sexta-feira, 4 de abril de 2025

A sabedoria divina na provação

                                                   

A sabedoria divina na provação

No seguimento de Jesus, é preciso acolher Sua Palavra, no alegre e corajoso anúncio e testemunho, discernindo sempre para pautar a sua vida na “sabedoria de Deus”, jamais na “sabedoria do mundo”.

Na passagem do Livro da Sabedoria (Sb 2,12.17-20), vemos que a sabedoria de Deus deve ser vivida com a coragem de suportar as perseguições, num aparente caminho de fracasso, opondo-se a toda forma de idolatria, numa verdadeira adoração a Javé.

O autor sagrado, do Livro mais recente do Antigo Testamento, assegura que vale a pena ser justo e fiel aos valores da fé; garante que a fidelidade do justo a Javé não ficará sem recompensa.

A sabedoria de Deus deve ser vivida até a morte, por amor, em relação de serviço, unidade, caridade, verdade, construindo um mundo mais justo e fraterno.

É preciso renunciar a todo orgulho e autossuficiência, pois a vivência da sabedoria do mundo condena ao vazio, à frustração, à depressão, à escravidão e a uma felicidade ilusória, passageira.

Somente a sabedoria de Deus é garantia de uma verdadeira felicidade, realização plena, embora não garanta uma vida fácil, pois mesmo na vida daquele que a vive pode estar presente a calúnia, a perseguição, a tortura e até mesmo o martírio.

Na Epístola de São Tiago (Tg 3,16-4,3), vemos que viver em comunidade exige a vivência da coerência do Evangelho, tomando cuidado para que esta não seja destruída pelo orgulho, ambição, inveja, competição, egoísmo...

O batizado deve viver segundo os critérios de Deus, e, portanto, a necessária vigilância e conversão.  A opção pela sabedoria do mundo não é um caminho para a realização plena do homem, pois gera somente infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos e mortes.

De outro lado, a sabedoria de Deus deve plenificar o nosso coração e iluminar as nossas decisões. Somente assim nossa Oração será ouvida por Deus, pois, se movida pela sabedoria do mundo não tem sentido algum.

Como discípulos missionários do Senhor, precisamos viver a sabedoria de Deus, que passa pela Cruz, possui aparência de fracasso, mas é certeza de vitória; na doação da própria vida, acolhendo as críticas, as perseguições, as incompreensões (Mt 5,1-12 – as Bem-Aventuranças), numa vida de serviço por amor, alegremente, deixando nossas atitudes e pensamentos moverem-se pelos critérios de Jesus.

Urge que a virtude da humildade se concretize na acolhida e serviço aos pequenos, que são os preferidos de Deus. E como afirmou Jon Konings – “Os humildes despertam a força do amor que dorme no coração do ser humano”.

Cuidando dos preferidos de Deus, estaremos cuidando do próprio Deus, como vemos na passagem em que Jesus nos fala do julgamento final (Mt 25,31-46).

Como Igreja, Povo Eleito do Senhor, sejamos uma comunidade de serviço: promovendo a unidade, vivendo a caridade, pautando os relacionamentos pela verdade; aprendendo a viver a complementaridade e subsidiariedade.

Como discípulos missionários, vivamos com sabedoria, em plena fidelidade ao Senhor e ao Evangelho, com renúncias necessárias, carregando cotidianamente nossa cruz, até que mereçamos a glória e o descanso eterno. Amém. 

Quaresma: viver iluminados pela sabedoria divina

                                                      

Quaresma: viver iluminados pela sabedoria divina

Reflexão à luz da passagem do Livro da Sabedoria (Sb 2,1a.12-22).

Acolher e viver a sabedoria de Deus, implica em suportar as perseguições, num aparente caminho de fracasso, opondo-se a toda forma de idolatria, numa verdadeira adoração a Javé.

O autor do Livro mais recente do Antigo Testamento assegura que vale a pena ser justo e fiel aos valores da fé; garante que a fidelidade do justo a Javé não ficará sem recompensa.

A sabedoria de Deus deve ser vivida até a morte, por amor, em relação de serviço, unidade, caridade, verdade, construindo um mundo mais justo e fraterno.

É preciso renunciar a todo orgulho e autossuficiência, pois a vivência da sabedoria do mundo condena ao vazio, à frustração, à depressão, à escravidão e a uma felicidade ilusória, passageira.

Somente a sabedoria de Deus é garantia de uma verdadeira felicidade, realização plena, embora não garanta uma vida fácil, pois mesmo na vida daquele que a vive pode estar presente a calúnia, a perseguição, a tortura e até mesmo o martírio.

