sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
“Curai, Senhor, nossa cegueira”
Continuando a rezar a partir da matemática...
Continuando a rezar a partir da matemática...
Matemática! Para alguns um sofrimento, para outros um deleite...
Quantos rezaram, rezam e continuarão rezando para fazer uma prova de matemática...
Lembro-me das noções elementares aprendidas há muitos anos... Das primeiras lições de tabuada, para muitos, que tormento a memorização.
Lembro-me do “lapiz” que não apontava (confesso que tive mais dificuldade de escrever lápis com s e não com z, sem esquecer-me do acento...), pois trazia a tabuada (se era para usar, por que vinha neles). Mas tinha o memorável lápis preto sem nada escrito que consumíamos interminavelmente com os apontadores. Depois vieram as lapiseiras...
Mas antes que continue, tive professoras que apaixonadas pela matemática, vocacionadas para tal me levaram ao mesmo sentimento...
Lembro-me das operações que nos acompanhariam por toda a vida (adição, subtração, multiplicação e divisão); daquelas enormes expressões algébricas com chave, colchetes, parênteses e o imperativo da ordem a ser obedecida, sem a qual jamais chegaríamos ao pretendido resultado; da raiz quadrada; das equações de primeiro grau e segundo graus, a procura do valor de “x”. Ah, também das equações biquadradas (será isto mesmo? já nem me lembro)...
As aulas sobre Conjuntos, que talvez não lembremos tanto quanto deveríamos, mas que estão mais que presentes em nosso cotidiano.
Recordar tudo isto, nos possibilita rezar a partir da matemática:
“Conjunto: Coleção de elementos bem definidos...”
Lembramos a criação: a Ação Divina que fez tudo e viu que era muito bom! A perfeita harmonia da criação. A beleza da criação, a biodiversidade, o equilíbrio do sistema; a mais que atualíssima questão da sustentabilidade em que um elemento (ser/organismo) depende do outro... A procura do equilíbrio, do respeito às diferenças.
A beleza divina manifesta-se na diversidade, multiplicidade, na possibilidade de nos surpreender com elementos novos, traduzidos como conteúdos e enredos novos.
Somos os elementos por Deus bem definidos, antes pensados, criados, reconciliados porque, por Ele, sempre amados.
“O Conjunto dos números Naturais”, que tem por natureza o infinito, leva-me a refletir sobre a infinitude do Amor de Deus, que tende a nos lançar para o futuro, plantando em nós a semente da eternidade quando de nosso Batismo.
Infinitude e imensurabilidade do Amor Divino...
Há amores finitos são como as ervas da manhã que murcham ao entardecer e orvalhos que secam com os primeiros raios do sol como muito bem expressou o salmista sobre a finitude.
“Pertinência: Característica associada a um elemento que faz parte de um Conjunto. Um elemento pode ‘pertencer’ ou ‘não pertencer’ a um determinado Conjunto.”
Com a “pertinência” reconhecer que a Deus pertencemos, e por isto diante d'Ele devemos nos submeter: diante do Senhor todo joelho se dobre e toda língua proclame Jesus é o Senhor (Fl 2,1-11).
A Deus, que não Se deixa apropriar por mãos humanas, sintamo-nos pertencentes.
Quanto maior for este sentimento, maior nossa relação filial de confiança e amor, disponibilidade e serviço.
“Relação entre Conjuntos - Contém, não contém, está contido, não está contido...”
Como é bom saber que o coração trespassado de Jesus contém a nossa existência.
Dilatado foi para que nele coubéssemos. Estamos contidos no coração de Jesus, e quanto mais o amarmos, mais sentiremos Sua presença em nós, e mais em Seu coração desejaremos estar contidos.
“Contém” - A Sagrada Escritura contém a história da Salvação, e com isto, nela está contida a história do Amor de Deus e todos aqueles que escreveram esta história.
Importa vivermos também sentindo-nos nesta história envolvidos, contidos. Quanto mais assumir a Sagrada Escritura como nossa história de salvação, mais nela nos sentiremos contidos.
“Operações entre dois Conjuntos - união, intersecção...”
Reflito sobre a União Matrimonial – “O que Deus uniu o homem não separe...” Unidade e indissolubilidade matrimonial a serem vividas cotidianamente como Mistério Pascal.
A unidade desejada e rezada por Jesus (Jo 17); exortada por Paulo em Efésios ( Ef 4); a unidade vivida pelas primeiras comunidades (At 2,42-45).
A unidade: a relação dos povos e suas diferenças étnicas, culturais; a unidade no respeito à diversidade tão frágil e tão bela...
A matemática muito mais do que nos livros, como martírio ou encanto, como sofrimento ou prazeroso aprendizado está mais do que presente em nossa vida.
Urge a religação dos saberes... O saber da matemática também pode ser e é indispensável para descobrirmos caminhos novos para uma nova humanidade. Rezar a partir da matemática é possível, mais que isto: necessário!
Senhor, renovai as nossas forças!
No silêncio, a Santíssima Trindade agia...
Nosso desejo mais profundo: encontrar o Senhor
Nosso
desejo mais profundo: encontrar o Senhor
Deus
é Mistério profundo que não cabe nas limitações de nossa mente e coração, como
veremos na reflexão de Santo Anselmo (séc. XII).
“Que pode fazer,
Altíssimo Senhor, que pode fazer este exilado longe de Vós? Que pode fazer este
Vosso servo, sedento do Vosso amor, mas tão longe de Vossa presença? Aspira
ver-Vos, mas Vossa Face se esconde inteiramente dele. Deseja aproximar-se de
Vós, mas Vossa morada é inacessível. Aspira encontrar-Vos, mas não sabe onde
estais.
Tenta procurar-Vos, mas
desconhece a Vossa face. Senhor, Vós sois o meu Deus, o meu Senhor, e nunca Vos
vi. Vós me criastes e me redimistes, destes-me todos os Vossos bens e ainda não
Vos conheço. Fui criado para Vos ver e ainda não fiz aquilo para que fui
criado.
E Vós, Senhor, até
quando? Até quando, Senhor, nos esquecereis, até quando nos ocultareis a Vossa
Face? Quando nos olhareis e nos ouvireis? Quando iluminareis os nossos olhos e
nos mostrareis a Vossa Face? Quando voltareis a nós?
Olhai-nos Senhor,
ouvi-nos, mostrai-Vos a nós. Dai-nos novamente a Vossa presença para sermos
felizes, pois sem Vós somos tão infelizes! Tende piedade dos rudes esforços que
fazemos para alcançar-Vos, nós que nada podemos sem Vós.
Ensinai-me a Vos
procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso
procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que
desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e
encontrando Vos ame” (1).
Entremos
no íntimo de nossa alma, afastando-nos de tudo, exceto de Deus ou daquilo que
nos ajude a procurá-Lo, suplicando ao Senhor Deus que ensine nosso coração para
que saibamos onde e como procurá-Lo, onde e como encontrá-Lo.
Bebamos
desta fonte genuína de espiritualidade, fazendo germinar o que de melhor
possamos plantar em nossos corações vigilantes e orantes.
Incansavelmente
procuramos por Deus, a mais bela procura, porque jamais nos cansa, e uma vez
encontrado, ainda falta tudo por encontrá-Lo, como disse Santo Agostinho.
Procuremos
no mais profundo de nós mesmos Aquele que veio, vem e virá, Aquele que nos
felicitou e nos divinizou com Sua morada em nós.
Reflitamos:
- Por que procurarmos fora de nós Aquele que em nós habita?
- Por que nos distanciarmos d’Aquele que é mais íntimo de nós do
que nós de nós mesmos?
Concluímos repetindo suas palavras, na incansável procura por
Deus:
“Ensinai-me
a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso
procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos
mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando
Vos encontre, e encontrando Vos ame”.
(1)
Liturgia das Horas - Vol. I – pág. 151-152
PS: Oportuno para o Tempo do
Advento, quando nos preparamos para a Vinda d’Aquele que veio, vem e virá, e
que tanto esperamos e incansavelmente procuramos, revigorando nossa
espiritualidade para frutos saborosos do Natal produzirmos: amor, vida,
sorriso, felicidade, justiça, paz...
Advento: tempo de dar sabor à vida e fazer germinar aquilo
que de bom possamos plantar em corações vigilantes que se predispuseram ao
arado indispensável, pelo jugo da Cruz, pois não há Natal sem o Mistério da
Paixão, Morte, e Ressurreição do Senhor.
Tempo do Advento: alegria renovada na missão
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Brincar com elas, um precioso deleite...
Brincar com elas, um precioso deleite...
Brinco com as palavras para falar da Palavra; brinco com os verbos para falar do Verbo, deleito-me com o espiritual para falar do Espírito, comunico porque a essência de Deus é a comunicação.
Procuro fortalecer laços de fraternidade
Inspirado na bela e Santíssima Trindade!
Crendo e aprofundando a amizade com Deus,
Fonte e alimento da profunda comunhão,
Rompo, com os textos, as correntes
Porque Sua Palavra é fonte de libertação!
Magia das palavras portadoras de encantos,
efeitos inesperados, corações fortalecidos...
Ora corações alegrados,
esperança revigorada e vitais sonhos refeitos...
Ora nem tanto assim.
Ora, ora! Como digo,
Importa a palavra ter comunicado
E, o melhor de mim, ter dado
Na ânsia de algo ter semeado...







