quarta-feira, 11 de junho de 2025
Irradiar uma única Luz (09/06)
“Vós sois a luz do mundo" (Mt 5, 14)
Naquela manhã, depois do poético barulho da chuva caindo silenciosamente,
Os raios de sol vieram timidamente secando o chão que a chuva molhara...
Rezei por aqueles que irradiam o calor para um mundo por vezes
Frio e sedento do calor que emana de um simples gesto.
Ao entardecer o noticiário falava da irradiação que oferece perigos letais.
Rezei por aqueles que ao contrário irradiam valores que sacralizam vidas;
Que irradiam ideias, sentimentos, pensamentos que edificam e
Que semeiam o jardim com flores vitais, num mundo novo possível.
Naquela noite contemplava o céu e via as estrelas irradiando um forte brilho.
Rezei por aqueles que em minha vida passaram e para sempre ficarão,
Nem tanto pela sua genialidade, mas pelo brilho que emanam da alma,
Brilho como sinônimo de candura, ternura, mansidão, bondade, solidariedade...
Viver é potencializar a capacidade que também temos de irradiar por onde passamos.
Podemos irradiar fé, esperança, amor, confiança ou, lamentavelmente, o contrário.
Se verdadeiramente fé tivermos, transformados pelo mesmo Espírito que nos conduz,
Irradiaremos o melhor de Deus, uma única luz; teremos um único olhar penetrante na realidade.
O mundo precisa de quem irradie o melhor de Deus com suas palavras e ações.
Irradiações desejáveis pela humanidade, queridas por Deus hão de se multiplicar.
Que ouçamos lá no mais profundo de nós a voz de Deus ecoar:
“Sede irradiadores de minha Divina Luz, no mundo. Vós sois minhas testemunhas.” Amém.
segunda-feira, 9 de junho de 2025
Maria, Mãe da Igreja, caminha conosco (25/05)
Maria, Mãe da Igreja, caminha conosco
“Maria, Mãe da Igreja, soube desatar os nós da vida
com a força suave do amor”
Transcrevo parte do Decreto de março de 2018, em que o Papa Francisco instituiu a Celebração da Memória obrigatória de Santa Maria, Mãe da Igreja, na segunda-feira depois da Solenidade de Pentecostes:
“De certa forma, este fato, já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De fato, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do Seu corpo místico, isto é, da Igreja. Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da Cruz”.
Maria é “cooperadora”, com a sua caridade no renascimento dos fiéis na Igreja, como nos diz o Bispo e Doutor Santo Agostinho; assim como é Mãe da Igreja, Corpo Místico de Cristo, que por sua vez é a Cabeça da Igreja, como nos falou o Papa São Leão Magno.
O Decreto nos apresenta Maria, que nos é dada como Mãe aos pés da Cruz pelo Seu Filho, e na figura do discípulo amado somos seus filhos, a ela recorrendo como Mãe e a tendo em nosso lado em todos os momentos e em todas as situações, favoráveis ou adversas:
"A Mãe, que estava junto à Cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar a vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na Cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do Seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial”.
Concluo com a Oração a Maria, em que o Papa Francisco nos convida a confiarmos em uma Mulher que teceu a humanidade de Deus no seio, e soube guardar e meditar tudo em seu coração (cf. Lc 2, 19), e pode nos ajudar a “desatar os nós da vida com a força suave do amor”.
Oremos:
“Ó Maria, mulher e mãe,
Vós tecestes no seio a Palavra divina,
Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus.
Ouvi as nossas histórias,
guardai-as no vosso coração
e fazei vossas também as histórias
que ninguém quer escutar.
Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história.
Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida,
paralisando a nossa memória.
Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados.
Mulher do Espírito, Mãe da confiança,
inspirai-nos também a nós.
Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro.
E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos”. (1)
Ave Maria, cheia de graça...
(1) Oração extraída da mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais
A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja (25/05)
A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja
Com o Decreto publicado pelo Papa Francisco, dia 03 de março de 2018, passamos a celebrar a Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, todos os anos na Segunda-feira depois de Pentecostes.
O motivo da celebração está brevemente descrito no Decreto “Ecclesia Mater”, para favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, o fortalecimento da genuína piedade mariana, uma vez que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no Mistério da Cruz, na oblação de Cristo, no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos.
Foi devidamente considerada a importância do Mistério da maternidade espiritual de Maria, que na espera do Espírito no Pentecostes (cf. At 1, 14), nunca mais parou de ocupar-se e de curar maternalmente a Igreja peregrina no tempo.
Ao celebrar, será ocasião para recordar a todos os discípulos de Cristo que para crescermos e nos preencher do amor Deus, precisamos enraizá-lo à nossa vida sobre três realidades: na Cruz, na Hóstia e na Virgem – Crux, Hostia et Virgo.
Transcrevo o Decreto, para devida acolhida e reflexão:
“A feliz veneração em honra à Mãe de Deus da Igreja contemporânea, à luz das reflexões sobre o Mistério de Cristo e sobre a Sua própria natureza, não poderia esquecer aquela figura de Mulher (cf. Gl. 4,4), a Virgem Maria, que é Mãe de Cristo e com Ele Mãe da Igreja.
De certa forma, este fato, já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De fato, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do Seu corpo místico, isto é, da Igreja. Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da Cruz.
A Mãe, que estava junto à Cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar a vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na Cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do Seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial.
Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Ao longo dos séculos, por este modo de sentir, a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, ‘Mãe da Igreja’, como aparece nos textos dos autores espirituais assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII.
Assim, resulta claramente, sobre qual fundamento o beato papa Paulo VI, a 21 de Novembro de 1964, por ocasião do encerramento da terça sessão do Concílio Vaticano II, declarou a bem-aventurada Virgem Maria ‘Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima’ e estabeleceu que ‘com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão’.
A Sé Apostólica, por ocasião do Ano Santo da Reconciliação (1975), propôs uma Missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja, que foi inserida no Missal Romano. A mesma deu a possibilidade de acrescentar a invocação deste título na Ladainha Lauretana (1980), e publicou outros formulários na Coletânea de Missas da Virgem Santa Maria (1986). Para algumas nações e famílias religiosas que pediram, concedeu a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu Calendário particular.
O Sumo Pontífice Francisco, considerando atentamente quanto a promoção desta devoção possa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana, estabeleceu que esta memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na Segunda-feira depois do Pentecostes, e que seja celebrada todos os anos.
Esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos.
Esta memória deverá, pois aparecer, em todos os Calendários e Livros Litúrgicos para a celebração da Missa e da Liturgia das Horas.
Os respectivos textos litúrgicos são apresentados em anexo a este decreto, e a sua tradução, aprovada pelas Conferências Episcopais, serão publicados depois da confirmação por parte deste Dicastério.
Onde a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, por norma do direito particular aprovado, já se celebra num dia diferente com grau litúrgico mais elevado, pode continuar a ser celebrada desse modo.
Nada obste em contrário.
Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 11 de Fevereiro de 2018, memória da bem-aventurada Virgem Maria de Lurdes.
Roberto Card. Sarah
Prefeito
Artur Roche
Arcebispo Secretário”
Fonte de Pesquisa: http://cnbb.net.br/?s=maria+m%C3%A3e+da+igreja
Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós (25/05)
“Todos perseveravam unanimemente na oração juntamente com as santas mulheres e Maria, a Mãe de Jesus...” (At 1,14)
Os Apóstolos estavam reunidos no Cenáculo, animados pelo mesmo amor, e ao centro encontrava-se a Mãe de Deus.
A Tradição da Igreja viu, nesta cena, a maternidade espiritual de Maria sobre toda a Igreja, sendo ela o “coração da Igreja nascente”, colaborando ativamente com a ação do Espírito Santo.
Maria é a “a obra prima de Deus”, como disse São José Maria Escrivá, preparada com imensos cuidados pelo Espírito Santo para ser tabernáculo vivo do Filho de Deus.
O Concílio Vaticano II assim nos apresenta Maria: “Redimida de um modo eminente e em previsão dos méritos do seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, Maria é enriquecida com a sublime missão e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e Sacrário do Espírito Santo, com o dom de uma graça tão extraordinária que supera de longe todas as criaturas celestes e terrenas”.
O Papa São Paulo VI nos diz em seu memorável discurso, no dia 25 de outubro de 1969: “Maria, que concebeu Cristo por obra do Espírito Santo, do amor do Deus vivo, preside ao nascimento da Igreja no dia de Pentecostes, quando o próprio Espírito Santo desce sobre os discípulos e vivifica na unidade e na caridade o Corpo místico dos cristãos”.
Mais tarde, o Papa São João Paulo II afirmou na Encíclica “Dominum et vivificantem” (parágrafo n.18): - “A era da Igreja começou com a ‘vinda’, quer dizer, com a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo de Jerusalém, junto com Maria, a Mãe do Senhor”.
Podemos afirmar que, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo, que já habitava em Maria desde o mistério da sua Imaculada Conceição, veio fixar nela a Sua morada de uma maneira nova.
Todas as promessas que Jesus tinha feito acerca do Paráclito: “Ele vos recordará todas estas coisas” (Jo 14,26); “Ele vos conduzirá à verdade completa” (Jo 16,13), cumprem-se plenamente nela.
Nossa Senhora é a criatura mais amada por Deus e, com os Apóstolos, acolhe a manifestação do Espírito.
Realiza-se, portanto, o que o Bispo São Cirilo de Jerusalém (séc IV) escreveu em Sua Catequese sobre o Espírito Santo: “A Sua ação na alma é suave, a Sua experiência é agradável e aprazível, e o Seu jugo é levíssimo. A Sua vinda é precedida pelos raios brilhantes da sua luz e da Sua ciência. Vem com a verdade do genuíno protetor, pois vem salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar, em primeiro lugar a mente daquele que o recebe e depois, pelas obras deste, a mente dos outros”.
Como vemos, Maria por sua abertura e colaboração ativa com o Espírito Santo, é nossa Mãe, Mãe da Igreja, e com ela, podemos contar sempre, para que vivamos um frutuoso discipulado, e sejamos uma Igreja cada vez mais fiel ao Seu Filho, a Cabeça da Igreja, e nós o Corpo.
À Maria, Mãe da Igreja, recorramos sempre pedindo a graça de ser conduzidos e assistidos pelo Espírito, como ela tão bem o fez: “Santa Maria, Mãe de Deus, da Igreja, nossa Mãe, rogai por nós!”
Fonte: www.hablarcomdios.org
“Maria, Modelo e Mãe da Igreja” (25/05)
“Maria, Modelo e Mãe da Igreja”
Uma reflexão à luz do Prefácio da Missa – “Maria, Modelo e Mãe da Igreja”.
Com a Missa votiva à Santa Virgem Maria, engrandecemos a Deus com os devidos louvores:
- “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, e na celebração da Santa Virgem Maria, engrandecer-Vos com os devidos louvores”.
Maria concebeu em seu seio virginal o Fundador, e acalentou a Igreja que nascia:
- “Acolhendo a Vossa Palavra no coração sem mancha, mereceu concebê-Lo no seio virginal e, ao dar à luz o Fundador, acalentou a Igreja que nascia”.
Maria, aos pés da Cruz, recebe o testamento da caridade divina:
- “Recebendo aos pés da Cruz o testamento da caridade divina, assumiu todos os seres humanos como filhos e filhas, renascidos para a vida eterna, pela morte de Cristo”.
Maria, modelo da Igreja orante, esperou com os Apóstolos o Espírito Santo em Pentecostes:
- “Ao esperar com os Apóstolos o Espírito Santo, unindo suas súplicas às preces dos discípulos, tornou-se modelo da Igreja orante”.
Maria é assunta aos céus e nos acompanha com amor de Mãe:
“Arrebatada à glória dos céus, acompanha até hoje com amor de Mãe a Igreja que caminha na terra, guiando-lhe os passos para a pátria, até que venha o dia glorioso do Senhor”.
Finaliza o Prefácio cantando com todos os anjos e santos a glória divina:
Por isso, com os anjos e os santos, proclamamos a Vossa glória, cantando (dizendo) a uma só voz: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo! O céu e a terra proclamam a Vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”
Cresça, portanto, cada dia mais, nossa devoção a Maria, Mãe de Jesus, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, e como discípulos missionários do Senhor, seu Amantíssimo Filho, façamos progressos maiores na escuta e prática de Sua Palavra, vivendo a graça do Batismo, com a assistência do Espírito, em maior fidelidade à vontade de Deus, a serviço da construção do Reino de Deus.
Oremos:
“Ó Deus, Pai de misericórdia, Vosso Filho Unigênito pregado na Cruz nos deu a Sua Mãe, a Virgem Maria, como nossa Mãe. Concedei, Vos pedimos, que por sua cooperação de amor a Vossa Igreja seja cada dia mais fecunda, exulte pela santidade de Seus filhos e atraia ao seu seio as famílias de todos os povos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.
sábado, 7 de junho de 2025
Em poucas palavras...(XDTCB) (07/06)
Blasfêmia
“A acusação dirigida ao Mestre de ser um endemoninhado, constitui a blasfêmia mais grave contra o Espírito de Deus, porque distorce totalmente o sentido da pessoa e da missão de Jesus... como na narração evangélica, mascaramos por vezes a nossa falta de acolhimento e a nossa rejeição quando se trata da nossa conversão, projetando em Cristo as sombras do Maligno que envolve o nosso coração.” (1)
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 128 – sobre a passagem do Evangelho de Mc 3,22-30.
Quem é Jesus para nós? (XDTCB) (07/06)
Quem é Jesus para nós?
A Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre a identidade de Jesus e a comunhão que Ele deseja viver com aqueles que quiserem se tornar seus discípulos.
Na passagem da primeira Leitura (Gn 3,9-15), refletimos sobre o pecado, o mal, e a necessária vigilância, para não cairmos na tentação do Maligno, simbolizado pela serpente.
Também se faz necessária a superação da tendência humana de se desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar, como vemos na passagem, nas atitudes de nossos primeiros pais.
Nesta vigilância, estamos numa luta constante contra a “serpente”, e esta será derrotada pelo Rei-Messias, Jesus, como vemos em várias passagens do Novo Testamento – (Rm 16,20; Ap 12,9; 20,2).
Na releitura cristã, a sentença divina em relação à “serpente” apresenta-se como profecia de luta de Jesus Cristo, descendente da mulher, contra o mal e contra o seu autor, descendente da antiga “serpente” simbólica” nesta passagem apresentada.
Oportuna são as palavras do Papa Francisco sobre a ação do demônio:
“Não se dialoga com o demônio […] A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demónio e anunciar o Evangelho. […] Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demônio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, “como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8)” (Gaudete et Exsultate 158.161).
Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 4,13-5,1), o Apóstolo Paulo é para nós exemplo para vencermos as tribulações do cotidiano, na vivência da fé, mantendo vivo o ardor missionário, a confiança em Deus e sobretudo a confiança e esperança da vida eterna:
“A atitude de Paulo diante das tribulações serve de modelo para os cristãos de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribulações, quer derivem do exercício dos diversos ministérios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situações que derivam do próprio ‘ser cristãos’ no mundo contemporâneo. É antes de mais uma atitude de fé e de confiança que tem a eternidade como fim bem visível” (1)
Paulo é um exemplo no exercício do Ministério a serviço da Igreja, não para a sua glória pessoal, e, com seu Ministério Apostólico, gera novos cristãos.
Vemos que o Apóstolo tem a esperança de estar para sempre em união perfeita com Cristo, bem como, no tempo presente, deseja ardentemente a comunhão com a comunidade, e isto o impulsiona em toda a sua missão.
Na passagem do Evangelho (Mc 3,20-35), temos revelada a identidade de Jesus – “Quem é Jesus?”.
Vemos que Ele não pactua com o Demônio, ao contrário, vem para libertar homens e mulheres de todos os tempos, e nisto consiste a realização da vontade de Deus, uma comunidade de libertos do Maligno, e de realizadores da vontade divina.
A verdadeira questão da passagem é sobre a identidade de Jesus, e o não reconhecimento d’Ele como enviado do Pai, assim como o não reconhecimento de Sua identidade divina; é o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, e este não tem perdão.
Portanto, para fazer parte da família de Jesus, é preciso que vivamos em total obediência à vontade de Deus, tendo a mesma atitude de Jesus na realização da vontade do Pai: o método para estabelecer uma relação de familiaridade com Jesus passa necessariamente pelo Seu seguimento, pois Ele é o primeiro a fazer a vontade de Deus, ainda que enfrentando a incompreensão e rejeição, e o Mistério da Paixão e Morte de Cruz.
Supliquemos a presença do Espírito Santo, para que, vigilantes na fé, não sucumbamos diante do poder do Maligno.
Procuremos em todos os momentos e lugares fazer a vontade de Deus, assim como Jesus o fez, para que sejamos membros de Sua família.
Tão somente assim, poderemos rezar a Oração que Ele nos ensinou, de modo especial, ao dizermos: – “Seja feita a Vossa vontade”; “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.
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