sexta-feira, 2 de maio de 2025

Toda fome pode ser saciada

                                                                  

Toda fome pode ser saciada

Na Liturgia da Palavra da 2ª sexta-feira do Tempo da Páscoa,  ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 6, 1-15), em que é narrado o sinal que Jesus fez no deserto, celebrando com a multidão o Banquete da Vida, em oposição ao banquete de Herodes, o banquete da morte, o sacrifício voraz de vidas inocentes e justas, como a vida de João Batista. 

De outro lado, no Banquete de Jesus, há credenciais exigidas para autêntica participação:

O amor de compaixão, a solidariedade, a confiança na providência de Deus, a gratidão, a bênção, e a consciência de que os bens de graça, d’Ele, recebidos devem ser generosamente partilhados.

O pão, que recebemos de Deus, cotidianamente, por Ele abençoado e por nós partilhado, ganha um novo sabor.

No Banquete da Vida de Nosso Senhor, não há como se omitir diante da dor, da fome, da miséria da existência humana: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

É possível superar esta brutal realidade que rouba a beleza do Projeto Divino. O Profeta Isaías já anunciara a promessa messiânica, de restauração da vida, em que Deus nos chama a comer e a beber sem paga: vinho e leite, deleite e força, alegria, revigoramento...

O Profeta Eliseu também soube partilhar o pouco para saciar a fome de muitos (2 Rs 4,42-44).

Uma última exigência: Aprender a nova matemática de Deus: Na racionalidade da matemática humana 5+ 2 = 7, indiscutivelmente, logo os 5000 homens, sem contar mulheres e crianças, estariam condenados à fome, ao desalento...

Na racionalidade da Matemática Divina, 5 + 2 = plenitude, perfeição, tudo!

O milagre da multiplicação dos 5 pães e 2 peixes foi um sinal do Banquete Eucarístico que celebramos.

Temos tudo para saciar a fome da humanidade, pois os bens que de Deus recebemos, quando partilhados, são multiplicados.

Alimentando-nos de um pedaço de Pão e um pouco de Vinho, Corpo e Sangue do Senhor, prolongamos a celebração na vida, multiplicando gestos de compaixão, partilha, solidariedade, tornamo-nos promotores da justiça, da fraternidade, da vida e da paz.

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, no séc. I, num contexto de dominação e perseguição, nos exortava:

“Vosso Batismo seja a vossa arma; a fé, o vosso capacete; a caridade, a vossa lança; a paciência, a vossa armadura completa. As vossas obras sejam vosso depósito para receberdes em justiça o que vos é devido”.

Quando aprendizes da matemática divina, nada nos separará do Amor de Deus (Rm 8,35-39): nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada...

Quando aprendizes da matemática divina, intensificaremos nosso relacionamento com Deus, que é misericórdia, piedade, amor, paciência, compaixão, muito bom para com todos e pleno de ternura que abraça toda criatura (Sl 144); aprenderemos também, como disse um autor desconhecido:

Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede. Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez. 
Somente o doente que visitamos poderá nos curar.

Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer.
Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar.
Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar”.

Somente a partir da matemática de Deus é que teremos o sinal de um novo céu e uma nova terra, pois a lógica divina não é a lógica fria e irracional, mas a lógica da compaixão, amor, solidariedade e partilha que multiplica, abundantemente, em nós, todas as graças divinas.

 Matemática de Deus: 
Uma bela lição a aprender. 
Aleluia!

PS: Oportuna para o 17º Domingo do Tempo Comum - Ano B

Com Jesus, Nosso Senhor, aprendamos a amar e partilhar

                                          

Com Jesus, Nosso Senhor, aprendamos a amar e partilhar

 

 “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos

que estavam sentados, tanto quanto queriam.

E fez o mesmo com os peixes.” (Jo 6,11)

 

A Liturgia, da Sexta-feira da 2ª Semana do Tempo Pascal, nos convida a refletir sobre a realidade da fome em sua múltipla expressão, e a ação de Deus em nosso favor, para que esta seja saciada em plenitude, e também nos exorta aos necessários compromissos de amor e partilha.

No Antigo Testamento, na passagem do Livro dos Reis (2 Rs 4, 42-44), com o Profeta Eliseu, aprendemos que a multiplicação de gestos de partilha e generosidade para com os irmãos revelam a presença de Deus, que vem ao nosso encontro para saciar a fome do mundo.

O Profeta Eliseu viveu um período muito conturbado, com a multiplicação das injustiças contra os pobres e as arbitrariedades contra os fracos, acompanhado da infidelidade a Deus na violação da Aliança.

A descrição contida na passagem nos revela que, quando o homem é capaz de sair do seu egoísmo, com a disponibilidade para a partilha dos dons recebidos das mãos de Deus, torna-se gerador de vida em abundância. Ainda que pareça paradoxal, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas geram vida em abundância: quanto mais se partilha, mais se tem.

A ação de Deus se revela na ação dos pobres, que partilham com amor e generosidade, sem espetáculos. Deus quer precisar de nós, de nossa generosidade e bondade. Criando-nos sem a nossa participação, não quer nos salvar sem a mesma, como disse Santo Agostinho.

Voltando à passagem do Evangelho (Jo 6  1-15), com a multiplicação dos pães e peixes, Jesus nos convida a passar da escravidão à liberdade, da lógica do egoísmo à lógica do amor e da partilha.

Ainda podemos dizer que o capítulo 6 deste Evangelho é uma Catequese sobre Jesus, o Pão da Vida, que sacia a fome de vida plena de toda a humanidade em todos os tempos. É bom lembrar que não se trata apenas da fome do pão material, mas de outras tantas fomes: amor, liberdade, justiça, paz, esperança, fraternidade, solidariedade, alegria, ternura...

Alguns paralelos são notáveis:

- O Evangelista nos apresenta a ação libertadora de Jesus, de modo que Ele é o Novo Moisés, que tirará o povo da situação de miséria e escravidão em que se encontrava;

 

- O local em que Jesus realiza o sinal nos reporta ao Monte Sinai, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos;

- Com Moisés se deu a passagem da libertação da escravidão do Egito, e com Jesus temos a nova Páscoa, de modo especial a passagem da morte para a vida.

Outros elementos contidos na passagem, como também os gestos e palavras, revelam que a comunidade é constituída de gente simples e humilde, e com vocação para o serviço, que se expressa na partilha e solidariedade. Tão somente assim ela passa a viver a nova lógica proposta por Jesus.

É preciso substituir o egoísmo pelo amor e pela partilha. Jesus é a revelação do Deus que Se revestiu de nossa humanidade, e veio ao nosso encontro para revelar o amor Trinitário, fonte de vida plena e fraterna.

Com Jesus, vivendo a Sua Palavra, acolhida de modo especial na Eucaristia que celebramos, tornamo-nos partícipes de uma sociedade da saciedade, e não de uma sociedade com o pecado da desigualdade, da fome e da morte.

A caridade vivida em relação ao outro, sobretudo aos pobres, revela a autenticidade de nosso discipulado. Deste modo a comunidade tem que ser sempre um lugar deste aprendizado que nunca termina.

Sintamo-nos questionados e inquietos sobre os “pães e peixes” que temos para partilhar: amor, amizade, tempo, sorriso, dons, etc. Ainda que tenhamos pouco aos olhos humanos, quando partilhado com amor, torna-se multiplicado aos olhos de Deus.

Não há ninguém neste mundo que não tenha nada a partilhar ou algo a receber. E assim, todos nos enriquecemos, quando aprendemos e reaprendemos a alegria da partilha que o Senhor nos ensina, como expressão do amadurecido amor.

O Reino de Deus acontece quando não partilhamos o que sobra, mas até mesmo o que possa nos faltar. Se assim realizado, não falta, multiplica, e todos somos saciados e alcançamos a verdadeira felicidade.

Renovemos, portanto, a certeza de que quando colocamos nas mãos de Deus o que temos e o que somos, Ele faz o milagre acontecer!  

A fé no Ressuscitado, o amor e a partilha (17/04)

                                                             

A fé no Ressuscitado, o amor e a partilha

Na Liturgia da 2ª sexta-feira do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 6,1-15), em que Jesus realiza o sinal da multiplicação dos cinco pães e dois peixes.

Oportuna é a reflexão de Santo Hilário de Potiers, Doutor da Igreja (séc. IV).

“Como os discípulos lhe aconselhavam a que enviasse as multidões para as cidades mais próximas para que pudessem comprar alimentos, ele lhes respondeu:

‘Não há necessidade de irem’. Assim demonstra que aqueles dos quais cuidava não necessitavam se alimentar de uma doutrina colocada à venda, e também não tinham necessidade de voltar para a Judeia para comprar alimentos; por isso manda aos Apóstolos que lhes deem sua própria comida.

Acaso o Senhor desconhecia que os apóstolos não tinham nada para dar-lhes? Aquele que conhecia as profundezas do espírito humano não conhecia, acaso, a pequena quantidade de comida que as mãos dos Apóstolos possuíam?

Na verdade, era necessário manifestar completamente uma razão tipológica. Ele ainda não tinha concedido aos Apóstolos o consagrar e o oferecer o Pão do Céu como Alimento de Vida Eterna. Por isso Sua resposta era dirigida para a compreensão espiritual.

De fato, eles responderam que só tinham cinco pães e dois peixes, porque ainda se encontravam sob o império dos cinco livros da Lei – os cinco pães -, e se alimentavam do ensinamento de dois peixes, ou seja, dos Profetas e de João.

Nas obras da Lei a vida estava como no pão, e a pregação dos Profetas e de João reanimava a esperança da vida humana mediante a força da água.

Assim, os Apóstolos ofereceram estas coisas em primeiro lugar porque ainda se encontravam debaixo daquele regime. Mas também indica que a pregação dos Evangelhos, difundindo-se a partir dessas origens, se desenvolve fazendo crescer mais e mais sua força.

O Senhor tinha tomado os pães e os peixes. Levantou os olhos ao céu, disse a bênção e os partiu, ao mesmo tempo em que dava graças ao Pai porque, depois do tempo da Lei e os Profetas, Ele Se transformava em Alimento evangélico.

Em seguida o povo foi convidado a sentar-se na relva. Já não está estendido sobre a terra sem motivo, mas apoiado na Lei, e cada um se estende sobre os frutos de seu trabalho como sobre a erva da terra.

Os pães foram dados também aos Apóstolos: é através deles que os dons da graça divina deviam repartir-se. O povo se alimentou dos cinco pães e dos dois peixes e, uma vez saciados os convidados, os pedaços de pão e de pescado eram tantos que encheram doze cestos.

Isto quer dizer que a multidão se saciou com a Palavra de Deus que vem do ensinamento da Lei e dos Profetas, e em seguida do ministério do Alimento eterno. A abundância do poder divino reservada para os povos pagãos transborda até a plenitude dos doze Apóstolos. (1)

Destaco o paralelo feito entre os cinco pães e os dois peixes:

- Cinco pães, aludindo aos cinco Livros da Lei, aos cinco primeiros Livros da Sagrada Escritura (Pentateuco): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio;

- Os dois peixes aludindo aos Profetas que precederam Jesus e o último dos Profetas, João Batista.

De fato, todos ainda estavam ancorados na Antiga Aliança, sob a Lei e os Profetas.

Com Jesus, inaugura-se um novo tempo, e Ele veio dar pleno cumprimento da Lei e dos Profetas, como vemos na Sua Transfiguração, no Monte Tabor, com a presença de Moisés e Elias (o primeiro simbolizando a Lei, e o segundo os Profetas).

Jesus é Aquele que vem trazer o Alimento Eterno, Ele próprio Se dá em verdadeira Comida e verdadeira Bebida (Jo 6).

Iluminados por Sua Palavra de Vida Eterna, aprendizes e obedientes a Seus Ensinamentos, e também por Ele saciados com o Pão Vivo e Verdadeiro, somos chamados a viver com alegria, o amor e a partilha, inseridos numa nova lógica, que vai gerar um mundo novo.

O sinal realizado tem tons Eucarísticos, prefigura o Banquete Provisório da Eucaristia, que nos prepara para o Banquete de Eternidade, como tão bem expressou o Salmista (Sl 23).

A multiplicação dos pães e peixes é a mais bela lição de amor e partilha, condição indispensável para uma sociedade da saciedade, e não da fome, da morte, da exploração do outro.

Vivamos, não mais sob o jugo da Lei, mas iluminados e conduzidos pelo Espírito; saibamos colocar nossos pães e peixes em comum, para que todos tenham vida plena e feliz.

O Sinal realizado aponta para um mundo novo que todos temos que construir, aprendendo os sagrados ensinamentos do Divino Mestre do Amor e da Partilha: Jesus.


Lecionário Patrístico Dominical – Ed. Vozes - Pág. 436-437.

Rezando com os Salmos - Salmo 36(37)

 


Peregrinos da esperança e a mansidão necessária


“– 1 Não te irrites com as obras dos malvados
nem invejes as pessoas desonestas;

– 2 eles murcham tão depressa como a grama,
como a erva verdejante secarão.

– 3 Confia no Senhor e faze o bem,
e sobre a terra habitarás em segurança.

– 4 Coloca no Senhor tua alegria,
e ele dará o que pedir teu coração.

– 5 Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino;
confia nele, e com certeza ele agirá.

– 6 Fará brilhar tua inocência como a luz,
e o teu direito, como o sol do meio-dia.

– 7 Repousa no Senhor e espera nele!
Não cobices a fortuna desonesta,

– nem invejes quem vai bem na sua vida
mas oprime os pequeninos e os humildes.

– 8 Acalma a ira e depõe o teu furor!
Não te irrites, pois seria um mal a mais!

– 9 Porque serão exterminados os perversos,
e os que esperam no Senhor terão a terra.

– 10 Mais um pouco e já os ímpios não existem;
se procuras seu lugar, não o acharás.

– 11 Mas os mansos herdarão a nova terra,
e nela gozarão de imensa paz.

– 12 O pecador arma ciladas contra o justo
e, ameaçando, range os dentes contra ele;

– 13 mas o Senhor zomba do ímpio e ri-se dele,
porque sabe que o seu dia vai chegar.

– 14 Os ímpios já retesam os seus arcos
e tiram sua espada da bainha,

– para abater os infelizes e os pequenos
e matar os que estão no bom caminho;

– 15 mas sua espada há de ferir seus corações,
e os seus arcos hão de ser despedaçados.

– 16 Os poucos bens do homem justo valem mais
do que a fortuna fabulosa dos iníquos.

– 17 Pois os braços dos malvados vão quebrar-se,
mas aos justos é o Senhor que os sustenta.

– 18 O Senhor cuida da vida dos honestos,
e sua herança permanece eternamente.

– 19 Não serão envergonhados nos maus dias,
mas nos tempos de penúria, saciados.

– 20 Mas os ímpios com certeza morrerão,
perecerão os inimigos do Senhor;

– como as flores das campinas secarão,
e sumirão como a fumaça pelos ares.

– 21 O ímpio pede emprestado e não devolve,
mas o justo é generoso e dá esmola.

– 22 Os que Deus abençoar, terão a terra;
os que ele amaldiçoar, se perderão.

– 23 É o Senhor quem firma os passos dos mortais
e dirige o caminhar dos que lhe agradam;

– 24 mesmo se caem, não irão ficar prostrados,
pois é o Senhor quem os sustenta pela mão.

= 25 Já fui jovem e sou hoje um ancião,
mas nunca vi um homem justo abandonado,
nem seus filhos mendigando o próprio pão.

– 26 Pode sempre emprestar e ter piedade;
seus descendentes hão de ser abençoados.

– 27 Afasta-te do mal e faze o bem,
e terás tua morada para sempre.

– 28 Porque o Senhor Deus ama a justiça,
e jamais ele abandona os seus amigos.

– Os malfeitores hão de ser exterminados,
e a descendência dos malvados destruída;

– 29 mas os justos herdarão a nova terra
e nela habitarão eternamente.

– 30 O justo tem nos lábios o que é sábio,
sua língua tem palavras de justiça;

– 31 traz a Aliança do seu Deus no coração,
e seus passos não vacilam no caminho.

– 32 O ímpio fica à espreita do homem justo,
estudando de que modo o matará;

– 33 mas o Senhor não o entrega em suas mãos,
nem o condena quando vai a julgamento.

– 34 Confia em Deus e segue sempre seus caminhos;
ele haverá de te exaltar e engrandecer;

– possuirás a nova terra por herança,
e assistirás à perdição dos malfeitores.

– 35 Eu vi o ímpio levantar-se com soberba,
elevar-se como um cedro exuberante;

– 36 depois passei por lá e já não era,
procurei o seu lugar e não o achei.

– 37 Observa bem o homem justo e o honesto:
quem ama a paz terá bendita descendência.

– 38 Mas os ímpios serão todos destruídos,
e a sua descendência exterminada.

– 39 A salvação dos piedosos vem de Deus;
ele os protege nos momentos de aflição.

= 40 O Senhor lhes dá ajuda e os liberta,
defende-os e protege-os contra os ímpios,
e os guarda porque nele confiaram.”
 

Com o Salmo 36(37), refletimos sobre o destino dos maus e dos bons:

“Este salmo alfabético procura ensinar uma atitude de fé: dar mais valor à vida com Deus do que a felicidade passageira dos maus, e acreditar que realmente feliz é só o justo que confia em Deus.” (1)


Nisto consiste a Bem-Aventurança que o Senhor Jesus nos apresentou no Sermão da Montanha:

“Bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra.” (cf. Mt 5,5).

Roguemos a Deus a mansidão e sabedoria necessárias para que firmemos nossos passos, como peregrinos da esperança, na fidelidade ao projeto de Deus a nós confiado, com renovados compromissos com a promoção do bem, porque tão somente assim, felicidade plena alcançaremos. Amém.

 




(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 756

Em poucas palavras...

                                                             


O poder do Espírito Santo

“Pelo poder do Espírito Santo, nós tomamos parte na Paixão de Cristo, morrendo para o pecado, e na Sua Ressurreição, nascendo para uma vida nova. Somos os membros do Seu corpo, que é a Igreja (1 Cor 12), os sarmentos enxertados na videira, que é Ele próprio (Jo 15,1-4):

‘É pelo Espírito que nós temos parte em Deus. [...] Pela participação no Espírito, tornamo-nos participantes da natureza divina [...]. É por isso que aqueles em quem habita o Espírito são divinizados’.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 1988 – citando Santo Atanásio.

Cremos na divindade e humanidade de Jesus

Cremos na divindade e humanidade de Jesus

No dia dois de maio, celebramos a Memória de Santo Atanásio (séc. IV), Bispo, que acompanhou o Bispo Alexandre, a quem sucedeu no episcopado.

Combateu corajosamente contra os arianos, e, consequentemente, enfrentou sofrimentos, sendo várias vezes condenado ao exílio.
Este Sermão é um dos seus escritos na defesa da verdadeira fé, sobre a Encarnação do Verbo.

“O Verbo de Deus, incorpóreo, incorruptível e imaterial, veio habitar no meio de nós, se bem que antes não estivesse ausente. De fato, nenhuma região do mundo jamais esteve privada de Sua presença, porque, pela união com Seu Pai, Ele estava em todas as coisas e em todo lugar.

Por amor de nós, veio a este mundo, isto é, mostrou-Se a nós de modo sensível. Compadecido da fraqueza do gênero humano, comovido pelo nosso estado de corrupção, não suportando ver-nos dominados pela morte, tomou um corpo semelhante ao nosso.

Assim fez para que não perecesse o que fora criado nem se tornasse inútil a obra de Seu Pai e Sua ao criar o homem. Ele não quis apenas habitar num corpo ou somente tornar-Se visível. Se quisesse apenas tornar-Se visível, teria certamente assumido um corpo mais excelente; mas assumiu o nosso corpo.

Construiu no seio da Virgem um templo para Si, isto é, um corpo; habitando nele, fê-lo instrumento mediante o qual se daria a conhecer. Assim, pois, assumindo um corpo semelhante ao nosso, e porque toda a humanidade estava sujeita à corrupção da morte, Ele, no Seu imenso amor por nós, ofereceu-o ao Pai, aceitando morrer por todos os homens.

Deste modo, a lei da morte, promulgada contra a humanidade inteira, ficou anulada para aqueles que morrem em comunhão com Ele. Tendo ferido o corpo do Senhor, a morte perdeu a possibilidade de fazer mal aos outros homens, seus semelhantes. Além disso, reconduziu o gênero humano da corrupção para a incorruptibilidade, da morte para a vida, fazendo desaparecer a morte – como a palha é consumida pelo fogo – por meio do corpo que assumira e pelo poder da Ressurreição.

Assumiu, portanto, um corpo mortal, para que esse corpo, unido ao Verbo que está acima de tudo, pudesse morrer por todos. E porque era habitação do Verbo, o corpo assumido tornou-se imortal e, pelo poder da Ressurreição, remédio de imortalidade para toda a humanidade. Entregando à morte o corpo que tinha assumido, Ele o ofereceu como sacrifício e vítima puríssima, libertando assim da morte todos os seus semelhantes; pois o ofereceu em sacrifício por todos.

O Verbo de Deus, que é superior a todas as coisas, entregando e oferecendo em sacrifício o Seu corpo, templo e instrumento da divindade, pagou com a Sua morte a dívida que todos tínhamos contraído. Deste modo, o Filho incorruptível de Deus, tornando-Se solidário com todos os homens por um corpo semelhante ao seu, tornou a todos participantes da Sua imortalidade, a título de justiça com a promessa da imortalidade. Por conseguinte, a corrupção da morte já não tem poder algum sobre os homens, por causa do Verbo que por meio do Seu corpo habita neles”.

Jesus, tendo Se encarnado, assumiu nossa condição corpórea, fazendo-Se igual a nós, exceto no pecado, para nos redimir:

“Construiu no seio da Virgem um templo para si, isto é, um corpo; habitando nele, fê-lo instrumento mediante o qual se daria a conhecer. Assim, pois, assumindo um corpo semelhante ao nosso, e porque toda a humanidade estava sujeita à corrupção da morte, ele, no seu imenso amor por nós, ofereceu-o ao Pai, aceitando morrer por todos os homens”.

Oremos:
“Deus eterno e todo-poderoso, que nos destes em Santo Atanásio um exímio defensor da divindade de Vosso Filho, concedei-nos, por sua doutrina e proteção, crescer continuamente no Vosso conhecimento e no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém”.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Celebremos o Aniversário da Dedicação de nossa Igreja Catedral

                                                       


Celebremos o Aniversário da Dedicação de nossa Igreja Catedral

No dia 1º de maio de 2025, Festa de São José Operário,  celebraremos 39 anos da instalação de nossa amada Diocese e 16 anos da dedicação de nossa Igreja Catedral. Uma bela história para celebrar no altar do Senhor.

Sempre oportuno e necessário, para bem celebrar, conhecermos um pouco da sua história:

- A Diocese pertence à Província Eclesiástica de Diamantina e foi criada a 18 de dezembro de 1985 pela Bula Pontifícia “Recte Quidem”, do Papa São João Paulo II, tendo seu território desmembrado da Arquidiocese de Diamantina e das Dioceses de Governador Valadares e Itabira - Coronel Fabriciano;

- Sua instalação solene aconteceu em 1º de maio de 1986, pelo Exmo. e Revmo. Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Carlo Furno, que também, nesta data, deu posse ao primeiro Bispo Diocesano, Dom Antônio Felippe da Cunha, SDN (Missionário Sacramentino de Nossa Senhora).

Quanto à Igreja Catedral, assim lemos na placa comemorativa da dedicação da Igreja Catedral da Diocese de Guanhães – MG:

“No ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2009, sendo pontífice S. S. o Papa Bento XVI, Bispo Diocesano Dom Emanuel Messias de Oliveira, esta Catedral foi dedicada a Deus em honra do Arcanjo São Miguel. Guanhães, 1° de maio de 2009.”

A Igreja Catedral, conforme nos ensina a Igreja, tem extrema importância:

- “Inculque-se no espírito dos fiéis, da maneira mais oportuna, o amor e veneração para com a Igreja Catedral. Para isto, muito contribui a celebração do aniversário da sua dedicação, bem como peregrinações dos fiéis em piedosa visita, sobretudo em grupos organizados por paróquias ou regiões da diocese.”   (1)

- “Para melhor realçar a importância e dignidade da Igreja particular, festejar-se-á o aniversário da dedicação da sua Igreja Catedral: na própria Igreja Catedral, com o grau de solenidade; nas restantes Igrejas da diocese, com o grau de festa. Isto, no próprio dia em que ocorrer o aniversário da dedicação. Se esse dia estiver perpetuamente impedido, esta celebração será fixada no dia livre mais próximo. O aniversário da dedicação de Igreja própria será, nela, celebrada com o grau de solenidade.”  (2)

Agradecemos a Deus pela graça de uma bela Igreja Catedral, com traços modernos, e de uma beleza indizível, que nos favorece o bem celebrar, o recolhimento, a oração, e a renovação das forças para que no cotidiano vivamos nossa fé, como peregrinos de esperança, com gestos e compromissos com a caridade em todos os momentos e âmbitos:

 “Pela sua força simbólica, a Catedral converte-se em casa de oração, em escola da verdade, lugar de escuta da Palavra e lugar de elevação do espírito e de encontro com Deus. Amar e venerar a Catedral é amar a Igreja como comunidade de pessoas unidas pela mesma Fé, pela mesma Liturgia e Caridade. É fundamental que a Catedral, presidida pelo Bispo com a participação do povo que forma a comunidade diocesana, seja expressão da Igreja Local viva e peregrina. Espera-se também que a Catedral seja um centro modelador da Liturgia, da Evangelização, da Cultura e da Caridade sendo assim expressão e sinal de toda a vida da comunidade diocesana.” (3)

Com isto, temos um longo caminho a percorrer, para maior valorização da Igreja Catedral, para que não seja apenas um espaço, um prédio, mas realização de tudo quanto ela significa e nos desafia, sobretudo na ação evangelizadora, como Igreja sinodal, misericordiosa e missionária, em que nos faz cada vez mais compassivos, próximos e solidários com quem mais precisar; alegres, convictos, amorosos, zelosos e ardorosos arautos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(1) Cerimonial dos bispos n. 45

(2)Idem n. 878


(3)https://diocese-braga.pt/documento/2022-08-28-o-eixo-de-uma-catedral-34709-1


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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG