domingo, 30 de março de 2025

“Deus merece que sejamos melhores” (IVDTQB)

                                                       


 “Deus merece que sejamos melhores”

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano B) é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido à proximidade da Páscoa, e tem como antífona inicial assim nos convida: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações" (Is 66, 10s).

Na passagem da primeira Leitura (2Cr 36,14-16.19-23), contemplamos o Amor de Deus narrado pelo autor do Segundo Livro das Crônicas. 

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,4-10), o Apóstolo Paulo nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

Na passagem do Evangelho (Jo 3,14-21), O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho Único para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Que, sobretudo neste Tempo Quaresmal, abandonemos as obras das trevas e multipliquemos as obras de luz, pois somos filhos da luz, do dia, como nos diz o Apóstolo Paulo (1Ts 5,5). 

Não mais a serpente erguida no deserto, mas o próprio Senhor erguido na Cruz para nos reerguer, porque caídos pelo pecado estávamos.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
- De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e bem possamos celebrar a alegria da Páscoa?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

“Deus merece que sejamos melhores!”  


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão (IVDTQB)

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão

Na quarta-feira da 2ª semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 3,16-21), em nos fala do imenso amor de Deus por nós por meio do Seu Filho Jesus Cristo.

O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

No Antigo Testamento, encontramos na passagem do segundo Livro das Crônicas (2Cr 36,14-16.19-23), a possibilidade da contemplação do  o Amor de Deus.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 2,4-10), também nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus, somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
 De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e sejamos testemunhas do Ressuscitado?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

Alegremo-nos com a Ressurreição do Senhor! Empenhemo-nos para viver com mais ardor e entusiasmo a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, que tanto nos ama, e merece que sejamos melhores! Aleluia!  




PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Contemplo-Vos, Senhor, divina fonte de amor (IVDTQB)

                Contemplo-Vos, Senhor, divina fonte de amor


“Pois Deus amou tanto o mundo, que
deu o Seu Filho único para que não morra
quem n’Ele acredita, mas tenha vida eterna.”  (Jo 3,16)

Ouvimos no quarto Domingo da Quaresma (ano B), a passagem do Evangelho de João (Jo 3,14-21), onde encontramos um dos mais belos versículos da Sagrada Escritura: “Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o Seu Filho único para que não morra quem n’Ele acredita, mas tenha vida eterna.” (Jo 3,16).

Ao Senhor, que tendo nos amado, amou-nos até o fim, e continua manifestando o Seu Amor com a presença do Seu Espírito, que nos anima e nos fortalece na fidelidade ao Projeto do Pai, pelo qual a Vida entregou.

Oremos:

Contemplo, Senhor Jesus, Vossa vinda ao mundo como a maior manifestação do Amor misericordioso de Deus por todos nós, que não quer a nossa morte como pecadores que somos, mas que nos convertamos e vivamos.

Contemplo, Senhor, fiel em Sua missão, pois viestes ao mundo não para condená-lo, mas para que seja salvo por Vós, pelo Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Contemplo, Senhor, pois não permitis que caiamos em tentação diante das dificuldades e provações, multiplicando as obras das trevas, numa vida marcada pelo pecado com suas tristes e por vezes mortais consequências.

Contemplo, Senhor que nos libertastes para não mais vivermos segundo a carne, escravos do pecado e da morte, e assim, vivendo livres, segundo o Espírito, como filhos e filhas de Deus, irmãos uns dos outros, na graça abundante e revitalizadora de nossos passos.

Contemplo, Senhor, e o transbordamento imensurável de Vossa graça em nosso coração, para que movidos pela Paixão do Reino, fascinados por Vós, em adesão total e incondicional a Sua Palavra, caminhemos na Vida Nova que vem de Vós, Ressuscitado, vivendo  a nossa fé na prática da caridade, e na realização das mais belas esperanças, na mente e coração cultivados, para que um dia alcancemos a esperança maior: a eternidade, e junto de Vós e com Vosso Espírito, a face de Deus contemplar.

Contemplo, Senhor, que viestes na divina missão para nos reconciliar com Deus, para por fim na antiga inimizade de nossos pais com o Criador, e, pelo Vosso Sangue derramado, selássemos uma indissolúvel Nova e Eterna Aliança de Amor.

Contemplo, Senhor, que viestes ao mundo para trazer Salvação à humanidade mergulhada no pecado, e que por si só é incapaz de se livrar desta trágica situação.

Contemplo, Senhor, e também Vos peço, para que sedentos da Salvação eterna não apenas Vos confessemos com os lábios, mas que verdadeiramente nos configuremos a Vós, com o Vosso divino modo de ser e viver, em total submissão à vontade de Deus Pai, com o Santo Espírito que pousou sobre Vós.

Senhor, que Vosso Amor esteja entranhado em nosso coração e seja expresso na relação para com nosso próximo, porque tão somente assim luminosos seremos, e ao mundo, por vezes sombrio, poderemos comunicar um raio de Vossa divina luz, na espera da celebração das alegrias Pascais que se aproximam. Amém!

Irradiemos a luz do Senhor (IVDTQA)

Irradiemos a luz do Senhor

Trilhando o itinerário Quaresmal, no quarto domingo (ano A), a Igreja celebra o conhecido “Dominica Laetare”, já experimentando a alegria pela Páscoa que se aproxima.

Em todo tempo, favorável ou adverso, é preciso irradiar a luz do Espírito que em nós habita, pela graça batismal recebida, pois o próprio Senhor nos disse que somos a luz do mundo (Mt 5,14), e disse também: “Eu Sou a luz do mundo, quem me segue, não anda nas trevas mas terá a luz da vida” (Jo 8,12); e no mesmo Evangelho: “Enquanto estou no mundo Eu sou a luz.” (Jo 9, 5).

Na segunda Leitura, ouvimos a passagem da Carta de Paulo aos Efésios (Ef 5,8-14), e ressaltamos de modo especial este versículo:  “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Cf. Ef 5,8). Em outra passagem, novamente insiste: “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.” (Cf. 1Ts 5,5).

Nisto consiste a missão do discípulo missionário: ser luz do Senhor, por Ele iluminados e d’Ele iluminantes, em todos os tempos e âmbitos (família, comunidade, trabalho, cultura, lazer, meios de comunicação; lugares reais ou também nos espaços/mídias virtuais).

Quando permitimos que o Cristo ocupe o primeiro lugar em nossa vida, quando O temos como o centro de nossa existência, a fé se torna prática e resplandecemos como astros no mundo, não para um exibicionismo estéril, mas para testemunhar a Palavra Divina, Palavra de vida, e assim, frutos eternos produzir, alegria plena alcançar, como Ele mesmo nos prometeu.

Somos iluminados e nos tornamos iluminantes, tendo em nós iluminados e aquecidos pelo fogo do Espírito, que faz arder nosso coração para que o mundo seja mais terno, quando somos sobressaltados com a frieza diante da vida, com mortes absurdas e inadmissíveis, pela fome ou pela violência, e outros inúmeros fatos que bem conhecemos.

Não podemos permitir que a frieza congele a nossa sensibilidade, e não nos faça curvar diante de sentimentos de impotência ou indiferença; tão pouco podemos permitir que nos cegue os olhos e petrifique nosso coração.

Urge que sejamos iluminados e iluminantes, como um pincel de luz, comunicando raios de luz em todas as situações, em todas as horas, sobretudo nas mais difíceis e sombrias, como a morte de alguém que tanto amamos. 

Importa ser sempre a luz do Senhor, noite e dia, como também exortou Paulo em sua Carta:

“Sede irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus, inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual deveis resplandecer como astros no mundo..."  (Fl 2,15).

Vivamos, portanto, a graça batismal, irradiando a luz batismal, e assim, como discípulos missionários do Senhor,  iluminados e iluminantes seremos.

Sejamos curados de nossa cegueira (IVDTQA) (14/03)

Sejamos curados de nossa cegueira

A Igreja no quarto Domingo da Quaresma (Ano A), celebra o conhecido “Dominica Laetare”, em que refletimos sobre o tema da luz.

No terceiro, reflete-se sobre a água e no próximo sobre a vida.

Trata-se de um Domingo luminoso por sublinhar que a vida cristã é penitência, mas também alegria (antífona de entrada da Missa e a Oração sobre as Oblatas):

A Alegria do caminho pascal exprime-se no tema da luz: a luz é vida, é alegria, é Cristo (aclamação antes do Evangelho), e o percurso quaresmal é viagem em direção à luz, redescoberta da luz que no Batismo foi acesa para nós no Círio Pascal”) (1)

Três temas que nos introduzem e nos preparam para a Semana Santa (água, luz e vida) e para recebermos o Batismo, ou renovar nossas promessas batismais na Vigília Solene da Páscoa.

A passagem da primeira Leitura (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) não se refere diretamente ao tema da luz, mas nos permite a reflexão sobre o dia do nosso Batismo, quando somos ungidos para sermos testemunhas da luz.

Davi foi escolhido não pela lógica dos homens, mas segundo a lógica de Deus, que não se deixa levar pelas aparências. Davi, o filho mais novo de Jessé, é escolhido, embora jovem, anônimo e desconhecido que guardava o rebanho do seu pai.

A mensagem da Leitura é essencialmente esta: Deus escolhe e chama, habitualmente, os pequeninos, os mais fracos, aqueles que o mundo marginaliza e considera insignificantes. Paradoxalmente, Deus manifesta Sua força através deles.

Urge que aprendamos a ver como Deus vê: ver para além das aparências. Somente quem tiver fé profunda e solidificada conseguirá ver como Deus vê, porque a partir da lógica mais profunda, a lógica do amor, que cria e faz novas todas as coisas.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 5,8-14), o Apóstolo Paulo nos coloca frente a uma escolha: luz ou trevas. Viver na luz significa viver a bondade, a justiça e a verdade.

O viver na luz, mais ainda, consiste na acolhida do dom da Salvação que Deus nos oferece gratuitamente, aceitando e vivendo a vida nova que Ele nos propõe (viver na liberdade como filhos de Deus e irmãos uns dos outros).

De outro lado, viver nas trevas consiste em pautar a vida pelo egoísmo, orgulho e autossuficiência; viver à margem de Deus, e, consequentemente, recusar Suas propostas; prisioneiro das próprias paixões, dos falsos valores.

Ser batizado e viver como filhos da luz, portanto, não nos permite cruzar os braços diante da maldade, do egoísmo, da injustiça, da exploração, dos contravalores que a sociedade propõe, tornando menos bela a vida da humanidade.

Viver como filhos da luz exige que descruzemos os braços, abramos o nosso coração e nossas mãos, em alegres e solícitos gestos de partilha e solidariedade. Incomodar-se permanentemente com a escuridão do mundo, procurando todas as formas para torná-lo luminoso.

Na passagem do Evangelho (Jo 9,1-41), Jesus, curando o cego de nascença, é apresentado pelo Evangelista São João como “a luz do mundo”, cuja missão é a libertação da humanidade das trevas.

A adesão à proposta de Jesus nos coloca num caminho de liberdade e alcance da vida plena e feliz e, no fim dela, a eternidade.

A cegueira no tempo de Jesus, segundo a concepção da época, era um castigo de Deus de acordo com a gravidade da culpa. Ela era considerada o resultado de um pecado especialmente grave. Ser cego é ao mesmo tempo ser impedido de servir de testemunha no tribunal e de participar das cerimônias religiosas do templo.

O “cego” curado por Jesus é um símbolo de todos os homens e mulheres que vivem na escuridão, com a indesejável privação da luz, e, portanto, prisioneiros das cadeias que os impedem de chegar à felicidade e à plenitude da vida.

No gesto da cura feita por Jesus, juntando barro à Sua saliva, é o juntar da própria energia que gera vida, repetindo assim, o gesto de Deus ao criar o homem (Gn 2,7). Nisto consiste a missão de Jesus: criar um Homem Novo e animado pelo Espírito que O acompanhou e nos acompanha ao longo de toda a História.

O banhar na piscina de Siloé (que significa “enviado”) é uma clara alusão a Jesus, o enviado do Pai, que nos oferece a água que nos banha e nos purifica de nossos pecados, tornando-nos Homens Novos, livres de toda treva e escravidão.

Diante da cura, temos atitudes diferenciadas:

- dos vizinhos que se acomodam em seu canto;
- dos fariseus que não se dispõem a acolher e a aceitar a missão de Jesus;

- dos pais que não querem se comprometer;
- do homem curado que faz um percurso que passa por um processo até que se torne adulto, maduro, livre e sem medo, em total adesão a Jesus (etapas: encontro com Jesus, adesão, amadurecimento, homem livre e o seguimento).

Reflitamos:

- A missão de Jesus é a criação de Homens Novos, e esta também consiste a missão de Sua Igreja. Como batizados, o que fazemos para que isto aconteça?
- O que nos impede de sermos livres no seguimento de Jesus?

- O que consiste “viver na luz”?
- Quais são as situações obscuras em que podemos comunicar a luz de Deus com nossa palavra e ação?

- Com quem nos identificamos na passagem do Evangelho: com os opositores, medrosos, acomodados, inertes ou com o próprio cego curado que se torna um discípulo missionário do Senhor?

- Quaresma é tempo de conversão para que a luz de Deus possa melhor brilhar através de cada um de nós. O que temos feito para que esta conversão aconteça?

Concluo com um trecho do Prefácio da Missa, e com as iluminadoras palavras do Papa Bento XVI em sua Mensagem Quaresmal (2011), respectivamente:

“...Pelo Mistério da Encarnação, Jesus conduziu à luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas. E elevou à dignidade de filhos e filhas os escravos do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo”

“O Domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: ”Tu crês no Filho do Homem?”. “Creio, Senhor” (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes.

O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como ‘filho da luz’”.

Que o Senhor nos cure de nossas cegueiras e ilumine nosso caminho de penitência e conversão, para celebrarmos, com exultação e alegria, a Páscoa do Senhor, envolvidos pela mais bela e desejada luminosidade que Deus quer nos oferecer, e no mundo haveremos sempre de ser. 

Deus nos criou, escolheu, chamou e nos enviou para sermos testemunhas credíveis de Sua Luz!


1) Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - 2009 - p. 178.

“Livrai-nos, Senhor, da cegueira do coração” (IVDTQA)

                                                     


“Livrai-nos, Senhor, da cegueira do coração” 

Aprofundando a Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (ano A), que nos apresenta a passagem do Evangelho de João (Jo 9,1-41), sobre o sinal que Jesus realiza, curando o cego de nascença, sejamos enriquecidos com este Comentário escrito pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém (séc. IV).

“Jesus foi ao encontro de um homem cego de nascença: os discípulos perguntaram a Jesus: Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais? Jesus respondeu: Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso é para que as obras de Deus se manifestem nele. É necessário que realizemos as obras d’Aquele que me enviou, enquanto é dia, enquanto Eu estou com vocês. Vem a noite, e o Filho será exaltado, e vós, que sois a luz do mundo, desaparecerão, e não haverá mais milagres por causa da incredulidade.

Dizendo isto, fez barro com Sua saliva e a aplicou sobre os olhos do cego. E a luz brotou da terra, como ao princípio, quando a sombra do céu, a treva cobria tudo e Ele ordenou a luz que surgisse da escuridão.

Desta forma, Ele formou a lama com a saliva, e curou o defeito que existia depois do nascimento, para mostrar que Ele, cuja mão completava o que faltava à natureza, era precisamente Aquele cuja mão deu forma à criação no princípio. E como se recusam a crer que Ele era anterior a Abraão, com esta obra provou que era o Filho do Homem que, com a Sua mão, formou o primeiro Adão da terra: na verdade, Ele curou a tara do cego com os gestos do próprio corpo.

Também fez isso para confundir aqueles que dizem que o homem é feito de quatro elementos, porque refez os membros imperfeitos com terra e saliva, fez isso para utilidade daqueles que buscavam milagres para crer: Os judeus buscam milagres. Não foi a piscina de Siloé que abriu os olhos do cego, como não são as águas do Jordão que purificam a Naamã: é a ordem do Senhor que tudo faz. Ainda mais: não é a água de nosso batismo que nos purifica, mas os nomes que se pronunciam sobre ela.

Ele ungiu os seus olhos com barro, para que os fariseus limpem a cegueira do coração. Quando o cego partiu no meio da multidão e perguntou: ‘Onde fica Siloé?’, levava a vista de todos os olhos untados. As pessoas o interrogavam e ele lhes dava a informação; elas o seguiam para ver se os seus olhos continuavam abertos. Aqueles que viam a luz material estavam conduzidos por um cego que viu a luz do Espírito; e, em sua noite, o cego era conduzido por aqueles que viam exteriormente, mas que estavam espiritualmente cegos.

O cego lavou o barro dos seus olhos, e enxergou-se a si mesmo; outros lavaram a cegueira de seu coração, e se examinaram a si mesmo. Deste modo, abrindo exteriormente os olhos de um cego, nosso Senhor abria secretamente os olhos de muitos outros cegos.

Aquele cego foi um belo e inesperado tesouro para nosso Senhor: através dele, adquiriu numerosos cegos que desta maneira também curou da cegueira do coração. Nestas poucas Palavras do Senhor estão escondidos tesouros admiráveis, e nesta cura foi esboçado um símbolo: Jesus, Filho do Criador.

Vai e lava o teu rosto. Para evitar que alguém considere aquela cura mais como um estratagema do que como um milagre, Ele o mandou lavar-se. Disse isso para mostrar que o cego não duvidava do poder de cura do Senhor, e porque, caminhando e falando, manifestasse o acontecimento e mostrasse sua fé.” (1)

Oremos:
Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai nossa cegueira do coração, que consiste na cegueira espiritual de não vermos o mundo com os Vossos olhos de misericórdia, amor e bondade.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, dai-nos, por Vossa graça, o colírio da fé, para que, de mãos dadas com a esperança, na vivência da virtude da caridade, sejamos sinais de Vossa presença.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, vivendo momentos tão difíceis com a pandemia do novo coronavírus, iluminai nossas mentes e coração para sábias e necessárias decisões e compromissos.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai nossa cegueira, para que consigamos enxergar o Caminho que sois Vós, para continuar carregando nossa cruz de cada dia, sem desânimo ou desespero.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, concedei sabedoria e luz para todos os profissionais da saúde, livrando-os de toda enfermidade, para cuidarem dos enfermos a eles confiados.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai os olhos de todas as lideranças religiosas e sociais, para que cuidem e promovam, com serenidade e sabedoria, o necessário cuidado com a vida de todos. Amém.

“Pai Nosso que estais nos céus...”



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.66-67
PS: Escrito em março de 2020

As duas posturas: cegueira e visão (IVDTQA)

As duas posturas: cegueira e visão

A cura do cego de nascença realizada por Jesus foi para que se manifestassem as obras de Deus, que se revela como a Divina Fonte de misericórdia, comunicando luz para quem em Sua Palavra confia.

Jesus, enquanto presente na comunidade é a luz do mundo, missão que depois será confiada aos discípulos, com a Sua Ressurreição (Mt 5,14).

Diante do sinal temos duas posturas distintas: cegueira e visão. Da parte dos fariseus, a cegueira. Diante do cego de nascença, a visão recuperada, alcançada porque acreditou no Senhor, confessou a fé em Jesus como o Messias esperado.

Uma passagem do Evangelho em que se revela a cegueira dos fariseus e o alto grau de visão daquele que tinha sido curado; visão alcançada por etapas e contra todas as dificuldades, indiferença da parte de alguns, perseguição e expulsão da comunidade da parte dos fariseus.

Os fariseus presos à rigidez e à frieza da prática da Lei, cegos pelos esquemas mentais legalistas, se recusaram a admitir que, realmente, foi Jesus quem restituiu a visão ao cego de nascença.

Era impossível reconhecer a ação libertadora de Jesus, sobretudo porque para eles as Escrituras afirmavam que o Messias, quando viesse, curaria todos os cegos.

Como acreditar em alguém que viola a Lei do sábado, o dia do descanso? Como realizar sinais em nome de Deus, ainda mais dia de sábado, sem fidelidade às leis religiosas do povo?

O cego de nascença, de outro lado, tem a graça da visão física e a visão mais sublime, ou seja, a visão interior, que consiste na visão da fé.

Momento expressivo desta passagem do Evangelho: a confissão de fé do cego curado pelo Senhor: −“Eu creio, Senhor!”, e se prostrou diante d’Ele em adoração.

Duas posturas tão diferentes que questionam também nossa postura. Podemos ficar numa condição de cegueira absoluta, envoltos nas trevas do pecado, ou recuperar a visão a partir da ação de Jesus em nossa vida, confiando plenamente em Sua Palavra, que nos faz verdadeiramente livres e luminosos; fazendo crepitar mais forte a chama da fé, que um dia, em nosso Batismo, foi acesa no Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, a Luz do mundo, que resplandeceu na escuridão da noite, testemunhada na madrugada da Ressurreição.

Concluo com a Oração depois da Comunhão feita na Missa no quarto Domingo da Quaresma (Ano A):

“Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a este mundo,
iluminai nossos corações com o esplendor da Vossa graça,
para pensarmos sempre o que Vos agrada
e amar-Vos de todo o coração.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG