sábado, 19 de setembro de 2026

Naveguemos pelo oceano de incertezas


 

Naveguemos pelo oceano de incertezas

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27)

Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto sobre o que é viver.

Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente nos deixou, Edgar Morin:

- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas, precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos reabastecemos.” (1)

- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos esperá-lo” (2)

“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)

- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)

E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina:

“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)

Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas, pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...

O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a outra margem consiste todo o viver...

Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia, a cada momento, a cada instante.

Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.

Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus, em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência, uma delas.

Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia, por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.

 

(1)    Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p.33

(2)   Idem – p.36

(3)  P.42

(4)  P.91

(5)   P.37



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