segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Em poucas palavras...

 


A primeira e a segunda vinda do Senhor

“Na primeira vinda, Ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, Ele suportou a cruz, sem recusar a Sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos.”   (1)

 

(1) São Cirilo de Jerusalém – séc. IV

Em poucas palavras...

                                                                    


Ele vem, veio e virá!

“...Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar Seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da Salvação. Revestido de Sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”. (1)

 

(1) Prefácio do Advento I

Advento: vigiemos e oremos à espera do Senhor

                                                         

Advento: vigiemos e oremos à espera do Senhor

Como Igreja, iniciamos o Tempo do Advento, e nos prepararemos para a celebração do Natal do Senhor.

Serão quatro semanas de recolhimento, vigilância e oração, de modo que sejamos enriquecidos com esta oração universal atribuída ao Papa São Clemente XI (1649-1721).

“Meu Deus, eu creio em Vós, mas fortificai a minha fé;
espero em Vós, mas tornai mais confiante a minha esperança;
eu Vos amo, mas afervorai o meu amor;
arrependo-me de ter pecado, mas aumentai o meu arrependimento.

Eu Vos adoro como primeiro princípio,
eu Vos desejo como fim último;
eu Vos louvo como benfeitor perpétuo,
eu Vos invoco como benévolo defensor.

Que Vossa sabedoria me dirija,
Vossa justiça me contenha,
Vossa clemência me console,
Vosso poder me proteja.

Meu Deus, eu Vos ofereço
meus pensamentos, para que só pense em Vós;
minhas palavras, para que só fale em Vós;
minhas ações, para que sejam do Vosso agrado;
meus sofrimentos, para que sejam por Vosso amor.

Quero o que quiserdes,
porque o que quereis
como o quereis,
e enquanto o quereis.

Senhor, eu Vos peço:
iluminai minha inteligência,
inflamai minha vontade,
purificai meu coração
e santificai minha alma.

Dai-me chorar os pecados passados,
repelir as tentações futuras,
corrigir as más inclinações
e praticar as virtudes do meu estado.

Concedei-me ó Deus de bondade,
ardente amor por Vós e aversão por meus defeitos,
zelo pelo próximo e desapego do mundo.

Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores,
auxiliar os que dependem de mim,
dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos.

Que eu vença a sensualidade pela austeridade,
a avareza pela generosidade,
a cólera pela mansidão e a tibieza pelo fervor.

Tornai-me prudente nas decisões,
corajoso nos perigos,
paciente nas adversidades
e humilde na prosperidade.

Fazei, Senhor, que eu seja atento na oração,
sóbrio nos alimentos,
diligente no trabalho
e firme nas resoluções.

Que eu procure possuir
pureza de coração e modéstia de costumes,
um procedimento exemplar e uma vida reta.

Que eu me aplique sempre em vencer a natureza,
colaborar com a graça,
guardar os Mandamentos
e merecer a salvação.

Aprenda de Vós como é pequeno o que é da terra,
como é grande o que é divino,
breve o que é desta vida
e duradouro o que é eterno.

Dai-me preparar-me para a morte,
temer o dia do juízo,
fugir do inferno
e alcançar o paraíso.
Por Cristo Nosso Senhor. Amém”.


Fonte: Missal Romano – pp.1250-1252

Suplico-Vos, Senhor!

                                                            


Suplico-Vos, Senhor!

Senhor, a Vós, que sois a Palavra que Se fez Carne,
suplico-Vos:

Vós, que sois a Divina Fonte de Água Viva da humanidade,
Dai-me, neste dia, a água cristalina que possuís
Para a sede de minha alma saciar.

Vós, que sois a Luz que não se apaga, 
que ilumina a escuridão do viver,
Dai-me o colírio da fé para minha cegueira curar.

Vós, que sois a Ressurreição e a Vida plena,
Fortalecei-me para enfrentar os sinais de morte.
Suplico-Vos, Senhor, porque em Vós eu piamente creio. 

Advento: Aprofundemos a autenticidade do Testemunho!

                                                      


Advento: Aprofundemos a autenticidade do Testemunho!

Iniciando o Tempo do Advento, sejamos iluminados pela preciosa reflexão “Da Exposição da Fé”, escrita pelo Presbítero São João Damasceno (séc. VIII), cuja Memória celebramos no dia quatro de dezembro.

“Tu me criaste, Senhor, do corpo de meu pai e me formaste no seio de minha mãe; me trouxeste à luz, criancinha nua, porque as leis da nossa natureza seguem perpetuamente os Teus decretos.

Com a bênção do Espírito Santo, ordenaste minha criação e existência, não por vontade do homem ou desejo da carne, mas por Tua graça inefável. Ordenaste o meu nascimento com um cuidado superior ao das leis naturais; adotando-me como filho, conduziste-me à luz e me incluíste entre os discípulos da Tua Igreja Santa e Imaculada.

Tu me alimentaste com o leite espiritual de Tuas palavras divinas. Tu me sustentaste com o alimento sólido do corpo de Jesus Cristo, nosso Deus, Teu Santíssimo Unigênito, e me inebriaste com o cálice divino do Seu Sangue vivificante, derramado pela salvação do mundo inteiro.

Porque nos amaste, Senhor, deste o Teu único e amado Filho para nossa redenção, que Ele aceitou voluntária e livremente. E ainda mais: Ele mesmo Se ofereceu em sacrifícios como cordeiro inocente; porque, sendo Deus, Se fez homem e por Sua vontade humana submeteu-Se, obediente a Ti, Deus, Seu Pai, até a morte e morte de Cruz (Fl 2, 8).

E assim, ó Cristo, meu Deus, Te humilhaste, levando-me em Teus ombros como ovelha perdida, e me apascentaste em verdes pastagens; Tu me refizeste com as águas da verdadeira doutrina por meio de Teus pastores que, alimentados por Ti, alimentam por sua vez o Teu nobre e escolhido rebanho.

Agora me chamas, Senhor, pela imposição das mãos de Teu pontífice para servir os Teus discípulos. Não sei por que razão me escolheste; só Tu sabes.

Torna, Senhor, mais leve o peso de meus pecados, porque Te ofendi tão gravemente. Purifica minha inteligência e meu coração. Sê para mim como uma lâmpada luminosa que me conduz pelo caminho reto.

Dá-me palavra fácil e concede-me uma linguagem clara e fluente, mediante a língua de fogo de Teu Espírito, a fim de que Tua presença sempre me assista.

Sê meu pastor, e apascenta comigo, Senhor, para que meu coração não se incline nem para a direita nem para a esquerda; que o Teu Espírito bom me conduza pelo caminho reto e as minhas obras se realizem segundo Tua vontade, até à última delas.

E tu, nobre vértice da mais íntegra pureza, ilustre assembleia da Igreja, que esperas o auxílio de Deus, Igreja onde Deus habita, recebe de nós a doutrina da fé isenta de erro, que fortifica a Igreja, tal como foi transmitida por nossos pais .”

À luz desta reflexão, preparemo-nos para celebrar a alegria transbordante do Natal, como experimentamos em cada Eucaristia, para que testemunhemos uma fé mais transparente, sólida, fecunda e coerente, sobretudo neste tempo fecundo de vigilância e Oração. 

Sejamos revigorados pelo leite espiritual da Palavra proclamada, saciados com o sólido e diviníssimo Alimento da Eucaristia e inebriados com o Vinho Sagrado do Sangue do Senhor, prolongando com gestos concretos no cotidiano.

Eucaristia bem celebrada é aquela que transforma todo o nosso viver. Um dos pecados mais graves que possamos cometer é esvaziar o conteúdo daquilo que celebramos e, com certeza, Deus, a nós todos, pedirá contas.

Sem autenticidade do testemunho seremos como que lâmpadas apagadas, portanto, incapacitados para entender o esplendor da Luz Divina que se aproxima.

Sem a Eucaristia, seremos como o sal que perde o sabor, de modo que  a mais deliciosa ceia, sabor algum terá.

Sem ela, o fermento do amor jamais levedará um novo tempo... Sem ela, a Semente cairá, lamentavelmente onde não deveria: à beira do caminho, terreno pedregoso ou espinhoso.

Seja o Tempo do Advento para avaliarmos a veracidade do que celebramos e vivemos.

Que a Semente do Verbo encontre em nosso coração,
canteiro mais que precioso, querido por Deus,
para cair, morrer e frutos novos e
abundantes produzir.

A sagrada missão dos confessores

 


A sagrada missão dos confessores

Vivendo o Ano Jubilar 2025 – “Peregrinos de esperança”, com o lema – “A esperança não decepciona”, assim como o Tempo da Quaresma, é tempo oportuno e recomendável para que procuremos o Sacramento da Penitência, para alcançar o perdão de nossos pecados, acolhidos e envolvidos pela misericórdia divina, viver a vida nova como batizados, discípulos missionários do Senhor.

Oportuno retomarmos o parágrafo n. 17 da Bula “Misericordiae Vultus”, quando o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia (8/12/2015-20/11/2016), no qual nos fala da importância e sagrada missão dos confessores:

“Não me cansarei jamais de insistir com os confessores para que sejam um verdadeiro sinal da misericórdia do Pai. Ser confessor não se improvisa.

Tornamo-nos tal quando começamos, nós mesmos, por nos fazer penitentes em busca do perdão.

Nunca esqueçamos que ser confessor significa participar da mesma missão de Jesus e ser sinal concreto da continuidade de um amor divino que perdoa e salva.

Cada um de nós recebeu o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados; disto somos responsáveis.

Nenhum de nós é senhor do sacramento, mas apenas servo fiel do perdão de Deus. Cada confessor deverá acolher os fiéis como o pai na parábola do filho pródigo: um pai que corre ao encontro do filho, apesar de lhe ter dissipado os bens.

Os confessores são chamados a estreitar a si aquele filho arrependido que volta a casa e a exprimir a alegria por o ter reencontrado. Não nos cansemos de ir também ao encontro do outro filho, que ficou fora incapaz de se alegrar, para lhe explicar que o seu juízo severo é injusto e sem sentido diante da misericórdia do Pai que não tem limites.

Não hão-de fazer perguntas impertinentes, mas como o pai da parábola interromperão o discurso preparado pelo filho pródigo, porque saberão individuar, no coração de cada penitente, a invocação de ajuda e o pedido de perdão.

Em suma, os confessores são chamados a ser sempre e por todo o lado, em cada situação e apesar de tudo, o sinal do primado da misericórdia.”

Destaco algumas considerações feitas pelo Papa sobre ser confessor:

-  Ser confessor não se improvisa, e ele deve ser um sinal da misericórdia do Pai;

-  é, também, um penitente em busca do perdão;

- participa da mesma missão de Jesus e ser sinal concreto da continuidade de um amor divino que perdoa e salva;

-  é alguém que recebeu o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados; por isto grande é a sua responsabilidade;

- não é senhor do sacramento, mas apenas servo fiel do perdão de Deus. 

- deverá acolher os fiéis como o pai na parábola do filho pródigo: um pai que corre ao encontro do filho, apesar de lhe ter dissipado os bens;

- é chamado a estreitar a si aquele filho arrependido que volta a casa e a exprimir a alegria por tê-lo reencontrado;

- não se cansa de ir também ao encontro do outro filho, que ficou fora incapaz de se alegrar, para lhe explicar que o seu juízo severo é injusto e sem sentido diante da misericórdia do Pai que não tem limites;

- saberão individuar, no coração de cada penitente, a invocação de ajuda e o pedido de perdão.

Elevemos a Deus orações pela missão de nossas padres nos ministérios, para que sejam instrumentos de santificação do Povo de Deus, e um dos meios, é o Sacramento da Penitência.

Vivamos o Sacramento como expressão da Misericórdia divina, que nos renova, nos reconcilia, para que sejamos uma nova criatura, com Deus e com os irmãos, reconciliados.

Perdão de Deus recebido, perdão para com o próximo vivido, como rezamos na oração do “Pai-Nosso”, a Oração que o Senhor nos ensinou, – “Pai nosso que estais nos céus... perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...” Amém.

Sementes de paz sejam plantadas

                                                         

Sementes de paz sejam plantadas

“Amor e Verdade se encontram,
Justiça e Paz se abraçam...”

Caminhamos para mais um final de ano, tempo favorável para avaliação do caminho feito; com coragem rever os erros cometidos e planejar ousados passos, para que possamos abraçar um horizonte mais auspicioso, cheio de esperança, alegria, vida e paz.

Favorecendo este propósito, a Igreja vive o Tempo do Advento, quatro semanas que antecedem a grande Festa do Natal do Senhor, quando fazemos a preparação do chão de nosso coração, com a frutuosa acolhida do Verbo para um Natal verdadeiro, com matizes pascais. 

O Deus que Se faz e Se fará Menino é o mesmo que, por amor, sofre a Paixão, a morte de Cruz e é glorificado.

Ele vem, encarna-Se e por todos nós, pecadores, morre. Morre como homem, mas, por ser Deus, o Pai O Ressuscita para nos enviar o Seu Espírito, que em nós quer fazer Sua mais preciosa e desejada morada. Desejo de Deus, privilégio nosso, Suas criaturas, obra de Suas mãos.

Em todo tempo, urge somarmos esforços com todas as pessoas de boa vontade, para que a violência cesse e reine a paz no coração das pessoas. Que, de fato, nossa grande arma seja o amor, para construirmos uma sociedade mais fraterna, um mundo mais conforme os desígnios de Deus.

Quão necessário é multiplicarmos Orações, pequenos e grandes gestos, para que a paz, tão desejada e sonhada por Deus, aconteça. Esta é missão é de todos nós. 

Que as autoridades e toda a sociedade civil se abram a um diálogo franco, maduro e sincero e, assim, descubramos juntos caminhos para solidificação da paz, como fruto e expressão da justiça.

Como são atualíssimas as palavras do Papa São Paulo VI, em seu Discurso à ONU - Organização das Nações Unidas - em 1965:

“... Ouvi as claras palavras de uma grande personagem desaparecida John Keneddy, que há alguns anos proclama: ’A humanidade deve pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim a humanidade’... A paz, a paz deve guiar o destino dos povos e da humanidade toda! Se quereis ser irmãos, deixai cair as armas de vossas mãos. Não se pode amar com armas ofensivas em punho”.

A paz como dom divino é possível, mas não dispensa nossos sinceros e renovados compromissos. Que seja este o tempo da fecundação silenciosa das sementes boas e necessárias, para que, num amanhecer não tão distante, floresçam exalando o perfume do jardim do paraíso, que precisa ser construído sem estéreis saudosismos e lamentos.

Renovemos, no mais profundo de nós,  a alegria de servir o Senhor na pessoa de nosso próximo, trabalhando alegremente em Sua vinha, como servos inúteis que somos, cada um/a dando o melhor de si não para a autopromoção, mas para a glória e louvor de Deus.

Que o sonho, Oração do Salmista,  seja por nós repetido e vivido:

Amor e Verdade se encontram, Justiça e Paz se abraçam; da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu” (Sl 85,11-12).

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