quarta-feira, 5 de março de 2025

Campanha da Fraternidade 2017

Campanha da Fraternidade 2017

A Igreja no Brasil realizou em 2017, a Campanha da Fraternidade com um tema extremamente atual, complexo e desafiador.  

Tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”;
Lema: Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15).

Objetivo Geral: “Cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”.

Não se economizou esforços em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver a Campanha que não se encerrou com a Páscoa, porque é sempre tempo de cuidarmos de nossa “Casa Comum”, assegurando vida para nós e para todos que virão depois de nós.

Oração Oficial da Campanha da Fraternidade 2017
“Deus, nosso Pai e Senhor,
nós Vos louvamos e bendizemos,
por Vossa infinita bondade.

Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.

Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela
Casa Comum.
Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais
da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criação,
alimentando o sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.
Amém!

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2017

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2017

Apresento uma síntese da Mensagem para a Quaresma, do Papa Francisco para o ano de 2017 - "A Palavra é um dom. O outro é um dom".

Fala-nos da Quaresma como “...um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”.

Trata-se também de momento favorável para a intensificação da vida espiritual, através da prática do jejum, da oração e da esmola, tendo como base a Palavra de Deus a ser ouvida e meditada mais intensamente neste tempo.

A reflexão tem como fundamentação principal a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31), uma chave para compreensão de como se tem que agir para alcançar a verdadeira felicidade e a vida eterna, que passa pela sincera conversão anteriormente mencionada.

À luz da passagem, na primeira parte o Papa nos apresenta o “outro” como um dom.

Embora a parábola inicie “...com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre que se encontra numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21)”.

Este pobre tem um nome: “Lázaro”, literalmente, “Deus ajuda” e nos interpela a solidariedade: “Lázaro ensina-nos que o outro é um dom”.

O Papa nos diz que a parábola nos faz alguns convites, e o primeiro é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido –

Em seguida, na segunda parte, o Papa nos alerta para o fato de que a parábola também põe em evidência as contradições em que vive o rico, cego pelo pecado e indiferente à realidade de Lázaro.

Entrevê-se no rico dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: amor ao dinheiro, vaidade e soberba.

Cita a passagem da Carta a Timóteo, em que o apóstolo Paulo diz que “a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro” (1 Tm 6, 10) – “Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz”.

Acena também para o Evangelho de Mateus, sobre a condição do homem rico da parábola: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

Na última parte, o Papa nos apresenta a Palavra de Deus como um dom: “O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima.

A Liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: ‘Lembra-te, homem, que és pó da terra e a terra hás de voltar’. De fato, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Continua a reflexão da parábola conduzindo-nos a nos abrirmos à escuta atenta da Palavra de Deus: “Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto o levou a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo”.

De fato, a Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus, e afirma o Papa que, fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Finaliza exortando a todos nós para que vivamos a Quaresma como tempo favorável para renovação e encontro com Cristo vivo, na Sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo.

Seja a Quaresma um itinerário a ser percorrido por todos nós:

O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados.

Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana.

Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa”.

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2016

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2016

A Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016, com o Lema -“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13), e o título: “As obras de misericórdia no caminho jubilar”, foi apresentada em três tópicos:

No primeiro, ressaltou Maria, o ícone de uma Igreja que evangeliza porque é evangelizada, remetendo-nos à Bula de proclamação do Jubileu, em que nos fez o convite para que «a Quaresma daquele Ano Jubilar fosse vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiae Vultus, 17).

Fez um apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», ressaltando a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética, e nos promete o envio de Missionários da Misericórdia a fim de que seja um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus (o que ainda não temos bem claro como será).

No segundo, ressaltou sobre a Aliança de Deus com a humanidade, que é uma história de misericórdia, retratada de modo especial nas páginas da Sagrada Escritura, na ação e missão dos Profetas bíblicos.

O amor de Deus pela humanidade chega ao ápice na Encarnação de Jesus Cristo: “Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a Sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiae Vultus, 8).

Jesus é o rosto da misericórdia divina, esposo da humanidade: “O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da Sua Esposa, à qual O liga o Seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela”.

A misericórdia de Deus nos revela a ação de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar (Misericordiae Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim uma nova relação com Ele.

Por meio de Jesus crucificado, “Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e se afastou d’Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da Sua Esposa”.

No último tópico, fomos convidados a viver as obras de misericórdia corporais e espirituais.

As obras de misericórdia corporais são:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos
(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. "Das obras de misericórdia").

O Papa afirmou, ainda,  que “a misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia”, vendo em Lázaro que mendiga à porta da casa do rico (Lc 16,20-21) a figura do Cristo, que nos pobres, mendiga a nossa conversão. “Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos”, porque acometidos de uma cegueira acompanhada do delírio de  onipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado.

Este delírio de onipotência “... pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem atualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los”.

Exortou-nos para que a Quaresma do Ano Jubilar viesse a ser um tempo favorável para todos, saindo da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia, tocando por meio das obras corporais a carne de Cristo nos irmãos e irmãs, necessitados de serem nutridos, vestidos, alojados e visitados; as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar.

Insistiu para que jamais separemos as obras corporais e as espirituais, porque “tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo”.

Concluiu nos convidando a não perdermos o tempo de Quaresma, como tempo favorável à conversão, contando com a intercessão materna da Virgem Maria que, reconhecedora de sua pequenez, coloca-se humildemente como serva diante da grandeza da Misericórdia Divina (cf. Lc 1, 38).



Campanha da Fraternidade 2016


Campanha da Fraternidade 2016

A Igreja no Brasil realizou a IV Campanha da Fraternidade, Ecumênica, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador, com uma proposta em sintonia com a Encíclica do papa Francisco, “Laudato Si”. 

Tema: “Casa comum, nossa responsabilidade 
Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). 

Objetivo Geral: “Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

Não se economizou esforços em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha que não se encerrou  com a Páscoa, porque é sempre tempo de cuidarmos de nossa Casa Comum assegurando vida para nós e para todos que virão depois de nós.

Oração Oficial da Campanha da Fraternidade 2016
Deus da vida, da justiça e do amor, Vós fizestes com ternura o nosso planeta, morada de todas as espécies e povos.
Dai-nos assumir, na força da fé e em irmandade ecumênica, a corresponsabilidade na construção de um mundo sustentável e justo, para todos.
No seguimento de Jesus, com a Alegria do Evangelho e com a opção pelos pobres. (1)

(1) Dom Pedro Casaldáliga (Prelazia de São Felix do Araguaia)

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2015 (Parte I)

Não à globalização da indiferença

Uma síntese da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2015, inspirado no versículo da Carta de São Tiago:  «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5,8).

Na mensagem, contamos 17 vezes a palavra “indiferença”, e isto retratava a preocupação do Papa para todo esforço de sua superação, construindo relações mais justas e fraternas.

Iniciou a mensagem convidando-nos a viver a Quaresma como tempo de renovação para a Igreja: «tempo favorável» de graça (cf. 2  Cor6,2).

No primeiro parágrafo, mencionou a gravidade da globalização da indiferença, que tem dimensão mundial, um mal que temos, como cristãos, de enfrentar.

Somente a conversão ao Amor de Deus pode levar ao encontro de respostas para as questões que a história continuamente nos coloca; ouvindo o brado dos Profetas que levantam a voz para nos despertar, uma vez que o mundo não é indiferente a Deus, ao contrário, Ele ama o mundo até ao ponto de entregar o Seu Filho pela salvação da humanidade.

Como Igreja, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé, que se torna eficaz pelo amor  (cf. Gl 5,6), sem  fechar-se  em si mesmo, devemos viver a graça da missão, sem jamais nos surpreendermos se a Igreja for rejeitada, esmagada e ferida.

Sobre a necessária renovação do Povo de Deus para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo, e com vistas a renovação propôs três textos para meditação:

1 - «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12,26) – A Igreja.

Como corpo, a importância de nos preocuparmos uns com os outros, na comunhão dos Santos, na solidariedade, e, como cristãos, somos quem permitiu a Deus nos revestir com a Sua bondade e misericórdia, e revestidos de Cristo para nos tornarmos como Ele,  servo de Deus e dos homens, unidos pela comunhão e Oração, abertos à obra da Salvação.

Deste modo, a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo, tornarmo-nos como Ele, e isto se dá quando  ouvimos  a Palavra de Deus e recebemos os Sacramentos,  especialmente a Eucaristia, pois nela nos tornamos o que recebemos: o Corpo de Cristo.

2 - «Onde está o teu irmão?» (Gn 4,9) – As paróquias e as comunidades

É a pergunta que Deus fez a Caim, quando este fez verter o sangue de Abel, e que continua sendo feita a todos nós, como também nos interpelam os Lázaros que se encontram sentados em nossas portas fechadas (cf. Lc 16,19-31).

Como Igreja militante, não podemos jamais nos acomodar e nos curvar à indiferença, de modo que a comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os  incrédulos, porque a Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os  homens.

Exortou a construção de paróquias e comunidades como “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”.

3 - «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5,8) – Cada um dos fiéis

É preciso que vençamos a tentação da indiferença, ainda que estejamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo, ao mesmo tempo, toda a nossa incapacidade de intervir.

Ao nos questionar sobre o “Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência”, apontou-nos  Três caminhos:

1- A força da Oração de muitos;

2 - Mútua ajuda com gestos de caridade, com os próximos e também com quem se encontra longe, através dos diversos organismos caritativos da Igreja;

3 - A conversão a partir do sofrimento do próximo, porque a necessidade do irmão nos recorda a fragilidade da nossa vida, a nossa dependência de Deus e dos próprios irmãos.

Suplicando a graça de Deus, aceitando os limites das nossas possibilidades, confiantes nas possibilidades infinitas que tem de reserva o Amor de Deus, podemos resistir à tentação diabólica, que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

É preciso superar a indiferença e as nossas pretensões de onipotência. E, para tanto, é preciso viver Quaresma como que um “percurso de formação do coração” (Cf. Deus Caritas Est – n.31), com um coração misericordioso (diferente de débil); ter um coração forte, firme, fechado ao tentador, mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito, e levar-se pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs.

Isto é o mesmo que dizer “um coração pobre”, que conhece as limitações próprias e se consome em favor do bem do outro; e que  somente o será quando fizermos o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, como se suplica na Ladainha ao Sagrado Coração de Jesus.

Tão somente assim, teremos um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença, e conclui com um convite:

“Não cair na vertigem da globalização da indiferença”, e construirmos uma Paróquia, comunidade de comunidades, que se tornem “ilhas de misericórdia” neste grande “mar de indiferença”.

É preciso ser uma Igreja mais comunhão, mais missionária, em que todos se empenhem na conversão, e, com o coração fortalecido, sejamos sinais da misericórdia e bondade divina para com o próximo, nosso irmão e irmã, perto ou distante, vivendo os exercícios quaresmais: Oração, jejum e esmola.

Finalmente, exortou para que vivêssemos uma Quaresma em que  o batismo seja vivido na fidelidade ao Senhor: A Missão é aquilo que o amor não pode calar.” 

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2015 (Parte II)

Quaresma: Tempo de novas posturas e caminhos

Em sua Mensagem para a Quaresma de 2015, o Papa Francisco nos exortou a não nos curvarmos diante da globalização da indiferença, que tem marcado as relações em todos os âmbitos e aspectos.

Diante da realidade que nos desafia, não podemos permitir que a languidez de espírito nos torne entorpecidos, enfraquecidos e desalentados,  pulverizando a esperança que devemos cultivar.

Não podemos cultivar sentimentos que nos roubem as forças e o entusiasmo, para que os pecados capitais não tornem turvo nosso olhar diante do horizonte da história da humanidade.

Também não podemos perder a sensibilidade, sem uma maior compreensão da realidade que nos envolve, e assim fugir aos compromissos de maior solidariedade com o outro, para que não fique empedernido nosso coração, como um mármore, ou ainda glacial, frio, indiferente...

É impensável a “acinesia da alma”, inertes, totalmente imobilizados frente às correntes que nos aprisionem e que nos asfixiem a liberdade de dar passos rumo às ideias e ideais que tornem mais bela a realidade em que estejamos inseridos.

É necessário varrer da mente, como que apagando nas brumas da memória, quaisquer pensamentos que nos levem a incorrer na displicência, ou na postura do lavar as mãos, enterrando a cabeça na areia.

Não nos é permitido deixar rolar no resvaladouro da indiferença cada segundo de nossa curta passagem neste mundo, e assim seja afastada qualquer expressão de alheamento do espírito, cruzando os braços.

Com muita propriedade, o Papa exortou que nossas comunidades se tornem ilhas de misericórdia no mar da indiferença da história, para que superemos a cultura da indiferença, construindo a cultura da solidariedade, da vida e da paz.

Deste modo, dizendo não à globalização da indiferença, não deixaremos cair no rio do esquecimento alguns valores fundamentais que devem pautar a vida: amor, verdade, justiça, liberdade.

Oportunas são as palavras do Presbítero Orígenes (séc. III) em seu Comentário sobre o Livro do Levítico:

“Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz”.

Sobretudo no Tempo da Quaresma, Tempo de graça e salvação, penitência e reconciliação, é preciso que se volte o olhar para Jesus, o Sol da Justiça, que nos garantiu a vinda do Espírito Santo para nos assistir na missão evangelizadora.

Conduzidos pelo Espírito, em fidelidade ao Senhor, veremos realizar o sonho de Deus, e não nos faltará a luz da sabedoria, porque nossa fé testemunhada dará razão de nossa esperança, em palavras e ações movidas pela chama da caridade, para que a vida e a paz se tornem uma verdade, sem qualquer espaço para o cultivo da indiferença diante da vida e do próximo, tornando autêntica nossa adoração a Deus, em espírito e verdade.

Campanha da Fraternidade 2015


Campanha da Fraternidade 2015

Igreja no Brasil realizou a Campanha da Fraternidade em 2015, no Tempo Quaresmal, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador.

Tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”
Lema: “Eu vim para servir.” (cf. Mc 10,45)

Não foram medidos esforços para acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha que não se encerrou, como se diz indevidamente, com a Páscoa.

Oração da Campanha da Fraternidade - 2015 - CNBB

Ó Pai, alegria e esperança de Vosso povo,
Vós conduzis a Igreja, servidora da vida,
nos caminhos da história.

A exemplo de Jesus Cristo e ouvindo Sua palavra
que chama à conversão,
seja Vossa Igreja testemunha viva de fraternidade
e de liberdade, de justiça e de paz.

Enviai o Vosso Espírito da Verdade
para que a sociedade se abra
à aurora de um mundo justo e solidário,
sinal do Reino que há de vir.

Por Cristo Senhor nosso.
Amém!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG