terça-feira, 15 de abril de 2025

Em poucas palavras... (16/04)

                                             


A boa e necessária política

“Fundamental na vida do Brasil, passados sessenta anos do início da ditadura, a democracia ainda precisa de cuidado.

Depois do período de sistemáticos e ostensivos ataques, temos a oportunidade de fortalecê-la nas eleições municipais de 2024, através do voto consciente e livre.

A consciência cívica deverá estar a serviço dos mais profundos interesses do nosso povo, pois há exigências éticas para a realização do bem comum.

Por isso, os cristãos, leigos e leigas, não podem 1abdicar da participação na política (Christifideles Laici, 42).

Preocupa-nos que extremismos, desprezando o projeto de fraternidade social, façam do processo eleitoral um palco de intolerância e de ainda mais violência.” (1)

 

(1) Mensagem dos Bispos CNBB na 61ª  Assembleia CNBB (16/04/24)

 

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão (15/04)

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão

Na quarta-feira da 2ª semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 3,16-21), em nos fala do imenso amor de Deus por nós por meio do Seu Filho Jesus Cristo.

O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

No Antigo Testamento, encontramos na passagem do segundo Livro das Crônicas (2Cr 36,14-16.19-23), a possibilidade da contemplação do  o Amor de Deus.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 2,4-10), também nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus, somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
 De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e sejamos testemunhas do Ressuscitado?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

Alegremo-nos com a Ressurreição do Senhor! Empenhemo-nos para viver com mais ardor e entusiasmo a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, que tanto nos ama, e merece que sejamos melhores! Aleluia!  




PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

sexta-feira, 11 de abril de 2025

O bom combate da fé (11/04)

O bom combate da fé

“Viver uma fé Pascal consiste em assumir,
com coragem, o bom combate da fé”

No dia 11 de abril a Igreja celebra a Memória de Santo Estanislau, Bispo e Mártir (séc. XI). Ele governou a Igreja como bom pastor, socorrendo os pobres e com grande apreço pelo clero em suas visitas. Foi morto em 1079, sob a ordem do rei Boleslau, ao qual tinha censurado. (1)

A Liturgia das Horas nos apresenta uma reflexão sobre a necessária confiança em Deus no combate da fé, a partir da Carta de São Cipriano, Bispo e Mártir (séc. III), que muito nos ajudará na caminhada de fé em todo o tempo.

“Enquanto combatemos o bom combate da fé, Deus, os Seus Anjos e o próprio Cristo nos contemplam. Como é sublime a glória e magnífica a ventura de lutar na presença de Deus e sermos coroados por Cristo Juiz!

Revestidos de coragem e fortaleza, irmãos caríssimos, preparemo-nos para a luta com pureza do espírito, fé inquebrantável e generosa confiança. Avance o exército de Deus para a batalha que se nos declara.

O santo Apóstolo nos indica como nos devemos armar e preparar: Cingidos os rins com o cinturão da verdade, revestidos com a couraça da justiça, de pés calçados com o zelo de anunciar o Evangelho da paz, embraçando o escudo da fé para apagar todos os dardos inflamados do Maligno e tomando o capacete da salvação e a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.

Estas são as armas que devemos tomar, estas as defesas espirituais e celestes com que havemos de nos proteger, para podermos resistir e vencer os assaltos do demônio no dia da prova.

Revistamo-nos com a couraça da justiça, para que o nosso peito fique protegido e seguro contra os dardos do inimigo. Estejam os nossos pés calçados e armados com a doutrina evangélica, para que, ao pisarmos e esmagarmos a serpente, não sejamos mordidos nem vencidos.

Embracemos fortemente o escudo da fé, para que nele se extingam as setas inflamadas do inimigo. Tomemos também o capacete espiritual da salvação para proteger a nossa cabeça: os ouvidos, para não ouvirem os anúncios funestos; os olhos, para não verem as imagens detestáveis; a fronte, para conservar incólume o sinal de Deus; a boca, para confessar vitoriosamente a Cristo, o Senhor.

Armemos finalmente a nossa mão direita com a espada espiritual, para rejeitar com energia os sacrifícios funestos e, lembrando-nos da Eucaristia, tomemos o Corpo do Senhor e vivamos em união com Ele, esperando receber mais tarde das mãos do Senhor o prêmio das coroas celestes.

Fiquem estes pensamentos, irmãos caríssimos, bem gravados nos vossos corações. Se o dia da perseguição nos encontrar nestes pensamentos e meditações, o soldado de Cristo, instruído pelas suas ordens e conselhos, não temerá o combate e estará pronto para a coroa.”

Esta Carta é fundamental para que do bom combate não fujamos, lembrando do ensinamento da Igreja que diz“na vida de fé quem não avança, recua”.

Viver na fé, jamais foi sinônimo de evasão e facilidades. Desde o princípio, e até mesmo antes do Verbo fazer moradia entre nós, Profetas, justos, tementes a Deus não renunciaram ao Amor de Deus e Sua fidelidade.

O sangue de justos e inocentes banhou e marcou a história da humanidade, como o sangue de Santo Estanislau.

Que exemplos como estes, do Apóstolo Paulo, na Carta citado, e do próprio São Cipriano, nos encorajem no bom combate da fé, para que sejamos dignos de alcançar a coroa da glória (2Tm 4, 1-8).


quinta-feira, 10 de abril de 2025

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (I) (10/04)

                                                          

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (I)

O que é bom poderá ser ainda melhor! 
Rever o caminho, alargar o horizonte...

Celebrar mais um ano de Ministério Presbiteral é tempo favorável para que o Presbítero retome o que ouviu no dia do Sacramento da Ordenação:

“Transmite a todos a Palavra de Deus, que recebeste com alegria. Meditando na Lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o Povo de Deus e a tua vida, estímulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”.

Somente com o tempo é que se vai tomando consciência do que estas palavras implicam, quão profundas e exigentes o são.

Aponto algumas respostas para esta questão ora apresentada:

- De que modo o Presbítero é sal da terra e luz do mundo, haja vista que já o seria pelo Batismo recebido?

- É preciso configurar-se a Cristo, o Bom Pastor, tendo feito um encontro com Sua pessoa;

- Cultivar intensa e crescente amizade e intimidade com Ele, para levar a tantos outros ao mesmo encontro e amizade;

- Ter Sua Palavra na mente, porque antes impregnou toda sua vida e criou raízes no coração. A Palavra a ser proclamada deverá antes ser interiorizada, por meio da escuta e da meditação, para partilhar ricamente o Evangelho com todos; de modo que será o homem da Palavra e um homem de palavra...

- Ensinar não a sua sabedoria, mas a Sabedoria do Verbo de Deus convidando a todos à conversão e à santidade;

- Mais que anunciador da Palavra ser testemunha viva e eficaz desta Palavra – como crerão na Palavra anunciada, se pelo anunciador não for vivenciada, testemunhada?

- Tornar-se amigo dos pobres para gozar de predileção e amizade de Deus, pois os pobres são por excelência os amigos de Deus;

- Somar-se com o outro em comunidade para romper barreiras que impeçam a luz divina resplandecer (e não poucas são as barreiras que separam povos, famílias, amigos, comunidades...);

- Alimentar-se da Eucaristia, para edificar a comunidade a ele confiada, tornando-a uma comunhão de fiéis, por isto a humildade resplandece em tudo que fala e faz, do menor ao maior compromisso;

- Deixar Deus trabalhar suas limitações, imperfeições próprias de todo ser. O Presbítero não é nunca um super-homem, um super-herói, mas alguém que descobriu e se abriu a graça de Deus, e por isto a alegria lhe tomou conta do coração, e jamais poderá recuar na auspiciosa, maravilhosa, deleitosa missão;

- Por estar sujeito a todas as virtudes e fraquezas da condição humana, cultivar a vigilância ativa, sem perder o horizonte da santidade, que não é algo para amanhã, mas para cada instante – o horizonte da santidade é o momento presente, o aqui e agora de nossa existência;

- Viver uma vigilância ativa acompanhada da busca e revigoramento do equilíbrio afetivo, sexual, psicológico, buscando a maturidade humana e espiritual, a superação das instabilidades, reveses, crises e tentações inerentes ao seu estado de vida e ministério;

- Consumir-se por uma caridade pastoral, ininterruptamente, mantendo acesa permanentemente a chama profética.

- Consumir-se não implicará em ativismo estressante, “esvaziador” de suas forças, fuga de si mesmo ou de algo que o perturbe ou o inquiete. O fazer do presbítero e todo cristão tem apenas uma motivação: o amor, com os olhos fixos em Jesus, coração com Ele em perfeita sintonia;

- Encontrar a profunda e verdadeira liberdade que procede do Espírito e por isto colocar-se profética e incansavelmente contra todo jugo de opressão que ceifa vidas, culturas, valores e povos;

- Falar a linguagem do Espírito, uma linguagem inteligível somente pelos simples, como bem disse Santo Antônio: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência.”;

- Enamorar-se por Cristo e assim não saberá fazer outra coisa se não possibilitar ao Povo de Deus a mesma experiência; Cristo Homem Deus, o mesmo da Cruz que ora à direita glorioso está... Não um Cristo que signifique evasão, alienação, distanciamentos, fugas, solidão empobrecedora.

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (II) (10/04)

                                                        

Celebremos mais um ano de Ministério Presbiteral (II)

Rever o caminho, alargar o horizonte...

- deve ser um homem sacramental, sinal visível do Amor de Deus, em todos os momentos, sobretudo quando celebra os Sacramentos, e celebra não para os outros, mas com os outros, deixando-se impregnar pelo Mistério celebrado, na mais perfeita mistagogia, sobretudo quando celebra a Eucaristia, quando a Palavra prega, quando o Mistério celebra...;

- Deve ser, portanto, um “mistagogo”, homem do Mistério e não misterioso;

- Ser um homem com autoridade não merecida, que não a confundirá com autoritarismo;

- Ter no coração a paciência e serenidade necessárias para ver as sementes do Reino crescer, sem imediatismos estéreis e inconsequentes...;

- Dar testemunho da pobreza, do desapego, da confiança incondicional em Deus, vivendo o celibato não como privação, mas como total liberdade para amar e servir o Povo de Deus, a Igreja que pelo Sacramento da Ordem se entregou;

- Ser alguém que experimentou a misericórdia de Deus quando chamado, porque não o foi por méritos, talvez até por não ter nenhum, mas para que Deus manifeste Sua onipotência através da misericórdia e muitas vezes multiplicada no Sacramento da Penitência;

- Ter a vida iluminada por Deus, portanto iluminadora, como bem disse o Profeta Isaías – “... Se acolheres de coração aberto o indigente e prestares o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”;

- Fazer com sua vida, obras, gestos de amor evangélico multiplicados, muito mais do que com suas palavras, a luz de Deus brilhar diante dos homens, multiplicando assim os louvores que sobem aos céus, ao Pai, porque a honra, a glória, o louvor somente a Ele pertencem;

- Ser consciente de que nada somos e poderíamos não fosse a graça de Deus. Se méritos há, a Deus tão apenas, porque servos inúteis o somos. Bem disse Santo Agostinho: “Vão pregador da Palavra de Deus externamente, quem não a escuta interiormente” e São Gregório Magno – “Que o pastor seja discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer”, pois tanto uma palavra inoportuna quanto o silêncio podem arrastar ao erro ou deixar de instruir. O mesmo acrescenta – “Muitas vezes, pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente o que é reto, por isso, agem como mercenários que fogem à vinda do lobo... Quando o pastor tem medo de dizer o que é reto, não é o mesmo que dar as costas, calando-se?”. Nunca é demais repetir nosso padroeiro: “Cessem as palavras, falem as obras, estamos cansados de palavras vazias...”;

- deve empenhar-se, incansavelmente, para tornar o mundo mais iluminado e segundo os desígnios de Deus; portanto, dever ter o gosto de Deus nos lábios, na boca, no coração, no fundo da alma; 

- Jamais parar no tempo, pois vive num contexto de mudança de época, pôr-se em atitude de formação permanente em todos os níveis, portanto não ter uma fé que o afaste do mundo, mas no diálogo com as ciências, procurar dar pertinência ao seu discurso, pregação, anúncio, denúncia. Não há presbítero que tudo saiba e nada mais tenha de aprender. A comunidade precisa de sábios Presbíteros que a ajude a compreender o mundo, que estejam inseridos no tempo presente vivido. Nisto consiste ser luz que brilha e não ofuscada, sem penetração, irradiação, iluminação...;

- Não ser arauto do relativismo de valores, subjetivismos, moralismos, dogmatismos, individualismos, egolatrias, e outros tantos empecilhos à moral cristã...

sábado, 14 de maio de 2011

Caminhos novos... Por que não buscá-los?

Caminhos novos... 
Por que não buscá-los?
Sol ilumina, aquece e renasce sempre.
Sol poente indispensável para sol nascente.
Se há outras possibilidades, busquemos...
Novo dia, novo amanhecer...
Novo endereço, nova possibilidade
Luz levar, alegria semear...
Com o blog a espiritualidade renovar...

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG