domingo, 26 de janeiro de 2025

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé (continuação) (IIIDTCC)

                                                 

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé

Continuando nossa reflexão sobre a Sagrada Liturgia, algumas questões para reflexão podem ser apresentadas:

- Temos participado das Missas dominicalmente no cumprimento da Lei do Senhor que assim diz: “Guardar Domingos e Festas de guarda”?

A nossa participação nas Missas se dá de modo pleno, consciente e participativo?

O que a participação das Missas tem mudado nosso ser e nosso compromisso de santificação da família e do mundo?

- De que modo o Mistério celebrado se prolonga em nossa vida?

Sabendo que“Cristo está sempre presente em Sua Igreja, principalmente nas ações litúrgicas”, procuramos e celebramos os Sacramentos com piedade e fé, como sinais visíveis do Amor de Deus por nós?

-“Toda Celebração Litúrgica, por ser ato do Cristo Sacerdote e de Seu Corpo, a Igreja, é a ação sagrada por excelência...” - O que podemos fazer para que a Assembleia compreenda e sinta, de fato, o valor do Mistério Eucarístico celebrado?

O que fazer para que os católicos sejam mais participantes das Missas, sobretudo aqueles que somente a procuram em ocasiões especiais?

Quais elementos (acolhida, motivações, proclamações, ambiente litúrgico, silêncio orante, cantos etc.) poderiam ser melhorados?

Evidentemente, outras questões poderiam ser feitas, porém, mais que questões e repostas, agora é o urgente desafio:

Participemos da Missa de forma plena, ativa e consciente e com toda piedade, amor, doação e entrega e nos empenhemos para que nossas Liturgias sejam melhores e mais bem celebradas.

Em nossa fragilidade, Deus manifesta Sua força (IIIDTCC)

Em nossa fragilidade, Deus manifesta Sua força

O Diácono e Doutor da Igreja Santo Efrém (séc. IV) nos enriquece para a celebração do 3º Domingo do Tempo Comum (ano C):

“Os Apóstolos vieram ao Senhor como pescadores de peixes e chegam a ser pescadores de homens, de acordo com aquilo do Profeta Jeremias: ‘Eis que enviarei pescadores de homens, e eles pescarão por todas as montanhas e por todos os lugares elevados.

Se Cristo tivesse enviado sábios, se teria dito que persuadiram ao povo com a sua ciência, ou que o enganaram com sua sabedoria.

Se tivesse enviado homens ricos, se diria que alimentaram o povo, ludibriando-o; ou que corromperam as pessoas com o seu dinheiro, chegando, desta forma, a dominá-las.

Se tivesse enviado homens poderosos, se diria que os seduziram por sua força, ou o constrangeram com o seu poder.

Mas os Apóstolos não tinham nada disso. O Senhor o demonstra com o exemplo de Simão. Ele era pusilânime, pois foi presa de pânico diante da voz de uma criada; era pobre, pois não pode pagar o imposto que lhe correspondia, uma moeda de ouro: ‘Não tenho ouro’, diz Pedro, ‘nem tenho prata’. Era homem sem cultura, já que, quando negou o Senhor, não soube justificar-se com astúcia.

Foram enviados, estes simples pescadores de peixes, que conseguiram vencer aos poderosos, aos ricos, aos sábios.

Milagre maravilhoso! Sendo fracos como eram, atraíram os poderosos a Sua doutrina, sem coação alguma; sendo pobres ensinaram aos ricos; sendo ignorantes tornaram homens sábios e prudentes em discípulos Seus.

A sabedoria do mundo cedeu lugar a esta sabedoria que é a sabedoria das sabedorias”. (1)

Quando Jesus lhes disse “vinde comigo”, eles deixaram imediatamente tudo para segui-Lo. Hoje, somos convidados a também percorrer este mesmo itinerário, seguindo os passos deste pequeno grupo que foi pelo mundo anunciar a Boa-Nova, cumprindo o Mandato do Senhor: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia a toda humanidade.” (Mc 16, 15).

O tempo é breve, alertou Paulo aos Coríntios (1 Cor 7, 29-31). Portanto, precisamos nos apressar neste caminho de conversão, dando continuidade à missão que o Senhor confiou aos Seus discípulos, porque a pesca continua, a pesca de homens e mulheres para a acolhida desta Boa-Nova de Vida e Salvação que o Senhor veio nos comunicar.

Também, dirigindo-se aos coríntios: “Entre você não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade. Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante.” (1 Cor 1, 26-27).

E ainda nos exortou que nos deixássemos mover por uma verdade que nos acompanha: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4, 13).

O anúncio da Boa-Nova é o retirar os peixes do mar da vida, não para serem mortos e destruídos, mas, paradoxalmente, para que tenham vida.

Como falou o Diácono, não enganamos, nem ludibriamos e tão pouco somos constrangedores ao anunciar e testemunhar a Boa- Nova:

Anunciamos a Palavra que nos liberta, fiéis à missão que o Senhor nos confiou − “É para a liberdade que Cristo nos libertou.” (Gl 5,1)

Anunciamos o próprio Senhor, que Se apresentou a nós como a Verdade que nos liberta, que nos torna verdadeiramente livres (Jo 8, 32).

A Igreja é continuadora desta missão, anunciando o Evangelho do Senhor com alegria, como nos exortou o Papa Francisco.

Que Deus nos conceda a verdadeira sabedoria do Espírito, riquezas que os ladrões não roubam nem as traças corroem, e a graça de exercer um poder que se traduz em serviço, doação, amor e entrega total e incondicional pela causa do Reino.


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 - pág. 375

A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas (IIIDTCA)

 



A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas
 
“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” 
(Mt 4, 17)
 
Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), proclamada no 3º Domingo do Tempo Comum (ano A), voltemo-nos para o Sermão de São Cesário Arles (séc. VI).
 
“Enquanto nos era lido o Santo Evangelho, caríssimos irmãos, nós escutamos: ‘Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus’. O Reino dos céus é Cristo, de quem nos consta ser conhecedor de bons e maus, e juiz de todas as coisas.
 
Portanto, antecipemo-nos a Deus na confissão de nosso pecado e castiguemos, antes do juízo, todos os erros da alma. Corre um grave risco quem não procura corrigir por todos os meios o pecado. Sobretudo devemos fazer penitência, sabendo como sabemos que teremos de prestar conta das causas de nossa negligência.
 
Reconhecei, amadíssimos, a grande piedade de nosso Deus para conosco ao querer que reparemos através da satisfação e antes do juízo, a culpa do pecado cometido; pois se o justo juiz não cessa de prevenir-nos com os Seus avisos, é para não ter um dia de recorrer à severidade.
 
Não é sem motivos, amadíssimos, que Deus nos exige torrente de lágrimas, a fim de compensar com a penitência o que perdemos pela negligência. Pois Deus bem sabe que nem sempre o homem é constante em seus propósitos: peca rotineiramente no agir e vacila no falar. Por isso lhe ensinou o caminho da penitência, a fim de que possa reconstruir o destruído e reparar o arruinado.
 
Assim, o homem, seguro do perdão, sempre deve chorar a culpa. E mesmo quando a condição humana encontre-se exercitada por muitas dificuldades, que ninguém se desespere, porque Deus é paciente e dispensa com liberalidade a todos os enfermos os tesouros de sua misericórdia.
 
Porém, é possível que alguém do povo se diga: E por que hei de temer se não fiz nada de mal? Escuta o que sobre este detalhe diz o Apóstolo João: ‘Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos e não somos sinceros’.
 
Que ninguém vos engane, amadíssimos: o pior dos pecados é não compreender os pecados. Porque todo aquele que reconhece os seus delitos pode reconciliar-se com Deus mediante a penitência, e não existe pecador mais digno de lástima do que aquele que crê não ter nada do que lamentar-se.
 
Por isso, amadíssimos, vos exorto a que, conforme o que está escrito, ‘vos humilheis sob a poderosíssima mão de Deus’, e visto que ninguém está livre do pecado, ninguém se creia isento da obrigação de satisfazer. Pois já peca por presunção de inocência o que se acredita inocente.
 
Pode ser alguém menos culpável, porém inocente? Ninguém. Certamente existe diferença entre pecador e pecador, mas ninguém está imune de culpa.
 
Portanto, amadíssimos, os que forem réus de culpas mais graves, peçam perdão com maior confiança; e os que se mantêm isentos de faltas graves, receiem para não macularem-se, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém”. (1)
 
Este Sermão é propício para que reconheçamos nossa condição pecadora: limitações, fragilidades, imperfeições e pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões.
 
Ressoem, também, as palavras de Santo Agostinho: (séc. V) em um de seus Sermões:
 
“... Deus Se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Para que o homem comesse o Pão dos Anjos, o Senhor dos Anjos Se fez homem...
 
O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça...
 
Só nasceu sem pecado Aquele que não foi gerado por homem nem pela concupiscência da carne, mas pela obediência do Espírito”.
 
Quanto mais formos capazes de reconhecer nossos pecados, mais os choraremos, e muito mais ainda recorreremos à misericórdia divina, confessando-os, de modo sublime no Sacramento da Penitência, que a Igreja nos oferece em todo o tempo.
 
Choremos nossas culpas e nossos pecados; confessemo-los diante da misericórdia divina, num contínuo processo de conversão, alegrando-nos com a presença de Jesus em nosso meio.
 
Deus nos ama para nos fazer melhores, pois é próprio do verdadeiro amor gerar o bem no coração do amado. Deus quer gerar sempre o melhor d’Ele em nós, quando nos deixamos fecundar pela Sua Santa Palavra.
 
Deus rico em misericórdia, é bondoso e compassivo e espera incansavelmente nossa conversão.
 
Iniciando o ano, é tempo de revermos caminhos, para que favoreçamos o resplandecer da luz divina por nossas palavras e ações.
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes 2013 - pp.120-121
 

Sejamos instrumentos nas mãos de Deus (IIIDTCA) (24/01)

Sejamos instrumentos nas mãos de Deus

No 3º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o Projeto de Salvação e de Vida plena que Deus tem a oferecer à humanidade em todo o tempo.

Na passagem da primeira Leitura (Is 8, 23b – 9,3), encontramos o anúncio, pelo Profeta Isaías, de que a luz de Deus brilhará por cima das montanhas da Galileia, eliminando toda a injustiça, sofrimento e desespero. 

É um anúncio que comunica confiança, esperança e alegria, pois o povo está oprimido pelos inimigos, mas o Profeta exorta à total confiança e fidelidade em Deus.

O Profeta fala de uma promessa, descortinando os sinais de liberdade no horizonte. Deus cumprirá esta promessa.

O Apóstolo Paulo na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,10-13.17), convida-nos a reassumir os compromissos batismais, tendo em Jesus a verdadeira centralidade de nossa vida de fé, superando toda e qualquer forma de divisão, grupos dentro da comunidade, tudo fazendo para a promoção da concórdia e da unidade:

“A lembrança do seu Batismo deve levar os Coríntios a compreender que eles são de Cristo e somente de Cristo. A unidade da Igreja apoia-se na pessoa de Cristo e na Sua ação salvífica na Cruz.

Este reconhecimento requer de todos os crentes unanimidade de pensamento e de ação (cf. v. 10). A unidade apoia-se na confissão de fé em Cristo: sem esta base, a unidade da comunidade dos crentes fica comprometida nos seus fundamentos. Unidade, no entanto, não significa nivelamento do pensamento e uniformidade de opinião”. (1)

A vida cristã consiste em um encontro pessoal com Jesus Cristo, e em crer que somente n’Ele e com Ele e d’Ele nos vem a Salvação. 

Tendo Jesus como centro, evitaremos tantos perigos que machucam e fragilizam a comunidade cristã, que deve ficar sempre atenta a um dos maiores perigos, as divisões. 

Portanto, deve empenhar-se para viver como família, e todos devemos ter consciência de que somos simples instrumentos nas mãos de Deus.

A nossa adesão deve ser incondicional a Jesus, o único e verdadeiro Mestre. Ninguém é imprescindível, insubstituível e inamovível.

Deve ser banido da comunidade toda forma de culto da personalidade. Nela não há espaço para incensados ou endeusados. Adoração e incenso, devem ser somente para Deus.

Se trabalhamos numa Pastoral, vamos à Missa, fazemos um serviço na Igreja ou fora dela, o façamos em nome do Senhor Jesus e para Ele.

Tudo o que fizermos não seja por alguém, tão pouco por causa de um padre, pois se assim o fizermos, há o perigo de estabelecermos um ponto final e abandono na primeira dificuldade encontrada.

Reflitamos:

- Qual a centralidade de Jesus em minha vida?
- Como nossa comunidade enfrenta e supera o perigo das divisões?

- O que faço para que a concórdia, unidade, comunhão seja um testemunho da presença de Jesus na comunidade?

Na passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), vemos que Jesus é a plena realização desta promessa de Salvação para todos os povos: sobre a ação de Jesus, a luz começa a brilhar na Galileia, da periferia para o centro. 

Jesus propõe a Boa Nova e começa a formar o Seu grupo de Apóstolos para que sejam enviados nesta alegre missão do anúncio da chegada do  Reino.

O anúncio da Salvação parte de uma região periférica, geralmente desprezada pelo paganismo, expressão da universalidade da Salvação de Deus para todos os povos.

O Evangelista Mateus, antes dos milagres, descreve o chamamento dos primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João. Estes acolheram o chamamento e responderam com toda prontidão, sem hesitação, antes mesmo de compreenderem o real significado em termos de humilhação e grandeza, provação e alegria, Cruz e Ressurreição.

Há três ideias fundamentais nesta passagem em que somos chamados a contemplar o anúncio de Jesus e abismarmos nesta incrível história de Amor de Deus por nós: a salvação é universal;  a conversão é uma exigência indispensável (metanoia); o chamado para o seguimento, para o discipulado, é iniciativa divina e a resposta é livre e pessoal.

De fato, o Senhor chama a cada um de nós pelo nome, como chamou os primeiros discípulos e espera a nossa resposta. É preciso que deixemos em  segundo plano os afetos, as seguranças, os valores que consideramos para colocar a vontade e o Projeto de Deus acima de tudo e de todos.
     
No entanto, para que isto aconteça, é necessária a conversão, que nos possibilita maior liberdade e fidelidade na resposta que um dia demos ao Senhor.

Reflitamos:

- Quando foi o nosso encontro pessoal com Jesus?
 Como este encontro tem determinado a nossa vida pessoal?

- Como discípulos missionários de Jesus irradiamos a Sua luz e alegria?
Por que muitos cristãos não são alegres mesmo professando a fé em Jesus que é a divina fonte de alegria? Talvez por que o anúncio da alegria do Evangelho não tenha ainda descido na profundidade do coração?

Oremos:

“Ó Deus, que fundastes a vossa Igreja sobre a fé dos Apóstolos, fazei que as nossas comunidades, Iluminadas pela Vossa Palavra e unidas no vínculo do Vosso Amor, se tornem sinal da Salvação e de esperança para todos os que nas trevas desejam a luz. Amém!” (2)



(1)     Lecionário Comentado - Editora Paulus - p.108 
(2)     Idem - p.111 

O Senhor nos chama para o discipulado e as exigências para segui-Lo (IIIDTCA)

 


O Senhor nos chama para o discipulado e as exigências para segui-Lo
 
No 3º Domingo do Tempo Comum (ano A), ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 4,12-23), que nos diz que Jesus foi para Cafarnaum, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta Isaías, através de Suas palavras e milagres realizados.
 
Trata-se do início da atividade pública de Jesus, na Galileia, anunciando o Reino de Deus e curando os doentes. O início se dá a partir de uma região periférica, geralmente desprezada pelo paganismo.
 
É no contexto da dura vida quotidiana que Ele chamará os primeiros discípulos para segui-Lo.
 
Deste modo, para realizar a missão, Jesus chama os Seus primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João, dois pares de irmãos.
 
O evangelista narra o modo como acolhem o chamamento e a prontidão na resposta, ainda que não compreendessem o que significava este seguimento, que seria marcado de humilhação e, ao mesmo tempo, de graça divina.
 
O chamado se dá através de palavras expressas em fórmula concisa – “está próximo o Reino dos céus” (Mt 4,17); acompanhado de um imperativo indispensável – “convertei-vos” (Mt 4,17a).
 
Neste chamado, podemos destacar três elementos essenciais:
 
a)           A centralidade de Jesus, pois o chamamento é uma iniciativa d’Ele – É Ele mesmo quem chama Seus discípulos;
b)          Exige profundo desapego: Pedro e André deixam as redes e o barco, que representavam, por sua vez, a segurança do trabalho; bem como Tiago e João deixam também o pai, que representa as próprias raízes, os afetos familiares;
c)           A comunhão com Jesus a ser vivida, a fim de que sejam devidamente preparados para a missão – “Farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19).
 
A centralidade e a comunhão com Jesus somente se tornarão possíveis com o desapego total (material e afetivo), como vemos nos três elementos que são constitutivos e inseparáveis. 
 
Deixam tudo, porque encontraram Alguém que é mais importante que tudo, e tudo se torna realidade secundária.
 
Assim haverá de ser com todos os discípulos missionários do Senhor, em todos os tempos, porque, de fato, “o discipulado não é limitado a poucos escolhidos, mas cada batizado encontra espelhada na narração evangélica a sua vocação: seguir Jesus com prontidão e sem hesitações” (1).
 
Também nós somos chamados pelo nome para sermos discípulos do Senhor, e precisamos ter a mesma prontidão e desapego dos primeiros chamados por Ele.
 
Iniciando o ano, renovemos a graça de termos sidos pelo Senhor chamados, assim como, num contínuo processo de conversão, com maior prontidão, dedicação, nos empenhando no serviço da ação evangelizadora, com renovado ardor missionário, com zelo, amor e alegria.
 
Tenhamos como exemplo a Mãe de Jesus, a mais perfeita discípula do Senhor, a Estrela da Evangelização.
 
Concluímos com esta oração de Santo Agostinho (séc. VI), pedindo a Deus força e coragem, para que sejamos revigorados na resposta ao Seu chamado, como batizados e enviados em missão:
 
“Senhor Deus meu,
minha única esperança,
atende-me e faz com que eu não cesse, 
por cansaço, de Te procurar,
mas sempre procure com ardor Teu rosto(...)
 
Diante de Ti está minha força e minha fraqueza:
conserva uma e cura a outra(...)
Faze que eu me lembre de Ti,
que Te compreenda, que Te ame”. Amém.  (2)
 
(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum - Volume I - Editora Paulus - (p.110)
(2) Santo Agostinho – in De Trinitate, XV, 28, 51

O tempo é breve (IIIDTCB)


O tempo é breve

“O tempo está abreviado...
a figura deste mundo passa”(1 Cor 7, 29-31)

A Palavra de Deus do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos fala sobre a brevidade do tempo, de modo que este é o fio condutor que liga e dá unidade temática às três leituras:

- Jn 3,1-5.10 - Dentro de quarenta dias... (1ª Leitura)
- 1 Cor 7, 29-31 - O tempo se fez curto... (2ª Leitura)
- Mc 1,14-20 - O tempo está realizado (Evangelho)

O Missal Dominical nos oferece uma reflexão enriquecedora para o aprofundamento da Liturgia deste dia:

“A vitória de Cristo sobre a morte é superação dos limites do tempo e do espaço. Cristo opera uma demitização do tempo contra as concepções que haviam divinizado, coisificado o incessante e incontrolável fluxo das estações.

A vitória sobre a morte cria um tempo e um espaço para o homem, tempo e espaço de construção de sua identidade e da identidade de toda a comunidade humana.

Um ‘tempo para o homem’ não é só dom; deve ser também conquista. Mas a busca de tempos de produção cada vez mais breves, a impossibilidade de deter-se, a máquina cada vez mais veloz como símbolo de potência, a incapacidade de controlar a corrida dos acontecimentos, a necessidade frenética de atualização para não se sentir superado de um dia para o outro, podem ser sintomas de uma nova sujeição do homem ao tempo. Uma marcha para trás”.

Quantas vezes também já dissemos “não temos tempo”, “como o tempo está passando tão rápido”, ou “o dia precisava ter mais que 24 horas”.

Estes sinais permitiram que se chamasse, por alguns, de “tempo líquido” (sociólogo Zigmunt Bauman), o tempo que se escoa pelas mãos, que nos escapa do controle, parecendo passar cada vez mais rápido.

Como discípulos de Jesus, que vivem sempre o tempo da espera do Senhor que vem, a Sua segunda vinda gloriosa, temos consciência de que o tempo é breve, a figura deste mundo passa, com olhares fixos na eternidade, nos valores eternos.

Com a sabedoria divina, vivemos a transitoriedade do tempo presente, com intensidade e esforço contínuo de santidade, para a qual Deus nos predestinou.

Sabemos também que o imperativo da conversão se faz presente em nossa vida, como esteve presente na vida nos ninivitas e de todos os povos e em todos os tempos.

Para aquele que crê, a história é como um navio atravessando o mar da vida, para ancorar no porto seguro da eternidade, certos de que o Senhor Jesus está conosco nesta travessia, com Sua presença e Palavra, dando-nos serenidade e confiança, fazendo acalmar os ventos contrários e jamais permitindo que naufraguemos e deixemos morrer sonhos, esperanças, compromissos concretos.

Urge administrar bem cada segundo da existência, empenhados e comprometidos com a cultura da vida, da solidariedade, do acolhimento e valorização do outro, sem jamais curvar à cultura do descarte do outro, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, portanto portadores de dignidade e sacralidade divinas.

Nesta modernidade líquida, em que a vida, o tempo, a própria essência da fé cristã, o amor se liquefaz, é preciso conversão, mudança de mentalidade e de atitudes, para que reencontremos a beleza da solidez dos valores que devem nortear nossa vida, expresso em relações mais fraternas, sinceras, duradouras na acolhida do outro, não tendo como critério sua produtividade, mas a sua própria essência, ou seja, a sua existência como pessoa, que não é mercadoria de valor que com o tempo se deprecia.

Viver é dar matizes divinos a cada gesto nosso: matizes divinos dão, com certeza, o sentido e a beleza do existir, porque quanto mais humanos o formos, mais a transcendência divina resplandecerá em todo o mundo.

A adoração divina é sempre apelo de conversão para que mais humanos sejamos, e relações mais fraternas construamos, no respeito a quaisquer diferenças, sem jamais violar a liberdade do outro, na mais perfeita harmonia da liberdade com responsabilidade: liberdade de expressão sempre, mas com respeito à cultura do outro e seus valores, são mais do que nunca inseparáveis.

É sempre tempo de reaprendermos o valor e a beleza da vida, e da graça do tempo que o Senhor nos concedeu.


PS: Citações extraídas do Missal Dominical p.1995

Chamado, conversão e discipulado (IIIDTCB)

                                                   

Chamado, conversão e discipulado

Com a Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre a vocação, o chamado que Deus nos faz esperando nossa resposta. Vocação como dom divino e resposta humana: Deus nos ama e nos chama à vida plena.

Na passagem da primeira Leitura (Jn 3, 1-5.10), refletimos sobre a vocação e missão de Jonas que foi chamado por Deus  para a pregação da conversão de Nínive, porque a Salvação que Deus oferece se destina a todos os povos (período provável entre 440 e 410 a.C.)

Através desta “ficção didática” da vocação de Jonas, que reluta em aceitar a missão, num primeiro momento, aprendemos sobre o imediato caminho de conversão de Nínive (capital do Império Assírio), que se tornou um modelo de resposta ao chamado e ao apelo de conversão que Deus nos faz em todo o tempo.

Duas lições desta conversão: embora considerados como maus, prepotentes, injustos e opressores, os ninivitas foram mais atentos aos desafios de Deus do que o próprio Povo eleito; e, também, que é preciso superar a visão nacionalista, particularista, exclusivista e xenófoba, que estava em moda e que ainda pode persistir ainda hoje. É preciso que aprendamos sobre a lógica de Deus, que é de bondade, misericórdia, perdão e amor sem limites.

Não é próprio da lógica divina ver os outros como inimigos que merecem ser destruídos, mas irmãos que precisam ser amados.

Urge que a humanidade aprenda a lógica de Deus; a lógica da misericórdia e bondade divina que ama os bons e os maus: os bons para que perseverem, os maus para que se convertam. Entretanto, é preciso disponibilidade e abertura para a conversão.

Deus não cristaliza o passado de pecado, não se fixa na história do pecado feito, mas nos aponta um futuro de vida nova, desde que saibamos nos questionar no tempo presente, e nos colocarmos em atitude de conversão, de transformação de pensamentos, palavras e atitudes.

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor  7,29-31), refletimos sobre a brevidade do tempo, com a necessidade de voltarmos nosso olhar para o futuro.

A comunidade de Corinto, embora jovem, viva e entusiasta, tem seus problemas e dificuldades próprias:
- Como viver a pureza evangélica dentro de uma cultura pagã?

- Como viver uma autêntica sexualidade integrada e integradora, como santuários do Espírito, onde se vivia uma realidade de desprezo à sexualidade?

- Na brevidade do tempo, como discernir na escolha de realidades terrenas, passageiras e efêmeras de um lado, e as realidades eternas de outro?

- Como viver o tempo presente na espera da segunda vinda do Senhor, a Sua vinda definitiva?

- Como viver neste mundo como peregrinos ao encontro de uma vida verdadeira e definitiva, que somente é encontrada na plena comunhão com Deus?

Na passagem do Evangelho (Mc  1,14-20), temos a proposta de conversão (“metanoia”) que Jesus faz para que O aceitemos, em incondicional adesão a Ele e ao Seu Evangelho.

Este caminho de conversão implica em acolhida da Boa Nova, com a transformação de mentalidade e comportamentos, assumindo novas atitudes, reformulando os valores que norteiam a própria vida. Trata-se de colocar Deus no centro da existência, e Sua vontade acima de tudo.

Temos também o chamado dos primeiros discípulos, que tudo largaram e se puseram a seguir o Senhor. Ele é o Messias esperado, que proclama o Reino de Deus, e para segui-Lo, na passagem do Evangelho, vemos algumas exigências para que sejamos discípulos missionários:

- A entrada na comunidade do Reino é uma iniciativa do próprio Jesus;

- Trata-se de um chamado categórico, exigente e radical, com total confiança no chamado, sem prometer garantias e sem dar maiores explicações;

- O chamado exige a adesão incondicional à Sua pessoa e à Sua Boa-Nova, pois somente assim o discípulo será uma pessoa nova, que vive no Amor de Deus expresso no amor aos irmãos;

- O chamado exige também uma resposta imediata, total e incondicional: é preciso que se deixe tudo.

É explícita a mensagem da passagem do Evangelho: Jesus convida a todos os homens e todas as mulheres para integrarem à comunidade do Reino de Deus por Ele inaugurado, bem como também é apresentado um modelo para a forma como os chamados devem escutar, acolher a este chamado.

Acolher o chamado é pôr-se a caminho, e isto nos caracteriza como discípulos, e a conversão será sempre necessária para que correspondamos melhor ao que Deus espera de nós.

Quanto maior a adesão ao Senhor, quanto mais nos sentirmos por Ele seduzidos, maior será nosso compromisso com o Reino, maior será nossa alegria, porque expressão de uma fé cheia de vigor, com a esperança renovada a cada dia, porque também nutridos pelo amor celebrado e derramado em cada Eucaristia.

Viver a vocação é ser revelador da bondade do Pai, vivendo em plenitude o sentido desta, traduzindo em caridade concreta para com os irmãos e irmãs o sinal de amor expresso na Eucaristia celebrada.

Correspondamos ao que Cristo espera de nós. Sejamos abertos aos apelos de conversão que Ele nos faz, para que com maior disponibilidade e prontidão nos coloquemos a serviço do Reino.

Na verdade, o discípulo é alguém que sentiu olhado pelo Cristo, como Ele olhou bem para Pedro, e este olhar chegou às entranhas de seu coração, que o seduziu por toda a vida, e este amor será declarado quando três vezes, mais tarde, haverá de declarar seu amor a Jesus para cuidar do rebanho a ele confiado.

Sintamo-nos também olhados por Deus, aceitemos olhá-Lo e vê-Lo no Seu Filho Amado, e o nosso coração para sempre seduzido será, assistidos pelo Espírito Santo para sermos alegres discípulos missionários do Reino.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

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