quarta-feira, 23 de abril de 2025

Santo Expedito: Mártir do Senhor (19/04)

      
   
Santo Expedito: Mártir do Senhor 

Santo Expedito, cuja Memória celebramos no dia 19 de abril, antes de sua conversão (final do séc. III), tinha vida devassa. Era comandante-chefe da XII Legião Romana, aquartelada na Cidade de Militene. 

Quando estava para se converter, apareceu-lhe um espírito mal, na forma de um corvo, grasnando crás que em latim significa “amanhã”, mas esse grande Santo pisoteou o corvo, bradando “Hodie”, que significa “hoje”, confirmando sua urgente conversão. 

Por isto, em uma das mãos, sustenta uma palma e uma cruz, que ostenta em letras visíveis  “Hodie”, em referência ao episódio do espírito do mal, que surgiu para adiar sua conversão; e calca com o pé, vitorioso, um corvo que se consome. 

As imagens de Santo Expedito o apresentam com traje legionário, vestido com túnica curta e de manto jogado militarmente atrás de espáduas com postura marcial. Cristão convertido, foi vítima, assim como toda a sua tropa, da ira do Imperador Diocleciano. 

A importância de seu posto fazia dele um alvo especial do ódio do imperador. Foi flagelado até sangrar e depois decapitado pela espada. 

Recorre-se a Santo Expedito, as pessoas com problemas urgentes e de difícil solução; e também é considerado protetor dos militares, estudantes, jovens e viajantes. 

Aprendemos com ele, que a conversão é cotidiana, e não programada para um amanhã. 

Todos precisamos de conversão e ela tem que ser hoje! 

Urge o empenho para que vivamos a vida nova dos filhos e filhas de Deus. 

Imitemos sua coragem, coerência no testemunho da fé até as últimas consequências, ainda que não tenhamos que chegar ao ato extremo do martírio a que foi submetido.  

Oremos:

“Ó Deus Pai, com os Anjos, Santos e Santas e com toda a Igreja,
Eu Vos louvo e bendigo pelo Seu amor
E pelas maravilhas que realizais.
 
Eu Te peço:
que pela força do testemunho
de fé de Santo Expedito
eu não caia na tentação de deixar a
minha conversão para amanhã,
 
Mas que eu seja perseverante na fé, hoje e sempre,
Em todas as circunstâncias e em todo o lugar.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo..." Amém!

Percorramos o itinerário da fé (23/04)

                                                     

Percorramos o itinerário da fé

Reflitamos sobre o itinerário da fé, que se faz necessário para que nos tornemos discípulos missionários do Senhor, como vemos na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 8,26-40).

Inicialmente, vemos o Diácono Filipe, na atenção ao anjo e atento às inspirações de Deus (At 8,26), coloca-se a caminho para anunciar a Boa-Nova Salvação.

Na abertura à mensagem do Anjo, parte com confiança, ainda que não saiba o que ou quem irá encontrar, colocando a sua vida entregue ao Senhor Jesus, por meio da Igreja, na comunhão ministerial dos Apóstolos (At 6, 35).

O Diácono coloca-se como um instrumento, para que a verdade de Cristo chegue aos corações, aqui representado pelo eunuco apresentado na passagem.

Note-se, que agora o diálogo do Diácono com o eunuco se dá sob a ordem do Espírito: – “Chega-te, e ajunta-te a esse carro (At 8,29). De fato o principal protagonista da evangelização é o Espírito Santo, como afirmou o Patriarca Atenágoras (1948-1972):

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos.

Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo Ressuscitado está presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a Comunhão Trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a Liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se diviniza”.

O eunuco, Ministro da rainha da Etiópia, lia sem entender o Profeta Isaías, e cabe a Filipe, levar o mesmo a reconhecer a partir do texto lido, a identificação com a pessoa de Jesus Cristo (At 8,32-35), e fazendo o itinerário da fé recebe o batismo ministrado pelo Diácono.

Temos aqui explicitado o itinerário da fé feito antes da recepção do Batismo:

1º - o anúncio de Jesus pelo ministro da Igreja;
2º - a adesão do ouvinte à pregação, pois a fé vem pelo ouvido (Rm 10,17);
3º - a recepção do Batismo, adesão à comunidade dos crentes, e a alegria da vida nova em Cristo.

Evidentemente, pressupõe um momento permanente após o Batismo, que é a sua vivência, o testemunho, não podendo se viver de qualquer modo, mas perfeitamente configurados a Cristo Jesus, tendo dele mesmos sentimentos ( Fl 2,5-11), vivendo mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6,11), em contínua conversão, buscando as coisas que vem do alto, como nos falou o Apóstolo Paulo (Cl 3,1-11).

Vivendo o Tempo Pascal, marcado pelo transbordamento da alegria da Ressurreição do Senhor, renovemos constantemente a escuta atenta da Palavra do Senhor, em adesão à mesma, colocando-a em prática, revigorados pelo Corpo e Sangue do Senhor, ainda que na comunhão espiritual, como têm sido neste tempo.

Oportuno retomar e aprofundar a Carta do Papa Francisco para a Celebração do 57º dia Mundial de Oração pelas vocações, em que ele nos apresenta a vocação a partir de quatro palavras: tribulação, gratidão, coragem e louvor (1).



Fonte: Igreja em Oração – Nossa Missa no dia a dia - abril 2020 – p.139.

A tríplice ação dos Apóstolos(08/04)

                                                         


A tríplice ação dos Apóstolos

Libertar, curar e firmar os passos

A passagem bíblica: Atos 3, 1-10,  proclamada na quarta-feira da oitava da Páscoa: .

Acontecimento: a cura de um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar, todos os dias, na porta do Templo, chamada formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam.

Ação dos Apóstolos Pedro e João: a cura do mesmo em nome de Jesus, o Nazareno, como assim ouvimos – Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3,6).

A cura realizada: “Pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar e entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus” (At 3, 7-8).

Refletindo

Os Apóstolos continuam a missão de Jesus Cristo Ressuscitado, com o mesmo poder: libertar, curar e firmar os passos daqueles que aderem à Boa-Nova do Evangelho.

Oremos:

Libertai-nos, Senhor, pelo Vosso poder, de toda e qualquer forma de indigência que nos roube a dignidade, o encantamento pela vida, condenando-nos a uma dependência que nos enfraquece e rouba as nossas forças e a graça de amar e servir ao nosso próximo.

Curai-nos, Senhor, pelo Vosso poder, de toda a forma de paralisia, que imobiliza e esvazia nosso ardor e compromisso com a inauguração do Reino de Deus, a fim de que vejamos novas relações marcadas por justiça, fraternidade, amor, vida e paz.

Firmai “nossos pés e tornozelos”, pelo Vosso poder, para que nos coloquemos a Caminho, que sois Vós mesmo, que nos conduz a Deus, na plena comunhão com Vosso Espírito, em frutuosa comunhão fraterna, com vida plena e feliz. Amém. Aleluia!

O Cristo Ressuscitado caminha conosco! Aleluia! (12/04) Ano B

                                                               

O Cristo Ressuscitado caminha conosco! Aleluia!

O Ano Litúrgico (ano B), começa com a quarta-feira de cinzas, e com ela o início do itinerário quaresmal, e fomos convidados à prática dos exercícios quaresmais (oração, jejum e esmola), um tempo de graça e reconciliação com Deus e com os irmãos.

No primeiro Domingo da Quaresma, fomos com Jesus ao deserto, e com Ele aprender e revigorar nossas forças para vencermos as tentações fundamentais da existência humana (ter, ser e poder – acúmulo, privilégios e dominação, respectivamente): aprendemos que nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus; que somente Deus pode ser adorado.

No segundo Domingo, subimos com Jesus ao Monte Tabor, e com Pedro, João e Tiago, vimos a manifestação antecipada de Sua glória, diante das testemunhas credíveis (Moisés e Elias), pois Jesus é o pleno cumprimento da Lei e dos Profetas, nestes dois mencionados. Deu esta graça da contemplação de Sua glória, para afastar o escândalo do iminente e aparente fracasso da cruz. Não há Glória sem o mistério da Paixão, morte e Cruz.

No terceiro Domingo, refletimos sobre a ação de Jesus na purificação do templo, e Se apresentando como o verdadeiro Templo, que haveria de ser destruído e reconstruído em três, prefigurando assim o Mistério de Sua Paixão e Morte e Ressurreição.

No quarto Domingo refletimos sobre a fidelidade de Deus à Sua Aliança com o Povo de Deus, e  a expressão máxima de Seu Amor enviando o Seu Filho para que o mundos seja salvo por Ele, pois Deus amou tanto o mundo e não poupou Seu próprio Filho, Jesus.

No último Domingo da Quaresma, refletimos sobre a hora da proximidade da Paixão e Morte do Senhor, a hora de Sua glorificação, quando nos fala do grão de trigo que deve morrer para não ser apenas um grão, mas produzir muitos frutos.

Iniciando a Semana Santa, no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, acolhemos Jesus em Jerusalém, com cantos, alegria, exultação. Acolhemos o Filho de Davi que veio inaugurar um novo Reino, mas de forma diferente: um rei pobre, despojado de tudo. Com ramos e cantos O acolhemos depositando n’Ele toda a nossa confiança, nossa entrega e fidelidade.

Com a Quinta-feira Santa, pela manhã, celebra-se, de modo especial neste dia, a Missa dos Santos Óleos (batismo, enfermo, crisma), com a renovação das promessas do Ministério Presbiteral diante do Bispo (em alguns lugares pode ser feita em outro dia, atendendo as necessidades e realidades de cada Diocese).

Neste mesmo dia, à noite, com iniciamos com a Santa Missa, o Tríduo Pascal. Celebramos na Missa a instituição da Eucaristia, o Novo Mandamento do Amor que o Senhor nos deu e o rito do lava-pés, aquele gesto que o Senhor fez naquela última ceia, como sinal de humildade, doação e serviço, que todos somos chamados a viver no dia-a-dia.

Na Sexta-Feira Santa, celebramos, às quinze horas, Sua Paixão e Morte: ouvindo a Palavra proclamada, adorando a Cruz e nos alimentando com a Eucaristia, consagrada na Missa da noite anterior, pois neste dia não celebramos a mesma.

É profundo recolhimento acompanhado de oração, jejum e penitência. Também temos encenações, Sermões, teatros que representam a Paixão do Senhor.

No dia seguinte, o Sábado Santo, em que não celebramos nenhum Sacramento, pois estamos esperando o anoitecer para celebrar a Vigília Pascal, a mãe de todas as vígilias, a antiquíssima vigília, como bem nos falou Santo Agostinho. Nesta Vigília temos a Bênção do fogo novo, o acender do Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, a “Luz do Mundo”; a proclamação da Páscoa seguida da riqueza da proclamação da Palavra de Deus (7 leituras, Salmos respectivos, uma epístola e o Evangelho); a renovação batismal e a Liturgia Eucarística.

Quem desta Vigília participa, sente a escuridão ser invadida pela luz, a tristeza da morte do Senhor sendo superada com a alegria de Sua Ressurreição, alegria que transborda no coração e transparece no olhar de todos.

Ao amanhecer, temos o Domingo de Páscoa, e no Evangelho da manhã, vemos Maria Madalena indo ao túmulo e não encontrando o corpo de Jesus, mas a pedra retirada do túmulo. Sai correndo ao encontro dos discípulos e comunica o que viu. Em seguida Pedro e o discípulo que Jesus amava vão também ao túmulo e confirmam que Jesus está vivo – “De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,90).

Com a riqueza da Palavra deste dia, podemos sintetizar em sete verbos a serem conjugados e vividos: amar, correr, ver, acreditar, anunciar, testemunhar e buscar.

Quem ama corre ao encontro do Senhor; vê os sinais de Sua presença e Ressurreição, acredita piamente; e como discípulo missionário, anuncia e testemunha Sua Palavra, a Boa-Nova do Reino, buscando as coisas do alto, onde Deus habita, os valores sagrados do Reino, que devem orientar e iluminar nossa vida, para que tenhamos, agora, vida plena e feliz, e, um dia, a glória da eternidade.

Na Missa do entardecer deste mesmo dia, pode ser proclamado a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35), sobre a caminhada de Jesus com os discípulos de Emaús: Jesus caminha com os discípulos que retornavam derrotados para Emaús, explica-lhes as Escrituras, fazendo arder seus corações. Atendendo ao pedido de ambos, pois já entardecia, fica com eles, parte o Pão com eles, e enfim é reconhecido como a presença Viva do Ressuscitado: corações que ardem, olhos que se abrem! Assim se dá em cada Eucaristia que celebramos.

No segundo Domingo da Páscoa celebraremos o “Domingo da Misericórdia”, em que Jesus se manifesta Ressuscitado, entrando pelas portas fechadas, por medo dos judeus; coloca-se no centro da comunidade reunida e lhes comunica a paz; confia continuidade da missão a esta, e também temos a profissão de fé que Tomé faz ao ver e tocar as chagas gloriosas do Ressuscitado (Jo 20,19-31).

Trata-se apenas do início. É preciso continuar o itinerário Pascal,  contemplando as maravilhas que o Senhor fez e faz em nosso favor.  Amém. Aleluia! Aleluia! 

terça-feira, 15 de abril de 2025

Em poucas palavras... (16/04)

                                             


A boa e necessária política

“Fundamental na vida do Brasil, passados sessenta anos do início da ditadura, a democracia ainda precisa de cuidado.

Depois do período de sistemáticos e ostensivos ataques, temos a oportunidade de fortalecê-la nas eleições municipais de 2024, através do voto consciente e livre.

A consciência cívica deverá estar a serviço dos mais profundos interesses do nosso povo, pois há exigências éticas para a realização do bem comum.

Por isso, os cristãos, leigos e leigas, não podem 1abdicar da participação na política (Christifideles Laici, 42).

Preocupa-nos que extremismos, desprezando o projeto de fraternidade social, façam do processo eleitoral um palco de intolerância e de ainda mais violência.” (1)

 

(1) Mensagem dos Bispos CNBB na 61ª  Assembleia CNBB (16/04/24)

 

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão (15/04)

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão

Na quarta-feira da 2ª semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 3,16-21), em nos fala do imenso amor de Deus por nós por meio do Seu Filho Jesus Cristo.

O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

No Antigo Testamento, encontramos na passagem do segundo Livro das Crônicas (2Cr 36,14-16.19-23), a possibilidade da contemplação do  o Amor de Deus.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 2,4-10), também nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus, somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
 De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e sejamos testemunhas do Ressuscitado?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

Alegremo-nos com a Ressurreição do Senhor! Empenhemo-nos para viver com mais ardor e entusiasmo a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, que tanto nos ama, e merece que sejamos melhores! Aleluia!  




PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

sexta-feira, 11 de abril de 2025

O bom combate da fé (11/04)

O bom combate da fé

“Viver uma fé Pascal consiste em assumir,
com coragem, o bom combate da fé”

No dia 11 de abril a Igreja celebra a Memória de Santo Estanislau, Bispo e Mártir (séc. XI). Ele governou a Igreja como bom pastor, socorrendo os pobres e com grande apreço pelo clero em suas visitas. Foi morto em 1079, sob a ordem do rei Boleslau, ao qual tinha censurado. (1)

A Liturgia das Horas nos apresenta uma reflexão sobre a necessária confiança em Deus no combate da fé, a partir da Carta de São Cipriano, Bispo e Mártir (séc. III), que muito nos ajudará na caminhada de fé em todo o tempo.

“Enquanto combatemos o bom combate da fé, Deus, os Seus Anjos e o próprio Cristo nos contemplam. Como é sublime a glória e magnífica a ventura de lutar na presença de Deus e sermos coroados por Cristo Juiz!

Revestidos de coragem e fortaleza, irmãos caríssimos, preparemo-nos para a luta com pureza do espírito, fé inquebrantável e generosa confiança. Avance o exército de Deus para a batalha que se nos declara.

O santo Apóstolo nos indica como nos devemos armar e preparar: Cingidos os rins com o cinturão da verdade, revestidos com a couraça da justiça, de pés calçados com o zelo de anunciar o Evangelho da paz, embraçando o escudo da fé para apagar todos os dardos inflamados do Maligno e tomando o capacete da salvação e a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.

Estas são as armas que devemos tomar, estas as defesas espirituais e celestes com que havemos de nos proteger, para podermos resistir e vencer os assaltos do demônio no dia da prova.

Revistamo-nos com a couraça da justiça, para que o nosso peito fique protegido e seguro contra os dardos do inimigo. Estejam os nossos pés calçados e armados com a doutrina evangélica, para que, ao pisarmos e esmagarmos a serpente, não sejamos mordidos nem vencidos.

Embracemos fortemente o escudo da fé, para que nele se extingam as setas inflamadas do inimigo. Tomemos também o capacete espiritual da salvação para proteger a nossa cabeça: os ouvidos, para não ouvirem os anúncios funestos; os olhos, para não verem as imagens detestáveis; a fronte, para conservar incólume o sinal de Deus; a boca, para confessar vitoriosamente a Cristo, o Senhor.

Armemos finalmente a nossa mão direita com a espada espiritual, para rejeitar com energia os sacrifícios funestos e, lembrando-nos da Eucaristia, tomemos o Corpo do Senhor e vivamos em união com Ele, esperando receber mais tarde das mãos do Senhor o prêmio das coroas celestes.

Fiquem estes pensamentos, irmãos caríssimos, bem gravados nos vossos corações. Se o dia da perseguição nos encontrar nestes pensamentos e meditações, o soldado de Cristo, instruído pelas suas ordens e conselhos, não temerá o combate e estará pronto para a coroa.”

Esta Carta é fundamental para que do bom combate não fujamos, lembrando do ensinamento da Igreja que diz“na vida de fé quem não avança, recua”.

Viver na fé, jamais foi sinônimo de evasão e facilidades. Desde o princípio, e até mesmo antes do Verbo fazer moradia entre nós, Profetas, justos, tementes a Deus não renunciaram ao Amor de Deus e Sua fidelidade.

O sangue de justos e inocentes banhou e marcou a história da humanidade, como o sangue de Santo Estanislau.

Que exemplos como estes, do Apóstolo Paulo, na Carta citado, e do próprio São Cipriano, nos encorajem no bom combate da fé, para que sejamos dignos de alcançar a coroa da glória (2Tm 4, 1-8).


Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG