do século V, assim nos apresentou esta bela Festa: 

“Hoje os magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, O encontram num berço. Hoje os Magos veem claramente, envolvido em panos, Aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.

Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, Aquele que o universo não pode conter.

Vendo-O, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-Lhe místicos presentes: incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer. Assim o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos Magos deu início à fé de todos os pagãos”.

No seguimento de Jesus, não seguimos mais uma estrela, mas o próprio Sol Nascente que nos veio visitar. O  menino da manjedoura é a luz do mundo, e pregando a Boa Nova do Reino Ele dirá – “Eu Sou a luz do mundo, quem Me segue não anda nas trevas, mas tem a luz da vida” (Jo 8,12)

Quem se deixa guiar pela luz divina poderá ser um pequeno e valioso sinal de Sua luz para tantos quantos precisarem.

Outra reflexão que a Festa nos desperta:
Os magos do Oriente dão ao Menino Deus o que têm de melhor. Reconhecem na Criança a realeza (Ouro), Ele é o grande Rei;
A divindade (Incenso), porque Ele é o sumo Deus;
A humanidade (Mirra), pré-anunciando a sepultura.
Jesus é divindade visibilizada na fragilidade de Sua humanidade e é Rei e Senhor de todas as nações.

Somos interpelados:
- A quem devemos nos curvar: a Herodes ou ao Deus vivo e verdadeiro?
Os magos nos deram a resposta, façamos o mesmo!

- Fomos, por Deus, presenteados, agraciados com o Verbo que Se fez Carne. Como podemos retribuir o Amor de Deus?

- Os reis magos levaram o que tinham de melhor para o Menino Deus. Em mais um ano que inicia, o que temos de melhor a oferecer?

Dando o melhor de nós mesmos a Deus, a Sua Igreja e ao próximo, vivendo o Mandamento do Amor a Deus, tendo-O como primeiro na ordem dos preceitos, amando-O no próximo como o primeiro Mandamento na ordem da execução (Santo Agostinho).

O verdadeiro encontro com Deus nos leva a rever nossos caminhos e se necessário ter a coragem de mudar. De fato, o caminho de Deus e Seus pensamentos não são os caminhos e pensamentos humanos.

Aquele que Se revelou, há de ser revelado.

Epifania é revelar ao mundo o Deus que desejamos, procuramos, encontramos e amamos:

“Senhor, que desejando eu Vos procure, procurando eu Vos deseje, amando-Vos eu Vos encontre, e encontrando eu Vos ame.” (Santo Anselmo).

A Solenidade da Epifania e a “Infância espiritual” (Epifania)

                                                     


A Solenidade da Epifania e a “Infância espiritual”

“Em verdade vos digo, se não vos tornardes como crianças,
não entrareis no Reino dos Céus. Pois o que se humilhar
até fazer-se semelhante a uma destas crianças,
este será grande no Reino dos Céus’.

Retomemos o Sermão do Papa São Leão Magno, e aprendamos a melhor forma de humildade que o Senhor nos ensina quando adorado pelos magos.

Os magos, guiados pela estrela, foram ver uma Criança, um Menino; uma frágil Criança silenciosa, guardada por Sua mãe, Maria. Viram Aquele que cresceria em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e que, com sinais e poder, inauguraria o Reino de Deus.

O maior sinal de Seu poder, ali era oferecido na forma de uma Criança, em extrema expressão de  humildade, que sem nada dizer já estava ensinando aos magos e a toda humanidade.

Crescendo em fidelidade e obediência ao Pai, suportou com grande brandura as crueldades dos que se levantavam contra Ele, quanto mais nós temos de ser humildes e pacientes nas provações e dificuldades por que tenhamos que passar.

Também crescendo em sabedoria, nos ensinou que a sabedoria cristã não consiste nem na abundância de palavras, nem da habilidade para discutir, nem no desejo de louvor e de glória, mas na sincera e voluntária humildade, e por isto nos apresentou uma criança como o maior no Reino dos Céus, acenando para a desejável infância espiritual que devemos buscar permanentemente.

Na vivência da infância espiritual, mantendo-nos semelhante às crianças, como o Senhor nos propôs, é o que aprendemos ao celebrar a Festa da Epifania, com a graça de reavivar em nós o desejo de viver a infância espiritual expressa na humildade, na simplicidade, na confiança incondicional em Deus, na realização de Sua vontade.

Ainda temos muito que aprender com Aquela Criança, que um dia foi posta numa humilde manjedoura, Seu primeiro Altar, naquele singelo presépio, para que percebamos os sinais de Deus em nosso meio e d’Ele também sejamos sinal para o outro. 

Concedei-nos, Senhor, a Vossa Divina Luz (Epifania do Senhor)

                                                    


Concedei-nos, Senhor, a Vossa Divina Luz
 
Senhor Deus onipotente e misericordioso, na Solenidade da Epifania do Vosso filho, O revelastes como a Luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação.
 
Por meio d’Ele, Jesus Cristo, que Se manifestou em nossa carne mortal, Vós nos recriastes na luz eterna de Sua divindade.
 
Ó Senhor Deus onipotente, que revelastes o Vosso filho Unigênito aos gentios, guiados por uma estrela, concedei a nós, que já Vos conhecemos, contemplar face a face a Vossa glória.
 
Reconhecemos que é justo e necessário, nosso dever e Salvação dar-Vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso.
 
Nós Vos suplicamos:
 
Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a Vossa Luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o Mistério em que por Vossa graça participamos.
 
Ensinai-nos a exemplo dos santos Magos que, guiados pela estrela, encontraram o Menino no presépio de Belém, também encontremos a presença de Deus em cada pessoa que criastes como imagem e semelhança Vossa, e no fim de nossa peregrinação sobre a terra, encontrarmos, com alegria, a Cristo, Luz de Deus, a Divina e perene fonte de alegria, luz e paz.
 
Conduzi-nos em contínua conversão em busca de novos caminhos, assim como fizeram os magos, que Vos adoraram e presentes ofereceram: ouro, mirra e incenso, reconhecendo Vossa realeza, humanidade e divindade.
 
Ó Deus que nos chamastes das trevas à Sua luz divina e admirável, que ilumina nossos caminhos obscuros, tornando claras as noites escuras por que tenhamos que passar, derrame abundantemente sobre nós a Vossa bênção e nos fortaleça na fé, na esperança e na caridade.
 
Concedei que sejamos corajosas testemunhas da Sua verdade, diante dos nossos irmãos, como verdadeiros discípulos de Cristo, que hoje Se manifestou ao mundo como luz nas trevas, comunicando esta mesma luz a quantos precisarem.
 
Olhai com bondade para os dons da Vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que, por estes dons do Pão e Vinho, é manifestado, imolado e oferecido em Alimento, Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor Nosso, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.
 
 
 
PS: Inspirado nas Orações da Missa da Epifania do Senhor.
 


Epifania: O Menino abriu o céu para nós (Epifania)

                                                      


Epifania: O Menino abriu o céu para nós

Na Festa da Epifania do Senhor, celebramos a manifestação do Senhor a toda a humanidade, como Salvador de todos os povos.

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Doutor da Igreja, São Basílio Magno (séc. IV), sobre a geração de Cristo, e as graças que nos foram concedidas com este nascimento.

“A estrela veio parar acima de onde estava o Menino. Por isso os magos, ao verem a estrela, transbordaram de alegria. Recebamos também nós essa imensa alegria em nossos corações. É a alegria que os anjos anunciam aos pastores.

Adoremos com os magos, demos glória com os pastores, dancemos com os anjos. Porque hoje nasceu um Salvador, que é o Messias, Senhor: O Senhor é Deus. Ele nos ilumina, porém não na condição divina, para atemorizar nossa fragilidade, mas na condição de escravo, para gratificar com a liberdade aos que gemiam debaixo da escravidão.

Quem é tão insensível, que, tão ingrato, que não se alegre, não se exulte e não se deleite com tais notícias? Esta é uma festa comum a toda a criação. Que se concedam ao mundo dons celestiais, ao Arcanjo é enviado a Zacarias e a Maria, forma-se um coro de Anjos que cantam: Glória a Deus no céu, e na terra paz aos homens que Deus ama.

As estrelas despencam do céu, alguns magos abandonam sua pátria, a terra o recebe em uma gruta. Que todos ofertem algo, que nenhum homem se mostre ingrato.

Festejemos a Salvação do mundo, celebremos o dia natalício da natureza humana. Hoje ficou cancelada a dívida de Adão. Já não se dirá mais: És pó e ao pó retornarás, mas: ‘unido ao que vem do céu, serás admitido no céu’. Não será mais dito: Terás filhos com dor, pois é bem-aventurada aquela que deu à luz ao Emanuel e os peitos que o amamentaram. Justamente por isso um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado: Ele leva aos homens o principado.

Junte-se você também aos que, desde o céu, recebem alegres ao Senhor. Pensa nos pastores manando sabedoria, nos pontífices adornados com o dom de profecia, nas mulheres transbordando de júbilo: assim quando Maria é convidada a alegrar-se por Gabriel, assim quando Isabel sente João saltar de alegria em seu ventre. Ana que falava da boa notícia, Simeão que O tomava nos braços, ambos adoravam no Menino ao imenso Deus e, longe de desprezar o que viam, exaltam a majestade de Sua divindade.

Pois a força divina se tornava visível através do corpo humano como a luz atravessa o cristal, refulgindo ante aqueles que tinham purificados os olhos do seu coração. Com os quais oxalá também nós nos encontremos, contemplando face a face a glória do Senhor como em um espelho, para que também nós transformemo-nos em Sua imagem com resplendor crescente, pela graça e benignidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem seja dada a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém”. (1)

Cada vez que celebramos os Sacramentos, e de modo especialíssimo a Eucaristia, é uma Epifania acontecendo: acontece a manifestação do Senhor, presente sob a forma de humildes sinais.

Na Eucaristia, os humildes sinais do pão e do vinho, são transubstanciados no Corpo e Sangue do Senhor. Deste Pão e Vinho somos nutridos, do Cálice por nós abençoado e d’Ele participando se dá a nossa comunhão no Sangue do Senhor (Salmo 115). 

E quando a bênção final é concedida e a assembleia se dispersa, cada um é chamado a fazer um novo caminho, passando pela necessária conversão que a Palavra desperta em nós, assim como se deu com os magos, que voltaram por outro caminho ao encontrarem o Senhor, em adoração e na entrega dos presentes: ouro, incenso e mirra.

Encontraram e adoraram o Rei, Deus e Homem, a verdadeira realeza, divindade e humanidade na frágil criança, naquele Menino que trouxe ao mundo a Salvação e nos admitiria aos céus, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Encontremos o Senhor em cada encontro Eucarístico e ponhamo-nos a caminho, edificando uma Igreja em saída, uma Igreja em permanente estado de missão, verdadeiramente missionária, levando a Boa-Nova a todas as pessoas e todos os lugares. Sejamos enviados em paz, como artesãos da paz, como nos exortou, o Papa Francisco, em suaa Mensagem para o 50.º Dia Mundial da Paz (01/01/2017).

Jesus nos abriu os céus e nos admitiu, abramos nosso coração e, a Ele, o nosso presente ofereçamos: o melhor que pudermos fazer para que o mundo seja melhor, mais humano e mais fraterno.

(1) Lecionário  Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp.47-48 

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

 


A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas
 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)
 
Um Planejamento Pastoral deve ser fruto do trabalho conjunto de muitas mãos, mentes e corações, que possibilita a continuidade da ação evangelizadora.
 
Um valioso instrumento que ajuda a lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.
 
Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:
 
- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas e universidades;
- A necessidade de uma linguagem comum para os Sacramentos;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de oração;
- Evangelizar através dos Meios de comunicação social contando com a sóbria utilização dos recursos da inteligência artificial;
- Fortalecimento das pastorais sociais na promoção da dignidade da vida e o cuidado da Casa Comum.
 
Deste modo, é necessário que as vocações cristãs leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, atuem em sintonia com padres, Bispo, religiosos e religiosas, em diversas estruturas, organismos e pastorais.
 
Urge que no espírito sinodal, comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.
 
Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantia de êxito na evangelização (1 Cor 12-30), na fidelidade a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), e tão somente assim evangelizaremos e avançaremos para as águas mais profundas.

sábado, 3 de janeiro de 2026

A graça da contemplação da face divina

                                                            

A graça da contemplação da face divina

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda
não é manifestado o que havemos de ser.
 Mas sabemos que, quando Ele se manifestar,
seremos semelhantes a Ele; porque assim
como é O veremos” (1 Jo 3,2)

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São João (1 Jo 2,29-3,6), na qual ele diz que somos, a partir de Jesus, filhos amados, capazes de manifestar ao mundo o amor do Deus Pai.

Como filhos de Deus, devemos viver o tempo presente na prática da justiça, pois no Paraíso já não haverá necessidade de praticá-la, visto que já estaremos mergulhados na plenitude do amor de Deus.

Deste modo, por sermos filhos de Deus, três consequências são fundamentais:

- já não pertencemos ao mundo, que não recebeu Jesus (Jo 15,18-19; 17-14-16);

- devemos procurar uma vida na pureza e na santidade, como Cristo, evitando o pecado (Jo 18,17-19), empenhados nas obras de justiça por sermos filhos de Deus.

- esperar confiantes pela salvação ainda maior que, no futuro, se realizará (Jo 17,24).

Precisamos viver livres dos tentáculos do mundo, com suas seduções e pecado, em permanente vigilância e conversão, para não cairmos em tentação e nos afastarmos da comunhão com Deus e com nosso próximo.

Viver este tempo na prática do bem, na fidelidade a Jesus, guiados e conduzidos pelo Espírito, para estarmos em perfeita comunhão com o Pai, e assim, um dia, possamos contemplar a face da Trindade Santa, mergulhar neste amor indizível e imensurável.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG