domingo, 23 de março de 2025

Síntese da homilia crismal do Papa Francisco - 2024 (IIIDTQC)

 


Síntese da homilia crismal do Papa Francisco - 2024

Síntese da homilia do Papa Francisco, na Missa crismal do dia 28 de março de 2024, na Basílica de São Pedro-Roma.

Inicia retomando a passagem proclamada na Missa, mais especificamente o versículo do Evangelho de São Lucas - «Todos os que estavam na sinagoga, tinham os olhos fixos n’Ele» (Lc 4, 20).

A partir do caminho feito por Pedro, nos momentos da Paixão e Morte do Senhor e seu protagonismo, como que num processo de reconhecimento de sua condição pecadora, e afirmação de seu amor por Jesus, pouco mais tarde, para cumprir a missão pelo Senhor confiada: “E, vindo para fora, chorou amargamente» (Lc 22, 61-62). Os seus olhos acabaram inundados de lágrimas que, brotando dum coração ferido, o libertaram de falsas certezas e justificações. Aquele choro amargo mudou-lhe a vida.”

Na noite do renegamento, Pedro deixou espaço às lágrimas da vergonha, às lágrimas do arrependimento. E vai conhecer Jesus verdadeiramente, quando, «triste por Jesus lhe ter perguntado, a terceira vez: “Tu és deveras meu amigo?”», se deixará penetrar plenamente pelo olhar de Jesus. Então, daquele «não O conheço», passará a dizer: «Senhor, Tu sabes tudo» (Jo 21,17), afirma o Papa.

E assim, propõe aos sacerdotes, uma reflexão sobre o tema da compunção, uma palavra “talvez insólita”, diz o Papa, mas ela evoca o picar: a compunção é «uma aguilhoada no coração», um trespassamento que o fere, fazendo brotar as lágrimas do arrependimento.

Ajuda-nos a compreender sobre o que se trata a compunção:

- não é um sentimento de culpa que nos lança por terra, nem uma série de escrúpulos que paralisam, mas uma picada benéfica que queima intimamente e cura, pois o coração, quando se dá conta do próprio mal e se reconhece pecador, abre-se, acolhe a ação do Espírito Santo, como água viva que o muda a ponto de lhe correrem as lágrimas pelo rosto.

Chorar por nós próprios não significa, porém sentir pena de nós mesmos, nem tão pouco repassar as injustiças sofridas para sentirmos pena de nós mesmos, pensando que não nos deram o merecido e imaginando o futuro reservando-nos de contínuo apenas surpresas negativas.

Deste modo, chorar por nós próprios, afirma o Papa, é arrepender-nos seriamente de ter entristecido a Deus com o pecado; reconhecer que diante d’Ele sempre estamos em débito, nunca em crédito; admitir que se perdeu o caminho da santidade, não tendo confiado no amor d’Aquele que deu a vida por nós.

Adverte-nos o Papa, sobretudo os sacerdotes: “É olhar para dentro de mim e sentir pesar pela minha ingratidão e inconstância; meditar com tristeza nos meus fingimentos e falsidades; descer aos meandros da minha hipocrisia, a hipocrisia clerical: amados irmãos, aquela hipocrisia na qual escorregamos tanto… tanto. Tende cuidado com a hipocrisia clerical! Para em seguida erguer o olhar para o Crucificado e deixar-me comover pelo seu amor que sempre perdoa e eleva, que nunca deixa frustradas as esperanças de quem n’Ele confia. Assim as lágrimas continuarão a cair, e purificam o coração.

A compunção requer esforço, mas restitui a paz; um antídoto para a esclerocardia, aquela dureza do coração frequentemente denunciada por Jesus (Mc 3, 5; 10, 5).

Convida (se incluir) os sacerdotes para ver o quanto a compunção se faz presente, através do exame de consciência e na oração.

A compunção bem vivida, tem como característica a solidariedade -“ Um coração dócil, liberto pelo espírito das Bem-aventuranças, tende naturalmente a sentir compunção pelos outros: em vez de se irritar e escandalizar pelo mal feito pelos irmãos, chora pelos pecados deles. Não se escandaliza.”

Considerando que a compunção, mais do que fruto do nosso exercício, é uma graça e como tal deve ser pedida na oração, o Papa faz duas recomendações:  não olhar a vida e a vocação numa perspectiva de eficiência e imediatismo, e a segunda, como consequência da primeira, descobrir a necessidade de nos dedicarmos a uma oração que não seja obrigatória e funcional, mas livre, calma e prolongada.

Finaliza convidando os sacerdotes a voltarem para São Pedro e às suas lágrimas; bem como fazer suas as palavras recitadas no silêncio ao Presidir a Santa Missa: «Em humildade e contrição, sejamos recebidos por Vós, Senhor…» e ainda: «Lavai-me, Senhor, da minha iniquidade, e purificai-me do meu pecado».

Retoma a passagem no começo mencionada e do Profeta Isaías, «curar os quebrantados de coração» (Is 61, 1): “Então, se o coração se despedaçar, pode ser faixado e curado por Jesus. Obrigado, queridos sacerdotes, obrigado pelo vosso coração aberto e dócil; obrigado pelas vossas fadigas e obrigado pelo vosso pranto; obrigado porque levais a maravilha da misericórdia – perdoai sempre, sede misericordiosos – e levai esta misericórdia, levai Deus aos irmãos e irmãs do nosso tempo. Que o Senhor vos console, confirme e recompense! Obrigado!”

 

Se desejar, acesse e confira a homilia na integra:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2024/documents/20240328-omelia-crisma.html#:~:text=Quanto%20precisamos%20de%20ser%20libertos,que%20o%20Senhor%20realize%20maravilhas.


Conduzidos pelos Dez Mandamentos (IIIDTQB)

                                                  

Conduzidos pelos Dez Mandamentos

Reflexão à luz da passagem do Livro do Êxodo (Ex 20,1-17), que descreve a entrega do Decálogo a Moisés por Deus.

O Decálogo é o coração da Aliança no Sinai; uma síntese da Lei e são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo.

Como “sinais de trânsito”, assegura o percurso para a liberdade e vida verdadeira: 

A formulação das Dez Palavras, na sua maioria negativas, varia na extensão: mais ampla a que diz respeito à relação com Deus; muito concisa a que concerne a relação com o próximo” (1).

Mas, esta Lei não é uma imposição externa, pois se trata de Dez Palavras de vida: 

É um caminho traçado, diante de nós e dentro de nós, para guardarmos e saborearmos as belezas da vida” (2).

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d'Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos.

Deus tem que ser a referência e o valor absoluto na vida de Seu Povo, para que não volte à velha escravidão e opressão da qual foi liberto, a fim que seja livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria, consequentemente, o Povo para nova escravidão: egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça, exploração.

Com isto, curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Portanto, o Lei exerce uma função fundamental para que não se caia em nova escravidão, como fora experimentada no Egito: 

A Lei é a Palavra que estabelece a relação entre nós e o Senhor, uma Palavra que não nos limitaremos a cumprir exteriormente, mas que escutaremos e compreenderemos com uma participação intensa do coração” (3).

No Novo Testamento, Jesus sintetizará os Mandamentos em dois: 

“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).

Segundo o Bispo Santo Agostinho

“Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

Concluindo, o Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou: 

“O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Reflitamos:

 -   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?
 -   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 -   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?
 -   Como é nossa relação com nosso próximo?

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho sejamos e vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor que Ele nos deu, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal
(1) Lecionário comentado – volume I – Tempo Comum - Ed. Paulus – Lisboa – p. 793
(2) idem p. 794
(3) Idem p. 797

Nutridos pelo Corpo e Sangue do Senhor (IIIDTQB)

 


Nutridos pelo Corpo e Sangue do Senhor

Na passagem do Evangelho de São João (Jo 2,13-25), Jesus Se apresenta, como o Novo Templo de Deus. Ele nos oferece uma nova proposta de vida, uma nova forma de conceber a presença e a relação com Deus.

O templo, no tempo de Jesus, era o lugar dos sacrifícios, da purificação, do comércio. Quarenta e seis anos foram necessários para sua construção. Nele se praticava um culto nefasto, com práticas de exploração, fomentando a injustiça e a miséria do povo. No templo se sacrificavam cerca de 18.000 cordeiros, e os habitantes, que eram por volta de 55.000, triplicavam nas grandes festas.

Lá no templo está o Verdadeiro Templo, o Novo Templo de Deus, que o Senhor assegura que pode ser destruído e reconstruído em três dias, Ele próprio Jesus. Ele é o Messias esperado. Com Jesus temos a abolição do culto que não aproxima as pessoas entre si e com Deus.

A reconstrução do templo em três dias anuncia a Morte e Ressurreição de Jesus: Sua atuação tem o selo de Deus, a garantia de que Ele é o Messias e Redentor esperado. Com a purificação do templo, Deus passa a ser encontrado no outro, no qual fez morada e Se identificou.

Aceitar Jesus é aceitar Sua Pessoa e Sua proposta. Cristãos, portanto, são aqueles que aderiram ao Senhor, comeram Sua Carne, beberam Seu Sangue e se identificaram para sempre com Ele.

Deste modo, a Igreja se torna a casa de Deus, onde temos que encontrar e viver a Proposta de Salvação e libertação para todos. Nossos cultos, sacrifícios celebrados, devem reverter em vida para todos, como alegre sinal do Reino.

Quando comungamos Jesus no Sacramento da Eucaristia, somos enriquecidos com Sua presença e nos tornamos presença d’Ele junto aos nossos irmãos, porque também recebemos o Espírito Santo que n’Ela se encontra:

Reflitamos:

 -   De que modo nossa Comunidade torna presente a Boa-Nova de Jesus no mundo?
 -   Qual a relação que existe entre o que celebramos e o que vivemos?
 -  Percebemos a presença de Jesus no nosso próximo?
 -  Ajudamos a edificar a Igreja, que somos membros, ou apenas cobramos e nada fazemos?
-   Ajudamos a Igreja a ser sinal do Cristo Ressuscitado no mundo?
-   Quais os compromissos que se renovam ao participarmos do Banquete da Eucaristia?

Oremos:

“O Deus, tendo recebido o penhor do Vosso Mistério Celeste, e saciados na terra com o Pão do Céu, nós Vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o Sacramento realizou em nós. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém”. (1)


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal
(1) Oração Pós-Comunhão da Missa do 3º Domingo da Quaresma

Renovemos nossa Aliança de Amor (IIIDTQB)

Renovemos nossa Aliança de Amor

Ó Deus, dai-nos a graça de, comungando o Corpo do Vosso Filho, sobre o qual foi invocado o Espírito Santo, receber o Salutar Pão Eucarístico, selar verdadeiramente nossa aliança convosco.

Ó Deus, que comendo o Corpo e bebendo o Sangue do Vosso Filho por nós oferecido no Banquete da Eucaristia, participemos plenamente deste redentor sacrifício.

Fortalecei-nos, para que jamais rompamos este pacto de Amor, de Vossa parte irrevogável e indestrutível, porque sois fiel, e nós nem sempre o somos.

Iluminai-nos, para que esta Aliança convosco não seja uma cerimônia vazia, mas a expressão de um comprometer de toda a nossa vida, iluminados pela Palavra do Evangelho.

Ajudai-nos, para que nossa Aliança convosco não seja reduzida a uma apressada visita dominical à Igreja ou a um passeio turístico a algum Santuário.

Afastai o tédio da monotonia cotidiana, abafador de gestos mais entusiastas, que por vezes são reduzidos a atos heroicos esporádicos, marcas de uma esclerose espiritual fria e legalista.

Firmai nossos passos como filhos da luz, sem hesitações e fingimentos, falsa modéstia, preocupações temerosas, para que não tenha sido derramado em vão o Sangue do Vosso Filho.

Ó Deus, dai-nos a força do Santo Espírito para que proclamemos "Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos" sem temer as fáceis ironias e incompreensões possíveis.

Que a exemplo de Jesus Cristo, Vosso Filho amado, também "o zelo da Vossa casa nos devore", num testemunho de fé e coragem, para que vivamos um culto que Vos agrade.

Sejamos purificados de pensamentos e práticas coniventes com pequenas fraudes contra um irmão, para não sermos induzidos a fraudes maiores com funestos resultados para todos.

Sejamos também purificados de infidelidades que endureçam nossa sensibilidade a tal ponto de não mais ouvirmos os chamados concretos de Cristo, com falsas autojustificações.

Concedei-nos, neste tempo de graça e salvação, recomeçar um novo caminho, iluminados pela Vossa Palavra e, de modo especial, pelos Vossos Divinos Mandamentos.  

Firmai nossos passos neste Itinerário Quaresmal, em permanente travessia do deserto, ouvindo e vivendo a Palavra do Vosso filho Amado, para que tenhamos fome e sede da justiça de amor.

Suplicamo-Vos, enfim, ó Deus de Amor, Uno e Trino,
Que sejamos servos do Amor, que de Vós procede,
Consumindo nossa vida num alegre e generoso servir. Amém!


PS: Fonte inspiradora – Missal Dominical p. 197 - Evangelho de João (Jo 2,13-25) 

Comunidade: lugar do encontro com Deus (IIITQB)

Comunidade: lugar do encontro com Deus

Na passagem do Evangelho (Jo 2, 13-25), ao realizar a purificação do templo, Jesus anuncia que Ele mesmo é o lugar do verdadeiro encontro com Deus.

Jesus é a verdadeira presença de Deus no meio da humanidade, o Verbo que Se fez Carne.

E, ao afirmar que pode destruir o templo e o edificar em três dias, preanuncia a Sua morte e Ressurreição, que será esta, por sua vez a garantia de que Jesus veio de Deus, e que Sua atuação tem o selo de garantia de Deus.

O evangelista João situa o fato de a purificação acontecer nos dias que antecedem à Festa da Páscoa, momento em que grande multidão afluía para Jerusalém. Note-se que Jerusalém teria aproximadamente 55.000 habitantes, e nestes dias chegava a receber 125.000 peregrinos, com o sacrifício de 18.000 cordeiros na celebração pascal.

Evidentemente, o templo era lugar de grande comércio e muitos viviam dele; e aqui o sinal profético da sua purificação feita por Jesus.

O gesto de Jesus deve ser entendido neste contexto, como a comunicação de novos tempos messiânicos.

Jesus não propõe a reforma do templo, mas a abolição do culto porque era algo nefasto, ou seja, em nome de Deus o culto criava exploração, miséria, injustiça, em vez de favorecer uma sincera e frutuosa relação com Deus.

Jesus é, de fato, o novo Templo, isto é fundamental como mensagem. Ele Se faz companheiro de caminhada e aponta os caminhos de salvação.

A salvação não fica restrita às mãos dos sacerdotes do templo. Ele é Aquele que vem ao mundo comunicar a Salvação à humanidade, em sinal de total e incondicional Amor a Deus, dando Sua vida em sacrifício para a nossa redenção.

Não há mais necessidade daquele templo e seus sacrifícios. Com Ele, Jesus, a humanidade pode alcançar vida, alegria, paz, salvação sem submeter à lógica sacrificial do templo, que havia se tornado casa de comércio, covil de ladrões.

Os cristãos, tendo aderido ao Senhor e a Sua Mensagem, tendo comido a Sua Carne, bebido do Seu Sangue, precisam se identificar com Ele.

Os cristãos são, portanto, pedras vivas desse novo Templo no qual Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro da humanidade oferecendo vida e Salvação.

Cabe aos cristãos revelar ao mundo o rosto bondoso, misericordioso e terno de Deus, pelo que creem e pelo que vivem, sem dissociação, sem distanciamentos e incoerência, pois todo aquele que vive e crê no Senhor, terá a vida eterna, e já experimenta no tempo presente felicidade plena. 

Urge que nossos cultos sejam agradáveis a Deus, com implicações em nossa vida, sobretudo a Eucaristia que celebramos.

Da mesma forma, precisamos viver a Palavra que proclamamos e ouvimos, a fim de que nossos cultos não sejam apenas solenes, mas ricos de conteúdos vivenciais, com maiores compromissos com a vida, ou seja, com o Reino de Deus.

Sendo assim, quando acorremos ao Templo para celebrar, haveremos de fazê-lo de modo ativo, consciente e piedoso de modo que molda o nosso viver.

Reflitamos:

- Sentimos a presença de Deus em nossas comunidades, verdadeiros Templos de Deus?

- Sentimos a presença de Deus em cada homem e mulher, como templos de Deus?

- Há o Templo e os templos, nos quais Deus também fez Sua morada. Como cuidamos do Templo do Senhor, e também como cuidamos dos templos do Senhor?

- O que fazemos para que cada pessoa, lugar da presença de Deus, também tenha vida plena e feliz?

Que o Tempo da quaresma renove em nós a alegria de ser Igreja, amando e nos colocando a serviço dela, no compromisso com a vida e com o Reino, não esgotando nossa fé na prática de cultos e ritos, mas em sinceros e multiplicados gestos de amor, comunhão, fraternidade e solidariedade, e tão somente assim, nossos cultos serão agradáveis a Deus.

Nunca é demais dizer: há sempre um longo a caminho de conversão a percorrer, para que nossas comunidades correspondam à missão que lhes foi confiada. Vivamos, portanto, este Tempo, como tempo de graça e reconciliação e maior fidelidade aos desígnios de Deus.
  

Uma religião agradável ao Senhor (IIIDTQB)

Uma religião agradável ao Senhor

Com o 3º Domingo da Quaresma (ano B), damos mais um passo no Itinerário rumo à Páscoa do Senhor. Podemos dizer que é o Domingo da purificação do Templo por Jesus.

A passagem da primeira Leitura (Ex 20,1-17) nos apresenta o Decálogo, que são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo. Como “sinais de trânsito”, assegura o percurso para a liberdade e vida verdadeira.

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d'Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos. Javé tem que ser a referência e o valor absoluto na vida do Povo de Deus para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria o Povo de Deus, inevitavelmente, para nova escravidão marcada pelo egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça e exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Reflitamos:

 -   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?

 -   Quais os que merecem maior atenção em nossa vida?

 -   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 -   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?

 -   Como é a nossa relação com Deus?

 -   Como é nossa relação com nosso próximo?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,22-25), refletimos sobre a lógica da Cruz de Nosso Senhor que é o dom da própria vida. 

O Apóstolo Paulo se dirige a uma comunidade viva e fervorosa, mas com o eminente perigo de viver uma moral dissoluta, contrária ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus. 

Insiste para que a Comunidade cresça na fidelidade e no testemunho do Ressuscitado vivendo a “loucura da Cruz”, pois nela se manifesta o Poder Salvador de Deus, sobretudo porque o caminho do cristão é a adesão ao Cristo Crucificado e Ressuscitado: O Cristo do Amor e do dom da Vida.

Reflitamos:

 -   A quem amamos e seguimos?

 -   A quem pregamos, e como testemunhamos?

-   Para nós o que significa “viver a loucura da Cruz”?

 -   Amamos até às últimas consequências, como Jesus o fez por nós?

Na passagem do Evangelho (Jo 2,13-25), Jesus Se apresenta e é o Novo Templo de Deus, oferecendo-nos uma nova proposta de vida e uma nova forma de conceber a presença e a relação com Deus.

O templo, no tempo de Jesus, era o lugar dos sacrifícios, da purificação, do comércio. Quarenta e seis anos foram necessários para a sua construção. 

Nele se praticava um culto nefasto, com práticas de exploração, fomentando a injustiça e a miséria do povo. No templo se sacrificavam cerca de 18.000 cordeiros, e os habitantes, que eram por volta de 55.000, triplicavam nas grandes festas.

No templo está o Verdadeiro Templo, o Novo Templo de Deus, que o Senhor assegura que pode ser destruído e reconstruído em três dias, Ele próprio Jesus é o Messias esperado. Com Ele, temos a abolição do culto que não aproxima as pessoas entre si e com Deus.

A reconstrução do templo em três dias anuncia a Morte e Ressurreição de Jesus: Sua atuação tem o selo de Deus, a garantia de que Ele é o Messias e o Redentor esperado. Com a purificação do templo, Deus passa a ser encontrado no outro, no qual Ele fez morada e Se identificou.

Aceitar Jesus é aceitar Sua Pessoa e Sua proposta. Cristãos, portanto, são aqueles que aderiram ao Senhor, comeram Sua Carne, beberam Seu Sangue e se identificaram com Ele para sempre.

Deste modo, a Igreja se torna a casa de Deus, onde temos que encontrar e viver a Proposta de Salvação e libertação para todos. Nossos cultos, sacrifícios celebrados, devem reverter em vida para todos, como alegre sinal do Reino.

Quando comungamos, Jesus nos enche com a Sua presença e nos tornamos presença d’Ele junto aos nossos irmãos.

Reflitamos:

 -   De que modo nossa Comunidade torna presente a Boa Nova de Jesus no mundo?

 -   Qual a relação que existe entre o que celebramos e o que vivemos?

 -  Percebemos a presença de Jesus em nosso próximo?

 -  Ajudamos a edificar a Igreja, que somos membros, ou apenas cobramos e nada fazemos?

-   Ajudamos a Igreja a ser sinal do Cristo Ressuscitado no mundo?

-   Quais os compromissos que se renovam ao participarmos do Banquete da Eucaristia?

Oremos:

“Ó Deus, tendo recebido o penhor do Vosso Mistério Celeste, e saciados na terra com o Pão do Céu, nós Vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o Sacramento realizou em nós. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém”. 


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

 

Fidelidade aos Dez Mandamentos (IIIDTQB)

Fidelidade aos Dez Mandamentos

Na Liturgia, da segunda-feira da 17ª Semana do Tempo Comum (ano ímpar), ouvimos, na primeira Leitura, a passagem do Livro do Êxodo (Ex 32,15-24.30-34), retrata o retorno de Moisés do cume da montanha, trazendo em suas mãos as duas Tábuas da Aliança, escritas de ambos os lados, como obra de Deus.

Retrata também a infidelidade o povo de Deus que inclinado ao mal, com a fabricação do bezerro de ouro para adoração, caindo no pecado da idolatria.

Voltemos às Tábuas trazidas por Moisés: eram elas, o Decálogo , o  coração da Aliança no Sinai; uma síntese da Lei e são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo. Como “sinais de trânsito”, assegura o percurso para a liberdade e vida verdadeira: “A formulação das Dez Palavras, na sua maioria negativas, varia na extensão: mais ampla a que diz respeito á relação com Deus; muito concisa a que concerne a relação com o próximo” (1)

Mas, esta Lei não é uma imposição externa, pois se trata de Dez Palavras de vida: “É um caminho traçado, diante de nós e dentro de nós, para guardarmos e saborearmos as belezas da vida” (2).

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d'Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos. Javé tem que ser a referência e o valor absoluto na vida do Povo de Deus para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria inexoravelmente o Povo para nova escravidão: egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça, exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Portanto, a Lei exerce uma função fundamental para que não se caia em nova escravidão, como fora experimentada no Egito: “A Lei é a Palavra que estabelece a relação entre nós e o Senhor, uma Palavra que não nos limitaremos a cumprir exteriormente, mas que escutaremos e compreenderemos com uma participação intensa do coração” (3).

No Novo Testamento, Jesus sintetizará os Mandamentos em dois: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).

Segundo o Bispo Santo Agostinho: “Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

Concluindo, o Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou: “O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Reflitamos:
 -   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?
 -   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?
 -   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?
 -   Como é a nossa relação com Deus?
 -   Como é nossa relação com nosso próximo?

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho sejamos e vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor que Ele nos deu, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal
(1) Lecionário comentado – volume I – Tempo Comum - Ed. Paulus – Lisboa – p. 793
(2) idem p. 794
(3) Idem p. 797


PS: Apropriado para o terceiro Domingo da Quaresma - ano B

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