Em Tempo Quaresmal, reflitamos sobre  a missão do discípulo missionário do Senhor, para discernir e pautar a sua vida na “sabedoria de Deus” e não na “sabedoria do mundo”.

Vivamos a Sabedoria de Deus, que passa pela Cruz, com aparência de fracasso, mas é certeza de vitória; na doação da própria vida, acolhendo as críticas, as perseguições, as incompreensões (Mt 5,1-12 – as Bem-Aventuranças), numa vida de serviço por amor, alegremente, deixando nossas atitudes e pensamentos moverem-se pelos critérios de Jesus.

Urge que a virtude da humildade se concretize na acolhida e serviço aos pequenos, que são os preferidos de Deus. E como afirmou Jon Konings – “Os humildes despertam a força do amor que dorme no coração do ser humano”.

Cuidando dos preferidos de Deus, estaremos cuidando do próprio Deus (Mt 25 – o julgamento final).

Como Igreja, Povo Eleito do Senhor, sejamos uma comunidade que pauta a vida pela sabedoria e verdade divinas e se coloca a serviço de unidade, na prática da caridade, aprendendo a viver a complementaridade e subsidiariedade.

Reflitamos:

-  Qual sabedoria pauta nossa vida: a do mundo ou a de Deus?
-  O que constrói ou destrói nossas comunidades?

-  Qual a nossa alegria em embarcar na aventura do Reino de Deus?
-  De que modo o poder é verdadeiramente serviço dentro e fora da Igreja?

- Quem foi eleito para qualquer cargo o exerce com doação, promovendo o bem comum, no compromisso com os últimos de nossa sociedade?
-  Todos nós temos algum poder (família, escola, trabalho...). Como o exercemos?

Trilhando o itinerário quaresmal, demos mais um passo na fidelidade ao Senhor, com renúncias necessárias, carregando, cotidianamente, nossa cruz, até que mereçamos a glória e o descanso eterno. Amém.

Quaresma: Coragem de rever o caminho feito (20/03)

                                                           

Quaresma: Coragem de rever o caminho feito
 
A Liturgia da 4ª sexta-feira da Quaresma nos apresenta no Banquete da Palavra: Sb 2,1a.12-22, Sl 33,17-21.23; Jo 7,1-2.10.25-30).
 
Vivendo o Tempo favorável de graça e salvação, em que nos empenhamos numa frutuosa conversão, aproveitemos e prolonguemos nosso tempo de Oração fecunda para colhermos abundantes frutos pascais.


Assim lemos no Comentário do Lecionário Comentado: 


Porventura é mesmo esta falsa segurança de conhecer bem Jesus que estereotipa o nosso anúncio, torna morna a nossa fé, pouco convincente o nosso testemunho e pouco fecunda a nossa missão.  'E vós quem dizeis que Eu sou?' (Mc 8,29): esta pergunta de Jesus interpela-nos continuamente”  (1).


Reflitamos:
 
“O Mistério de Cristo não pode revelar o Seu poder de novidade perturbante se o consideramos tranquilamente entre as coisas sabidas, entre os discursos óbvios e previsíveis, entre as doutrinas bem organizadas, entre as fórmulas que se repetem nas catequeses e entre as datas que se celebram ano após ano no nosso calendário litúrgico.
 
Podemos imaginar como dirigido também a nós o que dizia Jesus como alguma ironia aos Seus contemporâneos que presumiam conhecê-Lo. ‘Certamente conheceis-me e sabeis de onde Eu sou’.
 
Existe também para nós o perigo da credulidade preguiçosa, da redução do Evangelho ao bom senso do homem, enfraquecendo a sua natureza paradoxal e a sua força vital. 
 
- Conhecemos Jesus de fato, ou conhecemos apenas uma imagem que concebemos e nela nos apoiamos?
- O Evangelho de Jesus é sempre uma Boa Nova que nos questiona, perturba, inquieta e provoca a buscar novos caminhos, novos pensamentos, atitudes e compromissos?
 
- O cristianismo que vivemos consiste em fórmulas sabidas e decoradas e pouco enraizadas, sem conteúdo necessário, obras que o revelam?
- De que modo a Doutrina Católica e sua riquíssima catequese orienta o nosso existir? Qual a dedicação em conhecê-la e vivê-la?
 
- O quanto os Ritos e Tempos Pascais transformam a nossa vida?
- De que modo o que celebramos se prolonga em nosso cotidiano?
 
- Buscamos a verdadeira Face do Cristo que Se revela nas Escrituras e nos empobrecidos?
 
- Tomamos cuidado com o perigo da credulidade preguiçosa que afirma a confiança em Deus, mas nada de concreto faz para alcançar o que se pede, ou mudar o que for preciso, em omissões e falta de compromissos eucarísticos?
 
- Temos reduzido o Evangelho ao bom senso do século, em conformidade com o mundo e suas propostas?
 
- Temos comunicado com coragem a força vital da Boa Nova do Evangelho, de modo que a Palavra de Deus não perca sua beleza, esplendor e profecia?
 
- Qual é a “temperatura” da fé que professamos? Será ela fria, cálida ou morna, sendo esta abominada por Deus (cf. Ap 3,16)?
 
- Qual a pertinência e o convencimento de nosso testemunho cristão, assim como de nossas comunidades?
 
- Preocupamo-nos com a fecundidade da nossa missão em realidades urbanas que nos desafiam: condomínios, escolas, cadeias, hospitais, aeroportos, shoppings, ruas, meios de comunicação, e outros incontáveis espaços, chãos fecundos para a Missão, para o semear da Semente do Verbo?
 
A perseguição dos justos, ontem hoje e sempre, pode muito bem identificar a pessoa de Jesus, o Justo por excelência, porque obediente e fiel plenamente à vontade divina, que jamais conheceu o pecado.
 
Tendo encontrado com o Senhor que nos fala quando temos coragem de ouvir, ponhamo-nos em missão, com sentimentos de paciência na tribulação, resistência na tentação e gratidão na prosperidade porque nada falta a quem no Senhor confia, e a Ele se entrega.
 
 
(1) Cf. Lecionário Comentado – Ed. Paulus – Vol. Quaresma – Páscoa – p. 210


O Senhor renova todas as coisas... (20/03)

                                                  

        O Senhor renova todas as coisas...

“O cristianismo é graça, é a surpresa de Deus”
(Papa São João Paulo II)


Senhor, Te contemplo como Messias,
Medito sobre Tuas dramáticas controvérsias com os judeus:
Procuram-te para prender, mas ainda não é chegada a tua hora.

Senhor, caminhas para Jerusalém, onde culminarás Tua missão,
Para redimir a humanidade de seu pecado;
A vida por Amor consumida, dilacerada, crucificada.

Tu, realizador de tantos prodígios,
Suscitaste interrogações e inquietações entre os Teus:
De uns a admiração, de outros a absoluta rejeição.

Tu, conhecido de tantos, e nem tanto assim,
Por conhecerem Tua família, Te ignoram,
A Ti se dirigem com frieza, indiferença e ironia.

Muitos não compreendem Tua origem divina,
Distantes do Plano de Salvação de Deus,
Ignoram até mesmo o próprio Deus.

Ó Senhor, creio em Ti, que és a verdadeira novidade,
Que superas a cada instante todas as expectativas.
És para a humanidade, hoje e sempre, surpresa maviosa.

Ó Senhor, Tua Palavra, ainda que o tempo passe,
Não perde o germe da novidade,
Fazendo renascer no coração os mais belos frutos.

Ó Senhor, Tua Palavra, no coração caída,
Como semente deita raízes, entranha a alma,
E frutos incontáveis para sempre ficam.

Ó Senhor, ainda que o mundo desapareça,
Tua Palavra para sempre permanecerá:
É fogo que queima, arde, aquece.

Ó Senhor, creio em Ti que não me deixas perder o encanto
De crer que Tuas maravilhas jamais cessam de acontecer,
Transformas em alegria e vitória as tristezas e prantos.

Peço-te, Senhor, que eu não caia na armadilha da presunção,
De tão habituado de Ti falar, de Tua Palavra proclamar,
Nada, absolutamente nada, a vida transformar.

Peço-Te, Senhor, que não me contente e me acomode
Com uma fé infantil, superficial, ingênua e aparente,
Que ela seja amadurecida pelas provações do presente.

Suplico-Te, Senhor, que não busque em Ti doutrinas e discursos
Que me anestesiem, alienem, e do combate me afastem,
Que Tua Palavra me desestabilize das falsas seguranças.

Suplico-Te, Senhor, livra-me de uma credulidade preguiçosa 
Que reduz a Boa Nova ao que o mundo deseja e propõe,
Esvaziando Sua natureza tão divina, Sua força tão vital.

Suplico-Te, Senhor, que não apenas a ilusão tenha
De tê-Lo encontrado, mas antes por Ti encontrado,
Num relacionamento verdadeiro, confiante e apaixonado.

Foste Tu, Senhor, que me escolheste, chamaste,
Que me enviaste para no mundo Tua presença ser,
E no pequenino Tua presença real reconhecer.

Que respondendo ao Teu divino chamado,
Uma fé mais convincente venha a viver,
Com testemunho mais fecundo e na missão mais ardor.

Dá-me, Senhor, suplico-Te, ainda que não mereça,
Uma fé viva, um espírito contrito e generoso,
Para compreender como és amável e bondoso.

Que contemplando a Tua divina glória,
Passos mais firmes, gestos multiplicados,
Novas linhas de uma nova história escrever. 


PS: Fonte inspiradora: Liturgia da sexta-feira da quarta semana da Quaresma (Sb 2,1a. 12 -22; Sl 33, 17-21;23;  Jo 7, 1-2.10.25-30), e livre adaptação do Lecionário Comentado – Quaresma – Páscoa pág. 207/210.

Cristo Salvador, dai-nos coragem e fortaleza (20/03)

                                                                 

Cristo Salvador, dai-nos coragem e fortaleza

Na quarta sexta-feira do Tempo da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 7,1-2.10.25-30).

Com este capítulo, o Evangelista João começa a segunda parte do seu Evangelho, e é notável o desdobramento, que culminará da morte de Jesus Cristo - “Os judeus procuravam matá-Lo”.

Jesus está disposto a assumir as consequências até o seu extremo, de modo que a hostilidade destes O levará à morte.

Diante de Jesus, temos que fazer nossa escolha: ou reconhecer n’Ele o enviado do Pai, fonte da vida, e aceitar os riscos de semelhante escolha ou então rejeitá-Lo, a fim de conservar a própria segurança no imediato, mas comprometendo o futuro.

Deste modo, vemos como o Mistério de Cristo reflete-se na Igreja, e as opções desta na fidelidade a Ele exigem coragem e fortaleza.

Oremos:

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que, por Vossa morte e Ressurreição, fomos redimidos.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que conduzis Vossa Igreja à Páscoa da eternidade.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que fostes elevado na Cruz, deixastes a lança do soldado Vos traspassar, e podeis curar as nossas feridas. 

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que transformastes o Madeiro da Cruz em Árvore da Vida, e podeis conceder os frutos desta Árvore aos que renasceram pelo Batismo.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que fostes pregado na Cruz, perdoastes o ladrão arrependido, e que podeis, também, perdoar a nós, pecadores que somos.

Por isto Cristo Salvador, que nos alimentais com Vosso Corpo e Sangue, fortalecei-nos na missão de discípulos missionários Vossos. Dai-nos coragem e fortaleza. Amém.


Fontes: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.78; Preces das Laudes da quarta sexta-feira do Tempo da Quaresma

O Grão de Trigo

                                                      


O Grão de Trigo

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo; mas, se morre,
então produz muito fruto.” (Jo 12,24)

Contemplo-Vos, Senhor, nestes dias de recolhimento e Oração, como devem ser todos os dias da Quaresma, para celebrar o transbordamento da alegria de Vossa Páscoa.

Contemplo Vossa Pessoa, através da qual Deus e homem uniram-se, indissoluvelmente, de maneira absoluta e para sempre, pois com o Pai sois um.

Contemplo-Vos, a Palavra feita Carne, com conhecimento perfeito de Deus, porque estais inserido na mais perfeita comunhão e intimidade com Ele, no Espírito.

Contemplo-Vos por terdes vindo a este mundo para fazer em tudo a vontade d’Aquele por quem fostes enviado, plenamente e decididamente, através de Palavras e obras, até à morte, e morte de Cruz.

Tudo isto, Senhor, fizestes por nós; Vós que sois o Filho único, que estais no seio do Pai e que nos fazeis conhecer Deus, que ninguém jamais viu, e partícipes de Vossa plenitude, recebendo graça sobre graça (cf. Jo 1,16-18).

Senhor, imenso é meu amor por Vós, que selastes, com a própria vida e o Sangue derramado por nós, a Nova e Eterna Aliança, e assim nos alcançastes o perdão dos pecados, e nos fizestes Povo da Nova Aliança.

Creio, Senhor, que sois como o grão de trigo caído na terra, e que Vos tornastes uma árvore de vida carregada de frutos para nosso Alimento e deleite.

Contemplo-Vos na Cruz em que fostes elevado, erguido diante de nossos olhos e ouvimos o eco da voz de Deus vinda do céu: "Glorifiquei-O e tornarei a glorificá-Lo".

Medito em Vossas Palavras, Senhor: "É agora o julgamento deste mundo".
Contemplo Vossa entrega voluntariamente no Mistério da Paixão, não como um herói impassível, mas como o Filho que teve de aprender a dizer ao Pai: "Faça-se a Tua vontade!".

Cremos que Satanás, chefe dos que fazem o mal e se opõem a Deus, vai definitivamente "ser lançado fora".

Unimo-nos convosco em Vossa “hora”; a hora da Vossa morte e glorificação, que é a marca de uma linha divisória em que temos que tomar uma decisão.

Esta “hora”, Senhor, expressivamente mencionada no Quarto Evangelho, é a hora da Vossa Páscoa, cume e chave de interpretação de toda a Vossa missão salvífica e redentora da humanidade.

É a hora de nossa decisão, e que seja a decisão de ficar do lado dos que Vos conhecem, e não somarmos com os que resistem em deixar-se atrair por Vós, que morrestes na Cruz em que foi elevado, com os braços abertos para nos acolher e nos redimir.

Vós que viestes para esta “hora”: uma hora temida, uma hora de agonia e, no entanto, profundamente desejada, por ser a hora do Sacrifício perfeito da Vossa obediência ao Pai, e da Vossa glorificação.

É a hora em que os próprios pagãos e também nós reconhecemos em Vós, atrás das marcas da agonia e dos açoites, e flagelo suportado, no corpo inerte e morto na Cruz, pelos cravos preso, todo chagado, beleza ocultada pelo Sangue derramado, verdadeiramente o Filho de Deus.

Contemplo-Vos com fé; Vós que fostes trespassado e que sois para nós o caminho da Salvação.

Ensinai-me, Senhor, e fortalecei-me no caminho por que me conduz, e que consiste no caminho de obediência custosa, mas que desemboca na manhã radiosa da Páscoa eterna.



PS: Livre adaptação do Comentário do Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus – Portugal - pp. 443-445

Ser cristão: graça e surpresa de Deus para o mundo (20/03)

                                                    

Ser cristão: graça e surpresa de Deus para o mundo

Inspirado na afirmação do Papa São João Paulo II, em sua Carta Apostólica, em 2001 - “O cristianismo é graça, é a surpresa de Deus”, reflitamos sobre a passagem do Evangelho da quarta Sexta-feira da Quaresma (Jo 7,1-2.10.25-30), com a Oração abaixo, continuemos nosso diálogo intenso e profundo com Deus, que eleve e ilumine nossa alma, e assim, continuemos dando firmes passos em nosso itinerário espiritual.

Cada súplica nos ajudará a rever nossa adesão ao Senhor, como discípulos missionários; a refletir se vivemos com ardor nossa fé cristã; a constatar a autenticidade de nosso testemunho e o que clama por conversão e renovação, para que nossa fé seja mais luminosa.

Oremos:

“Livrai-nos, Senhor, do grande risco da presunção de Vos conhecer, de nos habituarmos demasiado ao Mistério, de nos contentarmos com uma fé infantil e superficial.

Concedei-nos, Senhor, mergulhar na intensidade inesgotável do Vosso Mistério, sem a pretensão de nos consideramos conhecedores Vosso, mas sem autêntica identificação.

Não permiti, Senhor, que a nossa fé se reduza às coisas tranquilamente sabidas, com discursos óbvios e previsíveis, ancorados em doutrinas bem organizadas, contentando-nos tão apenas com as fórmulas repetidas que foram na catequese aprendidas e ainda fazendo das datas celebrativas apenas um cumprimento de um  calendário e ritual litúrgico sem consequências maiores no compromisso com Vosso Reino.

Afastai de nós, Senhor, o perigo da credulidade preguiçosa, e a redução do Evangelho ao bom senso do homem, enfraquecendo a sua natureza paradoxal e a sua força vital.

Ajudai-nos, Senhor, não apenas Vosso nome pronunciar, para que não se torne morna a nossa fé, pouco convincente o nosso testemunho e pouco fecunda a nossa missão.

Que a Vossa pergunta, Senhor, ‘E vós, quem dizeis que Eu sou?’ (Mc 8,29), continue ecoando e interpelando no mais profundo de nosso coração. E que nossa resposta consista em dizer que Vós sois nosso Caminho, Verdade e Vida, nossa Divina fonte de paz, alegria e amor.

Pois, tão somente assim nossa fé cristã será uma graça, uma surpresa de Deus para o mundo. Amém!”


PS: Fonte Inspiradora: Lecionário Comentado -  Tempo da Quaresma e Páscoa - pp. 210-211.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG