sexta-feira, 25 de abril de 2025

Para sempre me seduziste, Senhor (10/04)

 


                        Para sempre me seduziste, Senhor

Numa tarde, à  beira do mar da minha existência,

Teu olhar se fixou em meus olhos, sem nada dizer.

E ao mesmo tempo, falou para sempre em minh’alma.

Deixei tudo e me pus para sempre a seguir-Te

 

Tuas mãos me foram suavemente estendidas,

Levantou-me da poeira da miséria que sozinho seria,

E em todo o tempo, Tuas mãos seguram as minhas,

Para que, sempre abertas, abençoem e se solidarizem.

 

.Meus pés foram curados para me por sempre a caminho,

Me deste as sandálias para suportar eventuais pedras,

Das quais quem Te segue não está isento, jamais livre

Mas protegido, firmado, seguindo firme seu destino.

 

Em meus lábios estão Tuas Palavras, que antes colocastes,

Nas entranhas do meu coração, para serem proclamadas

Palavras que ora exortam, animam, corrigem, reorientam,

Palavra que, se acolhida e crida, frutos abundantes concedes.

 

Ressoou para sempre Teu doce e suave convite:

“Vinde a mim, vós que estais cansados e fatigados,

Pois meu fardo é leve e meu jugo é suave” (Mt 11,28-30)

Em teu peito reclinamos, como teu amado discípulo.

 

Teu olhar, Teu convite, Tuas Palavras, sedução divina

Tão humano, tão divino, quero ser uma resposta

A Ti que, por misericórdia, desceste ao nosso encontro,

E nós, em nossa infinita miséria, caímos, mas em Ti confiamos. Amém.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

A missão da comunidade Pascal (09/04)

                                                                

A missão da comunidade Pascal 

Na quinta-feira da oitava da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,35-48), e refletimos sobre a dinâmica da Vida Nova que brota da experiência da Ressurreição na vida dos discípulos, e o testemunho de que Ele está Vivo. 

Jesus Ressuscitado é o centro da comunidade reunida; sempre presente no caminho e na missão do discípulo, e é necessário coragem para testemunhar e anunciar a Palavra do Ressuscitado. 

Como vemos na passagem, os discípulos, na escuta da Palavra e na partilha do Pão, sentem e reconhecem a presença do Ressuscitado. 

Somente no amor e na fraternidade a comunidade é capaz de enxergar e tornar visível a presença do Ressuscitado. 

Deste modo, a Ressurreição é a prova de que Deus dá razão a Jesus e que Seu Amor é mais forte que a morte. 

Crer na Ressurreição é a grande força que move a ação da comunidade, pois ela é, na exata medida, a vitória do Projeto de Jesus. 

A Ressurreição é um fato real, mas não pode ser provado cientificamente. A comunidade teve que percorrer um longo e difícil caminho para o reconhecimento da presença de Jesus Vivo e Ressuscitado. Foi inevitável a dúvida, a incerteza, o medo, a fragilidade... até que pudesse passar da incredulidade à fé. 

Alegremo-nos, pois somente a presença do Ressuscitado traz a verdadeira paz, e nos comunica o “shalom”: harmonia, serenidade, confiança, a vida plena. 

A comunidade crê n’Aquele que foi rebaixado pelos injustos, desceu à mansão dos mortos, foi reerguido por Deus, mostrado glorioso aos que n’Ele acreditaram.

Com isto, a comunidade deve crescer no amor mútuo, na fraternidade, tornando visível a presença do Ressuscitado.

Na  intimidade Eucarística, Ele nos dirige Sua Palavra e nos dá o Seu Corpo e Sangue: Verdadeira Comida e Verdadeira Bebida.

A ação do discípulo é a continuidade da missão do próprio Jesus. Ele continua a obra redentora do Salvador, d’Aquele que foi morto e Ressuscitado. 

Reflitamos: 

- Qual é o caminho para a descoberta e encontro com o Ressuscitado?

- Temos sentido a presença do Ressuscitado através da Palavra Proclamada, ouvida, acolhida e vivida? 

- Jesus Ressuscitado tem centralidade em nossa comunidade?

Observando os Mandamentos divinosDeus Se torna uma Verdade em nós. Portanto, amemos a Deus e acreditemos no Filho amado! Escutemo-Lo, pois Ele venceu o mundo! A vida venceu a morte. 

Amém. Aleluia! Aleluia!

A Jesus, toda honra, glória, poder e louvor (09/04)

 


A Jesus, toda honra, glória, poder e louvor

Livrai-nos, Senhor Jesus, do perigo que ameaça constantemente a Vossa Igreja de se fazer fim e não meio, de levar a todas as pessoas ela mesma não Vós, que sois o Cristo, o Filho de Deus, Redentor e Salvador de toda a humanidade.

Ajudai-nos a aprender com o Vosso Apóstolo Pedro que, interpretando o milagre do aleijado, afirmou com veemência que é obra de Deus, não dele próprio, nem da própria Igreja.

Conduzir a Vossa igreja para que ela seja apenas “testemunha” da obra de Deus, sinal e instrumento de salvação, mas não o centro, pois o centro está além, pois é Deus que nela opera, age e realiza todos os sinais, por meio da ação do Espírito.

A Vós, rendemos toda honra, glória, poder e louvor, e suplicamos que nos ajudai, para que sejamos uma Igreja pobre, semelhante a “serva” de Seu Senhor, Cristo.

Como Igreja, peregrinando, anunciemos com palavras e ações o Vosso Mistério, Vós que fostes rejeitado e crucificado, sois a nossa salvação, pois Deus Vos ressuscitou e Vos fez Senhor e autor de toda a vida., porque sois o Caminho, a Verdade e a Vida.

Concedei-nos que vivamos mortos para o pecado, e vivos para Deus, como nos falou o Apóstolo Paulo, e saibamos fazer a opção “radical”, de modo que Vos aceitemos, na fé, como “salvação” da própria vida, e jamais Vos negarmos ou Vos recursarmos. Amém. Aleluia.

Fonte: Comentário da passagem do Atos dos Apóstolos (At 3,11-26) - Missal Cotidiano - Editora Paulus - 1997 - p. 345-346

A fé no Ressuscitado é graça e missão (09/04)

                                                              

A fé no Ressuscitado é graça e missão

Reflexão sobre a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,35-48), proclamada na quinta-feira da oitava da Páscoa, na continuidade da manifestação do Senhor aos discípulos de Emaús.

A Ressurreição de Jesus não é uma ilusão, caso o fosse, nossa esperança seria vazia, ilusória, todas as nossas atividades vãs.

Porém, a Ressurreição de Jesus é a verdade fundamental e fundante de nossa vida cristã, e tudo ganha novo sentido a partir desta verdade, que cremos e testemunhamos com palavras e ações.

O Missal Cotidiano nos enriquece com este Comentário:

“A comunidade apostólica afirmou fortemente a ’realidade’ da Ressurreição de Jesus, a identidade e ao mesmo tempo a diversidade entre o Crucificado e o Ressuscitado... faz entrar a aparição de Jesus no esquema do encontro humano, sublinhando que Jesus está verdadeiramente vivo, porque os Apóstolos veem, O tocam, comem com Ele. Não é um fantasma”

Vive Aquele que foi Crucificado, e Se comunica com os Seus discípulos, pois possui plena liberdade de Se manifestar onde e a quem quiser.

O Ressuscitado é o mesmo de antes, dando-Se a ver, mostrando Suas mãos e pés, é o Seu ser total, absolutamente vivo, não mais sujeito aos condicionamentos e limites da existência tão apenas humana.

Esta fé no Ressuscitado, no entanto, torna-se missão - “A fé pascal iniciada para os discípulos no encontro com o Ressuscitado, é a fé que cada cristão deve continuamente amadurecer na sua vida”.

Deste modo, compreendemos a nossa missão de discípulos missionários do Senhor:

– “No Mistério da morte e Ressurreição, Jesus revelou-Se como o Messias, cumprimento da história da Salvação e mediador definitivo da Aliança divina para todos os homens. Se compreendermos isto, a nossa fé pode abrir-se à tarefa do testemunho e da missão. Acolher Jesus ressuscitado como ‘Senhor de todos’ comporta testemunhá-Lo a todos os homens”

Portanto, crendo na vida nova do Ressuscitado, crendo em Sua Ressurreição, tornamo-nos alegres e convictas testemunhas d’Ele no mundo, empenhados na realização do Reino por Ele inaugurado, vivendo a cada dia nosso discipulado no mistério de renúncias e carregando a nossa cruz, iluminados por Sua Palavra e alimentados pelo Seu Corpo e Sangue. Amém. Aleluia! Aleluia!



(1) Lecionário Comentado – Volume Quaresma Páscoa – pág.347
(2) Idem – pág.387 
(3) Idem – pág.388 

O Senhor está vivo em nosso meio. Aleluia! (09/04)

                                                                


O Senhor está vivo em nosso meio. Aleluia!

“...O próprio Jesus apareceu no meio deles
e lhes disse: 'A paz esteja convosco!'”

Nestes dias em que, com toda a Igreja, celebramos o transbordamento da Alegria Pascal, à luz da passagem do Evangelho da quinta-feira da Oitava da Páscoa (Lc 24,35-48), ofereço uma breve súplica.

Oremos:

Senhor, quando, como comunidade, nos reunimos, 
fazemos a indizível experiência pascal, 
a divina experiência de Vossa Presença, Ressuscitado e glorioso.

Vossa presença, Senhor, é a manifestação do Deus da Paz, 
o Deus real, vivo e verdadeiro, solidário com a humanidade,
sempre participando de nossas vidas, ainda que não sejamos capazes de perceber.

Vossa presença faz com que nossa comunidade se torne evangelizadora, 
pois a fé na Ressurreição é, necessariamente, missão.

Senhor, ajudai-nos a vencer todo medo, perplexidade, 
perturbação, inquietação da alma, dúvida, 
incredulidade,  desconfiança, desânimo, 
reconhecendo e crendo em Vossa presença em nosso meio, 
e com ela a plenitude da paz.

Ajudai-nos, Senhor, a reconhecer a Vossa presença, embora,
como os discípulos de Emaús, sejamos sem inteligência,
e lentos para compreender tudo que fizestes
por Amor em nosso favor.

Senhor, Vós que vivestes 
e testemunhastes fidelidade incondicional
de Amor ao Pai, e por isto não ficastes para sempre morto,
enviai o Vosso Santo Espírito, para que sejamos
testemunhas dos valores pelos quais morrestes.

Em comunhão convosco  vivamos mais autêntica comunhão entre nós, 
como Igreja e, como convictos e corajosos discípulos Vossos, 
tenhamos um olhar de fé e mãos mais solidárias para quem mais precisar,  
porque o coração ardente pela Vossa Palavra 
e nutridos pela Vossa Presença na Eucaristia, 
o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.  
Amém! Aleluia! Aleluia!

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Rezando com os Salmos - Salmo 32 (33)

 


“O Senhor é o nosso auxílio e proteção”

“–1 Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
Aos retos fica bem glorificá-Lo.

–2 Dai graças ao Senhor ao som da harpa,
na lira de dez cordas celebrai-o!
–3 Cantai para o Senhor um canto novo,
com arte sustentai a louvação!

–4 Pois reta é a Palavra do Senhor,
e tudo o que Ele faz merece fé.
–5 Deus ama o direito e a justiça,
transborda em toda a terra a Sua graça.

–6 A Palavra do Senhor criou os céus,
e o sopro de seus lábios, as estrelas.
–7 Como num odre junta as águas do oceano,
e mantém no seu limite as grandes águas.

–8 Adore ao Senhor a terra inteira,
e o respeitem os que habitam o universo!
–9 Ele falou e toda a terra foi criada,
Ele ordenou e as coisas todas existiram.

–10 O Senhor desfaz os planos das nações
e os projetos que os povos se propõem.
=11 Mas os desígnios do Senhor são para sempre,
e os pensamentos que Ele traz no coração,
de geração em geração, vão perdurar.

–12 Feliz o povo cujo Deus é o Senhor,
e a nação que escolheu por sua herança!
–13 Dos altos céus o Senhor olha e observa;
Ele se inclina para olhar todos os homens.

–14 Ele contempla do lugar onde reside
e vê a todos os que habitam sobre a terra.
–15 Ele formou o coração de cada um
e por todos os seus atos se interessa.

–16 Um rei não vence pela força do exército,
nem o guerreiro escapará por seu vigor.
–17 Não são cavalos que garantem a vitória;
ninguém se salvará por sua força.

–18 Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,
e que confiam esperando em seu amor,
–19 para da morte libertar as suas vidas
e alimentá-los quando é tempo de penúria.

–20 No Senhor nós esperamos confiantes,
porque Ele é nosso auxílio e proteção!
–21 Por isso o nosso coração se alegra n’Ele,
seu Santo nome é nossa única esperança.

–22 Sobre nós venha, Senhor, a Vossa graça,
da mesma forma que em Vós nós esperamos!”

Rezando o Salmo 32(33), um hino à providência de Deus, renovamos nossa confiança no Senhor, que é nosso auxílio e nossa proteção, porque por Ele todas as coisas foram feitas (cf. Jo 1,3):

“Aquele que fez os céus dizendo uma só palavra está presente na História com Sua Providência. Nossas forças não são um valor absoluto; é no Deus-Amor que colocamos nossa esperança.” (1)

Peregrinos da esperança somos, e precisamos contar com o auxílio e proteção do Deus-Amor, que jamais nos abandona, e nos assiste em todos os momentos, favoráveis ou adversos. Amém.

 

São Jorge, mais um vencedor do bom combate da fé! (23/04)

                                                               

São Jorge, mais um vencedor do bom combate da fé!

No dia 23 de abril a Igreja celebra a memória de São Jorge. Mais uma grande testemunha do Senhor dos primeiros séculos da Igreja (sua morte foi no ano de 303).

São Jorge foi invencivelmente protegido pelo estandarte da cruz, como poderemos ver no Sermão do Bispo São Pedro Damião (séc. XI:

“A Festa de hoje, caríssimos irmãos, renova a alegria pascal e, como pedra preciosa, faz brilhar com a beleza do próprio esplendor o ouro em que se engasta.

Jorge foi transferido de uma milícia para outra, porque deixou o cargo de oficial de um exército terreno para se dedicar à milícia cristã. Nesta, como valente soldado, começou por libertar-se dos bens terrenos, distribuindo-os aos pobres; assim, livre e desembaraçado, revestido com a couraça da fé, lançou-se na linha de frente do combate como valoroso guerreiro de Cristo.

Isto nos ensina claramente que não podem lutar com força e eficácia, em defesa da fé, aqueles que ainda têm medo de se despojar dos bens da terra.

Inflamado pelo fogo do Espírito Santo e invencivelmente protegido pelo estandarte da cruz, São Jorge combateu de tal modo contra o rei iníquo que, vencendo este enviado de Satanás, derrotou o chefe de toda iniquidade e estimulou os soldados de Cristo a lutarem com valentia.

Assistia ao combate o supremo e invisível Árbitro que, segundo os planos da Sua providência, permitiu que os ímpios o atormentassem. De fato, entregou o corpo de Seu mártir às mãos dos carrascos, mas guardou a sua alma com proteção constante no baluarte inexpugnável da fé.

Caríssimos irmãos, não nos limitemos a admirar este combatente do exército celeste, mas imitemo-lo também. Eleve-se o nosso espírito para o prêmio da glória celeste, contemplemo-lo com os olhos do coração. Assim não nos abalaremos nem pelo sorriso enganador do mundo nem pelas ameaças do seu ódio perseguidor.

Purifiquemo-nos de toda mancha na carne e no espírito, como nos manda São Paulo, para merecermos um dia entrar naquele templo da bem-aventurança, que por ora apenas entrevemos com o olhar do espírito.

Todo aquele que quer se oferecer a Deus em sacrifício no templo de Cristo, que é a Igreja, depois de lavar-se no banho sagrado do Batismo, tem ainda que se revestir com as vestes das várias virtudes, conforme está escrito:

Que os vossos sacerdotes se vistam de justiça (Sl 131,9). Quem pelo Batismo renasce como homem novo em Cristo, não se vestirá com a mortalha do homem velho, e sim com a veste do homem novo, vivendo sempre renovado numa vida pura.
Só assim, purificados da imundície da nossa antiga condição pecadora e brilhando pelo fulgor de uma vida nova, seremos dignos de celebrar o Mistério Pascal e imitarmos verdadeiramente o exemplo dos santos mártires”.

Contemplando tão belo testemunho de fidelidade ao Senhor, também sejamos, como São Jorge, fiéis testemunhas no bom combate da fé, confiando no poder e presença da força do Ressuscitado que vem em socorro de nossas fraquezas, até que um dia possamos ser merecedores da Coroa da Glória.

Oremos: 
Ó Deus onipotente, que a exemplo de São Jorge, grande Mártir, 
sejamos revestidos com a sua couraça, a sua espada, e seu escudo; 
que representam a fé, a esperança e a caridade.

Iluminai nossos caminhos e fortalecei
o nosso ânimo nas lutas da vida.

Dai-nos firmeza contra as tramas do maligno e de todo mal, 
para que, vencendo na terra, como São Jorge venceu, 
possamos triunfar no céu convosco,
 e participar das eternas alegrias.
Amém!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG